AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Senado dos EUA aprova Lei para processos contra a Arábia Saudita pelo “11 de Setembro”

Após 15 anos dos atentados ao World Trade Center, em Nova York (Estado Unidos-EUA), o Governo Norte-Americano lança um Projeto de Lei intitulado Ato de Justiça Contra Patrocinadores do Terrorismo, que autoriza cidadãos norte-americanos, vítimas dos atentados em “11 de Setembro de 2001”, a recorrer na justiça internacional contra a Arábia Saudita, caso seja comprovado que o país em questão tenha tido envolvimento na ação.

A Lei foi inicialmente aprovada, por unanimidade, pelo Senado dos EUA na última terça-feira (17 de maio), e o próximo passo será a aprovação da Câmara de Representantes composta, em sua maioria, por republicanos, cujo presidente é Paul Ryan. Esta decisão coloca o Congresso numa rota de coalisão com o governo do presidente Barack Obama, que, por meio de seu porta voz Josh Earnest, já se posicionou contra a ação.

Direto da Casa Branca, Earnest informou que a Lei em questão “muda o direito internacional no sentido da imunidade dos Estados” e, por esse motivo, o presidente Obama teme que ela torne os EUA um “país vulnerável a outros sistemas judiciais em torno do mundo”. O pronunciamento foi realizado logo após a decisão do Senado com a aprovação.

Ainda segundo Earnest, o Presidente visa os perigos e riscos legais pelos quais os cidadãos americanos, que moram no exterior, poderão correr caso a admissão seja concluída no Congresso, visto que, os EUA, “mais do que qualquer outro país no mundo”, é o que mais se envolve com o estrangeiro, a exemplo disso, Earnest mencionou as operações de manutenção da paz e missões humanitárias como sendo os principais meios de envolvimento. Dessa forma, concordar/aprovar a Lei seria colocar, além dos cidadãos americanos, os países aliados em risco.

Contudo, caso ela venha a ser definitivamente aprovada, e o Governo saudita tenha sua participação confirmada nos atentados de “11 de Setembro”, ela permitirá que as famílias das vítimas possam processar a Arábia Saudita em busca de indenizações.

Apesar de não haver confirmação, foi identificado que 15 dos 19 sequestradores dos aviões naquele ano (2001) eram sauditas. De acordo com o New York Times, Adel al-jubeir, Ministro saudita, advertiu deputados em Washington, em março de 2015, que, sendo a Lei aprovada, poderia ocasionar represálias, envolvendo a venda de 750 bilhões de dólares em bônus do Tesouro.

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Imagem (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_viagens_presidenciais_de_Barack_Obama

 

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Iraque vive uma das piores crises humanitárias do mundo

De acordo com as estimativas das Nações Unidas, 11 milhões de iraquianos necessitam de ajuda humanitária imediata, ou seja, cerca de 1/3 dos habitantes do país (34,81 milhões). Civis e oficiais iraquianos expressaram preocupação com a situação humanitária em cidades no oeste, como Fallujah e Ramadi, pois o número de pessoas que necessitam de proteção e assistência humanitária dobrou desde o ano passado (2015). Esta cifra inclui 3,4 milhões de pessoas internamente deslocadas, desde janeiro de 2014, mais de 440.000 repatriados e 246.589 refugiados sírios. A UNOCHA (sigla para o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) chamou a crise decomplexa e em expansão” e de “uma das priores do mundo”.

Em um comunicado lido no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o enviado da ONU ao Iraque, Jan Kubis, alertou para o potencial de deslocamento em massa de um adicional de dois milhões de iraquianos nos próximos meses. Kubis pediu à comunidade internacional que forneça ajuda à Fallujah, pois, há quase dois anos, ela tem sofrido um cerco imposto, após ter se tornado a primeira cidade a cair sob controle do Estado Islâmico, em janeiro de 2014.

