AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

México, El Salvador, Guatemala e Honduras fecham acordo para atender fenômeno migratório

As Repúblicas do México, El Salvador, Guatemala e Honduras concordaram em construir um Plano de Desenvolvimento Integral para promover o desenvolvimento e as oportunidades da região, contribuindo para a prevenção do fenômeno migratório e atacando simultaneamente suas causas estruturais.

O ‘Triângulo Norte da América’ Central é composto por Guatemala, El Salvador e Honduras. Esses países compartilham um ponto de fronteira trifinio e são caracterizados por possuírem história, cultura e problemas sociais semelhantes, como o alto índice de violência

A ligação e as semelhanças entre o sul do México, El Salvador, Guatemala e Honduras enfatizaram a necessidade de abordar o fenômeno da migração como um problema complexo que requer governança adequada para facilitar a migração segura, ordeira e regular, de uma perspectiva regional e abrangente, bem como todo o ciclo da migração (origem, trânsito, destino e retorno), respeitando os direitos humanos.

Como parte das ações acordadas, será criado um fundo com o objetivo final de implementar o Plano de Desenvolvimento Integral, que inclui programas e projetos capazes de criar empregos e combater a pobreza.

Os líderes instruíram seus respectivos Ministérios estrangeiros, que irão trabalhar com o apoio da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal), para coordenar, durante o primeiro trimestre de 2019, as atividades de identificação e unificação das áreas de oportunidade existentes, bem como implementar o Plano de Desenvolvimento Integral em harmonia com os objetivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas e do Pacto global para as Migrações.

Após a assinatura do acordo, no último sábado (dia 1o de dezembro), pelos Chefes de Estado – Andres Manuel Lopez Obrador (México), Jimmy Morales Cabrera (Guatemala), Juan Orlando Hernández Alvarado (Honduras) e Oscar Samuel Ortiz Ascencio (El Salvador) – os países da América Central comemoraram a iniciativa do Presidente mexicano, que está comprometido agora em fortalecer o desenvolvimento social e combater as causas da migração.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa da América Central” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_na_Am%C3%A9rica_Central

Imagem 2O Triângulo Norte da América Central é composto por Guatemala, El Salvador e Honduras. Esses países compartilham um ponto de fronteira trifinio e são caracterizados por possuírem história, cultura e problemas sociais semelhantes, como o alto índice de violência” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Tri%C3%A1ngulo_Norte_de_Centroam%C3%A9rica

ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Espanha e China se aproximam estrategicamente na política e na economia

A Espanha recebeu o Presidente da China, Xi Jinping, antes da cúpula do G20 na Argentina. O objetivo do encontro foi reforçar as relações bilaterais entre os países. Segundo reportagem do El País, a principal motivação espanhola seria de caráter econômico, sobretudo no que diz respeito às exportações.

De acordo com o Observatório de Complexidade Econômica da Universidade de Harvard, a China representa apenas 2,2% das exportações espanholas, pouco menos de US$ 6 bilhões; já as importações compreendem 8,6%, cerca de US$ 26 bilhões, tornando-a o terceiro maior parceiro econômico espanhol, superando os Estados Unidos da América (EUA).

Xi Jinping, Presidente da China

O principal interesse chinês em sua política externa é a nova Rota de Seda (Belt and Road Initiative, BRI) e a Espanha poderia ser um parceiro importante na Europa, bem como na União Europeia. No entanto, o Governo espanhol acenou negativamente para o grande projeto logístico da China, que pretende escoar sua produção por terra e por mar através do espaço eurasiático, a fim de alcançar os mercados ocidentais.

Mesmo assim, Xi Jinping e Pedro Sanchez, Primeiro-Ministro espanhol, assinaram diversos acordos em vários segmentos com o objetivo de estreitar relações entre os Estados. Ademais, ainda que a Espanha não se posicione abertamente a favor da BRI, demonstra um evidente alinhamento com o país asiático. Vale ressaltar que os dois países possuem movimentos de independência em seus territórios – Catalunha, na Espanha; e Xinjiang, na China –, sendo ambos aliados em discursos contrários a secessões.

