NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Hisham Ali Ashmawi é o líder de Jama’at al-Murabitoon, novo Grupo Irregular Egípcio

No Egito, a Primavera Árabe e a ascensão e queda do Governo islâmico despertaram o surgimento de vários grupos irregulares que ameaçam as autoridades e a segurança do país. Hoje, Jamaat alMurabitoon, o mais recente grupo insurgente egípcio, liderado por Hisham Ali Ashmawi, também conhecido como Abu Omar alMuhajir alMasri, contribui para tornar mais complexa a segurança e o combate ao terrorismo naquele território.

O foco deste grupo é o Egito, com especial destaque para o seu Presidente, Abdel Fattah elSisi, que é acusado de “torturar os muçulmanos[1]. Hisham Ali Ashmawi, o Emir do grupo, é um ex-oficial das Forças Especiais[2], onde serviu, provavelmente, entre os anos de 2009 e 2011[3], sendo demitido em virtude de suas ideias radicais. Ele é um dos homens mais procurados no país e, no seu currículo, acumula vasta experiência militar e conhecimento do mundo árabe, o que eleva os riscos em termos de segurança para o Egito e seus aliados estratégicos, como os EUA[4].

O líder de Jamaat alMurabitoon também participou na organização do Exército Livre da Síria e, segundo análises, num primeiro momento esteve vinculado a Ansar Bayt alMaqdis, grupo jihadista ativo na Península do Sinai que, em novembro de 2014, se desvinculou da alQaeda e jurou fidelidade ao Estado Islâmico[5]. Naquela época, ocorreu uma divisão interna dos insurgentes de modo que aqueles que não se submeteram à liderança do Califa Abu Bakr al-Baghdadi permaneceram fiéis ao Emir Ayman al-Zawahiri[6].

Foi neste contexto que surgiu Jamaat alMurabitoon, a mais nova instituição jihadista egípcia. Esta organização tornou-se conhecida por intermédio de uma mensagem de vídeo divulgada em 20 de julho de 2015, no sítio web Youtube. Na mensagem,Hisham Ali Ashmawi aparece em duas imagens com uniforme militar, identificado com seu nom de guerre Abu Omaral Muhajir alMasri[7].

Para Nabil Naim, ex-militante muçulmano e especialista em grupos islâmicos, Hisham Ali Ashmawi está apelando a uma Guerra Santa contra o Egito, com a finalidade de conseguir financiamento. Na mensagem, o líder de Jamaat alMurabitoon conclama os fiéis para combaterem o inimigo enfatizando que “todos vocês devem se unir para enfrentar o vosso inimigo. Não os temais, mas temei a Deus se vocês são realmente crentes[8].

Ele disse, ainda, que o Egito está dominado pelo “novo Faraó[9], acusando o presidente Abdel Fatah elSisi e “seus soldados[9] de combaterem “a nossa religião[9] e de matarem “nossos homens e mulheres[9]. O discurso de áudio do líder islâmico, na verdade, não é uma surpresa para as autoridades egípcias que o apontam como sendo o responsável pelo treinamento militar dos combatentes baseados na Província do Sinai, pelo ataque mais sangrento ocorrido no Egito nos últimos tempos, no qual morreram 33 membros das Forças de Defesa e de Segurança[10] e, ainda, pela morte do PromotorGeral do Egito, Hisham Barakt, num atentado à bomba, no Cairo, em finais de junho deste ano (2015)[11].

O grupo Jamaat alMurabitoon é, para o Egito, mais um desafio a ser vencido. Se, antes, a preocupação maior estava direcionada para o braço armado do Estado Islâmico, hoje há mais uma facção que, para além de ser uma ameaça interna ao país, também coloca em risco a segurança de seus aliados estratégicos.

Devido ao fato de estar ligado à alQaeda, Jamaat alMurabitoon adota a mesma estratégia daquela organização, que é a jihad global, ao contrário do Estado Islâmico, que combate os inimigos no terreno. Embora o novo grupo se encontre em fase de consolidação e esteja na dependência da captação de recursos econômicos, isto não significa fragilidade por parte de seus mujahideen, o que representa para o Governo de elSisi um longo processo de luta para desarticular todos os grupos insurgentes em território egípcio que, dependendo da estratégia adotada pelo Estado, poderá aguçar ainda mais o avanço e a determinação dos insurgentes.

