EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Candidato à Presidência lituana apresenta programa de Política Externa

Nos últimos anos, a Lituânia demonstra interesse em ser um Estado cada vez mais independente e estimula seus cidadãos a escolherem o futuro de sua nação sem considerar as possíveis influências externas. Após a saída da antiga União Soviética, os lituanos, assim como os Estados bálticos da Letônia e Estônia, lutam pela autoafirmação de seus países no cenário internacional, e, para isso, ingressaram na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), buscando conquistar espaços políticos.

No momento, a Lituânia está em fase de campanha eleitoral para o cargo de Presidente, com uma disputa acirrada entre 17 candidatos: Vytenis Andriukatis, Petras Auštrevičius, Alfonsas Butė, Raimonda Daunienė, Petras Gražulis, Vitas Gudiškis, Arvydas Juozaitis, Camimier Juraitis, Aušra Maldeikienė, Valentin Mazuron, Mindaugas Puidokas, Naglis Puteikis, Saulius Skvernelis, Toms Simple, Ingrida Šimonytė, Valdemar Tomaševski e Gitana Nausėda.

O candidato Gitana Nausėda, ciente da importância da política externa para o país, apresentou suas propostas no último dia 15 deste mês (março), e enfatiza um maior foco na diplomacia econômica, um diálogo com a Rússia, um olhar mais aberto aos investimentos da China, maior destaque para a OTAN e ter a UE como uma confederação.

A valorização do fator comercial na política externa lituana contribuiria para facilitar o acesso dos empresários daquele país ao mercado internacional, e uma maior parceria com a China seria fundamental para ramificar os negócios, conforme afirma o próprio Nausėda no jornal The Baltic Times: “Sou a favor do desenvolvimento da cooperação econômica com a China, já que não há grandes riscos relacionados ao comércio. Sinto falta do elemento econômico em nossa política externa. Acho difícil entender por que estamos cortando a parte do financiamento para a política externa, fechando representações e posições de adido comercial”.

Gitanas Nausėda

Em matéria de política, o candidato Nausėda entende que a UE deveria ser menos centralizadora, pois os países menores tendem a arcar com grandes responsabilidades, enquanto os países maiores tendem a não se arriscarem muito; em relação a OTAN compreende que a Lituânia deve dar maior ênfase discursiva e financeira ao Bloco, pois o mesmo faz parte de seu apoio externo na área de defesa; e, sobre a Rússia, Nausėda acredita que se não houver problemáticas acerca dos princípios lituanos, o diálogo deve ser mantido, e focalizando a perspectiva econômica e cultural.

O próprio candidato Nausėda tornou a afirmar no jornal The Baltic Times:

A OTAN é o mais importante e praticamente o nosso único escudo que a Lituânia pode usar para deter qualquer inimigo externo. Devemos reforçar a OTAN não apenas através de palavras, mas também através de compromissos”. Em relação a Rússia ele afirma: “Mas estes são nossos países vizinhos e se não renunciarmos aos nossos princípios, podemos tentar falar com eles, talvez partindo da alavanca política mais baixa e, antes de tudo, focalizando a cooperação econômica e cultural”.

Os analistas compreendem que a região do báltico possui uma sensibilidade política que deve ser considerada no tocante a expansão das fronteiras da UE e da OTAN em direção à Rússia, e da afirmação política da Lituânia no plano regional. Todavia, a ascensão de um Presidente lituano capaz de entender as questões centrais que rodeiam a política interna e externa da Lituânia poderia contribuir para maior progresso e menos tensões para as nações locais. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Palácio Presidencial da Lituânia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9c/Wilno_-_Pa%C5%82ac_prezydencki.jpg

Imagem 2 Gitanas Nausėda” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1f/Gitanas_Nauseda.jpg/1024px-Gitanas_Nauseda.jpg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório Mueller nega conspiração entre a campanha de Trump e a Rússia

O procurador especial Robert Mueller encerrou as investigações sobre o suposto conluio entre a campanha presidencial de Donald Trump e a Rússia. De acordo com o Relatório, não foram encontradas evidências que comprovem que o presidente Trump e sua equipe tenham conspirado com quaisquer russos durante as eleições de 2016. O Documento foi resumido e entregue ao Congresso norte-americano pelo procurador-geral William Barr, no dia 24 de março (2019).

