EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Tensão entre a Turquia e o Ocidente após aquisição de armamento russo

A Turquia anunciou a compra de um sistema de defesa antiaérea S-400, como parte de um programa de aquisição de equipamento da Rússia. As primeiras baterias foram entregues em Ankara no dia 12 de julho de 2019.

O país é um parceiro estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Desde sua entrada na OTAN, em 1952, três anos após o surgimento do Bloco, a Turquia tem atuado de maneira presente para a consolidação dos objetivos estratégicos que este possui.

Como retaliação, em vista da compra do sistema S-400, os Estados Unidos decidiram suspender a cooperação com a Turquia em programas de defesa. Na quarta-feira, dia 17 de julho, foi anunciado que o tradicional aliado estava suspenso da sua participação no programa F-35.

De acordo com a Casa Branca, a associação de equipamento russo é incompatível e põe em risco o desenvolvimento do programa de caças. O sistema de defesa antiaérea requer o uso combinado de radares, lançadores de projeteis e outros equipamentos, dentre estes as aeronaves. Caso a Turquia fizesse uso de ambos sistemas, isso iria requerer que estes atuassem de forma integrada.

Tendo em vista que o objetivo do F-35 é ser um caça “invisível”*, a associação a um sistema de defesa controlado por terceiros poderia comprometer sua principal característica. O governo turco argumenta que os equipamentos não seriam integrados ao sistema da OTAN, não colocando riscos aos interesses da Aliança

Protótipo do caça F-35

O governo de Ankara reagiu imediatamente à decisão e conversas diplomáticas de alto nível foram estabelecidas já no dia 18 de julho para tentar mitigar os efeitos desta suspensão. Esta representaria perdas em distintos aspectos. Para além dos efeitos que a suspensão do repasse de 30 aeronaves ao país causaria em sua capacidade militar, a Turquia sofreria pesados efeitos econômicos, pois, a indústria local produz 900 componentes destinados ao novo jato de combate. No entanto, o país iniciou conversas para produzir componentes do sistema de defesa russo.

A busca do governo turco por uma aquisição deste porte com um rival global da OTAN representa uma mudança na postura diplomática, que não privilegia exclusivamente os aliados Ocidentais, refletindo, também, uma série de descontentamentos turcos com seus tradicionais aliados.

Políticas como o armamento pelos Estados Unidos das Forças Democráticas da Síria (grupo curdo atuando na fronteira do país com a Turquia) desagradaram a Ankara. O Porta-Voz da Presidência turca, Ibrahim Kalin, declarou em artigo a Bloomberg que uma aliança não significa que “alguns membros são livres para impor suas agendas a outros”; declarou também que os repetidos pedidos para combater forças curdas e o movimento de Gulen nunca foram correspondidas e que a aquisição de tais sistemas se fez uma “necessidade”.

Nesta segunda-feira, dia 22 de julho, uma missão diplomática dos Estados Unidos desembarcou em Ankara para discutir possibilidades para a superação dos entraves. O Secretário-Geral da OTAN, Jen Stoltenberg, afirmou que a Turquia ainda pode ser inserida no sistema do Bloco, apesar do uso de armamento russo, afirmando que o país é um aliado importante e sua saída seria danosa à Organização.

O temor existe de que eventuais embargos levariam a Turquia a buscar uma posição mais isolada, ou alinhada com países com interesses distintos dos Estados Unidos e Bloco Europeu. Neste caso, a posição estratégica turca poderia ser usada de forma prejudicial ao grupo europeu. Também há o temor de que o país deixe de respeitar certas medidas, como não avançar militarmente sobre a região curda na Síria, ou não se comprometa com a criação de uma zona de contenção na região.

O chanceler turco Hulusi Akar afirmou que a decisão estadunidense é “unilateral e injusta” e que espera que os Estados Unidos possam “evitar passos que produzam danos a ambos países, preservando direitos da Turquia enquanto aliado”.

