AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Evo Morales inicia campanha ao 4º mandato na Bolívia

Em 18 de maio de 2019, na pequena cidade de Chimoré, Departamento de Cochabamba, na região central da Bolívia, Evo Morales deu início à sua campanha para a reeleição que poderá levá-lo ao quarto mandato. O candidato participou de caminhada, ao lado do seu vice Álvaro Garcia, e discursou para um público que foi estimado em mais de um milhão de pessoas de todo o país.

Na Presidência da Bolívia desde 2006, Morales teve seu pleito à nova candidatura derrotado no Referendo de 2016, que ratificou a restrição imposta pela Constituição de 2009 de uma única reeleição. Seu Partido apelou ao Tribunal Constitucional Plurinacional, que em novembro de 2017 o autorizou a participar das prévias. A decisão julgou que o direito político estabelecido no Artigo 23 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos se sobrepunha à Carta Magna. Em dezembro de 2018, o Tribunal Supremo Eleitoral habilitou sua candidatura para as eleições de 2019.

Em visita à Bolívia um dia antes do início da campanha, o Secretário-Geral da OEA, Luís Almagro, declarou que a candidatura de Morales tinha respaldo jurídico legal. O Secretário chamou de “disparate a acusação, por parte da oposição, de estar defendendo o boliviano em troca de apoio para sua própria reeleição à OEA. Almagro, cujo mandato termina em maio de 2020, sete meses depois das eleições bolivianas, foi eleito em 2015 com 33 votos mais 1 abstenção dos 34 estados-membros e necessita de maioria simples (metade mais um, ou 18 votos) para uma possível reeleição.

Almagro ainda reforçou que não entende a reeleição como um direito humano, mas que a decisão da Suprema Corte Boliviana é soberana e, portanto, não pode ser contestada por instituições supranacionais. Durante a visita do Secretário, o Governo da Bolívia firmou acordo com a OEA para o envio de Missão de Observação Eleitoral para acompanhar o pleito, ocasião em que o Executivo boliviano convidou a ONU e a União Europeia a também enviarem observadores.

Chanceler da Bolívia assina acordo com Secretário-Geral da OEA

Opositores solicitaram apoio do Governo da Colômbia para realizar consulta à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) quanto à interpretação do Artigo 23 da Convenção Americana de Direitos Humanos. O Chanceler da Bolívia, Diego Pary, esclareceu que qualquer país-membro da OEA pode consultar a CorteIDH por intermédio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Entretanto, ele alega que não se pode encaminhar consulta sobre caso específico nem a resposta pode alterar a decisão da Corte Boliviana. Concluiu por lembrar que a Bolívia não interfere em assuntos internos da Colômbia e que espera daquele país a mesma postura respeitosa.

No comício de campanha, Morales ressaltou o desenvolvimento do país sob sua gestão, reconhecido inclusive por organismos multilaterais. Em meados de 2018 ele realizou viagens internacionais para estabelecer acordos com a Rússia e com a China. Em 17 de abril 2019 foi a Dubai visando atrair investidores dos Emirados Árabes Unidos. E, poucos dias antes, conseguiu que, pela primeira vez na história, um Presidente da Índia visitasse a Bolívia, quando firmaram diversos acordos de cooperação bilateral.

Pesquisa recente realizada pela Tal Cual para o periódico La Razón aponta 38,1% de intenção de votos para Evo Morales e 27,1% para Carlos Mesa, seu principal concorrente. O candidato Óscar Ortiz obteve 8,7%, bem abaixo dos 16,2% de votos ocultos (não sabe/não quis responder). Em La Paz e capitais de Departamento, Carlos ultrapassa Morales com 32,6% contra 31%, mas nas cidades médias e zona rural perde por diferença superior a 30 pontos. O maior percentual a favor de Evo por Departamento é de 47%, em Cochabamba, o que explica o fato dele ter iniciado ali a sua campanha.

