BLOCOS REGIONAISDEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A visita de Sergei Lavrov à Sérvia e o fortalecimento das relações russo-sérvias[:]

[:pt] O Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Lavrov, fez uma visita oficial à Sérvia nos dias 12 e 13 de dezembro (2016). A comissão foi recebida pelo presidente Tomislav Nikolic, pelo primeiro-ministro…

Read more
BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]O Tratado da democracia europeia completa 25 anos[:]

[:pt]

Em 9 de dezembro de 1991, os Chefes de Estado dos 12 países da Comunidade Econômica Europeia (CEE) selaram, durante a Cimeira de Maastricht, as negociações para assinatura do Tratado da União Europeia, conhecido também como Tratado de Maastricht. Nome que é referência à cidade holandesa na qual ele foi firmado dois meses depois, em fevereiro de 1992. A entrada em vigor foi concretizada em 1993.

O Tratado coroou um longo processo de restruturação e aprofundamento nos laços cooperativos entre os Estados-membros. Ele é tributário do Ato Único Europeu, datado de 1986, e que fez reverberar os ventos da mudança no cenário político comunitário ao longo dos anos seguintes. Os resultados da Cúpula de Maastricht abriram uma nova etapa para a integração europeia, que agregou a partir daí as vertentes de união política e união monetária ao projeto europeu.

A principal inovação do Tratado foi a instituição de três pilares que se tornariam os eixos motrizes da integração: i. Comunidades Europeias; ii. Política Externa e de Segurança Comum (PESC); iii. Cooperação em matéria de justiça e assuntos internos. As palavras-chave que marcaram as principais novidades desse período e refletiram diretamente no dia a dia dos cidadãos de cada país membro foram: cidadania europeia, fortalecimento do Parlamento Europeu e moeda comum. Temas que, desde então, movimentam as pautas do Bloco.

Em 9 de dezembro de 2016, 25 anos após a Cimeira de Maastricht, os líderes europeus se pronunciaram sobre a ocasião.  Martin Schulz, Presidente do Parlamento Europeu, apontou em seu discurso as inovações trazidas pelo Tratado de Maastricht e como elas contribuíram para a qualidade de vida e estabilidade do Bloco. Ele colocou ainda a existência da União Europeia como um elemento catalizador da paz na Europa e classificou as ameaças à liberdade, democracia e solidariedade que foram vivenciadas pela Europa em 2016 como “dramática tendência que estamos todos observando”. Por fim, fez um chamado à redescoberta do audaz espírito de Maastricht, identificável, segundo ele, no primeiro artigo do Tratado: “Este Tratado marca um novo estágio no processo de criação de uma união ainda mais próxima entre os povos da Europa, na qual as decisões são tomadas da maneira mais transparente possível e o mais próximo possível do cidadão” (Tradução livre).

Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, abordou com mais detalhes o começo do processo de negociação e implantação da união monetária, expondo como gradualmente a comunidade internacional passou a acreditar nesta ousada meta traçada pelos europeus. No final de sua fala, apresentou dados que mostram como a União Europeia tende a perder representatividade econômica e demográfica ao longo do século XXI e refletiu: “aqueles que pensam que chegou o momento de descontruir, de fragmentar a Europa, subdividir-nos em espaços nacionais estão totalmente errados. Nós não vamos existir como nações sem a União Europeia” (Tradução livre).

Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Eurogrupo, proferiu um discurso cheio de paralelismos entre a situação atual e o contexto que em 1992 impulsionou a então CEE a mergulhar em uma experiência ainda mais profunda de integração regional. Ele lembrou que crises monetárias eram reincidentes nas economias europeias dos anos 1970 e 1980, as moedas nacionais sofriam com desvalorizações. O equilíbrio geral era fragilizado também pelas incertezas acerca da unificação alemã e dos desdobramentos do fim do bloco soviético.

