NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleições no Iraque

No dia 12 de maio de 2018, o Iraque realizou eleições parlamentares nacionais pela primeira vez desde sua vitória contra o Estado Islâmico (Daesh). A coalizão do movimento Sadrista do clérigo xiita, Moqtada al-Sadr, com partidos comunistas obteve mais número de assentos, devido à sua ampla votação. Denominada Saeroun (“Marchando para Reformas”), ela é uma aliança formada entre o partido Istigama (“Integridade”) e seis grupos seculares, incluindo o Partido Comunista Iraquiano.

Moqtada al-Sadr

O primeiro-ministro xiita Haider al Abadi, candidato com apoio norte-americano e da comunidade internacional, juntamente com seus aliados da coalização Al Nasr (“Vitória”) obtiveram o terceiro lugar. Também concorreu a aliança Fatah (“Conquista”), que reúne a ala política das milícias paramilitares xiitas Hashd al-Shaabi (“Mobilização Popular”), liderada pelo ex-ministro dos transportes Hadi al-Amiri.

Houve enfrentamentos e atentados, em algumas províncias, praticados por jihadistas  membros do Estado Islâmico, mesmo com o forte aparato de segurança. O país encontra-se com altos índices de corrupção em seu sistema político, com pessoas deslocadas forçosamente por conflitos e com grande descrença pela política, o que culminou na  grande abstenção da população em relação às urnas. Apenas 44,52% do eleitorado compareceu às zonas eleitorais, número abaixo do ocorrido em pleitos anteriores.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou as eleições como um novo avanço para a construção de uma democracia mais consolidada no Iraque. Apesar da utilização de urnas eletrônicas, o resultado oficial ainda não foi divulgado. Baseado neste, negociações para um novo governo serão realizadas.

Sadr pertence à milícia Exército Mehdi, é filho do aiatolá Mohammad Sadeq al-Sadr, participou de dois levantes contra forças norte-americanos e é acusado pela morte de muitos sunitas durante a violência sectária que afligiu o Iraque nos anos de 2006 e 2007.

Atualmente, afastou-se do Irã e adotou uma postura nacionalista e anticorrupção. Em 2016, seus apoiadores atacaram a chamada “Green Zone”* e invadiram o edifício do Parlamento iraquiano em Bagdá, demandando reformas políticas no país.

O novo Governo do Iraque possui vários desafios a enfrentar, dentre os quais podem ser citados: ataques terroristas; deslocamento populacional devido a conflitos; a reconstrução de cidades, como Mosul, destruídas nos confrontos com o Estado Islâmico (Daesh); o descontentamento populacional com a política; e o relacionamento com os Estados Unidos e Irã.

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Notas:

* Zona Verde – é o nome da zona internacional de Bagdá. Possui por volta de 10 quilômetros quadrados, foi reduto da autoridade provisória da coalizão e permanece o centro da presença internacional no Iraque, bem como do governo iraquiano e é o reduto de embaixadas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira do Iraque” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraq#/media/File:Flag_of_Iraq.svg

Imagem 2 Moqtada alSadr” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Muqtada_al-Sadr#/media/File:Moqtada_Sadr.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia como mediador no conflito entre Irã e Israel

Com forte atuação político-militar dentro do território sírio, e detentora de alianças pacíficas com Israel e Irã, a Rússia poderá ser projetada como possível mediadora de acordos de não agressão entre as duas nações, segundo analistas internacionais. A efetividade dessa mediação seria também de grande benefício para a Federação Russa, devido ao fato de os conflitos ocorridos nos últimos dias estarem sendo travados num espaço geográfico sob sua proteção, e que, se houvesse um prolongamento destes embates, certamente afetariam os interesses russos não só na Síria, mas em toda aquela área, levando o Kremlin a tomar uma posição mais radical.