A segunda parte da pesquisa trata da economia e 60% dos entrevistados declararam que vivem “muito melhor” que seus pais e 71% crê que seus filhos viverão “muito melhor”. No total são 8 candidatos disputando o posto de Executivo e o percentual de votos ocultos ocupa a 3ª posição na média. Esse cenário favorece a Evo que tem inclusive o apoio da antes antagonista Central Obrera Boliviana (COB), similar à brasileira Central Única dos Trabalhadores. Confiante, ele desafiou a oposição a se unir em torno de uma candidatura e de um partido para enfrentá-lo, o que já foi descartado de imediato por 3 candidatos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Evo Morales inicia campanha em Chimoré” (Fonte): https://www1.abi.bo/fotografias/2019/05/18/0061.jpg

Imagem 2 Chanceler da Bolívia assina acordo com SecretárioGeral da OEA” (Fonte): http://www.cancilleria.gob.bo/webmre/system/files/images/WhatsApp%20Image%202019-05-17%20at%2014_45_23.jpeg

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Governo mexicano se reúne na fronteira sul para debater migração

No último sábado (dia 25 de maio), o Governo mexicano realizou uma reunião na sede do Instituto Nacional de Migração (INM) em Tapachula, Chiapas, a fim de ouvir as experiências e opiniões dos cônsules que acompanham o fenômeno migratório na região fronteiriça do México com a Guatemala.

A reunião contou com a presença de funcionários da Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AMEXCID) e do Instituto Nacional de Migração (INM). Foram discutidos temas gerais que estão ligados ao fenômeno migratório, como transporte, segurança e direitos sociais.

Fronteira México-Guatemala

O INM anunciou recentemente que concluiu um acordo com a Comissão Mexicana de Ajuda a Refugiados para simplificar os procedimentos dos requerentes de refúgio para facilitar o credenciamento. Além disso, espera-se ampliar a comunicação com o Conselho da Magistratura e Tribunais Federais visando salientar a necessidade de levantamentos judiciais para facilitar o retorno assistido.

Cônsules e autoridades mexicanas concordaram em reativar a interconexão ferroviária entre o México e a América Central, e em criar um canal de comunicação direta com a empresa de transportes local, a fim de corrigir todas as deficiências dos processos de regularização de retorno assistido. Um contato do INM já foi nomeado para a Embaixada do México na Guatemala para coordenar as novas atividades.

A Diretora Executiva da AMEXCID, Dra. Laura Elena Carrillo, explicou aos participantes o papel da Agência em relação ao Plano de Desenvolvimento Regional com a América Central. A esse respeito, indicou que o objetivo é redirecionar a cooperação internacional para que ela não seja reativa, mas preventiva e resiliente; que procure abordar as causas estruturais da migração através do desenvolvimento econômico e social da região, melhorar as condições de vida das pessoas, para que a migração seja uma opção e não uma necessidade.

Rota migratória

Posteriormente, a delegação do Ministério das Relações Exteriores visitou o parque agrícola de Puerto Chiapas para conhecer as oportunidades de investimento para o desenvolvimento regional. O diretor geral da Administração do Porto Integral de Puerto Madero, Roberto Mendoza, indicou que as diretrizes de operação já estão definidas.

Finalmente, a delegação do SRE e INM, acompanhada pelo general Filiberto Oropeza, do Ministério da Defesa Nacional, e o Comissário Alfredo Delgado Drualliet, Delegado Estado da Polícia Federal em Chiapas, se reuniu com o Prefeito de Tapachula, Dr. Oscar Gurria Penagos, a quem agradeceu o apoio da Câmara Municipal para o trabalho de atenção à migração feita pelo Governo Federal nos últimos meses, e foi informado que o AMEXCID pretende buscar investimentos estratégicos em áreas que favoreçam o desenvolvimento regional no marco do Plano de Desenvolvimento Integral com a América Central.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Migrantes pulam de trem em movimento na fronteira mexicana” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/2014_American_immigration_crisis

Imagem 2Fronteira MéxicoGuatemala” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Border_Mexico-Guatemala.jpg

Imagem 3Rota migratória” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Migrant_caravan.pdf

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A influência da Turquia na política do Oriente Médio

A Turquia é um país que possui um importante papel na dinâmica política do Oriente Médio. Não somente pelo tamanho de sua população, mas também pela relação histórica que há com os países da região. Por séculos, foi o centro político e decisório, através da administração do Império Otomano.

