NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Macron e Putin reúnem-se oficialmente em Moscou

No dia 15 de julho (2018), o presidente francês Emmanuel Macron encontrou-se em Moscou com o presidente russo Vladimir Putin. Tal reunião ocorreu às vésperas da partida decisiva da final da Copa do Mundo da FIFA, em que França e Croácia disputaram o primeiro lugar. Dessa forma, Macron compareceu à Rússia com o intuito de prestigiar a seleção nacional, juntamente com a Presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarović.

Vladimir Putin, Presidente russo, presenteia flores à Brigitte Macron, esposa de Emmanuel Macron, Presidente da França, durante a reunião em Moscou, no dia 15 de julho de 2018

Embora esse tenha sido o objetivo principal, ambos os líderes, russo e francês, resolveram aproveitar a oportunidade e realizar uma conversa diplomática. Tal encontro ocorreu de forma breve, mas importantes tópicos de política internacional e economia foram discutidos, como as situações da Ucrânia, da Síria e do Irã.

Durante a reunião, Putin anunciou os avanços entre os dois países na esfera comercial: em 2017, houve um aumento de 15% do comércio entre eles e, só nos primeiros seis meses deste ano (2018), o crescimento foi de 19%. Além de questões econômicas, o líder anunciou que ocorrerá uma comissão interparlamentar Rússia-França*, demonstrando otimismo com esse acontecimento.

De acordo com Putin, “Os mecanismos usuais de cooperação estão sendo gradualmente restaurados. Isso dá motivos para acreditar que superaremos todas as dificuldades encontradas no período anterior e nos envolveremos no caminho do desenvolvimento positivo de laços multifacetados”. As dificuldades apontadas em seu discurso referem-se ao fato de que as relações França-Rússia estão abaladas há um tempo, principalmente por conta da anexação da Crimeia pela Rússia em 2014**, e por haver desentendimentos entre os dois países em relação à situação da Guerra na Síria.

Macron, por sua vez, aproveitou para congratular Putin e toda a organização montada pelo Estado russo para a realização da Copa do Mundo. Segundo o Presidente francês, tudo foi organizado com excelente atenção à segurança, tornando o evento perfeito.

Além desse encontro presencial, no dia 21 de julho (2018), os dois líderes conversaram por telefone. Segundo o serviço de imprensa do Kremlin, o foco do diálogo foi a iniciativa Russo-Francesa para prover ajuda humanitária à Ghouta Oriental, na Síria. Dessa forma, espera-se que as relações entre França e Federação Russa estejam no caminho de se estabilizarem novamente, trazendo novas oportunidades a ambos os países nos campos diplomático, econômico e social.

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Nota:

* A Comissão interparlamentar refere-se à União Interparlamentar (UIP) que foi criada em 1889, a qual tem como objetivo fomentar as relações entre os membros de todos os parlamentos, garantir a consolidação e desenvolvimento da representatividade institucional e a promoção da cooperação internacional. Atualmente, 178 parlamentos pelo mundo são membros da UIP.

** A Crimeia era uma entidade política autônoma dentro da Ucrânia, apesar de estar sob sua soberania. Após um referendo, em 2014, a região decidiu pela sua anexação à Rússia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente francês, Emmanuel Macron, e o Presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, no dia 15 de julho de 2018” (Fonte):

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Imagem 2Vladimir Putin, Presidente russo, presenteia flores à Brigitte Macron, esposa de Emmanuel Macron, Presidente da França, durante a reunião em Moscou, no dia 15 de julho de 2018 ” (Fonte):

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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Israel: últimos acontecimentos

No dia 24 de julho de 2018, Israel abateu um caça sírio, modelo russo Sukhoi, que o governo alega ter invadido o espaço aéreo do país. O caça teria adentrado dois quilômetros no território e foi derrubado com dois mísseis, modelos “Patriot”. O governo Assad alegou que seu avião foi alvejado enquanto atacava o sul da Síria, portanto, estaria no espaço aéreo sírio.

No dia anterior, Israel utilizou, pela primeira vez, de seu sistema antimísseis denominado “Funda de David contra dois mísseis de fabricação russa “SS-21/OTR 21 Tochka”, provindos da Síria, os quais atingiriam o sul do Lago Kinneret, caso não fossem interceptados.

