ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Manila afirma que navios chineses foram vistos na Ilha Thitu

De acordo com o governo de Manila, 200 navios chineses foram vistos nas proximidades da Ilha Thitu, desde janeiro, o que causou desconforto nas Forças Armadas filipinas, informa o jornal South China Morning Post. A Ilha Thitu está localizada no Mar do Sul da China e pertence ao arquipélago das Ilhas Spratly. Atualmente, as ilhas estão em disputa entre a China, as Filipinas, o Vietnã e Taiwan. A área abriga importantes rotas de transporte comercial do Leste da Ásia e possui reservas de gás natural avaliadas em bilhões de dólares. 

O General filipino, Benjamin Madrigal Junior, declarou que a Marinha das Filipinas vai continuar a patrulhar a área em litígio e pediu que um painel formado por representantes de Pequim e de Manila se reúna com o intuito de pôr fim às disputas no Mar do Sul da China. Madrigal afirmou: “Isto não é apenas uma preocupação para as Forças Armadas, mas para outras agências também, incluindo a guarda costeira”.No dia 1º de abril, as Filipinas e os Estados Unidos iniciaram uma série de exercícios militares na região, nos quais participaram mais de 7.000 soldados de ambos os países.

O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, se encontra com o Presidente da China, Xi Jinping em Pequim (outubro de 2016)

Apesar das diferenças de posicionamento entre a China e as Filipinas em relação às ilhas, ambos os países se encontram em um momento de aproximação, pois o governo filipino está interessado nos empréstimos chineses para a realização de projetos de infraestrutura e está realizando negociações para um possível projeto bilateral de exploração de petróleo. Entre 2008 e 2017, a China investiu aproximadamente 9,5 bilhões de dólares nas Filipinas (aproximadamente, 36,7 bilhões de reais, conforme a cotação de 8 de abril de 2019) e levou para o país 17 projetos voltados para as áreas de turismo, construção e transportes. Observadores apontam que dados como esses demonstram que a integração econômica promovida pela China com seus vizinhos contribui para a manutenção da segurança internacional em uma região marcada por disputas territoriais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista aérea da Ilha Thitu, no arquipélago das Ilhas Spratly” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Thitu_Island#/media/File:Thitu_Island_%26_Reefs,_Spratly_Islands.png

Imagem 2 O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, se encontra com o Presidente da China, Xi Jinping em Pequim (outubro de 2016)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Rodrigo_Duterte#/media/File:President_Duterte_handshake_with_President_Xi.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Yulia Tymoshenko pode ser uma das aliadas de Vladimir Zelenski no segundo turno das eleições ucranianas

Apesar do feito de Vladimir Zelenski em obter 30% dos votos à Presidência da Ucrânia, no segundo turno, a ser realizado em 21 de abril, as dificuldades apontam para a necessidade da criação de alianças, e o mais provável é que ele busque obter apoio de Yulia Tymoshenko, ex-Primeira-Ministra, que obteve apenas 14% dos votos.

O que há de comum entre ambos é a retórica anti-establishment junto a seu rival, Anatoliy Hrytsenko, ex-Ministro da Defesa. Parece simples, mas parte da força da campanha de Zelenski se baseava na ideia de ser “contra todos” e não seria o mesmo se em determinado momento se aliasse com políticos como Tymoshenko, quem já foi acusada de encomendar o assassinato de Yefhen Shcherban, um dos membros do Parlamento e um dos homens mais ricos da Ucrânia, e também de sua esposa, no aeroporto de Donetsk, em 1996. Ou ainda acusações de tentativa de suborno à Suprema Corte do país, em 2004, entre outros crimes.

Isto não exclui os méritos e estratégia de Zelenski. O comediante e político conseguiu se conectar com os ucranianos falantes de idioma russo do Sudeste, que também não são favoráveis à secessão, como querem os separatistas de Lugansk e Donetsk. Por outro lado, ele contou com uma vantagem, que foi a cisão dentro do Bloco de Oposição, pró-russo, que lançou dois candidatos à Presidência em janeiro de 2019: Yuriy Boyko,pela “Plataforma de Oposição – Para a Vida”; e Oleksandr Vikul,pelo “Bloco de Oposição – Partido da Paz e Desenvolvimento” (renomeado como “Partido Industrial da Ucrânia”).

Mapa Etno-linguístico da Ucrânia

No entanto, se os pró-russos estão divididos, os pró-ocidente (União Europeia e Otan), na figura de Petro Poroshenko, o atual Presidente, não conseguiram articular uma boa campanha e agora recorrem ao discurso nacionalista que descarta as diferentes culturas baseadas nos idiomas falados no país.

