NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Guarda Revolucionária do Irã e grupo armado dos curdos se enfrentam no oeste iraniano

Desde o mês de junho (2018), o Exército dos Guardiões da Revolução Iraniana (EGRI), popularmente conhecido como Guarda Revolucionária do Irã, e o exército dos curdos*, conhecido como Peshmerga**, têm se enfrentado na região oeste do Irã, fronteira com o Iraque. De acordo com o jornal curdo Rudaw, o afrontamento iniciou quando as forças do governo de Hassan Rouhani militarizaram a área, realizando monitoramentos aéreos nas montanhas de Haji Karim, Besh Barmax, Kani Asman e Pemarray Farhad.

Mapa localizando a província de Azerbaijão do Oeste, no Irã

Tal retaliação se deve ao fato de os partidos curdos no Irã levantarem novamente a bandeira da união dos povos curdos no país e buscarem, dessa forma, apoiadores nas grandes cidades e centros populacionais. O último confronto ocorreu no início do mês de setembro (2018), na província Azerbaijão do Oeste, no território iraniano, quando as forças curdas mataram quatro membros do EGRI.

Os curdos são a terceira maior etnia do país, após os persas e os azeris*** iranianos, representando cerca de 10% da população do Irã. O Curdistão Iraniano, nome não-oficial designado aos curdos que habitam o noroeste do país, faz fronteira com a Turquia e o Iraque.

O nacionalismo curdo ganhou voz na década de 1920 com a queda do Império Otomano e materializou-se no final da Segunda Guerra Mundial, quando, com a cooperação da União Soviética, o Estado Curdo foi criado na cidade de Mahabad – atualmente capital da província de Azerbaijão do Oeste, no Irã.

Contrário ao governo de Reza Pahlavi, os curdos apoiaram a Revolução Iraniana em 1979, na expectativa de obter, em troca, reconhecimento e participação política. No entanto, o governo de Aiatolá Khomeini e as lideranças curdas do país distanciaram-se politicamente e frustraram a tentativa de aliança. Desde então, conflitos armados entre ambos os lados têm sucedido devido a tentativa de Teerã buscar obter controle sobre a região.

Finalmente, em 2015, foi criado o Partido da Vida Livre no Curdistão (sigla em inglês PJAK), organização política e militante, a qual opera na fronteira entre Irã e Iraque, erguendo a bandeira da independência curda no Irã.

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Notas:

* O povo curdo está espalhado por Armênia, Iraque, Irã, Turquia e Síria. No caso do Referendum realizado no Iraque, eles buscam a sua independência do país e unificação com outras regiões do Oriente Médio habitadas por curdos, com o propósito de criar o Curdistão.

** É o termo utilizado pelo Governo Regional do Curdistão no Iraque para designar as forças armadas do Curdistão Iraquiano. As forças Peshmerga do Curdistão existem desde o advento dos movimentos de independência curda em 1920, após o colapso do Império Otomano e da dinastia Qajar no Irã, que governavam a área por onde se distribuem os curdos.

*** Azeri corresponde a uma mescla étnica de turcos, iranianos e caucasianos. Atualmente o povo azeri encontra-se, majoritariamente, na República do Azerbaijão, no entanto, devido aos diversos impérios que dominaram a Ásia Central, os azeris estão dispersos pela região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Curdos no Iraque indo às urnas pela sua independência” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Kurdish_flags_at_the_pro-Kurdistan_referendum_and_pro-Kurdistan_independence_rally_at_Franso_Hariri_Stadiu%2C_Erbil%2C_Kurdistan_Region_of_Iraq_11.jpg

Imagem 2Mapa localizando a província de Azerbaijão do Oeste, no Irã” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/IranWestAzerbaijan-SVG.svg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Incertezas pairam na criação de novo governo no Iraque

Segunda-feira, dia 3 de setembro, foi realizada a primeira sessão no Parlamento iraquiano após as eleições nacionais em maio (2018). O objetivo da reunião era definir o orador do Parlamento. No entanto, uma disputa e indecisão sobre qual bloco de partidos havia obtido o maior número de assentos adiou o encontro para o dia 15 de setembro.

Após as eleições, as coalizões que obtiveram um maior número de votos, consequentemente, alcançaram um maior número assentos no Parlamento, porém, nenhuma destas logrou alcançar 165 cadeiras para chegar a uma maioria. Dessa forma, as coalizões passaram a aglomerar-se com o intuito de construir alianças a fim de obtê-la.