A investigação perdurou por dois anos. Inicialmente, ela estava sob o comando de James Comey, o diretor do FBI na época. Entretanto, em maio de 2017, o presidente Trump decidiu pela demissão de Comey, o que suscitou suspeitas acerca de obstrução da justiça. Após esse episódio, Robert Mueller, ex-diretor do FBI, foi indicado por Rod Rosenstein, vice-Procurador-Geral, para liderar as investigações.

Assim, Mueller ficou responsável não só por averiguar as acusações de envolvimento da campanha Trump com a Rússia, como também passou a apurar se o Presidente americano teria obstruído a justiça. No total, mais de 40 agentes federais envolveram-se nas investigações; em torno de 500 testemunhas foram ouvidas; e mais de 2.800 intimações foram expedidas.

O Procurador Especial, Robert Mueller

O Relatório Mueller não foi divulgado na íntegra, contudo, o procurador-geral Barr divulgou o sumário, onde destacou que “o procurador especial não descobriu que qualquer pessoa dos EUA ou funcionário da campanha de Trump tenha conspirado ou coordenado intencionalmente com a Rússia”. Ademais, Mueller não chegou a uma conclusão definitiva se o presidente Trump obstruiu ou não a justiça. Barr e Rosestein afirmaram que “ao catalogar as ações do presidente, muitas das quais aconteceram às vistas do público, o relatório não identifica ações que, em nosso julgamento, constituam conduta obstrutiva”. Entretanto, Robert Mueller destaca no Documento que isso não significa que Trump esteja exonerado, ou seja, que não tenha tentado obstruir as investigações. Em meio a essa situação dúbia, o Presidente norte-americano publicou em sua rede social Twitter: “Sem conluio, sem obstrução, exoneração completa e total. Mantenha a América grande!”.

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No que concerne a Rússia, o porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov, afirmou que “é difícil encontrar um gato preto em um quarto escuro, especialmente se ele não está lá” e completou que no sumário do Documento “não há nada de novo, apenas o reconhecimento da ausência de conluio”. Efetivamente, Mueller deixa explícita a inocência de Trump e sua equipe de campanha, mas afirma, enfaticamente, que houve interferência nas eleições por meio de hackers do governo russo, os quais tiveram acesso às informações pessoais de Hillary Clinton, ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos em 2016.

Apesar desse cenário, Konstantin Kosachev, senador que lidera o Comitê de Assuntos Exteriores da Federação Russa, afirmou que “há uma chance de recomeçar as nossas relações a partir do zero, mas é uma questão de saber se Trump assumirá esse risco. Certamente, estamos prontos”. Entretanto, essa situação pode ainda estar distante, visto que ainda há inconsistências diplomáticas entre os dois países, já que a Rússia segue afirmando que não interferiu nas eleições dos EUA em 2016.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Relatório: Avaliando Atividades e Intenções Russas nas Eleições Recentes do EUA (Capa)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Intelligence_Community_Assessment_-_Assessing_Russian_Activities_and_Intentions_in_Recent_US_Elections.pdf

Imagem 2O Procurador Especial, Robert Mueller” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Director_Robert_S._Mueller-_III.jpg

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Requerentes de refúgio nos EUA retornaram para o México, apesar das alegações de medo

Duas pessoas da América Central que buscaram refúgio nos Estados Unidos foram mandadas de volta para o México na quinta-feira (dia 21 de março), apesar das alegações de medo. Tal política implementada por Trump, conhecida como os Protocolos de Proteção aos Migrantes (MPP), que foi lançada no final de janeiro (2019), permite a devolução dos solicitantes de refúgio para o país de último asilo, até que o status de refúgio seja concedido ou não.