Desde então, o Exército iraquiano tem mantido um bloqueio quase total à Fallujah e o Estado Islâmico (EI) proibiu qualquer civil de sair da cidade. Com apenas algumas rotas permanecendo abertas, há uma grave escassez de alimentos, remédios e combustível. Aproximadamente 50.000 residentes estão em risco de fome. Além do severo domínio do Estado Islâmico imposto à cidade, a Human Rights Watch, juntamente com o Iraq Oil Reports relatam incidentes de crianças e adultos morrendo de fome ou de complicações por subnutrição.

O Governo iraquiano e as milícias xiitas aliadas também são responsáveis pela situação, por terem estabelecido um cerco e bombardearem o local. “As forças iraquianas impedem embarcações contendo alimentos e outros bens de alcançarem a cidade”, denuncia a Human Rights Watch e, conforme vem sendo divulgado, os poucos corredores humanitários estabelecidos para envio de ajuda são barrados pelo EI.

Milhões de iraquianos vivem no território controlado pelo Estado Islâmico no país e demandam alguma forma de assistência. A guerra contra o grupo criou mais de 3,4 milhões de deslocados internos, muitos vivendo em campos sem acesso a cuidados médicos, água ou roupas. Além disso, comunidades carentes hospedando uma alta concentração de deslocados internos, fora dos campos de refugiados, competem por serviços escassos, o que aumenta o risco de conflito social.

Em fevereiro de 2015, Ramadi foi totalmente recapturada pelas forças iraquianas e da coalizão liderada pelos Estados Unidos. A cidade, no entanto, permanece sob necessidade de assistência extrema. A maioria das casas foi destruída, dizem os habitantes. Enquanto os moradores locais reportam que a situação é mais gerenciável em Ramadi do que em Fallujah, eles têm manifestado preocupação com os cortes de energia, a falta de instalações médicas, bem como as minas terrestres não detonadas. “Não temos água potável. Na verdade, não temos o abastecimento de água para nada”, afirmou Fallah Khalifa, residente de Ramadi, à agência de notícias do Qatar Al Jazeera. Além disso, mais de 50 valas comuns foram descobertas nos territórios anteriormente controlados pelo Estado Islâmico, segundo enviado da ONU. Só em Ramadi, três valas contendo até 40 conjuntos de restos mortais foram achadas em um campo de futebol.

O Iraque permanece padecendo de uma severa crise de proteção humanitária, tendo também registrado neste ano (2016) um forte aumento de graves violações dos direitos da criança. Populações foram submetidas a execuções em massa, estupros sistemáticos e atos de violência, incluindo execuções e tortura. Crianças têm sido usadas como homens-bomba e escudos humanos, e mulheres e meninas foram escravizadas e submetidas à violência sexual. Estima-se que 3 milhões de crianças não têm acesso à escolas.

Neste sentido, as necessidades humanitárias no Iraque são mais críticas do que nunca. Novos deslocamentos ocorrem sempre que conflitos são registrados, mas civis em fuga agora possuem menos opções para aceder a áreas mais seguras no Iraque, devido à forte contaminação por resíduos dos explosivos de guerra e de dispositivos explosivos improvisados. O acesso à ajuda humanitária permanece muito restrito pela insegurança. Os números de repatriados que voltam ao Iraque estão aumentando, assim como as preocupações com relação às condições precárias em muitas áreas do país, pois os serviços básicos permanecem limitados, debilitados por anos de conflito, negligência e déficit de orçamento.

Estima-se que 2,4 milhões de pessoas estejam sob situação de insegurança alimentar e a desnutrição é crescente. Em 2015, a agência foi capaz de prover assistência alimentar para 2,1 milhões de pessoas no Iraque e, de acordo com o relatório de 2016 da UNOCHA, US$ 861 milhões são necessários para atender os 7,3 de 11 milhões de iraquianos alcançados pela organização, um aumento de 24%, em relação a 2015.

