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A visita de Pence à Islândia

Na última semana, o Vice-Presidente dos Estados Unidos (EUA), Mike Pence, reuniu-se com o Presidente da Islândia, Guᵭni Th Jóhannesson, com o Ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Guᵭlaugur Þór Þórᵭarson, com a Primeira-Ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, e com o Prefeito de Reykjavik, Dagur Eggertsson, durante sua visita de Estado. O objetivo de Pence foi tratar de questões relacionadas ao comércio e investimentos na área de Defesa.

A breve estadia da segunda autoridade em comando dos EUA trouxe desconforto para os cidadãos islandeses, pois, o trânsito precisou sofrer alterações, já que provocou o fechamento de estradas. O próprio Prefeito da capital (Reykjavik), o Sr. Eggertsson, teve dificuldades para chegar na Casa de Hӧfᵭi*, local do encontro oficial, e compareceu por ter chegado de bicicleta. Todavia, a grande logística de segurança e a presença de atiradores de elite, no topo de alguns prédios, trouxe um estranhamento aos moradores da pacífica Ilha.

Em matéria comercial e de investimentos, Pence e Guᵭlaugur expressaram interesses na possibilidade de um Acordo de Livre Comércio entre a Islândia e os EUA. Entretanto, o representante estadunidense também enfatizou a importância da cooperação internacional entre ambas as nações, pois, a Islândia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e os EUA demonstram receio da expansão de atividades chinesas e russas no Ártico.

O jornal Iceland Monitor informou que o Departamento de Defesa dos EUA reservou a quantia de US$ 57 milhões (aproximadamente, 233,4 milhões de reais, conforme cotação do dia 11 de setembro de 2019) no seu orçamento de 2020, para apoiar o Sistema Aéreo Europeu. Em declaração à imprensa local, o próprio Pence, de antemão, parabenizou os islandeses pela rejeição da Iniciativa do Cinturão e Rota da China, destinado a investimentos em infraestrutura, porém, as autoridades islandesas afirmaram que nenhuma decisão oficial foi feita nesta perspectiva.

Vice-Presidente dos EUA, Mike Pence

O jornal Iceland Review trouxe um pequeno diálogo entre o Presidente Islandês, Guᵭni Jóhannesson, e o Vice-Presidente dos EUA, Mike Pence: “Espero que você aproveite a sua estadia. E espero que você entenda como valorizamos um relacionamento forte e saudável com os EUA e que você também entenda os valores que estimamos aqui: liberdade, diversidade, cooperação internacional, respeito um pelo outro. Pence respondeu: “que estava agradecido pela presença das forças americanas na Islândia, numa época em que a China e a Rússia estavam cada vez mais ativas em todo o Ártico”.A resposta de Jóhannesson foi: E devemos tentar evitar a todo custo algum tipo de disputa pelo Ártico, e trabalharemos juntos lá”.

Os analistas observam a visita de Estado de Pence como correspondente ao interesse estratégico que os EUA possuem em relação a Islândia. A comprovação deste interesse é notória pelo discurso do Vice-Presidente e pelo montante disponível para investimentos no Estado nórdico. Mike Pence é desfavorável às causas das Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Queer (LGBTQ+) e, mesmo sob fortes reações de ativistas à sua presença na Islândia ele aparenta não se importar com as críticas, mantendo-se no que parece ser o objetivo principal dos EUA na região: contribuir politicamente para afastar a possibilidade de aproximação da China e da Rússia no Ártico.

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Nota:

* Casa Hӧfᵭi: residência da cidade de Reykjavik, utilizada para cerimônias municipais; foi o local da realização da Conferência de Reykjavik, em 1986, a qual reuniu o presidente Reagan, dos EUA, e Gorbachev, da antiga União Soviética, dando início ao declínio da Guerra Fria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Casa de Hӧfᵭi” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/H%C3%B6f%C3%B0i_House%2C_Reykjavik.jpg

Imagem 2 VicePresidente dos EUA, Mike Pence” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a5/Mike_Pence_%2829574615090%29.jpg/1280px-Mike_Pence_%2829574615090%29.jpg

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Brexit: residentes europeus enfrentam dificuldades com novo sistema de imigração

Em 30 de março de 2019*, o Governo britânico introduziu oficialmente o EU Settlement Scheme (Sistema de Registro de Cidadãos da UE), com o intuito de regularizar a situação de europeus residentes no Reino Unido após o Brexit. O sistema foi projetado para facilitar o processo, permitindo a verificação de identidade por meio de aplicativo de celular e a checagem automática do direito de permanência através do National Insurance Number (o número de Seguro Social Nacional, equivalente ao CPF brasileiro). O Settlement Scheme, porém, tem enfrentado críticas e a mídia britânica reportou recentemente problemas encontrados por seus usuários.

