NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sanções contra autoridades do Sudão do Sul solicitadas à ONU pelos EUA foram vetadas

No último dia 5 de setembro, sexta-feira, os Estados Unidos da América (EUA) solicitaram à Organização das Nações Unidas (ONU) a aplicação de sanções contra autoridades do Sudão do Sul. De acordo com relato de Samantha Power, Embaixadora dos EUA, o pedido trata sobre a submissão de Paul Malong, Chefe do Exército do Governo, e de Johnson Olony, membro da rebelião, ao Comité de Sanções do Conselho de Segurança da ONU. No final de agosto deste ano (2015), Salva Kiir, Presidente do Sudão do Sul, e Riek Machar, ExVice Presidente  e líder rebelde, assinaram um Acordo de Paz que estipulava o cessar-fogo. Entretanto, o conflito ainda perdura no país[1].

O Sudão do Sul proclamou sua independência em julho de 2011, após anos de conflito contra o Sudão. Conforme dados divulgados pela ONU, cerca de 250 mil sudaneses se refugiaram no Sudão do Sul[2], que tem uma população de, aproximadamente, 11,74 milhões de habitantes. Em 2013, dois anos após a independência, eclodiram confrontos no interior do Exército, motivados pela rivalidade entre o Presidente e o líder rebelde. Segundo a ONU, aproximadamente 120 mil pessoas estão abrigadas em complexos da Organização, além disso, o conflito deslocou cerca de 2,2 milhões de indivíduos, fez mais de 293 mil refugiados e vitimou milhares de pessoas[3].

Essa luta pelo poder transformou-se num combate brutal, de caráter étnico e que tem vitimado civis, mulheres e crianças. Em maio de 2015, em um comunicado conjunto, a Diretora Executiva da ONU MulheresPhumzile MlamboNgcuka, o assessor especial das Nações Unidas para a Prevenção do Genocídio Adama Dieng, e a assessora especial da ONU sobre a Responsabilidade de ProtegerJennifer Welsh, declararam estar consternadas “com a grande escala, a natureza generalizada das violações e abusos relatados, incluindo assassinatos extrajudiciais, o rapto de mulheres e crianças, estupro e outras formas de violência sexual, recrutamento e utilização de crianças, saques e destruição de propriedade[4].

No início de setembro, o Conselho da ONU reuniu-se para discutir o conflito no Sudão do Sul, no entanto, ao final da reunião nenhum avanço foi informado. Naquela ocasião, Vitaly Churkin, Embaixador da Rússia, afirmou que a Missão da ONU no Sudão do Sul (Minuss) irá fazer cumprir o cessar-fogo[5]. O Acordo de Paz tem sido amplamente defendido pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), pela ONU, pela União Africana e diversos países. Ele prevê o cessar-fogo imediato e a criação de um governo de transição de unidade nacional, num período de até 90 dias. Adicionalmente, determina a desmilitarização da capital e, ainda, uma forte representação dos rebeldes nos organismos do Estado[6].

Naquele momento, o Governo estadunidense chegou a declarar que, caso o Acordo não fosse cumprido, pediria a aplicação de novas sanções. Assim, segundo o texto apresentado à ONU, os Estados Unidos solicitam a proibição de viajar, o embargo de armas, o congelamento de ativos financeiros de políticos com altos cargos no Governo, de entidades e indivíduos ligados ao conflito[7]. Conforme comunicados do dia 14 de setembro, o Conselho da ONU iria deliberar acerca do pedido e os membros teriam até o dia seguinte para opor-se a acrescentar seus nomes na lista de sanções da Organização[8]. Cabe destacar que, em julho, a Organização havia aprovado a aplicação de sanções contra seis combatentes, três de cada lado do conflito.

No entanto, no último dia 15 de setembro, Rússia e Angola bloquearam o pedido feito pelos Estados Unidos. Conforme declarou Vitaly Churkin, a decisão foi tomada depois de uma visita recente a Moscou dos Ministros das Relações Exteriores do Sudão e do Sudão do Sul, que defenderam sua postura contra as sanções. Ainda, segundo assinalou Churkin, o Governo NorteAmericanodiz “simplesmente, sanções, sanções, sanções, mas em alguns casos, isso agrava a situação[10]. Por fim, na ocasião do Acordo ficou previamente determinado que, no final desse mês, Salva Kiir e Riek Machar iriam reunir-se em Nova York com Ban Kimoon, SecretárioGeral da ONU, com propósito de reforçar o Acordo de Paz. Contudo, tendo em vista que até o momento não foi estabelecido o cessar-fogo, alguns analistas não acreditam no cumprimento do que foi acertado[11].

