NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A união de rabinos e ativistas palestinos pela paz, após a morte do bebê Ali Saad Dawabsheh

Pacifistas judeus e palestinos se uniram em nome da Paz e contra a violência que atinge as duas sociedades, após a morte de uma criança por radicais religiosos. Na sexta-feira, 31 de julho, mais um episódio marcou a história do conflito israelo-palestino. Na aldeia de Duma, próximo à cidade de Nablus, na Cisjordânia, Ali Saad Dawabsheh, um bebê de 18 meses, morreu carbonizado após a sua casa ter sido incendiada por extremistas judeus[1], enquanto que os seus pais e o irmão de 4 anos ficaram gravemente feridos.

O acontecimento foi reprovado por Israel, que o classificou como ato terrorista[2]. O primeiroministro israelense BenjaminNetanyahu, em telefonema ao Presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou o ataque e prometeu investigar o fato. Na oportunidade, Netanyahu convidou Abbas para lutarem juntos contra o terrorismo[3]. Contudo, oPresidente da ANP está determinado em levar o caso ao Tribunal Penal Internacional (TPI)[4].

Segundo o jornal israelense Haaretz, este não foi um incidente isolado contra civis palestinos, pois outros fatos foram registrados na região, embora tenham sido menos letais[5]. Ali Saad Dawabsheh não é a única criança vítima deste tipo de crime motivado pelo conflito entre israelenses e palestinos que, na atualidade, adquiriu uma componente religiosa. Ambos os lados têm sofrido perdas dentro e fora dos campos de batalha. Em março de 2011, Hadas Fogel, uma bebê de 3 meses, foi decapitada e os seus pais e irmãos, de 4 e 11 anos, foram assassinados por radicais palestinos[6].

Em virtude do clima tenso dos últimos dias, no domingo, 3 de agosto, 150 pacifistas se reuniram no assentamento Gush Etzion, em repúdio pela morte do bebê palestino[7]. Estiveram juntos rabinos e ativistas palestinos pela paz. O evento foi idealizado pelaShorashim, uma organização para a coexistência conjunta de israelenses e palestinos, sediada na região. O público presente era essencialmente israelense e contou com a presença de importantes líderes religiosos. Um rabino preeminente e dois ativistas palestinos pela paz, como o xeique Ibrahim Abu elHawa e Ziad Sabateen[8], conduziram as orações e condenaram a violência que levou à morte de mais uma criança. Os oradores se puseram contra as hostilidades existentes entre os dois povos e pediram o fim dos assassinatos justificados em nome de Deus, bem como a punição dos autores do ataque contra a casa da família de Ali Saad Dawabsheh[9].

Naftali Fraenkel, Gilad Shaer e Eyal Yifrah, os três adolescentes judeus raptados e assassinados em junho do ano passado, também foram lembrados por Rabbanit Hadassah Froman, esposa do falecido Menachem Froman[10], um rabino defensor da coexistência pacífica entre judeus israelenses e palestinos. Em seu discurso, Froman reforçou a ideia de coabitação e a necessidade de se eliminarem os obstáculos atualmente existentes entre os dois povos vizinhos. Segundo ela, “para merecer viver neste país temos que escolher a vida e ver a centelha de Deus em todos nós. Temos que eliminar as barreiras entre nós e criar uma ponte, porque qualquer coisa é possível, mas depende de nós[11].

Para o líder do partido Yesh Atid [“Há um Futuro”], Yair Lapid, que interveio no ato, “é o mal supremo queimar uma criança e não vamos ficar em silêncio em face desse mal. Deus jamais permitirá o assassinato de uma criança, nenhum Deus suporta o assassinato e nós devemos ir à guerra contra essa ideia[12].

A consciência de que os extremismos religiosos conduzem à violência é uma posição partilhada pelos religiosos judeus e muçulmanos que trabalham em nome da paz. É consenso, entre esses pacifistas, que o tipo de crime que vitimou Ali Saad Dawabsheh deve ser punido e que as Agências de Inteligência devem manter sob vigilância os radicais judeus e muçulmanos a fim de evitarem o aumento da conflitualidade.

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Imagem O corpo de Ali Saad Dawabsheh sendo velado pela família em Duma, Cisjordânia” (Fonte):

http://www.newstalkzb.co.nz/media/10899000/palestinian-baby-death-arson-getty-august-1.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.timesofisrael.com/the-killing-of-ali-saad-dawabsha-will-not-be-the-last/

[2] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/bebe-palestino-morre-em-incendio-causado-por-colonos-israelenses.html

[3] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/em-rara-conversa-netanyahu-convoca-abbas-para-lutarem-juntos-contra-terror-apos-morte-de-bebe-17027780

[4] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/em-rara-conversa-netanyahu-convoca-abbas-para-lutarem-juntos-contra-terror-apos-morte-de-bebe-170277807

[5] Ver:

http://www.haaretz.com/beta/1.669037

[6] Ver:

http://www.outono.net/elentir/2012/11/16/esta-nina-israeli-no-ocupo-ningun-titular/

[7] Ver:

http://www.jpost.com/Breaking-News/Rabbis-Palestinian-peace-activists-unite-in-show-of-solidarity-against-violence-410922

[8] Ver:

http://www.jpost.com/Breaking-News/Rabbis-Palestinian-peace-activists-unite-in-show-of-solidarity-against-violence-410922

