AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Discurso de Donald Trump na ONU consolida Realismo na atualidade das Relações Internacionais

Conforme vem sendo visto na mídia, o discurso proferido pelo presidente norte-americano Donald Trump na 73a Assembleia Geral das Nações Unidas, ontem, dia 25 de setembro (2018), consolida a postura de retorno ao comportamento realista nas relações internacionais[1], mostrando que as posturas baseadas nos interesses nacionais e na busca pelo poder tenderão a influenciar os comportamentos dos demais Estados pelo mundo, por serem os procedimentos que norteiam concretamente as formulações das políticas públicas nos EUA, em especial a sua política externa.

Bolsa de Valores de Nova York, símbolo do poder econômico dos EUA

Donald Trump foi eleito com o argumento do “America First” (ou, “Estados Unidos em Primeiro Lugar”), mostrando que privilegia as decisões que digam respeito ao reposicionamento estadunidense como ponto de partida das ações mundiais, bem como aquelas que mantenham seu país como foco prioritário para a economia internacional e o coloquem sempre como o condutor nas negociações pelo mundo, priorizando os acordos bilaterais em relação aos coletivos, uma vez que, neste caso, se deve antever uma renúncia a parcelas de ganhos, algo que ele desconsidera em seu posicionamento. No entanto, ao longo do primeiro momento de governo, Trump fez o processo de adaptação do discurso à realidade, uma vez que teve de acomodar as demandas de aliados, os quais, em alguns sentidos, divergiam e ainda divergem dos posicionamentos do Mandatário dos EUA.

No discurso pronunciado ontem, Trump foi claro, em todos os aspectos, de que a lógica da “política do poder[2] é o componente que deve orientar a conduta mundial, uma vez que os Estados Unidos representam o maior peso para gerar equilíbrio ou desequilíbrio na política internacional, interferindo nas decisões dos demais atores.

Seu discurso se concentrou em mostrar o que considera serem conquistas econômicas internas e o posicionamento que deve manter globalmente. O foco principal foi: o combate ao multilateralismo e que as ações voltadas para os interesses dos EUA prevalecerão, afastando qualquer ideia de governança global[3], uma vez que os interesses são o comércio bilateral e os acordos bilaterais. Como declarou no discurso: “É por isso que os EUA sempre escolherão a independência e a cooperação sobre a governança global, e eu honro o direito de todas as nações nesta sala de buscar seus próprios costumes, crenças e tradições. Os Estados Unidos não lhe dirão como viver, trabalhar ou adorar. Nós só pedimos que você honre a nossa soberania em troca[4].

Sala usada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no Palácio das Nações, em Genebra, Suíça

O principal inimigo estatal citado foi o Irã, ao qual atribuiu a responsabilidade de desestabilização do Oriente Médio, poupando a Rússia de críticas diretas, excetuando-se quando elogiou a Polônia pelo investimento na criação de rede alternativa de gasoduto, e alertou a Alemanha sobre sua dependência do gás russo. Da mesma forma, a Coreia do Norte, que no ano passado (2017) foi ameaçada com a guerra, recebeu elogios pelos avanços no diálogo. A China foi citada quando tratou das perdas comerciais dos norte-americanos e acusou países de desrespeitarem a regras do comércio internacional estabelecidas pela OMC, e também, indiretamente, pelo desrespeito à propriedade intelectual. Além disso, deixou clara a posição de combate ao regime venezuelano, ao qual prescreve que se deve enfrentar diretamente com sanções, deixando no ar a questão da interferência coletiva no país para solucionar a crise que este vive.

O ponto principal, contudo, foi mostrar que o posicionamento realista deverá ser o motor das relações internacionais, afirmando que não apoiará as instituições, organismos e fóruns internacionais. Foi claro: “A política americana de realismo de princípios significa que não seremos reféns de ideologias antigas e desacreditadas e de especialistas que se mostraram errados ao longo dos anos. Isto é verdade, não apenas em questões de paz, mas em questões de prosperidade[5].

