NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Primeiro navio de Ajuda Humanitária da ONU atraca no Iêmen

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas informou que, na terça-feira passada, dia 21 de julho, um navio de ajuda humanitária que aguardava em alto mar uma trégua dos conflitos para atracação, desde 26 de junho, começou a descarregar suprimentos alimentares[1]. O navio, que transportava ajuda alimentar para a população sitiada no Porto de Aden, ao Sul do Iêmen, é o primeiro em meses de guerra que devastam a cidade, fruto de facções rivais em luta nos subúrbios ao norte[2]. O navio levava auxílio das Nações Unidas suficiente para alimentar 180 mil pessoas durante um mês, uma pequena medida de alívio para uma cidade que foi severamente danificada pelo conflito entre Milícias Houthis e forças leais ao presidente deposto AbdRabbu Mansour Hadi[2].

O MV Han Zhi, carregado de 4.700 toneladas métricas de alimentos, atracou no Porto Petrolífero de Aden, em AlBuraiqa, depois de ter sido forçado a esperar mais de três semanas por uma janela segura para aportar[3].  “Este é um grande avanço para nossa resposta humanitária no Iêmen. Embora tenhamos sido capazes de chegar a várias áreas do sul por via terrestre, a ancoragem no porto de Aden nos permite acelerar nossa resposta para atender às necessidades urgentes no sul do Iêmen[3], disse Muhannad Hadi, Diretor Regional do PAM para o Oriente Médio, África do Norte, Ásia Central e Europa Oriental. “Nos próximos dias esperamos chegar a mais pessoas, não só em Aden, mas em todo o Iêmen[3], completou.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) fez tentativas de envio de navios para Aden, mas todas até hoje foram bloqueadas devido aos graves e repetidos combates na zona portuária[3]. Dois comboios de caminhões da ONU foram capazes de alcançar Aden por terra na semana passada, mas o aeroporto, palco de pesados combates, estava fechado[2]. Apesar da insegurança e das dificuldades extremas atingindo Aden por estrada, o PAM distribuiu alimentos às famílias deslocadas na governadoria[3]. Através do seu parceiro local, o Programa alcançou Aden pela última vez em 14 de julho, com a ajuda de emergência para mais de 27.000 pessoas[3].

Mais navios fretados pelo PAM estão em stand-by perto do Porto, transportando combustível e mais comida[4]. O Programa Alimentar da ONU está trabalhando para enviar mantimentos através de Aden para pessoas que necessitam de assistência humanitária, particularmente nas províncias do sul, que estão em grande parte inacessíveis em virtude dos confrontos[3]. Desde abril, oPAM já alcançou mais de 2 milhões de pessoas afetadas pelos conflitos e com severa insegurança alimentar em treze províncias iemenitas, incluindo Abyan, Aden, Dhale, Al Mahwit, Amran, Dhamar, Hajjah, Hodeidah, Lahj, Sanaa, Saada, Shabwa eTaiz[3].

Outro navio de ajuda humanitária dos Emirados Árabes Unidos – que faz parte da coalizão que bombardeia o país – também atracou em Aden no final do dia[5]. Os dois navios totalizaram 7.000 toneladas de assistência alimentar e farmacêutica[6]. O PortaVoz do PAM, Peter Smerdon, apelou aos beligerantes que autorizassem a distribuição da ajuda alimentar a partir dos navios e permitissem a retomada das trocas comerciais, que alegou ser a única maneira de satisfazer as necessidades alimentares do Iêmen[4]. “Nós (da ONU) não podemos preencher essa lacuna, ela só pode ser preenchida se o setor comercial for autorizado a importar alimentos e distribuí-los por todo o país[4].

A administração do Diretor Regional do PAM e a Aliança Militar Árabe estão buscando proteger a cidade de Aden e torná-la uma base para desafiar o controle houthi sobre a maior parte do resto do território iemenita[2]. Durante a semana passada, as forças leais ao deposto presidente Hadi – apoiadas pelos ataques aéreos da Coalizão liderada pela Arábia Saudita – teriam recapturado a maior parcela de Aden dos rebeldes Houthi e seus aliados[7]. A Coalizão nunca reconheceu ter pisado em solo iemenita, mas os legalistas foram robustecidos por forças treinadas pela coalizão[6].

A Arábia Saudita interveio na guerra em 26 de março, em um empenho para impedir que forças houthi tomassem Aden, última cidade nominalmente controlada pelo Presidente deposto. A Arábia Saudita alega querer restaurar AbdRabbu Mansour Hadi no poder na capital Sanaa, apreendida pelos houthis em setembro[2], enquanto estes acusam o governo do Presidente de corrupção e de marginalização do grupo, majoritariamente xiita[5]. Quase quatro meses de ataques aéreos e de guerra civil já mataram mais de 3.640 pessoas, cerca da metade delas civis, segundo a ONU[7]Aden sofreu especialmente, com escassez aguda de gêneros alimentícios, remédios e combustível[6].

