NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Criada coalizão parlamentar frente às incertezas no cenário interno iraquiano

Após serem realizadas as eleições parlamentares iraquianas no mês passado, no dia 12 de junho, em Najaf, ao sul de Bagdá, os líderes das coalizões vencedoras em primeiro e segundo lugar, respectivamente Muqtada al-Sadr, da coalizão Sairun (Marcha Avante), e Hadi al-Amiri, representante da Fatah (Conquista), comunicaram a impressa nacional e internacional o acordo firmado entre eles. Em conjunto, foram convidadas a fazerem parte as coalizões Hikma (Sabedoria), dirigida pelo clérigo xiita Ammar al-Hakim, e Al-Wataniya (Aliança Nacional do Iraque), liderada pelo atual vice-presidente Ayad Allawi.

Parlamento iraquiano

Este acordo coloca-os perto de possuir uma maioria capaz de formar o novo governo, uma vez que a Sairun tem 54 assentos, Fatah 47, Al-Wataniya 21 e Hikma 19, totalizando 141. No entanto, para compor a formação política são necessárias 165 cadeiras. Seguindo esta necessidade, a nova coalizão deve buscar outros aliados com o fim de alcançar seu objetivo.

No momento, já demonstraram interesse o Partido Democrático do Curdistão (KDP) e a União Patriótica do Curdistão (PUK). Ambos estão formando um grupo capaz de sentar-se à mesa e conversar sobre os seus futuros políticos. Respectivamente, cada um possui 25 e 19 assentos, sendo estes números necessários para a constituição do novo governo. Além dos dois maiores partidos curdos no Iraque, o ex-primeiro-ministro iraquiano Nour al-Maliki e seu grupo também podem unir-se a nova aliança.

Este cenário, segundo diversos analistas no tema, indica que o atual Primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, que lidera a coalizão Nasr al-Iraq (Vitória do Iraque), será excluído e não terá força e apoio suficiente para opor-se a esta composição. Tendo pouca margem de manobra, o governo de al-Abadi tem reagido contra os resultados das eleições parlamentares alegando fraude no pleito e apoiando o Parlamento na autorização da recontagem manual dos votos.

Além disso, ele e sua equipe ministerial têm ido à mídia explicar-se sobre diversos ataques ocorridos nas últimas semanas em Bagdá. Os mais delicados foram a morte de 18 pessoas em uma explosão em um depósito de armas na Sadr City, reduto dos apoiadores de Muqtada al-Sadr, e a queima de um depósito em Bagdá, onde as urnas das eleições parlamentares estavam guardadas.

Apesar do acordo ter surpreendido muitas lideranças políticas locais, devido a algumas discordâncias entre al-Sadr e al-Amiri, o clérigo xiita afirmou que o objetivo da coalizão é constituir “uma verdadeira aliança para acelerar a formação de um governo nacional longe de qualquer dogmatismo”.

Se por um lado al-Sadr possui um discurso nacionalista, que abre as portas aos que estão na periferia social e política, e uma posição contrária a interferência estrangeira sobre a política local, principalmente dos Estados Unidos e Irã, em contrapartida, Al-Amiri é o principal aliado do Irã em solo iraquiano e possui apoiadores políticos aliados à grupos armados xiitas que, em conjunto com o Irã, ajudaram na vitória contra o Estados Islâmico no Iraque.

A composição com a coalizão Al-Wataniya e uma possível aliança com curdos do KDP e PUK confirmam o discurso do comunicado do dia 12. Com muitos membros sunitas no Parlamento, a Al-Wataniya torna-se um dos principais locutores deste grupo religioso na nova coalizão. Já a abertura de diálogos com os curdos demonstra uma ruptura de um impasse político histórico no Iraque entre os xiitas, sunitas e curdos.

Considerando o histórico das formações de coalizões políticas no Iraque e o momento atual, alguns analistas internacionais são céticos e desacreditam na possível mudança que estas aproximações podem brindar ao país. Conforme afirmou Andrew Parasiliti, da Rand Corporation, ao The National, “para aqueles que pensavam que as eleições iraquianas poderiam ter sido um revés para o Irã, é hora de pensar novamente. Apesar dos sinais positivos de coalizões e distritos eleitorais, as políticas em torno de um novo governo estão se tornando mais do mesmo. Quando o próximo governo iraquiano for anunciado, ele será abençoado pelo Irã”, disse Parasilti. O processo de formação do governo ainda não foi finalizado, a expectativa paira sobre quais serão os arranjos pactuados e quem fará oposição.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Apoiadores de alSadr comemorando a vitória nas eleições parlamentares” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Muqtada_al-Sadr#/media/File:The_joy_of_the_supporters_of_various_Iraqi_parties_after_the_parliamentary_elections_08.jpg

