NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rodada de Conversações Nucleares com Irã termina sem Acordo.

As negociações nucleares entre autoridades iranianas e ocidentais em Omã sobre o futuro do Programa Nuclear Iraniano terminou nesta segunda-feira, dia 10 de novembro, sem nenhum progresso claro, frustrando as esperanças de que as partes poderiam chegar a um Acordo antes do prazo final de 24 de novembro[1]. As conversas incluíram o secretário de estado norte-americano John Kerry; a enviada da União Europeia, Catherine Ashton, e o ministro das relações exteriores iraniano Mohammad Javad Zarif. As discussões visavam produzir um Acordo que colocasse limites verificáveis ao trabalho de enriquecimento de urânio do Irã em troca de um levantamento gradual das sanções[2].

Uma autoridade iraniana disse à Reuters que um progresso mínimo foi feito nos diálogos em Omã. “Depois de horas de negociações, pudemos fazer pouco progresso[2], disse o oficial. “Diferenças ainda permanecem e ainda temos lacunas sobre as questões[2]. Em Washington, a Porta-Voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, afirmou que as negociações tinham sidoduras, diretas e sérias[2]. Ela não deu mais detalhes, mas declarou que “eles continuam a desbastar uma questão muito difícil[2].

O Presidente dos EUA, Barack Obama, declarou em uma entrevista à televisão CBS que havia ainda uma grande lacuna entre o Irã e as potências ocidentais e que um acordo poderia estar fora de alcance. A etapa final seria assegurar que o Irãfornecesse garantias verificáveis e confiáveis de que não pode desenvolver uma arma nuclear. Ainda há uma grande lacuna, e podemos não ser capazes de chegar lá[2], afirmou Obama, referindo-se ao avanço das negociações.

Os países ocidentais suspeitam que o Irã venha tentando secretamente adquirir os meios para a construção de armas nucleares. O Irã alega querer energia nuclear apenas para usos pacíficos (energéticos e médicos), mas se recusou a reduzir sua capacidade de enriquecimento e foi atingido por danosas sanções dos Estados Unidos, União Europeia e do Conselho de Segurança da ONU[2]. Obama afirmou que as sanções econômicas lideradas pelos Estados Unidos têm pressionado o Irã para a mesa de negociações sobre seu Programa. O Irã nega que esteja buscando uma bomba e afirma que seu Programa Nuclear tem como objetivo produzir energia atômica para reduzir a dependência do país em relação aos combustíveis fósseis, o que requer um aumento maciço na sua capacidade de enriquecer urânio nos próximos anos[3].

Obama também se reuniu nesta terça-feira, em Pequim, com o presidente russo Vladmir Putin, cujo Governo é integrante do Grupo P5+1 (composto por Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos, além da Alemanha), envolvido nas negociações nucleares[4]. No entanto, mesmo com negociadores procurando compromissos, o Irã avançou com planos para pelo menos mais dois reatores de fabricação russa.

O Acordo para os novos reatores, assinado em Moscou, também abre a porta para a possibilidade de seis reatores adicionais de produção de eletricidade. O chefe da Rosatom (Russian State Nuclear Energy Corporation), Sergei Kiriyenko, assinou um Acordo com o chefe nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, para construir pelo menos mais dois reatores na cidade de Bushehr, no Golfo Pérsico.

A Rússia planeja fornecer combustível nuclear para as novas unidades como faz para a Usina existente em Bushehr. A Rosatom declarou que a construção dos novos reatores seria monitorada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), grupo de fiscalização nuclear da ONU[4], com a qual o Irã prometeu cooperar após a eleição do presidente Hassan Rouhani, no ano passado, em troca de um abrandamento das Sanções[5].