O Programa Alimentar Mundial é a maior agência humanitária do mundo que combate a fome em todo o globo, entregando víveres em situações emergenciais e trabalhando com comunidades para aumentar sua resiliência. Em 2013, o PAM assistiu a mais de 80 milhões de pessoas em 75 países[3]. No Iêmen, acima de 21,1 milhões de pessoas – mais de 80 por cento da população do país – necessitam ajuda, sendo que 13 milhões enfrentam escassez de comidas. Isso inclui mais de 6 milhões de pessoas com insegurança alimentar grave que não podem sobreviver sem ajuda externa[3][6].

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Imagem O M/v Han Zhi, transportando comida suficiente para alimentar 180 mil pessoas durante um mês, atracou no dia 21 de Julho de 2015 no porto petrolífero de Aden, em AlBuraiqa, Iêmen” (Fonte PAM ONU/WFP UN Ammar Bamatraf):

https://www.wfp.org/news/news-release/first-wfp-ship-carrying-food-docks-aden-port-humanitarian-needs-soar-yemen

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced82uvhe.3nf/b1343a4a

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/07/21/us-yemen-security-idUSKCN0PV0ST20150721

[3] Ver:

https://www.wfp.org/news/news-release/first-wfp-ship-carrying-food-docks-aden-port-humanitarian-needs-soar-yemen

[4] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2015/Jul-21/307596-first-un-aid-ship-in-4-months-docks-in-yemens-aden.ashx

[5] Ver:

http://www.asianews.it/news-en/First-UN-humanitarian-aid-to-Aden,-after-four-months-of-war-34831.html

[6] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/07/aid-ships-months-dock-yemen-aden-150721132333506.html

[7] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-33616171

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Antiterrorismo e Direitos Humanos na Jordânia e além

Em 8 de julho de 2015, autoridades jordanianas detiveram Ghazi al-Marayat, jornalista do jornal alRai, controlado pelo Governo. AlMarayat foi preso sob a acusação de haver violado uma ordem de silêncio imposta sobre a mídia, por ter publicado detalhes de um plano de ataque terrorista que fracassou[1]. O jornalista foi solto em 12 julho, sob fiança[1][2].

O ocorrido representa o mais recente caso de repressão à liberdade de imprensa na Jordânia, por meio da detenção de jornalistas sob as “amplas e vagas provisões da lei antiterrorismo do país[1], como denuncia a Human Rights Watch (HRW).

A nova Lei Antiterrorismo, aprovada em abril de 2014, estabeleceu punições de 10 anos de encarceramento à pena de morte. Além disso, a Lei expandiu a definição de Terrorismo, que passou a incluir “qualquer ato destinado a criar sedição, causar danos a propriedade ou prejudicar as relações internacionais [da Jordânia], ou a usar os canais de Internet ou de comunicação, para promover pensamento ‘terrorista’[3].

Desde sua aprovação, a nova Lei Antiterrorismo jordaniana vem sendo criticada por vozes da oposição e organizações de direitos humanos, devido ao seu potencial em silenciar dissidências e intimidar ativistas, além do fato de constituir violação do direito à liberdade de expressão e de imprensa[4].

O caso jordaniano representa mais um exemplo da onda de acirramento e/ou proliferação, em países do Oriente Médio e Norte da África, de mecanismos legais que visam combater o terrorismo, os quais, comumente, violam – ou oferecem bases legais para a violação de – Direitos Humanos.

No Egito, o combate ao Terrorismo, que foi incorporado na nova Constituição do país em janeiro de 2014[5], vem permitindo a intensificação, tanto em escopo quando em força, de vozes da oposição e mesmo de organizações não-governamentais no país[6]. O Iraque, por sua vez, emitiu, em junho de 2014, diretrizes que silenciam a mídia em tempos de “guerra ao terror[7]. Na Arábia Saudita, a nova Lei Antiterrorismo de janeiro de 2014 permite o encarceramento de suspeitos em casos de terrorismo[7]. A HRW aponta que inúmeros indivíduos são detidos por mais de 6 meses sem que seus casos sejam referidos ao judiciário[8], e casos específicos analisados pela organização revelaram falhas no devido processo legal[9]. Na Tunísia, Projeto de Lei Antiterrorismo, proposto em março de 2015, após o ataque ao Museu Bardo, permite detenções incomunicáveis prolongadas e apena de morte, além de enfraquecer as devidas garantias processuais para pessoas acusadas de crimes de terrorismo[10]. Mais recentemente, no último dia 1o de julho, em resposta ao ataque à Mesquita Imam Sadiq, em junho desse ano, a Assembleia Nacional do Kuwait aprovou, como parte de sua Lei Antiterrorismo, a coleta compulsória de amostras de DNA dos 1,3 milhão de cidadãos kuwaitianos e 2,9 milhões de estrangeiros residentes no país. Como observa a HRW, a medida viola os padrões de privacidade presentes no Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, do qual o Kuwait é signatário[11].

