EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Conselheiro do Líder Supremo do Irã Aiatolá Ali Khamenei se encontra com presidente Vladimir Putin

No dia 12 de julho, reuniram-se em Moscou o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Ali Akbar Velayati, Conselheiro do Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei. Além de enviar uma mensagem do Aiatolá e do Presidente iraniano ao Governo russo, o encontro tinha como objetivos discutir sobre a ampliação da aliança estratégica entre ambos países, incluindo a Guerra Civil Síria, e tratar sobre o aumento de investimentos russos no setor petroleiro persa.

Encontro de Velayati e Putin no dia 12/07/2018

Além de Velayati, a delegação iraniana estava composta pelo Chefe dos Conselheiros, Ali Asghar Fathi Sarbangoli, e pelo embaixador iraniano na Rússia, Mehdi Sanai. Já a comitiva russa contava com a presença de Putin e do Ministro de Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

Ao final da reunião, um dos compromissos acordados foi acerca do investimento da Rússia de US$ 50 bilhões na indústria de gás e petróleo do Irã, assim como a união de esforços para a cooperação militar e técnica. Conforme afirmação da delegação iraniana, uma empresa de petróleo russa firmou um acordo de US$ 4 bilhões. Já a Gazprom e a Rosneft estão em tratativas com o Ministro do Petróleo do Irã para negociar um contrato de US$ 10 bilhões. De acordo com declarações do Kremlin, “a discussão centrou-se em questões de cooperação russo-iraniana, bem como a situação na região, incluindo suas atuações na Síria. As partes reafirmaram seu compromisso com o Plano de Ação Integral Conjunto sobre o Acordo Nuclear do Irã (JCPOA)”.

Considera-se que encontros como este são uma das estratégias do governo de Rouhani para atrair novos investimentos e fortalecer suas relações com aliados chaves na compra de petróleo, após a saída unilateral dos Estados Unidos do JCPOA, do reestabelecimento de sanções ao Irã e da provável desaceleração dos negócios com a União Europeia. Segundo alguns analistas no tema, o Governo persa enxerga a Rússia e a China como possíveis substitutos das empresas europeias que estão deixando o país.

Além da já realizada reunião na Rússia, Velayati irá a Pequim, em data ainda não confirmada. Outros emissários serão enviados à América Latina, em visita aos governos do Brasil, Bolívia, Chile e Venezuela; à Malásia, no Sudeste Asiático; e à Tunísia, na África Mediterrânea.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Reunião entre presidente russo Vladmir Putin e o Aiatolá Ali Khamenei” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Hassan_Rouhani_and_Vladimir_Putin_(1).jpg

Imagem 2Encontro de Velayati e Putin no dia 12/07/2018” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57984

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Israel contra-ataca o Hamas na Faixa de Gaza

No dia 15 de julho de 2018, Israel empreendeu um grande ataque à Faixa de Gaza, em resposta a foguetes que atingiram seu território, provindos dessa região. Como tem sido apresentado na mídia e por informes do Governo, desde o mês de maio de 2018, ataques sistemáticos de foguetes, morteiros e pipas incendiárias, lançados do território palestino, têm sido suportados pela população civil de Israel. O jornal israelense Haaretz estimou que no mês de junho de 2018 houve um recorde no número de ataques: 289 foguetes e morteiros foram lançados desde o início do ano, superando em número o que ocorreu em 2014.

Um dos lançadores de mísseis do Domo de Ferro, das Forças de Defesa de Israel

Na madrugada do dia  20 daquele mês, o Hamas lançou 45 deles em território israelense. Ao menos 6 caíram em cidades fronteiriças, não sendo interceptados pelo sistema Cúpula de Ferro*.  Um caiu próximo a uma escola de jardim da infância, na região de Eshkol. A Força Aérea israelense, em resposta, atingiu alvos estratégicos do considerado grupo terrorista Hamas.

Centenas de pipas incendiárias e balões feitos com preservativos carregando carvões em brasa pendurados, causaram mais de 500 incêndios criminosos, atingindo plantações e áreas que haviam sido ecologicamente reparadas, em um total de mais de 6.000 acres. Até um falcão foi enviado. Drones são usados no combate às pipas.

Desde o dia 13 de julho de 2018, mais de 200 foguetes foram lançados em Israel, o que motivou, no dia 14 de julho, o maior ataque à Gaza contra alvos do Hamas, desde o conflito de 2014.

Autoridades de saúde da Palestina afirmaram que duas pessoas foram mortas e doze foram feridas durante o ataque aéreo israelense na Cidade de Gaza. Foi atingido um quartel-general do Hamas em Beit Lahia, um campo de treinamento em al-Shati e depósitos de armas com lançadores de foguetes.