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Imagem (Fonte):

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/sudao-do-sul-chega-aos-4-anos-de-independencia-em-crise-humanitaria.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.washingtontimes.com/news/2015/sep/14/un-to-decide-tuesday-on-new-sanctions-against-sout/

[2] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/sudao-do-sul-chega-aos-4-anos-de-independencia-em-crise-humanitaria.html

[3] Ver:

http://nacoesunidas.org/sudao-do-sul-onu-cobra-compromisso-internacional-para-acalmar-o-conflito-no-pais/

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2015/8/36/EUA-pedem-ONU-sancoes-contra-autoridades-Sudao-Sul,8d3e86c4-e994-4f5c-a96f-d55dadd6c9e4.html

[6] Ver:

http://www.dw.com/pt/presidente-do-sud%C3%A3o-do-sul-assina-acordo-de-paz/a-18673992

[7] Ver:

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2015/8/36/EUA-pedem-ONU-sancoes-contra-autoridades-Sudao-Sul,8d3e86c4-e994-4f5c-a96f-d55dadd6c9e4.html

[8] Ver:

http://www.washingtontimes.com/news/2015/sep/14/un-to-decide-tuesday-on-new-sanctions-against-sout/

[9] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/russia-e-angola-bloqueiam-pedido-dos-eua-para-punir-sudao-do-sul.html

[10] Ver:

Idem.

[11] Ver:

Idem.

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

O incremento da presença militar russa na Síria

A Rússia é um aliado histórico da Síria, com ligações formais que remontam a 1971, ano em que foi assinado um Acordo entre a então URSS e o país do Oriente Médio. O pacto entre Moscou e Damasco já atravessou décadas e nunca se desfez, pois há questões estratégicas fundamentais que envolvem ambos os signatários. A permanência de Bashar alAssad no poder é indispensável para a manutenção de compromissos estabelecidos, no passado, entre os dois países. No entanto, a Guerra Civil Síria ameaça esta ligação estratégica e coloca em risco os interesses da Rússia no Oriente Médio. Neste contexto, segundo informações, a presença russa tem se ampliado em território sírio e evoluiu de apoio técnico-militar para a participação em operações militares ao lado das tropas daquele Governo árabe[1].

Nas últimas semanas, a imprensa mundial tem divulgado uma série de notícias acerca do envio, pela Rússia, de assessores militares para a Síria, especulando-se sobre as intenções russas de construir uma base aérea na província de Latakia, de onde pretende lançar ataques aéreos em apoio ao Governo sírio[2].

Em princípio, estas informações chegaram à Agência de Notícias Reuters, por meio de duas fontes libanesas que falaram sob a condição de anonimato, afirmando que, para além da construção da base aérea, “os russos já não são apenas conselheiros. Os russos decidiram se juntar à guerra contra o terrorismo[3].

As repercussões na comunidade internacional sobre a hipótese de um envolvimento direto da Rússia na Guerra Civil Síria está sendo encarada com preocupação por parte dos países ocidentais. Se, por um lado, os apoiantes de alAssad estão satisfeitos com os últimos acontecimentos na região, por outro, países como os EUA e Israel estão cautelosos.

As movimentações militares russas, na Síria, estão sob vigilância dos EUA. Autoridades norte-americanas, que não quiseram se identificar, confirmaram a possibilidade de uma escalada militar desencadeada por Moscou, embora o contingente russo seja pequeno[4]. Ainda segundo duas dessas autoridades, é certo que a Rússia enviou para a Síria dois navios de desembarque e dois aviões-tanque adicionais e que a presença russa se faz notar nas proximidades da cidade portuária de Latakia, que é o reduto do presidente alAssad[5], fato que confirma as informações fornecidas pelos libaneses.