Seguindo tal linha: reforçou a abandono do Conselho dos Direitos Humanos da ONU (“Eu falei antes deste órgão no ano passado e avisei que o Conselho de Direitos Humanos da ONU havia se tornado um grave constrangimento para essa instituição. Protegendo abusivos direitos humanos ao atacar a América e seus muitos amigos. Nossa embaixadora nas Nações Unidas, Nikki Haley, apresentou uma agenda clara para a reforma, mas apesar das repetidas advertências, nenhuma ação foi tomada. Assim, os Estados Unidos tomaram o único caminho responsável: nós nos retiramos do Conselho de Direitos Humanos e não voltaremos até que a verdadeira reforma seja promulgada”)[6]; condenou o Tribunal Penal Internacional (“Por razões semelhantes, os Estados Unidos não darão apoio e reconhecimento ao Tribunal Penal Internacional. No que nos diz respeito, o TPI não tem legitimidade ou autoridade. O TPI reivindica jurisdição quase universal sobre os cidadãos de todos os países, violando todos os princípios de justiça, equidade e devido processo. Jamais renderemos a soberania da América a um corpo não eleito e inexplicável. A América é governada por americanos. Rejeitamos a ideologia do globalismo e aceitamos a ideologia do patriotismo”)[7]; e, indiretamente, mostrou que a ONU não tem eficiência, o que poderia levar um observador a interpretar que, por essa razão, ela não deve ser seguida integralmente em suas deliberações, enfraquecendo-a. Nesse sentido, estará fragilizada principalmente se o financiamento estadunidense ao Organismo, no que tange as questões de Segurança, forem retirados, tal qual declarou: “Os EUA estão comprometidos em tornar a ONU mais eficaz e responsável. Eu já disse muitas vezes que a ONU tem um potencial ilimitado. Como parte do nosso esforço de reforma, eu disse aos nossos negociadores que os Estados Unidos não pagariam mais de 25% do orçamento de manutenção da paz da ONU. Isso incentivará outros países a se envolverem, envolverem-se e também compartilharem esse grande fardo. Estamos trabalhando para transferir mais do nosso financiamento de contribuições fixas para voluntárias, para que possamos direcionar recursos americanos para programas com o melhor registro de sucesso[8].

Xi Jinping, Presidente da China, principal potência econômica a defender o multilateralismo

As declarações de Trump não trouxeram novidades em relação a sua postura política, mas reforçaram que o mundo está mergulhado diretamente no realismo, apesar de dividido discursivamente entre unilateralista(s) e multilateralistas, que tem na França, na Rússia e China os principais expoentes, embora, curiosamente, o multilateralismo professado possa, “em realidade”, estar a serviço dos interesses nacionais desses países, logo também caminhando de acordo com o realismo, mas adaptado à atualidade, e não voltado para o estabelecimento de uma nova ordem mundial.

Como apontam os especialistas, esta nova ordem que se imagina, para abandonar definitivamente o século XX, teria de seguir no sentido da Governança Global, que se imagina ser a realidade do século XXI, algo possível graças aos avanços tecnológicos que permitiram maior comunicação, produtividade e avanço das sociedades civis em relação aos Estados, gerando também maior interação internacional. Pelo que vem sendo descrito por observadores, concretamente, o mundo está “realista” e ainda no século XX.

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Notas:

[1] Os autores realistas em relações internacionais afirmam que esta escola tem como ponto de partida observar o mundo tal qual é, e não como se desejaria que fosse, de forma a apregoar que, concretamente, as relações entre os povos se dão em termos do poder, ou na sua busca, sendo esta conduta o que há de essencial na realidade humana. Nesse sentido, o ator que recebe o foco das atenções nas relações internacionais é o Estado, ou seja, são as unidades Políticas. O Estado trabalha em busca dos próprios interesses nacionais, visando sobreviver e expandir, algo que se consegue apenas por meio da busca, manutenção e aumento de poder, pois este é o meio pelo qual se consegue garantir a soberania e consolidar os interesses, sobrevivendo no meio internacional, que é anárquico, no sentido de não haver poder superior, um governo mundial, que organize as relações entre os povos. Ao longo do tempo, o poder foi avaliado de várias formas, mas sempre recebeu destaque a capacidade de fazer a guerra, por ser o poder militar o que define as principais condições de imposição da vontade de um Estado sobre outro. As mudanças nas relações internacionais no final do século XX trouxeram novas formas de entender o poder.