Palácio do Knesset

No dia 22 de julho de 2018, membros da organização Defesa Civil Síria” ou “Capacetes Brancos, que operavam em partes do território sírio controlados por forças rebeldes, foram evacuados para a Jordânia, juntamente com suas famílias. Soldados israelenses auxiliaram sua remoção. Os Capacetes Brancos estavam cercados no sudoeste da Síria, devido a ataques de tropas pró-governo. Suas vidas e a de seus familiares estavam em risco, caso caíssem nas mãos de Damasco.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu fez um pronunciamento, no qual afirmou que o auxílio à evacuação foi feito a pedido do presidente Donald Trump e do Reino Unido.

A organização se auto descreve como uma força de trabalho voluntário, que atuava para salvar civis em zonas de conflito. Estima-se que tenham salvado milhares de vidas sob risco durante os bombardeios do governo sírio e seus aliados a cidades nas quais atuavam. Foram indicados ao Prêmio Nobel da Paz de 2017, porém não foram premiados.

O regime de Bashar al-Assad e seus apoiadores russos acusam-nos de terem apoiado forças rebeldes e mantido ligações com grupos jihadistas, o que, segundo o “The Guardian”, viralizou em uma grande campanha de desinformação.

No dia 19 de julho de 2018, o Parlamento israelense aprovou uma Lei Básica* que define o país como Estado-nação do povo judeu. O hebraico passou a ser a língua oficial e Jerusalém a capital de Israel.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pronunciou que é “um momento histórico na História do Sionismo e na História do Estado de Israel”. Afirmou que os direitos dos cidadãos serão respeitados, pois Israel é o único país do Oriente Médio que o faz.

A lei veio acompanhada de controvérsia. Parlamentares árabes e a oposição acreditam que a nova lei marginaliza a minoria árabe do país, o que motivou oficiais drusos a peticionarem à Suprema Corte, para que esta considere parte daquela lei como inconstitucional.

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Fontes das Imagens:

* Leis Básicas de Israel – Como a Assembleia Nacional Constituinte e o Primeiro Knesset (Parlamento) não puderam promulgar uma Constituição, foram elaboradas leis básicas sobre vários temas, as quais, em conjunto com as decisões da Suprema Corte, estabelecem os princípios do Estado.

[Ver] https://www.knesset.gov.il/description/eng/eng_mimshal_yesod1.htm

[Ver] http://knesset.gov.il/description/eng/eng_mimshal_yesod.htm

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira de Israel” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Israel#/media/File:Flag_of_Israel.svg

Imagem 2Palácio do Knesset” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Knesset#/media/File:Knesset_building_(edited).jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Acordo político entre Rússia e Israel

Em 11 de julho de 2018, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em menos de seis meses, realizou sua terceira visita à Federação Russa, reforçando laços diplomáticos com o presidente Vladimir Putin, estabelecendo um acordo de cooperação que limitará a presença de tropas iranianas dentro do território sírio e que se encontram próximas de locais sob o controle de Israel nas Colinas de Golan*.

Mapa Colinas de Golan

Para se entender este “pedido de ajuda” por parte do governo israelense ao Kremlin, é necessário retroceder no tempo dentro do já longo conflito na Síria, uma guerra civil que opunha rebeldes e jihadistas** ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad e se transformou num enfrentamento internacional no qual potências como Estados Unidos, Rússia, Turquia, Irã, Arábia Saudita e também Israel estão cada vez mais envolvidas.

O reclamado Irã era a principal nação que dava suporte ao governo sírio, antes da entrada da Rússia no conflito, em 2015, evitando a queda de Assad diante da ameaça dos rebeldes e terroristas, fornecendo dinheiro, armas, informações de inteligência, além do envio de conselheiros militares, como também tropas para a Síria que são formadas por membros da Guarda Revolucionária, por milícias xiitas e pelo grupo libanês Hezbollah, que é fortemente apoiado pelo Irã. Segundo analistas internacionais, a aliança bélica entre Irã e Síria há tempos se baseia em objetivos comuns, como a contenção da influência norte-americana na região, além do enfraquecimento de Israel dentro do Oriente Médio.