Além disso, o número de casos de doença aumentou em até 50% em áreas com grandes concentrações de pessoas deslocadas internamente, distendendo de forma severa as precárias instalações existentes. Surtos de doenças, incluindo a cólera, estão ocorrendo. Cada vez mais famílias iraquianas fogem para outros países em busca de segurança e melhores condições de vida. Segundo a ONU, cerca de 2,6 milhões de iraquianos deixaram o país desde o início da mais recente crise, em janeiro de 2014, quando o Estado Islâmico tomou grandes áreas do país.

Adicionalmente, mais de um milhão de iraquianos fugiram entre os anos de 2006 e 2008 devido à guerra sectária no país, que se seguiu a invasão e a ocupação liderada pelos Estados Unidos, em 2003. As forças governamentais iraquianas, apoiadas por ataques aéreos e conselheiros da coalizão internacional, conseguiram recuperar alguma parcela do território tomado pelo Estado Islâmico. No entanto, o grupo ainda controla vastas áreas do norte e oeste do Iraque

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ImagemUm veículo militar das forças de segurança iraquianas é conduzido pelas ruas iraquianas de Ramadi” (FonteReuters/IslamwebFoto de arquivo, 16 de janeiro de 2016):

http://www.islamweb.net/en/article/211030/

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA pretende vender Super Tucanos da Embraer para Nigéria

Os Estados Unidos da América (EUA) pretendem vender aeronaves da empresa brasileira Embraer S. A. para Nigéria. Serão até 12 aeronaves de ataque leve A-23 Super Tucano para o Governo nigeriano, que serão utilizadas no combate ao grupo extremista Boko Haram.

O Boko Haram é oriundo de um movimento militante islâmico que se originou no noroeste da Nigéria e que, desde o ano 2000, pretende estabelecer um Califado na região e sua vizinhança, abarcando países como Camarões, Chade e Niger. Ao longo dos últimos 7 anos, cerca de 17 mil pessoas morreram e mais de 2,5 milhões de pessoas abandonaram suas casas em virtude do avanço do grupo extremista pela área.

A venda dos Super Tucanos e o apoio militar dos EUA tem sido vistos como uma vitória de Muhammadu Buhari, que assumiu a Presidência da Nigéria em maio de 2015, diferentemente do que ocorreu com seu antecessor, que, concomitantemente, era acusado internacionalmente de fechar os olhos para as questões de Direitos Humanos. Em junho de 2015, por exemplo, a Anistia Internacional publicou um relatório apontando que, desde 2011, aproximadamente 7 mil pessoas morreram em detenção militar no país, em virtude de doenças, fome, sede, tortura e falta de cuidados médicos.

O contrato deverá passar ainda pela aprovação do Congresso norte-americano, que ainda não foi notificado formalmente sobre a possível venda. Isso ocorre porque, nos EUA, todo equipamento militar que contenha alguma tecnologia estadunidense, mesmo que produzido em outro país, depende da aprovação do Congresso dos Estados Unidos para ser vendido. Em 2006, por exemplo, os congressistas estadunidenses vetaram a venda dos Super Tucanos para a Venezuela

As aeronaves contém sistema inercial de voo, computador de bordo e outros sistemas de origem norte-americana. Se aprovado, os Super Tucanos serão produzidos no estado da Flórida, pela empresa Sierra Nevada Corp. Essas aeronaves podem ser facilmente armadas com metralhadoras e carregar até 1.150kg de armas, ademais, elas podem permanecer no ar por longos períodos, o que concederia ao Governo nigeriano uma significativa vantagem sobre o grupo extremista.

Essa não é a primeira vez que o Super Tucano é usado no combate a grupos extremistas e guerrilhas.  As Forças Armadas da Colômbia foram os primeiros a utilizar Super Tucanos. Em 2013, o Congresso norte-americano havia aprovado a venda de 20 aeronaves para o Afeganistão, no âmbito do programa Light Air Support (LAS), no valor de 428 milhões de dólares. Dessas aeronaves, oito já se encontram no Afeganistão, operando em missões contra os rebeldes Talebãs. No caso dessa transação, ainda não foram anunciados valores.

