NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório da AIEA aponta que Irã continua avançando em “Programa Nuclear”

Na segunda-feira passada, dia 26 de agosto, diplomatas da “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA) declararam que o Irã está aumentando sua capacidade de enriquecimento de Urânio, apesar das evasivas e dos discursos adotados pelo Governo, especialmente sob a atual gestão do presidente Hassan Rouhani, auto-declarado moderado, que foi eleito recentemente para o cargo.

Vem sendo disseminado que no Relatório que será divulgado hoje, dia 28 (quarta-feira) estão as principais ocorrências e avanços do período anterior a ascensão de Rouhani e constará que o país instalou centrífugas IR-1 de primeira geração, bem como máquinas IR-2m avançadas, acreditando os ocidentais que elas agora chegam a 1.000 centrífugas, tal qual chegou a declarar o ex-chefe de energia nuclear do Irã, Fereydoun Abbasi-Davani.

Aponta ainda que o país está gerando combustível para um reator de água pesada que pode produzir plutônio, o qual, por sua vez, pode ser usado em um artefato nuclear. Em contrapartida, o Irã vem limitando o estoque nuclear mais sensível. Esta última medida vem sendo considerada um procedimento estratégico, associando-a à imagem moderada do atual Presidente, com o intuito de ganhar tempo e prolongarem os diálogos enquanto trabalham no Projeto até chegarem à capacidade final de obter o armamento nuclear.

Tais anúncios vem ao encontro de Relatório feito anteriormente por instituto norte-americano que previa ser o Irã capaz de produzir o artefato nuclear para meados de 2014. Alguns analistas acreditam que este cenário é considerado o mais provável pelo Governo estadunidense, ao ponto de considerarem que a atual postura de Obama em relação à Síria, que ameaça com possível ataque para ainda esta semana (alguns jornais afirmam que pode ocorrer amanhã, quinta-feira) tem como objetivo mostrar ao Irã que a “Linha Vermelha” não deve ser ultrapassada, pois não hesitarão em levar adiante um bombardeio das “Usinas Nucleares”, sendo necessário apenas os cálculos estratégicos para a operação, bem como as avaliações dos custos políticos, diplomáticos e econômicos do desdobramentos da ação.

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/ira-aumenta-capacidade-atomica-e-contem-crescimento-de-estoque-dizem-diplomatas,2628a447e9bb0410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

[2] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE97P05D20130826?pageNumber=2&virtualBrandChannel=0&sp=true

[3] Ver:

http://online.wsj.com/article/SB10001424127887323906804579037513562370886.html

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Perspectivas sobre uma intervenção na Síria

Desde os ataques com armas químicas na Síria noticiados na última quarta-feira (21)[1], a política externa americana se viu, mais uma vez – embora o assunto nunca tenha sido tirado da mesa –, obrigada a responder de acordo com o discurso anterior, que agora já completa um ano, de que o uso de armas químicas representaria uma “linha vermelha que não deveria ser cruzada pelo regime de Assad[2].

Em março/abril deste ano (2013)[3], o discurso de Obama foi testado pela primeira vez: quando do surgimento de acusações do uso de armas químicas por parte do governo sírio, Obama se mostrou relutante em se envolver no conflito, limitando-se a fornecer armamentos a grupos rebeldes. Desta vez, a qualidade das evidências que apontam para o uso de tais armas por Assad levaram o governo norte-americano a se declarar pronto para atacar, caso assim seja decidido[4][5].

Ainda assim, como destaca a analista internacional Gayle Lemmon[4], embora a não-intervenção pareça agora uma opção impossível[6], as incertezas agora pairam sobre o modo como essa operação será levada adianta, ou, em outros termos, sobre a intensidade do envolvimento americano no conflito.

Nesse contexto, ganha destaque uma pergunta que até então havia sido, senão silenciada, ao menos obliterada pelo dilema intervir ou não intervir: em que medida, se é que em alguma, uma intervenção militar na Síria liderada pelos Estados Unidos – ator do qual tem se esperado maior liderança a esse respeito, como evidenciam os debates internacionais – representa uma solução para o conflito?

Especialistas como Anthony Cordesman enfatizam que os Estados Unidos deixaram passar o momento certo de apoiar a oposição, quando ela era forte e o regime frágil, e o envolvimento americano poderia tirar Assad do poder sem dividir a Síria étnica ou sectariamente[7]. Se esse momento algum dia realmente existiu, trata-se de questão além do nosso propósito; entretanto, em fevereiro desse ano, o colunista do “New York Times”, Thomas Friedman, já apontava para as complexidades de qualquer solução para o conflito sírio[8].