Atualmente, destaca Dijsselbloem, as preocupações têm como principais fontes a crise econômica de 2008, a crise migratória de 2015 e as ameaças terroristas. Em que pese a singularidade de cada um desses momentos, os focos dos líderes em ambos os períodos são bastante similares: estabilidade, segurança e oportunidade. E arremata afirmando: “Ao ler os jornais de hoje, alguém poderia pensar que a Europa e o euro estão acabando. Enquanto, na verdade, a recuperação econômica avança e torna-se mais forte a cada ano. (…). Talvez, nós devêssemos parar de denominar cada evento nas nossas democracias de ‘a próxima’ crise?” (Tradução livre).

Com o Tratado de Maastricht, a CEE assumiu o compromisso de tornar-se a União Europeia. Ela foi rebatizada e reestruturada. Vinte e cinco anos e três Tratados depois (Amsterdã, Nice e Lisboa), o desafio lançado ainda apresenta arestas para o inteiro cumprimento do compromisso assumido em 1991. O contexto contemporâneo acrescenta alguns elementos bastante críticos no caminho europeu, resta saber se os líderes atuais vão conseguir despertar nos cidadãos europeus o mesmo fôlego dos seus antecessores.

———————————————————————————————–                    

ImagemThe treaties basis for democratic cooperation built on law” / “Os tratados base para a cooperação democrática construída sobre a lei” (Tradução livre) (Fonte):

https://europa.eu/european-union/sites/europaeu/files/docs/body/treaties_en.pdf

[:]

BLOCOS REGIONAISDireito InternacionalEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Europa dividida sobre o acesso balcânico[:]

[:pt]

Os países balcânicos têm uma semana decisiva com a direção da União Europeia na primeira quinzena de dezembro (2016). O primeiro-ministro sérvio, Aleksandar Vucic, se encontrará com o Comissário da UE, Johannes Hahn, para realizar conversas sobre o processo de entrada da Sérvia no Bloco. Alguns políticos europeus se manifestaram sobre tais medidas, como o Ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, que recentemente se posicionou a favor da entrada dos países balcânicos na União. Seus argumentos são relacionados às soluções da crise dos refugiados, que se tornam mais próximas se forem agregados esses países no rol de Estados membros. Afirmou: “Se o processo de alargamento continuar a ser devagar como tem andado, isso acarretará em sérios riscos tanto em segurança quanto economicamente”.

Na última reunião entre ministros do Bloco, a Hungria, a República Tcheca, a Polônia e a Eslováquia advogaram para acelerar as conversas sobre o acesso da Albânia, Bósnia, Kosovo, Macedônia, Montenegro e Sérvia, contrariando as previsões de que qualquer ingresso até 2020 seria considerado irreal.

A imprensa sérvia vem noticiando que o Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia pressionará a República da Sérvia para a solução do caso de três políticos do país serem extraditados para os Países Baixos e sofrerem julgamentos in loco. O caso dos oficiais do Partido Radical Sérvio (SRS), cujo mandado de prisão foi emitido em janeiro, é complicado, devido ao Tribunal ter anunciado na terça-feira (dia 29 de novembro) que, desde 5 de outubro, há também um mandado internacional. 

Os três são acusados de desacato ao Tribunal no caso contra o líder do SRS, Vojislav Seselj, e são acusados de ameaçar, intimidar e oferecer subornos a testemunhas. Na prática, isso pode significar que alguns países da UE se recusarão a aceitar a abertura de novos capítulos nas negociações de adesão da Sérvia à União Europeia até que Jovo Ostojic, Vjerica Radeta e Petar Jojic tenham sido extraditados. 

Conforme é apontado, os pré-requisitos para adentrar na União não seriam atingidos, na medida em que o “Império da Lei” e o Estado de Direito são cruciais para a estabilidade necessária e norteadora da entrada, ao mesmo tempo em que deve ocorrer a cooperação com órgãos internacionais de solução de controvérsias.