———————————————————————————————–

Nota:

* Convencionou-se chamar de “invisíveis” aeronaves que possuem uma série de tecnologias que permitem reduzir emissão de frequências de radar, de rádio, elétricas, entre outras que tornem as aeronaves detectáveis. Estes elementos constituem técnicas singulares para evitar deixar traços detectáveis por equipamentos, por conta disso possuem grande valor estratégico.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Lançadores de mísseis do sistema de defesa russo, S400” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:%D0%A1-400_%C2%AB%D0%A2%D1%80%D0%B8%D1%83%D0%BC%D1%84%C2%BB.JPG

Imagem 2Protótipo do caça F35” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Lockheed_Martin_F-35_Lightning_II#/media/File:F-35A_-_Inauguration_Towing.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidentes Putin e Lukashenko discutem sobre a União da Rússia e Bielorrússia

Nos dias 17 e 18 de julho, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente da Bielorrússia (ou Belarus), Alexander Lukashenko, realizaram reuniões informais às margens do Fórum das Regiões Russas e Bielorrussas, em São Petersburgo. As expectativas eram positivas, esperava-se que os dois líderes discutissem sobre questões estratégicas e de integração entre os dois países, principalmente referente ao Tratado firmado no final da década de 1990.

Em 1999, a Belarus e a Federação Russa acordaram a criação da União da Rússia e Bielorrússia, uma entidade supranacional em semelhança com a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Entretanto, a União não se realizou por completo, com cada Estado ainda seguindo soberano e independente, porém, mais próximos economicamente.

A reunião de Putin com Lukashenko, portanto, foi uma oportunidade para alinhar as demandas necessárias para que a Entidade prossiga em pleno funcionamento. De acordo com o Presidente da Bielorrússia, “nosso Tratado da União completará 20 anos em dezembro e eu acho que nem uma única questão deve ir além dessa data. Estamos pressionados pelo tempo. O que devemos dizer quando celebramos o aniversário? Não teremos nada a dizer se não conseguirmos resolver todas as questões pendentes e assinar um programa que determine nossas atividades futuras”.

Em vista do prazo curto, algumas decisões já foram colocadas na pauta da conversa entre os dois líderes. Ambos concordaram em vários pontos referentes às áreas de desenvolvimento do processo de integração da União e aprovam a implementação de um documento que planeje ações futuras e soluções para possíveis problemas.

Uma das propostas de confecção de bandeira que representaria a entidade supranacional, a União da Rússia e da Bielorrússia

Há ainda muito a ser discutido para que a Entidade esteja totalmente implantada, como questões econômicas, comerciais e até políticas. Por exemplo, o Ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Oreshnkin, afirmou que é preciso cautela em relação à possibilidade de unir a moeda e política monetária dos dois países. Não há pressa para resolver esse assunto, visto que para implementar um programa desses é preciso estudo detalhado sobre as implicações futuras na economia.

Em contrapartida, ambos os países concordaram na criação de um mercado industrial comum até 2021. Segundo o Ministro da Economia da Belarus, Dmitry Krutoy, espera-se a unificação dos mercados não só de gás natural e petróleo, como também das indústrias, da agricultura e do transporte. Assim, “independentemente de estar registrado na Rússia ou na Bielorrússia, uma empresa trabalhará de acordo com regras comuns, com base na administração unificada, sistemas unificados de controle, sistemas informativos integrados e unificados”.

A perspectiva é que, nos próximos meses, Bielorrússia e Federação Russa realizem encontros oficiais entre suas delegações e Presidentes para resolver as questões pendentes. O caminho não será fácil. De acordo com Kirill Koktysh, especialista em Teoria Política, ambos os países “precisam estabelecer os novos objetivos da União Rússia-Belarus. A agenda anterior já foi implementada em grande parte, é imprescindível trabalhar em um novo documento para orientar as metas”.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin”(Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/Jd9q7KfhD8weOCkd4zpv4sKJIctMd24Y.jpg

Imagem 2 “Uma das propostas de confecção de bandeira que representaria a entidade supranacionala União da Rússia e da Bielorrússia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Flag_of_the_Union_State.svg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Peru é destaque mundial em redução de pobreza, segundo relatório do PNUD

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou em julho de 2019 seu mais recente relatório denominado “Índice Global de Pobreza Multidimensional 2019 – Iluminando Desigualdades”. O documento destaca o Peru, além de Etiópia e Índia, como países que mais reduziram carências nos 10 indicadores de pobreza multidimensional.