A delegação iraniana está sob pressão para obter um levantamento rápido e total das Sanções até o acordo final em 24 de novembro. Obama, no entanto, disse que as medidas adotadas só seriam “lentamente reduzidas”, caso Teerã cumpra suas obrigações[3]. O ponto chave é o número e o tipo de centrífugas de enriquecimento de urânio que o Irã será autorizado a manter para continuar suas atividades energéticas em troca de alívio às Sanções e rigorosas inspeções de suas instalações nucleares[3]. De acordo com diplomatas consultados pela Reuters, as questões pendentes mais difíceis são o tamanho do programa de enriquecimento do Irã, a extensão de qualquer acordo final e o ritmo em que as sanções seriam extintas[2].

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Imagem O secretário de estado norte-americano John Kerry; a enviada da União Europeia, Catherine Ashton, e o ministro das relações exteriores iraniano Mohammad Javad Zarif em Muscat, na segunda-feira, 10 de novembro de 2014” (Fonte AFP: Créditos Reuters/Nicholas Kamm/Pool):

http://www.reuters.com/article/2014/11/10/us-iran-nuclear-talks-idUSKCN0IU0KO20141110

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced81z9cc.9bu/93ae6c07

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/11/10/us-iran-nuclear-talks-idUSKCN0IU0KO20141110

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/11/iran-nuclear-talks-end-with-no-deal-2014111021231586201.html

[4] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/middle_east/2014/11/11/39c1aaa4-6998-11e4-9fb4-a622dae742a2_story.html

Ver também:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-30015464?utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_term=%2AMorning%20Brief&utm_campaign=2014_MorningBrief%20-%20Chevron11.12.14

[5] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-29974953

Ver também:

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2014/11/iran-negotiator-praises-khamenei-support.html?utm_source=Al-Monitor+Newsletter+%5BEnglish%5D&utm_campaign=b5b7b970e5-November_11_2014&utm_medium=email&utm_term=0_28264b27a0-b5b7b970e5-102331669#

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Tensões e violência em Jerusalém

Como bem observou o The Economist, “no solo sempre contestado da Terra Santa, orar não é apenas um ato de devoção: [é um ato que] implica propriedade[1]. É nesse contexto que deve ser entendida a tentativa de assassinato do rabino e ativista religioso, Yehuda Glick, em 29 de outubro[2].

Quando Israel retomou o Muro das Lamentações e anexou[3], Jerusalém oriental, garantiu que muçulmanos teriam o direito exclusivo de orar na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar mais sagrado para o Islã. É precisamente o desafio por parte de Yehuda Glick e outros rabinos e ativistas israelenses à proibição aos judeus de orar na Esplanada que motivou o atentado a sua vida[1].

No entanto, o atentado fez redobrar reivindicações pelo direito judeu de oração, ao passo que palestinos parecem ter adotado uma tática de atropelamento de pedestres judeus[1]. A prática já havia ocorrido em 22 de outubro, antes mesmo do atentado à vida de Glick, ocasionando a morte de dois civis israelenses, e, mais recentemente, em 5 de novembro, causando também duas mortes[4]. Além disso, apenas na última segunda-feira, 10 de novembro, um soldado israelense foi esfaqueado até a morte em Tel Aviv e três israelenses foram esfaqueados – um deles, fatalmente – na Cisjordânia[5].

O quadro geral de escalonamento de violência tem gerado visões divergentes entre analistas, que tentam avaliar se uma terceira Intifada está prestes a ocorrer[6]. Por um lado, como argumentado em matéria da CNN, especialistas apontam que, desde a morte de Arafat, se tornou mais difícil entrar em Israel a partir da Cisjordânia, especialmente com explosivos[5], principalmente devido à construção do Muro da Cisjordânia, desde 2005. Com isso, um levante armado nos moldes da Segunda Intifada se torna menos provável. Ao mesmo tempo, não houve nenhum chamado às armas por parte de nenhuma liderança palestina na Cisjordânia, nem tampouco nenhum ataque coordenado contra Israel, como os do início do ano 2.000[5].

