NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Resultado das eleições no Egito legitima Sissi no Poder

Conforme era esperado pelo Governo egípcio, o candidato Abdull Fattah al-Sissi, ex-general do exército  do Egito, venceu as eleições com 96,9% dos votos contra o candidato Hamadin Sabahi que obteve apenas 3,09% de votos.

Apesar das eleições terem sido estendidas para incentivar o comparecimento de mais eleitores (o pleito durou três dias), o número de votantes foi mais baixo que em relação as eleições de 2012, que elegeu Morsi como o primeiro presidente civil do país.

Na terça-feira (dia 3 de junho), quando o resultado foi divulgado, grupos pró-governo já comemoravam a vitória na capital do país, Cairo. Apesar da euforia apresentada, ativistas de direitos humanos acreditam que o baixo comparecimento de cidadãos às urnas significa que o esforço da mídia em idealizar Sissi como salvador não restou totalmente frutífero, embora tenha sido eleito como novo Presidente.

———————————————–

Imagem (Fonte):

http://s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2011/12/01/egito.jpg

———————————————–

Fontes consultadas:

Ver:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/sissi-vence-eleicao-no-egito-e-legitima-o-poder-do-exercito-3

Ver:

http://pt.euronews.com/2014/05/29/egito-na-expectativa-do-resultado-da-eleicao-presidencial/

Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,sissi-e-proclamado-oficialmente-o-vencedor-da-eleicao-no-egito,1504820

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Obama: Plano de Retirada manterá 9.800 soldados no Afeganistão após 2014

O presidente norte-americano Barack Obama anunciou na terça-feira passada, 27 de maio, que, pelo seu Plano de Retirada do Afeganistão, manterá 9.800 soldados no país até depois de 2014, derrogando planos anteriores de uma saída completa até o final deste ano[1]. Obama anunciou que os Estados Unidos concluirão sua intervenção militar no Afeganistão em dois anos, através de uma gradual remoção das tropas até que apenas uma pequena força residual permaneça após 2016[2]. As tropas restantes protegeriam a embaixada dos EUA, treinariam as forças afegãs e apoiariam operações de contraterrorismo[3]. O plano, no entanto, depende da assinatura de um acordo de segurança conjunto com o Governo afegão[2], negado pelo atual presidente Hamid Karzai, que vem até agora se recusando a assinar um Acordo que mantenha as forças dos EUA no país. Contudo, ambos os candidatos presidenciáveis às eleições no próximo mês manifestaram apoio ao Acordo[4].

Obama afirmou em seu pronunciamento que “este ano levaremos a guerra norte-americana mais longa ao seu fim responsável[2].  O Presidente detalhou a programação de retirada, afirmando que em inícios de 2015, 9.800 soldados estarão espalhados por diferentes partes do Afeganistão, ao lado de seus aliados da OTAN e outros parceiros[5], e que, ao final do mesmo ano, cerca da metade deste número se limitará a estar concentrado em Cabul e na Base Aérea Bagram[2].

Ao final de 2016, menos de 1.000 militares permanecerão no país para proteger a Embaixada norte-americana, atuando como um “componente de assistência de segurança[2]. Como feito no Iraque, em dois anos e meio, a presença estadunidense no Afeganistão ficaria limitada a uma presença normal de embaixada e a um escritório de segurança na capital[1]. A partir do próximo ano, declarou Obama, as tropas americanas assumiriam uma função mais consultiva, treinando as forças de segurança afegãs e conduzindo missões de contraterrorismo contra “os remanescentes da al-Qaeda[3]. Atualmente, são contabilizados aproximadamente 33.000 soldados norte-americanos no país[6].