De acordo com o release de lançamento da publicação, o conceito tradicional de pobreza, que categorizava os países como ricos ou pobres é demasiado simplista e, por isso, tornou-se obsoleto. O Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que analisa 101 países correspondendo a 76% da população mundial, vai além da renda e analisa como as pessoas vivenciam a pobreza na saúde, educação e nível de vida.

Capa do Relatório do PNUD

Os resultados apresentados pelo relatório 2019 demonstram que 886 milhões de indivíduos, isto é, mais de dois terços das pessoas em situação de pobreza multidimensional vivem em países de renda média. Em países de renda baixa este número se encontra ao redor de 440 milhões. Os níveis de pobreza variam dentro de um mesmo país, cidade e até numa mesma família.

O Peru obteve progressos mais significativos em energia limpa, eletrificação, habitação e propriedade de ativos e com isso reduziu o índice de pobreza multidimensional de 20,2% (2006) para 12,7% (2012). Além disso, o país conseguiu redução nas áreas rurais em maior escala que nas áreas urbanas.

Em início de julho, a Agência Peruana de Notícias (Andina) divulgou que o risco país reduziu-se em 44 pontos no primeiro semestre de 2019, posicionando-se abaixo do Chile e da média da América Latina, evidenciando a confiança de investidores estrangeiros na economia daquela nação. O aumento de investimento estrangeiro direto poderá reforçar a condição de o Peru erradicar a pobreza, o que contribui para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Lar peruano” (Fonte): https://portal.andina.pe/EDPfotografia2/Thumbnail/2012/03/16/000178340W.jpg

Imagem 2 Capa do Relatório do PUND” (Fonte): http://hdr.undp.org/sites/default/files/img_mpi_2019_publication_0.jpg

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A questão da segurança na região dos Grandes Lagos africanos

A região dos Grandes Lagos, situada geograficamente na África Austral, enfrenta historicamente instabilidades e conflitos armados. Um desses conflitos, de caráter mais recente, ocorre entre Uganda e Ruanda, onde as tensões tornaram-se mais acirradas ao final do ano de 2018.  Os desentendimentos, em síntese, ocorreram com a atuação das Forças Armadas ruandesas na fronteira e a alegação de atividades de espionagem por parte de Uganda. Igualmente, a presença de grupos armados na República Democrática do Congo preocupa os países vizinhos. Tal fenômeno, consequentemente, afetou as dinâmicas regionais com a preocupação de um confronto armado.

Tendo em vista a dimensão que um conflito ali pode ter, e observando as experiências passadas com os emblemáticos casos do genocídio em Ruanda e a guerra de grande dimensão na República Democrática do Congo, foi estabelecida uma Instituição Multilateral de segurança regional, em 2000, sob os auspícios das Nações Unidas: a Conferência Internacional sobre a Região Grandes Lagos. Ela é composta por 12 Estados* e possui como principais áreas abordadas: a construção da Paz e Segurança; a Democracia e Boa Governança; o Desenvolvimento Econômico e Integração; e as questões Humanitárias.

Logo da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos

A presença da Organização das Nações Unidas nestas dinâmicas é expressiva. Contando com as Operações de Paz em andamento na República Centro Africana, na República Democrática do Congo e no Sudão do Sul, a Organização também disponibilizou em 2013 a missão de um Enviado Especial. O objetivo desta iniciativa está pautado por um plano estratégico que leva em consideração a cooperação entre os países da região para o fortalecimento das relações e uma agenda de paz, e a salvaguarda das populações em crises humanitárias.

Complementarmente, quatro dos países membros da Conferência reuniram-se em Luanda no mês de julho de 2019 para debater sobre a instabilidade fronteiriça nos Grandes Lagos. Como resultado, o encontro entre os Chefes de Estado de Angola, República Democrática do Condo, Ruanda e Uganda acordou a manutenção do diálogo e a cooperação como principais ferramentas para a construção de um espaço pacífico e integrado. Ademais, no que tange aos conflitos interestatais, foi incentivada a utilização de meios de resolução, respeitando o princípio de solidariedade continental, e tendo os Bons Ofícios de Angola no processo de pacificação dos conflitos.