O cessar-fogo mediado pelo Egito colocou um fim ao lançamento de projéteis pelos Hamas, mas o ataque com pipas continuou. A Jihad Islâmica também concordou com o cessar-fogo. No entanto, horas depois do anúncio, alarmes soaram em Israel e morteiros foram disparados de Gaza, porém eles caíram antes de adentrar o território israelita.  

No dia 15 de julho de 2018, o Gabinete de Segurança decidiu que ataques com pipas e balões incendiárias serão respondidos apropriadamente, com rigor, como qualquer outro ato de terrorismo. Dois dias depois, dia 17, o Comandante de Brigada Abraham (Avi) Blot foi indicado pelo Primeiro-Ministro como o novo Secretário Militar.

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Notas:

* Iron Dome/Cúpula de Ferro/Domo de Ferro: sistema de defesa antiaérea desenvolvido pela empresa israelense Rafael Advanced Defense, projetado para interceptar e destruir mísseis de curto alcance e bombas de morteiro: https://www.youtube.com/watch?v=b4a_ie0J0hU

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira de Israel” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Israel#/media/File:Flag_of_Israel.svg

Imagem 2 Um dos lançadores de mísseis do Domo de Ferro, das Forças de Defesa de Israel” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cúpula_de_Ferro#/media/File:Flickr_-_Israel_Defense_Forces_-_Iron_Dome_Intercepts_Rockets_from_the_Gaza_Strip.jpg

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Irã ameaça fechar estreito de Ormuz

Após a saída unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano, conhecido como Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), governo Trump anunciou a aplicação de novas sanções ao país persa. Além disto, solicitou que nenhum aliado seu importe petróleo do Irã e pressionou os Estados do Golfo Árabe para aumentarem a produção de petróleo. O presidente iraniano Hassan Rouhani, em resposta, declarou na sua página oficial que “os estadunidenses têm apoiado sobre a completa paralização das exportações de petróleo iraniana. Mas eles não entendem o real significado dessa declaração porque não existe nenhum motivo para o petróleo iraniano não ser exportado, enquanto os outros países da região o fazem”, por isso também ameaçou fechar o Estreito de Ormuz.

Mapa do Estreito de Ormuz

A importância geoestratégica desta região é essencial para o equilíbrio do comércio de petróleo no mundo. O passo entre o Golfo Persa e o de Omã é responsável por cerca de 30% a 35% da exportação marítima do produto a todos os continentes. Aproximadamente 17 milhões de barris por dia atravessam o estreito. Embarcações do Iraque, Kuwait, Bahrein e Catar, bem como de alguns portos dos Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita saem diariamente. Portanto, conforme reiteração do observador de mercado global de energia, Cyril Widdershoven, sendo a ameaça do governo de Rouhani um blefe ou não, inevitavelmente são gerados impactos e incertezas quanto a passagem segura dos barcos carregados de petróleo e gás natural.

De acordo com especialistas em Oriente Médio, o fechamento de Ormuz seria a última opção da administração Rouhani. Por um lado, a tentativa poderia causar um possível confronto entre Irã e Estados Unidos, além de provocar um rompimento com o Conselho de Cooperação do Golfo, que busca preservar a livre circulação de navios e cargueiros pelo estreito. Por outro lado, reduziria o seu poder de negociação nas tratativas de mitigação das sanções estadunidenses e afastaria a União Europeia, China e Índia da sua esfera estratégica de parceria. Ademais, caso os aliados norte-americanos suspendam suas importações de petróleo, o país reduziria a venda de cerca de 1 milhão de barris por dia (bpd). Atualmente, a exportação da commodity alcança 2,28 milhões/bpd, resultando em consideráveis perdas na sua receita.

Especialistas pelo mundo apontam que dificilmente o Irã irá obstruir a travessia no local, porém é possível que o Governo central utilize sua expertise em cyberwar* contra os aliados estadunidenses na região, podendo importunar suas frotas militares e embarcações de petróleo no Golfo Pérsico.

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Nota:

* Conhecida como Ciberguerra ou Guerra Cibernética, é uma modalidade de guerra na qual o conflito não ocorre com o uso de armas físicas, mas através da confrontação com meios eletrônicos e informáticos no chamado ciberespaço.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hassan Rouhani reeleito nas eleições de 2013 (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Hassan_Rouhani_press_conference_after_his_election_as_president_14.jpg

Imagem 2 Mapa do Estreito de Ormuz(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/92/Strait_of_Hormuz.jpg

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Possível impacto na economia turca das novas sanções impostas ao Irã

Após a saída dos Estados Unidos do Acordo Nuclear Iraniano, conhecido como Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, comunicou a reinstituição de sanções ao Irã, enumerando uma lista de exigências a serem incluídas no Tratado sancionado pelo ex-presidente Barack Obama. Conforme afirmação de Pompeu, estas sanções serão as mais fortes de toda a história, caso o governo iraniano não aprove as demandas elencadas. E reiterou que “qualquer nação que coopere com o país persa será igualmente punida”.