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Imagem Hisham Ali Ashmawi é considerado o principal suspeito do atentado terrorista que vitimou Hisham Barakt, o ProcuradorGeral do Egito, em 29 de junho de 2015” (Fonte):

http://media3.s-nbcnews.com/j/newscms/2015_27/1098271/150629-cairo-0938_9d05780a562e25b1c1e01f898f413adb.nbcnews-ux-2880-1000.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/07/former-egyptian-special-forces-officer-leads-al-murabitoon.php

[2] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

 [3] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/07/former-egyptian-special-forces-officer-leads-al-murabitoon.php

[4] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

[5] Ver:

https://ceiri.news/ansar-bayt-al-maqdis-e-doravante-o-braco-armado-do-estado-islamico-na-peninsula-do-sinai/

[6] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/07/former-egyptian-special-forces-officer-leads-al-murabitoon.php

[7] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2015/Jul-23/307870-wanted-egyptian-militant-urges-jihad-against-sisi-site.ashx?utm_source=Magnet&utm_medium=Entity%20page&utm_campaign=Magnet%20tools

[8] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

[9] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

[10] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/135976/Egypt/Politics-/Egyptian-militant-who-released-audio-message-seeks.aspx

[11] Ver:

https://ceiri.news/egito-aprova-lei-anti-terrorismo/

                

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Corte Egípcia condena três jornalistas à prisão, levantando suspeitas sobre a liberdade de expressão no país

Assiste-se na África o desenrolar de situações onde punições legais são conferidas a membros da sociedade civil que se posicionam contra a atuação governamental. Um dos exemplos foi a prisão de ativistas contra a escravidão na Mauritânia, caso relatado pelo Ceiri Newspaper na semana passada[1]. Isto porque, no que diz respeito à política, a sociedade civil aparece como uma potente esfera propulsora de mudanças sociais.

Entre os integrantes da sociedade civil de qualquer país do mundo está a mídia e, juntamente com ela, os jornalistas. O jornalismo de investigação, a cobertura das práticas políticas e a divulgação de informações de difícil acesso aparecem como uma das principais colaborações do jornalismo, capaz de munir o restante dos membros da sociedade civil de informações práticas e direcionar as reivindicações a um patamar mais eficiente e pragmático de atuação.

Dessa maneira, qualquer restrição ao trabalho de jornalistas se mostra como significativo entrave ao avanço da própria Democracia, uma vez que o jornalismo aparece como uma prática tipicamente moderna.

Tendo isto em vista, os diversos casos de prisão ou punição legal a membros da sociedade civil ao redor da África constituem-se como real ameaça ao projeto modernizador e democratizante no continente. Países como o Egito, que na semana passada condenou três jornalistas da emissora internacional de notícias Al Jazeera, lutam para conciliar o crescimento econômico com o desenvolvimento social, sendo a liberdade de expressão importante etapa neste processo.

Isto fica evidente ao observar o índice de liberdade de expressão levantado anualmente pela associação Reporters Without Borders. Segundo o índice de 2015, países africanos que presenciaram significativo crescimento econômico nos últimos anos, como Angola e Etiópia[2], ocupam a parte de baixo da lista, não oferecendo uma garantia legal de livre atuação e veiculação de notícias[3].

No caso egípcio, por exemplo, os jornalistas Mohamed Fahmy, Baher Mohamed e Peter Greste foram acusados por atuar no país sem licenças de atuação, sendo sentenciados, neste último sábado, a três anos de prisão[4]. Ativistas e a mídia internacional posicionaram-se contra esta sentença, acusando o Judiciário egípcio de ferir o direito de liberdade de expressão. O posicionamento mais contundente contra essa decisão foi a do embaixador do Reino Unido nesse país, John Casson. Para o Embaixador, a política egípcia não deveria ser construída sob “instáveis fundações, as quais quitam das pessoas os seus direitos e minam a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão[4].

Em resposta a este comentário, o Governo egípcio convocou o Embaixador Britânico para maiores explicações[4]. Da mesma maneira, o Ministério das Relações Exteriores do Egito condenou o comentário do embaixador Casson, afirmando que eles foram “incompatíveis com as normas das práticas diplomáticas[4].

Em realidade, os comentários de Casson expressam a indignação e preocupação perante o lento avanço das práticas democráticas no continente africano. A não garantia do livre discurso, de direitos iguais e liberdade de imprensa oferece significativos riscos à consolidação do desenvolvimento econômico e social. Ao contrário, o que poderá ser edificado será uma sociedade profundamente desigual e estratificada, onde a maior parcela do crescimento econômico dos últimos anos esteja concentrada nas mãos de alguns.