[2] A “política do poder” é uma maneira de apresentar ou entender as relações internacionais a partir da lógica realista, onde, numa realidade anárquica, os Estados competem por recursos limitados, de maneira que os ganhos de um ator estatal representam as perdas para outro, fazendo com que a competição leve à busca constante por mais poder para que haja ganhos reais nesta competição. Neste sentido, variadas formas de constrangimento ao concorrente são admitidas, sendo dado muito destaque aos elementos bélicos.

[3] Ao longo das últimas décadas do século XX, em função dos avanços tecnológicos e da democracia, novos tipos de atores passaram a ter voz nas relações internacionais, sendo eles, além dos Estados: as Instituições Transnacionais, os Organismos Internacionais, as Organizações Não-Governamentais Internacionais, as Corporações Multinacionais, e os denominados atores difusos, tais como os narcotráfico, terrorismo e organizações criminosas. Com a emergência desses novos tipos de atores e a redução da capacidade dos Estados de tomarem decisões unilateralmente, estes cederam parte dessa capacidade para a tomadas de decisões coletivas, a serem negociadas em fóruns e/ou em organismos internacionais criados para gerenciar os compromissos assumidos coletivamente, aos quais se dá o nome de Regimes Internacionais. A Organização Internacional do Comércio, por exemplo, é um organismo gerado como regime internacional. Nesse sentido, a Governança Global consistiria na imposição das decisões tomadas coletivamente e assumidas pelos Estados, ressaltando-se ainda que os atores difusos, apesar de novos tipos de atores, são excrecências do processo, e não entram nas negociações, pois são os criminosos, que devem ser levados em conta por estarem atuando nas relações internacionais de forma simulada e travestidos dos corpos dos demais atores, e trazem problemas a serem resolvidos em busca de uma ordem mundial.

[4] That is why America will always choose independence and cooperation over global governance, and I honor the right of every nation in this room to pursue its own customs, beliefs and traditions. The United States will not tell you how to live, work, or worship. We only ask that you honor our sovereignty in return”.

[5] America’s policy of principled realism means that we will not be held hostage to old, discredited ideology and experts that have been proven wrong over the years. This is true, not only in matters of peace, but in matters of prosperity”.

[6] I spoke before this body last year and warned that the UN’s Human Rights Council had become a grave embarrassment to this institution. Shielding egregious human rights abusers while bashing America and its many friends. Our ambassador to the United Nations, Nikki Haley, laid out a clear agenda for reform, but despite repeated warnings, no action at all was taken. So the United States took the only responsible course: we withdrew from the Human Rights Council and we will not return until real reform is enacted”.

[7] For similar reasons, the United States will provide no support and recognition for the International Criminal Court. As far as we are concerned the ICC has no legitimacy or authority. The ICC claims near universal jurisdiction over the citizens of every country, violating all principles of justice, fairness and due process. We will never surrender America’s sovereignty to an unelected, unaccountable body. America is governed by Americans. We reject the ideology of globalism and accept the ideology of patriotism”.

[8] The US is committed to making the UN more effective and accountable. I have said many times that the UN has unlimited potential. As part of our reform effort, I have told our negotiators that the United States will not pay more than 25 percent of the UN peacekeeping budget. This will encourage other countries to step up, get involved, and also share in this large burden. We are working to shift more of our funding from assessed contributions to voluntary so that we can target American resources to programs with the best record of success”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Donald Trump” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_official_portrait.jpg

Imagem 2 Bolsa de Valores de Nova York, símbolo do poder econômico dos EUA” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_dos_Estados_Unidos#/media/File:NYC_NYSE.jpg

Imagem 3 Sala usada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no Palácio das Nações, em Genebra, Suíça” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Direitos_Humanos_das_Nações_Unidas#/media/File:UN_Geneva_Human_Rights_and_Alliance_of_Civilizations_Room.jpg