Presidente de Angola, João Lourenço

A atuação angolana na esfera regional já havia sido saudada pelo Enviado Especial das Nações Unidas para a estabilização dos Grandes Lagos. Este sugeriu ao presidente João Lourenço e ao ministro das relações exteriores Manuel Augusto que o país intensifique seu posicionamento como um ator expressivo e propositivo no que diz respeito à segurança entre os Estados vizinhos. De forma paralela, foram lembrados os próximos encontros da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos e encorajado que Angola seja um vetor da dinamização das pautas dentro do evento.

Compreende-se que o desenvolvimento de um ambiente propício para as relações interestatais cooperativas demanda um nível de comprometimento dos Estados em manter a paz e o diálogo, bilateralmente e multilateralmente. Neste sentido, a moderação angolana pode representar um meio de incentivar os demais países da região a adotarem uma abordagem diplomática e institucionalista para a resolução das controvérsias.

———————————————————————————————–

Nota:

* Estados Membros da Conferência: Angola, Burundi, Congo Brazaville, Quênia, República Centro Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa da Região dos Grandes Lagos” (Fonte): https://www.channelstv.com/wp-content/uploads/2013/05/africa-great-lakes-region.jpg

Imagem 2Logo da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/3/36/International_Conference_on_the_Great_Lakes_Region_Logo.png

Imagem 3Presidente de Angola, João Lourenço” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Louren%C3%A7o#/media/Ficheiro:2018-07-04_President_Jo%C3%A3o_Louren%C3%A7o-0555.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ampliação do mercado de trabalho feminino na Rússia

Considerada como uma nação baseada em preceitos patriarcais, a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) tinha como imagem tradicional das mulheres a figura subserviente aos homens, que, como os principais provedores da família, tomavam decisões para todos. Essa imagem com o tempo mudou, pelo menos superficialmente, por conta da ideologia do Estado que prescreveu a igualdade de gênero, e o Governo soviético se utilizou de subsídios para incentivar as mulheres a ocuparem o papel duplo ideal, não só cuidando do seio da família, mas, também, se inserindo no mercado de trabalho para tentar diminuir o problema da escassez de mão-de-obra masculina, a qual foi decorrida da morte de milhões de russos durante a Segunda Guerra Mundial, o que fez delas trabalhadoras em fábricas, motoristas em linhas de bonde, entre outros trabalhos.

Trabalhadora russa – década de 1940

Embora a Constituição russa determine que homens e mulheres tenham direitos iguais, em 1974 o Partido Comunista soviético lançou uma lista com profissões proibidas de serem executadas por mulheres por se tratarem de trabalhos que “poderiam prejudicar sua saúde reprodutiva” e, portanto, a “saúde da próxima geração”, o que levou ao repúdio das Organizações das Nações Unidas (ONU), considerando esse ato como processo discriminatório dentro do mercado de trabalho do país. À época, foram elencadas cerca de 450 posições de trabalhos consideradas nocivas à saúde das mulheres, proibindo seu acesso a cargos em indústrias química, metalúrgica, de petróleo, gás e mineração, na construção de túneis, mecânica aeronáutica, extinção direta de incêndios, manutenção de tubulações, entre outras, sendo que estas restrições estão em vigor até os dias atuais, mesmo sendo ignoradas por muitos empregadores.

Trabalhadora russa montando fuzil Kalashnikov

Essa lista de proibições poderá ser futuramente encurtada graças a um projeto do Ministério do Trabalho russo, segundo os meios de comunicação. Na nova versão, elaborada a partir de propostas de sindicatos e entidades patronais e apresentada à comissão encarregada de regular as relações sociais e profissionais, apenas 98 profissões teriam acesso limitado às mulheres, o que, de certa forma, poderia ampliar o mercado de trabalho feminino na Federação Russa.