Na atualidade, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, tratou de implementar políticas visando trazer força de lei aos costumes vinculados ao Islã. Também vinculou sua figura com uma forte defesa dos interesses nacionais turcos, bem como de suas instituições e da modernização do país.

Desde que assumiu como Primeiro-Ministro, em 2003, fez uma série de ações que visavam desde colocar a Turquia no G20, e expandir seu papel na União Europeia, a financiar a ação de imãs em Mesquitas pelo Oriente Médio, África e Europa. Também construiu Mesquitas em outros países, financiou cursos da língua turca e deu apoio estratégico direto, como a construção de uma base militar na Somália, acompanhada do treinamento de 10 mil soldados no país.

Ao mesmo tempo que se tornava popular fora da Turquia, os constantes atritos com militares e secularistas culminaram em uma tentativa de Golpe de Estado. Esta foi levada à cabo em julho de 2016, por um grupo das Forças Armadas, autointitulado Conselho pela Paz Nacional.

A movimentação foi detida pelo governo, além de ser repudiada pela população com protestos nas ruas. Uma vez derrotado o grupo de militares, a euforia pavimentou o caminho para a condução de um referendo que concentrava funções e aumentou o poder de decisão nas mãos do Chefe do Executivo, que ocorreu em 2017.

Em julho de 2018, à frente do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), tornou-se o primeiro mandatário na história do país a assumir a posição de Presidente por meio do voto. Antes do referendo o cargo era indicado pelo Parlamento.

Erdogan em comício de campanha para as eleições presidências, em 2018

Este processo diminuiu a influência dos militares sobre o governo. Como muito países do Oriente Médio, a Turquia havia enfrentado um histórico de democracia tutelada pelas Forças Armadas. Por isso, as reformas que permitem ao Presidente possuir mais poder do que outros grupos de interesse estão sendo vistas em outros Estados da região como um modelo.

Para além da proximidade no diálogo, outros países no Oriente Médio enxergam na política perseguida por Erdogan uma forma de tornar funcionais suas instituições internas. Distintos fatores, como a consolidada taxa crescimento econômico de 5,4% por ano entre 2003 e 2015, aliada a difusão cultural de novelas e filmes turcos, transmitiram e consolidaram a imagem de um país moderno.

O governo da Turquia tem tomado posições firmes com relação a declarações dos Estados Unidos e ações de Israel na região, oficialmente condenando a posição da administração Trump quanto à posse das Colinas de Golã e da Faixa de Gaza por Israel. Também promoveu apoio ao Qatar para mitigar os efeitos do bloqueio e participa ativamente das negociações para resolução do conflito da Síria. Também figura como aliado estratégico para russos e chineses na região.

Para além da movimentação diplomática, também abriu as portas do país a 3,2 milhões de imigrantes sírios, revogou vistos para cidadãos de outros países árabes entrarem na Turquia e criou bolsas que permitiram que ao menos 72 mil estudantes na região fossem estudar em universidade turcas.

Erdogan recebe o Presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, em Ankara, em abril de 2019

O conjunto destes fatores transformou o mandatário em uma figura querida no Oriente Médio. Não é incomum a alusão de que seria um novo “sultão”, em referência aos antigos regentes do Império Otomano.

Dentre aqueles que buscam inspiração no modelo empreendido na Turquia está o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi. O General da reserva nunca escondeu sua admiração por Erdogan e buscou realizar um referendo de natureza semelhante em 2019. Sua imagem também é vista positivamente em países como a Síria e a Palestina, que veem em Erdogan um aliado.