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ImagemEgyptian Streets” (Fonte):

http://egyptianstreets.com/2015/06/30/leading-spanish-journalist-flees-egypt-for-fear-of-arrest/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver CEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/prisao-de-ativistas-contra-a-escravidao-ilustra-cenario-de-restritas-liberdades-na-mauritania/

[2] Ver Banco Mundial Estatísticas”:

http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.KD.ZG

[3] Ver Reporters Without Borders”:

http://index.rsf.org/#!/

[4] Ver The Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2015/aug/30/al-jazeera-convictions-egypt-summons-uk-ambassador

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Gaza: funcionários da ONU em greve contra Medidas de Contenção

Em oposição às medidas de corte de custos nas Nações Unidas, cerca de 13.000 professores, trabalhadores da saúde e outros empregados de programas da ONU na Faixa de Gaza entraram em greve ao longo das últimas semanas[1]. Os manifestantes demandam que o ComissárioGeral da Agência de Socorro e Trabalho das Nações Unidas (UNRWA) cancele as medidas que permitiriam a Agência impor um ano de licença de pessoal, sem vencimento, e aumentar o número de alunos nas salas de aula gerenciadas pela ONU[1]. O protesto nos arredores da sede da UNRWA em Gaza, na última segunda-feira, 24 de agosto, convocado pelo sindicato de funcionários locais, foi o maior de uma série de manifestações nas últimas semanas. O porta-voz da organização, Adnan Abu Hasna, declarou que a medida de licença forçada sem pagamento já foi congelada[1].

Além de outras demandas como superlotação em escolas, férias não pagas, reduções e adiamento do ano letivo, os manifestantes criticaram a decisão de aumentar o número de alunos em cada sala de aula para 50 por professor, que, dizem, irá prejudicar a qualidade do ensino e da aprendizagem e deixar muitos professores desempregados. Contudo, Sami Mshasha, PortaVoz da UNRWA em Jerusalém, declarou que as exigências dos manifestantes já haviam sido cumpridas[2]. Mshasha afirmou que a Agência enviou cartas aos 30.000 funcionários no domingo, cancelando a proposta de licença sem vencimento. Ele também disse que a possibilidade de aumentar o número de estudantes para 50 foi considerada pela UNRWA devido a problemas financeiros, mas acrescentou que, eventualmente, o número de alunos em cada classe não seria superior a 38 alunos[2].

As escolas gerenciadas pelo Hamas em território palestino já começaram seu ano letivo, mas as escolas gerenciadas pela ONU estão sem aulas em virtude da greve[1]. A Agência anunciou no início de agosto que somente teria financiamento até o final deste mês, quando o ano letivo estava previsto para começar nos territórios palestinos e na Jordânia. Apesar de suas dificuldades financeiras, a UNRWA abriu suas 245 escolas em Gaza, como previsto, nesta segunda-feira, dia 24, mas muitas salas de aula permaneceram vazias em virtude dos protestos[2]. A Agência levantou a possibilidade de demissão de parte do seu pessoal por um ano devido a uma falta de contribuições de doadores internacionais. Mas um novo apoio financeiro permitiu que a UNRWA congelasse esses planos. Ainda assim, seus funcionários exigem que o plano seja descartado por completo[2].

Apesar do déficit de US$ 101 milhões, o ComissárioGeral da UNRWA, Pierre Krähenbühl, reafirmou o compromisso da Agência com suas escolas “pela centralidade da educação para a identidade e dignidade dos refugiados palestinos[3]. Cerca de 1,2 milhão de crianças palestinas retornariam à escola segunda-feira para o início do novo ano escolar na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, informou o Ministério da Educação[3]. Segundo dados da ONU, em uma população de 1,8 milhão na Faixa de Gaza, cerca de 1,26 milhão são refugiados. A UNRWA supervisiona a educação para aproximadamente 225.000 crianças em 245 escolas – dezenas das quais foram danificadas e afetadas pela guerra ocorrida no verão passado entre militantes palestinos e Israel[3].