Imagem 2Parlamento iraquiano” (Fonte):

http://en.parliament.iq/wp-content/uploads/2017/09/%D8%AC%D9%84%D8%B3%D8%A7%D8%AA-%D8%A7%D9%84%D9%85%D8%AC%D9%84%D8%B3.jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Protestos na Jordânia

Dias consecutivos de protestos têm ocorrido na Jordânia, em sua capital e diversas outras cidades*. As manifestações, que se iniciaram no dia 30 de maio de 2018, continham demandas contra o projeto da nova Lei tributária feita pelo poder Executivo, adequada às medidas de austeridade do Fundo Monetário Internacional (FMI), contra o aumento de preços e requerendo a demissão do Primeiro-Ministro.

Os manifestantes afirmavam que a nova lei prejudicará a classe média e as classes mais baixas do país. O Projeto de Lei de imposto de renda previa o aumento do número de contribuintes, reduzindo o limite de renda exigido para o pagamento do tributo. Com isso, haveria tributação de proventos de classes mais modestas, as quais não eram antes alcançadas pelo fisco.

Rei Abdullah II em 2011

A organização dos protestos tem sido feita por um grupo independente chamando “Hirak Shababi” (Movimento Jovem) e por 33 associações profissionais em conjunto com grupos da sociedade civil**. Somaram-se demandas adicionais, como mudanças nas políticas governamentais, reintrodução de subsídios no preço do pão e de combustíveis, redução de preços e aumento do salário mínimo.

No domingo, 3 de junho de 2018, após o fracasso da negociação entre o governo e representantes dos sindicatos, cerca de 3.000 pessoas reuniram-se perto do gabinete do Primeiro-Ministro, localizado no centro de Amã. Forças de segurança e manifestantes entraram em confronto, que resultou em algumas detenções e policiais feridos.

No dia 4 de junho de 2018, o primeiro-ministro Hani Mulki, cujo mandato iniciou-se em 2016, pediu sua renúncia, a qual foi aceita pelo Rei Abdullah II durante uma reunião. O Monarca providenciou a convocação do ex-economista do Banco Mundial, Omar Al Razzaz, para formar um novo governo. Todavia, os protestos continuaram.

No dia 7 de junho de 2018, o governo anunciou que iria revogar a nova Lei tributária. O novo Primeiro-Ministro indicado, Omar Al Razzaz, que assumiu o cargo prontamente, afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com as duas Casas do Parlamento.

O novo governo, porém, deverá lidar com a mesma conjuntura econômica, um déficit público altíssimo***, acompanhado de 3 anos de linha de crédito do FMI, aprovada em 2016, que necessitarão de reformas estruturais na economia.

A Jordânia é um país que depende muito de ajuda externa, empréstimos e doações. O Conselho de Cooperação do Golfo, em especial os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita deverão oferecer incentivos ao país. No dia 10 de junho, uma reunião entre Arábia Saudita, EAU, Kuwait e Jordânia será realizada para debater o apoio à economia jordaniana, a fim de cessar a crise na qual está submersa.

———————————————————————————————–

Nota:

* Houve protestos nas cidades de Amã, Zarqa, Balqa, Maan, Karak, Mafraq, Inbid e Jerash

** Dentre os grupos, inclui-se a Associação dos Engenheiros Jordanianos e o Sindicato dos Professores. Perfazem o maior número de associados do país, com aproximadamente 300.000 pessoas.

*** Dados da economia jordaniana: https://tradingeconomics.com/jordan/government-debt-to-gdp

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da Jordânia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jordânia#/media/File:Flag_of_Jordan.svg

Imagem 2Rei Abdullah II em 2011” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Abdullah_II_da_Jordânia#/media/File:King_Abdullah_of_Jordan_(6436574483).jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleição parlamentar no Iraque levanta a bandeira do secularismo

No dia 12 de maio foram realizadas as eleições parlamentares no Iraque. Haviam sido registrados cerca de 7.000 candidatos, divididos em 80 listas, os quais disputavam 329 cadeiras.