Dentre as críticas à figura do Presidente, existe o problema que representa sua figura autoritária, além das acusações de corrupção e de perseguição à opositores. A Human Rights Watch reportou que quase um quinto da população carcerária na Turquia, 48.924 pessoas, está presa por acusação de terrorismo e crimes políticos. Ações militares contra o Curdistão e associação à Irmandade Muçulmana são outros elementos vistos com preocupação.

A presente recessão que o país enfrenta é também encarada como elemento complicador nas ambições políticas de Erdogan. No entanto, para muitos analistas, a sua figura, bem como a do governo turco permanecerão como modelo influente. Em pesquisa feita pelo Arab Barometer, em distintos Estados da região, 50% dos entrevistados afirmavam desejar que seus países possuíssem mais relações comerciais com a Turquia e 43% afirmou desejar que a influência turca na região aumentasse.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Recep Tayyip Erdogan em frente a membros do Parlamento Turco” (FontePágina Oficial no Facebook do presidente Erdogan): https://www.facebook.com/RecepTayyipErdogan/photos/a.370422308576/10155974851003577/?type=3&theater

Imagem 2Erdogan em comício de campanha para as eleições presidências, em 2018” (FontePágina Oficial no Facebook do presidente Erdogan): https://www.facebook.com/RecepTayyipErdogan/photos/a.370422308576/10155870525368577/?type=3&theater

Imagem 3Erdogan recebe o Presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, em Ankara, em abril de 2019” (FontePágina oficial da Presidência da Turquia no Facebook): https://www.facebook.com/trpresidency/photos/a.804669166317302/2510755922375276/?type=3&theater

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relações Franco-Angolanas e a Organização Internacional da Francofonia

O continente africano em sua diversidade histórica e heranças do período colonial apresenta a multiplicidade de idiomas como uma das suas especiais características. Somado a este fator, também se observa o diálogo entre os países que possuem similaridades histórico-culturais, por vezes utilizando a facilidade linguística para ampliar as relações político-diplomáticas e incrementar a Cooperação e o Comércio.

Na conjuntura atual da África, pode-se mencionar a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial e Moçambique) e a Liga dos Estados Árabes (Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos, Mauritânia e Sudão). De caráter análogo às Instituições extra-regionais supracitadas, a Organização Internacional da Francofonia (OIF) está inserida nas dinâmicas do continente africano.

A OIF desenvolve suas atribuições em um mundo onde, aproximadamente, 300 milhões de pessoas são francófonas – segundo dados da Organização do ano de 2018. Criada em 1970 como um fórum de cooperação multilateral, a OIF possui como objetivo o fortalecimento dos laços entre os 88 Estados Membros, incluindo os Permanentes, os Membros Associados e os Observadores.

Logo da Organização Internacional da Francofonia

Com a intensão de integrar o quadro de Membros Observadores da OIF, o Ministro das Relações Exteriores de Angola apresentou a candidatura do seu país à Secretaria Geral da Organização, no mês de maio de 2019. Além do desejo em ampliar o escopo de suas relações internacionais, também se encontra a relevância dada aos diálogos regionais, como é o caso da República Democrática do Congo, país vizinho de Angola que possui o Francês como língua oficial.

No tocante à relação bilateral Franco-Angolana, estas iniciaram em 1977, porém passaram a ser aprofundadas em 2008. De forma complementar, cabe mencionar a parceria existente na área de investimentos externos, principalmente no setor petrolífero.

Identificam-se como eixos do processo de cooperação bilateral os setores educacionais, pesquisa e cultural, de acordo com a Embaixada francesa em Angola. Dentre as iniciativas existentes que se relacionam com a candidatura angolana a OIF está a difusão do idioma. O projeto, iniciado em 2008, objetiva a inclusão do ensino do francês como componente de língua estrangeira nas Universidades angolanas.