A decisão de manter as tropas no Afeganistão representa uma vitória à comunidade de inteligência e aos comandantes militares norte-americanos, que defenderam a sua manutenção como necessária a fim de realizar operações de treinamento e de inteligência[7]. Obama afirmou que “nós não mais iremos patrulhar as cidades e vilas afegãs, montanhas ou vales. Esta é uma tarefa para o povo afegão[2]. “A partir do próximo ano, os afegãos serão totalmente responsáveis pela segurança de seu país[6]. O anúncio indica que a guerra mais longa da história estadunidense – lançada pelo presidente George W Bush, após os ataques da Al-Qaeda em “11 de Setembro de 2001” – terá fim no momento em que Obama deixar o cargo[2]. Em seu discurso, ele observou ainda que: “O Afeganistão não será um lugar perfeito”, mas acrescentou que “não é responsabilidade dos Estados Unidos para torná-lo um[2][3].

As próximas eleições do Afeganistão entre os candidatos Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani Ahmadzai para substituir Karzai estão programadas para 14 de junho[2]. Os favoritos saudaram a declaração de Obama, enquanto o Talibã afegão condenou o discurso, chamando o plano de uma “contínua ocupação” do país[3][8]. Mas o Acordo que os EUA esperam assinar com Afeganistão dará ao próximo Presidente a opção de enviar mais tropas sem pedir ao Congresso ou aos afegãos[6]. “Nós somente vamos manter esta presença militar após 2014 se o governo afegão assinar o acordo bilateral de segurança que os dois países já negociaram[9].

O anúncio aproxima Obama de cumprir uma importante promessa de campanha – no momento em que seu partido se prepara para as eleições intercalares este outono – a de levar duas guerras impopulares ao fim. “É hora de virar a página de mais de uma década durante a qual tanto de nossa política externa foi centrada nas guerras no Afeganistão e no Iraque[6], disse Obama. “Quando assumi o cargo, tivemos quase cento e oitenta mil soldados em perigo, e até o final deste ano teremos menos de 10.000[9] acrescentou.

Ele fez uma viagem surpresa ao Afeganistão no fim de semana do “Memorial Day”e visitou as tropas norte-americanas servindo no país. Na cerimônia de segunda-feira, prestou homenagem aos 2.181 membros das Forças Armadas dos EUA que morreram durante a guerra, que já dura quase 13 anos, bem como aos milhares que foram feridos[1][6][2][10].

Enquanto o plano de Obama é próximo ao recomendado pelos seus generais, senadores republicanos criticaram o anúncio, argumentando que “o prazo rígido para a partida das tropas poderia expor o Afeganistão à mesma violência e instabilidade que entrou em erupção no Iraque desde a retirada do último soldado americano em 2011[3]. Boehner afirmou que informações vindas dos comandantes sobre as condições in loco é que deveriam ditar decisões sobre a retirada das tropas, e não “um número arbitrário vindo de Washington[6]. McCain, Graham e Ayotte declararam conjuntamente que a decisão arbitrária foi um “erro monumental”, que tornará mais difícil o fim da guerra de forma responsável, representando “o triunfo da política sobre a estratégia[6]. Por sua vez McKeon declarou que a temporização arbitrária da Casa Brancanão faz o menor sentido estrategicamente[6]. Críticos argumentam que uma retirada rápida do Afeganistão pode não ser o mais adequado em termos securitários[1], enquanto outros recriminam a própria natureza da presença estadunidense no país[8].

Será bastante dificultoso distinguir quais atividades efetivamente as tropas norte-americanas armadas no Afeganistão levarão à cabo através das chamadas missões de contraterrorismo[1] e em que medida estas operações também incluirão ou reforçarão o uso de drones no país[11]. O plano de retirada de Obama deverá lhe conceder benefícios políticos, contudo, como efetivamente será a nova presença norte-americana é ainda incerto. Assim, os próximos dois anos de guerra teriam “um novo nome; não guerra, não paz, mas algures no meio de ambos[1].