[9] Ver:

http://www.jpost.com/Breaking-News/Rabbis-Palestinian-peace-activists-unite-in-show-of-solidarity-against-violence-410922

[10] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Rabbis-Palestinian-peace-activists-unite-in-show-of-solidarity-against-violence-410925

[11] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Rabbis-Palestinian-peace-activists-unite-in-show-of-solidarity-against-violence-410925

[12] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Rabbis-Palestinian-peace-activists-unite-in-show-of-solidarity-against-violence-410925

EUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Turquia intensifica ataques a curdos do PKK no Norte do Iraque

Militares turcos realizaram o ataque mais pesado a militantes curdos no norte do Iraque desde o início dos bombardeios aéreos na semana passada, terminando efetivamente uma trégua de dois anos[1].  Atualmente, a Turquia lança operações de combate em duas frentes, uma contra o autoproclamado Estado Islâmico na Síria e outra contra os campos dos Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK, dentro da Turquia e no norte do Iraque[1][2].   O PKK tem lutado contra o ISIS nestas regiões desde o ano passado (2014) e tem conquistado importantes vitórias militares. Durante uma sessão de emergência em Bruxelas, na terça-feira, dia 28, a OTAN ofereceu apoio às campanhas militares da Turquia, apesar de alguns Estados Membros terem expressado inquietação sobre a repressão do país contra os curdos[1]

Forças militares turcas estão em alerta máximo na Província de Sirnak, a sudeste, em virtude de um ataque contra suas forças pelos militantes do PKK, matando três soldados turcos. Ancara chama a dupla operação contra o PKK e contra o ISIS de “luta sincronizada contra o terror[3], mas membros do PKK acusam a Turquia de fazer uso dos ataques para esmagar seu movimento político e para consolidar o regime autoritário na Turquia[2].

Um processo de paz turco estava em curso desde 2012 para encerrar a insurgência que já dura três décadas e que já deixou cerca de 40.000 pessoas mortas desde 1984 – processo que parece cada vez mais complexo com a introdução do ISIS na equação securitária na região[2]. O cessar-fogo, embora frágil, estava sendo mantido desde março de 2013[3]. Engajar-se em conflitos em duas frentes é uma estratégia de alto risco para o membro da OTAN, deixando a organização exposta à ameaça de represálias por jihadistas e militantes curdos[3]. Não obstante, a OTAN concedeu total apoio aos ataques turcos nesta terça-feira.

No dia 28 de julho, o presidente turco Tayyip Erdogan afirmou que o processo de paz havia se tornado impossível com as ameaças curdasà fraternidade e à união nacional[4].  Horas depois, aviões turcos lançaram seu mais pesado ataque a militantes curdos durante a noite. O Iraque condenou os ataques aéreos como uma “perigosa escalada e um ataque à soberania iraquiana[3][4]. Os bombardeios atingiram abrigos, depósitos e cavernas em seis áreas, declarou um comunicado do gabinete doprimeiroministro Ahmet Davutoglu. Um alto funcionário turco declarou que este foi o maior ataque desde o início da campanha[3]. O Governo diz que o grupo se recusou a se desarmar e tem realizado uma série de ataques desde as eleições legislativas de 7 de junho, quando os candidatos curdos fizeram uma mostra de seu significativo apoio popular[4].

A Turquia também abriu sua Base Aérea de Incirlik, perto de Diyarbakir,  para a coalizão liderada pelos Estados Unidoscontra o Estado Islâmico, juntando-se a linha de frente na batalha contra os jihadistas após anos de relutância. Mas os ataques da Turquia sobre o PKK até agora têm sido muito mais pesados do que seus ataques contra Estado Islâmico, alimentando suspeitas de que sua real agenda visa manter as ambições políticas e territoriais curdas em cheque, algo que o Governo nega[3]. Embora considerem o grupo uma organização terrorista, Washington também depende fortemente dos combatentes curdos sírios na luta contra o Estado islâmico[3].

Das 1.302 pessoas presas nos últimos dias, no que autoridades descreveram como uma “batalha de pleno direito contra grupos terroristas[3], 847 são acusados ​​de ligações com o PKK e apenas 137 com o Estado Islâmico, disse o portavoz governamental Bulent Arinc. Selahattin Demirtas, Presidente do Partido HDP, de oposição pró-curda, cujos legisladores Erdogan quer ver processados por supostas ligações com o PKK, pediu o fim imediato da violência de ambos os lados[3]. “Nós temos que estabelecer pressão democrática que irá ajudar a silenciar as armas imediatamente. Estamos prontos para trabalhar com todos os políticos que querem conseguir isso[3], declarou.