Por sua vez, o reclamante Israel apresenta o temor da contínua presença da Guarda  Revolucionária iraniana e de combatentes leais a Teerã na Síria, mas, acima de tudo, sua maior preocupação se baseia na possibilidade de a milícia libanesa Hezbollah se estabelecer nas Colinas de Golan, na fronteira sírio-israelense, e executar ataques militares ao país a partir daí.

A Rússia, como agente geopolítico com forte atuação dentro do território sírio, e detentora de alianças pacíficas com Israel e Irã, deverá atuar como mediador e direcionar as melhores práticas para que o equilíbrio sistêmico regional tenha sua efetividade garantida. O acordo celebrado entre Netanyahu e Putin, segundo fontes internacionais, deixa claro que a democratização da região ficará em segundo plano com a indiferença de Israel sobre a forma de governo de Bashar al-Assad, desde que a Rússia cumpra o seu papel de distanciar as tropas iranianas das fronteiras israelenses, ou até mesmo eliminar sua presença do território sírio.

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Notas:

* Região ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967, e anexada ao território em 1981.

** Seguidores da ¨jihad”, palavra que significa “esforço” ou “luta”. Aqueles que entendem que a luta violenta é necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e para defender a comunidade muçulmana, conhecida como umma, contra infiéis e apóstatas (pessoas que deixaram a religião). Os grupos jihadistas mais conhecidos são a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. O termo “jihadista” tem sido usado por acadêmicos ocidentais desde os anos 1990, e mais frequentemente desde os ataques de 11 de setembro de 2001, como uma maneira de distinguir entre os muçulmanos sunitas não violentos e os violentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro de Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin” (Fonte):

https://s.yimg.com/ny/api/res/1.2/x4hYp32Qtl5ZO_bxtPRjmw–~A/YXBwaWQ9aGlnaGxhbmRlcjtzbT0xO3c9ODAwO2g9NjAwO2lsPXBsYW5l/http://media.zenfs.com/en_us/News/ap_webfeeds/cb0162a3e39d4b008b290466db35377d.jpg

Imagem 2 Mapa Colinas de Golan” (Fonte):

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Conselheiro do Líder Supremo do Irã Aiatolá Ali Khamenei se encontra com presidente Vladimir Putin

No dia 12 de julho, reuniram-se em Moscou o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Ali Akbar Velayati, Conselheiro do Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei. Além de enviar uma mensagem do Aiatolá e do Presidente iraniano ao Governo russo, o encontro tinha como objetivos discutir sobre a ampliação da aliança estratégica entre ambos países, incluindo a Guerra Civil Síria, e tratar sobre o aumento de investimentos russos no setor petroleiro persa.

Encontro de Velayati e Putin no dia 12/07/2018

Além de Velayati, a delegação iraniana estava composta pelo Chefe dos Conselheiros, Ali Asghar Fathi Sarbangoli, e pelo embaixador iraniano na Rússia, Mehdi Sanai. Já a comitiva russa contava com a presença de Putin e do Ministro de Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

Ao final da reunião, um dos compromissos acordados foi acerca do investimento da Rússia de US$ 50 bilhões na indústria de gás e petróleo do Irã, assim como a união de esforços para a cooperação militar e técnica. Conforme afirmação da delegação iraniana, uma empresa de petróleo russa firmou um acordo de US$ 4 bilhões. Já a Gazprom e a Rosneft estão em tratativas com o Ministro do Petróleo do Irã para negociar um contrato de US$ 10 bilhões. De acordo com declarações do Kremlin, “a discussão centrou-se em questões de cooperação russo-iraniana, bem como a situação na região, incluindo suas atuações na Síria. As partes reafirmaram seu compromisso com o Plano de Ação Integral Conjunto sobre o Acordo Nuclear do Irã (JCPOA)”.

Considera-se que encontros como este são uma das estratégias do governo de Rouhani para atrair novos investimentos e fortalecer suas relações com aliados chaves na compra de petróleo, após a saída unilateral dos Estados Unidos do JCPOA, do reestabelecimento de sanções ao Irã e da provável desaceleração dos negócios com a União Europeia. Segundo alguns analistas no tema, o Governo persa enxerga a Rússia e a China como possíveis substitutos das empresas europeias que estão deixando o país.

