AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Equador obtém reconhecimento do Banco Mundial por política social inclusiva

Em recente visita realizada ao Equador, o Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Axel van Trostenburg, elogiou as políticas sociais do Governo voltadas para os segmentos mais vulneráveis da população. Trostenburg destacou a abordagem integral do trabalho, por ocasião de visita às brigadas da Misión Las Manuelas, em Quito, no dia 7 de março de 2019.

A Misión Las Manuelas busca “garantir a atenção integral a pessoas com deficiência e a seus núcleos familiares” por meio de visitas de equipes multidisciplinares (as brigadas) realizadas a domicílios no país, para identificar pessoas com deficiência em estado de extrema pobreza. A estas pessoas são fornecidos meios de desenvolver e fortalecer suas capacidades, habilidades e competências, visando inseri-las no mercado laboral. As características individuais são respeitadas na abordagem, além disso, os beneficiários são protagonistas das decisões que impactarão suas vidas. Casos de agressão recebem o tratamento adequado e atenção à saúde é ofertada de modo contínuo e integral para que alcancem o melhor nível possível de bem-estar mental, físico e social.

A missão foi criada originalmente em 2009, na gestão de Rafael Correa, tendo Lenín Moreno como seu Vice-Presidente, por meio de um acordo de cooperação com Cuba e se chamava Misión Solidaria Manuela Espejo, em homenagem à enfermeira equatoriana Manuela Espejo que viveu entre os séculos XVIII e XIX. Moreno, que é cadeirante desde 1998, foi entusiasta da iniciativa e tratou de reinseri-la na agenda governamental, já como Presidente, em novembro de 2017, como parte do Plan Toda Una Vida. Segundo o periódico equatoriano El Telégrafo, Moreno tratou de reativar o projeto, agora como Misión Las Manuelas, alegando que foi abandonado pelos governos anteriores porque as pessoas com deficiência não têm direito a voto.

Las Manuelas é uma das sete missões do  “Plan Nacional de Desarrollo 2017-2021 Toda una Vida”, conhecido como Plan Toda Una Vida, que atua com foco em três eixos: 1) Direitos para todos por toda a vida; 2) Economia a serviço da sociedade; 3) Mais sociedade, melhor Estado. As outras seis missões são: 1) Casa para todos; 2) Ternura; 3) Menos pobreza, más desarollo; 4) Mujer; 5) Mis Mejores Años e 6) Impulso Joven. Os objetivos do Plano são convergentes com os da Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e a gestão está a cargo de um Comitê Interinstitucional presidido pela primeira dama Rocío González de Moreno.

Axel Trostenburg, que tomou posse como Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, em 1º de fevereiro de 2019, conheceu o trabalho em Quito, acompanhado do Presidente, da Primeira Dama e da Secretária Técnica do Plan Toda Uma Vida. Ele, então, demonstrou interesse em divulgar a Misión Manuelas como um modelo aplicável ao atendimento dos mais de hum milhão de pessoas com deficiência no mundo.

Objetivos do Misión Manuelas

Em final de fevereiro passado o Misión Manuelas já havia despertado o interesse da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) quando, em reunião conjunta, o Governo do Equador sugeriu que a capital, Quito, sediasse a primeira reunião do “Programa Iberoamericano sobre direitos das pessoas com deficiência”, a ser realizado de 1º a 2 de abril. A SEGIB, conforme informado no seu site, é “um organismo internacional que apoia os 22 países que constituem a comunidade ibero-americana: 19 da América Latina de língua espanhola e portuguesa, e Espanha, Portugal e Andorra, na Península Ibérica”. Nessa ocasião deverão ser eleitas a Presidência e a Unidade Técnica e os equatorianos manifestaram o desejo de liderar a iniciativa.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trostenburg acompanha Presidente do Equador, Primeira Dama e Secretária Técnica do Plan Toda Uma Vida” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2019/03/WhatsApp-Image-2019-03-07-at-11.57.16.jpeg

Imagem 2 Objetivos do Misión Manuelas” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2017/07/misionLasManuelas-01-768×803.png

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia aprova lei contra Fake News

Termo muito conhecido de quem trabalha com jornalismo e afins, as Fake News (traduzindo do inglês, “noticias falsas”) ganharam notoriedade em 2016, quando o então candidato à Presidência dos EUA, Donald Trump, foi acusado de ter utilizado deste recurso em contraponto a diversos meios de comunicação que faziam frente à sua candidatura, e, assim, ajudou a popularizar esse conceito em todo o globo como meio utilizado para definir boatos, rumores ou notícias imprecisas que são publicadas principalmente por meios digitais como a Internet, onde a velocidade de propagação permite potencializar seu impacto sobre a opinião pública.