Ataque israelense contra Síria

A causa desse desequilíbrio regional teve início com um dos maiores conflitos fronteiriços dos últimos anos na região, sendo que, num primeiro momento, no dia 8 de maio, forças armadas de Israel foram colocadas em alerta máximo após, supostamente, detectarem movimentos militares iranianos irregulares dentro do território sírio, o que levou, a um ataque aéreo preventivo contra um depósito de armas na cidade de Kiswah, sul de Damasco, causando a morte de nove combatentes da Guarda Revolucionária Iraniana e mais outros seis integrantes de milícias xiitas pró-iranianas, segundo informações do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Em resposta ao ataque, forças iranianas baseadas na província de Quneitra, sudoeste de Damasco, lançaram, nas primeiras horas do dia 10 de maio, 20 mísseis do tipo Grad e Fajr em direção das Colinas de Golan, região ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexada ao território em 1981.

Mapa Colinas de Golan

Segundo informações do Exército Israelense, os danos causados por esse ato foram minimizados pela ação do sistema de defesa antimísseis Iron Dome e não houve relato de pessoas feridas.

A resposta de Israel veio logo em seguida, com o ataque massivo a dezenas de alvos militares iranianos na Síria, entre eles, centros de inteligência, bases militares, armazéns, e um veículo Pantsir-S1, que servia como plataforma de lançamento de mísseis terra-ar.

A tarefa de Vladimir Putin para minimizar esta disputa geopolítica será deveras desgastante, devido ao fato da dificuldade de colocar estes dois inimigos mortais juntos numa mesa de negociação, sendo que, por um lado, o Irã tem demonstrado, repetidas vezes, aversão a existência do Estado judeu e, por outro lado, Israel se opõe drasticamente a presença de tropas iranianas no território sírio, localizadas muito próximas a sua fronteira, além de ter demonstrado total apoio aos Estados Unidos em se retirar do acordo nuclear com o Irã, o que, na visão de analistas internacionais, foi fato potencializador de discórdia, no que se refere aos últimos conflitos entre os dois países.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 israelsyriaconflictterrorattack” (Fonte):

https://dinamicaglobal.wordpress.com/2018/01/23/saker-por-que-putin-esta-permitindo-israel-bombardear-a-siria/

Imagem 2 Ataque israelense contra Síria” (Fonte):

https://www.kavkazr.com/a/29220789.html

Imagem 3 Mapa Colinas de Golan” (Fonte):

http://www.gbcghana.com/kitnes/cache/images/800x/0/1.12127945.png

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Convergência: o Hezbollah e as Organizações Criminosas Transnacionais

O Hezbollah, considerado por muitos Estados como uma organização terrorista, surgiu com a intenção de motivar um sentimento favorável ao Irã e ao fundamentalismo na região, a fim de estabelecer o Líbano como uma república islâmica e fazer frente a toda influência estrangeira.

Em 1985, o Hezbollah emitiu um manifesto jurando lealdade ao líder supremo iraniano, Ayatollah Ruhollah Khomeini, insistindo no estabelecimento de um regime islâmico e demandando a expulsão dos Estados Unidos (EUA), França e Israel do território libanês, bem como a destruição do Estado de Israel. O ideal político da fundação da organização foi acompanhado de ações terroristas, o que lhe garantiu o status de um importante ator estratégico do Oriente Médio, capaz de influenciar o curso sobre a paz e a guerra no território.

Um dos principais pontos de consolidação do grupo está na América do Sul, mais precisamente na Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), precipuamente através da utilização de negócios locais, do tráfico de drogas e de redes de contrabando, com o objetivo de arrecadar fundos e financiar operações terroristas em todo o mundo.

Símbolo do Departamento de Justiça dos EUA

É nesse contexto que o Departamento de Justiça dos EUA, com base em informações provenientes do “Projeto Cassandra”, criou uma força tarefa para investigar questões relacionadas à lavagem de dinheiro, ao tráfico de drogas e ao financiamento do terrorismo por parte do grupo Hezbollah.

Integra o “Projeto Cassandra” uma série de investigações desenvolvidas pela Drug Enforcement Administration (DEA) dos EUA com relação a operações de tráfico de entorpecentes realizadas por componentes dessa organização terrorista.