O cansaço do eleitor se explica pelo falido programa de reformas de Poroshenko, considerado muito ambicioso, mas desacreditado por acusações de corrupção. Há pouco mais de cinco anos, em 2014, o Euromaidan, a série de protestos que sacudiu o país e pôs em fuga o ex-presidente Yanukovych, que era pró-Rússia e está com paradeiro desconhecido, levou a um processo de euforia e posterior desilusão.

Acredita-se que com a ocupação da Crimeia pela Rússia e a irrupção de violência separatista no Leste, o voto em Zelenski se mostrou uma tentativa de buscar alternativa para evitar a divisão que assola o país: entre Leste e Oeste, entre diferentes idiomas, e entre Rússia e Ocidente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Yulia Tymoshenko” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Yulia_Tymoshenko_November_2009-3cropped.jpg

Imagem 2 Mapa Etnolinguístico da Ucrânia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ethnolingusitic_map_of_ukraine.png

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Cenário pós-eleições legislativas na Guiné Bissau

Realizado no mês de março do ano corrente (2019), as eleições legislativas da Guiné Bissau foram aguardadas no país desde o ano anterior. Tendo em vista que estavam programadas para novembro de 2018, as eleições sofreram atrasos em decorrência do recenseamento biométrico de guineenses aptos a votar e pela necessidade de readequação do orçamento das eleições.

Este processo mobilizou as esferas internas por parte da Comissão Nacional de Eleições, de parlamentares e de partidos políticos guineenses. De forma complementar, também se observou o intermédio de Organizações Internacionais, como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), e a participação de outros Estados, visando auxiliar no processo eleitoral.

Observador eleitoral da Comunidade de Países de Língua Portuguesa

Neste tocante, cabe citar a Missão de Observação Eleitoral desenvolvida pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Segundo a Declaração Preliminar sobre a Missão, publicada pela Comunidade, não ocorreram impedimentos na realização plena do sufrágio universal, de acordo com a Constituição do Estado guineense e os padrões internacionais de respeito ao processo democrático e boa governança de forma pacífica.

Igualmente, a Organização das Nações Unidas se manifestou destacando a relevância deste passo para a consolidação da estabilidade política do país. Esta colocação se deve ao período de 2015, no qual o impasse político acerca da exoneração de Primeiros-Ministros via Decreto Presidencial resultou no intermédio da CEDEAO. Inserido neste contexto, foi elaborado um programa para a reestruturação política, denominada Acordo de Conacri, no qual consta a recomendação para a execução das eleições legislativas e a nomeação de um novo Chefe de Governo até o ano de 2018, entre outras sugestões.

Domingos Simões Pereira Presidente do PAICG e Primeiro Ministro

Como resultado divulgado pelo Boletim Oficial da Guiné Bissau, o Partido Africano para Independência da Guiné Bissau e Cabo Verde (PAICG) adquiriu o maior número de acentos na Assembleia Nacional, correspondendo a 35,21% dos votos e atribuindo 47 Deputados. Dada esta conjuntura, o Presidente do PAICG assumirá pela segunda vez o cargo de Primeiro-Ministro. Domingos Simões Pereira foi exonerado em 2015, em decorrência de divergências com o presidente José Mário Vaz.

Apesar das incompatibilidades apresentadas anteriormente, o ato de eleger democraticamente os representantes da Assembleia Nacional representa o primeiro passo para o fortalecimento das Instituições Públicas do país e da participação da sociedade na construção do Governo. Aliado a estas mudanças no quadro político guineense, cabe destacar que as eleições presidenciais também estão programadas para o ano de 2019, possibilitando esta consolidação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Assembleia Nacional Popular da Guiné Bissau” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Guin%C3%A9-Bissau#/media/File:Assembleia_Nacional_da_Guin%C3%A9-Bissau.jpg

Imagem 2Observador eleitoral da Comunidade de Países de Língua Portuguesa” (Fonte): https://www.cplp.org/admin/public/getimage.aspx?&Image=/Files/Billeder/1_CPLP/MOE/moe.jpg&Resolution=75&Compression=80&Width=459&Crop=5&AlternateImage=files/templates/designs/PORTAL/images/alternativeImage.jpg

Imagem 3Domingos Simões Pereira Presidente do PAICG e Primeiro Ministro” (Fonte): https://www.cplp.org/files/billeder/MIC_SE/Domingos/SE_CPLP2.JPG

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório aponta que a Finlândia é o país mais feliz para se viver

A Finlândia é um Estado nórdico que adquiriu a independência em 1917, dos soviéticos, e iniciou seu processo de industrialização tardiamente. Apesar das possibilidades negativas, o país, de belas florestas e lagos, superou dificuldades e se tornou uma das maiores economias da Europa. Esses fatores contribuíram para que os finlandeses ascendessem em escala na qualidade de vida, sendo também referência internacional no setor de educação.