Dentre as coalizões vencedoras do pleito estão o Movimento Sadrista, liderado pelo clérigo xiita Moqtada al-Sadr, que criou um novo partido chamado Istiqama (Integridade); seguida pela coalizão Fatah (Conquista), a qual é comandada por Hadi al-Amiri, líder da Organização Badr; e em terceiro lugar a aliança Nasr al-Iraq (Vitória do Iraque), encabeçada pelo atual Primeiro-Ministro iraquiano, Haider al-Abadi.

Encontro entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o Primeiro-Ministro, Haider al-Abadi em 2017

Um dia anterior a reunião, o Movimento Sadrista formou parceria com a coalizão Nasr al-Iraq, o que permitiu obter um total de 180 assentos. Poucas horas depois, contudo, a coalizão liderada pelo predecessor de al-Abadi, Nour al-Maliki, e a Fatah, de Hadi al-Amiri, anunciaram que haviam conseguido 145 cadeiras e afirmaram que alguns parlamentares da aliança Abadi-Sadr tinham desertado do grupo. Esta declaração gerou revoltas e desconcertos no Parlamento e, desta forma, como estavam presentes apenas 85 dos 329 parlamentares e o tema em discussão eram os respectivos números de cada coalizão, a reunião foi cancelada e adiada para outra data.

A luta pelo poder reflete a divisão entre os xiitas, os quais representam a maioria no Iraque, e a influência dos seus dois principais aliados, os Estados Unidos e o Irã, que, apesar de serem inimigos no palco regional, apoiaram o governo de Bagdá na guerra contra o Estado Islâmico de 2014-2017.

Amiri e Maliki são os dois aliados mais proeminentes do Irã no Iraque, enquanto Abadi é visto como o candidato preferido dos Estados Unidos. Sadr liderou uma milícia xiita antiamericana durante a ocupação do Iraque em 2003-2011 e a guerra civil sectária. Ele agora faz campanha contra a corrupção e se apresenta como um nacionalista que rejeita a influência tanto americana quanto iraniana.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da República do Iraque” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraq#/media/File:Flag_of_Iraq.svg

Imagem 2Encontro entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o PrimeiroMinistro, Haider alAbadi em 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraq#/media/File:Haider_al-Abadi_and_Donald_Trump_in_the_Oval_Office,_March_2017.jpg

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Rússia acusa Ocidente de preparar encenação de ataque químico na Síria para justificar novo bombardeio

O Governo russo está denunciando e acusando o Ocidente, mais especificamente, Estados Unidos, Reino Unido, França, além de indiretamente alguns de seus aliados, de estarem preparando a encenação de um ataque químico na Síria, que dirão ter sido feito pelo governo de Bashar al-Assad.

O objetivo seria terem justificativas para novos bombardeios, ações variadas e possível invasão do país, na tentativa de frear o processo de paz que se desenrola, bem como fazer recuar o Exército da Síria, que vem ganhando território, graças principalmente ao apoio da Rússia, do Irã e grupos aliados deste último.

Pode-se destacar que a Turquia, apesar de membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), está identificando que a perda de controle político por parte de Assad poderá gerar fragmentação do território sírio, significando um avanço dos curdos, que, por sua vez, desejam ganhar independência de região da Turquia e fundar o seu próprio país, o projetado Curdistão, que acrescentaria ainda áreas da Síria, do Iraque e do Irã.

Major-general Igor Konashenkov com jornalistas em El-Karjatein, na Síria, em abril de 2016

Segundo declarações do Ministério da Defesa russo, fontes relataram que na região de Idlib estão chegando especialistas para realizar a encenação de um “ataque químico”, e que o local em que ocorreria a suposta atividade seria o povoado chamado Kafer Zaita. O major-general Igor Konashenkov, representante oficial do Ministério, afirmou que há “socorristas disfarçados de Capacetes Brancos” e que haveria filmagem para ser repercutida nas mídias ocidentais e locais. Em suas palavras: “No próprio povoado de Kafer Zaita está se efetuando o treinamento de um grupo de habitantes, transferidos do norte da província, para sua participação [numa] encenação de ‘danos’ causados pelas alegadas ‘munições químicas’ e ‘bombas de barril’ supostamente lançadas pelas forças governamentais da Síria, [encenação também] da falsa prestação de assistência pelos socorristas disfarçados de Capacetes Brancos e [participação na] gravação de cenas para ulterior divulgação nas mídias em inglês e do Oriente Médio. (…)” (Acréscimos feitos no original para tornar a redação mais compreensível).

