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Política monetária russa poderá diminuir dolarização na economia do país

No intuito de atingir a estabilidade macroeconômica, reduzir a inflação e desenvolver o sistema de pagamento independente, a Federação Russa há algum tempo vem adotando politicas monetárias em detrimento das sanções recebidas pelos EUA e União Europeia.

Em 2018, o Banco Central (BC) russo começou a elaborar uma forte estratégia de desdolarização, com um processo de redução dos títulos da dívida pública dos EUA em meio a ondas de sanções contra empresários, empresas e funcionários do governo.

Neste período, o valor dos títulos em posse do BC russo chegava aos 92 bilhões de dólares (cerca de R$ 350,2 bilhões*), alcançando em abril de 2019 o valor de 12,14 bilhões de dólares (cerca de R$ 46,1 bilhões*), reduzindo seus investimentos nesse ativo em 86,8% em apenas um ano e, paralelamente, vem se concentrando na compra de ouro, sendo que, no início de junho (2019), o BC russo anunciou que as reservas cambiais e de ouro do país atingiram aproximadamente o equivalente a 502,7 bilhões de dólares (cerca de R$1,91 trilhão*), crescendo em torno de 1,5% desde o início desse período.

Outro ponto importante nessa estratégia é que, junto com o yuan (moeda chinesa), a Rússia impulsionou a compra de uma série de outras moedas, incluindo o iene japonês, o euro, a libra esterlina, os dólares canadense e australiano e o franco suíço, em oposição ao uso da moeda norte-americana, além de promover ativamente a ideia de pagar seu passivo usando moedas nacionais com parceiros estrangeiros.

Logotipo do SWIFT

Com acordos assinados entre China e Rússia desde 2014 sobre pagamentos em moedas nacionais, o comércio direto entre os dois países utilizando rublos (moeda russa) entraram em vigor sem a participação de Bancos americanos, britânicos ou da União Europeia, reiterando a concreta rejeição à moeda norte-americana. Um desses acordos, assinado em junho de 2019 pelo Ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, e pelo governador do Banco Popular Chinês, Yi Gang, lançou a criação de um novo sistema de pagamentos que se tornará uma “porta de entrada para a fundação de análogos russos e chineses do SWIFT” (do inglês Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), um sistema interbancário internacional de transmissão de dados financeiros.

Segundo analistas econômicos, está previsto que esse sistema de pagamentos em moedas nacionais esteja operacional até o final do ano de 2019 e abranja, em primeiro lugar, as maiores empresas russas de petróleo e gás, bem como os produtores agrícolas. Devido ao aumento constante da ameaça de sanções econômicas por parte de Washington, Moscou e Pequim se apressam para fechar esse tipo de contrato.

De acordo com meios de comunicação, a agressividade de Washington força a Rússia e a China a “testar a resistência da moeda americana. O novo mecanismo de pagamentos não só protegerá de forma fiável contra a pressão das sanções, como também colocará em causa o estatuto do dólar como principal moeda de reserva.

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Nota:

Cotação de 08/07/2019 (US$1 = R$3,8065).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Banco Central da Rússia” (Fonte): http://user.vse42.ru/files/P_S1280x852q80/Wnone/ui-56b169487dfca7.55047544.jpeg

Imagem 2 Logotipo do SWIFT” (Fonte): https://swift.smugmug.com/AmericasUK-Events

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Resultados eleitorais e política externa na Ucrânia

Após o segundo turno das eleições presidenciais na Ucrânia, que ocorreu no dia 21 de abril de 2019, a expectativa era de que haveria uma mudança na política externa do país, especialmente uma aproximação com a Rússia, acusada de envolvimento na Guerra do Donbass. Mas, a população ucraniana, assolada por uma crise, não tinha abandonado, necessariamente, seu desejo de integração à União Europeia, nem o lema de Poroshenko, “Exército, Fé e Língua”. A rejeição à figura pessoal do ex-Presidente não significou um total abandono de princípios que guiaram esses eleitores e cidadãos até o momento.