Funcionários turcos declararam que os ataques contra o PKK são uma resposta ao aumento da violência militante nas últimas semanas, incluindo uma série de assassinatos de policiais e soldados atribuídos ao grupo. Já os militantes curdos do PKK alegam que os ataques aéreos são uma tentativa de “esmagar” o movimento político curdo e criar um “sistema autoritário, hegemônico[3] na TurquiaDemirtas acusa os esforços do Governo turco de estabelecer uma zona de segurança na Síria como uma tentativa de prevenir a formação de um Estado curdo na região[5].  Há meses a milícia acusa Ancara de ser conivente com a expansão do ISIS na fronteira da Síria, especialmente na cidade de Kobani, com maciça presença de curdos, de onde são reportados severos problemas humanitários desde o fim do ano passado[6]

Zagros Hiwa, PortaVoz da União das Comunidades Curdas, disse que estes ataques contra o PKK não terão sucesso. “Ao conceder uma aprovação implícita, os Estados Unidos prejudicam sua imagem entre os curdos[7], continuou Hiwa. “A melhor opção é uma solução democrática para a questão curda[7]Ilya L. Topper, Analista de Assuntos Externos e Democracia para o MSur, baseado em Istanbul, afirma que quando o partido AKP perdeu  sua maioria absoluta no Parlamento, em 7 de junho, com a vitória do HDP, ultrapassando a barreira de 10%, “os resultados mostraram como as pessoas começaram a ver que nem todos os curdos eram terroristas. Dois anos de paz fazem as pessoas esquecerem o derramamento de sangue e lhes dá esperança. Agora estamos de volta à estaca zero. Os curdos são ‘terroristas’ de novo[7], concluiu. 

Os ataques da Turquia contra os curdos vêm apenas um mês depois da oposição pró-curda do Partido Democrático do Povo ter ganho 13% dos votos, ajudando a privar o partido do presidente Tayyip Erdogan, AKP, da maioria no Parlamento pela primeira vez, desde 2002[8]. Muitos curdos acreditam que, ao reviver o conflito com o PKK, Erdogan está tentando minar o apoio para o HDP antes de uma possível nova eleição, e que o Presidente não tem intenção nenhuma de formar uma coalizão, o que limitaria seus poderes executivos. Erdogan não faz segredos de seu desejo de mudar a Constituição e acumular poderes mais fortes, o que seria praticamente impossível sem um forte governo do AKP de partido único[3]

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Imagem Soldados turcos posicionam uma bateria antiaérea na base aérea de Incirlik, no sul da cidade de Adana, Turquia, em 27 de julho de 2015” (FonteReuters/Murad Sezer):

http://europe.newsweek.com/three-turkish-soldiers-killed-kurdish-pkk-ambush-330992

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.democracynow.org/2015/7/29/headlines/turkey_escalates_assault_on_pkk_in_northern_iraq

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/07/30/us-mideast-crisis-turkey-attack-idUSKCN0Q412W20150730

[3] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/07/29/us-mideast-crisis-turkey-idUSKCN0Q30OF20150729

[4] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/07/30/world/europe/turkey-escalates-airstrikes-on-kurdish-targets-in-northern-iraq.html?_r=0

[5] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced82vsjw.3iz/f7e532cb

[6] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/41180/turquia+intensifica+bombardeios+contra+milicia+curda+separatista+no+iraque+9+sao+mortos.shtml

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/07/turkey-pkk-square-150730074312972.html

[8] Ver:

http://www.democracynow.org/2015/7/29/fighting_both_sides_of_the_same_war

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

As fontes de financiamento do Estado Islâmico

O Estado Islâmico, autoproclamado Califado em junho de 2014, tem se destacado pela prática de atos condizentes com a lei islâmica, a Sharia, e, também, pelo alto grau de organização, assim como pelas diferentes fontes de aquisição de recursos financeiros para levar adiante o seu projeto de desestruturar Governos e se firmar como Estado único para os muçulmanos. Diferentemente de outros grupos insurgentes, inclusive de sua antecessora, a alQaeda, o Estado Islâmico conquistou espaço territorial e tem vindo a dominar uma parcela significativa dos territórios da Síria e do Iraque, beneficiando-se de uma rede de adeptos, principalmente na Síria, que facilitou a penetração dos extremistas no Iraque[1]. Segundo o Fatf Report, o Estado Islâmico em nada se assemelha às demais organizações insurgentes, especialmente no que se refere ao modo de financiamento das operações. De acordo com o relatório, “a maior parte do financiamento do Estado Islâmico não é atualmente derivada de doações externas, mas é gerada nos territórios do Iraque e da Síria, onde opera[2].

A organização hierarquizada do Califado demonstra um elevado grau de logística que lhe permite prosseguir com os objetivos alicerçados na ideologia extremista que têm, como finalidade, conforme as informações até agora levantadas, estabelecer o controle sobre o mundo muçulmano, começando pelo Iraque. Neste contexto, o Estado Islâmico está tentando alterar a ordem política do Oriente Médio, ao mesmo tempo que constitui uma ameaça global[3]. Para avançar com o projeto, os fundamentalistas têm utilizado diferentes meios de captação de recursos, de entre os quais cinco foram identificados como sendo as suas fontes principais de financiamento. Elas são as seguintes, por ordem de magnitude: 1.º – receitas adquiridas nos territórios ocupados através de saques a bancos, extorsão da população local, controle sobre os campos de petróleo e refinarias, roubos, tributações de bens e dinheiro da população sob domínio dos insurgentes; 2.º – receitas oriundas a do pagamento de resgates de sequestros; 3.º – doações de organizações sem fins lucrativos; 4.º – apoio materialsuporte associado aos FTF (Foreign Terrorist Fighters); 5.º – captação de recursos através das redes sociais[4].