Um dos problemas seria o fato de que residentes europeus, morando a mais de 5 anos no Reino Unido, estariam erroneamente recebendo o status de residência provisória (pre-settlement) ao invés do permanente (settled).  O The Guardian, por exemplo, retratou o caso de Richard Bertinet, um chef francês que vive no Reino Unido há 30 anos e que mesmo com direito à residência permanente acabou recebendo a provisória. Caso similar do polonês Damian Wawrzyniak, chef renomado, que já cozinhou até para a família real e reside no país há quase 15 anos. A residência provisória possui atributos “inferiores” ao permanente, como demonstra a tabela abaixo:

Kuba Jablonowksi, pesquisador do grupo “the 3 million” (associação formada após o referendo de 2016, que busca garantir os direitos dos cidadãos europeus residentes no Reino Unido) aponta para dados preocupantes em relação ao novo sistema. Dentre eles, o fato de que o número de decisões a favor de residências permanentes vem diminuindo, ao passo que o número de residências provisórias aumenta (ver gráfico abaixo).

O problema é que dados estatísticos indicam que cerca de 69%, dos estimados 3 milhões de residentes europeus no Reino Unido, residem no país há mais de 5 anos. A expectativa era de que o número de aplicações para residência permanente fosse maior, o que sugere que realmente possa existir alguma falha no sistema.

Apesar dos problemas citados acima, o Home Office (o Ministério que cuida da imigração, e possui atribuições similares ao Ministério da Justiça no Brasil) se defendeu das críticas. Segundo o jornal The Independent, um porta-voz do Ministério afirmou que, “até o final de junho, nenhuma pessoa teve negado o status para o qual ela se registrou. Ninguém recebeu o status temporário sem antes ter sido oferecida, e eventualmente declinada, a oportunidade de enviar maiores evidências que o qualificassem para a residência permanente”. O Home Office também destacou positivamente, em comunicado emitido no dia 15 de agosto, a marca de mais de um milhão de aplicações aceitas, e ressaltou que o sistema facilita o processo de registro. 

Poster do Guia para o Sistema de Registro de Cidadãos da UE

O Brexit marca o fim do direito à livre residência para trabalhadores cidadãos da UE no Reino Unido, conforme garantido no artigo 45º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Segundo o site da Comissão Europeia, a livre circulação de trabalhadores é um dos princípios fundamentais da União e garante, entre outros, o direito de residir em países da UE a fim de procurar emprego ou trabalhar, “podendo usufruir do mesmo tratamento que os nacionais do país em questão, no que se refere ao acesso ao emprego, condições de trabalho e benefícios sociais e fiscais”****.

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Notas:

* O sistema se encontrava em fase experimental desde 28 de agosto de 2018, sendo inicialmente introduzido exclusivamente para funcionários do NHS (National Health Service), o Serviço Público Nacional de Saúde do país.

** Baseado em informações disponíveis no site da organização “the 3 million”: https://www.the3million.org.uk/presettled-vs-settled

*** Informações baseadas em estatísticas disponíveis no site do governo britânico: https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/825278/eu-settlement-scheme-statistics-july-2019.ods

**** Além dos cidadãos dos países membros da União Europeia, o direito à livre circulação de trabalhadores também se estende à países do Espaço Econômico Europeu (Islândia, Liechtenstein e Noruega) e à Suíça.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Controle de Passaporte no Terminal 2 do Aeroporto Heathrow em Londres”– Autor: Jim Larrison, 2014. (Fonte): https://www.flickr.com/photos/larrison/29813670924

Imagem 2 Poster do Guia para o Sistema de Registro de Cidadãos da UE (EU Settlement Scheme) Tradução Portuguesa” (Fonte): https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/791736/11017618_Settled_Status_TC_6__English_A-Portuguese.pdf

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Teste de míssil pelos EUA agrava tensões com Moscou

No dia 18 de agosto (2019), os Estados Unidos (EUA) realizaram um teste de lançamento de míssil de cruzeiro. O projétil que foi lançado da ilha de San Nicolás, na Califórnia, percorreu mais de 500 quilômetros e terminou seu trajeto ao cair no mar. De acordo com o Pentágono*, “os dados coletados e as lições aprendidas com esse teste auxiliarão o Departamento de Defesa no desenvolvimento de capacidades futuras de alcance intermediário”.