Por outro lado, Shimrit Meir, editor israelense do site de notícias árabe The Source, argumenta que “nós estamos usando ferramentas do século XX para analisar um fenômeno do século XXI[7] e afirma enxergar o recente escalonamento de violência como uma “Intifada Pós-Moderna”, em que períodos de violência intensa podem ser seguidos por calmarias, sem, no entanto, esclarecer como esse conceito se aplica à atual situação de Jerusalém.

De toda forma, como observa o New York Times, em meio à discussão quanto às características destes recentes acontecimentos e suas semelhanças com uma “Intifada” (seja Primeira, Segunda ou “Pós-Moderna”), há aqueles que afirmam que tais questionamentos tiram a atenção “das causas e dinâmicas da ira e do desespero de uma nova geração [7].

Mais uma vez, como bem observou o The Economist, “no solo sempre contestado da Terra Santa, orar não é apenas um ato de devoção: [é um ato que] implica propriedade[1]. E implica propriedade em uma cidade (Jerusalém Oriental) anexada[3] e cuja população árabe enfrenta cotidianamente, e à semelhança da população do restante da Cisjordânia, políticas israelenses vistas por eles e por observadores como discriminatórias que privilegiam a presença e expansão (demográfica e geográfica) de judeus israelenses neste território[8]. Segundo consideram, em violação do direito internacional humanitário[9].

Isso não quer dizer que as “causas e dinâmicas” da onda de violência que parece estar tomando Jerusalém se resumem aos fatores acima. Contudo, a análise “da ira e do desespero” dessa uma “nova geração” palestina, que vem se confrontando com a polícia israelense em Jerusalém Oriental mesmo antes da operação de Israel em Gaza[10], deve levar em conta o presente de uma realidade cotidiana marcada pelo estado de ocupação da Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental).

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ImagemJovens palestinos e policiais israelenses se enfrentam no campo de refugiados de Shuafat em Jerusalém Oriental, 6 de novembro de 2014” (Fonte):

http://www.nytimes.com/2014/11/07/world/middleeast/israel-palestinians-jerusalem-unrest-al-aqsa.html?_r=0

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.economist.com/news/leaders/21631026-binyamin-netanyahu-must-resist-dangerous-campaign-jewish-prayer-rights-muslim-holy

[2] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2014/10/30/a_declaration_of_war_in_jerusalem_abbas_palestine_israel

[3] A anexação, por Israel, de Jerusalém Oriental foi considerada ilegal pelas Nações Unidas repetidas vezes. Ver, e.g., Resolução 478 do Conselho de Segurança da ONU, de 1980:

http://www.un.org/en/ga/search/view_doc.asp?symbol=S/RES/478(1980)

[4] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/nov/11/jerusalem-tensions-holy-site-threaten-boil-over

[5] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/11/11/world/meast/israel-palestinian-violence/

[6] Ver, e.g.:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2014/11/10/jerusalem_knife_edge_palestine_attacks_unrest_stabbing_intifada;

Ver também:

http://www.al-monitor.com/pulse/originals/2014/11/third-intifada-jerusalem-violence-temple-mount-religious-war.html

[7] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/11/07/world/middleeast/israel-palestinians-jerusalem-unrest-al-aqsa.html?_r=0

[8] Ver, e.g., publicações das ONGs, “Civic Coalition for Defending Palestinian Rights in Jerusalem”:

http://www.civiccoalition-jerusalem.org/ccdprj.ps/new/pdfs/Aggressive%20Urbanism%20Report.pdf;

Ver também:

http://civiccoalition-jerusalem.org/system/files/documents/brief_-_population_transfer_in_occupied_jerusalem.pdf;

Ver tambémBADIL Resource Center for Palestinian Residency and Refugee Rights”:

http://www.badil.org/en/documents/category/35-publications?download=1045%3Abadil-handbook;

Ver também:

http://badil.org/phocadownload/Badil_docs/publications/wp16-Residency.pdf;

Ver tambémBTselem”:

http://www.btselem.org/printpdf/51840;