Tais casos ilustram como a preocupação de Governos de países da região e a relação à segurança nacional vem norteando políticas cada vez mais duras contra o terrorismo, as quais, no entanto, desrespeitam liberdades fundamentais.

Na Jordânia, tais preocupações parecem derivar principalmente da ameaça que o Estado Islâmico (EI) representa na região, razão pela qual o país expandiu sua legislação contra o terror em junho do ano passado, passando a criminalizar o apoio online ao EI[12]. Mais recentemente, autoridades jordanianas proibiram formalmente a impressão, pela mídia, de fotos ou notícias emitidas pelo EI sobre o piloto jordaniano Muath alKasasbeh, assassinado pelo grupo, bem como declarações críticas às Forças ArmadasJordanianas, após a sua adesão à campanha de bombardeio contra o EI[1].

No entanto, nas palavras de Joe Stork, ViceDiretor da HRW para o Oriente Médio e Norte da África, também são aplicáveis às situações nos outros países discutidas acima. Afirmou: “[p]reocupações da Jordânia sobre a sua situação de segurança não devem se traduzir em marcar jornalistas e escritores como ameaças de segurança apenas por fazer o seu trabalho ou se expressar pacificamente […]. A Jordânia deve parar de perseguir jornalistas e revisar sua lei contra o terrorismo a fim de remover linguagem vaga usada para limitar discurso pacífico[1].

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ImagemJornalistas jordanianos reunidos do lado de fora do Tribunal de Segurança de Estado, demandando a soltura de Ghazi Marayat” (Fonte):

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2015/Jul-15/306819-jordan-urged-to-halt-pursuit-of-journalists-over-security.ashx

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.hrw.org/news/2015/07/15/jordan-journalists-writers-facing-terrorism-charges

[2] Ver:

http://www.alrai.com/article/725116.html (em árabe).

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/04/jordan-anti-terrorism-law-sparks-concern-201442510452221775.html

[4] Ver, e.g.:

https://www.hrw.org/news/2014/05/17/jordan-terrorism-amendments-threaten-rights;

Ver Também:

https://www.hrw.org/news/2014/12/11/jordan-assault-free-expression;

Ver Também:

https://freedomhouse.org/report/freedom-net/2014/jordan

[5] Ver:

https://ceiri.news/anti-terrorismo-e-a-nova-constituicao-egipcia/

[6] Ver:

https://ceiri.news/egito-mecanismos-legais-contra-a-oposicao/;

Ver Também:

https://ceiri.news/repressao-a-ongs-no-egito/;

Ver Também:

https://ceiri.news/egito-governo-e-oposicao-em-retrospectiva/

[7] Ver:

https://ceiri.news/anti-terrorismo-e-oposicao-politica-na-arabia-saudita-e-alem/

[8] Ver:

http://www.hrw.org/news/2015/01/29/saudi-arabia-long-jail-terms-activists

[9] Ver:

http://www.hrw.org/news/2014/09/10/saudi-arabia-protest-convictions-flawed-unfair

[10] Ver:

https://ceiri.news/estado-de-emergencia-e-projeto-de-lei-anti-terrorismo-na-tunisia/

[11] Ver:

http://www.hrw.org/news/2015/07/20/kuwait-new-counterterror-law-sets-mandatory-dna-testing

[12] Ver:

https://ceiri.news/os-esforcos-jordanianos-contra-o-estado-islamico/

[13] Ver:

http://www.hrw.org/news/2014/03/20/saudi-arabia-new-terrorism-regulations-assault-rights

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A oposição de Israel e dos Países Árabes Moderados ao Acordo Nuclear com o Irã

Desde 2013, as potências do P5+1 (EUA, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha) têm trabalhado para alcançar um entendimento relativo ao Programa Nuclear Iraniano. Após este longo período de negociações, em 14 de julho, foi assinado aquele que, para os negociadores, é um Acordo histórico. A conclusão das conversações culminou na redução da capacidade iraniana para enriquecer material radioativo, sendo que a atividade foi limitada somente para fins pacíficos.