Friedman, muitas vezes adotando a perspectiva indiana* do jornalista e autor Mobashar Akbar, chama a atenção para a dimensão sunita-shiita do conflito sírio, que, portanto, tal qual o Afeganistão, poderia apresentar sérias complicações para uma retirada de tropas, em que pese o apoio do Irã, shiita, ao governo shiita-alawita de Assad, e das monarquias sunitas de Arábia Saudita e do Qatar, financiando os rebeldes[8].

Ademais, Friedman duvida da possibilidade de trazer a síria para a órbita “saudi-americo-sunita” sem que o país se despedace em regiões sunitas e alawitas. Uma transição do sectarismo para um multisectarismo, como o jornalista acredita estar ocorrendo no Iraque, levaria uma década de intervenção; contudo, “ninguém quer mais brincar de império”, pois, como comenta Akbar sobre o envolvimento externo nas tensões da região, cinco anos é tempo o bastante para as pessoas o odiarem, mas não o temerem ou respeitarem”, o que faz preferível um envolvimento de cinco meses[8].

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* Como explica Friedman, tal perspectiva consiste em enxergar a região sem as fronteiras traçadas por potências coloniais, mas sim enxergandoantigas civilizações (Pérsia, Turquia, Egito), antigas crenças (shiitas, sunitas e hindus), e antigos povos (pachtuns, tajiques, judeus e árabes)”.

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ImagemLocais atribuídos aos últimos ataques com armas químicas” (Fonte):

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23806491

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[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23806491

[2] Ver:

http://www.theatlanticwire.com/global/2013/03/red-lines-syria/63330/

[3] Ver:

https://ceiri.news/o-conflito-sirio-e-a-questao-das-armas-quimicas/

[4] Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/139870/gayle-tzemach-lemmon/the-best-case-scenario-in-syria

[5] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-us-canada-23847839

[6] Ver:

http://www.economist.com/news/leaders/21584029-if-bashar-assad-really-has-used-chemical-weapons-his-own-people-big-way-america-must?fsrc=scn/tw_ec/a_step_too_far

Ver também:

http://www.al-monitor.com/pulse/contents/articles/opinion/2013/08/obama-chemical-weapon-american-attack-red-line-israel.html

[7] Ver:

http://www.realclearworld.com/articles/2013/08/26/how_to_wage_war_against_assad_105403.html

[8] Ver:

http://topics.nytimes.com/top/opinion/editorialsandoped/oped/columnists/thomaslfriedman/index.html

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Transformações na política iraniana

Contrariando as expectativas de alguns especialistas[1], o novo Presidente do Irã”, Hassan Rouhani, cujo governo foi inaugurado no dia 3 deste mês, parece apresentar mudanças na condução da política externa do país. Por outro lado, a previsão era de que Rouhani tentasse modificar a política interna no Irã, sobretudo no que concerne o respeito aos Direitos Humanos”, a fim de aliviar as pressão internacional sobre seuPrograma Nuclear[1].

Ainda de acordo com os analistas, a questão dos “Direitos Humanos” figuraria, portanto, como a arena ideal para a demonstração de uma nova postura interna, pois, à diferença de problemas de outra natureza, frequentemente atribuídos ao Ocidente*, o tratamento que o Governo confere aos seus próprios cidadãos, sobretudo “torturando e matando iranianos sem o devido processo [legal]”[1], dificilmente pode ser responsabilizado por influências externas[1].

Nesse contexto em que a mudança da política interna aparece como ferramenta para reduzir o descontentamento internacional, o recente anúncio do Presidente defendendo uma política externa sem slogans agressivos[2] se apresenta como mais uma peça no jogo. Alegando ser da vontade daqueles que o elegeram uma mudança nas relações exteriores do país, Rouhani afirma estar buscando um distanciamento do discurso adotado por seu predecessor, Mahmoud Ahmadinejad[2][3].

Em realidade, essa postura não é de total surpresa para a comunidade internacional, que, desde sua posse, esperava que, enquanto ex-negociador nuclear, Rouhani reduzisse as pressões externas sobre o “Programa Nuclear” iraniano ao dar a devida atenção às preocupações internacionais[4].

Ainda assim, aquele que observar a política iraniana (externa e interna) não deve deixar de considerar que essas não são mudanças de princípio, mas mudanças de método. Nas palavras de Rouhani, “[N]ós vamos defender energicamente os nossos interesses nacionais, mas isso tem que ser feito adequadamente, com precisão e de forma racional[3].