Ver também:

http://www.btselem.org/printpdf/51824

[9] Regra 130 do direito internacional humanitário consuetudinário afirma queEstados não podem deportar ou transferir partes de sua própria população civil para um território que ocupam”. Para maiores esclarecimentos, ver:

https://www.icrc.org/customary-ihl/eng/docs/v1_cha_chapter38_rule130

[10] Ver:

http://972mag.com/watch-theres-no-peace-in-jerusalem/98644/

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ataques aéreos liderados pelos EUA possivelmente atinge militantes do Estado Islâmico no Iraque

No sábado, dia 8 de novembro, ataques aéreos realizados por uma coalizão (formada pela Great Britains Royal Air Forces e aviões de guerra canadenses), liderada pelos Estados Unidos, atingiram, ao noroeste do Iraque, na Província de Anbar, um local de reunião de membros do Estado Islâmico (EI).

A região deserta, próxima à cidade de Qaim, está localizada ao centro do território em que os jihadistas ocuparam para o seu Califado autodeclarado. Oficiais do Governo iraquiano disseram que havia nesse encontro militantes de alto escalão do EI, como Abdul Rahman al-Athaee, também conhecido como Abu Saja, que acreditam estar morto, e possivelmente o líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, mas até o momento não houve confirmação se Baghdadi está gravemente ferido ou morto[1].

No entanto, um oficial do Departamento de Defesa do Iraque, confirmou que ataques aéreos da coalizão também atingiram um comboio de dez caminhões armados pertencentes ao EI, próximo à cidade de Mosul (Iraque), o que demonstra uma discrepância nas informações, considerando que Mosul e Qaim estão à aproximadamente 290 quilômetros de distância uma da outra. A lacuna entre ambos os relatos não foi todavia explicada[2].

Por outro lado, o coronel Patrick Ryder, do U.S. Central Command, afirmou que, de fato, uma aeronave da coalizão realizou uma série de ataques aéreos nas proximidades de Mosul, o que foi avaliado como uma reunião do EI, mas que não há razões, tampouco informações suficientes, para confirmar que o comboio estivesse levando militantes do EI.

De acordo com residentes das cidades tomadas pelo grupo militante, os jihadistas vêm mudando suas estratégias desde que os ataques aéreos foram iniciados, optando por veículos mais discretos para evitar serem alvos. Entretanto, um oficial de um necrotério em Mosul afirmou que cinquenta corpos de militantes do EI foram trazidos ao local após os ataques[3].

O general Sir Nick Houghton, do Exército Britânico, alarmou que o EI iria revidar caso Baghdadi estivesse morto, mas isso não significa que o grupo terá um “reverso estratégico” dentro de sua estrutura. Houghton afirma que, com a possibilidade da morte de um líder “totêmico” o EIwill regenerate leadership … because of the current potential attractiveness of this warped ideology. Unless we get the political dimension of the strategy in place then Isis has the potential to keep regenerating and certainly regenerating its leaders[4].

Autoridades ocidentais e do Governo iraquiano observam que ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos não serão o suficiente para derrotar o grupo jihadista, ramo da Al-Qaeda, e que o Iraque deve melhorar o desempenho de suas forças de segurança para poder eliminar a ameaça do grupo, que almeja redesenhar o mapa do Oriente Médio.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aprovou o envio de mais mil e quinhentos militares do Exército Estadunidense ao Iraque, praticamente dobrando o número de efetivos que se encontram em território iraquiano, com o propósito de aconselhar e treinar as forças iraquianas no combate ao EI.

A Assessoria de Imprensa do Primeiro-Ministro Iraquiano informou que, apesar da ajuda adicional por parte dos Estados Unidos ser bem-vinda, essa é também tardia, considerando que o EI apreendeu grande parte do norte do Iraque cinco meses atrás. Igualmente, analistas advertem que a única maneira de “empurrar” o Estado Islâmico para fora, tanto do território iraquiano quanto do território sírio, é ter uma quantidade de tropas muito maior e, acima de tudo, melhor equipadas em ambos os países[5]. Até o momento não houve nenhum pronunciamento ou manifestação por parte do EI[6].