Além da já realizada reunião na Rússia, Velayati irá a Pequim, em data ainda não confirmada. Outros emissários serão enviados à América Latina, em visita aos governos do Brasil, Bolívia, Chile e Venezuela; à Malásia, no Sudeste Asiático; e à Tunísia, na África Mediterrânea.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Reunião entre presidente russo Vladmir Putin e o Aiatolá Ali Khamenei” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Hassan_Rouhani_and_Vladimir_Putin_(1).jpg

Imagem 2Encontro de Velayati e Putin no dia 12/07/2018” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57984

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Expansão russa no Oriente Médio

Segundo analistas internacionais, a Federação Russa é considerada atualmente como a única potência mundial que tem trânsito livre entre todas as nações do Oriente Médio*, resultado este que se deu devido a um elaborado desenvolvimento diplomático que o Ministério das Relações Exteriores da Rússia galgou durante os últimos anos, no intuito de projetar o país como um novo agente efetivo nas questões políticas e econômicas que envolvem a região médio-oriental.

Propaganda de Putin no Oriente Médio

O fato de os Estados Unidos, que foi o principal mediador de conflitos regionais no Oriente Médio, ter começado um processo de afastamento político da área, ainda no governo de Barack Obama, deu oportunidade para a criação de um hiato representativo que, possivelmente, potencializará a hegemonia russa a se inserir ainda mais nas questões regionais. Tal hiato foi produzido com a transferência de diplomacia americana para outras regiões do planeta, principalmente para a Ásia, e se prolongou no governo de Donald Trump, com processos político-diplomáticos** que delimitaram ainda mais as negociações de paz entre Israel e Palestina, além de aplicar sanções sobre a nação iraniana, em decorrência do não alinhamento de um acordo nuclear entre as partes.

Um exemplo claro de atuação russa no Oriente Médio é sua participação militar na Síria, onde, desde setembro de 2015, vem intervindo de maneira efetiva contra o Estado Islâmico***, com o objetivo de eliminar toda a ação do grupo terrorista dentro do país e também auxiliar o governo de Bashar al-Assad, Presidente sírio, a se reestruturar em meio ao caos que o país atravessa.

A realização de parcerias econômico-financeiras com nações árabes é outro ponto importante no processo de expansão regional, como se dá no caso de fundos de pensão russos estarem avaliando um investimento direto na petroleira estatal da Arábia Saudita (Saudi Aramco, oficialmente Saudi Arabian Oil Company, anteriormente conhecida como Aramco), onde, com esta coligação, Moscou e Riad devem coordenar as políticas mundiais de petróleo por muitos anos, segundo avaliação do diretor do Fundo de Investimento Direto da Rússia, Kirill Dmitriev.

Encontro de Putin e Netanyahu

Obras de infraestrutura também incluem a participação da Rússia na região, como é o caso da construção de usinas nucleares no Egito e na Turquia, onde esta última já tem prazo de inauguração de sua planta energética (Akkuyu) em 2023, sendo construída pela Rosatom (companhia estatal de energia nuclear da Rússia), a um custo de 22 bilhões de dólares.

O comércio de armas da Federação Russa para a região também se expandiu, principalmente pelo processo de venda bilionária de sistemas antiaéreos S-400 para a Turquia. O S-400 Triumph é um sistema de defesa antiaérea de longo alcance projetado para destruir aeronaves, mísseis balísticos e de cruzeiro, inclusive de médio alcance, e, além disso, pode ser usado contra alvos terrestres.

Além de ser considerado por especialistas em relações internacionais como um forte agente nas áreas político-econômico-militar, a participação russa no Oriente Médio também irá abranger sua capacidade diplomática devido a ser detentora de alianças pacíficas com vários países e, por conta disso, deverá assumir um papel de mediador em conflitos regionais, como é o caso do embate entre Irã e Israel. A efetividade dessa mediação seria também de grande benefício para a Federação Russa, devido ao fato de os conflitos ocorridos estarem sendo travados num espaço geográfico sob sua proteção e, se houvesse um prolongamento destes embates, certamente eles afetariam os interesses da Rússia em toda aquela região.