Duma – Assembleia dos Deputados da Rússia

Atualmente, vista como uma “arma” de desinformação em massa, que possivelmente poderia desestruturar a credibilidade de indivíduos, órgãos públicos e privados e até mesmo de governos, as Fake News estão começando a ser tratadas como crime passível de punição. Foi assim que a Duma (a Câmara Baixa, que corresponderia à Câmara dos Deputados do Brasil) aprovou, em 7 de março de 2019, projetos de lei contra essa pratica, e que, posteriormente, em 13 de março, também foram aprovados pelo Soviete da Federação (a Câmara Alta russa, que corresponderia, guardadas as diferenças específicas, ao Senado no Brasil), aguardando, agora, a assinatura do presidente Vladimir Putin.

As medidas se aplicarão a quem “fizer publicações online indecentes que demonstrem desrespeito pela sociedade, o país, os símbolos oficiais de Estado, a Constituição e as autoridades”, e definem a notícia falsa como: “não verificar qualquer informação apresentada como fato que ameaça a vida, saúde ou propriedade de alguém, ameaça a ordem pública, interfira ou comprometa infraestruturas, transporte e serviços sociais, sistema bancário, comunicações e outros setores econômicos”.

Os projetos também dão àqueles que publicarem tais informações a liberdade para corrigí-las ou removê-las e, caso não o façam, serão direcionadas punições pelos respectivos órgãos fiscalizadores que aplicarão, além do possível bloqueio da notícia, multas escalonadas para pessoas físicas que oscilarão entre US$ 460 e US$ 6,1 mil*,  e, para pessoas jurídicas, entre US$ 3,06 mil e US$ 23 mil**, enquanto a penalidade para funcionários com cargos de responsabilidade ficará entre US$ 920 e US$ 13,8 mil***. Em caso de reincidência, os infratores poderão ser multados em até o dobro do valor estipulado da multa ou mesmo serem detidos pelo prazo de 15 dias.

Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português

O Conselho de Direitos Humanos da Rússia pediu previamente ao Soviete da Federação (o Senado) que revise tais projetos, ao considerar que nenhum corresponde aos critérios que estabelecem os direitos e as liberdades referendadas na Constituição russa. O órgão também destacou o excesso das limitações à liberdade de expressão e considerou que as normativas deixam a porta aberta à sua interpretação arbitrária. Sergei Boyarsky, Chefe Adjunto do Comitê da Duma para Políticas de Informação, disse que “não há nenhuma conversa sobre a censura, e que não haverá proibição à crítica de funcionários ou à expressão de visões e opiniões que diferem da linha oficial”. Já os críticos reiteram que a legislação proposta faz parte dos esforços do Kremlin para reprimir as manifestações contrárias ao governo de Vladimir Putin e apertar o controle sobre a opinião pública.

Além da Rússia, outros países estão implantando leis severas sobre a divulgação premeditada de notícias falsas,como foi o caso da Malásia, que promulgou, em 2 de abril de 2018, Projeto de Lei Anti-Notícias Falsas que estabelece multas equivalentes a até US$ 123 mil (em torno de 468,95 mil reais, também conforme a cotação de 15 de março de 2019) e penas de até 6 anos de prisão.

———————————————————————————————–

Notas:

* Tomando como base a cotação do dia 16 de março de 2019, aproximadamente 1.754 reais e 23.260 reais, respectivamente.