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* Como, por exemplo, a situação econômica do Irã, que é pelo governo justificada como resultado das sanções impostas pela comunidade internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/08/201381845511522757.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://shadow.foreignpolicy.com/posts/2013/08/05/rouhanis_head_fake

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/08/201381845511522757.html

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23744267  

[4] Ver:

http://edition.cnn.com/2013/08/04/world/meast/iran-president/index.html

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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Iraque se manifesta em relação a possível interferência de rebeldes sírios em seu país

De acordo com dados disponibilizados pelo “Alto Comissariado da ONU para Refugiados” (ACNUR), a “Guerra Civil” na Síria chegou a quase dois milhões de refugiados (1.911.282, pelos dados oficiais) havendo observadores que acreditam ser o número superior a este divulgado pelas “Nações Unidas”.

Os dados oficiais trazem elementos concretos para apresentar o grau de interferência regional que a Crise vem gerando com o alto volume de cidadãos sírios que estão se deslocando para os países vizinhos, de forma a trazer problemas internos (políticos, religiosos e de segurança) para os Estados da área, algo que traz mais elementos para insuflar uma possível instabilidade regional a ser disseminada em futuro breve.

Pelo divulgado, este volume de refugiados se distribui da seguinte forma: “35 por cento deles está no Líbano (684.219). O segundo país a mais receber refugiados é a Jordânia (516.449), seguido por Turquia (434.567), Iraque (15.935), Egipto (107.112) e os países do Magreb (14.000)[1]. A ONU está demonstrando preocupação neste momento com o aumento do número de refugiados saindo do norte da Síria e entrando no Iraque, confirmando o receio de estar sendo estimulada e espalhada a instabilidade no território iraquiano, tal qual o Governo do país vem denunciando.

Segundo vem sendo divulgado, a maioria do contingente é composta por crianças, mulheres e idosos, o que torna mais complexa a situação, pois esses refugiados estão numa área que envolve diretamente o confronto entre islamitas e curdos[2] e o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, declarou que “As armas fornecidas aos assassinos na Síria – que lutam para derrubar o presidente Bashar Assad – estão sendo contrabandeadas para o Iraque, e muitos combatentes que vieram de diferentes regiões para a Síria, estão indo ao nosso país[3], afirmando incisivamente que, acompanhando estes inocentes (mulheres, crianças e idosos), estão se deslocando militantes e combatentes para espalhar a rebelião.

Conforme apontam observadores, o Governo iraquiano encontra-se numa situação complicada, uma vez que é obrigado a se portar de maneira neutra em relação a “Guerra Civil” no vizinho, já que o grupo que governa o Iraque é xiita, considera os rebeldes sírios como terroristas e acusa-os de estar interferindo na política iraquiana, mas, no entanto, são obrigados a negociar com os dois grupos de apoiadores que estão envolvidos nos debates da “Guerra Civil” da Síria.

Com os norte-americanos, por exemplo, está sendo reforçada a cooperação para impedir que o Irã forneça armas ao “Governo de Bashar Al-Assad”. Os EUA, trabalhando nesta estratégia, liberaram um pacote de ajuda em Defesa que inclui liberação de informações e venda de armamentos, dentre eles equipamentos de Defesa Aérea” (no valor de 2,6 bilhões de dólares) e caças F-16[4], mas, em tempos recentes, houve tentativas de aproximação entre Irã e Iraque.

O problema para o Iraque é que o país não tem força política, econômica e militar para tomar medidas autonomamente e teme que a desestabilização síria interfira mais nos Estados da região do que já o fez, principalmente no próprio Iraque e no Líbano, podendo estimular as ações dos sunitas para um nova guerra civil em seu território. Por essa razão, estão insistindo em pedir uma solução imediata para a Crise e lhes resta dialogar com ambos os espectros de apoiadores que se posicionam sobre a “Guerra Civil”.

A situação, no entanto, é frágil, pois a condição neutra do país tem levado a que as autoridades declarem não apenas a condenação aos rebeldes sírios mas também que são aliados confiáveis, parceiros e amigos dos EUA, o principal ator a apoiar os rebeldes da Síria contra Assad[4]

Enquanto a solução não consegue ser negociada, a tensão aumenta, bem como os atentados e combates com grande número de mortos e com constantes declarações de que outros atores desejam entrar diretamente nos combates, tal qual se manifestou na sexta-feira passada, dia 16, o líder do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, alíado de Assad, que declarou, ao comentar um atentado ocorrido em Beirute, no dia  15, quinta-feira, que “Sobre o atentado de ontem, todos os indícios apontam para estes grupos takfiri* (…). Se na batalha contra estes terroristas takfiri for necessário, eu mesmo irei à Síria, o Hezbollah e eu iremos à Síria[5]. Ou seja, os cenários favoráveis ao encerramento da crise são poucos e na maior parte eles apontam para a disseminação da instabilidade na região.