Para John Kerry, Secretário de Estado dos EUA, as medidas acordadas serão aplicadas por fases e submetidas às diligências constantes, e de modo transparente, em ordem a inibir as tentativas do Irã para desenvolver atividades nucleares para fins militares[1]. O anúncio do fim desse longo processo de conversações e ajustes foi recebido positivamente por uma parcela da comunidade internacional e com desconfiança por outra parte. Para Benjamin Netanyahu, PrimeiroMinistro de Israel, o Tratado é “um grande erro de proporções históricas[2]

Conforme determinam as regras do Acordo, as Sanções contra o Irã serão aliviadas. Em contrapartida, o país permitirá a investigação acerca do seu passado nuclear pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na medida em que o Programa Nuclear Iraniano esteve sob suspeita de ter dimensão militar e o objetivo do pacto agora assinado consiste em eliminar o caráter bélico daquele Programa[3]. No entanto, as ações tomadas pelas grandes potências não foram suficientes para pôr fim às inquietações de Israel, que se sente ameaçado ante a desconfiança de que o Irã poderá continuar a tentar adquirir uma arma atômica e que, com o abrandamento das Sanções, o país possa aumentar o financiamento a grupos irregulares inimigos como, por exemplo, o Hezbollah, no Líbano.

Após a assinatura do entendimento, o Presidente dos EUA, Barack Obama, ofereceu pela segunda vez ajuda para melhorar a capacidade militar israelense e reconheceu o potencial militar do Hezbollah no combate a Israel. Sem se identificar, um alto funcionário norte-americano afirmou que a primeira oferta foi feita em 2 de abril, na sequência das conversações sobre o Programa Nuclear do Irã, em Lausanne, na Suíça, mas Netanyahu recusou dizendo que preferia lutar contra o Acordo[4]. Agora, no momento em que o Presidente NorteAmericano voltou a repetir a oferta, o PrimeiroMinistro de Israel solicitou que o Comitê de Ação Política AmericanoIsraelense (AIPAC) pressione o Congresso NorteAmericano para rejeitar o compromisso assumido entre o P5+1 e os iranianos[5].

A oposição à decisão tomada pelas potências P5+1 e o Irã não é exclusiva de Israel. A Arábia Saudita, o Egito, a Jordânia e alguns países do Golfo Pérsico também veem o futuro com desconfiança, a partir daquilo que foi acertado entre as grandes potências e os iranianos. Sob anonimato, uma autoridade saudita declarou que, “como vizinhos do Irã, nós aprendemos nos últimos 40 anos que a boa vontade nos levou apenas a colher uvas amargas[6].

Para o pesquisador saudita Mansour alMarzouki, o Acordo beneficia economicamente o Irã, que terá condições de criar uma arma atômica, uma vez que as medidas contempladas no Tratado não comprometem a capacidade técnica do país quanto à manutenção de um Programa Nuclear[7]. Por outro lado, o pesquisador dos Emirados Árabes Unidos, Nasser Ahmed Bin Ghaith, que considera os Estados do Golfo como os mais fracos em termos de influência regional, afirma que aqueles países sofrerão economicamente as consequências do entendimento entre as grandes potências e o Irã.

Segundo ele, com a suspensão das sanções sobre as exportações de petróleo, o Irã colocará no mercado aproximadamente 1,5 milhões de barris de crude ao dia. Isto inundará o mercado perolífero, já saturado, o que provocará a queda no preço dessa commodity e, consequentemente, comprometerá a economia dos países do Golfo, que já está sobrecarregada. Para o pesquisador, este fato levará estes Estados a realizarem, a longo prazo, mudanças para preservarem os seus interesses e, inclusive, a romperem a aliança militar e de segurança com os EUA em nome de uma cooperação própria conjunta[8].

A atual conjuntura leva-nos à hipótese de um novo realinhamento estratégico na região[9]. Domingo, 19 de julho, Shabtai ShavitExDiretor da Agência de Inteligência e Operações Especiais de Israel (o Mossad), durante os anos de 1989-1996, disse em uma rádio que o seu país tem agora uma causa comum com os países árabes sunitas, que se opõem à proposta ocidental pactuada com o Irã. Segundo Shavit, o recente Acordo assinado entre as potências P5+1 e o Irã possibilita a abertura de “uma nova ordem no Oriente Médio[10].

Shavit afirmou, também, que “temos aqui uma oportunidade única de experimentar e criar uma coalizão de países árabes moderados liderados pela Arábia Saudita e Israel, ambos, para abordar a potencial capacidade nuclear iraniana no futuro e também a fim de criar uma nova ordem no Oriente Médio[11]. Ele acredita que a formação de uma coligação entre Israel e estes países árabes tem por base a resolução do conflito israelo-palestino, admitindo que os Governos árabes moderados poderão contribuir para uma solução. Shavit afirmou ainda: “Eu acredito que os países sunitas moderados, estando envolvidos em uma solução política israelense-palestina, estão numa posição que pode contribuir em muito para atingir este objetivo. Devemos ter em mente o fato de que, até agora, não obtivemos êxito para (alcançar) qualquer tipo de solução definitiva com os palestinos, apesar da participação de todos os tipos de outras partes, como os norte-americanos, os europeus e outros[12].