——————————————

Imagem (Fonte – NBC News):

http://www.nbcnews.com/politics/white-house/time-turn-page-war-afghanistan-says-obama-n115596

——————————————

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/asia/2014/05/thousands-us-troops-stay-afghanistan-201452719107242829.html

Ver também:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=153558&cid=18&fromval=1

[2] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-us-canada-27593518

Ver também:

http://www.independent.co.uk/news/world/americas/president-barack-obama-wants-to-keep-9800-troops-in-afghanistan-after-war-formally-ends-9441896.html

[3] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced81j40z.913/98fc6fec

[4] Ver:

http://www.democracynow.org/2014/5/27/headlines#5274

[5] A presença total da OTAN, incluindo as tropas norte-americanas, é estimada em cerca de 12.000 combatentes no inicio do próximo ano. Ver:

http://www.independent.co.uk/news/world/americas/president-barack-obama-wants-to-keep-9800-troops-in-afghanistan-after-war-formally-ends-9441896.html

Ver também:

http://www.aljazeera.com/news/asia/2014/05/thousands-us-troops-stay-afghanistan-201452719107242829.html

[6] Ver:

http://www.nbcnews.com/news/military/obama-we-are-finishing-job-we-started-afghanistan-n115421

[7] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced81lp2b.d3p/b4f29602

[8] Para mais informações quanto as divergentes percepções em relação à presença norte-americana no Afeganistão, ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/features/2013/11/afghans-wary-continued-us-presence-20131120104637221379.html

[9] Ver:

http://www.nbcnews.com/politics/white-house/time-turn-page-war-afghanistan-says-obama-n115596

[10] Para mais informações sobre a rápida visita do presidente Barack Obama às tropas norte-americanas no Afeganistão no último domingo dia 25 de maio, ver:

http://www.haaretz.com/news/world/1.592730

[11] Para mais informações sobre o uso de drones no espaço aéreo afegão, ver:

http://www.theguardian.com/uk-news/2014/feb/09/raf-british-crews-missiles-afghanistan-us-drones-mod

Ver também:

http://www.thebureauinvestigates.com/2014/02/08/civilian-drone-deaths-triple-in-afghanistan-un-agency-finds/

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Líbano apresentará queixas à ONU contra Israel

Neste sábado, 17 de maio,o ministro libanês das relações exteriores Gebran Bassil pediu à sua delegação na ONU que enviasse três denúncias contra Israel ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, em virtude das violações da soberania do país e da Resolução 1701[1]. “Bassil deu instruções à delegação permanente do Líbano na ONU em Nova York que registrasse uma queixa imediata ao Conselho de Segurança em relação à flagrante violação de Israel da soberania do Líbano e à Resolução do Conselho 1701 das Nações Unidas[2], afirmou seu gabinete[1]. O presidente Michel Suleiman solicitou que a queixa fosse apresentada “para proteger a soberania libanesa contra a agressão israelense e preservar a segurança e a estabilidade no Sul[3][4].

As queixas documentam separadamente três violações israelenses do domínio libanês[5]. Uma delas diz respeito ao evento de 11 de maio, quando Israel removeu barreiras de cimento pertencentes ao Exército libanês na área fronteiriça de al-Labbouneh[6], expondo assim o posto de controle do mesmo[7], e arrancou duas árvores cerca de 10 metros dentro do território libanês. A Força Interina da ONU no Líbano decidiu lançar uma investigação para examinar as alegações de violações da chamada “Linha Azul”. No mesmo dia, o Exército libanês afirmou que diversas canhoneiras israelenses violaram as águas territoriais do Líbano perto de Ras Naqoura e moveram barreiras flutuantes existentes cerca de 20 metros dentro das águas libanesas[1].

Bassil também pediu ao Embaixador do Líbano na ONU, Nawaf Salam, que apresentasse duas queixas adicionais sobre outras violações israelenses. Uma ocorreu em 1o de maio, perto do vilarejo de Houla, no sul do Líbano, onde tropas israelenses cruzaram a “Linha Azul[5]. A outra violação ocorreu em 9 de maio, depois que uma unidade do Exército israelense tentou sequestrar três cidadãos libaneses nos arredores de Shebaa, afirmou o Ministro. Ele também pediu a Salam que acompanhasse a reclamação e informasse seus desdobramentos[1].