A economia autossustentável do Estado Islâmico conta com uma rede que também se aproveita das minorias religiosas, que pagam aos extremistas para se manterem vivas. Outras fontes de financiamento do Califado estão ligadas ao comércio e envolvem questões delicadas, na medida em que impedir o funcionamento mercantil do grupo afeta as transações em geral. Segundo autoridades antiterroristas, se as atividades comerciais forem interrompidas, tal poderá provocar uma crise humanitária. Segundo um oficial antiterrorismo ocidental, “você pode evitar o Estado Islâmico de tomar ativos? Realmente não, porque ele já está sentado em um lote de ativos. Portanto, você deve interromper a rede de comércio. Mas se você perturbar o comércio de commodities, como alimentos, por exemplo, então há o risco milhares de civis morrerem de fome[5]. Eliminar definitivamente os meios de capitalização do Estado Islâmico é um dilema para as autoridades que procuram deter os insurgentes que comercializam petróleo, alimentos e antiguidades[6]. Eles também utilizam a tecnologia para a angariação de fundos e como meio de troca. O Bitcoin, uma criptomoeda e um sistema de pagamento online, também faz parte das estratégias dos extremistas. As operações são realizadas através da deep Web, para dificultar a identificação dos usuários através da manutenção do anonimato[7].

De acordo com dados norte-americanos, o Estado Islâmico é a organização irregular melhor financiada de todos os tempos. Estima-se que o grupo fature entre USD $ 80,000.00 e USD $ 1,6 milhão/dia com a venda de petróleo, somada a assaltos a bancos, taxas punitivas e extorsões[8]. Consoante os dados da ONU, os jihadistas arrecadaram aproximadamente USD $ 1,6 milhão/dia com a venda de petróleo, em 2014, antes de começarem a perder terreno no Iraque[9], na sequência dos bombardeamentos aéreos ocidentais e iraquianos.

O leste da Turquia é apontado como um importante mercado do Estado Islâmico para a venda de petróleo bruto e refinado a baixo preço. A administração do Califado se utiliza de antigas rotas de contrabando para fazer o produto chegar até à Turquia. Segundo Tom Keatinge, Diretor do Centro de Crime Financeiro e de Estudos de Segurança, pertencente ao think tank RUSI, “se você comprar combustível no leste da Turquia, as chances são de que ele veio do Estado Islâmico[10]. Conforme afirmam algumas fontes, em 2014, antes da queda do preço do petróleo, o Estado Islâmico chegou a vender o combustível entre USD $ 30,00 e USD $ 40,00 o barril[11].

Apesar da quantidade diversificada de atividades comerciais e de arrecadação constante de fundos, com valores consideráveis, para alguns especialistas, há indícios de que a economia do Califado está a degradar-se.

A queda do preço do petróleo afetou o Estado Islâmico e a situação piorou com a perda de algumas áreas petrolíferas e de arrecadação de dinheiro. Para além disso, começou a declinar o apoio da população aos jihadistas liderados por Abu Bakr alBaghdadi, em virtude de eles não estarem conseguindo atender as necessidades das pessoas. Alguns analistas acreditam que ocorreu um recuo das forças extremistas e a consequente redução da conquista de mais territórios, o que compromete os saques, que são a sua fonte principal de renda.

Calcula-se que eles perderam aproximadamente 75% de suas receitas, gerando dificuldades no campo de batalha e na prestação de serviços à população que está sob o seu poder. Segundo o jornal The Economist, os problemas financeiros enfrentados pelo Estado Islâmico têm gerado tensões internas, pois ele já não consegue ser “um Estado conquistador e modelo para a sociedade[12].

Neste contexto, a retomada de Mossul, no norte do Iraque, é apontada como o meio para desequilibrar o Estado Islâmico e, assim, minar as pretensões geoestratégicas do Califado[13]. Porém, esta não é uma tarefa fácil. Embora, para alguns especialistas, os ataques aéreos e a queda do preço do petróleo estejam prejudicando as finanças do Estado Islâmico, para os analistas da RAND Corporation, uma organização sem fins lucrativos que pesquisa políticas públicas, os extremistas têm receitas suficientes para cobrir as suas despesas, pois somente através de tributação e extorsão eles conseguem arrecadar mais de USD $ 1 milhão/dia[14].

Com as paralisações nas atividades petrolíferas, os extremistas passaram a investir mais neste tipo de atividade, elevando as taxas de impostos aplicadas às pessoas e às empresas. Os funcionários públicos iraquianos são tributados em 50% do salário e as empresas em 20%. Em 2014, o Califado atingiu a cifra de USD$  300 milhões[15] através desse tipo das tributações.

Estrategicamente, o Estado Islâmico tem procurado ser autossuficiente sob o ponto de vista econômico-financeiro, o que dificulta a desarticulação desse grupo radical por parte de diversos Governos estrangeiros. O Estado Islâmico tem suas raízes geográficas no Iraque e na Síria, ambos Estados colapsados que, consequentemente, oferecem as condições essenciais para os extremistas suprirem as suas necessidades materiais. Sendo assim, uma das poucas alternativas para derrotá-lo seria a retomada e a reconstrução desses Estados. Isto inviabilizaria os radicais, em termos de financiamento, e impediria o avanço em direção a outros territórios. Esta é uma hipótese a ser considerada, na medida em que a posse do terreno representa mais do que o domínio territorial, constituindo a principal fonte de captação de recursos necessários para a continuidade dos combates, das conquistas e da consolidação do Califado.