Além disso, afirmou que o ataque estaria sendo planejado para os próximos dois dias, contando do momento em que fez a declaração, domingo, dia 26 de agosto, ou seja, para até hoje, dia 28, terça-feira, embora seja possível admitir que também está no seu cenário que ocorra ainda esta semana. Especificou de forma clara: “Planeja-se efetuar um ataque com munições com substâncias tóxicas a partir de lançadores de foguetes nas próximas 48 horas contra o povoado de Kafer Zaita, situado seis quilômetros para sul de Habit”.

Logo do Hayyat Tahrir al-Sham

Os detalhes da acusação são muito específicos, razão pela qual a comunidade internacional tem ficado atenta, e vem levando em consideração a alta probabilidade de que algo realmente poderá ocorrer, independentemente de quem será o responsável por esse alegado ataque químico, e de ele ser real ou encenado, caso se confirmem essas denúncias que vem sendo feitas. Trazendo mais elementos, Konashenkov também detalhou: “Pelas informações confirmadas simultaneamente por várias fontes independentes, o agrupamento terrorista Tahrir al-Sham [novo nome adotado depois do desgaste sofrido pelo reconhecidamente nefasto do bando Frente al-Nusra] está realizando os preparativos para mais uma provocação com ‘uso de armas químicas’ para seguir com as denúncias vazias de que seriam crimes das forças governamentais sírias contra a população civil da província de Idlib. (…)”.

Além desses, há outros fatos que estão sendo apresentados pelos russos como confirmadores das suspeitas:

  1. segundo informações, o destroyer estadunidense USS The Sullivans chegou ao Golfo Pérsico, e um bombardeiro B-1B foi transferido para base militar no Qatar.
  2. a declaração de John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA, dada em coletiva de imprensa no dia 22, quarta-feira da semana passada, afirmando que os sírios (no caso, o Governo sírio) “devem pensar bem antes de fazer uso de armas químicas contra a população de Idlib”. Isso pôde ser visto como uma falha de comunicação no planejamento dos norte-americanos, pois anunciaram antecipadamente o evento, ou seja, acabam robustecendo as suspeitas e dando mais força às acusações da Rússia de que os ocidentais estão provocando a situação de novo embate e serão os responsáveis pelo alegado ataque com armas químicas, mesmo que seja apenas uma encenação. A exceção para a declaração de Bolton se daria se houvesse trazido dados do serviço de inteligência. Neste caso, seriam necessárias mais informações e com detalhamento, tal qual foi feito pelo Governo russo, ao invés de fazer apenas a ameaça.

John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA

Com base no que tem sido divulgado na imprensa, deve-se acrescentar a esses dois pontos a significativa retirada dos 230 milhões de dólares de doação dos EUA do fundo de estabilização para a Síria, algo que vem sendo interpretado como um recuo estadunidense em apoiar o processo de pacificação do país, devido ao caso de a guerra estar caminhando para um desfecho favorável a Assad, algo contrário aos interesses norte-americanos, tanto que o porta-voz da diplomacia dos EUA, Heather Nauert, declarou que “O presidente (Donald Trump) deixou claro que estamos preparados para permanecer na Síria até uma derrota duradoura do EI (grupo Estado Islâmico), e seguimos centrados em garantir a retirada das forças iranianas e de seus aliados”. Observadores entendem que isso mostra que pretendem permanecer, mas gera a interpretação de que o objetivo mais importante é impedir os avanços dos seus adversários na região.

Outro fato relevante é a situação interna nos EUA, em que o presidente Donald Trump vem sendo submetido a críticas e constantemente surgem ameaças de que poderá ser solicitado o seu impeachment. Ou seja, uma ação externa, ainda mais dessa natureza – envolvendo direitos humanos, a Rússia, o Irã, e a Síria – poderia desviar o foco da crise pessoal que vive o mandatário norte-americano, algo que lhe impulsiona a tomar tal decisão, ou seja, realizar um bombardeio punitivo contra um ataque com armas químicas.

Lavrov se reúne com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, 10 de maio de 2017

Trazendo mais elementos que aumentam a probabilidade de que algo poderá acontecer em breve, o Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Lavrov, respondeu à afirmação de Bolton declarando que “Todas as forças estrangeiras que estão lá sem o convite do governo sírio devem eventualmente retirar-se”, tendo disso isso após o Assessor para Segurança Nacional dos EUA também ter alegado que a saída do Irã e seus aliados do território sírio era uma condição para a resolução do conflito.