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* Referindo-se a extremistas islâmicos que estão combatendo o governo Assad na Síria.                        

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Fonte Consultada:

[1] Ver:

http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/internacional/2013/7/33/Ataques-rebeldes-cristaos-curdos-matam-pessoas,ace372f9-ae0d-4497-9074-f3e637a7b052.html

Ver também:

http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/internacional/2013/7/33/Quase-dois-milhoes-refugiados-sirios,64b04a6f-5eed-4d0d-b46f-9ecd1c1d214f.html

Ver também:

http://www.jcnet.com.br/Internacional/2013/08/ataques-de-rebeldes-a-cristaos-e-curdos-matam-28.html

[2] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_08_18/nacoes-unidas-alertam-para-aumento-do-fluxo-de-refugiados-da-siria-4755/

[3] Ver:

http://www.dgabc.com.br/Noticia/476330/iraque-premie-alerta-para-chegada-de-armas-ao-pais?referencia=minuto-a-minuto-topo

[4] Ver:

http://portuguese.cri.cn/1721/2013/08/18/1s171141.htm

[5] Ver:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/chefe-do-hezbollah-libanes-esta-disposto-a-lutar-na-siria

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Ver ainda:

http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_08_16/EUA-estao-complicando-a-realizacao-de-uma-conferencia-sobre-a-Siria-5207/?from=menu

Ver ainda:

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/,6201705ddc880410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

Ver ainda:

http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/israel-responde-a-disparos-sirios-no-golan,bede36f1af880410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

Ver ainda:

http://www.dgabc.com.br/Noticia/476351/noruega-investiga-suspeito-de-ajudar-terroristas-sirios?referencia=minuto-a-minuto-topo

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Acompanhando as negociações de paz entre Israel e Palestina

Nessa semana, o governo israelense libertou 26 prisioneiros palestinos dos 104 prometidos, a fim de permitir que as negociações de paz se reiniciassem[1]. No entanto, Israel também aprovou a construção de 942 novos lares em “Jerusalém Oriental[2], tendo, já no domingo, aprovado 1200 novos lares tanto em “Jerusalém Oriental” como na Cisjordânia. Isso foi feito nesta terça-feira, dia 13 de agosto, um dia antes do agendado para a retomada das conversas entre os dois governos[3][4].

Essa decisão atraiu severas críticas de palestinos e também da comunidade internacional[4], para os quais, das suas perspectivas, o momento escolhido para o anúncio da medida revela o que consideram como sendo um certo cinismo, numa tentativa de minar as negociações[5].

Em resposta, Israel afirmou que os lares serão construídos em territórios que o país não pretende abrir mão em qualquer acordo de paz[4]. Essa postura, sobretudo em sua rigidez, aparece como um problema, face às ambições palestinas no que concerne às conversas de paz a se iniciarem hoje, quarta-feira, dia 14, que são fortemente marcadas pela questão dos assentamentos[6].

Além disso, o Secretário de Estado americano, John Kerry, que esteve à frente dos esforços para o restabelecimento do diálogo entre Israel e Palestina, afirmou que novas construções eram, até certo grau, esperadas, e não devem descarrilar as negociações[4].

Para alguns analistas internacionais, como Aaron David Miller[7], o papel dos “Estados Unidos” foi fundamental na retomada das conversas e também o será durante todo o processo, uma vez que o histórico do diálogo entre Israel e Palestina evidencia uma baixa taxa de sucesso para negociações diretas, i.e., “cara-a-cara”.

Segundo Miller, a mediação americana deve assumir o papel de facilitadora: “dar a israelenses e palestinos um intervalo decente para ver o que podem fazer por conta própria; ver onde estão as falhas; e, por razões políticas, dar às conversas diretas entre as partes espaço e tempo, sem sobrecarregá-los[7].

Ainda assim, cabe perguntar, acompanhando alguns observadores internacionais, qual a importância dessas negociações para o quadro político turbulento do “Oriente Médio” como um todo. Nesse sentido, o correspondente diplomático da BBC, Jonathan Marcus[8], destaca os contextos egípcio, sírio e iraquiano, entre outros, ao traçar os limites do alcance de um possível resultado bem-sucedido das negociações de paz para a região.