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Imagem A venda de antiguidades, pelo Estado Islâmico, é uma de suas fontes preferenciais de receita” (Fonte):

https://img.washingtonpost.com/rw/2010-2019/WashingtonPost/2014/09/14/Editorial-Opinion/Images/Merlin_602486.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver: FINANCIAL ACTION TASK FORCE, Financing of the Terrorist Organization Islamic State in Iraq and the Levant (ISIL), Paris, FATF/OECD, Fevereiro de 2015, pág. 10.

Disponível online em:

www.fatf-gafi.org/topics/methodsandtrends/documents/financing-of-terrorist-organisation-isil.html

[2] Ver:

Ibidem.

[3] Ver:

Ibidem.

[4] Ver:

Id., ib., pág. 12.

[5] Ver:

http://www.wsj.com/articles/islamic-state-fills-coffers-from-illicit-economy-in-syria-iraq-1409175458

[6] Ver:

http://www.wsj.com/articles/islamic-state-fills-coffers-from-illicit-economy-in-syria-iraq-1409175458

[7] Ver:

https://www.washingtonpost.com/blogs/worldviews/wp/2015/06/09/the-islamic-state-or-someone-pretending-to-be-it-is-trying-to-raise-funds-using-bitcoin/

[8] Ver:

http://www.ibtimes.co.uk/isis-inside-struggling-islamic-state-economy-iraq-syria-1495726

[9] Ver:

http://www.ibtimes.co.uk/isis-inside-struggling-islamic-state-economy-iraq-syria-1495726

[10] Ver:

http://www.ibtimes.co.uk/isis-inside-struggling-islamic-state-economy-iraq-syria-1495726

[11] Ver:

http://www.ibtimes.co.uk/isis-inside-struggling-islamic-state-economy-iraq-syria-1495726

[12] Ver:

http://www.economist.com/news/leaders/21646750-though-islamic-state-still-spreading-terror-its-weaknesses-are-becoming-apparent

[13] Ver:

http://www.economist.com/news/leaders/21646750-though-islamic-state-still-spreading-terror-its-weaknesses-are-becoming-apparent

[14] Ver:

http://www.nytimes.com/interactive/2015/05/19/world/middleeast/isis-finances.html?_r=0

[15] Ver:

http://www.nytimes.com/interactive/2015/05/19/world/middleeast/isis-finances.html?_r=0

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Tom Catena: a Esperança, nas Montanhas Nuba, em Tempos de Guerra

Independente do Egito desde 1956, o Sudão foi o maior país africano até 2011, altura em que, após a realização de um referendo, se registrou a separação relativamente ao Sudão do Sul. A história do país tem sido marcada por conflitos étnico-raciais, duas Guerras Civis, entre 1955-1972 e entre 1983-2005, e, também, por dois conflitos internos em curso: aquele que tem lugar no sul e o da região de Darfur. A ONG Transparência Internacional classificou, em 2014, o Sudão como o 3.º país mais corrupto do mundo[1], somente atrás da Coreia do Norte e da Somália.

No sul do país, nas Montanhas Nuba, situadas no estado do Kordofan do Sul, naquele que é, provavelmente, um dos conflitos mais esquecidos do planeta, estão se verificando crimes de lesa-humanidade talvez mais graves do que no Darfur. De acordo com denúncias da Agência Fides, “a guerra na região atingiu 1,2 milhões de civis. Destes, 300.000 foram obrigados a fugir e a produção agrícola caiu ao ponto de atender apenas 25% das necessidades da população[2]. Em Nuba, a situação é de tal modo grave que os “trabalhadores humanitários ocidentais foram obrigados a fugir e há relatos de que tropas governamentais e milícias árabes apoiadas pelo governo estão caçando e matando sistematicamente integrantes do grupo étnico Nuba, de cor negra[3]. É, precisamente, naquele território pleno de dificuldades e, até, hostil à presença estrangeira, que o médicocirurgião norteamericano Tom Catena escolheu exercer sua atividade.

Thomas – ou TomCatena nasceu em Amsterdam, Nova Iorque, há 51 anos. Ele obteve a graduação em Engenharia Mecânica, pela Brown University. Após a conclusão dos estudos, decidiu que a carreira médica lhe propiciaria a oportunidade de trabalhar como missionário, para “servir a Deus de uma maneira concreta, aplicando os ensinamentos do Evangelho ao trabalho diário[4]. Tom frequentou a Escola de Medicina da Duke University, instituição onde concluiu a licenciatura em 1992. Seis anos mais tarde, o Dr. Catena trabalhou na Guiana durante um mês e, depois, em Honduras, em outra missão médica com a duração de um mês e meio. Tendo completado a residência médica em 1999, Tom Catena optou por dedicar-se ao voluntariado. Deste modo, ele foi voluntário do Catholic Medical Mission Board no Hospital Mutoma, situado na região rural do Quênia, por dois anos. Em seguida, ele trabalhou no St. Marys Hospital, em Nairobi, ao longo de seis anos[5].