Imagem 4 Xi Jinping, Presidente da China, principal potência econômica a defender o multilateralismo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Xi_Jinping#/media/File:Prime_Minister_Narendra_Modi_with_Chinese_President_Xi_Jinping_(cropped).jpg

                                                                                             

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Reino Unido e União Europeia cada vez mais distantes de um acordo

O Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), está cada vez mais próximo e as negociações que irão definir a futura relação entre o país e o bloco econômico ganham um contorno de maior dificuldade. O episódio mais recente que ilustra esta questão ocorreu em Salzburg, na Áustria, onde foi celebrada uma reunião entre líderes de países pertencentes à UE.

Theresa May, Primeira-Ministra Britânica

Um dos principais tópicos abordados foi o Acordo de Chequers: Plano Ministerial que a primeira-ministra Theresa May endereçou ao Parlamento sobre como o Governo Britânico intenciona conduzir as negociações do Brexit. A consolidação do plano foi responsável pela saída de dois políticos-chave da base governista: David Davis, negociador britânico do Brexit; e Boris Johnson, Ministro das Relações Exteriores.

O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que o Acordo de Chequers não é viável para se trabalhar, em função da dificuldade de conciliar os interesses britânicos com os do bloco europeu, sobretudo no aspecto econômico. As principais divergências são a adesão de um “guia de regras comum” a ser adotado pelo Reino Unido, no intuito de seguir as regras da UE quanto à participação em agências e em determinações internas do bloco; e a manutenção do regime tarifário que seria coletado pelo Estado e repassado à UE.

Daí surge o impasse da Irlanda do Norte, em que a falta de acordo sobre como será a situação da fronteira entre o Reino Unido e a República da Irlanda frente ao Brexit direciona as discussões travadas até então. O interesse britânico é de que a União Europeia permita que o país continue adotando as tarifas praticadas pela UE; já o bloco defende que somente a Irlanda do Norte tenha essa permissão, gerando algum tipo de “fronteira” entre as ilhas da Irlanda e da Grã-Bretanha, algo que o Reino Unido não está inclinado a aceitar.

Publicidade contra a Fronteira entre as Irlandas

Especialistas apontam quatro possíveis cenários. Primeiro, no caso de um acordo, que tem se mostrado cada vez mais improvável, resta saber se o Reino Unido será capaz de abrir mais concessões à UE e se esta se mostra disposta a fazer o mesmo, evitando que ambas as partes não cheguem a um consenso, algo que nenhum dos lados deseja. Segundo, ainda que o acordo não ocorra, a relação entre o país e o bloco econômico será pautada pela OMC (Organização Mundial do Comércio), praticando os mesmos regimes a que Estados Unidos da América e Brasil, por exemplo, são submetidos. Um terceiro cenário é de que há ainda a remota possibilidade de permanecer na UE, mas isto levaria a um suicídio político dos governantes britânicos. Ademais, a permanência de Theresa May nas últimas Eleições Gerais de 2017 é um forte indicativo de que isso não irá acontecer. Por fim, há também a possibilidade de um novo Referendo, nos moldes do que foi o de 2016. Entretanto, existe o risco político, apesar de menor, e a ideia proposta é de que o acordo final seja votado no Parlamento e não posto em novo escrutínio à população.

A proposta europeia oferece duas opções ao país: ou adotar o modelo norueguês, que manteria a circulação de pessoas e a permanência do Reino Unido na Corte Europeia de Justiça, algo que os britânicos já acenaram não estarem interessados pelo próprio Acordo de Chequers; ou uma variação do modelo canadense, que ainda não foi implementado na UE, em que não se remove todas as obrigações tarifárias do Reino Unido sem perder acesso ao mercado europeu. Nesse último ponto, o próprio Partido Conservador não possui uma clara posição, uma vez que os mais radicais conservadores, como Boris Johnson e David Davis, aceitam essa proposta, que, por sua vez, não é vista com bons olhos pela base governista.

