ÁFRICANOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ban Ki-Moon: Inspirar-se em Mandela é a solução para Síria, República Centro África e República Democrática do Congo

Ban Ki-Moon, “Secretário-Geral das Nações Unidas”, pediu em discurso que líderes mundiais sigam o exemplo de Nelson Mandela. A declaração do Secretário-Geral, feita na conferência de fim de ano, chamou a atenção para as responsabilidades moral e política dos líderes em relação a diversas partes do mundo, sobretudo o “Oriente Médio” e o “Continente Africano”. Ele expressou a preocupação por mudanças, principalmente na Síria, na “República Centro Africana” (RCA) e na “República Democrática do Congo” (RDC).

A primeira parte do seu comunicado à imprensa foi devotada à questão síria, para em seguida falar sobre os outros dois países. Ban Ki-Moon alertou para os mais de cem mil mortos nos últimos 3 anos desde que irromperam os conflitos na Síria, além das 8 milhões de pessoas que tiveram de abandonar os seus lares, incluindo 2 milhões de sírios que buscaram refúgio em outros países[1]. Lembrou que a Síria é o país em que as ações da ONU têm sido dificultadas das mais diversas maneiras pelo Governo[2], levando a que até mesmo o pão tenha se tornado um produto extremamente escasso (com os preços atingindo um aumento de 500% em algumas áreas)[3], mas que também é o lugar onde se terá o maior investimento em ajuda humanitária promovido pela Organização, no montante de 6,5 bilhões de dólares[4].

Em seguida, ele iniciou sua fala sobre o “Continente Africano” já afirmando que 2013 foi o ano em que a “República Centro Africana” mergulhou no caos. O país tem, segundo ele, cerca de 600 mil deslocados, dos quais 70 mil estão refugiados em outros países. Pediu para que os diversos líderes no país tentem entrar em consenso, evitando polarizações políticas ou religiosas. Falou ao mesmo tempo em que o Presidente da RCA, de orientação muçulmana, já se vê negociando com as milícias cristãs[5].

Por outro lado, a “Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura” (FAO) alerta para a subida nos preços dos alimentos (alguns alimentos já subiram em mais de 70%) e para a possibilidade de colapso da produção rural no ano vindouro (2014)[6]. Ademais, a FAO afirma que cerca de 1,29 milhão de pessoas, 40% da população, precisa de ajuda alimentar urgente[7].

No que diz respeito à “República Democrática do Congo”, Ban Ki-Moon felicitou os avanços atingidos, graças à parceria com o “Banco Mundial” (BM) para promover a paz na região, e também graças aos novos equipamentos utilizados na região (os drones[8]). Além disso, felicitou o Acordo assinado na última quinta-feira, dia 12 de dezembro, pelo Governo e pelos milicianos do grupo M23, em Kampala, para por fim às hostilidades no leste do país. Apesar disso, nos dois dias seguintes, mais de 20 pessoas foram mortas[9].

Tendo em mente essas questões e a esperança de mudanças, a lembrança de Nelson Mandela (Madiba) por parte do Secretário-Geral é sem dúvida meritória. Mandela lutou pelo fim do Apartheid, regime de opressão do negro pelo branco na “África do Sul”. Mas, ao contrário de muitos dos seus companheiros, não defendia que os brancos passassem a ser oprimidos quando aquele regime chegou ao fim. Em suas palavras: “Never, never and never again shall it be that this beautiful land will again experience the oppression of one by another (“nunca, nunca e nunca novamente deverá essa linda terra experimentar a opressão de um pelo outro”)[10].

Em síntese, Ban Ki-Moon chamou a atenção de líderes das grandes potências e de líderes locais para a atitude de se lutar por um ideal, sem se esquecer da responsabilidade de criar um presente e um futuro de paz duradoura.

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Imagem (Fonte):

http://p2.trrsf.com/image/fget/cf/619/464/images.terra.com/2013/12/09/ban-mandela-rtr.JPG

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.un.org/sg/offthecuff/index.asp?nid=3207

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/12/15/us-syria-crisis-aid-insight-idUSBRE9BE03D20131215

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-25397140

[4] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-25398012

[5] Ver:

http://abcnews.go.com/International/wireStory/central-african-repubic-president-negotiate-21233973

[6] Ver:

http://www.scoop.co.nz/stories/WO1312/S00285/strife-torn-central-african-republic-faces-food-crisis.htm

[7] Ver:

http://expresso.sapo.pt/conflito-na-republica-centro-africana-deixa-milhoes-em-risco-de-fome-fao=f846476

[8] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/rd-congo-milicia-financiada-por-trafico-de-ouro-preocupa-onu/

[9] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-25410876

[10] Ver:

http://www.africa.upenn.edu/Articles_Gen/Inaugural_Speech_17984.html

NOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

Genebra II a ser realizada em janeiro de 2014

As Nações Unidas” (ONU) anunciaram nesta semana que uma Conferência pela paz na Síria será realizada em Genebra, em janeiro de 2014. A decisão foi tomada meses após o primeiro intuito de se realizar este evento, já que as partes envolvidas no conflito estão em desacordo a respeito da pauta a ser adotada e sobre quem deverá estar presente. Após muita discussão e com o esforço internacional, a data para a Conferência – já conhecida como “Genebra II” – foi estabelecida[1].

Na última quarta-feira, o Governo sírio confirmou publicamente que estará presente. Segundo relatório oficial, a delegação estará sob direção do presidente Bashar al-Assad. A principal demanda da oposição, no entanto, foi estritamente negada por parte do Governo. Os grupos que lutam no confronto para o término da presidência de Assad exigem que o atual presidente não tenha qualquer participação em um projeto político de transição democrática.