Bassil lamentou “o processo rotineiro de apresentar queixas contra Israel[7], observando que o Governo libanês não deve “se acostumar com este tipo clássico de reação. É uma vergonha que as violações israelenses estejam se acumulando e que não sejamos capazes de pará-las[7]. O Ministro declarou ainda que “a estratégia de defesa deve destacar maneiras de confrontar as violações israelenses[7], acrescentando que isto criará um “equilíbrio de poder e imporá a calma, estabilidade e a paz em um estágio posterior[7].

A “Linha Azul” foi marcada pelas Nações Unidas para certificar a retirada israelense do sul do Líbano, em maio de 2000, após 22 anos de ocupação[6]. Apesar de Israel ter se retirado do sul do país, observadores afirmam que a fronteira sul do Líbano tem assistido contínuas violações levadas a cabo por Israel por terra, água e mar, conforme interpretam, em violação à Resolução 1701 da ONU[8], que pôs fim à guerra de 33 dias com o Hezbollah, em julho de 2006.

Segundo declaram, Israel rotineiramente envia aviões de combate F-16 sobre o Líbano e seus aviões frequentemente quebram a barreira do som sobre Beirute e outros lugares como demonstração de força[7]. Especialmente em tempos mais recentes, após à queda de um Drone SkyRider da IDF em Gaza, durante uma operação militar israelense[9].

O porta-voz do Parlamento libanês Nabih Berri,quetem sido um crítico ferrenho das alegadas violações, ameaçou nesta segunda-feira suspender as reuniões tripartites realizadas na interseção de al-Naqoura –mediada pela UNIFIL, Força Interina da ONU no Líbano – entre altos oficiais militares de ambos os lados “se o Estado judeu continuar a violar a soberania do país[1][7]. Ele descreveu as reuniões tripartites como “inúteis” e “ineficazes” enquanto persistirem as violações israelenses[7].

As persistentes violações de Israel, transgressões e escaladas na fronteira, de Wazzani à Naqoura, ameaçam o trabalho do comitê tripartite, a missão das forças das UNIFIL, e a estabilidade na região[3]afirmou. “Isso poderia empurrar o Líbano para congelar sua participação nas reuniões do comitê, já eles são incapazes de impedir que Israel realize esses atos hostis[3](…) “especialmente porque as repetidas queixas ao Conselho de Segurança [da ONU] não parecem afetar Israel. Essas reuniões não abordam as contínuas violações israelenses em andamento[4], disse o porta-voz.

Ele ressaltou que o “problema está na agressão do Estado judeu e não a resistência[7], referindo-se ao Hezbollah. Berri, que revelou uma nova violação israelense no domingo, afirmou que “o exército israelense descaradamente cruzou a fronteira com o Líbano e adulterou sua área enquanto as forças internacionais nada fizeram[7].

Derek Plumbly, Coordenador Especial da ONU para o Líbano, por sua vez, emitiu um comunicado afirmando que ambos concordavam sobre a importância da calma ao longo da “Linha Azul” e de sua salvaguarda, e que a UNIFIL está empenhando todos seus esforços para tanto[4]. No entanto, o funcionário da ONU recusou-se a entrar em detalhes sobre as alegadas mais recentes violações israelenses durante seu comunicado. “A UNIFIL está investigando o assunto[3], limitou-se a declarar.