Dentre as coalizões, destacam-se a do atual Primeiro-Ministro iraquiano, Haider al-Abadi, quem encabeça a aliança Nasr al-Iraq (Vitória do Iraque). O nome faz jus a vitória do governo de al-Abadi sobre o Estado Islâmico em dezembro de 2017. Predecessor de al-Abadi, ex-aliado partidário e atualmente rival, Nour al-Maliki, lidera a coalizão Dawlat al-Qanun (Estado da Lei). Já o líder da Organização Badr, Hadi al-Amiri, comanda a coalizão Fatah (Conquista). Por outro lado, o clérigo xiita e líder do Movimento Sadrista, Moqtada al-Sadr, criou um novo partido chamado Istiqama (Integridade), o qual compõe a coalizão Sairun (Marcha Avante). E, finalmente, a coalizão Hikma (Sabedoria) que é dirigida pelo clérigo Ammar al-Hakim.

As coalizões acima descritas são de maioria xiita, no entanto, havia listas de coalizões de curdos e sunitas, tais como, respectivamente, a União Patriótica do Curdistão (PUK) e Qarar al-Iraqi (Aliança Decisão Iraquiana).

Apesar de apenas 44,5% dos eleitores terem comparecido às urnas, a vitória foi dada à coalizão Sairun, seguida pela Fatah e pela coalizão do atual Primeiro-Ministro, al-Abadi.

Presença dos curdos no Oriente Médio

Se por um lado a confiança da reeleição de al-Abadi se devia ao fato do êxito gerado pelas medidas tomadas pelo seu governo após a realização do Referendum* curdo e pela vitória do exército iraquiano contra o Estados Islâmico, por outro lado, al-Abadi havia conseguido recuperar uma fração da economia iraquiana e reduzir o número de ataques contra o país, principalmente em Bagdá. No entanto, tais conquistas permaneceram abaixo do desempenho esperado pela população, uma vez que não foram cumpridas as promessas de melhora da economia em algumas regiões do Iraque, bem como da segurança interna. A corrupção institucionalizada permanece e a insatisfação pelos serviços públicos prestados eram evidenciados nos protestos realizados nos últimos meses antes da eleição.

O resultado do pleito e, principalmente, da abstenção dos eleitores é consequência de um descontentamento arrastado por anos de promessas não cumpridas, de uma etno-sectarização política e de índices de pobreza e analfabetismo. Uma parcela dos iraquianos que possuía alguma esperança política confiou nas propostas de al-Sadr. Muito próximo das camadas mais marginalizadas da sociedade, o clérigo possui como bandeiras: a construção de políticas públicas para redução da pobreza no país e uma busca pela secularização política. O segundo objetivo proposto é confirmado pelas alianças políticas internas, formando uma coalizão com o Partido Comunista Iraquiano e com grupos ativistas a favor do secularismo; e alianças externas, aproximando-se da Arábia Saudita e buscando evitar uma influência direta do Irã na coalizão, apesar de o clérigo ser xiita.

Como pode ser depreendido de apontamentos que vem sendo disseminados na mídia, os quais são realizados por observadores e analistas internacionais, o apoio popular à coalizão é um pilar importante para a construção de um sistema político contrário ao proposto desde então e, ao mesmo tempo, é uma ameaça à classe política tradicional iraquiana adepta a etno-sectarização que, por um lado, fortaleceu alianças políticas e estratégicas no pós-invasão norte-americana e, por outro lado, dilatou ainda mais a desigualdade social existente. Nesse sentido, seguindo esta lógica, uma aliança entre as diversas coalizões que conquistaram cadeiras na Assembleia Nacional é primordial para a reconstrução política, econômica e social do Iraque.

———————————————————————————————–

Nota:

* O povo curdo está espalhado por Armênia, Iraque, Irã, Turquia e Síria. No caso do Referendum realizado no Iraque, eles buscam a sua independência do país e unificação com outras regiões do Oriente Médio habitadas por curdos, com o propósito de criar o Curdistão.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Vitória da Coalizão Sairun” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2015_Venezuela–Colombia_migrant_crisis_collage.jpg

Imagem 2Presença dos curdos no Oriente Médio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Curdos#/media/File:Kurdish-inhabited_area_by_CIA_(1992).jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Príncipe William faz visita histórica a Israel, Jordânia e Palestina

No dia 24 de junho de 2018, o Príncipe William, Duque de Cambridge, fará uma visita oficial a três países do Oriente Médio, a primeira de um membro da família real a Israel, atendendo ao pedido feito pela Rainha Elizabeth II.

 A visita formal possui grande significado para o Estado israelense e sua população, pois será realizada no 70º aniversário do país, um ano após o centenário da Declaração Balfour, que foi uma garantia do apoio britânico ao estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu na Palestina, e no contexto da decisão do governo Trump quanto à abertura da Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém.