Ante os últimos acontecimentos, o Secretário de Estado NorteAmericano, John Kerry, telefonou recentemente para o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, tendo demonstrado inquietação perante os fatos. Segundo Kerry, se os dados apurados estiverem corretos, isto levará a uma “maior escalada do conflito[6]. Em contrapartida, Moscou respondeu que nunca foi segredo o apoio técnico-militar à Síria.

O fornecimento de armamentos aos sírios, conforme afirmou Jadar Jadur, um especialista em assuntos relacionados com as Forças Armadas da Síria, existe desde os tempos da URSS. A comercialização de equipamentos militares para o país árabe, segundo a PortaVoz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zajarova, está “de acordo com contratos bilaterais baseados no Direito Internacional[7].

Apesar das controvérsias entre as partes envolvidas e de a Rússia não confirmar a intenção de uma escalada militar, começou a aparecer uma outra dimensão do conflito na Síria através de sinais que apontam para fora do Oriente Médio. Os EUA pretendem articular negociações com o objetivo de negar espaço aéreo à Rússia[8], algo que a Bulgária já o fez[9]. No entanto, para os grupos próHezbollah, uma participação russa mais efetiva na Guerra Civil dá fôlego à Síria e aos seus aliados, representando um novo cenário para a região, a partir de uma possível contenção das ações de Israel sobre o espaço aéreo sírio. Se se confirmar a construção da base aérea russa em território sírio, Israel terá que enfrentar o aumento das restrições, especialmente se as aeronaves estiverem equipadas com mísseis ar-ar. Segundo o jornal Haaretz, “a entrada da Rússia na arena síria muda as regras do jogo[10].

Independentemente das incertezas que imperam no momento, a construção de uma base aérea russa em Latakia é uma hipótese a ser considerada. Esta poderá ser a reafirmação estratégica da Rússia na região, que necessita do seu aliado alAssad no poder, não somente para garantir as parcerias comerciais, mas para manter as bases navais de Tartus e Latakia, consideradas essenciais.

Tartus, por exemplo, permite a presença russa no Mar Mediterrâneo sem precisar de enfrentar as adversidades do congelamento das águas e sem ter a necessidade de retornar ao Mar Negro para abastecer os seus navios. Neste momento, questões estratégicas, como as referentes a Tartus e Latakia, poderão determinar os próximos passos de Moscou e marcar uma nova fase no conflito interno sírio.

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Imagem Sukhoi SU30, da Força Aérea russa, meio ofensivo agora presente na Guerra Civil Síria” (Fonte):

http://worldavia.net/files/blogs/00_en/fligth_safety/ssj100_salak/su-30.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/09/10/us-mideast-crisis-syria-exclusive-idUSKCN0R91H720150910

[2] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/NewsReports/565862-pro-hezbollah-daily-russia-will-close-syrias-skies-to-israel

[3] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/09/09/us-mideast-crisis-syria-exclusive-idUSKCN0R91H720150909

[4] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Russia-deploys-armed-forces-in-Syria-as-rumors-of-involvement-swirl-415739

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Russia-deploys-armed-forces-in-Syria-as-rumors-of-involvement-swirl-415739

[6] Ver:

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/09/09/actualidad/1441796216_947099.html

[7] Ver:

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/09/09/actualidad/1441796216_947099.html

[8] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/09/09/us-mideast-crisis-syria-exclusive-idUSKCN0R91H720150909

[9] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Russia-deploys-armed-forces-in-Syria-as-rumors-of-involvement-swirl-415739

[10] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.674779

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Forças Especiais da Turquia cruzam a fronteira com o Iraque para perseguir militantes do PKK

Soldados Especiais da Turquia cruzaram a fronteira com o Iraque na terça-feira, dia 8 de setembro, ao perseguir militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que estariam envolvidos em um atentado a bomba, ocorrido no domingo, dia 6, que deixou mais de 16 militares turcos mortos[1]. Segundo fonte oficial da Turquia, o cruzamento da fronteira por Forças de Segurança visou evitar a fuga de suspeitos

Veículos de comunicação locais, citando militares, noticiaram que dois batalhões das Forças Especiais Turcas haviam cruzado a fronteira. Apesar da ofensiva, os ataques a Forças de Segurança da Turquia aumentaram recentemente. Também nesta terça-feira, pelo menos 14 policiais turcos morreram em dois ataques a bomba promovidos por militantes curdos[2].