——————————————

Imagem Soldados israelenses tiram fotos como se vê a partir da aldeia fronteiriça de Labbouneh ao sul de Beirute, em 12 de maio, 2014” (Fonte – Mohammed Zaatari/Daily Star):

http://www.dailystar.com.lb/News/Lebanon-News/2014/May-13/256223-lebanon-to-file-complaint-over-israeli-violation.ashx#axzz32Do3VXXB

——————————————

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Lebanon-News/2014/May-17/256813-lebanon-to-lodge-three-complaints-against-israel.ashx#axzz32Do3VXXB

[2] Para mais informações sobre a Resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas votada dia 11 de Agosto de 2006 pelo fim das hostilidades entre Israel e o Hezbollah, Ver:

http://www.un.org/News/Press/docs/2006/sc8808.doc.htm 

[3] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/lebanonnews/546960-lebanon-might-pull-out-of-unifil-meetings-with-israel

[4] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Lebanon-News/2014/May-13/256223-lebanon-to-file-complaint-over-israeli-violation.ashx#axzz32Do3VXXB

[5] Ver:

http://www.qna.org.qa/en-us/News/14051704530020/Lebanon-to-File-3-Complaints-to-UNSC-Against-Israe

[6] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/35299/Libano+apresenta+tres+queixas+perante+a+onu+contra+israel.shtml

[7] Ver:

http://www.naharnet.com/stories/en/130148

[8] Para mais informações sobre as violações israelenses da Resolução 1701 das Nações Unidas conferir as referências já mencionadas 6 e 7 e ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/UN-protests-Israels-violation-of-Lebanon-airspace-312397;

Ver também:

http://www.presstv.ir/detail/2014/05/12/362333/lebanon-official-raps-israeli-violations/;

Ver também:

http://www.presstv.ir/detail/2014/05/17/363061/lebanon-to-take-israel-violations-to-un/

[9] Para mais informações sobre a queda do SkyRider em Gaza em 11 Março de 2014, ver:

http://www.jerusalemonline.com/news/politics-and-military/military/idf-drone-crashed-in-gaza-4198;

Ver também:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.579075

         

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Colapso da Normalidade Democrática em Benghazi

A Líbia enfrenta uma profunda crise de ordem política, que ameaça as expectativas de uma normalidade democrática naquele país. Com a morte do coronel Muammar al-Gaddafi, em 2011, criou-se a esperança do fim do regime autocrático e o estabelecimento da legitimidade constitucional. Porém, na sequência da insurreição que pôs fim ao regime de al-Gaddafi, o que se registrou de fato foram as divisões políticas, principalmente nas duas principais cidades, Benghazi e Tripoli.

A fragilidade do atual Governo líbio impossibilita o estabelecimento da autoridade no país. O Estado tem sido desafiado pelas milícias rebeldes que combateram al-Gaddafi e que, hoje, tencionam criar um Governo a partir da identidade étnica e ideológica de cada grupo envolvido nas disputas. Desde 2011, a Líbia já teve três Primeiros-Ministros, o que demonstra a instabilidade política e, também, a paralisia do Parlamento ante a contenda entre islâmicos e nacionalistas. No último domingo, o Parlamento sofreu mais um golpe, pois homens armados invadiram o prédio e atearam fogo ao edifício, não havendo vítimas a lamentar. Segundo informações, o ato serviu para expandir as operações de Khalifa Haftar contra os islâmicos[1]. Haftar, um ex-general rebelde que participou ativamente no levante que derrubou Muammar al-Gaddafi é, atualmente, o líder do auto-denominado Exército Nacional, que combate em Benghazi[2].

Na última sexta-feira, dia 16 de maio, registraram-se fortes embates entre islamitas e o Exército Nacional, na cidade de Benghazi. De acordo com Mohammedal-Hijazi, porta-voz do Exército Nacional, em comunicado a uma emissora local, a facção lançou “uma operação em grande escala para expulsar os grupos terroristas deBenghazi[3]. O Governo líbio considerou o confronto entre os oponentes como uma tentativa de Golpe de Estado. Sobre este acontecimento, o Primeiro-Ministro interino, Abdullah al-Thani, afirmou: “Todos aqueles que participaram na tentativa de golpe de Estado serão castigados[4].