Os descontentamentos regionais em torno da assinatura do pacto nuclear iraniano, mais do que oposição, são fruto da desconfiança. Os países críticos alegam que os critérios adotados não são suficientes para dissuadir o Irã de adquirir a arma nuclear. De fato, as regras e o controle sobre o enriquecimento de material radioativo não se estendem para fora do território iraniano, por exemplo.

Ante a suscetibilidade do Acordo, por parte de vários atores regionais, surge a possibilidade de, a médio e a longo prazo, ser delineado um novo realinhamento estratégico no Oriente Médio. Uma possível aproximação de Israel aos países árabes sunitas moderados, até agora impensada, também levanta a hipótese de se estabelecer uma nova ordem na região e o consequente afastamento ocidental.

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Imagem Acordo nuclear com o Irã. Viena, 14 de julho de 2015. Da esquerda para a direita, Ministros das Relações Exteriores: Wang Yi (China);Laurent Fabius (França); FrankWalter Steinmeier (Alemanha); Federica Mogherini (União Europeia); Mohammad Javad Zarif (Irã); Philip Hammond (Reino Unido); John Kerry (Estados Unidos da América)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_nuclear_iraniano#/media/File:Iran_Talks_Vienna_14_July_2015_(19067069963).jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.state.gov/secretary/remarks/2015/07/244885.htm

[2] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/jul/14/netanyahu-denounces-iran-nuclear-dealcriticism-israel

[3] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/reuniao-fecha-acordo-sobre-programa-nuclear-do-ira-dizem-agencias.html

[4] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.666205

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Breaking-News/AIPAC-backing-group-that-plans-to-press-Democrats-on-Iran-deal-through-TV-ads-409355

[6] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/07/1655490-rivais-arabia-saudita-e-israel-se-unem-contra-acordo-nuclear-com-ira.shtml

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/04/saudi-arabia-israel-oppose-iran-nuclear-deal-150401061906177.html

[8] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/04/saudi-arabia-israel-oppose-iran-nuclear-deal-150401061906177.html

[9] Ver:

https://ceiri.news/a-reacao-de-israel-ao-acordo-nuclear-com-o-ira/

[10] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Iran-nuclear-deal-opens-window-for-Israel-to-join-new-Mideast-order-409462

[11] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Iran-nuclear-deal-opens-window-for-Israel-to-join-new-Mideast-order-409462

[12] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Iran-nuclear-deal-opens-window-for-Israel-to-join-new-Mideast-order-409462

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Refugiados sírios já passam de quatro milhões

O número de refugiados fruto da Guerra Civil Síria já ultrapassa 4,013 milhões de pessoas, o equivalente a um sexto de sua população, de acordo com novos dados da Organização das Nações Unidas. Quase metade deles (1,805 milhões) está abrigada na Turquia[1]. “Esta é a maior população de refugiados a partir de um único conflito em uma mesma geração[1], afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, em comunicado. Um adicional de 7,6 milhões de sírios foram deslocados pelos combates que já entram em seu quinto ano[1]

Mais de 24.000 pessoas atravessaram a fronteira do norte da Síria para a Turquia para escapar dos conflitos somente em junho passado – aumentando a população refugiada síria em adicionais um milhão de pessoas em apenas 10 meses e tornando o país o maior asilo de refugiados no mundo[2]. Em Tel Abyad e em outras partes do norte da Síria, conflitos vêm sendo travados entre grupos curdos  e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante[2].

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR, ou United Nations High Commissioner for RefugeesUNHCR, em inglês) afirmou que neste ritmo o número deverá atingir cerca de 4,27 milhões no final do ano[2]. Atualmente, 1.172.753 sírios estão abrigados no Líbano; 629.128 na Jordânia; 249.726 fugiram para o Iraque[1] e 132.375 para o Egito, segundo dados da ONU até o último 5 de julho[3]. O relatório não inclui os 278.551 pedidos de asilo feitos por sírios na Europa, tampouco os milhares de reassentados em outros lugares da região[2][3]. No final de 2014, uma em cada cinco pessoas deslocadas em todo o mundo já era síria[3].