Mapa com a localização geográfica dos dois países, Irã e Turquia

As sanções serão divididas em dois momentos, o primeiro pacote terá início dia 6 de agosto e o segundo dia 4 de novembro. Os setores mais afetados da economia iraniana serão o mineiro, o que inclui ouro e outros metais preciosos; a indústria petroleira e o mercado financeiro. No entanto, não será apenas o Irã o único ator abalado por tais medidas, pois diversos aliados ou parceiros comerciais estadunidenses, tais como a União Europeia, a China, a Índia, a Coreia do Sul e a Turquia, principais compradores de petróleo iraniano, terão de repensar suas estratégias comerciais.

Em 2012, volume de comércio entre Irã e turcos foi de US$ 22 bilhões, antes de cair para US$ 14 bilhões, em 2014, devido às sanções impostas pelos Estados Unidos. Estas atravancaram o pagamento das importações do aliado iraniano, principalmente petróleo, gás natural e plásticos, uma vez que o país persa estava isolado do sistema bancário internacional.

A adoção do JCPOA, em outubro de 2015, removeu as restrições anteriores entre Ancara e Teerã. Segundo o ex-embaixador iraniano na Turquia, Alizera Bigdeli, 174 empresas turcas já haviam aberto uma filial no Irã em janeiro de 2015, antecipando-se ao futuro acordo. Bigdeli afirma que “empresários e investidores turcos ficaram muito interessados ​​em aumentar sua presença no Irã”, e adiciona: “o comércio preferencial, usando moedas nacionais nas trocas comerciais, melhorando as condições nos postos fronteiriços e terminais, melhorando a cooperação financeira e monetária, alternando laços turísticos e aumentando os laços energéticos e de defesa devem ser adicionados à cooperação existente para seguir o caminho desejado”.

Apesar da empolgação de ambos países com a esperança no aumento do volume comercial, a realidade foi um pouco distinta. A primeira razão para tanto se deve ao fato das diferenças políticas e conflitos regionais na região, principalmente na Síria, Iraque e na região do Golfo. Além disso, a falta de transparência, ambiente legal inadequado e o controverso papel econômico de instituições como a Guarda Revolucionária do Irã dificultaram as relações nos setores de energia, manufatura e telecomunicações. Em decorrência, em 2016, o volume comercial reduziu-se a US$ 9,6 bilhões e, em 2017, recuperou-se levemente com US$ 10,7 bilhões.

Se por um lado alguns analistas acreditam que como a economia turca é mais diversificada, e seu mercado está mais globalizado, o impacto das futuras sanções impostas causará danos mínimos; por outro lado, os mais céticos asseguram que, uma vez entrando em vigor as sanções contra o petróleo iraniano, em novembro deste ano (2018), o governo turco terá de reduzir as importações do Irã, a fim de evitar punições dos Estados Unidos.

Entretanto, Ancara ainda depende muito do país vizinho para suprir suas necessidades de petróleo e gás. Em 2017, 44,6% do total de suprimentos de petróleo e 17% do total das importações de gás saíram do porto iraniano de Bandar-Abbas, o resto foi fornecido principalmente pelo Iraque, Rússia, Kuwait e Arábia Saudita. Estes países podem ser uma alternativa, frente ao cenário apresentado, porém os custos logísticos aumentariam, bem como o preço do petróleo, caso as sanções atinjam a produção iraniana.

A dependência turca pela importação de petróleo e gás afeta os indicadores macroeconômicos. O aumento dos preços globais do petróleo e o aumento da demanda doméstica por gás eleva o déficit em conta corrente e, consequentemente, a inflação, diminuindo o crescimento econômico e depreciando o valor da lira turca. Nesse sentido, Ancara precisará converter ainda mais liras para o dólar, com o intuito de pagar suas importações de energia.