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Imagem (Fonte):

http://www.theguardian.com/world/2014/nov/09/us-air-strike-islamic-state-convoy-killed-key-aide-isis

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/isis-air-strikes-usled-coalition-bombs-convoy-of-militant-leaders-leaving-abu-bakr-albaghdadi-critically-wounded-9849411.html

[2] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/11/09/world/middleeast/us-airstrikes-in-iraq-target-isis-leaders.html?ref=world

[3] Ver:

http://www.theglobeandmail.com/news/world/air-strikes-target-islamic-state-leaders-in-iraq/article21513463/

[4] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/nov/09/us-air-strike-islamic-state-convoy-killed-key-aide-isis

[5] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2826488/U-S-air-strikes-hit-ISIS-leader-Abu-Bakr-al-Baghdadi.html

[6] Ver:

idem 2.

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Ver também:

http://www.nytimes.com/2014/11/10/world/middleeast/trouble-pinning-down-isis-targets-impedes-airstrikes.html?ref=middleeast&_r=0

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ataque dos EUA com drones mata 10 militantes da Al-Qaeda no Iêmen

Ataques norte-americanos com drones mataram ao menos 10 pessoas nesta terça-feira, 4 de novembro, perto da cidade de Radaa, no centro do Iêmen[1]. Shawqi al-Badani, alto líder da al-Qaeda na Península Árabe (AQAP) e líder local da filial armada da Al Qaeda, a Ansar al-Sharia, é considerado um “terrorista global” pelos Estados Unidos e estava entre outros quatro membros mortos em virtude do ataque ocorrido durante a noite.

Al-Badani foi acusado de ter ligações com atentados suicidas em 2012 que mataram mais de 100 soldados iemenitas e relação com uma conspiração envolvendo a Embaixada dos EUA no Iêmen[2]. De acordo com fontes locais, Nabil al-Dahab, líder da Ansar al-Sharia na Província de al-Bayda, no Iêmen, pereceu conjuntamente na operação[3].

Outras 10 pessoas foram mortas em confrontos entre o grupo militante Ansar al-Sharia e os xiitas Houthi, que tomaram conta da capital iemenita Sanaa e avançaram para o sul em áreas de maioria sunita[1]. O combate deflagrou-se em diferentes partes do Iêmen, desde que os Houthis aumentaram sua envergadura nos últimos meses, ameaçando a frágil estabilidade do país. As forças Houthis tomaram controle de Sanaa em setembro e se propagaram para o Iêmen central e ocidental. Este movimento vem sendo combatido por membros de tribos sunitas e combatentes da Al-Qaeda, que consideram os Houthis hereges[3].

Os chamados “revolucionários yemenitas”, Ansarullah, cujo líder é Sayyed AbdulMalik al-Houthi, demonstraram nesta terça-feira preocupação com o “caos representado pela crescente ameaça do terrorismo takfiri no país[4]. Militantes da Al-Qaeda frequentemente realizam ataques contra forças de segurança do Iêmen e travaram batalhas mortais com militantes do Ansarullah.

A violência ligada à Al-Qaeda contra as forças de segurança iemenitas vem crescendo desde fevereiro de 2012, quando o presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi subiu ao poder em uma eleição de um homem só e apoiado pela Arábia Saudita e os Estados Unidos[4].

Houthi e Al-Qaeda têm lutado pelo controle da província de Al-Bayda – cuja maior cidade é Radaa – por quase duas semanas. De acordo com a Agência de Notícias turca Anadolu, nos últimos meses o Iêmen pareceu oscilar à beira da guerra civil, com a expansão do controle dos Houthis para além da capital Sanaa em direção a outras partes do país[5]. Sua crescente influência tem colocado o movimento xiita contra a Al-Qaeda, que permanece ativa no país politicamente turbulento[5].