Benjamin Netanyahu

Seu pai e avô já estiveram em Israel, mas não oficialmente. O Príncipe Charles atendeu ao funeral do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, em 1995, e do ex-Primeiro-Ministro e ex-Presidente, Shimon Peres, em 2016; e o Príncipe Phillip, Duque de Edimburgo, compareceu a uma cerimônia no Yad Vashem, em outubro de 1994. Sua mãe, Princesa Alice de Battenberg foi homenageada por ter escondido judeus em seu palácio durante a ocupação nazista na Grécia. Seu túmulo encontra-se na igreja de Santa Maria Madalena no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, e foi visitado pelo Duque de Edimburgo e, discretamente, pelo Príncipe Charles.

A visita dar-se-á em um contexto de extrema tensão entre Israel e os palestinos de Gaza. Confrontos têm ocorrido ao longo da cerca fronteiriça de Gaza e Israel, desde o mês de abril de 2008, por força da denominada “Grande Marcha do Retorno”. No dia 29 de maio de 2018, foguetes foram lançados a partir de Gaza, ferindo três soldados israelenses e atingindo uma escola infantil.

Esta é uma visita histórica, a primeira do tipo, e nós iremos recebê-lo aqui com grande afeição” afirmou o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a visita real.

Hanan Ashrawi, membro do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) declarou: “Príncipe William, que aceitou um convite do presidente palestino Mahmoud Abbas, será um convidado bem-vindo, não somente pela sua liderança, mas também o povo palestino vai proporcioná-lo a oportunidade de compartilhar sua história e fazer uma conexão em um nível humano”. E acrescentou: “Essa viagem servirá também para reforçar as relações diplomáticas e culturais entre sua Alteza Real e o povo da Palestina”. A viagem iniciará em Amman, capital da Jordânia, passando por Jerash, Tel Aviv e Ramallah, com duração até o dia 28 de junho de 2018.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Guilherme, Duque de Cambridge” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guilherme,_Duque_de_Cambridge#/media/File:Prince_William_February_2015.jpg

Imagem 2Benjamin Netanyahu” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Netanyahu#/media/File:Benjamin_Netanyahu_2012.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia como mediador no conflito entre Irã e Israel

Com forte atuação político-militar dentro do território sírio, e detentora de alianças pacíficas com Israel e Irã, a Rússia poderá ser projetada como possível mediadora de acordos de não agressão entre as duas nações, segundo analistas internacionais. A efetividade dessa mediação seria também de grande benefício para a Federação Russa, devido ao fato de os conflitos ocorridos nos últimos dias estarem sendo travados num espaço geográfico sob sua proteção, e que, se houvesse um prolongamento destes embates, certamente afetariam os interesses russos não só na Síria, mas em toda aquela área, levando o Kremlin a tomar uma posição mais radical.

Ataque israelense contra Síria

A causa desse desequilíbrio regional teve início com um dos maiores conflitos fronteiriços dos últimos anos na região, sendo que, num primeiro momento, no dia 8 de maio, forças armadas de Israel foram colocadas em alerta máximo após, supostamente, detectarem movimentos militares iranianos irregulares dentro do território sírio, o que levou, a um ataque aéreo preventivo contra um depósito de armas na cidade de Kiswah, sul de Damasco, causando a morte de nove combatentes da Guarda Revolucionária Iraniana e mais outros seis integrantes de milícias xiitas pró-iranianas, segundo informações do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Em resposta ao ataque, forças iranianas baseadas na província de Quneitra, sudoeste de Damasco, lançaram, nas primeiras horas do dia 10 de maio, 20 mísseis do tipo Grad e Fajr em direção das Colinas de Golan, região ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexada ao território em 1981.

Mapa Colinas de Golan

Segundo informações do Exército Israelense, os danos causados por esse ato foram minimizados pela ação do sistema de defesa antimísseis Iron Dome e não houve relato de pessoas feridas.

A resposta de Israel veio logo em seguida, com o ataque massivo a dezenas de alvos militares iranianos na Síria, entre eles, centros de inteligência, bases militares, armazéns, e um veículo Pantsir-S1, que servia como plataforma de lançamento de mísseis terra-ar.