Enquanto, por um lado, como o espera o governo britânico, há a possibilidade de que esse sucesso ajude a expandir um clima de reconciliação para todo o “Oriente Médio”; por outro, a complexidade das tensões que assolam a região podem transformar a paz palestina em uma questão à parte[8].

De toda forma, como aponta Marcus, o clima de “caos e incerteza” característico da chamada “Primavera Árabe”, juntamente com a percepção internacional de que a porta parece estar se fechando para uma solução de dois Estados para a questão israelo-palestina – que fundamentam os esforços de Kerry –, podem tornar o resultado das negociações ainda mais crucial, capaz de, ao inflamar paixões e tensões, contribuir para o agravamento da situação na região[8].

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ImagemÀ esquerda, Saeb Erekat, chefe das negociações do lado palestino; ao centro, John Kerry, secretário de Estado americano; à direita, a Ministra da Justiça, Tzipi Livni, representando o lado israelense” (Fonte):

http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/08/12/in_praise_of_the_middleman_middle_east_peace

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23686235

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/08/201381355044730911.html

[3] Ver:

http://edition.cnn.com/2013/08/13/world/meast/mideast-palestinians-israelis/

[4] Ver:

http://mideast.foreignpolicy.com/posts/2013/08/13/israel_announces_new_settlement_homes_and_prepares_to_release_26_palestinian_prison

[5] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23678647

[6] Para maiores detalhes sobre as questão que pautam as negociações de paz, conferir:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-11138790

[7] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/08/12/in_praise_of_the_middleman_middle_east_peace

[8] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23666270

 

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Israel e Palestina prosseguem as conversações de paz

Segundo o “Departamento de Estado” norte-americano, negociadores israelenses e palestinos irão retomar as negociações de paz no dia 14 de agosto, em Jerusalém. Os governos de Israel e da Palestina se encontraram para iniciar o processo no dia 30 de julho, em Washington, após aproximadamente três anos sem qualquer medida a respeito.

A porta voz do “Departamento de Estado dos EUA”, Jen Psaki, afirmou que o enviado norte-americano para as negociações de paz no “Oriente Médio”, Martin Indyk, e o enviado especial adjunto, Frank Lowenstein, viajarão para a região com a finalidade de facilitar as conversações. O objetivo é construir uma solução de dois Estados para um dos conflitos mais longos da contemporaneidade.

A solução de dois Estados é uma das possibilidades conversadas para a resolução do conflito Israel-Palestina. Esta ideia prevê um acordo que resulte na criação de um Estado palestino independente na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental”. O “Estado Palestino”, no caso, deverá manter a paz com o vizinho israelense.

Dentre os muitos fatores que dificultam a solução de dois Estados – e a torna alvo de críticas para muitos especialistas – pode-se citar a questão de Jerusalém, considerada cidade santa para ambos os povos. Além disso, Israel possui assentamentos com uma população bastante extensa estabelecida no que seria território palestino. E, ainda, o partido palestino no governo da “Faixa de Gaza”, “Hamas”, não reconhece e se nega a conversar com Israel, mantendo uma rixa com o rival “Fatah”, da Cisjordânia.

A resolução de mandar enviados norte americanos para a região foi feita após o anúncio de que Israel forneceu aprovação preliminar para a construção de mais de 800 novas casas em assentamentos judaicos na Cisjordânia. Tal medida complicaria fortemente as negociações, já que o congelamento de construções em assentamentos é exigido pelos palestinos.

Psaki afirmou que os Estados Unidos não aceitarão a legitimidade do desenvolvimento de assentamos. A porta voz do “Departamento de Estado dos EUA” ainda acrescentou que John Kerry tem boas expectativas para as negociações: “O Secretário deixou claro que acredita que ambas as equipes negociadoras estão ma mesa de boa fé e estão engajadas a fazer progresso[1].

No dia 13 de agosto, um dia antes do próximo encontro, Israel irá libertar 26 dos 104 prisioneiros palestinos que serão soltos como parte do acordo para as negociações de paz. Após a reunião em Jerusalém, planeja-se uma futura conversa na cidade de Jericó, na Cisjordânia.

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Imagem (Fonte):

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/netanyahu-abbas-hold-rare-phone-chat-over-carmel-fire-1.328804

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.state.gov/r/pa/prs/dpb/2013/08/212962.htm#MEPP