Entretanto, a União Americana das Liberdades Civis e outros grupos de direitos humanos defendem que os migrantes estão sendo devolvidos a cidades fronteiriças perigosas, onde eles não podem acessar o Conselho Legal ou receber notificação adequada de suas audiências.

Com alegações contrárias ao MPP, juristas avaliam a legalidade dos Protocolos. Advogados dos grupos de direitos humanos e do governo discutiram os aspectos técnicos da política na sexta-feira (dia 22 de março), em frente ao juiz distrital dos EUA, Richard Seeborg. Ele fez uma série de perguntas detalhadas sobre se a administração Trump tinha o poder para implementar a política. Seeborg também perguntou ao juiz o quão amplamente uma injunção poderia ser emitida e se qualquer suspenção da política deveria ser aplicada nacionalmente. Espera-se que ele decida sobre o caso em uma decisão por escrito.

Americanos protestam contra política imigratória de Trump

Segundo a advogada Robyn Barnard, do grupo sem fins lucrativos Human Rights First, os dois migrantes de Honduras tentaram convencer os oficiais de refúgio dos EUA que o México era perigoso demais para seu retorno. Mas, na noite de quinta-feira, depois de dois dias sob custódia, eles foram mandados de volta para a fronteira.

Um terceiro imigrante de 35 anos, Douglas Oviedo, de Honduras, disse que foi entrevistado pelas autoridades e retornou a Tijuana na terça-feira (dia 19 de março). Eles foram os primeiros a tentar provar a situação de vulnerabilidade, caso voltassem ao México.

Os requerentes de refúgio normalmente passam por uma entrevista de “medo crível” para avaliar sua elegibilidade durante o processo judicial. Mas o padrão de prova para fundamentar um “medo razoável” de ser devolvido ao México é mais rígido.

Barnard disse que um cliente, Ariel, de 19 anos, que pediu para ser identificado apenas pelo seu nome do meio, chorou durante a entrevista com as autoridades americanas, que durou várias horas, mas não os convenceu.

Outro cliente, um homem de 29 anos, alega que era líder evangélico e fugiu de Honduras por causa de ameaças contra sua atividade anti-gangue, também foi enviado de volta, disse Barnard.

Mais de 200 pessoas foram devolvidas ao México até o momento sob o MPP, que agora está sendo aplicado nos portos de San Ysidro e Calexico, na Califórnia, e no porto de entrada de El Paso, Texas, e aos migrantes que pedem refúgio entre os portos de entrada na área de San Diego, de acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).

Dados oficiais mostram diminuição do numero de migrantes

Essa é uma amostragem das dezenas de milhares de migrantes, principalmente da América Central, que tentaram entrar nos Estados Unidos e solicitar refúgio nos últimos meses. O governo dos EUA declarou que a política é necessária para conter o crescente número de pedidos de refúgio, muitos dos quais acabam sendo negados, porque os migrantes podem acabar vivendo nos Estados Unidos por anos devido a enormes atrasos no processo de imigração.

O DHS não respondeu imediatamente a um pedido de comentários sobre seus casos. Os Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA, que realizam entrevistas sobre refúgio, disseram que não podem comentar casos individuais porque existem regras de confidencialidade. “Muito ainda é desconhecido. Não recebi nenhuma justificativa ou determinação por escrito para o retorno dos meus clientes”, afirmou Barnard.

A resposta de Trump aos migrantes centro-americanos tem como alicerce suas promessas de campanha. Mesmo com a queda percentual do número de ingressos ilegais no país pela fronteira mexicana, Trump busca provar que os EUA enfrentam uma crise migratória, a qual deve ser combatida com barreiras físicas (muro) e legais (MPP). 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Trump avalia construção de muro na fronteira com o México” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Immigration_policy_of_Donald_Trump

Imagem 2Americanos protestam contra política imigratória de Trump” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Immigration_policy_of_Donald_Trump

Imagem 3Dados oficiais mostram diminuição do numero de migrantes” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Immigration_policy_of_Donald_Trump

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Chile é o país mais feliz da América do Sul, segundo ranking da ONU

Em 20 de março de 2019, data em que se comemora o Dia Internacional da Felicidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o seu Relatório Felicidade Mundial 2019 (World Happiness Report 2019), com dados de 156 países. No documento o Chile é o mais bem posicionado (26º) na América do Sul e o terceiro na América Latina, superado por Costa Rica (12º) e México (23º).

