ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Coreias: Seul e Pyongyang marcarão reunião de alto nível

Os governos da “Coreia do Sul” e da “República Democrática da Coreia” (RPDC), fecharam um acordo que tem por objetivo marcar uma reunião entre os líderes de ambos Estados. A reunião inter-coreana está prevista para ocorrer ainda nesta semana, mas sem data definida.

De acordo com especialistas, para a reunião, o desejado seria a presença dos funcionários de alto nível com seus respectivos Presidentes, porém, pelo fato de o encontro vir a ser realizado em Seul, a presença de Kim Jong-un é improvável. Ambas as Coreias ainda não revelaram os nomes de seus representantes durante o evento.

Chun Hae-sung, “Chefe da Delegação Sul-Coreana para Reunificação das Coreias” comunicou que houve um passo negativo até o momento. Afirmou: “Durante a reunião técnica, ontem, tentamos chegar a um acordo com a Coreia do Norte, afirmando que os ministros responsáveis pela unificação das duas Coréias devem representar cada parte para a próxima reunião governamental, a fim de resolver, substancialmente, a pendência de assuntos inter-coreanos, mas, no final, não conseguimos diminuir as diferenças[1].

Muitos temas serão abordados neste encontro, destacando-se o programa nuclear norte-coreano; as negociações entre Pyongyang e as potências orientais e ocidentais e questões econômicas mútuas, principalmente no que diz respeito ao parque industrial sustentado pelos dois governos.

O clima de tensão entre as duas Coreias aumentou após os lançamentos de “foguetes” portando satélites, por parte da “Coreia do Norte”, algo que as potências aliadas de Seul consideram como testes de parte do seu programa nuclear bélico, ou seja, como parte dos seus armamentos nucleares.

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://spanish.yonhapnews.co.kr/national/2013/06/10/0300000000ASP20130610001300883.HTML

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Ver também:

http://portuguese.cri.cn/1721/2013/06/10/1s168041.htm

Ver também:

http://spanish.yonhapnews.co.kr/national/2013/06/10/0300000000ASP20130610001400883.HTML

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Observando a dimensão sunita-xiita da política no “Oriente Médio”

No dia 31 de maio, Yusuf al-Qaradawi, religioso muçulmano egípcio de grande influência que vive no Qatar (mais conhecido por seu programa na rede de televisão “Al Jazeera” e pelo website “Islam Online”, o qual ajudou a fundar e onde expõe suas interpretações do Corão[1]), proferiu discurso em Doha, invocando os muçulmanos sunitas do Oriente Médio a entrarem no conflito da Síria contra o presidente sírio Bashar al-Assad[2].

Qaradawi denunciou a seitaAlawita (uma ramificação do Islã xiita) de Assad como “mais infiel que cristãos e judeus[3] e afirmou que o grupo libanês xiita Hezbollah (cujo nome significa “Partido de Deus”) é, na verdade, o partido do diabo[3]. Como destaca a especialista Geneive Abdo, as palavras de al-Qaradawi, embora não endereçadas a todos os muçulmanos xiitas, tiveram o efeito de demonizar todo o xiismo[3].

Uma semana antes disso, Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, reconheceu a participação do grupo no conflito sírio combatendo a oposição sunita ao regime de Assad, o que até então era tido pela comunidade internacional como uma verdade velada[3][4].

Em linhas gerais, a diferença entre as seitas sunita e xiita pode ser atribuída a desentendimentos quanto à sucessão do Profeta Maomé, que morreu em 632 d.C., e à natureza da liderança da comunidade muçulmana*[5].

Embora apenas 10 a 15% da população mundial siga o ramo xiita, os xiitas são maioria no Irã, no Iraque, no Bahrein, no Azerbaijão e, de acordo com algumas estimativas, no Iêmen. Também apresentam populações significativas no Afeganistão, na Arábia Saudita”, nos “Emirados Árabes Unidos”, na Índia, no Kuwait, no Líbano, no Paquistão, no Qatar, na Síria e na Turquia[6][7].

