NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Curdos iraquianos pretendem manter Referendo sobre independência

No próximo dia 25 de setembro, a população do Curdistão iraquiano e das áreas de Kirkuk, Khanqin, Sinjar e Makhmor – chamadas atualmente de “áreas disputadas”, e que não estão sob administração curda – votará um Referendo acerca da independência em relação ao Iraque. É importante observar que o atual cenário político no Iraque é favorável ao líder curdo, Massoud Barzani, motivo pelo qual aguarda-se que o voto pela independência tenha ampla maioria.

Tal condição se deve ao fato de que o atual Presidente iraquiano, Muhammad Masum, também é curdo e por muito tempo lutou pelos direitos de sua terra natal, indicativo de que, em princípio, haveria apoio por parte do Governo do Iraque em caso de um processo de independência formal. Ademais, o governo do atual Presidente é a continuação das políticas estabelecidas por seu antecessor e confidente, o também curdo Jalal Talabani, que por mais de cinquenta anos lutou pelos direitos e pela democracia junto à população curda. O apoio político pode ser observado também pelo fato de que, desde 2003, quando da intervenção norte-americana no Iraque, o Curdistão deixou de ser administrado pelo Governo central iraquiano, passando a ser regido pelo Governo Regional Curdo, com total apoio de Washington.

O presidente George W. Bush com o Masoud Barzani na Casa Branca, em 2005

É importante destacar que ainda é cedo para se falar em independência. Contudo, o Referendo em tela, caso manifeste o desejo popular favorável à independência, conterá uma importante questão econômica em caso de eventuais negociações junto ao Governo de Bagdá, uma vez que dentre as “áreas disputadas” está o território de Kirkuk. Esta região, reconhecidamente rica em petróleo e onde operam diversas empresas ocidentais, notadamente companhias petrolíferas norte-americanas, provavelmente será objeto de reivindicação tanto por Bagdá quanto pelo Governo curdo em Erbil. Por esse motivo, Barzani deve contar com provável apoio norte-americano à anexação de Kirkuk ao Curdistão, por meio do qual os Estados Unidos não só garantiriam uma maior estabilidade às suas empresas, mas também uma maior influência regional, colhendo, assim, os frutos das negociações junto aos líderes curdos desde a queda do regime de Saddam Hussein.  

O Governo curdo tem realizado nos últimos anos um importante movimento no sentido de garantir a legitimidade pelo controle de Kirkuk, ao empregar suas forças militares próprias, denominados Peshmerga, o que permite entender que o projeto de independência é bastante amplo, não se restringindo a questões étnicas ou nacionalistas. Assim, além de garantir o acesso de seu Governo a importantes jazidas petrolíferas, as forças curdas provaram a capacidade de garantir a segurança na região, de forma que continuem em pleno funcionamento em caso de um eventual controle curdo sobre Kirkuk.

Um exemplo de tal condição se deu em 2014, quando as forças do Curdistão foram as responsáveis por evitar que o Estado Islâmico pudesse capturar Kirkuk, o que garantiria ao grupo terrorista um importante fator para ampliar suas condições econômicas. Ademais, o fato de que os Peshmerga conseguiram frear o avanço do Estado Islâmico, justamente nos territórios abandonados pelas forças de Bagdá no norte do Iraque, reforça politicamente a posição curda durante eventuais negociações quanto a concessões territoriais envolvendo as regiões incluídas no Referendo.

Tropas Peshmerga nos arredores de Kirkuk, em 2014

Acontece que, apesar da aparente viabilidade nos campos político e econômico, já surgem críticas quanto ao momento em que a consulta popular se dará, devido ao atual momento de insegurança naquela região. Essa questão envolve novamente as tropas Peshmerga, além de milícias curdas, uma vez que estas são peças-chave nas forças da coalização liderada pelos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico, que ainda domina parte da cidade de Mosul e outras regiões iraquianas. Em caso de independência, as tropas curdas deixariam de ter o Estado Islâmico como prioridade, o que enfraqueceria a influência e a capacidade militar americana a curto prazo. Aliado a isso, Irã, Turquia e Síria também se opõem à independência do Curdistão iraquiano, temendo que o processo se alastre entre os curdos de outros países.