Embora tenha sido apenas um teste de armamento, a ação norte-americana gerou controvérsias. No começo de agosto (2019), os EUA retiraram-se indefinidamente do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, sigla em inglês). Esse Acordo foi firmado em 1987 pelos antigos líderes Ronald Reagan – dos EUA – e Mikhail Gorbachev – da extinta União Soviética. Previa-se a eliminação e a proibição do desenvolvimento e implantação de mísseis balísticos e de cruzeiro, sejam eles nucleares ou não, em que o alcance estaria entre 500 e 5.500 quilômetros. Caso o Tratado ainda estivesse em vigor, o teste realizado com o míssil seria uma violação ao INF.

Em vista da situação, China e Rússia convocaram uma sessão extraordinária no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). Os representantes dos governos chinês e russo acusaram os EUA de estarem incitando o início de uma nova corrida armamentista e de terem violado o INF quando ainda estava em vigência. Essa última acusação leva em conta que o teste com o míssil foi realizado apenas 3 semanas após a saída definitiva do Acordo, portanto, ele foi planejado e arquitetado há muito tempo.

Emblema do Conselho de Segurança das Nações Unidas

A corrida armamentista também é uma preocupação. O único Tratado que ainda regula o uso e fabricação de armas nucleares é o Novo START entre Rússia e EUA, mas esse está para expirar em 2021. Por enquanto, não há nenhuma certeza da renovação ou extensão de sua vigência. Caso esse Tratado também seja descontinuado pelas partes, os arsenais nucleares americanos e russos não seriam verificáveis e nem limitados juridicamente, pela primeira vez, desde 1972. Com a falta de Acordos dessa natureza, a existência de uma nova corrida armamentista é dada como quase certa pelos especialistas da área. Porém, agora, poderia acabar envolvendo não só os EUA e a Rússia, mas também a China.

Durante a sessão no CSNU, o vice-embaixador da Rússia na ONU, Dmitry Polyanskiy, afirmou “da nossa parte, não seremos os primeiros a adotar tais medidas. Entretanto, considerando que nossos colegas americanos estão claramente esfregando as mãos e querendo exibir seus músculos, é possível que essa situação […] possa ocorrer em breve”.

Em contrapartida, o embaixador interino dos EUA na ONU, Jonathan Cohen, rebateu as acusações declarando que a Rússia vinha violando o INF há muito tempo. Segundo ele, “a Federação Russa e a China ainda desejam um mundo onde os Estados Unidos exercitem o autocontrole enquanto eles continuam seu acúmulo de armas sem abrandamento e sem pudor. Os testes dos EUA para desenvolver capacidades convencionais de lançamento de solo não são provocativos ou desestabilizadores, nós não ficaremos inertes”.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em pronunciamento

Países europeus, aliados da OTAN, destacaram seu apoio ao posicionamento norte-americano. A China, por sua vez, limitou-se a declarar que não tem qualquer interesse nenhum em participar de Acordo de controle de armamento com os EUA, e nem com a Rússia. O Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, realizou um pronunciamento no dia 23 de agosto (2019) prometendo uma resposta simétrica ao Governo norte-americano. De acordo com o líder, “ordeno os ministérios russos da Defesa e das Relações Exteriores que examinem o nível da ameaça para nosso país pelos atos dos Estados Unidos, e que sejam adotadas medidas exaustivas para preparar uma resposta simétrica”.

Observadores internacionais apontam esse período das relações internacionais como a mais delicada desde a época da Guerra Fria. De acordo com especialistas, uma nova corrida armamentista gerará consequências irremediáveis para a estabilidade global. Acordos entre EUA e Rússia apenas não convém mais com a realidade atual, é preciso que outros países aceitem participar de um novo pacto global para controle e regulação de seus arsenais.