** Conforme a mesma cotação, aproximadamente 11.670 reais e 87.670 reais, respectivamente

*** Também de acordo com esta cotação, próximos de 3.508 reais e 52.614 reais, respectivamente.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fake News” (Fonte): https://netzpolitik.org/2017/heute-podiumsdiskussion-zu-fake-news-und-luegenpresse/

Imagem 3 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

Imagem 2 Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA, em português” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Not%C3%ADcia_falsa#/media/File:Como_identificar_not%C3%ADcias_falsas_(How_To_Spot_Fake_News).jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Perspectivas da política externa iraquiana: desafios e oportunidades

O gabinete do governo iraquiano, que se sustenta pela maioria parlamentar garantida por meio da Aliança Nacional Iraquiana, congrega em seu interior interesses diversos, sobretudo em suas relações com grupos fora do Iraque. Por isso a política externa do país, mais do que um termômetro do equilíbrio interno, pode representar a coesão necessária para que os lados encarem os desafios que possuem após o fim dos combates com o Estado Islâmico, como reinserir Iraque na política regional, reconstruir a economia e superar os altos índices de desemprego, sobretudo entre jovens*. Estes problemas sociais, caso não superados, podem impactar profundamente nos avanços que o país experimentou recentemente.

O plano para a reconstrução do Iraque, que foi apresentado em conferência realizada em fevereiro de 2018 no Kuwait, requer um investimento de cerca de US$ 100 bilhões ao longo de dez anos (aproximadamente, 381,41 bilhões de reais, conforme a cotação de 14 de março de 2019). Como indicado em reportagem da Al-Jazeera, uma parcela significativa dos US$ 30 bilhões (próximos de 114,42 bilhões de reais, de acordo com a mesma cotação) que foram prometidos durante conferência proveio de países do Oriente Médio, como Turquia, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes e Arábia Saudita, mostrando que ganhar confiança dos próprios vizinhos será um desafio central para que o Iraque possa superar os entraves que se apresentam à sua estabilidade.

Enfrentar esta conjuntura depende diretamente da personalidade que tomará a frente na construção da política externa iraquiana. Até o momento, a figura do presidente Barham Salih tem sido mais relevante nesta área do que a do primeiro-ministro Adil Abdul-Mahdi. O Presidente, de origem curda, é tido como uma figura dinâmica e enérgica, o que lhe garante grande popularidade dentro e fora do Curdistão iraquiano. Salih, até o momento, tem se mostrado bom interlocutor para a maioria dos atores com os quais o Iraque busca estabelecer diálogo. O Presidente recebeu no dia 9 de janeiro de 2019 o Secretário de Estado estadunidense, Mike Pompeo, posteriormente encontrou-se com o chanceler iraniano Mohammed Zarif, e recepcionou o Presidente do Irã, Hassan Rouhani, no dia 11 de março. Segundo noticiado pelo Deustche Welle, o Presidente iraniano salientou na ocasião de sua visita que esta se tratava de um marco histórico na renovação das relações entre os países. O encontro também deu lugar à assinatura de acordos comerciais. Salih realizou também visitas a todos os países vizinhos, bem como discursou em eventos na Europa, onde encontrou-se com Chefes de Estado.

Presidente iraquiano proferindo conferência ‘Após o Daech, um novo Iraque’, no Instituto Francês de Relações Internacionais

O presidente Salih, mais do que o primeiro-ministro Abdul-Mahdi (político que é um interlocutor de preferência dos iranianos), representa tendência já sinalizada por outras forças políticas como Muqtad Al-Sadr, líder da coalizão Saairun (Avante), que conseguiu o maior número de assentos no Parlamento iraquiano no último pleito realizado em março de 2018. Conforme declarou Al-Sadr à reportagem do portal Bas News, o país necessita preservar boas relações com os Estados Unidos e o Irã, não promovendo, entretanto, espaço para ingerência de nenhum deles.

A projeção de interesses estratégicos de distintos países nos problemas internos é um efeito presente na vida política do Iraque desde a invasão pela Coalizão liderada pelos EUA, em 2003. O Presidente iraquiano ressaltou, em declaração oficial veiculada pela Presidência, a necessidade de uma mudança, e que o país pretende “deixar de ser a região onde conflitos são lutados” para ser “o local onde os interesses de nossos vizinhos convergem”. Um Presidente vindo do Curdistão pode constituir desde o princípio um recado forte de um Iraque coeso, com o necessário diálogo interno entre Bagdá e Erbil.