Esta é a sétima edição do relatório baseado em pesquisa feita pelo Instituto Gallup e publicado anualmente desde 2012. A abordagem avalia  “o quão felizes os cidadãos se percebem” e este ano tem como foco a “felicidade e a comunidade”, isto é, como a felicidade evoluiu nos últimos doze anos, com ênfase em tecnologia, normas sociais, conflitos e políticas públicas voltadas para estas questões. Outros fatores tangíveis são agregados na avaliação, tais como nível de educação, apoio social, eficiência dos governos, PIB per capita, expectativa de vida e corrupção.

Além de um capítulo de abertura, o World Happiness Report apresenta seis outros com análises de questões gerais que afetam o nível de felicidade, a exemplo do Capítulo 7 que aborda a influência do vício em drogas e internet no declínio do bem-estar da sociedade estadunidense. De acordo com o portal de notícias América Economia, os Estados Unidos estiveram no 11º lugar em 2012 e perderam posições ao longo destes sete anos, até chegar em 19º lugar no atual relatório.

Na listagem geral, que aparece a partir da página 24, a Finlândia aparece em 1º lugar, seguida de Dinamarca (2º), Noruega (3º), Islândia (4º), com a Suécia em 7º lugar, o que coloca todos os países nórdicos entre os “top 10” do ranking. O último país da lista é o Sudão do Sul (156º), antecedido pela República Centro Africana (155º) e Afeganistão (154º). Na América Latina os piores índices são do Haiti (147º) e da Venezuela (108º), que detém a menor qualificação na América do Sul.

Cueca – dança popular do Chile

O Chile experimenta um período de estabilidade política há treze anos com Michelle Bachelet (esquerda) e Sebastian Piñera (direita) se revezando na Presidência, por meio do voto popular. Na última eleição, em 2017, Bachelet não era candidata e Piñera venceu derrotando Alejandro Guillier, tido como sucessor de Bachelet e apoiado pela esquerda. Para alguns analistas, a vitória de Piñera se explica por um desejo dos eleitores de não correr riscos com candidatos novos que pudessem comprometer as conquistas já obtidas com os dois já anteriormente conhecidos.

A alternância de poder, sem grandes polarizações, já que tanto Bachelet quanto Piñera são vistos como moderados, parece ser a fórmula encontrada pelos chilenos para garantir o seu bem-estar, no país que, inclusive, foi indicado como “o melhor país da América Latina para fazer negócios”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Santiago” (Fonte): https://www.visitchile.com.br/guias-de-viagem/santiago-e-arredores/fotos.htm#arquivo

Imagem 2 Cueca dança popular do Chile” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/42/Cueca_en_La_Moneda.jpg/800px-Cueca_en_La_Moneda.jpg

ÁSIADEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pequim planeja construir base estratégica no Mar do Sul da China

A China clama soberania sobre a maior parte do Mar do Sul da China por meio de sua “linha de nove traços” (“nine-dash line”, em inglês), que abrange as Ilhas Pratas, as Ilhas Paracel, as Ilhas Spratly e o Atol de Scarborough. A área é estratégica por ser uma das principais zonas de transporte de mercadorias do Leste da Ásia, além de ser rica em petróleo cru e gás natural. A zona está em litígio com o Vietnã, a Indonésia, a Malásia, Brunei, as Filipinas e Taiwan.