A razão possível da derrota de Poroshenko estava na pobreza no país, na identificação do aumento do custo de vida e da corrupção e não por sua política externa, assim como casos de corrupção que estouraram em seu governo, sobretudo os ligados ao setor de Defesa. Mas, apoiadores do ex-presidente Poroshenko acreditavam que sua possível derrota significaria uma mudança radical na estratégia geopolítica da Ucrânia, o que não ocorreu. Até o momento, a vitória de Zelenski não rompeu com essa política externa. Uma prova disso é que a grande maioria, especialmente nos Oblasts do Sul e do Leste, que concentram os falantes de idioma russo, continuaram apoiando os esforços da Ucrânia para se afastar da Rússia e conquistar uma maior integração na União Europeia.

Conforme dados pesquisados, candidatos abertamente pró-russos, como Yuriy Boyko e Oleksandr Vilkul obtiveram, juntos, apenas 15,8% de todos os votos no primeiro turno, o que significou apenas 3 milhões de votos. Outros, com posições claramente anti-russas (Poroshenko, Hrytsenko, Tymoshenko etc.) receberam nada menos que 51% dos eleitores, ou seja, 9,5 milhões de votos. Boyko e Vilkul foram vencedores apenas em Donetsk, Lugansk, que são áreas conflagradas, e Kharkov. Qualquer que fosse o candidato, Zelenski ou Poroshenko, não poderia adotar uma postura pró-russa e, por mais diversificado que sejam as visões de política externa dos eleitores do candidato vitorioso, Zelenski, o máximo que se poderia chegar sem comprometer a campanha é o que se chegou a fazer: propor um processo de pacificação na região de Donbass. Antes do primeiro turno das eleições, 53,3% dos seus eleitores apoiaram a integração da Ucrânia com a União Europeia, enquanto 45,4% apoiaram a adesão da Ucrânia à OTAN e 32,6%, não.

É importante entender que as eleições não foram um reflexo étnico. Segundo o Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KMIS)antes do segundo turno das eleições presidenciais, 44% dos eleitores eram ucranianos de língua ucraniana, 23,8% eram bilíngues e 28,2% falavam o idioma russo. Ou seja, a maioria que votou e elegeu Zelenski apoiava sua plataforma de diplomacia e diálogo com um país supostamente agressor, a Rússia, e falava fluentemente o ucraniano, ou seja, não era russófila. Isto, por si só, revela um potencial de união entre os diversos grupos, que foi bem explorado pela equipe de campanha do atual Presidente, e dentre os principais temas dos eleitores estava a Segurança Nacional e a Paz no Donbass.

Se, por um lado, o Presidente se elegeu propondo diálogo e paz, isto não significa, necessariamente, uma mudança radical. O que difere são os métodos de se atingir a paz, mas não os princípios em que se baseia a maioria da população. Como Zelenski precisa de um Parlamento com maioria para seu apoio, a política externa não pode se posicionar como aliada da Rússia e sim se guiar pelo que a maioria da população do país se orientava antes das eleições: as forças nacionalistas e anti-russas.

Mapa do resultado do segundo turno das eleições presidenciais na Ucrânia

geografia do voto na Ucrânia é clara, os partidos pró-russos teriam recebido 73,7% no Donbass (leste do país), controlados pela Ucrânia, contra 6,5% dos partidos anti-russos; enquanto que, no Oeste, os partidos pró-russos mal alcançaram os 4% de apoio. Pelo menos 50% do país votou em uma orientação pacifista e pró-diplomática da plataforma de Zelenski (exceto o Donbass). Foram 55,4% no Leste, 66,7% no Sul, 87,6% no Centro e 89,6% no Oeste. Na vaga hipótese de que Zelenski optasse por se aliar aos partidos pró-russos, sua situação seria de crescente oposição no Oeste, mas também no Centro do país.