O posicionamento da Espanha favorável aos chineses aponta, em parte, para um desalinhamento às políticas adotadas pelos EUA. A expansão chinesa para o Ocidente não é novidade, mas a perda de terreno, sobretudo econômico, dos norte-americanos na Europa é um fenômeno recorrente, principalmente após a ascensão de Donald Trump à Presidência do país.

A Guerra Comercial entre China e EUA é uma importante evidência do incômodo do último em razão das investidas do primeiro. Resta saber se os Estados europeus permanecerão sob a influência não só política, mas principalmente econômica dos norte-americanos, ou se permitirão uma maior abertura às empresas chinesas e à sua política externa expansionista.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da Espanha” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/espanha-amarelo-vermelho-bandeira-518688/

Imagem 2Xi Jinping, Presidente da China” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/56046/photos/51177

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Shinzo Abe pode aceitar acordo de restituição de apenas dois territórios disputados

As negociações referentes às Ilhas Kurilas (denominação russa) ou Territórios do Norte (denominação japonesa) avançaram após a 33ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), no dia 14 de novembro de 2018. Dentre os quatro territórios disputados, o Japão possivelmente aceitará a restituição de somente dois, Shikotan e Habomai, enquanto o controle das maiores ilhas, Etorofu e Kanashiri, permanecerá sob domínio russo.

O território foi ocupado pela então União Soviética (URSS) em 1945, a partir do Acordo assinado na Conferência de Yalta, levando à expulsão dos habitantes japoneses que ali viviam. Apesar de no Tratado de Paz de São Francisco, de 1951, incluir a renúncia do Japão de direitos sobre as Ilhas Kurila, esses quatro locais não são mencionados no Documento, que não foi ratificado pela URSS. Desde então, o Japão tem tentado recuperar sua soberania sobre elas por meio de esforços diplomáticos.

Ilha de Etorofu

A decisão japonesa atual de aceitar Shikotan e Habomai tem como base a Declaração Comum Nipo-Soviética de 1956, que reestabeleceu a relação diplomática entre os dois países no pós-Segunda Guerra e definia que a então União Soviética as devolveria mediante um Tratado de Paz, selando as relações internacionais entre os dois países pós-Segunda Guerra.

A execução da negociação chamada “two plus alpha”, que consiste na devolução das ilhas menores (Shikotan e Habomai) e na ampliação de negócios realizados com as maiores (Etorofu e Kanashiri), pode permitir que, de fato, o Tratado seja finalmente finalizado, sendo uma vitória para o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe por conseguir um feito histórico há anos planejado.

Contudo, a posição anterior japonesa era de reconquistar todas as quatro Ilhas. Alguns analistas apontam que tal renúncia demonstra fraqueza, principalmente pela localização estratégica do local, que a Rússia pretende manter sobretudo para fins militares. Temendo que o Japão as utilize para exercer o acordo de defesa EUA-Japão, dificilmente o lado russo cederá às propostas da outra parte. Abe, em 2016, havia proposto a desmilitarização do território, que foi declinada por Putin e não foi debatida com os EUA.

O Primeiro-Ministro terá que demonstrar, então, que os acordos econômicos e o Tratado de Paz compensarão a desistência de reapropriação do território, diminuindo as críticas pela mudança de posicionamento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ilha de Kanashiri” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Kunashir_Island

Imagem 2 Ilha de Etorofu” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iturup

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Primeiro-Ministro de Singapura adverte que ASEAN poderá ter que optar por EUA ou China

No dia 15 de novembro de 2018, o Primeiro-Ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, afirmou que as nações do sudeste asiático poderão ser forçadas a optar por Estados Unidos ou a República Popular China. A advertência foi realizada durante o Encontro Anual da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês) realizado em Singapura. De acordo com Lee, “se a economia global se dividir em dois blocos antagônicos, os países membros da ASEAN estarão diante de uma  posição extremamente difícil”.