No entanto, o Governo curdo demonstra estar confiante no sucesso do Referendo e da independência, haja vista as declarações do general brigadeiro Hazhar Omer, do Ministério de Assuntos Militares do Curdistão iraquiano, o qual confirmou recentemente os atuais esforços em se adquirirem aviões de combate com o intuito de se criar uma Força Aérea Curda, uma vez que “a região caminha para um referendo e à independência, citando ainda a necessidade de um exército mais forte para o pós-Estado Islâmico”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa do Curdistão iraquiano” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Curdist%C3%A3o_iraquiano#/media/File:Autonomous_Region_Kurdistan-en.png

Imagem 2 O presidente George W. Bush com o Masoud Barzani na Casa Branca, em 2005” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Masoud_Barzani#/media/File:PresidentBushAndBarzani.jpg

Imagem 3 Tropas Peshmerga nos arredores de Kirkuk, em 2014” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Peshmerga#/media/File:Peshmerga_on_a_T-55-Tank_outside_Kirkuk_in_Iraq..jpg

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O Conflito nas relações diplomáticas do Catar

O dia 5 de junho de 2017 iniciou uma semana de alterações e movimentações diplomáticas no Oriente Médio. Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Egito anunciaram o corte nas relações diplomáticas e a suspensão de tráfego aéreo e terrestre com o Catar. O fechamento da única fronteira com a Arábia Saudita faz com que faltem suprimentos e alimentos ao país devido a dependência de importações.

A situação de isolamento do Catar afeta a sua economia, logo a população. O país é líder na exportação de gás natural e possui boa inserção no mundo ocidental, tendo, inclusive, sido escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2022. Além disso, tem em seu território uma base militar dos EUA.

Com a suspensão de relações, cidadãos dos demais países do Golfo pérsico (Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos) estão impedidos de se deslocarem ao Catar e o mesmo vale para os nacionais do país que têm duas semanas para retornar ao território catariano.

Os Estados vizinhos definiram seu posicionamento argumentando que existem laços entre as políticas regionais do Catar e o fomento ao extremismo e ao terrorismo no Oriente Médio. Essa é uma nova fase na escalada da disputa sobre o suporte a grupos políticos islamistas que também possuem laços com o Irã, o qual admite sua conexão com alguns movimentos, como a Irmandade Muçulmada e o Hamas, porém nega incentivos a ações terroristas. Supostamente, o Catar também teria auxiliado demais grupos assistidos pelo Irã, como o Hezbollah, através de pagamentos pelo resgate de reféns no Iraque.

Mapa dos Países Membros do Conselho de Cooperação do Golfo

A resposta oficial do Governo catariano mostra a “surpresa” e “descontentamento” com a decisão dos países, relembrando que é membro do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e está comprometido com os regimentos estabelecidos pela Carta da organização. A decisão dos três de seis membros do Conselho foi definida como “ilegítima”. A Organização das Nações Unidas ainda reiterou que não constam na lista oficial de organizações terroristas sancionadas pela ONU as instituições consideradas como terroristas pelos países do Conselho e pelo Egito, para justificarem sua decisão.

Em contrapartida à ação do grupo de países do Conselho, a Turquia e o Irã abriram seu espaço aéreo para o Catar e ofereceram ajuda com a falta de alimentos. O Parlamento turco também aprovou legislação que disponibiliza o envio de tropas para sua base militar no território catariano[1]. Por sua vez, o Ministro de Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, deu seu voto de confiança às medidas. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou mensagens pelo Twitter e se pronunciou oficialmente, acusando o Catar de patrocinar o terrorismo e associou sua recente visita ao Oriente Médio aos desdobramentos nas relações diplomáticas na região. Com o avanço da crise, mais Estados começam a se posicionar frente à situação, tanto através de pedidos de cooperação como com posicionamentos a favor, ou contra à decisão.