O Iraque atual acena para uma melhora da relação com demais vizinhos, estremecidas desde o período em que o regime de Saddam Hussein ainda estava no poder, há vários indicativos neste sentido, como o aumento das visitas e diálogo, ou a iniciativa de outros países da região em fornecer ajuda ao Iraque.

Coerente com tal perspectiva, o presidente Salih expressou, segundo a agência Reuters, uma postura enérgica frente às declarações de Donald Trump no dia 4 de fevereiro quanto ao uso da base dos Estados Unidos no Iraque para observar o Irã, alegando que preservar a relação do Iraque com a república islâmica é prioridade.

Salih posa para foto oficial junto a Hassan Rouhani, em primeira visita do mandatário iraniano ao Iraque

O reposicionamento do Iraque em sua política externa assinala, portanto, uma perspectiva multifacetada e de importância central, que refletirá diretamente a operacionalidade do governo iraquiano. Isto poderá ser um reflexo visível do equilíbrio interno da gestão, que busca afastar influências externas e tornar mais coeso o diálogo político entre grupos dentro do Iraque, em busca de estabilidade.

Conseguir a ajuda externa necessária à reconstrução do país irá requerer habilidade diplomática. Para que ele solucione suas crises deverá conquistar a confiança de outros atores, bem como para que possa retomar de maneira responsável e autônoma seu papel na dinâmica regional.

———————————————————————————————–

Nota:

*A taxa de desemprego no país atingiu 11,2% em 2018, de acordo com o Banco Mundial ela é duas vezes maior nas regiões mais afetadas pela violência do Estado Islâmico.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 O presidente iraquiano, Barham Salih (esquerda) recebe em audiência o PrimeiroMinistro do país, Adil AbdulMahdih (direita) em seu gabinete”(Fonte: Twitter da Presidência da República do Iraque – @IraqiPresidency): https://pbs.twimg.com/media/DyEBVfQWwAADeWY.jpg:large

Imagem 2 Presidente iraquiano proferindo conferência Após o Daech, um novo Iraque’, no Instituto Francês de Relações Internacionais”(Fonte: Twitter da Presidência da República do Iraque @IraqiPresidency): https://pbs.twimg.com/media/D0aKOtQW0AILK4u.jpg:large

Imagem 3 Salih posa para foto oficial junto a Hassan Rouhani, em primeira visita do mandatário iraniano ao Iraque”(Fonte: Twitter da Presidência da República do Iraque @IraqiPresidency): https://pbs.twimg.com/media/D1YIxrRXQAIAmb9.jpg:large

FÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Direito da comunidade LGBT nos PALOP

Amplamente debatido no cenário internacional entre Organizações Internacionais de Direitos Humanos, a concessão do direito da comunidade Gay, Lésbica, Bissexual e Transgênero (LGBT) de expressão e reconhecimento legal ocorre de forma concomitante a diversos relatos de violência e segregação.

Importante observar que segundo o mapeamento de 2017 da International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association (ILGA), as relações entre mulheres são criminalizadas em 45 países, enquanto as relações afetivas entre homens, em 72 Estados. Dentre as penas, as sanções podem variar em meses de prisão até a pena de morte – este último ocorre na Nigéria e Sudão, por exemplo.

No âmbito dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP), no mês de janeiro de 2019, Angola descriminalizou as relações homoafetivas e estabeleceu a punição de até dois anos nos casos de discriminação. A criminalização constava no Código Penal colonial português de 1886, que passou por reestruturação iniciada no ano de 2006.

Parada do Orgulho LGBT em Joanesburgo

Os demais países lusófonos africanos já passaram pelo processo de legalização das relações homoafetivas, a citar mais especificamente Cabo Verde e Moçambique, os quais, além de descriminalização, também possuem leis de proteção laboral no que tange a segregação pautada na sexualidade dos indivíduos.

Medidas complementares associadas às Organizações Internacionais e Associações locais para estimular a compreensão e sensibilização da população à causa LGBT também são adotadas. A título de exemplo, cabe citar a campanha das Nações Unidas denominada Livres e Iguais, que aliada a Associação LGBT de Santiago, em Cabo Verde, desempenha desde 2015 o acolhimento e a proteção contra a violência.