Convém explicar que, historicamente, existe um movimento pendular conhecido como “processo da linha de inversão” do qual muitas organizações se valem, de acordo com a conveniência e, principalmente, quando não conseguem mobilizar a população, todavia, sem perder sua identidade, para se apresentar ora como terroristas ora como insurgentes. É o caso, por exemplo, do Hezbollah.

Organizações criminosas transnacionais operam em escala global, cruzando fronteiras internacionais para continuar sua busca pelo poder, influência e lucros. Entender as conexões entre o terrorismo e o crime, assim como saber examinar os vínculos entre si, é fundamental para inferir a capacidade dessas organizações e sua ingerência na exploração do sistema financeiro para os seus ganhos ilícitos. A convergência dessas ameaças, propriamente a convergência crime-terror, a partir de redes de colaboração, contribui de forma significativa para a deterioração da sociedade e do Estado e deve ser considerada uma prioridade de segurança nacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira do Hezbollah” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hezbollah#/media/File:Flag_of_Hezbollah.svg

Imagem 2Símbolo do Departamento de Justiça dos EUA” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Department_of_Justice#/media/File:Seal_of_the_United_States_Department_of_Justice.svg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Israel: 70 anos de existência

No dia 19 de abril, o Estado de Israel comemorou 70 anos de existência. Sua comemoração do Dia da Independência foi de acordo com o calendário lunar judaico, cuja data coincide com o dia 5 do mês de Iyar.

Sua história inicia-se em 14 de maio de 1948, com o discurso de David Ben Gurion, que  proclamou o Estabelecimento do Estado de Israel[1] no interior do edifício do museu de Tel Aviv. Era o mesmo dia que findava oficialmente o mandato britânico sobre o território de Israel. O reconhecimento do Estado deu-se pelos EUA naquela mesma noite e pela União Soviética (URSS) três dias depois.

A proclamação baseou-se na Resolução nº 181 da Assembleia Geral das Nações Unidas, votada em 29 de novembro de 1947[2], e foi inspirada na Declaração de Independência dos EUA, definindo o novo Estado judaico como uma democracia baseada em direitos iguais, liberdade, justiça e liberdade religiosa. A Liga das Nações, na ocasião da determinação do Mandato Britânico no território do extinto Império Turco-Otomano, já havia reconhecido a conexão histórica do povo judeu com a Palestina.

Apesar de sempre cercado por críticas, o Estado de Israel prosperou e possui muitas razões para celebrar a data. Foi vitorioso após o ataque massivo e coordenado de vários países árabes[3] que não concordavam com a decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) e se opunham ao estabelecimento de Israel, na chamada Guerra de Independência (1947-1949)[4].

Atualmente, o país é uma democracia liberal em meio à uma vizinhança permeada de autocracias. Resgatou o meio ambiente local combatendo a desertificação e promove uma agricultura sustentável, dotada de tecnologia de irrigação, o que o torna líder mundial em pesquisas de recursos hídricos e exportador dessa técnica. Reutiliza 85% da água que produz e possui a maior planta de dessalinização do mundo, chamada Sorek.

O acelerador de partículas do Instituto Weizmann da Ciência em Rehovot

É considerada a nação mais inovadora do globo, devido a seus centros de inovação e a sua tecnologia em geral, tais como a tecnologia da informação, o que gerou as “startups” israelenses[5], como também pela tecnologia de uso militar. Com um ótimo padrão de qualidade de vida, posiciona-se no ranking global do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com pontuação muito alta.

As comemorações de 70 anos foram realizadas em todo o país. Uma festa ao longo do litoral, desde Eilat até o Tiberias foi promovida, como também a tradicional celebração no Monte Herzl, em Jerusalém.

Israel, todavia, também enfrenta grandes desafios. Com a celebração de seu aniversário e a aproximação da data prevista para a transferência oficial da embaixada norte-americana para Jerusalém, em 14 de maio de 2018, protestos em Gaza foram promovidos pelo Hamas, ao longo da grade da fronteira com Israel, manifestantes queimaram milhares de pneus e houve confrontos violentos com o Exército israelense.