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Notas:

[1] A deliberação da medida já ocorria desde maio, com apoio dos partidos de situação e oposição.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Montagem dos principais símbolos de Doha” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Doha#

Imagem 2Mapa dos Países Membros do Conselho de Cooperação do Golfo”  (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Cooperação_do_Golfo#/media/File:Persian_Gulf_Arab_States_english.PNG

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Os avanços na Batalha de Mosul

Desde a última semana de maio, a guerra contra o Estado Islâmico (ISIL) tem sido marcada pelos novos desdobramentos da batalha na cidade de Mosul, uma das maiores cidades do Iraque e um dos principais locais de refúgio de militantes do ISIL. A área de conflito é mais extensa na porção conhecida também como a cidade antiga.

A disputa pelo seu controle foi iniciada há cerca de 7 meses e encontra-se atualmente em fase de conclusão, com os últimos redutos do Estado Islâmico na localidade sendo invadidos por soldados iraquianos. Muitos civis estão presos sem suprimentos na linha de fogo, uma vez que a ajuda humanitária enviada por helicópteros acaba se perdendo em meio ao conflito. A Organização das Nações Unidas aponta que até 200 mil pessoas podem vir a deixar a cidade devido aos avanços do confronto com tropas iraquianas.

Mapa dos Distritos de Mosul

A estratégia que está sendo utilizada para forçar a expulsão dos militantes do Estado Islâmico busca cortar a linha de suprimento e de infiltração da parcela do grupo que ainda opera do lado Sírio de sua zona de controle. Um dos três distritos alvos da operação retomada em fevereiro deste ano (2017) já foi liberado do controle do Estado Islâmico. Segundo fontes iraquianas, pelos menos 100 militantes do ISIL foram mortos na conquista do distrito de al-Sihha al-Oula e a derrota reduz a área de controle do grupo para menos de 34 Km2 e o seu contingente para menos de 500 soldados, de acordo com a Polícia Federal do Iraque

Grande parte do território que tem sido reconquistado pelos soldados iraquianos teve o apoio de ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos. Entretanto, a retomada de Mosul exige ainda mais a presença de ações terrestres, devido à maior densidade populacional da área de conflito na parte oeste da cidade, evitando situação tal qual foi vista após o ataque aéreo de março deste ano, que deixou 105 civis mortos*.

Após a conclusão dessa fase do combate ao ISIL, com a liberação da cidade de Mosul, é possível que o grupo retorne ao modelo de operação seguido pelo seu antecessor, o Estado Islâmico do Iraque (ISI). As táticas de insurgência do referido grupo foram capazes de garantir sua sobrevivência contra a forte presença militar dos EUA no país, de 2004 a 2009, e agora se tornam uma opção viável para evitar mais derrotas em embates diretos com as tropas iraquianas.

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Notas:

* Em versão oficial, o Pentágono afirmou que as mortes foram causadas por uma segunda explosão de artefatos e munições que pertenciam ao Estado Islâmico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Vista aérea do Rio Tigres em Mosul” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mossul#/media/File:Tigris_river_Mosul.jpg

Imagem 2Mapa dos Distritos de Mosul”  (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mossul#/media/File:Map_of_Mosul.svg

Imagem 3Forças Armadas do Iraque” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraqi_Armed_Forces#/media/File:Iraqi_T-72_tanks.jpg

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Combatentes curdos na Síria começam a receber armamentos dos EUA

Quinta-feira passada, 1o de junho, o Governo dos Estados Unidos (EUA), por meio do Departamento de Defesa, divulgou que o país começou uma série de distribuições de armas e veículos para as milícias curdas das Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla inglesa), as quais combatem o grupo terrorista Daesh (Estado Islâmico – EI), que atualmente ocupa a cidade síria de Raqqa.