Entre a passada sexta-feira e sábado, verificaram-se em Benghazi 79 mortos e 141 feridos. Os confrontos provocaram o encerramento do Aeroporto Internacional de Banina no dia 17[5]. A onda de violência, que começou em Benghazi, chegou a Tripoli. No domingo, o coronel Mokhtar Fernana, alegado Comandante da Polícia Militar, fez uma declaração que foi transmitida por dois canais privados de televisão. O Coronel asseverou: “Nós, membros do Exército Revolucionário [ex-rebeldes], anunciamos a suspensão do Congresso Geral Nacional[6].

A crescente insegurança é preocupante e, neste momento, a Tunísia tenciona aumentar o número de soldados na fronteira com a Líbia, acrescentando o seu contingente em mais 5.000 homens[7]. Conforme a violência se espalha pelo país, a Líbia se aproxima de uma guerra civil num território bantustanizado. Um território dividido por tribos e grupos rivais dificulta a afirmação de um Estado livre, frustrando a esperança dos cidadãos líbios quanto a uma transição democrática. As instituições, há muito tempo fragilizadas, são vulneráveis ante a impotência do Estado e contribuem, deste modo, para o aprofundamento de um conflito que deixa a população líbia no limiar de um confronto interno.

————————————–

Imagem (Fonte):

http://magharebia.com/awi/images/2014/04/25/140425Feature1Photo1-650_429.jpg

————————————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.591325

[2] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/fierce-clashes-erupt-benghazi

[3] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/fierce-clashes-erupt-benghazi

[4] Ver:

http://actualidad.rt.com/ultima_hora/view/128408-gobierno-libio-combates-bengasi-golpe-estado

[5] Ver:

http://actualidad.rt.com/ultima_hora/view/128427-libia-victimas-enfrentamientos-bengasi

[6] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/international/547805-heavy-gunfire-near-parliament-in-libya-capital

[7] Ver:

http://www.libyaherald.com/2014/05/18/tunisia-plans-to-send-5000-extra-troops-to-libyan-border-because-of-libya-crisis/#axzz327irWkGK

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Crise na Líbia: EUA descolocam fuzileiros navais para o Sul da Itália

Recentemente, com a intensificação das tensões no Estado da Líbia, o Governo dos Estados Unidos da América (EUA) decidiu enviar fuzileiros navais para a região do Sul da Itália. Segundo o Departamento de Defesa norte-americano, essa equipe possui uma rápida capacidade de resposta e a transferência desses fuzileiros refere-se ao agravamento da situação no norte da África.

A Força Marinha, conforme destacou Steven Warren, Coronel e porta-voz do Pentágono, recebeu ordens de proteger as embaixadas dos Estados Unidos no norte da África e de outras regiões[1]. Nesse sentido, e em razão do aprofundamento das tensões na Líbia, os EUA deslocaram, na última semana, aproximadamente 200 fuzileiros navais da base na Espanha para a base aeronaval norte-americana na Sicília, a região do sul da Itália. Esse contingente recebeu o apoio para as possíveis operações de quatro helicópteros Osprey e de dois aviões de abastecimento KC-130[2].

Essa equipe de fuzileiros, segundo Warren, foi organizada devido às críticas do Congresso norte-americano em relação à falta de segurança dos Estados Unidos na Líbia. Vale lembrar que, em 2012, o Consulado dos EUA em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, e onde está instalado o Governo provisório, foi atacado por um grupo de islamitas, que acabou matando o embaixador Christopher Stevens e mais três funcionários[3]. Na época, o Departamento de Estado foi responsabilizado por não estar preparado para defender seu pessoal[4].