Ainda na madrugada de terça-feira, em resposta ao ataque ocorrido no domingo, mais de 40 aviões de guerra da Turquia participaram de bombardeios às bases do PKK no Norte do Iraque. Desde o início da Ofensiva turca contra o PKK, em julho, mais de 200 pessoas morreram no conflito, quase a metade delas eram soldados e policiais.

A ofensiva ocorre em meio à “incerteza política no país[3], pois novas eleições legislativas foram marcadas para o dia 1o de novembro, após o fracasso do Partido que ganhou a maioria dos assentos no Parlamento, nas eleições de junho, de formar uma“coalizão para governar[3].

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Imagem (Fonte):

http://bulgarian.ruvr.ru/2013_01_08/Turski-vojski-ubili-12-kjurdi-na-granicata-s-Irak/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-34183797

[2] Ver:

http://www.hurriyetdailynews.com/coe-pace-condemn-deadly-attacks-in-turkey-call-for-discretion.aspx?pageID=238&nID=88228&NewsCatID=339

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-34181528

          

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Autoridade Nacional Palestina anuncia o fim dos Acordos de Oslo

Após um longo período de conflito, o ano de 1993 acenou para a possibilidade de paz entre Israel e a Palestina. Naquela época, na sequência de várias negociações na cidade de Oslo, na Noruega, foi assinado, nos EUA, o Acordo de Oslo, que deveria marcar uma nova fase nas relações entre israelenses e palestinos, pautada pela confiança mútua entre os dois povos. De entre as determinações principais do Acordo, ficou estabelecida a retirada israelense dos Territórios Ocupados e a criação do Estado da Palestina.

Em 1995, em Taba, nos EUA, Yithzchak Rabin, PrimeiroMinistro de Israel, e Yasser Arafat, Presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), sob o auspício de Bill Clinton, Presidente dos EUA, assinaram o Acordo de Oslo II, que tratou de questões complexas quanto ao futuro da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, entendimento que permitiu a recuperação da cidade de Hebron pelos palestinos. Nesta fase, surgiu a esperança de um cessar-fogo definitivo entre os beligerantes, mas os acontecimentos pósOslo não permitiram avanços significativos e a quebra da confiança por ambos os lados abriu um fosso que levou à retomada das rivalidades, a níveis mais elevados[1].

Os sucessivos fracassos de Oslo permitiram que, agora, a ANP anunciasse o fim dos Acordos. Nas últimas horas de domingo, 6 de setembro, em entrevista à Maan News Agency, Ahmad Majdalani, membro do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), comunicou a decisão de a Palestina deixar de acatar as determinações do Acordo de Oslo II. A questão será debatida e, provavelmente, aprovada durante a reunião do Conselho Nacional Palestino, que acontecerá em meados de setembro[2]. Segundo Majdalani, “a liderança palestina decidiu encerrar o Acordo Provisório sobre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, conhecido como Acordo de Oslo II, que foi assinado em Taba, em 28 de setembro 1995[3]. As autoridades palestinas justificam a decisão de considerar nulo o Acordo de Oslo II, incluindo o Acordo de Sharm el Sheikh, ou “Acordo de Paris”, de 1994, por considerar que Israel não cumpriu os compromissos assumidos, uma vez que, até hoje, o Estado da Palestina não foi estabelecido[4].

O anúncio oficial da nulidade do Acordo de Oslo II será feito pelo Presidente da ANP, Mahmoud Abbas, durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU, marcado para o final de setembro. Na ocasião, Abbas argumentará que Israel violou os Acordos e que as atividades de Israel nos assentamentos não cessaram e, pelo contrário, têm aumentado. Esta situação é considerada pelo Presidente da ANP e demais líderes palestinos como um fundamento legítimo para Ramallah deixar de cumprir com os termos dos Tratados[5]. Se os Acordos de Oslo foram projetos de esperança de paz duradouros para israelenses e palestinos, há bastante tempo deixaram de o ser.