Países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês)

A afirmação de Lee se refere aos prejuízos que o acirramento das tensões entre Beijing e Washington podem provocar para a economia dos países do Sudeste Asiático. Isso porque, no âmbito comercial, a China é a maior parceira da ASEAN, correspondendo por 16% do total das transações externas, enquanto os Estados Unidos ocupam a terceira posição, representando 9,7% do comércio total do bloco.

Além disso, analistas sugerem que a polarização das relações entre EUA e China dificultará a possibilidade de soluções pacíficas para as disputas de soberania no Mar do Sul da China. Por um lado, Beijing percebe a presença militar estadunidense na região como potencial ameaça à liberdade de navegação de embarcações chinesas no Estreito de Malaca. Por outro, conforme ressaltou Mike Pence, Vice-Presidente dos EUA, a posição de Washington é: “o Mar do Sul da China não pertence somente a uma nação e os Estados Unidos continuarão a navegar e voar onde quer que o direito internacional permita e os nossos interesses nacionais demandem”. 

Desse modo, a necessidade de alinhamento automático com os EUA em detrimento da China (ou vice-versa) provocaria reduções nas taxas de crescimento econômico dos países do Sudeste Asiático. Ademais, incentivaria o recrudescimento da militarização das disputas territoriais no Mar do Sul da China. Por fim, pode-se concluir que a advertência do Primeiro-Ministro de Singapura possui relevância não só para os membros da ASEAN, mas para todas as nações cujas economias estejam interconectadas com as duas grandes potências. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1PrimeiroMinistro de Singapura, Lee Hsien Loong” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:LeeHsienLoongViet.jpg

Imagem 2Países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês)” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:ASEAN-PT.JPG

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Novas tensões entre Ucrânia e Rússia

As relações diplomáticas entre a Ucrânia e a Rússia passam novamente por momentos de tensão. No último domingo (25 de novembro 2018), três embarcações ucranianas foram detidas por navios russos no Estreito de Kerch, ligação entre o Mar Negro e o Mar de Azov, sob a alegação de que aqueles estariam invadindo o território marítimo russo. Essa justificativa foi dada pelo fato de o Estreito estar na Crimeia, região que era da Ucrânia, mas que atualmente faz parte da Federação Russa, efetivado em 2014.

O Serviço de Segurança Fronteiriça da Crimeia divulgou o seguinte comunicado: “Na manhã do dia 25, por volta de 07:00 no horário de Moscou, três navios da Marinha da Ucrânia violaram os artigos 19 e 21 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os quais definem o direito de um Estado costeiro em garantir a segurança marítima. Eles cruzaram a fronteira com o Estado russo e ilegalmente entraram no território marítimo russo que está temporariamente fechado”. Ainda de acordo com a Guarda Costeira, as embarcações ucranianas estavam realizando manobras perigosas e desobedecendo as autoridades.

Localização do estreito de Kerch

Nesse cenário apreensivo, navios russos foram liberados a abrir fogo para impedir a passagem. Vinte e quatro marinheiros a bordo das três embarcações foram detidos, dentre eles 3 teriam se ferido e estão internados em um hospital na Crimeia. Pela primeira vez, desde o início das tensões entre Ucrânia e Rússia, em 2014, ocorreu uma ofensiva militar direta entre os dois Estados, já que na Crimeia a luta é entre as forças ucranianas e os separatistas.

Diante disso, uma sessão de emergência sobre a situação foi convocada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde vários países demonstraram seu descontentamento quanto às ações russas. A embaixadora norte-americana, Nikki Haley, declarou que foi “uma violação ultrajante da soberania da Ucrânia. O impedimento do trânsito legal da Ucrânia através do Estreito de Kerch é uma violação do direito internacional. É um ato arrogante que a comunidade internacional deve condenar e que nunca aceitará”. Uma reunião também foi convocada pela Organização do Atlântico Norte (OTAN), em que o Secretário Geral, Jens Stoltenberg, afirmou que a Rússia usou força militar diretamente contra a Ucrânia e, portanto, terá que lidar com as consequências de seus atos.