A ONU apelou por US$ 5,5 bilhões em ajuda durante o ano de 2015 para lidar com as consequências humanitárias da crise na Síria[4]. Mas até o final do mês de junho, a Organização havia recebido menos de um quarto desse montante, reportou a Agência para refugiados[1]Guterres, mais uma vez, alertou que a ajuda internacional não estava acompanhando o ritmo da dimensão da crise, e que muitos refugiados estavam “afundando cada vez mais na pobreza[1]. O Alto Comissário completou declarando que o agravamento das condições está dirigindo números crescentes de refugiados em direção à Europa e a locais mais distantes, mas a esmagadora maioria permanece na região[1][5].

Com o prolongamento da guerra na Síria, em virtude do aprofundamento da pobreza e das dificuldades, as famílias estão sendo forçadas a recorrerem a estratégias de sobrevivência mais desesperadas, incluindo casarem seus filhos jovens ou forçá-los a trabalhar, disse a Organização das Nações Unidas. “As crianças estão trabalhando fundamentalmente para a sua sobrevivência[1], disse Roger Hearn, Diretor Regional para o Oriente Médio e Eurásia da organização Save the Children. “Quer seja na Síria ou em países vizinhos, eles estão se tornando os principais agentes econômicos[1], completou.

Na semana passada, o Programa Alimentar Mundial (WFP) alertou mais uma vez que estava ficando sem fundos para alimentar os refugiados e que poderia ser forçado a cortar toda a ajuda para as centenas de milhares de sírios na Jordânia já no próximo mês[5][6]. Muhannad Hadi, diretor regional para o Oriente Médio, Norte da África, Ásia Central e Europa Oriental, declarou: “Apenas quando nós pensávamos que as coisas não poderiam ficar piores, somos obrigados mais uma vez a fazermos ainda mais cortes. Os refugiados já estavam lutando para sobreviver com o pouco que podíamos proporcionar[5][6], lamentou.

A fadiga dos doadores internacionais e a pressão sobre os orçamentos de ajuda após mais de quatro anos de conflito na Síria golpearam a angariação de fundos para a resposta internacional às situações de emergência não somente na Síria, mas no Iêmen,Sudão do Sul e em outras áreas de conflito, regiões nas quais as agências humanitárias relatam estarem agudamente subfinanciadas[1].

A relutância da Turquia em absorver mais refugiados, muitas vezes os mantém durante dias na fronteira. O colapso do regime sírio provavelmente levaria mais refugiados aos países vizinhos, particularmente o Líbano, onde deslocados sírios já compõem um quinto da população, perturbando o delicado equilíbrio sectário e causando um alongamento da infraestrutura do país além de seu ponto de ruptura. O Líbano tem respondido com condições de entrada cada vez mais rigorosas aos refugiados[5].

Segundo dados mais recentes, cerca de 220.000 pessoas foram mortas na Síria desde que os protestos contra o Governo de Bashar al-Assad eclodiram, em março de 2011[2][5].

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ImagemRefugiados sírios após cruzarem a fronteira para a Turquia no ano passado. Estimase que haja 1,8 milhões de refugiados sírios na Turquia” (Fonte Foto/Crédito: Bryan Denton para o The New York Times):

http://www.nytimes.com/2015/07/09/world/middleeast/number-of-syrian-refugees-climbs-to-more-than-4-million.html                                          

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/07/09/world/middleeast/number-of-syrian-refugees-climbs-to-more-than-4-million.html

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/07/unhcr-syrian-refugees-4-million-150709033023489.html

[3] Ver:

http://data.unhcr.org/syrianrefugees/regional.php

[4] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-33457886

[5] Ver:

http://www.theguardian.com/global-development/2015/jul/09/syria-refugees-4-million-people-flee-crisis-deepens

[6] Ver:

https://www.wfp.org/news/news-release/wfp-forced-make-deeper-cuts-food-assistance-syrian-refugees-due-lack-funding

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os termos do novo Acordo Nuclear Iraniano

Na manhã da última terça-feira, 14 de julho, o Irã e o P5+1 (composto por China, Estados Unidos, França, Reino UnidoRússia + Alemanha) chegaram a um Acordo Nuclear em Viena, após 20 meses de negociações contínuas[1][2]. As partes negociantes saudaram o Acordo, tido como marco histórico de uma “nova direção” nas relações diplomáticas entre Irã e o Ocidente, nas palavras de Barack Obama,  e de um “grande suspiro de alívio” mundial, nas palavras de Vladimir Putin[3][4].

Em contrapartida, o Acordo Nuclear enfrenta críticas tanto no âmbito da política interna americana, quanto no plano internacional[5], no qual o primeiroministro israelense Benjamin Netanyahu figura como maior opositor do que denunciou como um “erro histórico[6].