———————————————————————————————–                    

ImagemBandeiras dos Países Balcânicos sob o símbolo da União Europeia” (Fonte):

http://www.debatingeurope.eu/wp-content/uploads/2014/12/flags.jpg

[:]

BLOCOS REGIONAISNOTAS ANALÍTICASPARLAMENTOS REGIONAISPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Venezuela é Suspensa do Mercosul[:]

[:pt]

A queda de braço entre a Venezuela e os demais países que compõe o Mercosul continua. A data marcada para que o país seja suspenso do Bloco é 1o de dezembro de 2016, entretanto, os analistas do Mercosul ainda estão estudando a situação com base no direito internacional. Tal situação permanecerá, até que a Estado venezuelano acate as determinações.

A suspensão se dará tendo em vista a não incorporação das 112 Resoluções do Bloco, justificando que estas entravam em conflito com sua legislação interna. Segundo afirmação do chanceler uruguaio Eladio Loizaga, esta alegação “não pode ser motivo para a não incorporação, pois  quando se entra em um convênio ou acordo internacional e existe algum tipo de choque com a legislação interna, se fazem reservas, e a Venezuela não fez reservas disto”. Com esse embargo, o país, que é Estado parte do Mercosul, ficará “sem voz”, ou seja, não poderá votar nas determinações.

Em setembro desde ano (2016), foi dado o prazo de três meses para que a Venezuela se adequasse ao Protocolo de adesão, que se refere à adoção normativa do Mercosul, algo que até o momento o Governo ainda não atendeu. A alta cúpula do Bloco argumenta que os venezuelanos, na época da adesão, deveriam ter sinalizado a divergência entre as Resoluções e sua legislação nacional.

O Mercosul já tem precedente para casos como este. Em 2012, o Paraguai foi suspenso porque o Congresso deste país não ratificou o protocolo de adesão. O argumento foi a destituição do ex-presidente de esquerda Fernando Lugo por um julgamento político iniciado pelo Parlamento, com a acusação de mau desempenho.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segue imutável em sua perspectiva. Vem afirmando que o Mercosul quer impor ao seu país uma “sanção que não existe”, além de avisar que “ninguém poderá expulsar a Venezuela daquele organismo”. Em programa de rádio chamado a Hora da Salsa, ele declarou ainda: “Ninguém vai poder tirar a Venezuela do Mercosul (…). Se nos tirarem pela porta, nós entraremos pela janela”.

Para o Mandatário, a explicação para essa situação se dá pela ação dos governos de direita na região, que, segundo ele, tem a intenção de desestabilizar seu país. Ele ainda pediu o apoio dos povos da América Latina para que se mobilizem em defesa do Bloco, bem como dos sindicatos e da força operária para que se sensibilizem em apoio ao povo venezuelano.

Pelo que se pode observar dos fatos, esse desentendimento ainda permanecerá, sendo necessário acompanhar e aguardar o fechamento da disputa entre a Venezuela e o Mercosul, pois ela poderá resultar em modificações no Bloco.

———————————————————————————————–                    

ImagemPresidente da Venezuela Nicolás Maduro” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicol%C3%A1s_Maduro#/media/File:Nicol%C3%A1s_Maduro_in_meeting_with_Iranian_President_Hassan_Rouhani_in_Saadabad_Palace.jpg

[:]

BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Comissão Europeia define suas prioridades para 2017[:]

[:pt]

Para a União Europeia, o ano de 2016 ficará marcado na sua história pelo atrito migratório nas fronteiras sul e oriental, além do aumento da percepção da ameaça russa à segurança da Europa e das incertezas que margeiam a opção da população britânica por sair do Bloco. Desafios que se perfilam como candidatos para serem, no futuro, igualados pelos analistas políticos a outros que o Bloco já enfrentou, como a crise energética e econômica dos anos 1970, o europessimismo do início dos anos 1980 e a dissolução do Bloco Soviético nos anos 1990.

1-notas-marcos-25-11-16Inspirada pelo êxito do passado e em pleno frenesi do presente, a Comissão Europeia entregou para suas contrapartes institucionais o seu Programa de Trabalho para 2017. Composto por 10 prioridades políticas e 21 iniciativas, as quais a Comissão pretende entregar até o final de 2017, o Programa tem como meta contribuir para o processo de renovação do Bloco. O documento ganha especial atenção e simbolismo devido ao fato de 2017 ser o ano em que os Tratados de Roma completam 60 anos.