A intenção palestina, de finalizar o Acordo de Oslo II, formaliza os sucessivos fracassos do projeto que sucumbiu ante a ausência de compromissos mútuos para pôr um fim definitivo ao conflito. A partir de agora, torna-se inválido tudo aquilo que foi combinado no passado recente, pelo que o passo seguinte ficará na iminência de novos acertos entre Israel e a Palestina, sendo que esta última terá o desafio de superar a divisão política interna para conseguir dialogar, no futuro, em nome dos palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.        

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Imagem Yithzchak Rabin, PrimeiroMinistro de Israel, e Yasser Arafat, Presidente da OLP, apertam as mãos, observados pelo Presidente Bill Clinton, nos jardins da Casa Branca, em 13 de setembro de 1993. Este encontro histórico teve lugar depois de os Acordos de Oslo I terem sido assinados em segredo no dia 20 de agosto” (Fonte):

http://media1.s-nbcnews.com/j/streams/2013/august/130820/6c8686123-130820-oslo-1993-main.nbcnews-fp-1200-800.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

Cf. MARLI BARROS DIAS, Israel e Palestina: O Papel do Poder Político e da ideologia na Construção da Paz, Curitiba, Juruá Editora, 2015, pág. 152.

[2] Ver:

http://www.maannews.com/Content.aspx?id=767475

[3] Ver:

http://www.maannews.com/Content.aspx?id=767475

[4] Ver:

http://www.timesofisrael.com/abbas-to-declare-end-of-oslo-peace-process-report/

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Report-Palestinians-set-to-nullify-Oslo-Accords-415438

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Oriente Médio, entre Obama e Rei Salman

A primeira visita a Washington do Rei Salman Bin AbdulAziz Al Saud, sucessor de Abdullah na Casa de Saud, trouxe mais perguntas do que respostas. As dúvidas permeadas ao longo da negociação, sobre a aproximação e o sucesso até aqui testemunhado no Acordo sobre Programa Nuclear Iraniano, alcançaram um patamar mais complexo, uma vez que os Estados Unidos não podem mais adotar parâmetros estratégicos em política externa, no cerne das discussões do Médio Oriente, sem alinhar previamente sobre questões chaves com Riad.

Nesse sentido, a visita do Rei Salman na última sexta-feira, dia 4 de setembro, trouxe interpretações mais francas quanto à “liderança” desejada pela monarquia, ou seja, uma mensagem em que o conceito de liderança estadunidense será apoiado através de preceitos de suporte as posições tomadas pelos sauditas. Por essa medida, os questionamentos ainda sem respostas cruzam a linha do apoio tácito às negociações do P5+1 com o Irã. Há visões antagônicas difundidas por especialistas e membros do alto escalão em Washington de que Riad trava uma batalha diplomática de bastidores contra essa aproximação ocidental, evitando assim confrontação pública com os Estados Unidos.

Entretanto, há interpretações de que o Acordo Nuclear alcançado com Teerã não é prioridade imediata para Riad. A Arábia Saudita ainda deseja um Irã como pária internacional, evitando o reequilíbrio de forças na região, pois, caso contrário, abriria precedente para uma corrida armamentista no grau de projeto nuclear, através do desenvolvimento científico paquistanês.

Ainda dentro desses limites, receber o novo monarca saudita significaria restabelecer os tradicionais laços que estavam fragilizados na era de Abdullah com Obama e, assim, ter automaticamente uma abordagem mais alinhada aos interesses em relação à Síria, ao Iêmen e à venda de armas.

No plano conjuntural de viés saudita, a prioridade para o Rei é ganhar a guerra em Saana, retratada como resposta à subversão e agressão iraniana. Essa política é parte da Doutrina Salman que enfatiza a autossuficiência em segurança. O Reino adotou uma forma mais agressiva e definitiva sem depender a todo tempo da liderança dos Estados Unidos. Tal premissa liga Estados sunitas contra inimigos xiitas, revela uma robustez em comparação com uma abordagem de aversão a riscos e dependente de resposta estadunidense. Todavia, sua visita é importante por um caráter tático, para pressionar por mais apoio logístico e de inteligência para o conflito, assim como para continuar com vistas grossas em relação às atrocidades em direitos humanos.