Desde o florescer da Primavera Árabe, que derrubou o governo de Muammar Kadhafi,em 2011,a Líbia vem sendo palco de intensos conflitos. No presente, após quase 3 anos, o Governo de transição tem enfrentado dificuldades para estabilizar o país e conter os constantes ataques que tem como alvo o Exército e a Polícia e, segundo as autoridades, são formados por grupos islâmicos extremistas[5]. Embora o Governo de transição  afirme que a situação no país está sob controle, o conflito entre os grupos rebeldes e o Governo tem visivelmente se intensificado. No último domingo, 18 de maio, um grupo armado atacou o Parlamento em Tripoli para reivindicar sua dissolução. No dia seguinte, o aeroporto em Benghazi foi atacado[6].

Ademais, compete ressalvar que, no decorrer deste ano (2014), oito diplomatas do Egito, Jordânia e Tunísia foram feitos reféns pelos rebeldes na Líbia, para que fossem trocados pela liberdade de seus parceiros detidos em prisões no exterior. Esse cenário tem provocado o fechamento de algumas embaixadas no país, como foi o caso da Argélia que evacuou seu embaixador e outros funcionários da Líbia, na semana passada[7].

Já na última segunda, foi a vez da Arábia Saudita fechar sua embaixada em Tripoli,alegando preocupação com a segurança. Segundo Mohammed Mahmoud Al-Ali, Embaixador Saudita na Líbia, a medida foi necessária em razão da “deterioração das condições de segurança na capital líbia, acrescentando que a missão diplomática do país vai retomar suas operações a partir da estabilização da situação na Líbia[8].

Logo, a decisão de enviar marines para o Sul da Itália, conforme alega o Governo norte-americano, serve como precaução para o caso de a embaixada dos EUA sofrer algum tipo de ameaça. Steven Warren assinalou que não existe nenhum plano de esvaziar a embaixada norte-americana em Tripoli no momento, mas destacou que os EUA resolveram descolocar esses fuzileiros em razão da instabilidade geral no norte da África[9]. Para Warren, com esse contingente instalado na Sicília, “eles serão capazes de responder mais rapidamente a qualquer crise no Norte da África[10].

Vale ressaltar ainda que, em março, o líder da Al Qaeda no Iêmen divulgou um vídeo afirmando que atacaria os EUA[11]. Essa ameaça  fez o Departamento de Estado dos EUA alertar todas as embaixadas localizadas no Oriente Médio para a ocorrência de um possível ataque da Al Qaeda. Dessa forma, o deslocamento de fuzileiros navais para a região, não diz respeito apenas ao agravamento dos conflitos na Líbia, mas, sim, a um possível aprofundamento em nível regional. Dado isso, o envio dessa força refere-se ainda ao apoio e fortalecimento militar para o contingente que já se faz presente hoje na região.

—————————————–

Imagem (Fonte):

http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2013/06/V-22-Osprey-foto-USN.jpg

—————————————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.worldtribune.com/2014/05/16/delayed-benghazi-response-u-s-sends-marines-n-africa

[2] Ver:

http://www.naval.com.br/blog/2014/05/14/estados-unidos-mobilizam-marines-no-sul-da-italia-por-ameaca-na-libia/  

[3] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2012_11_02/agentes-cia-embaixada-norte-americana-na-libia/

[4] Ver:

http://www.worldtribune.com/2014/05/16/delayed-benghazi-response-u-s-sends-marines-n-africa

[5] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20140519-apos-ataque-parlamento-europeus-se-dizem-preocupados-com-situacao-na-libia

[6] Ver:

http://www.valor.com.br/internacional/3553020/situacao-na-libia-continua-tensa-um-dia-apos-ataque-parlamento#ixzz32I2aeZof

[7] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_05_16/midia-argelia-evacua-seu-embaixador-da-libia-8799/

[8] Ver:

http://www.swissinfo.ch/por/internacional_afp/Arabia_Saudita_fecha_embaixada_na_Libia.html?cid=38616952

[9] Ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/05/14/interna_mundo,427551/estados-unidos-mobilizam-marines-no-sul-da-italia-por-ameaca-na-libia.shtml