Nesse sentido, há indícios de que o processo de paz dificilmente será alcançado, ocorrendo, pelo contrário, um exercício de preservação do impasse que se vive, em que, de um lado, não haverá apoio para a pacificação sem que ocorra a saída de Assad, a retirada do Irã e seus aliados, e a exclusão da influência russa na área; de outro, que a pacificação só terá resultado se Assad for preservado e os ocidentais retirados da Síria, bem como reduzidas as suas presenças na região.

Complementarmente, os turcos alertaram aos russos que seria um desastre uma solução militar em Idlib, último baluarte da resistência síria ao governo Assad. O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu, em coletiva de imprensa em Moscou, ao lado de Serguei Lavrov, foi enfático ao dizer isso: “Uma solução militar causaria uma catástrofe não somente para a região de Idlib, mas também para o futuro da Síria. Os combates podem durar muito tempo, os civis se verão afetados”. O russo, por sua vez, completou: “Quando foi criada uma zona de distensão em Idlib ninguém propôs utilizar esta região para que combatentes (…) se escondessem e utilizassem os civis como escudos humanos. (…). Não apenas ficam lá, como há ataques e disparos permanentes vindos desta zona contra as posições do exército sírio”.

Ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu

A Turquia, que apoia grupos rebeldes, prevê que o Exército sírio faça um ataque naquela região, mas não cita a probabilidade do uso de armas químicas, por isso está alertando para que não ocorra ação militar e está em negociações com a Rússia, uma vez que seus interesses estão convergindo cada vez mais com os russos e distanciando-se constantemente dos ocidentais, tanto que, no mesmo encontro, Mevlüt Cavusoglu declarou: “No entanto, é muito importante que esses grupos radicais, os terroristas, sejam neutralizados. É também muito importante para a Turquia, pois eles estão do outro lado da nossa fronteira. Representam antes de tudo uma ameaça para nós”. Reforçando esta convergência, Vladimir Putin, Presidente da Rússia, declarou, referindo-se positivamente à Turquia: “Graças aos esforços de nossos países, com participação de outros países interessados, especialmente do Irã (…), conseguimos avançar claramente na solução da crise síria”.

Diante do quadro, a denúncia e acusação feita sobre a suposta encenação de ataque com armas químicas começa a ganhar foro de alta probabilidade, uma vez que uma resposta à ação dessa natureza supostamente promovida pelo governo sírio fecha o círculo estratégico momentâneo das três potências da OTAN (EUA, Reino Unido e França), trazendo ainda mais elementos para retardar a crescente convergência entre Rússia e Turquia, bem como mais subsídios aos esforços para impedir a pacificação do país de uma maneira que não contemple o melhor cenário para os Ocidentais, ou seja: pacificação da Síria com a saída de Assad; a retirada do Irã e grupos aliados dos iranianos do território sírio; e afastamento da influência russa no país que surgiria desse processo, bem como na região médio oriental.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Print Screen da Região de Idlib destacada em rosa retirado do Google Maps” (Fonte):

https://www.google.com.br/maps/place/Idlib,+S%C3%ADria/@35.9334051,36.6421011,7z/data=!4m5!3m4!1s0x152500e6cc6ed27b:0xe59a7e2f651fc24c!8m2!3d35.8268798!4d36.6957216

Imagem 2 Majorgeneral Igor Konashenkov com jornalistas em ElKarjatein, na Síria, em abril de 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Igor_Konashenkov#/media/File:Igor_Konashenkov_(2016-04-08).jpg

Imagem 3 Logo do Hayyat Tahrir alSham” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Tahrir_al-Sham#/media/File:Hayyat_Tahrir_al-Sham_logo.jpg

Imagem 4 John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/John_R._Bolton#/media/File:John_R._Bolton_by_Gage_Skidmore.jpg

Imagem 5 Lavrov se reúne com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, 10 de maio de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sergey_Lavrov#/media/File:President_Trump_Meets_with_Russian_Foreign_Minister_Sergey_Lavrov_(33754471034).jpg

Imagem 6 Ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mevlüt_Çavuşoğlu#/media/File:Çavuşoğlu.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Assinatura do Acordo do Mar Cáspio e a geopolítica energética

No dia 12 de agosto, na cidade cazaquistanesa de Aktau, os presidentes do Azerbaijão (Ilham Aliyev), Cazaquistão (Nursultan Nazarbaev), Irã (Hassan Rohani), Rússia (Vladimir Putin) e Turcomenistão (Gurbanguly Berdimuhammedow) assinaram uma convenção relativa à administração do Mar Cáspio e de seus arredores.