Por fim, o encontro da última sexta-feira (dia 4) traz à luz da discussão a oportunidade dos dois líderes superarem as lacunas estratégicas entre os dois Estados no que tange ao modelo geopolítico do Oriente Médio com o advento de uma nova força surgindo: o Irã. A tradicional parceria bilateral tende a sofrer se o interesse de ambos for ofuscado por questões pontuais, fato este que culminaria em mais instabilidade em uma região com poucos recursos diplomáticos para soluções de controvérsias.

A Casa Branca tem como prerrogativas nesse encontro comprometer-se em assegurar a estabilidade regional, responder a quaisquer eventualidades, bem como compromissos com Arábia Saudita e outros Estados do Conselho de Cooperação do Golfo(CCG), através do fornecimento de armas para manter a balança de poder favorável ao CCG, bem como a manutenção do aparato militar no Golfo.

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.com/image/0,,18694758_303,00.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.politico.com/magazine/story/2015/09/mag-saudi-gordon-213101?o=0

Ver:

http://csis.org/publication/president-king-salman-and-gulf-between-them

Ver:

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2015/09/saudi-king-salman-washington-visit.html#

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Grupo midiático turco ligado ao Movimento Güllenista é alvo de buscas, após críticas ao Governo

Na última terça-feira, 1o de setembro de 2015, autoridades na capital turca Ankara fizeram buscas em 23 empresas pertencentes a Holding Koza Ipek. As operações ocorreram em virtude da suspeita de financiamento ao movimento liderado pelo clérigo e intelectual islâmico sunita Fethullah Güllen, que vive em exílio auto imposto na Pensilvânia, nos EUA.

A polícia turca invadiu as instalações do conglomerado empresarial e midiático ligado à figura de destaque da oposição, a quem o Governo acusa de tentar desestabilizá-lo[1]. Seis pessoas foram detidas, mas não houve comentário imediato da polícia[1]. A holding Koza Ipek é proprietária das estações de televisão de oposição Bugün TV e Kanal Turk, assim como dos jornais Bugün e Millet[1][2]. O Governo turco acusa o seu proprietário, Akin Ipek, de ser um líder terrorista[3]. Os críticos denunciaram as operações de terça-feira, dia 1o, como repressão aos opositores à frente das eleições antecipadas em novembro. Centenas de manifestantes responderam, ao protestarem nos arredores das empresas do grupo e opondo-se às batidas policiais[1][2].

A holding Koza Ipek está associada ao movimento de Güllen, que é acusado de ter orquestrado um vasto escândalo de corrupção em 2013, com o objetivo de derrubar o Governo[1][2]. Güllen rejeitou incriminações de que estaria por trás do escândalo que implicava os colaboradores mais próximos ao presidente Recep Tayyip Erdogan[1]. O Governo rejeitou as alegações como uma tentativa de Golpe.  O confronto entre o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) e o Movimento Güllen teve início quando os promotores que foram acusados de fazerem parte do Movimento Güllen lançaram investigações sobre suborno e corrupção contra ministros, famílias de líderes importantes do AKP e empresas próximas ao Governo[3].

Centenas de policiais e funcionários do judiciário suspeitos de ligação com o movimento güllenista foram demitidos. Em maio, o órgão bancário regulador da Turquia confiscou um Banco associado ao Movimento. Já em dezembro de 2014, a polícia turca prendeu mais de vinte jornalistas sêniores e executivos de mídia supostamente vinculados ao movimento de Fethullah Güllen sob várias acusações[1]. Atualmente, o movimento liderado por Güllen possui numerosos apoiadores nos serviços de segurança e judiciário turco.

Ao solicitar a permissão para a operação de busca nas instalações da Koza Ipek, um promotor público disse que Akin Ipek, proprietário da holding, “é um líder da Organização Terrorista Fetullahista [FETO]; seu grupo de empresas financia o terrorismo e realiza propaganda para a organização terrorista[3]. A diferença na ortografia entre ‘Fetullahista’ e ‘Fethullah Güllen’ é considerado um golpe e provocação intencionais, escreve Kadri Gursel para o Al Monitor [3].