Uma política interna que aproveite estes dados para costurar alianças entre os partidos poderá unir a Ucrânia, um exemplo está no Sul, que, sem grande apoio de outras regiões, apoiou uma pauta comum nas eleições. Houve uma confluência de interesses diversos contra os escândalos de corrupção e a pauperização da economia. À oposição, por sua vez, resta torcer por um Parlamento fragmentado e um Presidente enfraquecido. Os partidos pró-russos sabem que suas chances estão diminuindo e isto pode torná-los mais imprudentes na arena política. Em suma, Vladimir Zelenski tem toda uma conjuntura a seu favor e não pode desperdiçá-la, nem ignorar os pontos comuns de seus eleitores.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Manifestação próUnião Europeia na Ucrânia” (Fonte): https://torange.biz/pt/protests-ukraine-27787

Imagem 2 Mapa do resultado do segundo turno das eleições presidenciais na Ucrânia” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:%D0%A0%D0%B5%D0%B7%D1%83%D0%BB%D1%8C%D1%82%D0%B0%D1%82%D0%B8_%D0%92%D0%B8%D0%B1%D0%BE%D1%80%D1%96%D0%B2_%D0%9F%D1%80%D0%B5%D0%B7%D0%B8%D0%B4%D0%B5%D0%BD%D1%82%D0%B0_%D0%A3%D0%BA%D1%80%D0%B0%D1%97%D0%BD%D0%B8_2019_%D0%B7%D0%B0_%D0%BE%D0%BA%D1%80%D1%83%D0%B3%D0%B0%D0%BC%D0%B8_(%D0%B4%D1%80%D1%83%D0%B3%D0%B8%D0%B9_%D1%82%D1%83%D1%80).svg

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Conexão marítima entre São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial

A insularidade de São Tomé e Príncipe impulsiona a importância dada pelo Estado às questões marítimas, mais especificamente aos aspectos econômicas e comerciais. Neste contexto, a busca por processos de cooperação e investimentos para ampliar a conexão do arquipélago e com a costa continental tornam-se significantes para o país.

Inserida nesta esfera pode-se mencionar a cooperação desenvolvida com a Guiné Equatorial no âmbito de infraestrutura marítima. Durante o mês de junho do ano corrente (2019) foi cedido pela Guiné Equatorial um navio cargueiro de uma empresa privada destinado a operar viagens entre as ilhas de São Tomé e de Príncipe. Inicialmente, esta iniciativa operará visando o transporte de mercadorias. Prevê-se também para o final do mês de julho a cessão de outra embarcação destinada ao transporte de pessoas e cargas. Faz-se relevante destacar que em abril deste mesmo ano ocorreu o naufrágio de uma embarcação que fazia o trajeto entre as ilhas, o acidente causou vítimas fatais e desaparecidos.

Imagem ilustrativaplataforma de petróleo

O processo de cooperação bilateral passou por um processo de aprofundamento nos meses finais do primeiro semestre de 2019. Tendo em vista a proximidade geográfica entre os dois Estados, os acordos de cooperação foram delineados envolvendo questões energéticas, logísticas e infraestruturais.

Um destes projetos propostos, a ser assinado em novembro próximo, refere-se à exploração conjunta de petróleo e gás na fronteira marítima. Para tanto, a extração dos hidrocarbonetos em blocos fronteiriços é uma iniciativa que compreende os países pertencentes ao Golfo da Guiné, que pretendem desenvolver uma reserva comum de gás entre os Estados. Não se limitando apenas à esfera extrativa dos recursos naturais, também pretende-se cooperar para o desenvolvimento técnico e científico santomense.

Ilha de Príncipe

No que se refere as potencialidades de São Tomé e Príncipe, em matéria de hidrocarbonetos, está planificada a expansão do setor. De acordo com a Organização Iniciativa para a Transparência da Industria Extrativista, o Estado tem realizado mudanças no âmbito jurídico nos últimos anos objetivando adequar esta atividade econômica.