Bandeira e, ao fundo, a Assembleia Nacional de Angola

A iniciativa do Governo angolano de inserção diversificada em fóruns de negociações e cooperação multilateral pode ser identificada como uma atuação expressiva na busca por novos investimentos e aprofundamento de parcerias no cenário exterior. Especificamente no caso da integração com a OIF, compreende-se que tal interesse se atribui às relações já estabelecidas com a França. Soma-se a este fator a esfera regional, uma vez que apenas no continente africano encontram-se 30 países* com status de Membro Permanente da Organização.

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Nota:

*  Benin; Burkina Faso; Burundi; Cabo Verde; Camarões; República Centro-Africana; Chade; Comores; Congo Brazzaville; República Democrática do Congo; República da Guiné; Costa do Marfim; Djibouti; Egito; Gabão; Gana; Guiné-Bissau; Guiné Equatorial; Madagascar; Mali; Marrocos; Maurício; Mauritânia; Níger; Ruanda; São Tomé e Príncipe; Senegal; Seychelles; Togo; Tunísia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Francofonia: Estados membro em destaque azul; Estados Associados em azul claro; Estados observadores em verde; e Estados suspensos em vermelho”(Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_Internacional_da_Francofonia#/media/File:Map-Francophonie_organisation_en.svg

Imagem 2Logo da Organização Internacional da Francofonia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Flag_of_La_Francophonie.svg

Imagem 3 Bandeira e, ao fundo, a Assembleia Nacional de Angola” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Angola#/media/File:Angola_National_Assembly_Building_(19898889148).jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Proposta de recuperação diplomática no encontro entre Rússia e EUA

Um importante passo na área da diplomacia internacional foi dado no último dia 14 de maio (2019), quando EUA e Rússia, duas das principais superpotências da atualidade, tiveram um encontro de seus mais elevados representantes para discutir questões inerentes aos dois países, as quais estão afetando não só suas relações bilaterais, mas, também, poderão deixar um grave desbalanceamento geopolítico mundial se não forem direcionadas a uma resolução pacífica.

Mike Pompeo, Secretário de Estado dos EUA, desembarcou na cidade russa de Sochi, localizada na costa do Mar Negro, e se reuniu, primeiramente, durante 90 minutos, com o presidente russo Vladimir Putin, que deu as boas vindas ao representante norte-americano, ao mesmo tempo em que recebeu de Pompeo o briefing da reunião a ser realizada principalmente com o Ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov.

As conversações realizadas foram pautadas em assuntos que são destaques na mídia internacional por sua enorme relevância e, diretamente, envolvem as duas nações, que, na maioria das vezes, estão em lados opostos das posições tomadas, o que deteriora os anseios das relações internacionais e as expectativas da comunidade internacional.

Além da discussão sobre pontos basilares, tais como a promoção de estabilidade geopolítica, a luta contra o terrorismo, o controle de armas, a não proliferação nuclear e a construção do diálogo de segurança estratégica, Pompeo e Lavrov focaram em assuntos que ultrapassam as fronteiras de seus países, mas, que, pela forma como vem sendo tratados, e pelo envolvimento das duas potências, levantam suspeitas e juízos prévios, entre elas. São eles:

Confrontos entre manifestantes e a polícia na Venezuela

A crise na Venezuela

Pompeo e Lavrov trataram da questão da Venezuela e o primeiro pediu para Moscou retirar seu plano de apoio a Caracas, o que foi recusado. O Secretário norte-americano reiterou a urgência da saída de Nicolás maduro do poder, declarando o quanto é extrema a situação do povo venezuelano e esperando que a Rússia entenda isso e tome outros caminhos nesta crise. Em resposta, Lavrov denunciou as “ameaças” dos EUA contra o regime venezuelano. Nas últimas semanas, a Rússia e os Estados Unidos acusaram um ao outro de interferência na Venezuela, devastada pela crise. Moscou é um aliado essencial de Maduro, enquanto Washington apoia o líder da oposição, Juan Guaidó, autoproclamado Presidente Interino venezuelano.