Consciente do encadeamento que pode ser gerado, o Ministro da Economia da Turquia, Nihat Zeybekci, afirmou em entrevista aberta que “a Turquia continuará a fazer negócios com o Irã, seguindo as resoluções da ONU”. Contudo, se a União Europeia decidir apoiar e cumprir as sanções dos Estados Unidos, e caso o Irã renuncie ao acordo nuclear, os turcos terão pouca margem de manobra para enfrentar esta situação, pois se acredita que terá apenas a escolha entre dois caminhos a seguir: ou apoia os EUA e preserva sua aliança com eles, correndo possíveis riscos de sofrer impactos negativos na sua economia; ou mantém sua aliança com o Irã, tendo de buscar formas para resistir às prováveis punições.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Encontro do primeiro-ministro iraniano Mohammad Zarif e do exministro das relações exteriores turco Ahmed Davotoglu” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bb/Mohammad_Javad_Zarif_and_Ahmed_Davuto%C4%9Flu.jpg

Imagem 2Mapa com a localização geográfica dos dois países, Irã e Turquia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a9/Turkey_Iran_Locator.svg

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Criada coalizão parlamentar frente às incertezas no cenário interno iraquiano

Após serem realizadas as eleições parlamentares iraquianas no mês passado, no dia 12 de junho, em Najaf, ao sul de Bagdá, os líderes das coalizões vencedoras em primeiro e segundo lugar, respectivamente Muqtada al-Sadr, da coalizão Sairun (Marcha Avante), e Hadi al-Amiri, representante da Fatah (Conquista), comunicaram a impressa nacional e internacional o acordo firmado entre eles. Em conjunto, foram convidadas a fazerem parte as coalizões Hikma (Sabedoria), dirigida pelo clérigo xiita Ammar al-Hakim, e Al-Wataniya (Aliança Nacional do Iraque), liderada pelo atual vice-presidente Ayad Allawi.

Parlamento iraquiano

Este acordo coloca-os perto de possuir uma maioria capaz de formar o novo governo, uma vez que a Sairun tem 54 assentos, Fatah 47, Al-Wataniya 21 e Hikma 19, totalizando 141. No entanto, para compor a formação política são necessárias 165 cadeiras. Seguindo esta necessidade, a nova coalizão deve buscar outros aliados com o fim de alcançar seu objetivo.

No momento, já demonstraram interesse o Partido Democrático do Curdistão (KDP) e a União Patriótica do Curdistão (PUK). Ambos estão formando um grupo capaz de sentar-se à mesa e conversar sobre os seus futuros políticos. Respectivamente, cada um possui 25 e 19 assentos, sendo estes números necessários para a constituição do novo governo. Além dos dois maiores partidos curdos no Iraque, o ex-primeiro-ministro iraquiano Nour al-Maliki e seu grupo também podem unir-se a nova aliança.

Este cenário, segundo diversos analistas no tema, indica que o atual Primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, que lidera a coalizão Nasr al-Iraq (Vitória do Iraque), será excluído e não terá força e apoio suficiente para opor-se a esta composição. Tendo pouca margem de manobra, o governo de al-Abadi tem reagido contra os resultados das eleições parlamentares alegando fraude no pleito e apoiando o Parlamento na autorização da recontagem manual dos votos.

Além disso, ele e sua equipe ministerial têm ido à mídia explicar-se sobre diversos ataques ocorridos nas últimas semanas em Bagdá. Os mais delicados foram a morte de 18 pessoas em uma explosão em um depósito de armas na Sadr City, reduto dos apoiadores de Muqtada al-Sadr, e a queima de um depósito em Bagdá, onde as urnas das eleições parlamentares estavam guardadas.

Apesar do acordo ter surpreendido muitas lideranças políticas locais, devido a algumas discordâncias entre al-Sadr e al-Amiri, o clérigo xiita afirmou que o objetivo da coalizão é constituir “uma verdadeira aliança para acelerar a formação de um governo nacional longe de qualquer dogmatismo”.

Se por um lado al-Sadr possui um discurso nacionalista, que abre as portas aos que estão na periferia social e política, e uma posição contrária a interferência estrangeira sobre a política local, principalmente dos Estados Unidos e Irã, em contrapartida, Al-Amiri é o principal aliado do Irã em solo iraquiano e possui apoiadores políticos aliados à grupos armados xiitas que, em conjunto com o Irã, ajudaram na vitória contra o Estados Islâmico no Iraque.

A composição com a coalizão Al-Wataniya e uma possível aliança com curdos do KDP e PUK confirmam o discurso do comunicado do dia 12. Com muitos membros sunitas no Parlamento, a Al-Wataniya torna-se um dos principais locutores deste grupo religioso na nova coalizão. Já a abertura de diálogos com os curdos demonstra uma ruptura de um impasse político histórico no Iraque entre os xiitas, sunitas e curdos.