A partir do dia 30 de setembro até 3 de outubro, os Conservadores estarão em conferência para tomar decisões futuras. É o último momento antes da reunião final dos negociadores do Brexit, tanto do Reino Unido como da UE, que ocorrerá nos dias 18 e 19 de outubro. A possibilidade, cada vez mais provável, de que não haja um acordo final entre as partes já leva a ambos os lados se prepararem para este cenário. Ainda assim, é possível que ocorra alguma reviravolta no âmbito político que consiga resolver a situação, mas ainda é incerto e há boas chances de que ocasione algum tipo de custo político no fim das contas.

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Fontes da Imagens:

Imagem 1Bandeira do Reino Unido escrito BREXIT” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/brexit-ue-reino-unido-1478565/

Imagem 2Theresa May, PrimeiraMinistra Britânica” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Theresa_May_(Sept_2017).jpg

Imagem 3Publicidade contra a Fronteira entre as Irlandas” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/tiocfaidh_ar_la_1916/25754240267

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China intensifica combate ao terrorismo

O terrorismo é um dos temas mais presentes na agenda internacional. Por ser uma ameaça difusa, em que nunca se pode ter certeza sobre quais serão seus alvos nem como eventuais ataques serão executados, o terrorismo é uma das maiores preocupações dos Estados nacionais no século XXI. A China enfrenta desafios, sobretudo na província de Xinjiang*, mas tem conseguido adotar uma estratégia eficaz que permitiu redução significativa do número de ataques terroristas nos últimos anos. No entanto, a ameaça ainda persiste. 

Tanques destruídos na Guerra Civil Síria

Até os anos 2000, as ações eram concentradas na região de Xinjiang, sendo orientados muitas vezes por um desejo separatista da população Uigur, cuja maioria professa a religião islâmica. Na primeira metade da presente década (anos 2010), contudo, os atentados terroristas tornaram-se mais ousados, visando atingir símbolos do governo e diversificando sua abrangência geográfica. Em 28 de outubro de 2013, um carro repleto de explosivos colidiu com um grupo de pessoas na Praça Tiananmen, em Pequim, muito perto do retrato de Mao Zedong**. Além disso, também houve atentado na província de Yunnan***, em 2014. Embora os ataques sejam espalhados geograficamente pelo país, especialistas acreditam que os terroristas são originários de Xinjiang.

Desde 2015, contudo, quase nenhuma ação ocorreu na China. Esse fato pode ser atribuído às rígidas medidas de vigilância adotadas pelo governo, em que a tecnologia é utilizada a serviço da obtenção de informações importantes para a segurança nacional. Entre os procedimentos que facilitam a vigilância podem ser mencionados o monitoramento pela internet, reconhecimento facial e de voz, sistema integrado de vigilância das ruas por câmeras e análise de DNA. Outro fator importante para a redução de ataques está relacionado ao rigor da lei anti-terrorismo, aprovada em 2015. O diploma legal permite o uso de vários instrumentos pelas autoridades chinesas, incluindo cooperação com autoridades estrangeiras para que a polícia possa atuar no exterior e o maior monitoramento de voos.

A relativa tranquilidade na China não significa que as ameaças desapareceram. Pelo contrário, a participação de extremistas uigures na guerra civil síria, no Afeganistão e no Paquistão implica aumento do risco de atentados terroristas em um futuro próximo. Na Europa, os indivíduos radicalizados que retornaram da Síria ameaçaram a estabilidade regional e tiveram influência em ataques recentes na França e na Alemanha. Alguns jornalistas afirmam que centenas de uigures foram treinados no Oriente Médio e poderiam realizar atentados terroristas no território chinês. Mesmo com a prisão de muitos desses líderes em 2015, quando regressaram a Xinjiang, não está claro qual o grau de influência que eles poderiam ter para outros extremistas radicais na China.

O terrorismo continua sendo uma ameaça relevante para a segurança chinesa. Apesar dos avanços no combate e na prevenção a ataques, isso não significa a eliminação do perigo. Diante disso, o governo mantém-se atento e busca cooperar com outros Estados para conservar protegido e lutar contra um dos maiores riscos para a segurança internacional.

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Nota:

* Província chinesa com grande percentual de população islâmica, situada na fronteira com o Paquistão. Local onde há sentimento separatista e o governo chinês identifica ameaças terroristas.