Segundo informações divulgadas pela impressa, além dessa medida, estão na agenda ações de vigilância, inteligência e treinamento das forças de infantaria nigerianas. Para alguns analistas, tais medidas de Washington evidenciam o apoio dos EUA aos países africanos.

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Imagem (Fonte):

http://www.fab.mil.br/avca2016/

EUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sírios sob risco de morte perante guarda de fronteira turca

De acordo com relatório desta semana da organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW), a guarda de fronteira turca vêm espancando e atirando em solicitantes de asilo sírios que tentam chegar à Turquia, resultando em mortes e ferimentos graves. A HRW entrevistou vítimas e testemunhas, segundo as quais, forças de segurança turcas feriram 14 pessoas e mataram cinco, incluindo uma criança, apenas nos meses de março e abril de 2016.

Já há cerca de um ano, a política de fronteira turca vem dificultando a entrada de sírios no país. Em junho de 2015, eles buscaram refúgio na Turquia, vindos da cidade de Tal Abyad, no norte da Síria, onde forças curdas e o Estado Islâmico se enfrentavam. No entanto, foram impedidos de entrar na Turquia por cercas de arame farpado e trincheiras, enquanto forças turcas disparavam tiros de advertência e usavam canhões de água a fim de conter seu avanço.

Em julho de 2015, como observado em nota analítica passada, a Turquia aumentou a fiscalização de sua fronteira após o ataque suicida de 20 de julho na cidade de Suruç e, já em novembro, estava mandando sírios de volta à zona de guerra.

Em abril deste ano (2015), uma nova onda de enfrentamentos entre o Estado Islâmico e grupos de oposição (ao Presidente sírio) no norte da Síria causaram o deslocamento forçado de pelo menos 30 mil pessoas – as quais, sem a possibilidade de entrar na Turquia, acabaram ficando encurraladas na região em conflito.

O fechamento da fronteira turca a solicitantes de asilo sírios os tem forçado a recorrer a contrabandistas para entrar neste país. A HRW entrevistou 28 deles que optaram por essa alternativa, os quais relataram terem sido interceptados por autoridades turcas, mantidos em detenção por até um dia e enviados de volta a Síria com centenas de outros compatriotas.

Em março deste ano, a União Europeia concluiu um acordo com a Turquia visando reduzir o influxo de solicitantes de asilo para a Europa, incluindo por meio do retorno de tais solicitantes à Turquia. No entanto, como afirmou John Dalhuisen, Diretor para a Europa e Ásia Central da Anistia Internacional, “a Turquia não é um país seguro para o qual retornar refugiados [ou solicitantes de asilo]”. A conclusão de Dalhuisen reflete as políticas e práticas turcas discutidas acima, marcadas pelos maus tratos de solicitantes sírios de asilo e pela possibilidade de retorno forçado à zona de guerra – lembrando que a Turquia já indicou seu interesse em estabelecer uma zona segura na Síria, para onde poderiam retornar sírios buscando refúgio em solo turco.

Como afirmado pela Human Rights Watch, “a Turquia tem o direito de proteger sua fronteira com a Síria, mas é obrigada a respeitar o princípio de nonrefoulement, que proíbe a rejeição de solicitantes de asilo na fronteira quando isso os exporia ao risco de perseguição, tortura e ameaças à vida e à liberdade”. Ao mesmo tempo, a União Europeia, que assinou acordo com a Turquia, “não deve ficar de braços cruzados e assistir à Turquia usar munição letal e coronhadas para conter o fluxo de refugiados”.