O Governo ucraniano alega que a Rússia realizou um ato de agressão e colocou em risco a segurança e defesa do país. Por essa razão, o presidente Petro Poroshenko recomendou a decretação da lei marcial por 30 dias, a qual foi aprovada no dia 26 (2018), segunda-feira passada, pelo Parlamento Ucraniano. Ela prevê onze medidas, dentre as quais estão a movimentação de forças de reserva, o preparo da defesa aérea de empresas estatais estratégicas e ações de cibersegurança.

A partir dessa situação, analistas acreditam que novos desafios surgirão para a comunidade internacional, já que a conciliação entre a Ucrânia e a Rússia tornou-se mais distante e complicada. É provável que o Ocidente aplique novamente sanções econômicas aos russos, mas esse instrumento de política externa está se mostrando pouco efetivo com o passar do tempo, visto que as tensões na região permanecem e agora tendem a evoluir.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Onda de manifestações nacionalistas na Ucrânia em 2013” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/ce/Euromaidan_03.JPG/200px-Euromaidan_03.JPG

Imagem 2Localização do estreito de Kerch” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Estreito_de_Querche

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório sugere que EUA é incapaz de vencer guerra contra China e Rússia

No dia 14 de novembro de 2018, a Comissão de Estratégia e Defesa Nacional (NDCS, sigla em inglês) enviou para o Congresso dos Estados Unidos relatório acerca da correlação de forças militares entre as três grandes potencias do sistema internacional: EUA, Rússia e China. O documento também avaliou a adequação das diretrizes estabelecidas pela  Estratégia Nacional de Defesa (NDS, sigla em inglês) apresentada no dia 17 de dezembro de 2017 pelo Presidente Donald Trump. A NDCS é um comitê bipartidário, composto por oficiais do alto escalão de agências de inteligência e das Forças Armadas estadunidenses.

Dong-Feng 26, míssil balístico de alcance médio considerado elemento central da estratégia militar da China durante parada militar

De acordo com o relatório “o poder militar dos Estados Unidos – o núcleo de sua influência global e segurança nacional – erodiu para um nível perigoso”. Entre as causas apontadas para o declínio estão: (i) restrições orçamentárias ao setor de Defesa impostas pelo Ato de Controle Orçamentário de 2011; (ii) desenvolvimento de estratégias de combate não convencionais por parte de nações adversárias; e (iii) desfechos desfavoráveis em balanças de poder regionais na Europa Oriental, Oriente Médio e no Pacífico. Nesse contexto, a NDCS conclui que “as Forças Armadas dos EUA enfrentarão grandes dificuldades para vencer, ou até mesmo poderiam perder uma guerra contra Rússia e China”.

Em relação à NDS do Governo Trump, a Comissão considera que, apesar de apontar corretamente as ameaças enfrentadas pela nação norte-americana, o documento “se fundamenta em pressupostos questionáveis e análises fracas. Ademais, não responde questões críticas sobre como o país irá enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais perigoso”. Por conta disso, a NDCS recomenda não apenas a construção de novas capacidades materiais, mas também o desenvolvimento urgente de conceitos operacionais que norteiem uma estratégia coerente de contenção dos interesses de Rússia e China.

Conforme argumenta Christopher Layne, pesquisador da Escola de Governo e Serviço Público George Bush, a primazia militar estadunidense foi elemento definidor da hierarquia interestatal desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Portanto, caso a redução do hiato das capacidades militares de EUA, Rússia e China apontadas pela NDCS se confirme, o cenário de ampliação dos conflitos de interesses entre esses três países se torna mais provável. Do ponto de vista dos demais Estados, o desafio que se impõe consiste na manutenção de autonomia externa em um contexto internacional no qual há indefinição na correlação de forças entre as grandes potências.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o VicePresidente do país, Mike Pence, durante parada militar” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Donald_Trump,_Mike_Pence_saluting_at_Inaugural_parade_01-20-17.jpg

Imagem 2DongFeng 26, míssil balístico de alcance médio considerado elemento central da estratégia militar da China durante parada militar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/DF-26#/media/File:Dong-Feng_26.JPG