Guerrilheiros curdos sírios. Fonte: Wikipedia

Washington está distribuindo as armas aos também chamados combatentes das Unidades de Proteção Popular (YPG), com o intuito de retomar aquela cidade, já dominada pelo grupo terrorista, que a intitulou como “capital do Estado Islâmico”. Segundo o site oficial do Departamento de Defesa dos EUA, os iraquianos estão se aproximando dos últimos três bairros ocupados em Mosul, e isso representa um grande progresso.

O Coronel do Exército que lidera esta operação, Ryan Dillon, revelou aos repórteres que “Liberar esses bairros finais estará entre os combates  mais difíceis que as forças iraquianas enfrentaram em sua campanha para derrotar o ISIS” e a dificuldade já é percebida quando se confirma que os combatentes do grupo terrorista já conseguiram ocupar 10 quilômetros quadrados da cidade.

A ideia de distribuição das armas já havia sido cogitada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, no início do mês passado (maio). Porém, ela não agradou ao Governo da Turquia que considerou a atitude norte-americana “extremamente perigosa”, isso por que os turcos acreditam que os combatentes das Unidades de Proteção Popular (YPG) são vistos como um braço forte do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que, por sua vez, é percebido pelo Governo da Turquia como uma organização terrorista, tanto que, em uma entrevista para uma emissora de televisão turca, o Vice Primeiro Ministro da Turquia, Nurettin Canikli, declarou que “através da YPG, os Estados Unidos dão todo tipo de apoio à organização terrorista PKK. Nós não podemos aceitar a presença de organizações terroristas que ameaçam o futuro do Estado da Turquia”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira das Unidades de Proteção do Povo (YPG); Ala armada oficial do Comitê Supremo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Unidades_de_Prote%C3%A7%C3%A3o_Popular#/media/File:People%27s_Protection_Units_Flag.svg

Imagem 2 Guerrilheiros curdos sírios” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Unidades_de_Prote%C3%A7%C3%A3o_Popular#/media/File:Kurdish-ypg-fighters.jpg

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A perspectiva de Trump para sua visita ao Oriente Médio

Alguns dias após a instauração de maiores investigações acerca da ligação do Presidente dos Estados Unidos com o envio de informações sigilosas ao Governo Russo, Donald J. Trump embarcou no avião presidencial, o Força Aérea Um, em direção a Arábia Saudita.

King Abdullah Financial Center. Fonte: Wikipedia

Antes de se observar os objetivos e resultados da visita, é importante apresentar a escolha de itinerário da viagem, a agenda do Presidente inclui Israel e o Vaticano.

Nesse sentido, é possível identificar anseios de Trump para estabelecer uma nova perspectiva sobre seu posicionamento étnico-religioso, principalmente no tocante a recuperação de sua imagem perante o mundo árabe, após a derrota da política migratória de banimento de seis países mulçumanos.

A agenda temática da visita ao Estado árabe revela que os resultados vão além desta nova postura de relacionamento com os países símbolos de três das mais importantes religiões do mundo contemporâneo (Cristianismo, Islamismo e Judaísmo). O recém assinado acordo de comércio e produção de armas entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita prevê um valor de 110 bilhões de dólares. Este montante representa a consolidação de laços estreitos com os sauditas, sendo esta uma abordagem de quem por um lado busca um forte aliado e, por outro, está atento a necessidade de expandir sua indústria militar.

Trump Hotel Las Vegas. Fonte: Wikipedia

O evento de assinatura do Acordo se deu na presença não só do Presidente estadunidense e do Rei Khalid Salman da Arábia Saudita, mas também da alta cúpula de assessores dos governos de ambas partes. Isso propiciou a assinatura de outros múltiplos acordos entre empresas norte-americanas e sauditas, principalmente em matéria de investimento internacional. A estabilidade na região do Oriente Médio exprime um interesse particular para Trump, pois, anteriormente ao seu mandato, ele buscava estabelecer uma maior presença de sua organização na região, através de investimentos do ramo imobiliário e bens de consumo.