Considerando o histórico das formações de coalizões políticas no Iraque e o momento atual, alguns analistas internacionais são céticos e desacreditam na possível mudança que estas aproximações podem brindar ao país. Conforme afirmou Andrew Parasiliti, da Rand Corporation, ao The National, “para aqueles que pensavam que as eleições iraquianas poderiam ter sido um revés para o Irã, é hora de pensar novamente. Apesar dos sinais positivos de coalizões e distritos eleitorais, as políticas em torno de um novo governo estão se tornando mais do mesmo. Quando o próximo governo iraquiano for anunciado, ele será abençoado pelo Irã”, disse Parasilti. O processo de formação do governo ainda não foi finalizado, a expectativa paira sobre quais serão os arranjos pactuados e quem fará oposição.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Apoiadores de alSadr comemorando a vitória nas eleições parlamentares” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Muqtada_al-Sadr#/media/File:The_joy_of_the_supporters_of_various_Iraqi_parties_after_the_parliamentary_elections_08.jpg

Imagem 2Parlamento iraquiano” (Fonte):

http://en.parliament.iq/wp-content/uploads/2017/09/%D8%AC%D9%84%D8%B3%D8%A7%D8%AA-%D8%A7%D9%84%D9%85%D8%AC%D9%84%D8%B3.jpg

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Protestos na Jordânia

Dias consecutivos de protestos têm ocorrido na Jordânia, em sua capital e diversas outras cidades*. As manifestações, que se iniciaram no dia 30 de maio de 2018, continham demandas contra o projeto da nova Lei tributária feita pelo poder Executivo, adequada às medidas de austeridade do Fundo Monetário Internacional (FMI), contra o aumento de preços e requerendo a demissão do Primeiro-Ministro.

Os manifestantes afirmavam que a nova lei prejudicará a classe média e as classes mais baixas do país. O Projeto de Lei de imposto de renda previa o aumento do número de contribuintes, reduzindo o limite de renda exigido para o pagamento do tributo. Com isso, haveria tributação de proventos de classes mais modestas, as quais não eram antes alcançadas pelo fisco.

Rei Abdullah II em 2011

A organização dos protestos tem sido feita por um grupo independente chamando “Hirak Shababi” (Movimento Jovem) e por 33 associações profissionais em conjunto com grupos da sociedade civil**. Somaram-se demandas adicionais, como mudanças nas políticas governamentais, reintrodução de subsídios no preço do pão e de combustíveis, redução de preços e aumento do salário mínimo.

No domingo, 3 de junho de 2018, após o fracasso da negociação entre o governo e representantes dos sindicatos, cerca de 3.000 pessoas reuniram-se perto do gabinete do Primeiro-Ministro, localizado no centro de Amã. Forças de segurança e manifestantes entraram em confronto, que resultou em algumas detenções e policiais feridos.

No dia 4 de junho de 2018, o primeiro-ministro Hani Mulki, cujo mandato iniciou-se em 2016, pediu sua renúncia, a qual foi aceita pelo Rei Abdullah II durante uma reunião. O Monarca providenciou a convocação do ex-economista do Banco Mundial, Omar Al Razzaz, para formar um novo governo. Todavia, os protestos continuaram.

No dia 7 de junho de 2018, o governo anunciou que iria revogar a nova Lei tributária. O novo Primeiro-Ministro indicado, Omar Al Razzaz, que assumiu o cargo prontamente, afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com as duas Casas do Parlamento.

O novo governo, porém, deverá lidar com a mesma conjuntura econômica, um déficit público altíssimo***, acompanhado de 3 anos de linha de crédito do FMI, aprovada em 2016, que necessitarão de reformas estruturais na economia.

A Jordânia é um país que depende muito de ajuda externa, empréstimos e doações. O Conselho de Cooperação do Golfo, em especial os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita deverão oferecer incentivos ao país. No dia 10 de junho, uma reunião entre Arábia Saudita, EAU, Kuwait e Jordânia será realizada para debater o apoio à economia jordaniana, a fim de cessar a crise na qual está submersa.

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Nota:

* Houve protestos nas cidades de Amã, Zarqa, Balqa, Maan, Karak, Mafraq, Inbid e Jerash

** Dentre os grupos, inclui-se a Associação dos Engenheiros Jordanianos e o Sindicato dos Professores. Perfazem o maior número de associados do país, com aproximadamente 300.000 pessoas.

*** Dados da economia jordaniana: https://tradingeconomics.com/jordan/government-debt-to-gdp

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da Jordânia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jordânia#/media/File:Flag_of_Jordan.svg

Imagem 2Rei Abdullah II em 2011” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Abdullah_II_da_Jordânia#/media/File:King_Abdullah_of_Jordan_(6436574483).jpg