Linha de Nove Traços’, defendida pela China

O governo chinês planeja construir uma base estratégica de logística e serviços na Ilha Woody (Yongxing, em mandarim), a maior do arquipélago das Ilhas Paracel, e duas ilhas artificiais, Tree e Drummond (Zhaoshu e Jinqing, em mandarim), nas águas em disputa do Mar do Sul da China, relata o jornal South China Morning Post. O projeto será implementado pela cidade de Sansha, localizada na província de Hainan, que também é o território mais meridional da China.

Na sexta-feira (15 de março), o Secretário do Partido Comunista de Sansha, Zhang Jun, afirmou que o plano de desenvolvimento da base e das ilhas artificiais origina-se a partir de uma diretiva do governo central lançada em abril de 2018, na ocasião do trigésimo aniversário da província de Hainan. Zhang também declarou: “Nós precisamos planejar cuidadosamente o desenvolvimento integral das ilhas e recifes baseado nas suas diferentes funções e levando em consideração seu relacionamento complementar”.

Ilha artificial Fiery Cross Reef, dotada de sistemas de radares e antimísseis, no arquipélago das Ilhas Spratly

Pequim construiu sete ilhas artificiais em áreas em litígio com outros países no Mar do Sul da China, criando mais de 128 milhões de metros quadrados de terra nova para o país, e clama a existência de zonas marítimas chinesas em torno dessas ilhas. O governo chinês tem militarizado a região de forma intensa desde 2014, por meio da instalação de radares submarinos, depósitos de armas e mísseis antinavio nas Ilhas Spratly.

Ao mesmo tempo, os Estados  Unidos  estão alarmados com a expansão da zona de influência chinesa no Pacífico, o que cria vulnerabilidades para a sua segurança, podendo comprometer as redes de comunicação e as rotas de navegação na região, constrangendo sua habilidade de trabalhar com seus aliados. A Marinha americana realizou duas operações de liberdade de navegação no Mar do Sul da China, em janeiro e em fevereiro de 2019, como forma de protestar contra a objeção chinesa de que veículos militares estrangeiros naveguem nas proximidades ou sobrevoem suas ilhas.

Os interesses das duas grandes potências no Mar do Sul da China têm o potencial de colocar Pequim e Washington em rota de colisão, tornando o Leste da Ásia uma região cada vez mais volátil e que pode desestabilizar a segurança do sistema internacional como um todo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista aérea da Ilha Woody, no arquipélago das Ilhas Paracel” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/Aerial_view_of_Woody_Island.jpg

Imagem 2 Linha de Nove Traços’, defendida pela China” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Nine-Dash_Line#/media/File:South_China_Sea_Claims_and_Boundary_Agreements_2012.jpg

Imagem 3 Ilha artificial Fiery Cross Reef, dotada de sistemas de radares e antimísseis, no arquipélago das Ilhas Spratly” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fiery_Cross_Reef#/media/File:Fiery_Cross_Reef_2015.jpg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA fica em alerta com nova chegada de soldados e equipamentos militares russos na Venezuela

Ontem, domingo, dia 24 de março, agências de notícias informaram ao mundo que a Federação Russa enviou à Venezuela pouco mais de 100 militares*, dentre eles o general Vasily Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres da Rússia, além de 35 toneladas de equipamentos bélicos. Segundo consta, o jato Ilyushin IL-62 levou passageiros e o cargueiro Antonov NA-124 transportou o equipamento.

Vasily Petrovich Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres de Rússia e Coronel General desde 2015

Tanto as autoridades russas quanto as venezuelanas evitaram emitir comentários, mas a veracidade das informações foi obtida graças as comunicações feitas por um site responsável por acompanhar voos (Flightradar 24), o qual apresentou que dois aviões saíram de um aeroporto militar Chkalovsky, na Rússia, no dia 22, sexta-feira, em direção a Caracas, fazendo escala na Síria. E, ontem, dia 24, outro site, o Adsbexchange, informou que o avião de cargas decolou da Venezuela neste mesmo dia. Ao longo do domingo, a agência russa Sputnik confirmou o fato.