De acordo com Abdo, o duelo de discursos entre Qaradawi e Nasrallah tende a acirrar o conflito sunita-xiita no Oriente Médio”, para além dos casos sírio e libanês. Chama-se a atenção, assim, para o impacto da retórica de Qaradawi, legitimando o temor, no Egito, da influência do xiismo do Irã; encorajando a maioria sunita na “Arábia Saudita” e acirrando, no Bahrein[8], as tensões entre a população de maioria xiita e a família real sunita que governa o país[3].

No que concerne a esses dois últimos casos, alguns especialistas apontam que as monarquias sunitas do Golfo Pérsico vêem as recentes demandas democráticas na região como parte de umaagenda xiita subversiva[9].

Ainda, no Iraque, conforme explica Abdo, o primeiro-ministro Nuri Kamal al Maliki tenta consolidar a liderança política xiita excluindo a participação sunita em instituições importantes e considerando-os terroristas[3]. Ao mesmo tempo, no Paquistão, cresce a violência direcionada à comunidade shiita, minoritária[9] [10].

Entretanto, como observa o estudioso Marc Lynch, essa narrativa, como a de Abdo, que vê uma guerra fria sectária entre sunitas e xiitas tomando conta do Oriente Médiooblitera importantes linhas de conflito emergentes na região. Nesse sentindo, além dessa dinâmica, devemos atentar também para os candidatos** ao poder em países em uma transição política incerta e para aqueles*** que visam à liderança árabe regional[11], sendo uma dinâmica na qual o conflito sírio aparece como arena política[12].

Nesse sentido, destaca-se o choque do Salafismo, movimento reformista sunita, com a “Irmandade Muçulmana no Egito”, e com o “Partido Ennahda” na Tunísia, assim como a competição por poder entre países do Golfo[12][13], refletida também, mas não exclusivamente, na oposição saudita e árabe-emiradense e no apoio do Qatar à Irmandade Muçulmana[11][14].

Dessa forma, apesar da importância da dicotomia sunita-xiita no entendimento da política no “Oriente Médio”, enfatiza-se os limites do anti-xiismo como fator de unidade para a  identidade sunita[11].

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* Contudo, a divisão entre sunitas e xiitas abarca diversas outras diferenças, em crenças e práticas, e que não poderiam ser adequadamente explicadas na brevidade deste artigo.

** De maioria sunita.

*** Também majoritariamente sunitas.

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ImagemDistribuição de muçulmanos sunitas (verde claro) e xiitas (verde escuro) no mundo” (Fonte):

http://eatourbrains.com/EoB/wp-content/uploads/2008/04/muslimdistribution2.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.facebook.com/pages/Yusuf-Al-Qaradawi/24024767384?id=24024767384&sk=info

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-22741588

[3] Ver:

http://edition.cnn.com/2013/06/07/opinion/abdo-shia-sunni-tension/index.html?iref=allsearch

[4] Sobre o impacto político do conflito sírio no Líbano, ver:

https://ceiri.news/index.php?option=com_content&view=article&id=3666:os-desafios-do-novo-primeiro-ministro-libanes&catid=94:notas-analiticas&Itemid=656   

Ver também:

https://ceiri.news/index.php?option=com_content&view=article&id=3675:tammam-salam-um-independente-ante-o-desafio-da-governabilidade-no-libano&catid=94:notas-analiticas&Itemid=656

[5] Ver BLANCHARD, Christopher M. Islam : Sunnis and Shiites. Congressional Research Service, 28, jan. 2009. Em:

http://www.fas.org/irp/crs/RS21745.pdf, p. 1.

[6] Ver:

BLANCHARD, op. cit., “Summary”.