A UNRWA iniciou suas operações em 1950 e presta assistência e proteção para cerca de cinco milhões de refugiados palestinos registrados na sitiada Faixa de Gaza, na Cisjordânia ocupada e na Jordânia, bem como no Líbano e na Síria[2]. A Organização foi fundada em 1949 “para ajudá-los a atingir seu pleno potencial de desenvolvimento humano[4]. Também na segunda-feira, a UNRWA publicou um relatório informando que enfrenta sua mais grave crise financeira de todos os tempos, acumulando um déficit financeiro de USD 366.6 milhões para atividades centrais em 2015, como operações de emergência em Gaza, abrigos de emergência e assistência alimentar urgente[4].

De acordo com o mesmo relatório, a Agência está em busca de fontes adicionais de financiamento ao mesmo tempo em que tenta implementar uma série de medidas de austeridade destinadas a diminuir os custos[4]. Ela informou ter exigido US$ 100 milhões para começar o ano letivo de 2015-2016 nas cerca de 700 escolas geridas pelas Nações Unidas para atender meio milhão de estudantes em todo o Oriente Médio[2].

Mais de US$ 1 bilhão foram prometidos por diversos governos até o final de 2014, e a UNRWA instou os doadores a agirem imediatamente, mas muitos ainda não cumpriram seus compromissos[2]. A UNRWA já havia informado que detinha dinheiro suficiente apenas para manter seus serviços para proteção da saúde pública até o final de 2015 – incluindo imunização de crianças, cuidados primários de saúde, saneamento e alguns programas de emergência[2]Ban Kimoon, SecretárioGeral da ONU, apelou a todos os doadores que garantissem urgentemente a disponibilização de um financiamento adequado e sustentável aos serviços vitais da Organização[2].

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Imagem Milhares de trabalhadores palestinos das Nações Unidas protestaram na Cidade de Gaza nesta segundafeira, 24 de agosto de 2015, contra as medidas que a organização tomou para superar uma aguda crise financeira. O protesto do dia 24 nos arredores da sede da Agência de Socorro e Trabalho das Nações Unidas (UNRWA) em Gaza foi o maior de uma série de manifestações nas últimas semanas, convocado pelo sindicato de funcionários locais” (FonteAP / Khalil Hamra):

http://news.yahoo.com/un-employees-gaza-strike-against-cost-cutting-measures-114112622.html?

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://news.yahoo.com/un-employees-gaza-strike-against-cost-cutting-measures-114112622.html?

Ver Também:

http://abcnews.go.com/International/wireStory/employees-gaza-strike-cost-cutting-measures-33276233

Ver Também:

http://www.startribune.com/un-employees-in-gaza-strike-against-cost-cutting-measures/322664511/

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/08/classrooms-empty-gaza-strike-unwra-staff-bites-150824145417597.html

[3] Ver:

http://nsnbc.me/2015/08/25/unrwa-workers-strike-as-school-year-officially-begins-in-gaza/

Ver Também:

http://www.channelnewsasia.com/news/world/gaza-strike-shuts-first/2073608.html

[4] Ver:

http://www.rt.com/news/313260-un-protests-gaza-palestine/

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A crise humanitária e de deslocados internos no Iraque

Na última segunda-feira, 24 de agosto de 2015, agências humanitárias da ONU anunciaram a criação no Iraque de um serviço linha direta, de escopo nacional, a fim de responder às necessidades alimentares, médicas e de abrigo de pessoas deslocadas internamente[1].

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), em agosto de 2015, o número de deslocados internos no país chegou a 3,2 milhões, enquanto um total de 8,6 milhões encontram-se em necessidade de ajuda humanitária[2]. Ainda segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), deslocados internos encontram-se dispersos por 3.000 localizações em todo o Iraque[3][4].

Em comunicado conjunto a respeito do serviço de linha direta, Bruno Geddo, Representante da ACNUR no Iraque, afirmou que, devido ao tamanho da crise no Iraque, agências humanitárias da ONU não têm sido capazes de atingir a todos. Nesse contexto, a nova “central de atendimento vai ajudar a identificar e responder às necessidades mais urgentes dos deslocados [internos], e também garantir que informações atualizadas estejam disponíveis para eles, para que eles possam acessar a assistência e os serviços de que necessitam[3].

Como relata a jornalista Chloe Cornish, escrevendo para a rede de notícias humanitárias, IRIN, até então, diferentes ONGs no Iraque forneciam múltiplos números de telefone, mas os deslocados internos tinham pouco conhecimento sobre quais agências ofereciam quais serviços e, consequentemente, quem eles deveriam contatar para obter uma ajuda específica[5]. A nova central de atendimento resolve esse problema de comunicação ao centralizar, em um único número telefônico, informações sobre a ajuda humanitária disponível no país.