O aumento significativo das tensões com o Irã poderá configurar um futuro conflito, já que este país vêm supostamente prestando suporte logístico de armamentos e estabelecendo unidades de produção de armas em conjunto com o Hezbollah, organização xiita libanesa, considerada por muitos países como um grupo terrorista.

O terrorismo será sempre uma adversidade a ser enfrentada diariamente. Apesar dos desafios e ataques terroristas, o país ainda pode ser considerado seguro para abrigar judeus de todo o mundo. Resgates famosos de judeus em situação de perigo já foram realizados, como a “Operação Moisés”, em 1984, e a “Operação Salomão”, em 1991, que salvaram judeus etíopes, bem como a “Operação Tapete Mágico”, realizada entre 1949 e 1950, que objetivou resgatar judeus remanescentes do Iêmen.

Tais operações foram necessárias, pois, após a criação do Estado, em 1948, judeus em todo mundo árabe e muçulmano passaram a enfrentar perseguições das mais diversas, o que os obrigou a fugir daqueles países ou a serem resgatados[6].

Atualmente, em uma época de crescente ataques antissemitas, como o praticado por um sírio requerente de asilo na Alemanha, no dia 18 de abril de 2018, e o assassinato de Mireille Knoll, na França, a existência de Israel ainda pode ser a salvação de muitos judeus espalhados pelo mundo.

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Notas:

[1] Sobre os textos legais da proclamação do Estado de Israel, consultar:

http://www.jewishvirtuallibrary.org/analysis-of-israel-s-declaration-of-establishment

[2] Para saber mais sobre a votação:

https://www.youtube.com/watch?v=7e93GLe2SZA,

https://www.youtube.com/watch?v=kWWN2PaEzzM

[3] Líbano, Egito, Síria, Iraque, Transjordânia (atual Jordânia) em conjunto com contingentes de palestinos, sudaneses e voluntários de outros países como Marrocos, Iêmen e Arábia Saudita.

[4] Conhecida pelos palestinos e mundo árabe como “al nakba”.

[5] Exemplos de startups famosas: “Mobileye”, que desenvolve tecnologia de veículos autônomos, e a “Waze Mobile”, desenvolvedora do aplicativo “Waze”.

[6] Resgate dos últimos judeus sírios em Aleppo:

https://edition.cnn.com/2015/11/27/middleeast/last-jews-aleppo-syria/index.html

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Declaração do Estado de Israel 1948” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Declaration_of_State_of_Israel_1948.jpg

Imagem 2O acelerador de partículas do Instituto Weizmann da Ciência em Rehovot” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_e_tecnologia_em_Israel#/media/File:Weizmann_accelerator.jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Israel assume a Operação Outside the Box/Orchard (2007) para destruir o reator nuclear sírio

No dia 21 de março de 2018, Israel assumiu publicamente a realização da Operação Outside the box/Orchard, que objetivou a destruição do reator nuclear sírio Al-Kibar, cuja existência foi admitida pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em 2011. Documentos e imagens do ataque aéreo em 6 de setembro de 2007 mostram detalhes da operação e do bombardeio à instalação, que se acredita ter recebido colaboração norte-coreana durante sua construção, já que apresentava similaridades técnicas com reatores daquele país.

Osirak

Ao assumir o ataque preventivo, Israel demonstra a continuidade da aplicação da Doutrina Begin*, cuja origem deu-se com a Operação Ópera, em 1981, que visava à destruição da usina nuclear de Osirak no Iraque. Desta forma, Israel evitou novamente, em 2007, que um país inimigo obtivesse armamento nuclear.

Anos depois, a Síria estaria envolvida na guerra civil em curso até nossos dias e Deir Zor, província onde se situava Al-Kibar, esteve sob ameaça de controle pelo Daesh/Estado Islâmico (EI). Ressalte-se que armas de destruição em massa já foram utilizadas no conflito sírio.

O reconhecimento do ataque tem sido interpretado como “deterrence” (dissuasão)** em relação ao Irã e seu respectivo programa nuclear, como também em relação aos comboios de armas destinados ao Hezbollah.