** Um dos governantes mais populares da história chinesa, foi o principal líder da Revolução Comunista de 1949.

*** Província do sul da China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Retrato de Mao Zedong na Praça Tiananmen, local do atentado de 2013” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mao_Zedong

Imagem 2 Tanques destruídos na Guerra Civil Síria” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Syrian_Civil_War

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2015/05/beyond-doubt-the-changing-face-of-terrorism-in-china/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/09/the-de-extremitization-campaign-in-xinjiang-a-cure-worse-than-the-disease/

[3] Ver:

http://www.ciis.org.cn/english/2016-10/25/content_9110049.htm

[4] Ver:

https://www.scmp.com/news/china/article/1734203/islamic-state-members-arrested-xinjiang-says-chinese-government-official

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sukhoi poderá sofrer sanções norte-americanas

A TASS, Agência de Informação e Telegrafia da Rússia, informou que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América está considerando a possibilidade de instaurar sanções contra a empresa russa Sukhoi, baseado na alegação de que suas aeronaves supostamente tenham sido utilizadas em ataques químicos dentro do território sírio. A notificação da agência fundamentou-se numa declaração, realizada em 13 de setembro de 2018, pelo secretário adjunto do Financiamento Terrorista, Marshall Billingslea, que afirmou a preocupação dos EUA no tocante ao envolvimento de tais aviões nesses ataques e o que poderia estar sendo feito, se realmente a realidade dos fatos se comprovarem.

Logotipo da Sukhoi

Fundada em 1939, a PJSC Sukhoi Company atualmente é a maior holding de aviação russa e uma das mais versáteis fabricantes de aviões militares do mundo, envolvendo mais de 24 mil funcionários e tendo sua participação como membro da United Aircraft Corporation (UAC), empresa russa de capital aberto. Com 80% das ações pertencentes ao Estado e o resto à iniciativa privada, a empresa consolida companhias aeroportuárias de construção, manufatura, projeto e venda de aeronaves para fins civis, militares e de transporte.

A holding “Sukhoi” inclui as principais agências de design da Rússia e fábricas de aviões em série, fornecendo um ciclo completo de obras na construção de aeronaves, desde a concepção até o serviço pós-venda. Como principais produtos ofertados, tem as aeronaves de combate Su, que são a base da aviação de linha de frente russa e da aviação tática em muitos países do mundo. A Sukhoi Company é a maior exportadora russa de equipamentos para aviação e, atualmente, a empresa está implementando programas promissores no campo da construção de aeronaves militares e civis, tendo com carro-chefe de seus projetos o Su-57, caça de 5ª geração.

Segundo analistas, a questão da efetividade dessas sanções deve levar em conta que a diversidade de operações das aeronaves Sukhoi não está baseada somente na aplicação militar, mas, também, nas várias operações de transporte de passageiros pelo mundo, incluindo os processados dentro do território americano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sukhoi Su57 (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Sukhoi_T-50_Beltyukov.jpg

Imagem 2 Logotipo da Sukhoi” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/3/34/Sukhoi_Company_logo.svg/275px-Sukhoi_Company_logo.svg.png

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Japão e Rússia continuam negociações do Tratado de Paz

Japão e Rússia retomaram na segunda-feira retrasada, 10 de setembro (2018), em Vladivostok, as negociações para o Tratado de Paz, visando encerrar a Segunda Guerra Mundial. Apesar de a Segunda Grande Guerra ter findado há mais de 70 anos, os dois países ainda não firmaram um Documento entre eles. O encontro aconteceu um dia antes do Fórum Econômico Oriental, realizado nos dias de 11 a 13 de setembro (2018).