Como aponta a OCHA, a crise humanitária no Iraque tem sido uma das que se desenvolve mais rápido no mundo e aparece como consequência direta de violência e conflito relacionado à tomada de território iraquiano pelo Estado Islâmico (EI)[6]. Sob o domínio do EI, populações têm sido submetidas a execuções em massa, estupros sistemáticos e o uso de crianças como homens-bomba e escudos humanos, além de outros atos de violência[6][7].

No entanto, como observam as analistas Elizabeth Ferris e Melanie Teff, da Brookings Institution, as pessoas estão deixando suas casas no Iraque não apenas devido às atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico, mas também pelas ações de grupos armados de oposição, como milícias xiitas, e devido a bombardeios por parte de forças pró-governo[8]. Ainda assim, é preciso notar que as áreas de mais difícil acesso para agências humanitárias da ONU[9] correspondem, majoritariamente, ao território sob controle do Estado Islâmico[10].

A crise humanitária iraquiana se torna ainda mais complexa devido a cerca de 1,1 milhão de pessoas que ainda vivem deslocadas internamente desde o conflito sectário de 2006-2008[11] (o que, somado aos 3,2 milhões de deslocados pela crise atual, gera um total de mais de 4 milhões de deslocados internos) e cerca de 250 mil refugiados sírios no país[12][8].

Dos 8,6 milhões de pessoas em necessidade de ajuda humanitária, 45% são crianças; 7,9 milhões necessitam de proteção (de Direitos, em consonância com o Direito Internacional); 7,8 milhões de acesso a serviços de saúde; 4,1 milhões de acesso a água e saneamento e 4,4 milhões de ajuda alimentar[13]. No entanto, a resposta humanitária de agências da ONU enfrenta uma séria lacuna de financiamento: dos 498 milhões de dólares requeridos para o plano de ação da OCHA para o Iraque, apenas 25% foram obtidos[9]. Devido a tais restrições financeiras, permanece incerto o real impacto que a central de atendimento para serviços humanitários terá sobre a crise humanitária iraquiana.

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ImagemPrograma Alimentar Mundial (WFP, na sigla em inglês) forneceu ajuda alimentar a mais de 1,5 milhão de deslocados internos no Iraque em julho de 2015” (Fonte):

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=51705#.Vd20hPmqrWG

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=51705#.Vd2HyvmqrWF

[2] Ver:

http://reliefweb.int/sites/reliefweb.int/files/resources/ocha_iraq_humanitarian_situation_report_57_12_-_18_august_2015.pdf, p. 1.

[3] Ver:

http://reliefweb.int/sites/reliefweb.int/files/resources/Press%20release%20-%20call%20centre-%2024%20August-%20English%20.pdf, p. 1.

[4] Ver:

http://www.iom.int/sites/default/files/situation_reports/file/IOM-Iraq-Crisis-Response-Situation-Report-04-August-2015.pdf, p. 1.

[5] É importante observar que a matéria de Chloe Cornish foi publicada em 3 de agosto, quando uma versão piloto do serviço de linha direta estava sendo testada na província de Erbil, no norte do Iraque. Ver:

http://www.irinnews.org/report/101815/dial-a-for-aid-iraq-s-new-humanitarian-hotline

[6] Ver:

http://reliefweb.int/sites/reliefweb.int/files/resources/2015-Iraq-Humanitarian-Response-Plan%20%281%29.pdf, p. 7.

[7] Ver:

https://ceiri.news/estado-islamico-e-limpeza-etnica-no-iraque/

[8] Ver:

http://www.brookings.edu/blogs/markaz/posts/2015/04/28-iraq-displaced-refugee-humanitarian-islamic-state-violence

[9] Ver:

http://reliefweb.int/sites/reliefweb.int/files/resources/irq_response_reporting_july_2015.pdf

[10] Ver:

http://www.internal-displacement.org/middle-east-and-north-africa/iraq/2015/internal-displacement-in-iraq

[11] Ver:

http://www.internal-displacement.org/middle-east-and-north-africa/iraq/figures-analysis

[12] Ver:

http://data.unhcr.org/syrianrefugees/country.php?id=103

[13] Ver:

https://docs.unocha.org/sites/dms/Iraq/2015%20Iraq%20Humanitarian%20Response%20Plan%20-%20Key%20Facts.pdf

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

O direito das mulheres na Arábia Saudita

Um dos países mais ricos do Oriente Médio, devido à exploração do petróleo, a Arábia Saudita[1] é regida pelo Alcorão, a Constituição oficial do país e a fonte do Direito Civil. O pais é uma Monarquia Absolutista Teocrática, a única do mundo a transformar um texto religioso em político, usando a doutrina islâmica. Dentre as normas existente, a segregação de gêneros é a mais exaltada e predomina em todo o território nacional.