Apesar de não ter sido extraído petróleo a nível comercial, o país obteve receitas provenientes de acordos com algumas empresas de exploração licenciadas, que operam em um dos dois blocos offshore. A Guiné Equatorial, por sua vez, tem sua economia atrelada à produção de petróleo e gás, que correspondeu a 60% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, tal experiência neste seguimento pode vir a contribuir no planejamento estatal santomense.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Marco da linha do Equadorem São Tomé” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Tom%C3%A9_e_Pr%C3%ADncipe#/media/Ficheiro:Equator_Sao_Tome.jpg

Imagem 2 “Imagem ilustrativaplataforma de petróleo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/50/Mars_Tension-leg_Platform.jpg/250px-Mars_Tension-leg_Platform.jpg

Imagem 3 “Ilha de Príncipe” (Fonte): https://timbuktutravel.imgix.net/countries/kodak_images/000/000/021/original/praia-sundy-principe-island-timbuktu-travel.JPG?w=1420&h=946&auto=format&crop=fit&fit=min&dpr=1&q=50

FÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

BRICS realizam reunião informal à margem da Cúpula do G20

Nos dias 28 e 29 de junho (2019), aconteceu em Osaka, no Japão, a 14ª Cúpula do G20, um grupo que compreende os Chefes de Estado de 19 países e da União Europeia. Este ano, discutiu-se 8 temas para garantir o desenvolvimento global sustentável, os quais são: Economia Global; Comércio e Investimento; Inovação; Meio Ambiente e Energia; Emprego; Empoderamento Feminino; Desenvolvimento; e Saúde. Enquanto a programação do Evento seguia seu curso, muitos líderes aproveitaram para realizar reuniões paralelas para tratar de assuntos referentes às suas relações bilaterais ou multilaterais. Assim, um dos encontros promovidos à margem do G20 foi entre os líderes dos países que compõem o BRICS*.

Durante essa reunião informal estiveram presentes o Presidente da China, Xi Jinping; o Presidente da Rússia, Vladimir Putin; o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro; o Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi; e o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Foi a primeira vez que o presidente Bolsonaro participou de um Encontro do BRICS. Bolsonaro também não havia se encontrado ainda com o presidente Putin, com quem teve uma conversa antes do começo da reunião. De acordo com o Porta-Voz do Kremlin, Dmitry Peskov, “enquanto estava esperando por outros participantes, Putin teve a oportunidade de conhecer bem o presidente brasileiro Bolsonaro, foi o primeiro encontro deles e tiveram a chance de ter uma boa conversa”.

Antes do início da ReuniãoPresidente da RússiaVladimir Putinconversa com Presidente do BrasilJair Bolsonaro

Os principais assuntos em pauta foram acerca dos desafios atuais da economia mundial para o BRICS. Em destaque, os líderes conversaram sobre as inconstâncias do comércio internacional, o crescimento de políticas protecionistas e como isso está afetando a economia dos países emergentes. Acerca desse tema, Putin destacou a importância de aumentar o uso de moedas nacionais nas trocas entre eles para se protegerem de possíveis instabilidades. Além disso, os líderes concordaram que a Organização Mundial do Comércio (OMC) precisa passar por mudanças institucionais. O primeiro-ministro Modi destacou: “nós ainda devemos nos concentrar na reforma da OMC para alcançar um desenvolvimento equilibrado da economia global e, assim, o crescimento estará aberto a todos”.

Um grande assunto de política mundial é a situação na Venezuela, mas tal questão não foi abordada na reunião do BRICS. De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, Bolsonaro pretendia discutir sobre a Venezuela e cobrar ajuda da Rússia para a transição do governo. Entretanto, o Presidente brasileiro recuou em sua decisão e justificou-a em declaração: “Nós sabemos que quem decide o futuro do mundo são as potências nucleares, então não quis polemizar com o senhor Putin, e tocamos o barco (…). Eu estava na presença do presidente da Rússia e vi que não era o momento de ser mais agressivo na questão”. Nessa situação, o Brasil é o único país entre os cinco que reconheceu Juan Guaidó, líder da oposição, como o Presidente interino da Venezuela, enquanto que os outros Estados do BRICS seguem apoiando Nicolás Maduro.

Outro tema em discussão foi referente à sustentabilidade. Todos os países membros do BRICS anunciaram o comprometimento deles com o Acordo de Paris e com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Além disso, foi colocado em pauta questões relativas ao combate ao terrorismo. Destacou-se, portanto, a importância de criar cooperações entre empresas e governos para impedir que plataformas digitais sejam usadas para recrutar aqueles que desejam realizar atos terroristas.