O “Ministro das Relações Exteriores”, Walid Muallem, foi quem realizou o pronunciamento à agência de notícias SANA, afirmando que expectativas para a renúncia de Assad não passam de ilusões. Segundo Muallem, a delegação que representará o governo tem como objetivo atingir os interesses do povo, primeiramente eliminando o terrorismo. Por terrorismo, o Ministro provavelmente se referia aos grupos de oposição[2].

Após a confirmação por parte do governo, o líder do principal grupo de oposição, Ahmad Jarba, confirmou que estará presente em Genebra II e afirmou que enxerga as conversações a serem realizadas como um passo para a transição da liderança. A “Coalizão Nacional Síria” já havia estabelecido condições para sua presença na Conferência. Dentre elas, o grupo exige a instalação de corredores humanitários e a soltura de prisioneiros políticos.

Na última quarta-feira à noite, Jarba reafirmou sua participação, reiterando que a Coalizão Nacional Síriarejeita qualquer papel político por parte de Bashar al-Assad na transição que deve ser adotada[3].

Os esforços internacionais têm sido grandes pela realização da Reunião em Genebra. Irã e Turquia, que se encontram em lados opostos em relação ao conflito na Síria, se juntaram em pedidos de que um cessar fogo seja adotado no país antes das conversações de paz serem realizadas em janeiro. O “Secretário Geral da ONU”, Ban Ki-moon, declarou que “Genebra II objetivará o estabelecimento de um Governo de transição com plenos poderes executivos[4].

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-24628442

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.cnn.com/2013/11/25/world/meast/syria-civil-war/

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/11/assad-regime-says-no-surrender-power-20131127104615147136.html

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-25133823

[4] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/11/27/us-syria-crisis-turkey-iran-idUSBRE9AQ0ND20131127

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

“Parlamento do Quênia” aprova saída do país do “Tribunal Penal Internacional”

A poucos dias do início do julgamento do presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, e de seu vice, Wiliam Ruto, o Parlamento queniano aprovou, no dia 5 de setembro, a saída do país doTribunal Penal Internacional” (TPI), onde os dois políticos enfrentam acusações de crimes contra a humanidade. Esta é a primeira vez que um país signatário do estatuto que criou o Tribunal toma essa decisão.

Uhuru Kenyatta e Wiliam Ruto são acusados pelo TPI de organizar a onda de violência que ocorreu logo após as eleições de 2007 no Quênia. Na ocasião, 1.200 pessoas morreram e 600.000 ficaram desalojadas. Neste cenário, a crise política instalada fez despencar a maior economia do Leste de África, sendo este o período mais tenso e sangrento do país desde a sua independência, em 1963. 

De acordo com as informações do “Jornal de Angola[1], o “Parlamento do Quênia”, dominado pela aliança que levou Uhuru Kenyatta ao poder, votou pela saída do país do TPI. Os parlamentares destacaram “a crescente hostilidade contra o Tribunal por parte de políticos no Quênia e na África, que acusam o órgão de ser tendencioso porque todos os suspeitos apontados pelo Tribunal até hoje são do continente africano[1].

Na votação, um dos argumentos usados pelo líder do governo no Parlamento, Adan Duale, foi de que os EUA não fazem parte do TPI, logo o Quênia deveria seguir o exemplo. “Vamos proteger nossos cidadãos. Vamos defender nossa soberania[2], afirmou Duale, segundo a rede “Al Jazeera”.

O pedido de saída deverá demorar aproximadamente um ano para ter efeito e a decisão só deve afetar casos futuros.  

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/aprovada_saida_do_tpi_de_haia

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/africa/2013/09/201395151027359326.html

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EUROPANOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

Vice-ministro da defesa russo expõe problemas recentes referentes a OTAN

Na terça-feira da semana passada (dia 22 de julho), o vice-ministro da defesa russo, Anatoly Antonov, afirmou através da missão diplomática russa na OTAN que o Governo de seu país tem observado “os fantasmas” da “Guerra Friaerguerem mais obstáculos no caminho da construção de uma segurança em conjunto para os Estados da região Euro-Atlântica.

Esses obstáculos seriam:  (1) a implementação do escudo antimísseis na Europa; (2) as tentativas de reviver o tratado Forças Armadas Convencionais na Europa (FACE)[1]; (3) a implantação de infra-estrutura militar da OTAN nas proximidades das fronteiras russas; (4) a política expansionista da OTAN; e (5) o fato de a OTAN ir contra o direito internacional no uso de forças militares[2].

O discurso feito por Antonov é observado por analistas como carregado de insatisfação da cooperação trabalhada com a OTAN, especialmente pela relação do Governo norte-americano com o programa do escudo de mísseis europeu, que já tem ocupado a agenda internacional de ambos países desde o segundo mandato de Bush (2005/2009).

Segundo analistas, a situação se torna mais crítica na medida em que a OTAN organiza um exercício militar com aRepública Báltica e Polônia”, enquanto a Rússia planeja um exercício militar em setembro com Bielorússia, já nomeada de ZAPAD 2013[3], que apresenta tensões, pelo fato de a OTAN ter pedido para enviar observadores e ter sido negada a solicitação[4]. Ambos os lados afirmam que o exercício se trata apenas de operação em conjunto, mas, de acordo com o que vem sendo disseminado na mídia, os dois se acusam de ser treinamento ofensivo.

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Imagem “Exercício das forças da OTAN” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Nato_awacs.jpg

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[1] Ver:

http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2007/07/14/ult34u185867.jhtm

[2] Ver:

http://natomission.ru/en/security/article/security/artnews/153/

[3] Ver:

https://ceiri.news/exercicio-militar-entre-bielorussia-e-russia-zapad-2013/

[4] Ver:

http://www.itar-tass.com/en/c154/817771.html