A sociedade saudita demonstra diversas privações de direitos básicos para as mulheres, desde a obrigação do uso do véu ao sair de casa, não poder viajar, trabalhar, estudar, dirigir e até se casar, ao menos que tenha a permissão dos homens de sua família.As mulheres também sofrem com oportunidades de trabalhar limitadas, pois a participação feminina no mercado de trabalho é mínima, parcialmente por causa dos requisitos e tradições de segregação que incentiva as mulheres a focarem em se casar e ter filhos. No entanto, este cenário vem apresentando mudanças.

A Arábia Saudita investe bilhões de dólares para melhorar a educação das mulheres[2], como parte de um incentivo maior para melhor preparar os jovens para o mercado de trabalho, ofertando campus reformados, melhores estruturas e programas de pesquisa e uma pequena expansão no currículo para mulheres. A inspeção no ensino de mulheres na última década tem sido significante. Antigamente, as faculdades para mulheres eram supervisionadas pelo Departamento de Direcionamento Religioso (DDR) e elas ficavam sob o poder direto dos clérigos, mas, em 2002, as faculdades femininas foram transferidas para o Ministério da Educação, que supervisiona o ensino masculino, permitindo uma educação de qualidade para as mulheres. No ano de 2009, foi criada a primeira universidade mista do país, a Universidade Rei Abdullah de Ciência e Tecnologia. Este foi um grande desafio do Rei contra os ultraconservadores (que apoiam parcialmente o Rei) e tornou-se a única instituição onde homens e mulheres assistem às aulas juntos.

A mais recente conquista das mulheres árabes foi aplicada na semana passada, quarta-feira, dia 19, com a abertura do processo de registro eleitoral para votarem nas eleições municipais, que, segundo a Rede AlJazeera[3], é a primeira vez que elas poderão participar como eleitoras e candidatas do processo eleitoral no Reino. Há quatro anos, quando o então rei Abdullah concedeu por decreto o direito ao sufrágio feminino, a decisão foi manchete em todos os jornais do Reino, mas, desde então não houve ocasião para que essa novidade fosse implementada.

De acordo com o jornal Arab News, “A sociedade saudita mudará para sempre[4]. No entanto, as mulheres se mostram menos entusiasmadas, pois, mesmo com o direito de votarem, a realidade é que nem as Câmaras Municipais nem o Conselho Consultivo têm poder verdadeiro. O pleito acontecerá no dia 12 de dezembro, quando dos 1.263 centros de votação, 424 deles serão dedicados exclusivamente às mulheres.

Apesar da vida com restrições e desigualdades, presas pelas Leis de Guarda dos Homens[4]e normas culturais rígidas[5], a permissão do direito de voto às mulheres árabes deve ser considerada como um grande passo, pois aumentará substancialmente a participação política feminina e as mulheres serão devidamente representadas por alguém do mesmo gênero para defender os interesses femininos na Arábia Saudita.

A escritora saudita Afnan Linjawi disse à agência árabe: “Eu não esperava que isso fosse acontecer tão cedo[6]. Afnan comemora a possibilidade de votar pela primeira vez e para ela trata-se de uma vitória de líderes feministas locais, que pressionaram pela iniciativa há anos. Conceder direito de votar é o primeiro ato para reduzir as diferenças de gênero[6] na Arábia Saudita, mas outras iniciativas como poder dirigir e poder tomar decisões devem ser adotadas, pois, como bem disse Aziza Yousef, da Universidade Rei Saud, “as mulheres precisam ser educadas em uma cultura garantidora de direitos, elas podem ter um PhD, mas não saber quais são seus direitos[7].