Logo da Campanha das Nações Unidas Livres e Iguais

Apesar de instituições reconhecerem que as descriminalizações configuram um avanço no reconhecimento da população LGBT, no quadro dos direitos desta comunidade encontram-se a legalização do casamento homoafetivo e a facilitação da readequação de documentos das pessoas transgênero. De forma complementar, como salienta a Anistia Internacional, a população LGBT possui o maior risco de exclusão social e econômica e maior dificuldade em acessar os sistemas de saúde e educação de forma igualitária. Os posicionamentos são de que as medidas adotadas no âmbito legal são relevantes, porém não devem ser anuladas ações visando a conscientização da população e a utilização da educação como ferramenta de combate a discriminação.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira do Arcoíris: símbolo da Comunidade LGBT” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Rainbow_flag_(LGBT_movement)#/media/File:Rainbow_flag_and_blue_skies.jpg

Imagem 2Parada do Orgulho LGBT em Joanesburgo” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Parada_LGBT#/media/File:Lesbian_Angels.jpg

Imagem 3 Logo da Campanha das Nações Unidas Livres e Iguais” (Fonte): https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2014/11/fe.png

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleição Presidencial na Ucrânia: quem são os principais candidatos

A eleição presidencial na Ucrânia será realizada neste mês, em 31 de março (2019). Caso nenhum candidato atinja maioria simples (mais de 50% dos votos), um segundo pleito ocorrerá em 21 de abril. Os eleitores decidirão entre 44 candidatos, mas seis são os mais cotados para vencer, de acordo com os institutos de pesquisa.

Petro Poroshenko, atual presidente ucraniano também é um dos candidatos nesta eleição

Petro Poroshenko, o atual presidente em exercício na Ucrânia, bilionário e candidato pelo partido “Solidariedade”, fundado em 2001, que é uma dissidência do Partido Social-Democrata. Mais conhecido por decretar a Lei Marcial no país no ano passado (2018), após o conflito com a Rússia no Estreito de Kerch, Poroshenko não é visto como eficiente em propor reformas ao país.

Yulia Tymoshenko, ex-Primeira Ministra lidera a União Pan-Ucraniana “Pátria”, um partido de direita liberal-conservador, criado em 1999.

Volodymyr Zelenskyy,este pode ser o coringa do pleito. Famoso roteirista e humorista, pode ter apoio de “oligarcas” para ser eleito devido a sua grande popularidade. Seu partido, o “Servo do Povo” é prova disso, herdeiro do “Partido da Mudança Decisiva”, leva o nome de um programa televisivo humorístico.

Yuriy Boyko,político pró-Rússia, ex-Ministro de Combustível e Energia e aliado da Ucrânia de língua russa a leste. É acusado por Poroshenko de tentar cancelar a eleição. Como o partido que o apoia ainda não teve seu registro homologado, o “Plataforma de Oposição – Para a Vida”, ele se apresentou como candidato autônomo.

Anatoliy Hritsenko,ex-Ministro da Defesa, é membro independente do Parlamento e concorre pelo partido “Posição Civil”. Tem a imagem de honestidade com uma propaganda de “mão forte”.

Oleh Lyashko,do “Partido Radical”, um influente legislador e jornalista que quer pena de morte para terroristas, traidores e corruptos.

A situação ucraniana é de grande fragilidade econômica. Para se ter uma ideia, o acordo feito como o Fundo Monetário Internacional (FMI) para sanar suas contas públicas terá efeito duro já este ano (2019), pois 70% de seu Produto Interno Bruto (PIB) já está comprometido com a dívida governamental, sobrando pouca margem para investimentos necessários para a retomada do crescimento.