[10] Ver:

http://www.worldtribune.com/2014/05/16/delayed-benghazi-response-u-s-sends-marines-n-africa

[11] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,lider-da-al-qaeda-no-iemen-promete-atacar-eua-em-novo-video,1154732,0.htm  

 

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Guerra civil na Líbia é agravada após bombardeio ao Parlamento

Neste último domingo (18 de maio) o Parlamento da Líbia foi alvo de ataques. Segundo fontes locais, acredita-se que milícias aliadas ao general Khalifa Hafta são as responsáveis por bombardear o Parlamento e pelo sequestro de duas pessoas que se encontravam no local[1].

Desde a guerra civil de 2011, a Líbia enfrenta grandes dificuldades em promover a construção de um ambiente democrático e pacífico. As forças leais ao Governo, taxadas de “fundamentalistas” e de “terroristas” pelos rebeldes[2], entram em constante conflito com as milícias formadas em apoio ao general Khalifa Hafta[2].

Esse incidente marca a intensidade com que se desenvolvem os conflitos entre os dois grupos. De forma similar, o próprio Parlamento líbio está majoritariamente dividido entre islâmicos e não-islâmicos, o que dificulta o processo de democratização do país[2].

Devido a este cenário instável, o Governo da Argélia enviou, na semana passada, tropas especiais para auxiliarem na retirada do embaixador e dos funcionários da embaixada. De acordo com as autoridades, a Embaixada argeliana foi alvo de ameaças por parte de grupos islâmicos, especialmente a Al-Qaeda, o que motivou a retirada a fim de evitar maiores problemas[3].

Devido a reais e iminentes ameaças aos nossos diplomatas, a decisão foi tomada em acordo com as autoridades da Líbia para urgentemente fecharmos nossa embaixada e o consulado geral em Trípoli”, afirmou o Ministro de Relações Internacionais da Argélia[3].

Os conflitos também despertam insegurança na população local, acentuando o processo migratório no país. De acordo com o governo da Líbia, cerca de 250 mil pessoas encontram-se no litoral esperando o seu dia para navegar rumo à Europa. Deste total de imigrantes, ampla maioria são líbios[4]. Entretanto, poucos terão suas esperanças concretizadas.

Muitas embarcações que levam os imigrantes à Europa afundam ao longo do percurso devido às precárias condições em que se encontram. Na semana passada, por exemplo, um barco com cerca de 130 passageiros afundou[5]. Até agora, foram encontrados somente 24 corpos, o que faz com que o número oficial de vítimas possa aumentar nos próximos dias[5].

Mesmo se logram chegar a solo europeu, muitos imigrantes serão deportados por tais países, como Espanha e Itália[6][7].

Em janeiro deste ano (2014), o Senado italiano votou a favor de um Projeto de Lei que pode trazer importantes avanços nas condições de trabalho dos imigrantes[8]. Porém, este Projeto ainda é insuficiente para regularizar totalmente a atividade migratória nestas nações.

——————————

Imagem (FonteBBC):

http://www.bbc.com/news/world-africa-26411967

——————————

Fontes consultadas:

[1] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/05/18/us-libya-violence-idUSBREA4G04A20140518

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2014/may/18/gunmen-storm-libyan-parliament

[3] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/05/16/us-algeria-libya-idUSBREA4F0J420140516

[4] VerThe Telegraph”:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/libya/10829062/Migrants-make-desperate-journey-to-the-promised-land.html

[5] VerThe Telegraph”:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/libya/10823480/At-least-24-Libya-migrants-drowned-in-Mediterranean-capsizing.html

[6] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/02/28/world/europe/africans-battered-and-broke-surge-to-europes-door.html?_r=0

[7] VerThe Africa News”:

http://www.africa-news.eu/immigration-news/italy/5541-163-irregular-immigrants-deported-from-italy.html

[8] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/01/21/us-italy-migrants-crime-idUSBREA0K1D520140121