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Notas:

* Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia.

** Em 6 de dezembro de 2017, o governo norte-americano efetivou o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, ao executar a transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para a disputada cidade. Essa ação acabou isolando os EUA em um dos episódios mais polêmicos da atualidade, o qual gerou uma série de protestos em todo o mundo.  

*** O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), é uma organização jihadista islamita de orientação Salafista e Uaabista que opera majoritariamente no Oriente Médio. Também é conhecido pelos acrônimos na língua inglesa ISIS ou ISIL.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro dos governantes de Rússia, Turquia e Irã” (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/85/b9/7d/85b97dc32aca6fe42a02ad3655ecbca1.jpg

Imagem 1 Propaganda de Putin no Oriente Médio” (Fonte):

https://dinamicaglobal.files.wordpress.com/2015/10/putin-is-welcome.jpg?w=620

Imagem 3 Encontro de Putin e Netanyahu” (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/a2/87/be/a287bebe60ac5f256cbfb217a7fa787d.jpg

                                                                                              

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Irã ameaça fechar estreito de Ormuz

Após a saída unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano, conhecido como Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), governo Trump anunciou a aplicação de novas sanções ao país persa. Além disto, solicitou que nenhum aliado seu importe petróleo do Irã e pressionou os Estados do Golfo Árabe para aumentarem a produção de petróleo. O presidente iraniano Hassan Rouhani, em resposta, declarou na sua página oficial que “os estadunidenses têm apoiado sobre a completa paralização das exportações de petróleo iraniana. Mas eles não entendem o real significado dessa declaração porque não existe nenhum motivo para o petróleo iraniano não ser exportado, enquanto os outros países da região o fazem”, por isso também ameaçou fechar o Estreito de Ormuz.

Mapa do Estreito de Ormuz

A importância geoestratégica desta região é essencial para o equilíbrio do comércio de petróleo no mundo. O passo entre o Golfo Persa e o de Omã é responsável por cerca de 30% a 35% da exportação marítima do produto a todos os continentes. Aproximadamente 17 milhões de barris por dia atravessam o estreito. Embarcações do Iraque, Kuwait, Bahrein e Catar, bem como de alguns portos dos Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita saem diariamente. Portanto, conforme reiteração do observador de mercado global de energia, Cyril Widdershoven, sendo a ameaça do governo de Rouhani um blefe ou não, inevitavelmente são gerados impactos e incertezas quanto a passagem segura dos barcos carregados de petróleo e gás natural.

De acordo com especialistas em Oriente Médio, o fechamento de Ormuz seria a última opção da administração Rouhani. Por um lado, a tentativa poderia causar um possível confronto entre Irã e Estados Unidos, além de provocar um rompimento com o Conselho de Cooperação do Golfo, que busca preservar a livre circulação de navios e cargueiros pelo estreito. Por outro lado, reduziria o seu poder de negociação nas tratativas de mitigação das sanções estadunidenses e afastaria a União Europeia, China e Índia da sua esfera estratégica de parceria. Ademais, caso os aliados norte-americanos suspendam suas importações de petróleo, o país reduziria a venda de cerca de 1 milhão de barris por dia (bpd). Atualmente, a exportação da commodity alcança 2,28 milhões/bpd, resultando em consideráveis perdas na sua receita.

Especialistas pelo mundo apontam que dificilmente o Irã irá obstruir a travessia no local, porém é possível que o Governo central utilize sua expertise em cyberwar* contra os aliados estadunidenses na região, podendo importunar suas frotas militares e embarcações de petróleo no Golfo Pérsico.

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Nota:

* Conhecida como Ciberguerra ou Guerra Cibernética, é uma modalidade de guerra na qual o conflito não ocorre com o uso de armas físicas, mas através da confrontação com meios eletrônicos e informáticos no chamado ciberespaço.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hassan Rouhani reeleito nas eleições de 2013 (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Hassan_Rouhani_press_conference_after_his_election_as_president_14.jpg

Imagem 2 Mapa do Estreito de Ormuz(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/92/Strait_of_Hormuz.jpg