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Nota:

* O Pentágono é a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Teste de lançamento de um míssil balístico intercontinental nuclear dos Estados Unidos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/60/Minuteman3launch.jpg/800px-Minuteman3launch.jpg

Imagem 2Emblema do Conselho de Segurança das Nações Unidas” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/52/Emblem_of_the_United_Nations.svg/800px-Emblem_of_the_United_Nations.svg.png

Imagem 3Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em pronunciamento” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/ouFiomqA0CC8Cj5Mv91WBA1U2sGjqn1z.jpg

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Líder do Brexit Party fala em apoio a Boris Johnson, no caso de novas eleições

A pouco menos de dois meses para a saída oficial da União Europeia (UE)*, as incertezas sobre o Brexit continuam. Enquanto os negociadores europeus expressam pouco otimismo em relação ao acordo negociado com o Governo britânico, o gabinete de Boris Johnson têm tomado medidas duras para evitar que opositores se apoderem do processo. Desta forma, a probabilidade de que o país passe por novas eleições parlamentares é grande.

Nesse cenário, Boris Johnson pode receber a ajuda importante de uma figura política de fora de seu Partido. Nigel Farage, líder do Brexit Party (Partido do Brexit), afirmou, em discurso no último dia 27 de agosto (2019), que poderá apoiar Boris em uma eventual eleição, caso o Primeiro-Ministro britânico favoreça uma saída sem o acordo presentemente desenhado com a UE**. Isso evitaria aos conservadores uma disputa direta com o Brexit Party pelos eleitores simpatizantes à retirada do Bloco europeu.

Logotipo do Brexit Party

Pesquisas de opinião recentes mostram uma leve vantagem dos conservadores (31%) em relação ao segundo maior partido, o Labour (Partido Trabalhista) (28%). O suporte dos simpatizantes do Brexit Party (16%) poderia garantir uma maioria confortável ao atual Primeiro-Ministro frente ao Parlamento. A razão de ser do partido de Farage é justamente retirar o Reino Unido da União Europeia, e seus eleitores certamente estariam dispostos a apoiar Boris em uma saída sem acordo. Enquanto isso, o bloco de eleitores contrários ao Brexit está dividido entre o Labour e os Liberais Democratas (Liberal Democrats) (13%), porém, é muito difícil que este último apoie os trabalhistas com Jeremy Corbyn na liderança.

Nigel Farage é indiscutivelmente uma das figuras mais importantes na política do país e pode ser considerado um dos principais responsáveis pelo voto de saída da UE. Ele foi presidente do UKIP (United Kingdom Independence Party – Partido da Independência do Reino Unido), que, desde 1991, advoga pela desvinculação do Bloco Europeu. Ele nunca ocupou cargo no sistema parlamentar britânico, mas é membro do Parlamento Europeu desde 1999. Nigel se desligou do UKIP em dezembro de 2018, devido a tendências extremistas do Partido. Ele, então, foi um dos responsáveis por fundar oficialmente o Brexit Party no início de 2019. Este foi o mais votado nas eleições europeias em maio, alcançando 31% dos votos, resultado surpreendente para um Partido com tão pouco tempo de existência.

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Notas:

* Atualmente, marcado para o dia 31/10/2019.

** Publicado em 14 de Novembro de 2018, o acordo para a retirada do Reino Unido da UE foi fruto de uma longa negociação entre o Governo do Reino Unido e a Comissão Europeia. O acordo foi barrado pelo Parlamento britânico, resultando no adiamento da data de saída e na queda do governo de Theresa May. O atual Primeiro-Ministro está em tratativa com a UE para que mudanças possam facilitar sua aprovação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Nigel Farage em discurso no Parlamento Europeu, janeiro de 2019”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brexit_the_time_has_come_for_the_UK_to_clarify_its_position_(46766253871).jpg

Imagem 2 Logotipo do Brexit Party” (Fonte): https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Brexit_Party.svg

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Finlândia sugere que União Europeia imponha sanções contra o Brasil

O bioma amazônico é um território intercontinental e abrange territórios no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Ele possui posição estratégica nos discursos de preservação e sobre o desenvolvimento sustentável, pois, o mundo mobiliza-se nas tentativas de redução do aquecimento global, proposta durante o Acordo de Paris, em 2015.