Segundo o Relatório Mundial da Felicidade (WHR – World Happiness Report) realizado por um grupo de especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU), a Finlândia foi classificada como o país mais feliz do mundo deste ano (2019). E as razões refletem elementos gerais, como a expectativa de vida, o grau de liberdade da população para fazer escolhas, a percepção de corrupção social e a generosidade, que aufeririam aos finlandeses o título simbólico de os mais felizes.

Eles seguem com a honraria do relatório, porém ainda amargam realidades que contradizem a pesquisa contida no WHR, visto que o país possui uma taxa expressiva de suicídios, milhares de pessoas fazem uso de medicamentos antidepressivos, a violência doméstica, sobretudo contra a mulher, é imensa, e a situação da aposentadoria do cidadão não aspira fortes ânimos.

Emoji triste

O jornal Kainnunsanomat trouxe a crítica da filósofa da Faculdade de Economia de Rotterdam, Ilona Suojanen, sobre o relatório da felicidade, a qual vê equívocos nas conclusões, pois, segundo ela, “os fundamentos da pesquisa sobre felicidade são muito ocidentais. Ao mesmo tempo, ela se perguntou o quão sensato é colocar os países do mundo em ordem com base nisso”.

Os analistas concordam com os questionamentos críticos ao WHR e entendem que os mesmos ignoram variáveis importantes, à medida que tentam igualar todas as realidades e observá-las sob uma perspectiva única. Conforme afirmam especialistas, em relação a Finlândia, é notório que existem problemáticas sociais a serem vencidas, as quais não desaparecerão simplesmente pela emissão de um estudo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Aurora boreal na Lapônia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ae/Aurora_borealis_over_Lapland_%28Unsplash%29.jpg/1280px-Aurora_borealis_over_Lapland_%28Unsplash%29.jpg

Imagem 2 Emoji triste” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/87/Emojione_1F641.svg/600px-Emojione_1F641.svg.png

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleições internas no Equador contrapõem correistas e morenistas

No dia 24 de março de 2019 cerca de 13.262.000 pessoas compareceram às urnas para as eleições regionais do Equador, segundo estimativa do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A disputa entre os candidatos aliados ao ex-presidente Rafael Correa e ao atual mandatário Lenín Moreno foi uma das facetas do processo.

Para melhor entender as chamadas “eleições seccionais”, necessário se faz compreender a divisão política do Equador: são 24 províncias (semelhantes aos estados no Brasil), por sua vez subdivididas em 221 cantões que se subdividem em paróquias. Cada província tem um Governador, que é um representante federal designado pelo Presidente da República, e um Prefeito Provincial, eleito por voto popular. Os cantões são como municípios, com suas paróquias urbanas e paróquias rurais, governados por um Alcalde.

CNE – página de resultados das eleições

As Eleições 2019 visaram eleger pouco mais de onze mil cargos, entre titulares e suplentes, sendo: 23 Prefeitos(*) e Vice-Prefeitos, 221 Alcaldes, mais de 1.000 Conselheiros, dentre Urbanos e Rurais, cerca de 4 mil Vogais Paroquiais e 7 Conselheiros do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social (CPCCS). Os eleitos tomarão posse em 14 de maio de 2019, para um mandato de 4 anos.

O CPCCS tem como função garantir a transparência e governança do país, sendo inclusive responsável pela nomeação de membros da Defensoria Pública, da Controladoria Geral e do Conselho Nacional Eleitoral. O Conselho é formado por 3 membros do gênero masculino, 3 do feminino e 1 representante dos povos e nacionalidades indígenas, afroequatorianos ou mestiços e de equatorianos no exterior. Pela primeira vez foram eleitos por voto direto, em razão de referendo e consulta popular realizados em fevereiro de 2018, que alterou a forma de designação.

No período de 22 a 27 de março de 2019, foram decretados a Lei Seca (proibição de venda de bebidas alcóolicas) e o Silêncio Eleitoral, que proíbe publicidade eleitoral,   manifestações políticas e propaganda de instituições públicas.  Em 21 de março, quase 10 mil pessoas privadas de liberdade sem sentença condenatória votaram em centros de detenção e, no dia seguinte (22 de março) foi a vez dos idosos e das pessoas com deficiência, que por meio do programa Voto en Casa tiveram seus votos coletados em domicílio.

Em 23 de março começou na Austrália e Oceania a votação dos equatorianos residentes no exterior. Os eleitores com residência no próprio país votaram no dia 24 de março. Segundo a Missão da OEA, as eleições geridas pelo CNE foram realizadas sem maiores problemas, “com alta participação, em ambiente pacífico” e “a jornada transcorreu de maneira tranquila em todo o país, apesar de alguns incidentes isolados”.