A reunião entre os membros do BRICS, apesar de informal, gerou uma conversa bastante produtiva entre os líderes e pavimentou o caminho para o encontro oficial que está marcado para ocorrer em novembro deste ano (2019), em Brasília. O Brasil, em 2019, está na Presidência do grupo, por isso irá sediar a 11ª Cúpula no final do ano, a qual tem como temática a discussão sobre “Crescimento Econômico para um Futuro Inovador”.

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Nota:

BRICS é um fórum entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que tem o objetivo de facilitar a troca e a assinatura de Acordos bilaterais, trilaterais ou multilaterais entre esses Estados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Os participantes da Reunião do BRICS (da esquerda para a direita): o Presidente da China, Xi Jinping; o Presidente da Rússia,Vladimir Putin; o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaroo PrimeiroMinistro da Índia, Narendra Modi; e o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/u98FhYbJiACB8jREaAnZFIAhriUeHmKU.jpg

Imagem 2 “Antes do início da ReuniãoPresidente da RússiaVladimir Putinconversa com Presidente do BrasilJair Bolsonaro” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/qHO5CAvMlZfxWoucuhzgxJ5fgn3rfXTS.jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Crescimento da tensão e possibilidade de enfrentamento entre Estados Unidos e Irã

Entre os dias 20 e 22 de junho, o mundo acompanhou com certa tensão o aumento na complexidade da relação entre Estados Unidos e Irã. Em um comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou haver identificado um Veículo Aéreo Não-Tripulado (VANT) violando seu espaço aéreo.

Como medida preventiva, o país afirmou que abateu o VANT RQ-4A Global Hawk na madrugada de quinta-feira, dia 20 de junho. As autoridades iranianas salientaram ainda haver contatado Washington, para alertar que suas aeronaves haviam adentrado o espaço aéreo iraniano. Também ressaltam a presença de uma aeronave B8, que possuía 35 tripulantes a bordo em companhia do VANT.

De acordo com o general de brigada Amir Ali Hajizadeh, a segunda aeronave também havia violado espaço aéreo do país. A Guarda Revolucionária, no interesse de não causar conflitos, procedeu com a derruba somente do veículo não tripulado.

O Pentágono confirmou que uma aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos havia sido abatida. Entretanto, sustentou que, no momento em que foi atacado, o veículo em questão encontrava-se sobrevoando águas internacionais, sobre o Estreito de Ormuz, não reconhecendo a legitimidade do reclamo iraniano.

Até o momento, as questões entre os dois países haviam permanecido sobretudo no campo discursivo e em medidas econômicas. Ao redor do mundo, diversos analistas e políticos demonstraram pouca convicção de que os eventos pudessem escalar para um confronto militar, ao menos não a um direto.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, em recente discurso em frente ao Ministério da Saúde, em Teerã

Considerando ataques pontuais que ocorreram a aliados estratégicos dos Estados Unidos no Oriente Médio, notoriamente a destruição de um oleoduto saudita no Iêmen pelas milícias Hutus e o ataque a quatro cargueiros pertencentes aos Emirados Árabes Unidos, as avaliações preliminares indicavam que a escalada de violência se daria por vias indiretas. Ainda assim, considera-se o uso de combates assimétricos, como a participação de milícias pró-Irã em ataques, um elemento presente e que contribuiria para envolver todo o Oriente Médio em um eventual confronto.

Dentre o próprio círculo dos tomadores de decisão em Washington havia pouca disposição em buscar um conflito com o Irã. Frente ao novo cenário, as tensões são maiores, ainda que o Presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado que ordenou a suspensão de um ataque eminente a bases militares iranianas.

Segundo o próprio Presidente, este tomou a decisão ao ser informado que o ataque resultaria na morte de 100 iranianos, o que seria desproporcional. Em um tweet posterior, publicado no dia 25 de junho, Trump salientou que o ataque a “qualquer alvo estadunidense” seria respondido com uma “força grande e avassaladora”. Questionado posteriormente, ele frisou que “avassaladora em alguns casos significa obliteração”.

Em visita à Israel, o assessor de Segurança Nacional da Presidência dos EUA, John Bolton, afirmou, conforme relata o Huffington Post, que o Irã não deve tomar “a prudência e discrição dos EUA por fraqueza”, afirmando que uma ação militar não está descartada.