Hassan Rohani – Presidente do Irã

Tensões renovadas com Irã

Desde que o presidente norte-americano Donald Trump anunciou, em 2018, a retirada dos EUA do Acordo Nuclear com o Irã, sua administração tem lentamente reativado um processo de punição a nação persa. Na semana passada, o Irã informou que diminuiria seus compromissos nucleares e, em resposta, os Estados Unidos aplicaram novas sanções aos produtos do país, o que fez o governo do presidente iraniano Hassan Rohani afirmar que os norte-americanos desencadearam a “guerra total”. Como russos e iranianos são aliados no apoio ao regime sírio de Bashar al-Assad, há certos alinhamentos políticos que se contrapõem aos preceitos norte-americanos, o que foi reiterado nesta reunião após declaração de Lavrov, quando chamou de “ilegítimas” as sanções norte-americanas e incentivou as nações europeias a cumprirem o acordo firmado com o Irã, no tocante ao comércio multilateral, o que será improvável, devido ao receio de que as referidas sanções se estendam a quem se relacionar com o Irã.

Principais mísseis norte-coreanos e seu alcance máximo ao redor do mundo

Desnuclerização norte-coreana

Outro ponto importante tratado na reunião foi a proposta de reivindicar ao Governo da Coreia do Norte que inicie processo de desnuclearização da península. Segundo Pompeo, EUA e Rússia “compartilham o mesmo objetivo” em relação à questão nuclear norte-coreana, e esperam poder encontrar os meios “para trabalhar juntos”. O presidente Putin “entende que os Estados Unidos terão um papel líder” neste processo, disse o Secretário de Estado russo. Moscou defende o diálogo com a Coreia do Norte seguindo o roteiro definido por China e Rússia, que pede a suspensão das sanções internacionais. Já Washington acusa Moscou de ajudar Pyongyang a driblar tais sanções.

Segundo analistas, os frutos dessa reunião ainda são incertos, devido ao grande distanciamento político entre EUA e Rússia, e novas conversas poderão ser retomadas, agora pelos Presidentes das duas nações, em encontro a ser acertado para junho de 2019, na reunião do G20, a ser realizada no Japão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro entre Mike Pompeo e Sergey Lavrov” (Fonte): https://www.pbs.org/newshour/world/pompeo-and-lavrov-see-hope-for-improved-u-s-russia-ties

Imagem 2 Confrontos entre manifestantes e a polícia na Venezuela” (Fonte): https://www.hrw.org/view-mode/modal/303179

Imagem 3 Hassan Rohani Presidente do Irã” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rohani#/media/File:Endorsement_of_Hassan_Rouhani%27s_second_term_18.jpg

Imagem 4 Principais mísseis nortecoreanos e seu alcance máximo ao redor do mundo” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Dprk-infographic_nti-version_170213_print.pdf

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A reaparição de al-Baghdadi e o futuro do Estado Islâmico

Depois de haver sido considerado morto, Abu Bakr Al-Bagdadhi, o líder supremo do Estado Islâmico (EI – ou Daesh, ou ISIS como também é nomeado), reapareceu para o público em um vídeo divulgado através da rede Al-Furqan, mecanismo mediático da organização, no dia 29 de abril.

Políticos e especialistas interessados no Oriente Médio buscam compreender o significado de sua repentina reaparição. Al-Baghdadi não havia se manifestado desde 2018, data da divulgação dos últimos áudios atribuídos a ele, já que setores das Forças Armadas russas haviam afirmado a possibilidade de o líder terrorista haver sido eliminado já em 2017.

Sua última aparição pública registrada em vídeo ocorreu em junho de 2014, quando discursou na Grande Mesquita al-Nuri, após a tomada da cidade de Mosul. Neste momento, al-Baghdadi aparecia como autoproclamado Califa, em território na Síria e Iraque, com extensão semelhante à do Reino Unido.