Após assumir o controle de Sanaa, centenas de combatentes Houthis criaram postos de controle dentro e em torno da capital iemenita. Eles também expandiram seu alcance para a maioria das províncias do norte do Iêmen, mas estão tendo dificuldade em combater a Al Qaeda em Al Baitha, considerado um dos principais redutos da rede no centro do Iêmen[6].

Mais de 400 pessoas já foram mortas de ambos os lados durante o mês passado em confrontos ainda em curso nas províncias de Al Baitha e Ibb[6]. Os Houthis há muito se queixam de terem sido marginalizados e perseguidos pela maioria sunita do Iêmen e se envolveram em uma série de rebeliões desde 2004, justificando suas ações através da alegação de legítima defesa[6].

Embora as atuais atenções estejam incidindo mais fortemente sobre as guerras dos Estados Unidos no Iraque e na Síria, os EUA continuaram seu bombardeio secreto à supostos militantes da Al-Qaeda no Iêmen e no Paquistão[1] e o país reconhece o uso de drones no Iêmen, mas não comenta publicamente sobre a prática.

A Al-Qaeda e suas afiliadas no Iêmen estão entre os ramos mais ativos da rede fundada por Osama bin Laden[3] e os ataques com drones pelos Estados Unidos supostamente apoiam a iniciativa do Governo do Yemen em combatê-la no país. Os Houthis, apesar de terem sido críticos aos ataques de drones norte-americanos no passado, aparentemente não se opuseram à sua utilização no último mês[6].

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Imagem AFP: Ataque com drone norte-americano matou ao menos 10 supostos militantes da Al-Qaeda nesta terçafeira, 4 de novembro de 2014, no centro do Iêmen” (Fonte):

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/11/drone-strike-kills-yemen-al-qaeda-official-201411565441924278.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.democracynow.org/2014/11/4/headlines#1142

[2] Ver:

http://www.democracynow.org/2014/11/5/headlines#1159

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/11/drone-strike-kills-yemen-al-qaeda-official-201411565441924278.html

[4] Ver:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=179518&cid=23&fromval=1

[5] Ver:

http://www.aa.com.tr/en/world/414737–us-drones-strike-qaeda-militants-in-central-yemen

[6] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/11/04/world/meast/yemen-violence/

 

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Militarização do Egito em nome do combate ao Terrorismo

Nos últimos tempos, o Egito vem enfrentando uma série de ataques terroristas contra os militares, principalmente na Península do Sinai. Na sexta-feira, 31 de outubro, um veículo armadilhado com duas toneladas de explosivos foi detonado no Posto de Controle Karan al-Qawadis, matando 30 militares. Um segundo ataque ocorreu em frente ao Hospital Geral al-Arish e levou a óbito mais um militar, totalizando 31 vítimas mortais[1].

As investigações iniciais indicam que houve várias pessoas envolvidas na organização dos ataques, que foram planejados minunciosamente. Suspeita-se, também, que os arquitetos da operação eram estrangeiros com ligação ao grupo extremista mais atuante no Sinai, o Ansar Beit al-Maqdis (Os Partidários de Jerusalém). Os executores do atentado são desconhecidos pelas Forças de Segurança do Egito e não constam na lista de suspeitos[2]. A partir deste acontecimento, o Egito declarou estado de emergência com duração de três meses no norte e no centro da Península do Sinai, com início no sábado, 1o de novembro. A medida inclui o fechamento da Rota de Rafah para a Faixa de Gaza, a única passagem para a Palestina que não é controlada por Israel[3].