[7] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-16047709

[8] Sobre a repressão do regime bareinita sobre a população xiita, ver:

https://ceiri.news/index.php?option=com_content&view=article&id=3693:a-derrota-do-grand-prix-do-bahrein&catid=94:notas-analiticas&Itemid=656

[9] Ver:

http://www.globalpost.com/dispatches/globalpost-blogs/belief/conflict-between-sunni-and-shia-muslims-seen-escalating-across-mi

[10] Ver:

http://www.globalpost.com/dispatch/news/regions/asia-pacific/pakistan/130221/pakistan-shiites-hazaras-quetta-bombing

[11] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/05/23/war_for_the_arab_world_sunni_shia_hatred

[12] Ver:

http://www.americanprogress.org/issues/security/report/2013/05/14/63221/the-structure-and-organization-of-the-syrian-opposition/, parteInternal Divisions”.

[13] Ver:

http://www.al-monitor.com/pulse/security/2013/04/syrian-opposition-formation.html

[14] Ver:

http://www.wnd.com/2013/06/muslim-brotherhood-disrupts-even-islamic-nations/

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

As atividade da “Agência Nacional de Segurança” dos EUA e o risco do Governo Obama

Na última quinta-feira, dia 6 de junho, o jornal inglês “The Guardian” divulgou, através de suas mídias, a notícia de que a “Agência Nacional de Segurança dos “Estados Unidos (“National Security Agency”, em inglês, na sigla NSA), tem mantido atividades de vigilância a respeito de comunicações estabelecidas por cidadãos norte-americanos através da rede de telefonia e internet[1]. As atividades estariam baseadas na solicitação do Governo estadunidense de que grandes companhias da área de telefonia, como a Verizon, e de internet, como o Google, Yahoo! e Facebook, para cederam dados de usuários seus, segundo o jornal americano “The New York Times[2].

O “The Guardian” informou que, através de uma decisão judicial secreta emitida pela “Poder Judiciário Americano”, o Governo dos Estados Unidos tem realizado o rastreamento de comunicações de cidadãos americanos dentro de seu território e no exterior e há a possibilidade de que este rastreamento tenha se estendido a cidadãos de outros países. Inicialmente focado na área de telecomunicações, com o rastreamento de ligações telefônicas, esta atividade passou a realizar verificações também na área de internet e nas redes sociais, buscando pistas de atividades suspeitas[3].

Em uma declaração após um encontro com o primeiro-ministro chinês Xi Jinping, na Califórnia, Obama afirmou que o acesso da NSA aos dados de cidadãos americanos era uma matéria “extremamente limitada [4].

Este caso levantou muitas questões a respeito das atividades do governo. Esta atividade se baseia em algumas interpretações realizadas tanto pelo “Governo dos Estados Unidos” como pela Justiça americana a respeito do Ato Patriótico”, uma legislação promulgada durante a gestão anterior do presidente dos EUA, George W. Bush, que permite ao governo norte-americano relevar algumas questões de privacidade dos seus cidadãos em investigações sobre ações consideradas terroristas.

O grande risco assumido pelo Governo de Obama, neste caso, incide sobre a sua popularidade. Tendo sido o último presidente com grande apelo às massas, desde John F. Kennedy, Obama corre o risco de perder um dos principais pilares do seu sucesso e atividade política: o apoio popular que recebe através de uma atividade midiática muito bem realizada.

Caso o seu Governo, que já vem recebendo algumas críticas por recentes abalos na estrutura, composição administrativa e ações governamentais, não consiga convencer a sua população de que essas atividades são legítimas, o apoio que ele recebe de setores jovens e progressistas da sociedade norte-americana pode regredir, enfraquecendo seu poder e levando seu segundo mandato a uma queda irreversível de aprovação.