Desde 2008 ele serve, como missionário católico, no Hospital Mãe da Misericórdia, nas montanhas de Nuba, território onde, desde 2012 até hoje, foram lançadas 3.740 bombas contra alvos civis[6]. Naquele Hospital, gerido pelos Missionários Combonianos do Coração de Jesus, e dotado de 435 leitos, o Dr. Catena é o único médico que atende uma população com mais de meio milhão de pessoas, desafiando a ordem do presidente sudanês Omar Hassan alBashir, que proíbe as organizações internacionais de prestarem ajuda humanitária naquele território.

Catena trabalha dia e noite, aliviando as doenças, os ferimentos de guerra e as situações que derivam da fome. Pelos riscos e sacrifícios pessoais, o médico norte-americano aufere um salário mensal de USD $ 350 – cerca de R$ 1.000 – sem direito a qualquer plano de saúde e aposentadoria[7]. Catena é inspirado, segundo suas próprias palavras, por sua fé católica: “Eu tenho tido benefícios desde o dia em que nasci[9], afirmou. “Uma família amorosa. Uma grande educação. Então, eu vejo isso como uma obrigação, como cristão e como ser humano, para ajudar[8]. Por outro lado, considera o Dr. Catena, o labor missionário é aquele que “providencia as fundações espirituais que dão significado ao trabalho[9].

Tom Catena leva a cabo, anualmente, cerca de 1.000 cirurgias. As pessoas que trabalham com ele dizem que, durante meses e, talvez anos, ele não se ausentou de suas funções por um único dia[10]. Entre aqueles a quem disponibiliza sua ciência e sua arte,Catena é muitíssimo respeitado. O tenentecoronel Aburass Albino Kuku, integrante da força militar rebelde, em Nuba, afirmou: “O povo das montanhas Nuba jamais esquecerá o seu nome. […]. O povo reza para que ele nunca morra[11]. Por seu lado,Hussein Nalukuri Cuppi, um preeminente líder da comunidade muçulmana, foi mais longe, ao declarar: “Ele é Jesus Cristo […].Jesus curava os doentes, fazia com que os cegos enxergassem e ajudava os coxos a andar – e é isto que o Dr. Tom faz cada dia[12]. De acordo com Ryan Boyette, um cidadão norte-americano que vive no Sudão desde 2003, Tomé inestimável. Toda a gente olha para ele como a única pessoa que pode salvar suas vidas[13].

A missão de Tom Catena, no extremo sul do Sudão, constitui, simultaneamente, o alívio possível para aquelas populações esquecidas pela comunidade internacional e, também, um sinal de esperança para quantos, neste planeta, sentem o desespero por viverem em um mundo com valores à deriva. Por outro lado, ele dignifica, em seu cotidiano, aqueles que sentem, na pele, o descaso de políticos, levado às mais tristes consequências. Na verdade, o Dr. Catena vivifica, em pleno século XXI, os versos do poeta timorense Fernando Sylvan que, a propósito de seu povo, também martirizado, disse: “Pedem-me um minuto de silêncio […]. Respondo que nem por um minuto me calarei[14].

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Imagem O Dr. Tom Catena, segundo a revista Time, é uma das cem personalidades mais influentes do ano 2015” (Fonte):

https://timedotcom.files.wordpress.com/2000/04/dr-tom-catena-time-100-2015-pioneers.jpg?quality=65&strip=color&w=1100  

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.transparency.org/cpi2014/results#myAnchor1

[2] Ver:

http://www.fides.org/pt/news/32466-AFRICA_SUDAO_Cometidos_nas_Montanhas_Nuba_crimes_contra_a_humanidade_como_em_Darfur#.VanWVMNRHIU

[3] Ver:

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/tag/nuba/

[4] Ver:

http://working.org.s68107.gridserver.com/volunteer-dr-tom-catena-named-catholic-digest-hero

[5] Ver:

http://working.org.s68107.gridserver.com/volunteer-dr-tom-catena-named-catholic-digest-hero

[6] Ver:

http://nubareports.org/

[7] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/06/28/opinion/sunday/nicholas-kristof-hes-jesus-christ.html?_r=0

[8] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/06/28/opinion/sunday/nicholas-kristof-hes-jesus-christ.html?_r=0

[9] Ver:

http://working.org.s68107.gridserver.com/volunteer-dr-tom-catena-named-catholic-digest-hero

[10] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2982858/Tom-Catena-surgeon-Nuba-Mountains-Sudan-genocide-hightlighted-George-Clooney.html

[11] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/06/28/opinion/sunday/nicholas-kristof-hes-jesus-christ.html?_r=0

[12] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/06/28/opinion/sunday/nicholas-kristof-hes-jesus-christ.html?_r=0

[13] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2982858/Tom-Catena-surgeon-Nuba-Mountains-Sudan-genocide-hightlighted-George-Clooney.html

[14] Ver:

http://fernandosylvan.blogspot.com.br/

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Antiterrorismo e Direitos Humanos na Jordânia e além

Em 8 de julho de 2015, autoridades jordanianas detiveram Ghazi al-Marayat, jornalista do jornal alRai, controlado pelo Governo. AlMarayat foi preso sob a acusação de haver violado uma ordem de silêncio imposta sobre a mídia, por ter publicado detalhes de um plano de ataque terrorista que fracassou[1]. O jornalista foi solto em 12 julho, sob fiança[1][2].

O ocorrido representa o mais recente caso de repressão à liberdade de imprensa na Jordânia, por meio da detenção de jornalistas sob as “amplas e vagas provisões da lei antiterrorismo do país[1], como denuncia a Human Rights Watch (HRW).