A operação policial na sede da holding aconteceu horas depois de o jornal Bugün ter publicado fotos de uma suposta remessa clandestina, feita pelo próprio Governo turco, de materiais para militantes do Estado Islâmico do Iraque de el Sham (ISIS) na Síria. O material seria usado na fabricação de armas[2][3] e seria uma demonstração de apoio logístico turco ao ISIS, grupo que o Governo oficialmente enfrenta através de operações militares e de inteligência[4]. A manchete lia: “material de guerra para o ISIS em Akcakale[3], e foi seguida por duas páginas inteiras de “chocantes imagens[3]. Akcakale está localizada no lado turco da fronteira, em frente a Tell Abyad, na Síria[3]. “Por dois meses, a cada dia duas cargas de semi-reboque de fertilizantes usados ​​na produção de explosivos, uma semi-carga de revestimento metálico e um caminhão de suprimentos e cabos eletrônicos eram transferidos para áreas controladas pelo ISIS na Síria[3], detalhava a reportagem. A agência de notícias francesa Associated Press não foi capaz de verificar a autenticidade das imagens publicadas pelo periódico turco e a Turquia nega veementemente as acusações de que tem ajudado a facção radical islâmica que opera no Iraque e na Síria[2].

Kemal Kilicdaroglu, líder do principal partido de oposição do país, chamou a operação policial de uma tentativa de amordaçar a dissidência. “Nós não podemos falar de democracia em um país onde a mídia está sendo silenciada[1], afirmou.  Conforme publicou o jornal Folha de São Paulo, enquanto isso, um grupo de centenas de pessoas protestou contra as operações de busca da polícia gritando: “A imprensa livre não pode ser silenciada![2]. Uma declaração do Departamento de Estado dos EUA advertiu a Turquia que não violasse “suas próprias bases democráticas[1], ao focar sua atenção em ataques contra meios de comunicação “abertamente críticos ao governo turco atual[1].

Fethullah Güllen, líder do movimento conhecido como Hizmet, que significa “serviço”, em turco, afirma acreditar na ciência, no diálogo inter-religioso entre os povos do Livro e nas democracias multipartidárias[5]. Descrito como um Imam “que promove um Islã tolerante, que enfatiza o altruísmo, o trabalho duro e a educação[6], ele é responsável por diversos trabalhos humanitários e educacionais ao redor do mundo. O Hizmet ou movimento Güllenista é um movimento islâmico da sociedade civil transnacional inspirado pelos ensinamentos Güllen, apesar de não haver qualquer forma de hierarquia. Seus ensinamentos sobre o Hizmet (serviço altruísta para o “bem comum”) têm atraído um grande número de adeptos na Turquia, Ásia Central, e cada vez mais em outras partes do mundo[7].

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Imagem Homem com o jornal turco Sozcu’, onde se lê: ‘Sozcu calado’, ‘Turquia calada” (Fonte Folha de São Paulo, Adem Altan/AFP):

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/09/1676610-jornal-turco-e-alvo-de-buscas-apos-publicar-reportagem-contra-o-governo.shtml

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/09/turkey-police-raid-business-linked-rival-movement-150901151032468.html

[2] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/09/1676610-jornal-turco-e-alvo-de-buscas-apos-publicar-reportagem-contra-o-governo.shtml

[3] Ver:

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2015/09/turkey-syria-daily-exposes-transfer-weapons-supplies-to-isis.html?  

Ver Também:

http://www.theguardian.com/media/2015/sep/02/turkey-arrests-more-journalists-alleging-terrorist-links-to-erdogan-opponent

[4] Para mais informações sobre a dupla operação turca contra militantes do PKK e do ISIS, consultar nota analítica de minha autoria publicada no Ceiri Newspaper, intitulada Turquia Intensifica Ataques a Curdos do PKK no Norte do Iraque”:

https://ceiri.news/turquia-intensifica-ataques-a-curdos-do-pkk-no-norte-do-iraque/

[5] Ver:

http://www.economist.com/node/10808408?story_id=10808408

[6] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-13503361

[7] Para mais informações sobre os fundamentos para uma cidadania mais humana e tolerante do mundo proposta pelo movimento Hizmet e sobre seu compromisso com a importância do conhecimento, ver:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1478-1913.2005.00100.x/pdf