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Imagem O Governo dos Estados Unidos tem utilizado o programa ‘Prism’ para investigar dados pessoais de usuários de internet e telefonia” (Fonte):

http://www.google.com.br/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&docid=NKg0yO07RhCqSM&tbnid=WEpNHL1hCoqjvM:&ved=&url=http%3A%2F%2Fwww.newyorker.com%2Fonline%2Fblogs%2Fjohncassidy%2F2013%2F06%2F911-to-prism-surveillance-a-nation-gone-dotty.html&ei=-2KzUbusCLf-4AO09YDoBg&psig=AFQjCNHeXKv7OsWpnIWZ_jcsE5QcogWtSQ&ust=1370797179181627

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Fontes consultadas:

[1] O “The Guardian” tem estabelecido, desde o dia 6 de Junho, uma extensa cobertura a respeito do caso em seu website:

http://www.guardian.co.uk

[2] VerTech Companies Concede to Surveillance Program”, em:

http://www.nytimes.com/2013/06/08/technology/tech-companies-bristling-concede-to-government-surveillance-efforts.html?ref=global-home&_r=2&pagewanted=all&

[3] VerObama deflects criticism over NSA surveillance as Democrats sound alarm”, em:

http://www.guardian.co.uk/world/2013/jun/08/obama-response-nsa-surveillance-democrats

[4] Idem.

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EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os protestos nacionais na “República da Turquia” causam conflito entre o país euro-asiático e os EUA

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davútoglu (Ahmet Davutoğlu) conversou via telefone com o colega norte-americano John Kerry[1], para expressar a insatisfação de Ancara em relação aos comentários de Washington sobre os protestos anti-governamentais que ocorrem em Istambul e vários cidades turcas.

Os EUA definiram as demonstrações como situação extraordinária”. Kerry expressou sua preocupação com a violência usada pelas Forças Armadas de Segurançaturca, pois os “Estados Unidos” questionam a eficácia dessa atitude e se é adequada no âmbito da integridade do modelo consensual de democracia na Turquia. O Davutoglu, por sua vez, comparou os protestos com a Ocupação de Wall Street”, em 2011, nos Estados Unidos, e com outros ocorridos em alguns países, que tiveram configuração similar.

AMÉRICA LATINABLOCOS REGIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Se postergará la Cumbre presidencial del MERCOSUR para facilitar la reincorporación de Paraguay

De acuerdo a declaraciones del presidente de Uruguay, José Pepe Mujica, se retrasará la realización de la Cumbre de Jefes de Estado del MERCOSUR para esperar mejores condiciones políticas e institucionales en Paraguay. La misma estaba planificada para el 28 de junio en Montevideo. Allí, Uruguay transferiría el ejercicio de la “Presidencia Pro Tempore” (PPT) del bloque a Venezuela, lo que complicaría aún más el escenario.

La importancia de tal reunión radica en que se podría levantar la suspensión de Paraguay en el MERCOSUR, dado que tanto este bloque como la UNASUR consideraron que las elecciones presidenciales del país del último 21 de abril fueron democráticas y, por lo tanto, legítimas[1]. Sin embargo, es necesario que se cumplan las siguientes condiciones: primero, que Horacio Cartes, presidente electo, asuma su mandato, lo que sucederá el 15 de agosto próximo; segundo, que el Parlamento paraguayo acepte el ingreso de Venezuela como miembro pleno, cuestión problemática porque anteriormente ya se había expresado en contra[2].

DEFESAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

Começa a ser discutida a reformulação das tropas militares da “União Europeia”

Formalizado em 2007, o “EU Battlegroup” (EUBG) consiste em uma unidade militar composta por soldados dos Estados-membros daUnião Europeia” (UE) que objetiva a realização de ações rápidas de intervenção, além de constituir uma etapa preliminar de missões de longa duração. Em fenômeno recente, políticos europeus começaram a repensar a ação destas tropas, defendendo o fortalecimento e consolidação do grupo militar europeu.

Sob o comando do “Conselho Europeu”, o EUBG ainda não deslocou suas tropas para a ação militar, não por falta de oportunidades, mas sim por falta de vontade política, pelo menos é o que afirma Michael Gahler, representante alemão da “União Democrata Cristã” no “Parlamento Europeu”.