O assessor especial para a Segurança Nacional, John Bolton, saúda o premier israelense Benjamin Netanyahu, após medidas para pressionar o Irã, em Jerusalém

Frente a ameaças de incrementos nas sanções, o presidente iraniano Hassan Rouhani afirmou em conferência de imprensa, realizada no dia 25 junho, que a Casa Branca vem sofrendo de “instabilidade intelectual”, que o presidente Trump não se porta de “forma sã”. Ainda de acordo com a Agência de Notícias da República Islâmica, Rouhani afirmou que as sanções cumprem uma tarefa que, além de desumana, não surte efeitos, simbolizando a clara derrota política dos Estados Unidos.

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Fontes das Imagens:                                                                                                                 

Imagem 1O General de Brigada Amir Ali Hazijadeh, comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã, observa os destroços do VANT estadunidense abatido” (FontePágina Oficial da Agência de Notícias da República Islâmica no Twitter @IRNAEnglish): https://twitter.com/IrnaEnglish/status/1143187263045742592

Imagem 2O presidente do Irã, Hassan Rouhani, em recente discurso em frente ao Ministério da Saúde, em Teerã” (FontePágina Oficial da Agência de Notícias da República Islâmica no Twitter @IRNAEnglish): https://twitter.com/IrnaEnglish/status/1143549664559587334)

Imagem 3O assessor especial para a Segurança Nacional, John Bolton, saúda o premier israelense Benjamin Netanyahu, após medidas para pressionar o Irã, em Jerusalém” (FontePágina Oficial de John Bolton no Twitter. @AmbJohnBolton): https://twitter.com/AmbJohnBolton/status/1142757809680977921

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

CEPAL e UNOPS firmam acordo para gestão pública justa na América Latina e Caribe

Ao longo do mês de junho (2019), a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) desenvolveu uma série de atividades em relação ao reforço no debate sobre a Agenda 2030 e aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Nesse sentido, destaca-se o acordo para a promoção de um modelo de Gestão Pública Justa.

Firmado entre a secretária-executiva Alicia Bárcena e a diretora-executiva do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), Grete Faremo, buscar-se-á promover por meio de ações conjuntas a construção de melhores serviços públicos que maximizem transparência, eficiência e eficácia dos gastos.

A proposta visa unir a experiência da CEPAL no desenvolvimento de soluções para os desafios econômicos e sociais mais urgentes da região, juntamente com a vocação da UNOPS na execução integral de projetos, com base na correta aplicação de recursos para compras e infraestrutura pública.

O Acordo firmado vai ao encontro do 17º Objetivo do Desenvolvimento Sustentável

Especificamente, o texto do ODS 17 em que se sustenta a proposta de cooperação internacional entre as instituições é o seguinte:

17.16 Reforçar a parceria global para o desenvolvimento sustentável, complementada por parcerias multissetoriais que mobilizem e compartilhem conhecimento, expertise, tecnologia e recursos financeiros, para apoiar a realização dos objetivos do desenvolvimento sustentável em todos os países, particularmente nos países em desenvolvimento

17.17 Incentivar e promover parcerias públicas, público-privadas e com a sociedade civil eficazes, a partir da experiência das estratégias de mobilização de recursos dessas parcerias

Também, ressalta-se que o compartilhamento de experiências procura enfrentar as causas estruturais da exclusão, das desigualdades e da pobreza, a partir da melhoria da qualidade de acesso a bens e serviços. Além disso, torna-se uma estratégia de combate à corrupção e a práticas ineficientes de gestão governamental.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “A secretáriaexecutiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcenae a diretoraexecutiva do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), Grete Faremo”. (Fonte – FotoUNOPS): https://nacoesunidas.org/cepal-e-unops-unem-esforcos-para-impulsionar-gestao-publica-justa-na-america-latina-e-caribe/

Imagem 2 “O Acordo firmado vai ao encontro do 17º Objetivo do Desenvolvimento Sustentável” (Fonte – FotoONU): https://nacoesunidas.org/pos2015/ods17/