A tarefa de Vladimir Putin para minimizar esta disputa geopolítica será deveras desgastante, devido ao fato da dificuldade de colocar estes dois inimigos mortais juntos numa mesa de negociação, sendo que, por um lado, o Irã tem demonstrado, repetidas vezes, aversão a existência do Estado judeu e, por outro lado, Israel se opõe drasticamente a presença de tropas iranianas no território sírio, localizadas muito próximas a sua fronteira, além de ter demonstrado total apoio aos Estados Unidos em se retirar do acordo nuclear com o Irã, o que, na visão de analistas internacionais, foi fato potencializador de discórdia, no que se refere aos últimos conflitos entre os dois países.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 israelsyriaconflictterrorattack” (Fonte):

https://dinamicaglobal.wordpress.com/2018/01/23/saker-por-que-putin-esta-permitindo-israel-bombardear-a-siria/

Imagem 2 Ataque israelense contra Síria” (Fonte):

https://www.kavkazr.com/a/29220789.html

Imagem 3 Mapa Colinas de Golan” (Fonte):

http://www.gbcghana.com/kitnes/cache/images/800x/0/1.12127945.png

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleições no Líbano

Em 15 de dezembro de 2017, o Ministro do Interior do Líbano, Nohad Machnouk, assinou o Decreto que convocou eleições parlamentares no país para o dia 6 de maio de 2018, sob a nova lei eleitoral, que implementou o sistema “winner-take-all” (o vencedor leva tudo).

Faz nove anos que eleições não eram realizadas, devido à instabilidade política interna e externa na região.

Pela primeira vez, libaneses residentes fora do país puderam votar – as eleições no Brasil foram realizadas dia 29 de abril de 2018 –  como também, houve uma chapa formada só por mulheres, as “Mulheres de Akkar”, que concorreu à disputa por cadeiras no Parlamento.

O edifício do Parlamento libanês em Beirute

A composição do Parlamento libanês é dividida entre muçulmanos e cristãos. Os membros do Parlamento são eleitos por meio de um sistema confessional, de sorte que todos os grupos religiosos do país tenham representação garantida. O cargo de Presidente será sempre destinado a um cristão maronita, o Primeiro-Ministro será sempre um muçulmano sunita e o porta-voz do Parlamento, um muçulmano xiita. 

A eleição pôde ser comemorada como um importante passo à retomada democrática e  uma superação de um período nebuloso, contudo, houve pouca adesão de eleitores, com uma baixa participação dos mesmos. Estima-se que 49,2% dos eleitores compareceram às urnas e o Líbano passa por desafios econômicos, sociais e políticos em uma conjuntura de corrupção.

Coalizões participaram da disputa eleitoral: a “Aliança 8 de Março”, composta por representantes do Hezbollah*, xiitas e partidos aliados pró-Síria, como o Amal, todos com apoio do Irã, em contraposição à “Aliança 14 de março”, composta de partidos anti-Síria, pró-Ocidente, principais grupos sunitas, drusos e cristãos. Ambas coalizões procuram vantagens e o resultado eleitoral pode alterar o balanço das influências internas de países como a Arábia Saudita e Irã.

No dia 7 de maio de 2018, o Hezbollah celebrou a conquista de pouco mais da metade dos assentos no Parlamento, baseado em resultados extraoficiais das eleições. O Hezbollah, caso sejam confirmados os resultados preliminares, pode se fortalecer com a eleição,  fato que poderá trazer riscos ao Líbano, como confrontos externos com Israel – devido ao grande apoio iraniano ao grupo – ou dificuldade em obter auxílio financeiro internacional dos Estados Unidos, o que faria diferença à estagnada economia do país, imersa em déficits governamentais. No entanto, parte da população ainda vê o Hezbollah como figura fundamental para sua proteção, desde o  fim da ocupação israelense no sudeste do Líbano no ano 2000, e conta com sua campanha de combate à corrupção.

De acordo com a BBC, o primeiro-ministro sunita Saad Hariri afirmou que seu movimento terminou com 21 assentos no Parlamento, quantidade menor do que detinha anteriormente. A coalizão “14 de Março” havia conquistado a maioria das cadeiras nas eleições de 2005, logo após o assassinato do ex-primeiro ministro Rafik Hariri.

Conforme destacou a BBC, na mesma notícia acima, Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, declarou que a eleição foi uma “grande vitória política e moral da opção de resistência que protege a soberania do país”. Caso o “8 de Março” tenha conquistado a maioria das cadeiras, como alega, será o bloco responsável pela formação do novo governo libanês.

O resultado oficial das eleições, ainda a ser divulgado, pode ser decisivo para o futuro do Líbano e o balanço de poder na região. Será o indicador da influência regional iraniana e lançará enormes desafios ao povo libanês. Segundo o The New York Times, não ficou claro quando o Governo libanês publicará os resultados oficiais da eleição. Negociações para a formação do novo governo poderá ser um processo que se arrastará por semanas ou meses. 

—————————————————————

Notas:

* Para alguns países, o Hezbollah é considerado um grupo terrorista.

————————————————————–

Fonte das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Líbano” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADbano#/media/File:Flag_of_Lebanon.svg

Imagem 2O edifício do Parlamento libanês em Beirute” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Lebanon#/media/File:BeirutParliament.jpg