No contexto ucraniano, discutir “os rumos do país” significa intensificar os laços com a Rússia ou com o Ocidente Europeu, isto é, a União Europeia. Neste sentido, centrar o debate nacional na questão administrativa e republicana, isto é, no problema da corrupção, soa mais “neutro”, menos polarizado, mais consensual. De qualquer forma, nenhum dos candidatos até o momento parece superar os 30% das intenções de voto, o que reflete a tradicional fragmentação regional e política do país. O sentido de união nacional ainda é uma incógnita maior do que o debate puramente econômico para a Ucrânia.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da Ucrânia ” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=ukraine+flag&title=Special%3ASearch&go=Go#/media/File:Flag_of_UPR_(22-03-19).PNG

Imagem 2 Petro Poroshenko, atual presidente ucraniano também é um dos candidatos nesta eleição” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=Poroshenko&title=Special%3ASearch&go=Go#/media/File:Poroshenko_2010_(cropped).jpg

AMÉRICA LATINAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Fortalecimento da parceria estratégica entre Rússia e Venezuela

Na semana passada (5 de dezembro de 2018), o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin, encontraram-se em Moscou, onde realizaram uma reunião sobre as principais diretrizes que orientam as relações bilaterais. Por conta da dificuldade econômica e política que o Governo Maduro vem sofrendo nos últimos anos, houve um afastamento entre os dois países, principalmente no que concerne ao comércio. O Encontro entre os líderes teve o objetivo de superar esse percalço e reestabelecer a parceria estratégica entre eles.

O resultado dessa Reunião foi um contrato de investimentos em projetos de extração de petróleo e ouro na Venezuela no valor de 6 bilhões de dólares, além de um acordo de abastecimento de 600 mil toneladas de trigo ao país sul-americano. Não só a parceria econômica foi incentivada,também foi discutida a cooperação técnica militar entre eles.

Poucos dias após o Encontro dos líderes,no dia 10 de dezembro (2018), quatro aeronaves russas pousaram na Venezuela,entre elas, dois bombardeiros Tupolev 160 (Tu-160), tal qual já citado em Análise no CEIRI NEWS (CNP). Esses aviões, apelidados de Cisnes Brancos por conta do design, foram desenvolvidos no começo dos anos de1980 e modernizados em 2000, eles alcançam uma velocidade máxima que é o dobro daquela do som, voam por 12 mil quilômetros e são capazes de transportar armas nucleares. De acordo com o Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, as aeronaves faziam parte de um exercício militar entre os dois países, em suas palavras, “estamos nos preparando para defender a Venezuela até o último momento caso seja necessário. Vamos fazer isso com nossos amigos porque temos amigos no mundo que defendem relações respeitosas e de equilíbrio”.

O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)

A declaração de Padrino ocorreu em meio a suspeita do Governo Maduro de uma intervenção dos EUA no país, visto que eles consideram que a Venezuela esteja vivendo um período antidemocrático. O presidente Putin, por sua vez, se opõe ao posicionamento dos norte-americanos e declarou que “qualquer tipo de ação terrorista com o intuito de mudar a situação na Venezuela por força deve ser condenada”.

A parceria militar entre os dois países, portanto, tornou-se evidente após esse acontecimento, algo que despertou desconfianças em alguns países do sistema internacional. O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, repudiou o exercício militar e acusou os dois governos de serem corruptos por esbanjarem fundos públicos e estreitarem a liberdade de suas populações. Outras autoridades americanas também criticaram a Rússia,acusando-a de agir dessa maneira para irritar os EUA.

Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco

As aeronaves retornaram às suas bases militares na Rússia 5 dias após o início do exercício militar, não tendo ocorrido nenhuma transgressão às regulações internacionais, segundo foi divulgado. Entretanto, a incerteza quanto às reais intenções entre Venezuela e Rússia ainda prevalece. Especialistas internacionais apontam que esse exercício foi uma demonstração de apoio da Rússia pelo regime de Maduro, um modo para que o governo Putin demonstre que seu país tem aliados e conexões importantes pelo mundo. De acordo com Famil Ismailov, editor do serviço russo da BBC, “é muito importante mostrar ao público interno que, apesar das sanções, a Rússia cumpre seu papel de superpotência e tem países amigos. Vale a pena pagar por isso”.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o Presidente da Rússia,Vladimir Putin” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/vIpRZIzrkQHJTVAN0I7bhcSJn8TtmJ7B.jpg

Imagem 2O bombardeiro Tupolev 160 (TU-160)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg/1000px-Tu_160_NTW_2_3_94_2.jpg

Imagem 3Projeto da aeronave Tupolev 160 (TU-160), o Cisne Branco” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/65/Tupolew_Tu_160_8001.png