A atualização dos regulamentos poderá entrar em vigor a partir de 1º de janeiro de 2021, dando oportunidades de carreira para as mulheres em empregos como motoristas de caminhão (com mais de 2,5 toneladas de carga), tripulação de convés, paraquedistas, maquinistas de trens elétricos, mecânicas de automóveis, condutoras de tratores agrícolas, ou pescadoras em barcos costeiros com redes manuais.

Atualmente, segundo informações do Vice-Ministro do Trabalho russo, Aleksêi Vóvtchenko, mesmo com estas dificuldades, das quase 79 milhões de mulheres russas (mais da metade da população), a taxa de atividade laboral entre elas chega a 63,3%, ou seja, 49,9 milhões de mulheres estão inseridas no mercado de trabalho, o que representa um índice maior do que a taxa global de 2018, que ficou em 48,5%, de acordo com o estudo “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências para Mulheres 2018”, realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em março de 2019.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trabalhadoras russas em linha de montagem” (Fonte): http://gdb.rferl.org/2AF5DC71-CB58-4091-8D22-8C23D5DE992F_w1023_r1_s.jpg

Imagem 2 Trabalhadora russa década de 1940” (Fonte): https://i.pinimg.com/originals/f5/bc/b2/f5bcb270060c85376b452ff405276fb7.jpg

Imagem 3 Trabalhadora russa montando fuzil Kalashnikov” (Fonte): https://politicalhotwire.com/threads/women-fight-for-banned-jobs.143827/

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Embaixador indiano em Pequim pede por diálogo entre as Marinhas chinesa e indiana

As Marinhas chinesa e indiana precisam comunicar-se porque elas estão operando a uma distância cada vez menor”,defende o Embaixador da Índia em Pequim, Vikram Misri. “Enquanto as forças militares das duas nações comunicam-se extensivamente, tal fato ocorre principalmente entre as forças terrestres, e isso deve se estender às forças navais e aéreas”,afirma Misri para o jornal South China Morning Post.

A China e a Índia realizaram esforços para reparar suas relações desde um tenso confronto no platô do Doklam, em 2017, quando as comunicações entre as suas forças militares ao longo da fronteira se mostraram inadequadas para conter a tensão. O diplomata indiano apontou que as duas nações fizeram grande progresso e abriram novas bases, onde “os oficiais de fronteira podem se encontrar e intercambiar informações, ou compartilhar pontos de vista sobre alguma situação em particular”.

A Índia decidiu não integrar a Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), o projeto global de comércio e infraestrutura desenvolvido pelo governo chinês. Misri indica: “Nossas preocupações em relação a essa iniciativa em particular estão muito claras, e nós continuamos a compartilhá-las muito francamente com nossos parceiros chineses. Eu acredito que há compreensão da parte de nossos parceiros chineses em relação a isso”.

Mapa da região do IndoPacífico

Para o Embaixador, as duas nações não devem permitir que suas diferenças se tornem disputas e elas devem se focar em áreas nas quais podem cooperar. Uma dessas áreas é a cooperação marítima e de investimentos na região do Indo-Pacífico, incluindo o setor de infraestrutura, resposta a desastres e combate ao terrorismo.

O representante indiano procurou esclarecer: “[A nossa visão de Indo-Pacífico] é uma visão que objetiva a cooperação econômica e para o desenvolvimento no espaço do Indo-Pacífico”, lembrando que a Índia está discutindo possibilidades de cooperação com a China.

Pode-se concluir que o aprimoramento da comunicação e as possibilidades de cooperação entre as duas economias emergentes da Ásia aumentam a confiança entre elas, solidificam o processo de redução de tensões na região e criam oportunidades de desenvolvimento para ambas as nações e para o continente como um todo.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Oficiais da Marinha da Índia interagindo com oficiais da Marinha da China em Visakhapatnamna Índia, em 2014” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=indian+navy+chinese+navy&title=Special%3ASearch&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Indian_Navy_officers_interacting_with_PLA_Navy_officers_at_Visakhapatnam_in_2014.jpg

Imagem 2 Mapa da região do IndoPacífico” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=File%3AIndo-Pacific+region+map.png&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Indo-Pacific_biogeographic_region_map-en.png