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/news/2015/08/saudi-women-vote-municipal-elections-150819132015637.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://country-facts.com/pt/country/asia/198-saudi-arabia/1852-saudi-arabia-women-in-saudi-society.html

[2] Ver:

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/12/na-arabia-saudita-mulheres-so-podem-estudar-se-um-parente-permitir.html

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/06/saudi-women-register-vote-150621081535058.html

[4] Ver:

http://www.arabnews.com/saudi-arabia/news/792531

[5] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/03/saudi-activists-demand-end-male-control-201432132928215484.html

[6] Ver:

http://cnnespanol.cnn.com/2012/08/14/una-ciudad-solo-para-mujeres-en-arabia-saudita/

[7] Ver:

http://www.jornalciencia.com/sociedade/diversos/4403-arabia-saudita-proibe-que-mulheres-tenham-olhos-tentadores-ou-bonitos-e-exige-o-uso-de-roupa-no-rosto

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CS da ONU aprova conversações preliminares sobre Guerra na Síria

O Conselho de Segurança da ONU (CSNU) aprovou por unanimidade nesta segunda-feira, 17 de agosto, uma declaração apoiando conversas preliminares destinadas a restabelecer a paz na Síria. Embora não vinculante e em grande parte simbólica, a medida marca um raro consenso entre Rússia e Estados Unidos sobre a guerra no país[1]. Esta foi a primeira vez em dois anos que o Conselho de 15 membros aprovou uma declaração política para enfrentar a crise[2].  O movimento veio após recentes ataques aéreos do Governo sírio sobre um distrito controlado por rebeldes a nordeste de Damasco, e um dia após a morte de cerca de 110 pessoas em um mercado em Douma, subúrbios de Damasco. O ataque parece estar entre o mais mortíferos do conflito, que já dura quatro anos[2][3]. Já em Aleppo, noroeste sírio, pelo menos quatro pessoas foram mortas e outras 17 feridas pela queda de dez foguetes disparados por opositores no bairro de Al Hamdaniya, controlado pelas autoridades sírias[4]

O Acordo fornece apoio a um novo esforço de paz anunciado por Staffan de Mistura, enviado especial das Nações Unidas para a Síria. Ele pretende manter conversações simultâneas com partes sírias sobre aspectos-chave do Roteiro de Genebra, de 2012, um quadro apoiado internacionalmente para encerrar o conflito. O Roteiro prevê a transferência de autoridade para um Governo de Transição, embora sem esclarecer o papel que Assad desempenharia neste processo[1]. No Documento, o Conselho de Segurança pede que as partes trabalhem para encerrar o conflito, “desenvolvendo um processo político liderado por sírios[4]. Entre os pontos acordados está a instauração de “uma transição política que atenda às aspirações legítimas do povo sírio[4]

O Conselho de 15 membros somente adota declarações consensuais. O texto foi redigido pelos cinco membros permanentes e com poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, GrãBretanha e França[3]. De Mistura propôs convidar todas as partes em conflito na Síria para participarem nos quatro grupos de trabalho liderados pela ONU sobre as formas de implementar um roteiro para a paz, uma vez que as partes não estão prontas para manter conversações formais[3].  Os grupos de trabalho seriam formados para discussão de temas como segurança e proteção à população, questões políticas e jurídicas, questões militares, segurança e contraterrorismo, além da continuação de serviços públicos, da reconstrução e do desenvolvimento[5]. A expectativa é que os trabalhos comecem já em setembro (2015), de acordo com a France Press[4]

A declaração da ONU apoia o plano de De Mistura de trabalhar em direção a “negociações políticas e uma transição política[3], baseado no Comunicado de Genebra, que foi adotado em 2012 pela primeira conferência internacional sobre a questão e, posteriormente, aprovado pelo Conselho de Segurança[3].  O comunicado apela pelo estabelecimento de um órgão de Governo de Transição, com plenos poderes executivos, e composto por membros do atual Governo, da oposição e de outros grupos, como parte de princípios e diretrizes acordados para uma transição política liderada pela própria Síria[3].  Igualmente, a transição deveria ter como base o consenso mútuo e ser capaz de garantir a continuidade das instituições governamentais[4].

A Venezuela, membro não-permanente do Conselho e aliada do Governo de Assad, decidiu desengajar-se de partes do Plano de Paz. Rafael Ramirez, enviado de Caracas, disse que o comunicado viola o direito da Síria à autodeterminação, uma vez que promove o estabelecimento de um Governo de Transição sem o consentimento do povo sírio[6]. A proposta também “desconsideraria a legitimidade do governo do presidente Bashar al-Assad[7]. Rússia e Irã declaram possuir posição unida sobre a Síria e, apesar de terem apoiado a Declaração, alertaram contra qualquer interferência externa à Guerra Civil Síria. As duas potências buscam maneiras de colocar fim a guerra, mantendo o Presidente sírio no cargo[6].