O evento vem trazendo desconforto aos EUA que já em dezembro de 2018 se manifestaram de forma rígida em relação ao pouso de dois bombardeiros estratégicos russos (TU-160) em Caracas, ao ponto de Mike Pompeo, Secretário de Estado norte-americano, ter declarado naquele momento que eram “dois governos corruptos desperdiçando fundos públicos e reprimindo a liberdade”, algo incomum na diplomacia, já que se trata da referência de forma ofensiva ao governo de uma superpotência.

A situação está tensa, pois, se naquela ocasião as explicações para a presença dos aviões TU-160 era a realização de exercício militares conjuntos, acertados há anos anteriores, sendo apenas uma sequência de acordos firmados, neste momento, os rumores são de que os russos desejam aparelhar e auxiliar o governo Maduro, diante da possibilidade cada vez maior de que haja uma intervenção externa no país, ou uma ação coordenada para forçar a renúncia do Presidente que está sob questionamento e não detém reconhecimento da Oposição venezuelana, de mais da metade da população do país e de mais de 50 Estados pelo mundo, os quais aceitam como legítima a Presidência Interina de Juan Guaidó.

Rússia e China são os principais credores e apoiadores da Venezuela, havendo bilhões de dólares em ativos a serem recebidos, e não aceitarão a queda do governo por meio do auxílio dos Estados Unidos, sabendo que isso significaria a perda dos valores envolvidos. Conforme vem sendo exposto por analistas ao longo deste período, a saída para a crise passaria diretamente pela negociação de Guaidó com chineses e russos.

Acredita-se que isso será difícil, devido ao papel que os norte-americanos vêm desempenhando na situação. Também se tem como certo que, neste momento do governo Trump, os Estados Unidos não aceitarão dialogar, principalmente com os russos, acrescentando-se ainda que, juntamente com as duas grandes potências que apoiam o governo bolivariano, Irã e Turquia também estão defendendo Maduro, sendo estes dois outros atores que se posicionam como adversários da política externa norte-americana, especialmente para o Oriente Médio e para o leste da Europa, e eles também detêm apoio expressivo da Federação Russa.

Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela

A chegada dos militares e de equipamentos bélicos russos demonstra indiretamente que Guaidó está perdendo o terreno para possível negociação com chineses e com a Rússia, apesar de haver informações de que a China está conversando paralelamente com o autoproclamado Presidente Interino e este, por sua vez, ter declarado em ocasiões recentes que estava aberto a conversar com o governo Putin.

Diante do quadro, o cenário fica mais tenso, podendo fazer com que o reforço a Maduro dado pelos russos leve a mais respostas duras contra os opositores e a mais violência nas ruas, podendo gerar a ruptura que se acredita que cedo ou tarde ocorrerá, mesmo porque se sabe que serão muito altos os custos econômicos para os russos em um envolvimento bélico numa guerra civil que se dê em território tão distante do seu, de forma que não será surpresa que a Oposição e seus apoiadores externos apostem na ruptura direta, mesmo com o suposto apoio que se está aventando.

No entanto, observadores apontam que a Rússia tem em mente a criação em futuro breve de uma base militar em território venezuelano, ou talvez a consolidação de algo já existente, com o interesse de fazer um avanço geoestratégico em relação aos Estados Unidos, sendo assim, no caso de todos apostarem na ruptura, o resultado poderá ser uma guerra civil mais duradoura e mais violenta.  

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Nota:

* As informações são imprecisas, apresentando algumas fontes 100 militares, outras quase cem e, outras, centenas de militares, sendo mais confiável acreditar que chegaram 100 militares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vasily Petrovich Tonkoshkurov, Chefe do Comando Principal das Forças Terrestres de Rússia e Coronel General desde 2015” (Fonte): https://es.wikipedia.org/wiki/Vasilii_Petrovich_Tonkoshkurov#/media/File:Vasiliy_Tonkoshkurov_(2016).jpg

Imagem 2 Juan Guaidó, autoproclamado Presidente interino da Venezuela” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Juan_Guaid%C3%B3#/media/File:Juan_Guaido_alternative_version.jpg