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ImagemMapa ilustrando incidentes de violência por parte da guarda de fronteira turca (em amarelo), em março e abril de 2016, ao longo da fronteira turcosíria” (Fonte):

https://www.hrw.org/news/2016/05/10/turkey-border-guards-kill-and-injure-asylum-seekers

 

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Estado Islâmico na visão dos Pré-Candidatos estadunidenses à Presidência

As primárias bipartidárias nos Estados Unidos atingiram momento importante quanto à definição dos candidatos para o sufrágio presidencial de novembro próximo. A última semana demonstrou que, pelo Partido Republicano, a nomeação de Donald Trump ficou mais próxima, após John Kasich decidir pela suspensão sua campanha e por Ted Cruz optar por renunciar a sua candidatura. Desse modo, a definição de quem serão os dois presidenciáveis depende da confirmação da nomeação de Hillary Clinton, que lidera as pesquisas pelo Partido Democrata. Entretanto, analistas acreditam que Bernie Sanders possui ímpeto em manter sua campanha por mais tempo.

O protagonismo dos últimos três candidatos evidencia também o antagonismo no planejamento governamental futuro. Em política externa, por exemplo, um dos debates em voga remete ao papel do Estado Islâmico (EI, ou ISIS – Islamic State of Iraq and Al-Sham, na terminologia considerada adequada) nos desequilíbrios em segurança internacional e por quais meios será possível por fim à ameaça que tem gerado reflexos em todo o sistema internacional.

O próximo Presidente americano terá de enfrentar condições difíceis a nível diplomático que devem incluir forças terrestres em apoio aos curdos e sobre o destino do Presidente sírio Bashar Al Assad. Nesse sentido, as mudanças podem ocorrer inclusive sobre prolongamento, ou não das incursões aéreas, da venda de armas para insurgentes considerados moderados na oposição, quanto ao treinamento e aconselhamento militar e participação das forças de operações especiais.

Na atual administração, do presidente Barack Obama, a coalizão internacional gerou frustração, principalmente de países árabes, em especial sunitas que, direcionados para o conflito Arábia Saudita versus rebeldes xiitas Houthi no Iêmen, pouco se envolveram além da retórica, fato confirmado pelo Pentágono que contabilizou mais de dez mil bombardeios no Iraque e na Síria, três quartos deles pelas forças norte-americanas a partir de fevereiro deste ano (2016).

Em relação aos candidatos, a começar por Hillary Clinton sua proposta no que tange ao Estado Islâmico é aprofundar os mecanismos de apoio com os aliados, diplomáticos e militares, através de três elementos: derrotar o ISIS na Síria e no Iraque; interromper e desmantelar a infraestrutura terrorista crescente que facilita o fluxo de combatentes, financiamento, propaganda; investir em planos de defesas para os aliados. Em relação a forças em solo, Clinton apoia a decisão de Obama, descartando essa iniciativa e deixando a cargo dos regionais a tarefa de lutar em terra, porém não rejeita forças especiais para “acompanhar” os militares iraquianos e rebeldes sírios, além de salientar a necessidade de criação de uma zona de exclusão aérea para proporcionar o deslocamento de refugiados.

O opositor democrata, Bernie Sanders, que sempre destacou de forma crítica a ação militar dos EUA no Oriente Médio, tendo se votado contra a invasão ao Iraque, em 2003, bem como da Guerra do Golfo, em 1991, entende que a derrocada do Estado Islâmico virá apenas pelo esforço unificado entre os Estados Unidos e seus aliados, principalmente líderes da região, Arábia Saudita e Turquia, na mesma proporção, mas descarta tropas em terra, por entender em um colapso do qual será difícil de sair.