Situado em uma zona transcontinental entre a Ásia e Europa, e historicamente utilizado como um importante corredor comercial e de trânsito entre as potências do leste e oeste, a região atraiu notável atenção após a descoberta de uma significativa quantidade de recursos energéticos, incluindo cerca de 50 bilhões de barris de petróleo e de 9 trilhões de metros cúbicos de gás natural.

Mapa Mar Cáspio

Posteriormente ao colapso da União Soviética (URSS), o Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão conquistaram suas independências e, como consequência, não apenas obtiveram o direito sobre o mar territorial do Cáspio, mas também poderiam usufruir e explorar seus recursos naturais. No entanto, disputas e discordâncias entre os governos centrais dos Estados limítrofes ao mar sobre demarcação de fronteiras resultou em uma limitada capacidade de exploração dos recursos aquífero e energético.

Um dos principais temas em divergência é definir se o Cáspio é um mar ou um lago. Enquanto que no primeiro caso a divisão se estenderia da margem litorânea de cada Estado até um ponto intermediário da água, no segundo a distribuição seria igualitária. Por certo nenhum dos cinco Estados foi impedido de ter acesso aos recursos naturais, no entanto, explorações energéticas mais profundas e a criação de projetos de gasodutos que atravessassem o mar foram paralisados.

Primeiramente, a convenção assinada estabeleceu e classificou o Cáspio como um mar, determinando, dessa forma, que cada Estado controle 15 milhas náuticas de água da sua costa para a exploração mineral e 25 milhas náuticas para a pesca, já as outras partes do Mar Cáspio são consideradas águas neutras para uso comum. Somado a isso, foi acordada a proibição da entrada de embarcações militares de países não-caspianos ao mar. Neste último item, cabe destacar que Irã e Rússia se beneficiam com esta decisão, uma vez que ambos os países se preocupam com o aumento da presença dos Estados Unidos e da OTAN na região, principalmente no Azerbaijão.

Apesar da assinatura do acordo ter sido uma conquista após anos de tentativas frustradas, ainda existem diversos temas à espera de resolução. No tocante à problemática ambiental e delimitação do fundo do mar, onde a maior parte dos recursos energéticos são encontrados, será necessário, segundo especialistas no assunto, negociações bilaterais para serem alcançados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Hassan Rouhani em encontro com presidente Vladimir Putin, em Teerã” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Third_GECF_summit_in_Tehran_32.jpg

Imagem 2Mapa Mar Cáspio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Caspianseamap.png

                                                                                   

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Mulheres iranianas protestam em favor dos seus direitos no país

Um movimento de jovens mulheres iranianas emergiu nos primeiros dias de agosto de 2018, contra a imposição de restrições do governo do Irã na vestimenta feminina e em seus comportamentos.

Desde 1983, quando a primeira lei islâmica foi estabelecida para o povo iraniano, o país tornou oficialmente obrigatório o uso do véu e de roupas soltas às mulheres, punindo aquelas que descumpriam a regra. No entanto, no governo reformista do presidente Mohammad Khatami (1997-2005), as mulheres foram permitidas ir às ruas utilizando roupas ao estilo ocidental, o hijab* e mostrando parcialmente os cabelos. Porém o Irã continua sendo um dos únicos países do mundo onde o código penal exige o uso da veste.

Mulher iraniana após liberalização do governo Khatami

Atualmente, diversas mulheres desafiam as restrições do hijab no Irã, publicando nas suas redes sociais fotos e vídeos sem a vestimenta. Já outras compartilham suas filmagens amadoras cantando e dançando, o que, de acordo com a lei islâmica, é crime e pode levar à prisão.

Apesar de o Facebook e o Twitter serem proibidos no país, as redes sociais são o principal meio de comunicação das mulheres que estão dentro e fora do Irã. A conscientização pública sobre o tema tem crescido ao longo dos anos nos grupos menos conservadores da sociedade e nos jovens.

Conforme atesta Atefeh Ahmadi, que atualmente vive na Turquia, devido às repressões do governo iraniano sobre sua militância contra o uso do hijab: “apesar da linha dura geralmente tomada pelas autoridades, os protestos ganharam força e não vão parar até que o governo resolva o problema fundamental. […]. Porque até parece que o Estado tem um problema com os corpos das mulheres. Em todos os lugares em que o corpo de uma mulher está envolvido, haverá uma reação do Estado. E isso provocará mais protestos”.