Protesto a respeito das Ilhas Kurilas

As tratativas têm como obstáculo a questão das Ilhas Kurilas (como são chamadas pela Rússia) ou Territórios do Norte (como denominadas pelo Japão). As ilhas disputadas – Etorofu, Kanashiri, Shikotan e Habomai – compõem o arquipélago de Kurila e não constavam no Tratado de Paz de São Francisco (1951), o qual não foi assinado pela então União Soviética. Neste, o Japão renunciava todo o direito, título e pretensão com relação às ilhas Kurilas, entretanto, reivindicava as ilhas mencionadas por não integrarem o documento. Na ocasião, a União Soviética expulsou os japoneses que ali viviam, algo que o Japão se comprometeu a não repetir, uma vez que os territórios voltem à sua posse, respeitando os direitos, interesses e desejos dos cidadãos russos.

O presidente Vladimir Putin propôs na quarta-feira, 12 de setembro, um acordo “sem condições prévias” até o final deste ano (2018), ao qual o Japão rebateu, afirmando que o Tratado de Paz será firmado quando a questão territorial for resolvida.

A negociação continuará com a visita do Comandante do Estado-Maior, Katsutoshi Kawano, e de empresários japoneses às Ilhas. O aceite da proposta por parte de Shinzo Abe, Primeiro-Ministro do Japão, à condição ofertada é delicada, já que a Rússia não sinaliza a entrega das Ilhas e Abe concorre, neste momento, à liderança do Partido Liberal Democrata. A perda territorial pode significar um sentimento de derrota e, consequentemente, levar à uma redução de apoio no âmbito doméstico. Uma vez a liderança partidária conquistada, Abe garante seu cargo até as Olimpíadas de 2020, sediadas em Tóquio.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 As Ilhas Kurilas com a ilhas em disputa” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Disputa_pelas_Ilhas_Curilas#/media/File:Demis-kurils-russian_names.png

Imagem 2 Protesto a respeito das Ilhas Kurilas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Kuril_Islands_dispute#/media/File:%E5%8C%97%E6%96%B9%E9%A0%98%E5%9C%9F_(95703275).jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Copenhague sedia Conferência da C40 Cities

A capital dinamarquesa, Copenhague, foi a escolhida para sediar a Cúpula de Prefeitos do C40 Cities, em 2019. O evento é de grande importância para a promoção dos debates ambientais, pois abrigará a que os representantes das maiores cidades do mundo negociem formas de redução de emissões poluentes.

Prefeito de Copenhague, Frank Jensen

O C40 Cities é uma rede de megacidades, com secretariado em Londres, Reino Unido, que defende a colaboração coletiva para estimular a sustentabilidade e diminuir os efeitos climáticos sobre o globo. Criado em 2005, o grupo é formado por mais de 90 cidades de todos os continentes, que, juntas, concentram parcela considerável de população, consumo energético e produção de gases de efeito estufa.

A Conferência reunirá cerca de 1.000 delegados, os quais tratarão de discutir métodos que possam contribuir para a operacionalização do Acordo Climático de Paris, realizado em 2015. O Acordo salientou o compromisso de 190 Estados de manterem a temperatura global abaixo dos 2º Celsius, e o esforço pela limitação até 1,5º Celsius.

O jornal Copenhaguen Post trouxe a declaração do prefeito da capital dinamarquesa, Frank Jensen, sobre a relevância da programação para a cidade: “Copenhague tem priorizado políticas amigas do meio ambiente, como a promoção do ciclismo e a redução do aquecimento urbano, o que nos ajudará a atingir nossa meta de sermos neutros em CO2. Copenhague é a escolha óbvia para sediar a Conferência”.

Os analistas observam que a influência do C40 contribui de forma substancial para incrementar o combate do aquecimento global a partir do viés das grandes cidades, pois ajuda a pensar nas soluções de problemas que podem ser aplicadas ao espaço citadino, incentivando o aumento da qualidade de vida e do clima. A escolha de Copenhague sinaliza tanto o destaque que ela detém, bem como recebe o próprio Estado dinamarquês, mediante seus investimentos em transporte e energia limpas, assim como pelo tratamento sustentável dado aos resíduos orgânicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Porto de Copenhague” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ae/Port_de_Copenhague_._vieux_bateaux.jpg/1024px-Port_de_Copenhague_._vieux_bateaux.jpg

Imagem 2 Prefeito de Copenhague, Frank Jensen” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4c/Opening_of_line_5C_-_Frank_Jensen_02.jpg