Nas primeiras horas do dia principal de votação (24 de março) o jornal brasileiro Estadão apresentava um cenário de incerteza marcado por: de um lado, a queda na aprovação do governo de Lenín Moreno de 77%, no início do mandato (maio/2017), para 30%, em março de 2019; de outro, a dificuldade de posicionamento dos correistas, vinculados ao antecessor de Moreno, Rafael Correa. Finda a votação, a avaliação do mesmo periódico, em 26 de março, é que os correistas foram derrotados porque perderam a eleição nas três principais cidades do país, ou seja, Quito, Cuenca e Guayaquil.

Não há consenso entre a mídia, entretanto, quanto a essa avaliação e, para a Rede de TV Telesur, o voto dos eleitores da Província de Manabí e de Pichincha, onde fica Quito, a capital, consagram o correismo como “a primeira força eleitoral do Equador”.  O El País também destaca o forte apoio popular a candidatos correistas que tiveram que se valer da organização política Força Compromisso Social, em razão de não terem logrado êxito no registro do Movimento Acordo Nacional (MANA),  depois que o Aliança País, fundado por Correa ficou em mãos de Moreno, como resultado de uma disputa.

Posições mais moderadas, como do mexicano Diario Tiempo, consideram que houve alguma expansão do correismo, embora não tenham ocupado postos-chaves nas três cidades mais importantes. As perdas econômicas e sociais acumuladas nos quase dois anos de governo de Moreno parecem estar ajudando a dar uma sobrevida ou mesmo um renascer à Revolução Cidadã, movimento que marcou a gestão de Rafael Correa.

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Nota:

* Dentre as 24 províncias, as Ilhas Gálapagos são a única Província com regime especial, sem Prefeito Provincial, mas elegem os demais candidatos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Votação nas eleições seccionais do Equador” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190322_cne_voto.jpg

Imagem 2 CNE – página de resultados das eleições” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190325_cne_general.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleição na Ucrânia terá segundo turno

A Ucrânia não se furtou ao segundo turno ser disputado no dia 21 de abril, que ocorrerá entre o atual Presidente, Petro Poroshenko, e a “zebra” do pleito, Volodymyr Zelenskyi, um conhecido comediante no país, famoso por atuar em uma série de televisão no papel de um professor que se torna Presidente da Ucrânia, “O Servo do Povo”. Zelenskyi alcançou mais de 30% dos votos de 63% dos eleitores que foram às urnas no dia 31 de março, pelo partido homônimo, em eleição com maior índice de participação do que a anterior, em 2014.

Como resultado desse primeiro pleito tivemosPoroshenko com cerca de 18% e a candidata Yulia Tymoshenko, ex-Primeira-Ministra com um fraco desempenho de apenas 14% dos votos. No gráfico abaixo observamos que Zelenskyi já havia crescido nas pesquisas de intenção de voto desde o ano passado (2018), acelerando a partir de dezembro de 2018 (linha verde clara), enquanto que Tymoshenko já vinha em declínio (linha vermelha) e Poroshenko (linha azul) em crescimento também, porém mais lento.

Eleição Presidencial da Ucrânia – 2019

Embora a diferença entre o primeiro e o segundo colocados seja significativa, Petro Poroshenko é um político experiente. Ele já fala em “mobilização total dos patriotas ucranianos”, usando a retórica nacionalista ao mesmo tempo em que acusa Zelenskyi de ser mero títere de um oligarca, Kolomoisky.

Por outro lado, Poroshenko enfrentou a fúria das manifestações de nacionalistas contra seu governo. Grupos de militantes nacionalistas, o National Corps, acompanharam-no em seus comícios, acusando-o de corrupção. Aliás, a reclassificação do grupo para “perigosos paramilitares com ligações com a Rússia”, já que durante a Guerra do Donbass fora chamado de “defensores heroicos de Mariupol”, informa muito sobre a guerra de informações e contrainformações no período pré-eleitoral.

Com sua popularidade caindo de mais de 50% em 2014 para menos da metade em 2019, Poroshenko tem de lidar com os casos de corrupção envolvendo seu governo, particularmente o do setor de defesa, casos da UkrOboronProm e da estatal de gás, Naftogaz. Contra isso, parte significativa do eleitorado preferiu apostar na “renovação”, em que pesem críticas quanto a sua inexperiência em dirigir um país em guerra, como ocorre no Leste, nas regiões separatistas do Donbass.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Volodymyr Zelenskyi” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:ВладимирЗеленскийв_Чехии.jpg

Imagem 2 Eleição Presidencial da Ucrânia 2019” (Fonte): https://ru.wikipedia.org/wiki/Файл:Ukraine_Presidential_Election_2019.png