Os Estados buscam modificar suas matrizes energéticas e adaptarem seus modelos produtivos para estimular um estilo de vida não agressivo à natureza. Diante desta perspectiva, é comum diferentes países realizarem doações para projetos sustentáveis feitos por Organizações Não Governamentais (ONGs), ou mesmo efetivarem altos valores para o Fundo Amazônia, o qual possui a missão de zelar pela flora da maior floresta tropical do mundo.

Nos últimos anos, o Estado brasileiro fez progressos na preservação da Amazônia e conseguiu reduzir o quantitativo de queimadas. O êxito brasileiro deve-se a boa gestão de recursos empregados, fiscalização e no monitoramento por satélite, atualizado diariamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Todavia, a realidade modificou-se exponencialmente e, conforme dados do próprio INPE, a quantidade de queimadas na relação anual de 2018-2019 teve um crescimento de 82%.

Diante da péssima imagem internacional que se criou para o Brasil com o suposto descontrole das queimadas, diversos países iniciaram questionamentos acerca da situação, os quais acarretaram em tensão diplomática. Nesta linha de frente crítica, a Finlândia, que ocupa a Presidência rotativa da União Europeia (UE), propôs que o Bloco europeu imponha sanções contra as importações de carne brasileira. O argumento finlandês é que o Brasil permite o desmatamento para ampliar a área para a intensificação da pecuária e da agricultura.

Mikko Kärnä – parlamentar finlandês

O jornal Helsinkitimes trouxe a declaração do membro do Parlamento finlandês na Lapônia, pelo Suomen Keskusta (Partido do Centro), Mikko Kärnä, sobre a pauta das queimadas na Amazônia brasileira, o qual afirmou: “Enquanto a União Europeia e outros países estão combatendo a mudança climática, as florestas tropicais estão sendo queimadas de forma implacável para abrir caminho para a produção de soja e pecuária no Brasil. Todo mundo que usa produtos direta ou indiretamente dependentes da soja brasileira está destruindo o clima. Precisamos ter a coragem de impor um boicote a todas as carnes brasileiras e produtos de soja, até que esse comportamento imprudente nas florestas tropicais tenha chegado ao fim”.

Os analistas compreendem a importância do combate das queimadas na Amazônia brasileira, assim como a necessidade de preservação, além da ascensão de modelos produtivos mais sustentáveis por parte dos Estados, todavia, apontam observadores que é necessário ter cautela para que medidas exageradas não sejam empregadas, visto que, infelizmente, as queimadas são rotineiras na Amazônia brasileira, bem como em várias outras áreas florestais pelo mundo, e, conforme afirmam alguns formadores de opinião, a perda de controle ocorreu apenas este ano (2019).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista da Floresta Amazônica próximo à cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/18/Amazon_CIAT_%285%29.jpg/1280px-Amazon_CIAT_%285%29.jpg

Imagem 2 Mikko Kärnä parlamentar finlandês” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Mikko_K%C3%A4rn%C3%A4.jpg

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Rússia realiza teste com míssil intercontinental em resposta simétrica aos EUA

Em 24 de agosto (2019), as Forças Armadas da Rússia realizaram testes com o lançamento de mísseis balísticos intercontinentais* a partir de submarinos nucleares posicionados no Oceano Ártico e no mar de Barents. Tais procedimentos, segundo informações, fazem parte das “medidas simétricas” que o Presidente russo, Vladimir Putin, exortou em uma reunião realizada de forma urgente com o Conselho de Segurança da Federação Russa, no dia anterior aos testes, quando foram direcionadas responsabilidades ao Ministério da Defesa, ao Ministério das Relações Exteriores e a outras instituições especiais, no intuito de analisar o nível de ameaça à Rússia criada pelas ações dos EUA.

Teste com míssil de cruzeiro norte-americano – Agosto 2019

As referidas manobras dos EUA, as quais a Rússia presta acusação, se baseiam em teste realizado em 18 de agosto, na ilha de San Nicolas, costa do estado da Califórnia, com artefato militar proibido pelo Tratado INF**, do qual as duas nações se retiraram por conta de alegações mútuas de desrespeito ao acordo bilateral. Na referida ocasião, o Departamento de Defesa norte-americano realizou um teste de voo de um projétil a partir de um sistema de lançamento vertical denominado Mark 41. Segundo informações do Pentágono, o artefato, que é uma variação de um míssil de cruzeiro de ataque terra-terra Tomahawk, atingiu com precisão um alvo localizado a mais de 500 quilômetros de distância no Oceano Pacífico.