A nova Lei Antiterrorismo, aprovada em abril de 2014, estabeleceu punições de 10 anos de encarceramento à pena de morte. Além disso, a Lei expandiu a definição de Terrorismo, que passou a incluir “qualquer ato destinado a criar sedição, causar danos a propriedade ou prejudicar as relações internacionais [da Jordânia], ou a usar os canais de Internet ou de comunicação, para promover pensamento ‘terrorista’[3].

Desde sua aprovação, a nova Lei Antiterrorismo jordaniana vem sendo criticada por vozes da oposição e organizações de direitos humanos, devido ao seu potencial em silenciar dissidências e intimidar ativistas, além do fato de constituir violação do direito à liberdade de expressão e de imprensa[4].

O caso jordaniano representa mais um exemplo da onda de acirramento e/ou proliferação, em países do Oriente Médio e Norte da África, de mecanismos legais que visam combater o terrorismo, os quais, comumente, violam – ou oferecem bases legais para a violação de – Direitos Humanos.

No Egito, o combate ao Terrorismo, que foi incorporado na nova Constituição do país em janeiro de 2014[5], vem permitindo a intensificação, tanto em escopo quando em força, de vozes da oposição e mesmo de organizações não-governamentais no país[6]. O Iraque, por sua vez, emitiu, em junho de 2014, diretrizes que silenciam a mídia em tempos de “guerra ao terror[7]. Na Arábia Saudita, a nova Lei Antiterrorismo de janeiro de 2014 permite o encarceramento de suspeitos em casos de terrorismo[7]. A HRW aponta que inúmeros indivíduos são detidos por mais de 6 meses sem que seus casos sejam referidos ao judiciário[8], e casos específicos analisados pela organização revelaram falhas no devido processo legal[9]. Na Tunísia, Projeto de Lei Antiterrorismo, proposto em março de 2015, após o ataque ao Museu Bardo, permite detenções incomunicáveis prolongadas e apena de morte, além de enfraquecer as devidas garantias processuais para pessoas acusadas de crimes de terrorismo[10]. Mais recentemente, no último dia 1o de julho, em resposta ao ataque à Mesquita Imam Sadiq, em junho desse ano, a Assembleia Nacional do Kuwait aprovou, como parte de sua Lei Antiterrorismo, a coleta compulsória de amostras de DNA dos 1,3 milhão de cidadãos kuwaitianos e 2,9 milhões de estrangeiros residentes no país. Como observa a HRW, a medida viola os padrões de privacidade presentes no Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, do qual o Kuwait é signatário[11].

Tais casos ilustram como a preocupação de Governos de países da região e a relação à segurança nacional vem norteando políticas cada vez mais duras contra o terrorismo, as quais, no entanto, desrespeitam liberdades fundamentais.

Na Jordânia, tais preocupações parecem derivar principalmente da ameaça que o Estado Islâmico (EI) representa na região, razão pela qual o país expandiu sua legislação contra o terror em junho do ano passado, passando a criminalizar o apoio online ao EI[12]. Mais recentemente, autoridades jordanianas proibiram formalmente a impressão, pela mídia, de fotos ou notícias emitidas pelo EI sobre o piloto jordaniano Muath alKasasbeh, assassinado pelo grupo, bem como declarações críticas às Forças ArmadasJordanianas, após a sua adesão à campanha de bombardeio contra o EI[1].

No entanto, nas palavras de Joe Stork, ViceDiretor da HRW para o Oriente Médio e Norte da África, também são aplicáveis às situações nos outros países discutidas acima. Afirmou: “[p]reocupações da Jordânia sobre a sua situação de segurança não devem se traduzir em marcar jornalistas e escritores como ameaças de segurança apenas por fazer o seu trabalho ou se expressar pacificamente […]. A Jordânia deve parar de perseguir jornalistas e revisar sua lei contra o terrorismo a fim de remover linguagem vaga usada para limitar discurso pacífico[1].

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ImagemJornalistas jordanianos reunidos do lado de fora do Tribunal de Segurança de Estado, demandando a soltura de Ghazi Marayat” (Fonte):

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2015/Jul-15/306819-jordan-urged-to-halt-pursuit-of-journalists-over-security.ashx

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.hrw.org/news/2015/07/15/jordan-journalists-writers-facing-terrorism-charges

[2] Ver:

http://www.alrai.com/article/725116.html (em árabe).

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/04/jordan-anti-terrorism-law-sparks-concern-201442510452221775.html

[4] Ver, e.g.:

https://www.hrw.org/news/2014/05/17/jordan-terrorism-amendments-threaten-rights;

Ver Também:

https://www.hrw.org/news/2014/12/11/jordan-assault-free-expression;

Ver Também:

https://freedomhouse.org/report/freedom-net/2014/jordan

[5] Ver:

https://ceiri.news/anti-terrorismo-e-a-nova-constituicao-egipcia/

[6] Ver:

https://ceiri.news/egito-mecanismos-legais-contra-a-oposicao/;

Ver Também:

https://ceiri.news/repressao-a-ongs-no-egito/;