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Nota:

* Hijab, ou Hijabe, é um termo árabe que significa literalmente “cobertura”, “esconder dos olhares”. Nesse sentido, refere-se às vestimentas que são estabelecidas pelo Islã, ao seu conjunto, à sua totalidade. O objetivo é produzir a privacidade, garantir a moralidade, acrescentando-se ainda que a modéstia. Também é interpretado como o “véu que separa o homem de Deus”, sendo necessárias reflexões teológicas para explicar o significado desta afirmação. De forma mais direta, o termo é usado precisamente para fazer referência ao conjunto de vestimentas femininas tradicionais, e tem sido corriqueiramente aludido especificamente ao véu que as mulheres muçulmanas usam.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mulheres utilizando hijab e vestido solto” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Protests_in_Bahrain_-_Flickr_-_Al_Jazeera_English_(13).jpg

Imagem 2Mulher iraniana após liberalização do governo Khatami” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Young_Iranian_Woman_at_Manar_Jomban_(Shaking_Minarets)_-_Isfahan_-_Central_Iran_-_01_(7433558348).jpg

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Guerra no Iêmen: mais bombardeio em Hodeida

No dia 2 de agosto de 2018, bombardeios aéreos atingiram a cidade portuária de Hodeida/al-Hudaydah, situada na planície de Tiama, atingindo um mercado de peixe e as proximidades de um hospital. A cidade localiza-se, atualmente, no setor sob domínio das tropas rebeldes xiitas Houthi, apoiadas pelo Irã. Estima-se que vinte pessoas tenham morrido em consequência do ataque, muitas delas eram pescadores, e haja ao menos sessenta feridos.

O ataque foi atribuído a forças lideradas pela Arábia Saudita, porém, o coronel Turki al-Maki, porta-voz representante das forças da “Coalizão Árabe que apoia a Legitimidade no Iêmen”, negou tal informação e afirmou que milícias Houthi seriam as responsáveis pelas casualidades civis.

Um vilarejo iemenita destruído

Semanas atrás, a Coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou um ataque duradouro, a fim de expulsar os rebeldes Houthi da cidade, causando danos a civis e ao porto da cidade.

Este é essencial para a entrada de comida e ajuda humanitária e, assim como Hodeida, encontra-se sob domínio Houthi desde o final de 2014, por isso ambos têm sido alvo de ataques aéreos da Coalizão pró-governo iemenita.

O Iêmen vive uma grande crise humanitária que atinge 75% de sua população. A interrupção da entrada de suprimentos via porto de Hodeida, provindos através do Mar Vermelho, podem prejudicar milhões de iemenitas que contam apenas com eles para sua subsistência.

No dia 3 de agosto de 2018, um protesto foi realizado na capital Saná contra os estupros que têm sido praticados contra as mulheres e contra os ataques sauditas, porém, apenas meios de comunicação ligados ao Irã e à Rússia veicularam imagens e informações sobre tal protesto.

Hodeida é um dos epicentros de uma grave crise de cólera que aflige o país desde 2017 e, com a destruição da instalação de saneamento e de fornecimento de água atingidos pelos bombardeios aos arredores de Zabid, pode resultar no alastramento de uma epidemia descontrolada, que já avizinha a cidade.

O conflito no Iêmen iniciou-se em setembro de 2014 e não apresenta indícios de um cessar-fogo ou acordo de paz. Trata-se de uma guerra civil que tomou contornos regionais, com apoio de grandes nações. A população civil tem sido largamente atingida, restando poucos lugares onde a guerra não os tenha alcançado, tais como a ilha de Socotra, um ecossistema único no mundo protegido pela UNESCO.

Atualmente, é considerado o pior país para ser uma criança no mundo. Em 5 de julho de 2018, o governo dos Estados Unidos autorizou 1.250 iemenitas a ficar em território norte-americano por mais 18 meses como “Temporary Protected Status (TPS)”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Iêmen” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/I%C3%A9men#/media/File:Flag_of_Yemen.svg

Imagem 2Um vilarejo iemenita destruído” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Iemenita_(2015%E2%80%93presente)#/media/File:Villagers_scour_rubble_for_belongings_scattered_during_the_bombing_of_Hajar_Aukaish_-_Yemen_-_in_April_2015.jpg