Não obstante o lado de negócios da visita, o discurso que o Presidente Trump preparou para domingo (21 de maio) foi direcionado às lideranças de países de maioria islâmica. A fala abordou assuntos relacionadas à segurança da região e ao terrorismo, observando a questão da radicalização nesses países. O pronunciamento foi ouvido de perto pelos países próximos ao conflito na Síria, em larga escala pelo Irã, que tem grande influência e participação no conflito, em apoio ao regime de Bashar al-Assad, algo que assusta os parceiros estratégicos de Trump.

Apesar de uma ampla gama de perspectivas delicadas, é possível perceber que Trump está atento ao potencial e a importância do Oriente Médio, tanto para seus negócios privados quanto para o seu governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Chegada do Força Aérea Um à Arábia Saudita” (Fonte):

https://www.facebook.com/pg/WhiteHouse/photos/?tab=album&album_id=1317897788297951

Imagem 2King Abdullah Financial Center” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Saudi_Arabia

Imagem 3 “Trump Hotel Las Vegas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA anuncia prolongamento no Acordo Nuclear de 2015 para aliviar sanções contra o Irã

Durante a campanha para a Presidência dos Estados Unidos (EUA) de 2016, o até então candidato Donaldo Trump classificou o Acordo Nuclear que envolve o Irã, Rússia, França, Grã-Bretanha, Alemanha e os EUA (P5+1), como “um erro”, e que ele não deveria ter sido assinado, e se comprometeu a desmantelá-lo, caso assumisse a Presidência. Contudo, após a última quarta-feira, dia 17 de maio, ao que diz respeito a este assunto, aparenta-se que o atual Presidente decidiu continuar no ritmo político da administração do ex-presidente Barack Obama.

O Acordo foi firmado em julho de 2015 e entrou em vigor em janeiro do ano seguinte, representando o alívio das sanções contra o Irã. Na época, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) comprovou que o Governo iraniano cumpriu os requisitos do compromisso, por isso, as sanções, tais como as restrições de exportação do petróleo, deveriam ser interrompidas.

Rohani durante seu discurso de vitória, 15 de junho de 2013. Fonte: Wikipedia

Apesar das críticas de Trump, o mesmo, por meio do Departamento de Estado, anunciou o prolongamento do Acordo, o que beneficiou o Presidente iraniano, Hassan Rohani, que foi reeleito Presidente do país no dia 20 de maio, sábado passado. Certamente, essa notícia se tornou de extrema relevância para sua política de abertura.

Apesar da aparente folga dada pelo Governo norte-americano ao Estado iraniano, o Departamento de Estado, por meio do Embaixador Stuart Jones, entregou um relatório ao Congresso estadunidense, ainda no dia 17, alertando sobre os abusos contra os direitos humanos no país, algo que vai de encontro aos princípios da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Justamente por se tratar de um Acordo entre as Nações, Jones realizou ainda um pedido para que todos os países do mundo se unam em prol do combate a esse mal que, segundo ele, o “regime iraniano tem praticado durante décadas, cometendo graves violações dos direitos humanos contra seu próprio povo e estrangeiros”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Representantes dos países do P5+1, da UE e do Irã anunciam o acordo sobre o programa nuclear iraniano (Lausanne, abril de 2015)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/P5%2B1#/media/File:Negotiations_about_Iranian_Nuclear_Program_-_the_Ministers_of_Foreign_Affairs_and_Other_Officials_of_the_P5%2B1_and_Ministers_of_Foreign_Affairs_of_Iran_and_EU_in_Lausanne.jpg

Imagem 2 Rohani durante seu discurso de vitória, 15 de junho de 2013” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Hassan_Rouhani_press_conference_after_his_election_as_president_14.jpg