Ver Também:

https://ceiri.news/egito-governo-e-oposicao-em-retrospectiva/

[7] Ver:

https://ceiri.news/anti-terrorismo-e-oposicao-politica-na-arabia-saudita-e-alem/

[8] Ver:

http://www.hrw.org/news/2015/01/29/saudi-arabia-long-jail-terms-activists

[9] Ver:

http://www.hrw.org/news/2014/09/10/saudi-arabia-protest-convictions-flawed-unfair

[10] Ver:

https://ceiri.news/estado-de-emergencia-e-projeto-de-lei-anti-terrorismo-na-tunisia/

[11] Ver:

http://www.hrw.org/news/2015/07/20/kuwait-new-counterterror-law-sets-mandatory-dna-testing

[12] Ver:

https://ceiri.news/os-esforcos-jordanianos-contra-o-estado-islamico/

[13] Ver:

http://www.hrw.org/news/2014/03/20/saudi-arabia-new-terrorism-regulations-assault-rights

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA consideram colocar drones no Norte de África para monitorar EI

Os Estados Unidos da América (EUA) tem negociado com alguns países do Norte da África para a colocação de drones em uma Base na região, a fim de aumentar o monitoramento do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), particularmente na Líbia. De acordo com o Governo NorteAmericano, essa Base nas proximidades da fortaleza do EI na Líbia permitirá uma melhor compreensão sobre as ações do grupo extremista, que tem avançado significativamente sobre os países do Norte da África e do Oriente Médio[1].

No último dia 11 de julho,  Líbia assinou um Acordo de Paz e de Reconciliação proposto pela Organização das Nações Unidas(ONU), para tentar resolver a crise que se arrasta no país desde 2011, com a queda de Muamar Kadafi. Segundo Bernardino León, representante especial da ONU para a Líbia, esse Acordo permitirá continuar a transição política iniciada em 2011[2]. Há uma grande expectativa a respeito do seu sucesso, uma vez que o grupo jihadista tem se aproveitado da crise no país para avançar sobre o território e recrutar integrantes para suas forças[3].

A Líbia é um país estratégico dentro da região do Magreb (corresponde à região noroeste do continente africano, da qual fazem parte aTunísia, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Argélia, Saara Ocidental). Suas fronteiras são abertas e porosas e o EI tem fácil acesso para entrar e manter ligação com outros grupos terroristas da região, como, por exemplo, o grupo islamista argelino Jund al-Khilafa, que se separou da AlQaeda e jurou fidelidade ao líder Abu Bakr alBaghdadi[4]. No presente, segundo o Governo NorteAmericano, não se tem acesso à dados de inteligência, em tempo real, sobre as atividades e práticas do EI na Líbia[5].

Em vista disso, de acordo com autoridades norte-americanas, os Estados Unidos pretendem estabelecer drones em uma Base da região para facilitar o monitoramento das atividades do EI. Ademais, segundo Governo dos EUA, as Bases Militares existentes encontram-se longe e não permitem uma vigilância sistemática sobre as ações do grupo extremista. Atualmente, os Estados Unidos mantém diversasBases Militares na região. Entretanto, a base em Djibuti, que é a única permanente no continente africano, serve para lançar ataques aéreos contra grupos terroristas na região do Golfo de Aden, particularmente na Somália e no Iêmen. Os Estados Unidos tem utilizado ainda a Naval Air Station Sigonella, na Sicília, Itália, para fazer alguns voos de drones sobre a Líbia[6].

Adicionalmente, essa Base serviria de apoio para ataques contra o Estado Islâmico e também poderia servir como um ponto de partida para missões de operações especiais. Os drones seriam, provavelmente, acomodados em uma Base já existente, com autorização do país de acolhimento, que também dariam permissão aos EUA para enviar um número limitado de pessoal militar[7]. Apesar do Governo estadunidense não ter especificado qual país receberia essas instalações, muito se cogita em torno da Tunísia e do Egito, que tem grandes espaços fronteiriços com a Líbia, além de serem aliados dos Estados Unidos[8].

Por fim, cabe lembrar que, no presente, os norte-americanos lideram uma coalizão Internacional contra o grupo extremista, da qual fazem parte aproximadamente 60 países e três organizações (OTAN, UE, Liga Árabe). Desde agosto de 2014, mais de 5.100 ataques aéreos já foram feitos contra alvos do Estado Islâmico no Iraque e na Síria[9], contudo, apesar dos sistemáticos bombardeios aéreos promovidos pela coalizão, o Estado Islâmico conseguiu expandir sua influência sobre uma vasta área desses países.

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Imagem (Fonte):

http://www.africanseer.com/news/world/420555-us-considers-monitoring-isis-in-in-north-africa-with-drones-after-terror-attacks.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://sputniknews.com/military/20150713/1024537224.html

[2] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/acordo-de-paz-da-libia-e-assinado-a-revelia-do-parlamento-de-tripoli.html

[3] Ver:

http://www.dw.com/en/libya-is-forecourt-in-north-africa/a-18582423

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

http://afkinsider.com/99932/u-s-wants-drone-base-in-north-africa-to-fight-islamic-state/

[6] Ver:

Idem.

[7] Ver:

http://www.wsj.com/articles/u-s-wants-drones-in-north-africa-to-combat-islamic-state-in-libya-1436742554

[8] Ver:

Idem.

[9] Ver:

http://sputniknews.com/military/20150713/1024537224.html