Por outra via, Donald Trump direciona a política externa a repactuar iniciativas beligerantes e isolacionistas. Em novembro de 2015, após os atentados de Paris, o pré-candidato republicano alegou que poderia, uma vez Presidente, intensificar os ataques ao autoproclamado Estado Islâmico e restringir a capacidade do grupo de usar a internet como ferramenta de recrutamento. Sobre seu posicionamento quanto ao envio de tropas, mostra-se o oposto ao dois candidatos democratas. Acredita que um efetivo de 20 a 30 mil homens pode reverter o quadro de degradação das regiões sírias e iraquianas. No tocante aos refugiados, pleiteia o estabelecimento de áreas seguras para os refugiados em trânsito.

Com os três quadros demonstrando possibilidades distintas, há, porém, em comum, apenas prerrogativas de envolvimento direto, ou indireto.

Parte dos analistas internacionais acredita em outra tese para a política externa do Oriente Médio do futuro novo Presidente estadunidense. Desde a Guerra Fria, o establishment de Washington defendia a sustentação e a contenção do Médio Oriente. A elite norte-americana e a opinião pública convergiam na mesma interpretação, cujos objetivos eram a preservação ao acesso do petróleo da região, garantir a segurança de Israel e frustrar as tentativas de influência soviética e, mesmo após esse período bipolar do sistema internacional, a presença dos Estados Unidos ainda contribuiu para inúmeras ações.

Hoje, um consenso bipartidário sustenta objetivos de “abandonar” o Oriente Médio definitivamente, focando a política externa para outras regiões e com propósitos mais alinhados à matriz de desenvolvimento econômico e à reformulação do sistema financeiro. Os períodos de guerra deixaram uma nação cansada e com traumas e a elite irá direcionar o pensamento da opinião pública para essa nova vertente política.

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Imagem (Fonte):

http://www.cfr.org/publication/image-resizer.php?id=14811&preset=bkg_tcp_1160

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Trégua temporária toma efeito em Aleppo

Na madrugada de quarta-feira, 4 de maio, um cessar-fogo de dois dias entrou em vigor em Aleppo, conforme um acordo alcançado pelos Estados Unidos e Rússia. O regime de Assad aceitou respeitar a trégua. Moradores de Aleppo relataram violações dispersas, mas reportaram que o ato reduziu o nível de violência, suficientemente para que lojas pudessem abrir e as pessoas saíssem de suas casas. A violência, contudo, continua no resto do país, e um atentado duplo em Mukharam al-Fawkani, perto de Homs, matou pelo menos dez pessoas, horas após o cessar fogo em Aleppo.

O frágil cessar fogo obtido na disputada cidade de Aleppo foi anunciado por autoridades norte-americanas, em pacto com a Rússia. Militares sírios teriam informado que a trégua duraria apenas 48 horas. Ela foi alcançada após uma intensificação de combates entre “rebeldes” e o regime sírio em zonas civis, que já mataram cerca de 300 pessoas na cidade, ao longo das últimas duas semanas. A violência em Aleppo nas últimas semanas tem sido o pior conflito registrado no último ano da guerra. Ataques intencionais e diretos a hospitais, que são crimes de guerra, foram confirmados tanto em bairros sob controle do Governo quanto sob controle da Oposição, informou o Sub-Secretário-Geral da ONU, Jeffrey Feltman.

Reunidos em Washington, os responsáveis da diplomacia da União Europeia e dos Estados Unidos saudaram a extensão da trégua de fevereiro à região de Aleppo. Segundo John Kerry: “Assistimos já a uma diminuição da violência nestas áreas, mesmo que continuem a haver relatos de confrontos em algumas zonas, o que não nos surpreende, pois a trégua só entrou em vigor à meia-noite e estamos ainda no processo de comunicação”. Por seu lado, Federica Mogherini, a Alta Representante da UE para Política Externa e Segurança,  assegurou que “a União Europeia vai continuar a trabalhar no terreno para distribuir ajuda humanitária e também a trabalhar ao nível diplomático para que a retomada das discussões de Genebra permita uma transição e uma mudança política”, conforme reportou a Euronews. Nesse sentido, um cessar-fogo é essencial para a retomada das negociações de paz entre a Oposição e o Regime, previstas para a próxima terça-feira, dia 10 de abril, em Genebra.