No entanto, como observa Aaron David Miller, para a Foreign Policy, o Acordo não é “nem a catástrofe que seus detratores temem, nem o avanço histórico que seus [líderes] alegam[7]. Por um lado, ele representa um avanço significativo na medida em que reduz o número de centrífugas iranianas em dois terços[1] e garante o acesso de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a instalações militares. Esta, junto a outras medidas, como o monitoramento de oficinas de centrífugas e minas de urânio, contribuem para a prevenção de um “sneakout”, i.e., uma tentativa de obter uma bomba nuclear secretamente[8].

Por outro lado, como aponta Miller, é preciso ter em mente que se trata de um acerto de controle de armas e não de desarmamento – trata-se de “um mecanismo para restringir as pretensões de [obter] armas nucleares do Irã, não eliminá-las[7]. Ele não previne o Irã de enriquecer urânio, nem tampouco de se tornar um Estado à beira de obter armas nucleares[7].

Nesse sentido, o Acordo parece penoso porque bilhões de dólares em alívios de sanções foram concedidos ao Irã em troca de limitações ao Programa Nuclear Iraniano que não impedirão o país de possuir uma infraestrutura nuclear de tamanho industrial em 15 anos[7].

Além disso, como apontam John Hudson e Colum Lynch, também para a Foreign Policy, embora a AIEA passe a ter acesso a instalações nucleares do país pelos próximos 25 anos, o sistema de monitoramento estabelecido permite que o Irã adie pedidos de inspeções por 24 dias, o que poderia ser utilizado para limpar evidências de atividades nucleares ilícitas[9]. Nas palavras de Olli Heinonen, ex-funcionário de alto escalão do departamento de salvaguardas nucleares da AIEA, o regime de inspeção acertado fica longe de permitir inspeções “a qualquer hora, em qualquer lugar[9]. Ainda assim, os Estados Unidos alcançaram o que queriam: um programa iraniano mais lento, menor, e mais facilmente monitorável por pelo menos uma década[7].

De toda forma, o estabelecimento de um Acordo Nuclear tido como bem-sucedido pelas partes envolvidas pode permitir um maior foco da comunidade internacional em questões de direitos humanos no Irã, ou assim esperam defensores da causa. Na própria terça-feira, a Human Rights Watch publicou declaração clamando que, agora que um Acordo foi alcançado, a comunidade internacional pressione o Irã para que o país leve adiante reformas na área de direitos humanos[10], demanda de longa data desta organização[11].

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ImagemMinistro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, em conferência de imprensa conjunta no Centro Internacional de Viena, em 14 de julho de 2015, Viena, Áustria” (Fonte):

http://www.hrw.org/news/2015/07/14/dispatches-time-prioritize-human-rights-tehran

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://edition.cnn.com/2015/07/14/politics/iran-nuclear-deal/

[2] Ver:

https://ceiri.news/a-virada-iraniana/;

Ver Também:

https://ceiri.news/o-acordo-nuclear-iraniano-e-a-postura-francesa/;

Ver Também:

https://ceiri.news/acordo-nuclear-iraniano-o-impacto-internacional/;

Ver Também:

https://ceiri.news/o-ira-e-crise-da-crimeia/;

Ver Também:

https://ceiri.news/o-prolongamento-das-negociacoes-nucleares-com-o-ira/

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/07/mixed-reactions-historic-iran-nuclear-deal-150714162542420.html

[4] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-33518524;

Ver Também:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/reuniao-fecha-acordo-sobre-programa-nuclear-do-ira-dizem-agencias.html

[5] Ver:

http://www.wnd.com/2015/07/source-iran-deal-appears-imminent/

[6] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/07/15/world/middleeast/iran-nuclear-deal-israel.html;

Ver Também:

http://foreignpolicy.com/2015/07/13/bibis-iran-bashing-now-conveniently-in-farsi/

[7] Ver:

http://foreignpolicy.com/2015/07/14/iran-nuclear-obama-sanctions-oil-kerry-zarif/

[8] Ver:

http://foreignpolicy.com/2015/07/14/its-a-damn-good-deal-iran-nuclear-agreement-joint-comprehensive-plan-of-action/

[9] Ver:

http://foreignpolicy.com/2015/07/14/how-much-access-will-the-worlds-nuclear-watchdog-have-in-iran/

[10] Ver:

http://www.hrw.org/news/2015/07/14/dispatches-time-prioritize-human-rights-tehran

[11] Ver:

https://www.hrw.org/news/2013/12/27/joint-letter-president-hassan-rouhani-re-draft-citizens-rights-charter

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pentágono divulga documento com Estratégia Militar dos EUA

No último dia 1º de julho, o Pentágono divulgou o documento que trata sobre diretrizes da estratégia militar dos Estados Unidos da América (EUA). Essa é a primeira atualização do documento desde 2011 e, segundo o Governo norteamericano, esta renovação da estratégia busca refletir sobre novos desafios à segurança mundial, na qual os Estados Unidos estão lidando não apenas com atores tradicionais como a Rússia e a China, mas também com novas redes e grupos terroristas, tais como o Estado Islâmico[1].