Há um grau de incerteza sobre Israel possuir artefatos nucleares, uma vez que tal fato não é negado e nem confirmado pelo país, caracterizando sua conduta como “opacidade nuclear. O fato é que a frase do ex-primeiro ministro Menachem Begin “sob nenhuma circunstância nós permitiremos um inimigo desenvolver armas de destruição em massa contra o nosso povo” continua viva e salvaguardando a população de Israel e evitando a disseminação do armamento nuclear pelo Oriente Médio, algo que abalaria o equilíbrio mundial.

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Notas:

* Doutrina Begin – em vigor até hoje, Israel pode vir a bombardear Estados que tenham programas nucleares que ameacem sua segurança. Originou-se com o ex-primeiro-ministro israelense Menachem Begin, seguindo a sua afirmação: “under no circumstances will we allow an enemy to develop weapons of mass-destruction against our people / “sob nenhuma circunstância permitiremos que um inimigo desenvolva armas de destruição em massa contra nosso povo” (Tradução livre).

** Deterrence ou Teoria da Intimidação – é a estratégia de dissuasão que desencoraja o agressor a agir.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Reator sírio antes e depois” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Outside_the_Box#/media/File:Syrian_Reactor_Before_After.jpg

Imagem 2Osirak” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Opera#/media/File:Osirak.jpg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ministro das Relações Exteriores do Brasil visita Israel

O Ministro brasileiro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira Filho, esteve em Israel nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2018. Sua visita objetivou aprofundar a cooperação bilateral entre os dois países, com vistas a futuras parcerias nas áreas de segurança, cultura, educação, academia, previdência social e economia.

Israel, importante parceiro comercial do Brasil na região, totalizou um fluxo comercial de US$ 1,35 bilhão em 2017 e as exportações brasileiras para lá destinadas cresceram 9,7% em relação a 2016. Um resultado superior, no mesmo período, em relação ao Líbano (US$ 283,06 milhões), Jordânia (US$ 231,1milhões) e Palestina (US$ 27,06 milhões), países que também serão destinos da visita ministerial ao Oriente Médio.

Na ocasião, foi assinado um Acordo de Previdência Social entre a República Federativa do Brasil e o Estado de Israel que regulamenta a relação entre os dois Estados nesta área da seguridade social, cuja aplicação abrange pessoas sujeitas à legislação pertinente que residam no território de qualquer um dos Países Contratantes.

Eternal Flame and Concentration Camp Victims Memorial”

Realizou-se uma cerimônia de homenagem a Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa e Luiz Martins de Souza Dantas, brasileiros intitulados como “Justos entre as Nações”, por terem auxiliado a fuga de judeus perseguidos durante o Holocausto usando suas funções diplomáticas, mesmo contrariando a proibição do ex-presidente Getúlio Vargas à época.

O Ministro brasileiro depositou uma oferenda floral próxima à “Chama Eterna” do Hall da Lembrança do Yad Vashem, o Museu do Holocausto em Jerusalém. Aloysio Nunes foi recebido pela cúpula política do país, composta pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pelo presidente Reuven Rivlin e pelo Ministro da Cooperação Regional, Tzachi Hanegbi, dada a importância do encontro.

No dia 28 de fevereiro, a autoridade brasileira visitou a planta de dessalinização Sorek, a maior do mundo, localizada a 15km ao sul de Tel Aviv, tendo em vista uma cooperação de tecnologia para uso de água, já em debate.

Um convite para uma visita futura ao Brasil foi feito pelo Ministro das Relações Exteriores ao premiê Netanyahu, o qual manifestou profundo interesse em fomentar ainda mais os laços comerciais bilaterais com o Brasil – há um Acordo de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul em vigor para o Brasil desde 2010 – e realizar uma visita histórica, possivelmente no mês de junho de 2018, de acordo com o Embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeiras de Israel e do Brasil” (Fontes):

Israelhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Israel#/media/File:Flag_of_Israel.svg

Brasilhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_do_Brasil#/media/File:Flag_of_Brazil.svg

Imagem 2Eternal Flame and Concentration Camp Victims Memorial” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Yad_Vashem#/media/File:Eternal_Flame_and_Concentration_Camp_Victims_Memorial.jpg