Uma relativa calma prevalecia nesta quinta-feira, 5 de maio, na cidade síria de Aleppo, devastada pela guerra, na sequência do que foi acertado entre norte-americanos e russos. Um morador da região leste de Aleppo, controlada pelos “rebeldes”, disse que, embora caças tenham sobrevoado a área durante a noite, não houve repetição dos intensos ataques observados durante mais de 10 dias de seguidos bombardeios aéreos.

Pessoas de diversos bairros foram às ruas, onde mais lojas do que o habitual abriram as portas no bairro de Al Shaar, reportou o jornal O Estado de São Paulo. Uma fonte rebelde também afirmou que, apesar dos disparos intermitentes, a luta havia diminuído e não foram ouvidos ataques do Exército contra áreas residenciais.

A “cessação das hostilidades” para todo o país, que entrou em vigor 27 de fevereiro passado, reduziu notavelmente as mortes de civis, embora conte com diversas violações. Somente nos primeiros cinco dias, mais de 180 violações do acordo mediado pelas duas grandes potências foram documentadas, e vastas áreas de território foram excluídas do cessar-fogo. Até dezembro de 2015, a guerra civil síria já tinha matado pelo menos 470.000 pessoas, conforme aponta o Syrian Center for Policy Research, cujas estimativas afirmam ainda que a grande maioria das mortes de civis é causada por ataques do Governo.

Deve-se destacar que este novo cessar fogo para Aleppo é, na realidade, uma extensão da trégua pactuada em fevereiro. Ainda assim, o vilarejo de Mukharam al-Fawkani, localizado a cerca de 28 milhas a leste da central cidade de Homs, terceira maior cidade da Síria, foi alvo de um duplo atentado no dia 4 de maio. De acordo com a televisão estatal síria, entre os 10 mortos estavam 4 crianças e 3 mulheres. Outras 49 pessoas ficaram feridas. A Frente al Nursa, ramo da Al Qaeda na Síria, também é acusada de violar a tentativa de paralisação das hostilidades para a cidade.

O Governador de Homs, Talal Barrazi, declarou que as explosões foram desencadeadas por um carro-bomba e por um ataque suicida. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, baseado na Grã-Bretanha, também confirmou o ataque e o saldo de mortos. Não houve reivindicação imediata de responsabilidade, mas o grupo Estado Islâmico tem nos últimos meses alegado estar por trás de vários ataques mortais semelhantes na Província de Homs.

A área das explosões é perto de onde as tropas sírias e pistoleiros do Estado Islâmico têm disputado controle do vital campo de gás Shaer, que caiu nas mãos do Estado islâmico na quarta-feira, depois que os extremistas invadiram 13 postos de controle do Governo e capturaram um soldado sírio. O Observatório reportou que 34 soldados do Governo e 16 militantes foram mortos em três dias de combates no local. Esta foi a primeira vitória do grupo extremista, desde a perda da histórica cidade de Palmyra, em março último.

A trégua estabelecida entre Regime e Rebeldes exclui grupos jihadistas, tais como o Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra. As violações ao cessar fogo pelo Regime sírio e seu aliado russo se dão na medida em que presenças destes grupos extremistas são identificadas como infiltradas na oposição moderada. A Oposição acusa o Governo de violar o cessar fogo, enquanto este alega não aplicabilidade do Acordo, em virtude da presença de grupos jihadistas.

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ImagemA cidade síria de Aleppo amanhece com relativa calma, após acordo entre Estados Unidos e Rússia, para renovar uma cessação de hostilidades após duas semanas de forte violência entre rebeldese forças do governo” (FonteReuters, Abdalrhman Ismail):

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,alepo-amanhece-relativamente-calma-apos-renovacao-do-cessar-fogo–dizem-moradores,1864798