Emile Hokayem, analista de Oriente Médio do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres, expressou dúvidas sobre se o novo plano do enviado da ONU iria funcionar. As diferenças sobre como resolver o conflito são, provavelmente, ainda muito grandes, enquanto os grupos que ainda estão lutando não parecem estar prontos para uma solução diplomática[3]

Funcionários da Rússia, dos Estados Unidos e de vários países do Oriente Médio – incluindo o Irã, aliado chave de Assad – realizaram uma onda de recentes reuniões e debates sobre o conflito que já dura quatro anos. Na semana passada, o Ministro do Exterior do Irã, Mohammad Javad Zarif, reuniu-se com Assad na capital síria, Damasco, para discutir um plano iraniano para acabar com a guerra[1].  Talvez o ator mais ativo em toda movimentação diplomática seja a Rússia, também um aliado de Assad.Moscou iniciou discussões com líderes da oposição síria e com a Arábia Saudita, que apoia grupos rebeldes sírios, incluindo a filiada da alQaeda, Jabhat alNusra. O chanceler russo, Sergei Lavrov, manteve discussões sobre a Síria no Qatar este mês com o Secretário de Estado dos EUA, John F. Kerry, e o Ministro das Relações Exteriores Saudita, Adel alJubeir[1]

Preocupações com a crescente vulnerabilidade do presidente Bashar alAssad e com os significativos ganhos territoriais por parte do grupo extremista Estado Islâmico estão gerando uma explosão de diplomacia entre as potências mundiais para acabar com a Guerra Civil na Síria, dizem analistas, pois o líder sírio controlaria atualmente menos de metade do país[1].  “O que está ajudando a fomentar toda esta diplomacia é o fato de que todos esses países estão unidos na preocupação com o Estado islâmico, que é uma ameaça não apenas para os sírios, mas para toda a comunidade internacional[1], afirmou Mohammed Obeid, analista político libanês. Os quinze integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas expressaram “grande alarme pelo fato de a crise síria ter se tornado a maior emergência humanitária do mundo atualmente[4], ameaçando a paz e a segurança na região[5]

Poucos esperam avanços imediatos, mas a atividade diplomática suscitou esperanças em alguns círculos de um possível movimento em direção a uma eventual resolução para uma guerra que empoderou grupos extremistas, matou milhares de pessoas e deslocou milhões[1]. Apesar de toda a diplomacia, no entanto, há muitos pontos de atrito que permanecem, incluindo talvez o mais difícil: o que fazer com Assad. Os Estados Unidos há tempos afirmaram que qualquer acordo de paz deve exigir a saída do líder sírio, já IrãRússia rejeitam essa posição[1]

A ONU afirma que cerca de 250.000 pessoas foram mortas desde o início dos conflitos em 2011, sendo 10.000 delas crianças[5]. Aproximadamente doze milhões de pessoas foram forçadas a sair de suas casas, incluindo 4 milhões que buscam refúgio em países vizinhos[5] e outros 7,6 milhões de deslocados internos[3].  Atualmente, mais de 12,2 milhões de sírios necessitam de assistência humanitária urgente[5]

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Imagem O presidente sírio Bashar alAssad fala com o enviado da ONU, Staffan de Mistura, em Damasco, na Síria, em Novembro de 2014” (FonteAgência de Notícias Árabe Síria via AP):

https://www.washingtonpost.com/world/middle_east/a-flurry-of-diplomacy-to-end-syrias-war-raises-hope-but-even-more-doubt/2015/08/18/dff2449c-45a2-11e5-9f53-d1e3ddfd0cda_story.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://www.washingtonpost.com/world/middle_east/a-flurry-of-diplomacy-to-end-syrias-war-raises-hope-but-even-more-doubt/2015/08/18/dff2449c-45a2-11e5-9f53-d1e3ddfd0cda_story.html

[2] Ver:

http://www.democracynow.org/2015/8/18/headlines#8184

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/08/backs-syria-peace-plan-continued-regime-attacks-150818070726799.html

[4] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/41352/por+unanimidade+conselho+de+seguranca+da+onu+aprova+plano+de+paz+para+siria.shtml

[5] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=51659#.VdTYaPlViko

[6] Ver:

http://www.europeanforum.net/news/2148/un_security_council_approves_new_peace_plan_for_syria

[7] Ver:

http://www.aa.com.tr/en/politics/576527–un-security-council-backs-new-syria-mediation-efforts