Acerca do Programa, Frans Timmermans, primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, declarou que “nesta era desafiadora, temos de trabalhar conjuntamente de modo ainda mais árduo, ajudando a proteger, empoderar e defender os cidadãos europeus. Fizemos progressos sólidos em desafios como o aumento do investimento e do emprego, a gestão da migração e o avanço nas alterações climáticas e na luta contra o terrorismo. Mas ainda há mais a fazer e este ano (2017) temos de obter acordos sobre as muitas propostas cruciais que já estão sobre à mesa. Agora todos nós devemos entregar [os resultados]” (tradução livre).

O Programa de Trabalho para 2017 apresenta poucas alterações em relação às prioridades relativas a 2016. No entanto, no que tange às inciativas é possível identificar algumas mudanças substanciais. Algumas das principais estão naquelas relacionadas às prioridades 1, 9 e 10, nas quais notam-se maior delineamento e praticidade das ações apresentadas para o próximo ano. Fato que, em boa medida, indica amadurecimento em temas chaves para a política do Bloco nas pautas de recuperação econômica (desemprego de jovens e economia circular), migração (Síria e África), segurança (Plano de Defesa) e legislação europeia (comitologia* e aplicação do direito comunitário europeu).

Nos demais tópicos observa-se o avanço natural de algumas pautas que saíram da etapa de discussão e foram para a de implementação (como a estratégia energética e a de planejamento espacial para a Europa). No geral, nota-se ainda o esforço para agregar propostas correlacionadas e para tornar a agenda da Comissão focada em sugestões mais diretas.  

A Comissão levantou ainda 18 propostas legislativas para reenquadramento legal visando a melhoria da aplicação da legislação já existente e o atingimento do seu desígnio originário, além do rastreamento de 35 proposituras que foram apresentadas nos anos anteriores e ainda estão pendentes junto ao Conselho da União Europeia e ao Parlamento Europeu. Adicionalmente, a Comissão retirou 19 propostas legislativas e revogou 16 regulamentações já em vigor, em ambos os casos motivados pela obsolescência do instrumento jurídico.

O Programada de Trabalho de 2017 seguirá agora para a etapa de diálogo institucional entre a própria Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia visando à definição dos objetivos e prioridades da União Europeia para o próximo ano.

———————————————————————————————–                    

Nota:

* A comitologia consiste num conjunto de procedimentos mediante os quais os países da União Europeia controlam a forma como a Comissão Europeia aplica a legislação da UE.

———————————————————————————————–                    

Imagem2017 Commission Work Programme Infographic” (Fonte):

http://ec.europa.eu/atwork/pdf/cwp_2017_infographic_en.pdf

[:]

BLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALENERGIAEUROPAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]União Europeia dá novo impulso para a discussão sobre a governança internacional dos oceanos[:]

[:pt]

Governança, proteção e uso sustentável. Essas foram as palavras-chaves dos discursos das autoridades europeias durante os eventos de alto nível realizados entre os dias 7 e 18 de novembro acerca da gestão do oceano e seus recursos. Foram três eventos independentes, mas que o próprio Karmenu Vella, Comissário Europeu para o Meio Ambiente, Assuntos Marítimos e Pesca, apontou que poderiam ser agrupados como a Semana da União Europeia (UE) para os Oceanos (EU Ocean Week).

captura-de-tela-2016-11-17-as-13-05-39O primeiro evento foi o Fórum sobre Energia Oceânica, ocasião em que a UE lançou o documento “Construindo a Energia Oceânica para a Europa”, relatório que traz orientação estratégica para a viabilização em larga escala desta modalidade de geração de energia para a Europa. O Documento prevê que, até 2050, 10% da eletricidade gerada na Europa pode ter como origem as variações propiciadas pelas ondas e marés. Adicionalmente, a energia oceânica poderia abrir um mercado anual de 53 bilhões de euros para a Europa, além de evitar anualmente a emissão de 276 milhões de toneladas de CO2.