Segundo a imprensa, o Egito está se servindo dos últimos acontecimentos para militarizar o país[4]. Se esta suspeita se confirmar, o Egito entrará num inverno democrático com sérias implicações quanto à liberdade de informação e o controle de seus cidadãos. O presidente Abdel Fatah el-Sisi decretou que os civis devem ser julgados por Tribunais Militares. De acordo com o Artigo Primeiro, a Lei determina “a ida do Exército para as ruas e imediações de instituições públicas vitais, incluindo centrais elétricas, redes, torres de energia elétrica, gasodutos, campos petrolíferos, redes de estradas, pontes, e outras infraestruturas do Estado, instalações e propriedades públicas. Estas instalações serão tratadas como ativos militares durante o período de proteção[5].  O segundo Artigo esclarece que “qualquer um que atacar essas instalações será julgado por Tribunais Militares e o Ministério Público encaminhará os casos envolvidos com esses crimes para a Promotoria Militar relevante[6].

Ativistas dos Direitos Humanos demonstram preocupação com as medidas tomadas pelo Governo egípcio. Acredita-se que o Decreto se estenderá às Universidades, onde o Estado não tem obtido sucesso em controlar os protestos estudantis. Fontes bem informadas afirmaram que, “com base na decisão acima mencionada, as Forças Armadas podem intervir juntamente com a Polícia para enfrentar protestos estudantis contra o Governo[7].

A situação atual do Egito envolve questões preocupantes, principalmente em relação aos Direitos Humanos e à consolidação da Democracia. A imprensa internacional acredita que o atentado de Karan al-Qawadis e o combate ao terrorismo têm sido utilizados como instrumentos para colocar em prática medidas que corroboram a intenção do atual Governo de militarizar o país e pôr um fim definitivo às liberdades democráticas, sendo a tentativa de criação de uma “zona tampão” ao longo da fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza uma justificativa adequada para dar continuidade a este processo.

Conforme informações, esta foi uma exigência israelense para o estabelecimento do cessar-fogo com o Hamas, recentemente mediado pelo Egito[8]. O desenrolar dos acontecimentos faz parte de um conjunto de pormenores que determinará, no futuro, a direção a ser tomada pelo Egito, numa altura em que ainda é incerta a verdadeira posição política do atual Governo.      

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ImagemCaixões dos 25 policiais egípcios mortos em uma emboscada por militantes islâmicos perto de Rafah, norte do Sinai. Aeroporto Militar de Almaza, Cairo, 19 de agosto de 2013” (Fonte):

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.580065

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/114560/Egypt/Politics-/It%E2%80%99s-war-in-Sinai.aspx

[2] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/114560/Egypt/Politics-/It%E2%80%99s-war-in-Sinai.aspx

[3] Ver:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=178000&cid=21&fromval=1

[4] Ver:

https://english.al-akhbar.com/content/egypt-karam-al-qawadis-brings-emergency-law-back-forefront

[5] Ver:

https://english.al-akhbar.com/content/egypt-karam-al-qawadis-brings-emergency-law-back-forefront

[6] Ver:

https://english.al-akhbar.com/content/egypt-karam-al-qawadis-brings-emergency-law-back-forefront

[7] Ver:

https://english.al-akhbar.com/content/egypt-karam-al-qawadis-brings-emergency-law-back-forefront

[8] Ver:

http://www.presstv.ir/detail/2014/11/02/384536/egypt-israel-agree-on-gaza-buffer-zone/

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Coalizão internacional, Estado Islâmico (EI) e os lucros corporativos

Nas análises promovidas pelos principais “Think Tanks” internacionais têm-se destacado a importante questão sobre como o Estado Islâmico consegue angariar fundos para manter-se forte na linha de frente dos combates contra as minorias residentes nas regiões do Iraque e da Síria que são contrárias as suas interpretações sobre o islã.

Estudos anteriores já detectaram que a principal fonte de renda do ISIS (ou Estado Islâmico) está atrelada ao controle de poços de petróleo na região de Mossul, Iraque, onde administram a prospecção e venda de petróleo para o mercado negro, rendendo dividendos superiores a US$ 1 milhão por dia. Ainda de acordo com essas pesquisas, fazem parte do portfólio financeiro fundos adicionais vindos de sequestros, redes de extorsão, atividades criminosas em geral, bem como doações de pessoas físicas no exterior, principalmente da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Kuwait.