Na aparição recente, uma figura mais envelhecida abandona a postura clerical, posando em trajes militares junto a um fuzil. Em sua mensagem, agradece o apoio de militantes no Mali e Burkina Faso, bem como louva o sacrifício de combatentes das mais distintas nacionalidades na Síria. Lista recentes atos terroristas, como uma forma de vingança a ser perseguida pelas perdas que a organização sofreu nos últimos anos.

A mudança em sua postura poderia indicar para alguns uma alteração em relação ao público com quem o ISIS busca dialogar. Para o Primeiro-Ministro do Iraque, Adel Abdul Mahdi, o vídeo foi uma “tentativa de motivar militantes e que o Daesh buscará novos ataques”.

O Estado Islâmico é hoje um problema difícil de caracterizar dentro da dinâmica política do Oriente Médio. Outrora detentor de uma pujante organização militar, com um exército que tomava cidade após cidade na região, atualmente, seus combatentes vêm sendo encurralados em combates, detidos ou mortos pelas forças de segurança dos governos locais.

Combatentes do Estado Islâmico desfilam após a tomada da cidade de Raqqa, no norte da Síria, em 2014. O grupo declarou a cidade como sua capital no mesmo ano

O ISIS não possui mais uma base física desde que as forças do governo da Síria em conjunto com SDF (Syrian Democratic Forces, grupo curdo que atua na região) expulsaram-no da cidade de Baghouz, na Síria. Ainda assim, muitos não consideram que seja uma ameaça desprezível, sobretudo pela capacidade de suscitar ações desestabilizadoras em distintos lugares.

Em sua breve aparição, o líder supremo da organização fez menções aos ataques ocorridos no Sri Lanka* e à batalha por Baghouz. Segundo reportou a Al-Jazeera, Baghdadi salienta o que os  “irmãos no Sri Lanka acalentaram os corações dos monoteístas, porque seus atentados sacudiram as camas dos cruzados durante a páscoa, para a vingança dos irmãos em Baghouz”**.

A alusão aos dois eventos do passado próximo representa para alguns analistas a determinação de que o vídeo é de fato recente. Além disso, pode indicar um incentivo à outra forma de ação, migrando de recrutar combatentes estrangeiros para uma disputa territorial, para uma ação terrorista transnacional, através de células adormecidas da organização.

Para além de suscitar o debate sobre a possibilidade de uma nova ascensão do Estado Islâmico, ou uma transformação nas atividades do grupo, a divulgação do vídeo no final do mês passado (Abril) produziu uma mobilização de alerta. O Reino Unido esclareceu que tropas da Real Força Área começaram imediatamente ações na Líbia, visando capturar o líder insurgente.

Também foi reafirmado pelo governo do Iraque que a organização permanece sendo uma “poderosa ameaça ao mundo”. Quanto à localidade do vídeo, somente foi afirmado que ele foi gravado em “uma localidade remota”, como um deserto. Especialistas em segurança divergem quanto as possibilidades. Hisham al-Hashemi, especialista em segurança para o governo do Iraque, afirma que o mais provável é que o outrora proclamado Califa encontre-se em um deserto na Síria ou no Iraque, localidades onde há ação de grupos de seus seguidores.

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Notas:

* Referência aos ataques do dia 21 de abril de 2019 (domingo de Páscoa), cuja autoria foi assumida pelo ISIS. Uma série de ataques à bomba em hotéis e igrejas cristãs na cidade de Colombo, capital do Sri Lanka, deixou 257 mortos e mais de 500 feridos.

** No contexto da mensagem, os “Monoteístas” são os seguidores do ISIS, enquanto os identificados como “cruzados” são os cristãos vitimados pelos ataques na Páscoa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O estandarte negro que foi proclamado como bandeira do Estado Islâmico” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Islamic_State_of_Iraq_and_the_Levant#/media/File:AQMI_Flag_asymmetric.svg

Imagem 2Combatentes do Estado Islâmico desfilam após a tomada da cidade de Raqqa, no norte da Síria, em 2014. O grupo declarou a cidade como sua capital no mesmo ano” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e1/ISIS_enters_Rakka.jpg