No segundo evento, a Comissão Europeia divulgou o comunicado conjunto acerca da governança internacional dos oceanos, no qual ela propõe 50 ações para a gestão segura, limpa e sustentável do oceano na Europa e no mundo. Iniciativa que Vella  classificou como “chamado para uma ação internacional que visa atualizar o regulamento sobre o alto mar para o século XXI”. A ideia central do documento é pautar a governança internacional dos oceanos em torno de três prioridades: i. Aperfeiçoamento dos mecanismos de governança internacional dos oceanos; ii. Redução a pressão aplicada pelo ser humano nos oceanos e criar as condições para a sustentabilidade da Economia Azul; iii. Fortalecer a pesquisa e coleta de dados oceanográficos.

No texto, a Comissão deixa clara a multidisciplinariedade da iniciativa ao associar a nova agenda para a gestão dos oceanos com três pautas de ação prioritárias da UE: a. geração de empregos e investimentos para impulsionar a debilitada economia do Bloco;b. demonstração prática da postura proativa da UE no que tange ao cumprimento dos compromissos assumidos na sua Estratégia Global para Política Exterior e de Segurança; c. resposta europeia para Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, em especial para a meta 14 sobre conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marítimos.

O encerramento da “EU Ocean Week” ficou por conta da participação do Comissário Europeu na 22ª Conferência Quadro das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP 22), realizada em Marrakesh, Marrocos, entre 7 e 18 de novembro. Vella participou da sessão “Economia do oceano e a África” delineando as perspectivas do crescimento sustentável da economia azul para a África e da sessão plenária de alto nível do Dia da Ação para o Oceano, na qual apresentou um balanço das mais recentes iniciativas do Bloco sobre a governança dos oceanos e conclamou os líderes mundiais a cooperarem em prol dessa causa global.

Com essas iniciativas a UE e seus membros reforçam o seu papel de liderança na discussão e cooperação interacional em torno dos assuntos marítimos, temática que traz consigo nuances econômicas e ambientais que muitas vezes ganham contornos estratégicos, como aconteceu recentemente no Mar do Sul da China e no Ártico.

Trazer esta discussão à tona durante a realização da COP 22 favorece o seu enquadramento como um caminho possível para combater as mudanças climáticas. No entanto, deve-se levar em conta que a questão da governança dos oceanos vem ganhando amplitude no cenário internacional, esboçando muitas vezes um ímpeto mais acirrado entre as partes.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1 Infographic the EU and the International Ocean Governance” (Fonte):

https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/sites/maritimeaffairs/files/docs/body/eu-and-international-ocean-governance_en.pdf

Imagem 2 Infographic on International Ocean Governance” (Fonte):

https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/sites/maritimeaffairs/files/docs/body/2015-international-ocean-governance_en.pdf

[:]

BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Espanha e os desafios do “novo” Presidente[:]

[:pt]

Após uma longa disputa que começou em dezembro de 2015, e depois de duas eleições – nas quais sempre ganhou o mesmo candidato –, o Parlamento espanhol finalmente alcançou um acordo e nomeou o reeleito Mariano Rajoy, do Partido Popular, como Presidente da Espanha.

A Espanha foi um dos países mais afetados pela crise financeira mundial, que começou em 2008 e se alastrou pelo mediterrâneo. Mariano Rajoy chegou à Presidência em 2011, com a promessa de restaurar o crescimento da economia, bem como recuperar o equilíbrio fiscal do país, e suas promessas se concretizaram com uma recuperação do crescimento econômico (atualmente Espanha cresce acima do índice da União Europeia), mas com um elevado custo social: a pobreza aumentou 28,6%; a renda das famílias caiu pela metade; mais de 400.000 pessoas foram despejadas de suas casas; os contratos fixos praticamente já não existem; a terceirização causou a precarização do trabalho e uma redução salarial de 10% ao ano.