Logo após o teste norte-americano, não só Rússia, como também a China, condenaram tais ações denunciando o risco de uma escalada de tensões militares e de retomada da corrida armamentista, podendo haver graves consequências negativas para a segurança regional e internacional.

Especificações de mísseis intercontinentais russos

Os mísseis russos utilizados nos testes pertencem às classes Bulava e Sineva, ambos do tipo SLBMs[vídeo 1] (sigla do inglês Submarine Launched Ballistic MissilesMísseis Balísticos Lançados de Submarinos), que têm como plataforma de lançamento, propriamente dita, os SSBNs (sigla do inglês Ship Submersible Ballistic missile Nuclear poweredSubmarino Nuclear Lançador de Mísseis Balísticos). As principais características técnicas dos mísseis são:

– Bulava (SS-NX-30), denominação OTAN SS-N-20 Sturgeon: É uma versão do mais avançado míssil balístico russo, o Topol-M (SS-27)[1]. Peso total de 36,8 toneladas com propulsão a partir de combustível sólido, possui segmentação de 3 estágios podendo transportar de 6 a 10 ogivas nucleares e atinge alvos a uma distância de até 10 mil quilômetros com precisão entre 250-300 metros.

Bulava (SS-NX-30)

– Sineva (RSM-54), denominação OTAN SS-N-23 Skiff[2]: Com peso total de 40 toneladas, é um míssil balístico intercontinental com propulsor líquido de 3a geração. Possui capacidade de transportar de 4 a 10 ogivas nucleares e atinge alvos a uma distância de até 11.500 quilômetros com precisão de 500 metros. Está equipado com contramedidas de defesa antimísseis e o seu curso pode ser corrigido com o auxílio de satélites de navegação.

Os submarinos nucleares russos responsáveis pelos lançamentos podem executar a manobra em movimento de até 13 quilômetros horários em uma profundidade de 55 metros, com capacidade de armazenamento de 16 mísseis cada, sendo que todo míssil pode carregar até 10 ogivas nucleares com capacidade de até 100 Kt (Quilotonelada de TNT – Trinitrotolueno) por unidade, quantidade de material explosivo suficiente para destruir uma cidade de grandes proporções.

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Notas:

* Um míssil balístico intercontinental é um projétil que segue uma trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após o míssil queimar todo o seu combustível (a sua trajetória fica governada pelas leis da balística – física). Para cobrir grandes distâncias, a trajetória dos mísseis balísticos atinge as camadas mais altas da atmosfera ou o espaço, efetuando um voo sub-orbital.

** Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force), o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano à época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância. No dia 18 de junho (2019), a Duma (Câmara Baixa da Rússia, similar à Câmara dos Deputados no Brasil) aprovou por ampla maioria (417 votos a favor e uma abstenção) a suspenção do Tratado. Esta votação é o resultado de vários anúncios proferidos pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, desde o dia 2 de fevereiro deste ano (2019), em resposta à decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, que, em 20 de outubro de 2018, anunciou que seu governo iria encerrar sua participação no referido Tratado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Lançamento de míssil Bulava no Mar de Barents” (Fonte): https://img.rg.ru/img/content/166/42/78/TASS_26944994_d_850.jpg

Imagem 2 Teste com míssil de cruzeiro norteamericano Agosto 2019” (Fonte): https://www.defense.gov/Newsroom/Releases/Release/Article/1937624/dod-conducts-ground-launch-cruise-missile-test/#pop3619408

Imagem 3 Especificações de mísseis intercontinentais russos” (Fonte): https://i.ytimg.com/vi/VRfsgTkJncc/hqdefault.jpg

Imagem 4 Bulava (SSNX30)” (Fonte): https://www.globalsecurity.org/wmd/world/russia/images/3m14-image244.jpg

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Fontes de Vídeos:

[Video 1]:“Lançamento de mísseis balísticos a partir de submarinos” (Fonte):

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Links apresentando as características técnicas dos mísseis russos:

[1] Ver: https://www.globalsecurity.org/wmd/world/russia/r29rmu.htm

[2] Ver: https://www.globalsecurity.org/wmd/world/russia/3m14.htm