Na tentativa de estrangular o acesso aos recursos e como parte do processo de enfraquecimento da organização, as Forças da Coalizão, lideradas pelos Estados Unidos e com suporte em inteligência do Departamento do Tesouro (U.S. Department of the Treasury, usam como estratégia algumas medidas que levem aos líderes, facilitadores e apoiadores do grupo insurgente a restrição de acesso ao sistema financeiro internacional, controlado principalmente pelas grandes potências ocidentais, as quais, por conseguinte, detêm capacidade de elaborar sanções econômicas pesadas aos financiadores do EI.

Entretanto, outras questões vêm norteando as reflexões e gerando críticas à postura adotada pela coalizão internacional no que remete ao combate contra os extremistas. Uma delas, já bastante debatida, é a ausência de forças militares terrestres para auxiliar os combatentes Pershmergas curdos, uma vez que vem sendo dada predileção aos ataques aéreos “cirúrgicos”, embora seja constantemente elucidada a pouca eficácia dessa alternativa, condicionando ainda à participação estrangeira apenas a ataques teleguiados por mísseis.

Vinculada a esta questão, surgiu na semana passada a crítica feita pelo jornalista britânico radicado no Líbano Robert Fisk sobre os lucros que as empresas bélicas têm alcançado com a nova campanha militar no Oriente Médio. Segundo afirma, as fabricantes de mísseis tiveram crescimento em suas ações nos últimos meses. A Lockheed Martin subiu 9,3%, a Raytheon e a Northrop Grumman elevaram o valor do seu papel em 3,8% e a General Dynamics, 4,3%.

A alegação feita pelo jornalista, que teve apoio da rede de notícias France Presse para coleta de dados, é de que, após a Casa Branca ter decidido estender as incursões aéreas para Síria, a Raytheon ganhou um contrato de US$ 251 milhões para abastecer a Marinha NorteAmericana (U.S. Navy) com mísseis de cruzeiro Tomahawk.

Em um cenário pouco animador, as denúncias do jornalista britânico coincidem com as dúvidas surgidas sobre o alegado senso de comprometimento da aliança internacional contra os insurgentes islâmicos, uma vez que a prerrogativa principal de eliminar a ameaça e restaurar o status quo, tem se confundido com interesses corporativos das empresas do segmento militar e com os contratos realizados com o governo norte-americano e governos de países europeus e árabes.

Acreditam os observadores que tal situação poderia levar a uma nova corrida armamentista, graças a ampla oferta para aquisição de aviões de combate, reabastecimento e vigilância, drones, equipamentos navais e serviços terceirizados de companhias de segurança que conduziram os esforços de treinamento e auxílio às forças iraquianas e afegãs durante a invasão nesses países, as quais poderiam voltar a eles para manter um trabalho contínuo, adquirindo mais lucros diante das catástrofes sociais geradas pelas bombas.

A reflexão que fica de Robert Fisk é uma analogia com a epidemia de Ebola na África Ocidental, pois se os esforços e investimentos desprendidos no Oriente Médio tivessem sido empregados no combate ao mortífero vírus, a epidemia talvez já tivesse sido controlada. Concomitantemente ao Ebola e ao Estado Islâmico nada foi alterado, o vírus continua dizimando povoados africanos e o EI continua recrutando mais jovens a cada miliciano caído pelas bombas norte-americanas. Um ciclo vicioso que não permite grandes esforços para o equacionamento dos problemas atuais e à prospecção dos fatos futuros.

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Imagem (Fonte):

http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/03048/syria_3048754b.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.independent.co.uk/voices/comment/with-usled-strikes-on-isis-intensifying-its-a-good-time-to-be-a-shareholder-in-the-merchants-of-death-9804918.html?origin=internalSearch

Ver:

http://www.brookings.edu/blogs/iran-at-saban/posts/2014/10/24-lister-cutting-off-isis-jabhat-al-nusra-cash-flow

Ver:

http://csis.org/publication/imploding-us-strategy-islamic-state-war