O crescimento da Espanha se deve principalmente à uma série de políticas de austeridade que afetou serviços essenciais, tais como a saúde, a segurança e a educação. O PIB aumentou mais de 3% ao ano desde a superação da crise, no final de 2014, mas a qualidade de vida despencou a um nível semelhante ao existente nos anos 70.

O impacto social das políticas de Mariano de Rajoy ficou refletido nas urnas e, mesmo com sua vitória nas duas últimas eleições, o Partido Popular perdeu apoio de outros aliados e também a maioria de parlamentares na Câmara, havendo, atualmente, uma forte oposição formada pelos partidos de esquerda PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol) e Podemos, o que, sem dúvidas, será um grande desafio para poder aprovar novas políticas e cortes.

A Espanha enfrenta uma profunda divisão social e política. A crise da Catalunha coloca em uma posição delicada os principais órgãos do Estado e questiona a unidade territorial e a soberania do país.  Por outro lado, a instabilidade na União Europeia (UE) começa a cobrar o seu preço e Bruxelas já anunciou que a Espanha deve reduzir ainda mais os gastos e aplicar novas medidas de austeridade, com o intuito de cumprir com as metas fiscais do Bloco e pagar as ajudas cedidas pela União, como forma de contenção da crise financeira.

Mariano Rajoy afirmou que seguirá o receituário da UE, não havendo grandes mudanças em sua equipe de governo, salvo pequenas intervenções em pontos críticos do mandato anterior.

Em relação aos diversos crimes de corrupção nos quais o Partido foi involucrado, grande parte dos políticos do PP continuam atuando e as investigações seguem lentas e pouco frutíferas. A Espanha – como muitos países ibero-americanos – é um exemplo do paradigma que enfrentam muitas nações e da crescente polarização política da sociedade. O resultado de um crescimento econômico rápido, porém pouco inclusivo, foram as elevadas despesas públicas, sem a transformação social necessária para avançar no processo de desenvolvimento.

A espanhois não souberam aliar o crescimento e a transformação demográfica pela qual passava o país, gerando um descompasso entre a estrutura social e os gastos do Governo que foi agravando com o tempo. O país realizou cortes em áreas prioritárias e acabou condenando sua já reduzida população jovem e ativa a emigrar para outros países, aumentando ainda mais o desequilíbrio fiscal do país a longo prazo.

As pressões internacionais e a internacionalização tardia de sua economia afetaram seu posicionamento no tabuleiro geopolítico e, ainda que seja a 4ª maior economia da União Europeia, possui pouca expressão nas decisões do grupo.

A Espanha detém um papel relevante como investidor na América Latina, o que, por um lado, pode resultar em um ponto de equilíbrio econômico, mas, por outro, demanda maior autonomia para o Governo espanhol em relação a União Europeia, principalmente em relação a acordos e negociações.

Mariano Rajoy deve agora enfrentar não somente os problemas atuais da Espanha, como também promover as correções necessárias para que o país possa voltar aos trilhos, pois, mesmo que atualmente a economia esteja equilibrada, o desemprego segue elevado (acima de 20%), a população jovem é cada vez mais reduzida, a idade média dos espanhóis supera os 40 anos e já não existem muitos setores em que se pode cortar gastos, sem mencionar que todas essas políticas irão refletir na Espanha nos próximos anos.

A Espanha pode ser o preâmbulo do que irá acontecer com os países da América Latina que precisam urgentemente promover políticas compatíveis com sua evolução demográfica, mas que, de momento, atuam somente com o objetivo de gerar resultados a curto e médio prazos.

———————————————————————————————–                    

ImagemMariano Rajoy” (Fonte):

http://www.elpolitico.com/wp-content/uploads/2016/08/Mariano-Rajoy-2.jpg

 [:]

BLOCOS REGIONAISDEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A OTAN consolida sua “Marcha para o Leste”[:]

[:pt] “Em um mundo imprevisível, a defesa coletiva continua sendo a maior responsabilidade da Aliança (OTAN)”. Com esta frase, Jens Stoltenberg, Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), deu o tom da Reunião…

Read more