O texto assinala que, no presente, os EUA estão mais propensos a enfrentar longas campanhas do que conflitos com desfecho rápido, em razão dos novos desafios à segurança e a rápida mudança tecnológica, que tem sido aproveitada por essas forças. O Documento aponta países como Coreia do Norte, Irã e Rússia como ameaças agressivas para a paz mundial. Além desses, o texto ainda menciona a China, entretanto, ressalva que o Governo norteamericano quer apoiar a ascensão chinesa além de incentivar o país a se tornar um parceiro, visando maior segurança internacional[2].

No entanto, o Documento sinaliza que nenhum desses países tem procurado estabelecer um confronto militar direto com os Estados Unidos ou seus aliados. Adicionalmente, ressalta que, no presente, o envolvimento direto numa guerra entre os Estados Unidos e uma grande potência é baixo. Em contrapartida, a tendência é que o Governo norteamericano venha a ter cada vez mais participação em conflitos híbridos (que reúne forças regulares e irregulares) como no combate ao Estado Islâmico, assim como nos rebeldes apoiados pelos russos na Ucrânia[3]. No que se refere à Rússia, o texto argumenta que as ações militares russas estão destruindo a segurança regional, através de forças que atuam por procuração[4].

No dia seguinte a divulgação do documento pelo Pentágono, o Governo da Rússia afirmou que a Nova Estratégia Militar dos Estados Unidos não visa melhorar suas relações com os russos, mas sim estabelecer um cenário de confrontação. Segundo o Governo russo, a estratégia dos Estados Unidos não respeita alguns princípios básicos entre os países, tais como a soberania, além de buscar usar a força para fazer valer seus objetivos. Dmtry Peskov, PortaVoz do Kremlin, reitera essa ideia pontuando que o documento revela uma atitude de confronto e não objetiva normalizar as relações bilaterais dos dois países[5].

De um lado, os Estados Unidos e seus aliados afirmam que a Rússia tem buscado uma política agressiva em seu entorno regional a despeito, especialmente, pelo conflito na Ucrânia. Já o Governo russo assinala que os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) buscam uma política ofensiva e de confronto com a Rússia, haja vista o avanço da Organização para o leste. Além disso, Vladimir Putin, Presidente da Rússia, afirmou durante o Fórum Econômico Internacional em São Petersburgo, que osEstados Unidos saíram do Tratado ABM (Tratado de Mísseis Antibalísticos) em 2001, empurrando assim a Rússia para uma nova corrida[6]. Já Ashton Carter, Secretário de Defesa dos EUA, declarou que os Estados Unidos esperam que a Rússia deixe para trás sua política retrógada, talvez não durante o Governo de Putin, mas em algum momento no futuro, e adote uma política mais avançada e flexível[7].

Por fim, compete destacar ainda que o Documento apresentado pelo Pentágono revela uma série de preocupações do Governo norteamericano, que dão conta sobre as capacidades dos Estados Unidos em garantir a superioridade tecnológica sobre seus adversários e, nos conflitos com grupos e redes terroristas como o Estado Islâmico, que a superioridade tecnológica poderá não ser a garantia de vitória[8]. Logo, após a divulgação do documento, o Gen. Martin Dempsey, Chefe EstadoMaior dos EUA, ressaltou que o sucesso daestratégia norte-americana depende cada vez mais de uma rede de parceiros e aliados. Portanto, o Governo estadunidense tem buscado trabalhar para solucionar problemas por meio de políticas comuns, mensagens compartilhadas e, ainda, uma ação coordenada a fim de promover a segurança coletiva[9].

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Imagem (Fonte):

http://rt.com/op-edge/271243-us-pentagon-military-strategy-russia/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.defensenews.com/story/breaking-news/2015/07/01/pentagon-releases-new-national-military-strategy/29564897/

[2] Ver:

Idem.

[3] Ver:

https://drive.google.com/viewerng/viewer?url=http://www.jcs.mil/Portals/36/Documents/Publications/2015_National_Military_Strategy.pdf

[4] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN0PC1A120150702

[5] Ver:

http://br.sputniknews.com/defesa/20150622/1359148.html

[6] Ver:

Idem.

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

http://www.defensenews.com/story/breaking-news/2015/07/01/pentagon-releases-new-national-military-strategy/29564897/

[9] Ver:

Idem.