NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Guarda Revolucionária do Irã e grupo armado dos curdos se enfrentam no oeste iraniano

Desde o mês de junho (2018), o Exército dos Guardiões da Revolução Iraniana (EGRI), popularmente conhecido como Guarda Revolucionária do Irã, e o exército dos curdos*, conhecido como Peshmerga**, têm se enfrentado na região oeste do Irã, fronteira com o Iraque. De acordo com o jornal curdo Rudaw, o afrontamento iniciou quando as forças do governo de Hassan Rouhani militarizaram a área, realizando monitoramentos aéreos nas montanhas de Haji Karim, Besh Barmax, Kani Asman e Pemarray Farhad.

Mapa localizando a província de Azerbaijão do Oeste, no Irã

Tal retaliação se deve ao fato de os partidos curdos no Irã levantarem novamente a bandeira da união dos povos curdos no país e buscarem, dessa forma, apoiadores nas grandes cidades e centros populacionais. O último confronto ocorreu no início do mês de setembro (2018), na província Azerbaijão do Oeste, no território iraniano, quando as forças curdas mataram quatro membros do EGRI.

Os curdos são a terceira maior etnia do país, após os persas e os azeris*** iranianos, representando cerca de 10% da população do Irã. O Curdistão Iraniano, nome não-oficial designado aos curdos que habitam o noroeste do país, faz fronteira com a Turquia e o Iraque.

O nacionalismo curdo ganhou voz na década de 1920 com a queda do Império Otomano e materializou-se no final da Segunda Guerra Mundial, quando, com a cooperação da União Soviética, o Estado Curdo foi criado na cidade de Mahabad – atualmente capital da província de Azerbaijão do Oeste, no Irã.

Contrário ao governo de Reza Pahlavi, os curdos apoiaram a Revolução Iraniana em 1979, na expectativa de obter, em troca, reconhecimento e participação política. No entanto, o governo de Aiatolá Khomeini e as lideranças curdas do país distanciaram-se politicamente e frustraram a tentativa de aliança. Desde então, conflitos armados entre ambos os lados têm sucedido devido a tentativa de Teerã buscar obter controle sobre a região.

Finalmente, em 2015, foi criado o Partido da Vida Livre no Curdistão (sigla em inglês PJAK), organização política e militante, a qual opera na fronteira entre Irã e Iraque, erguendo a bandeira da independência curda no Irã.

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Notas:

* O povo curdo está espalhado por Armênia, Iraque, Irã, Turquia e Síria. No caso do Referendum realizado no Iraque, eles buscam a sua independência do país e unificação com outras regiões do Oriente Médio habitadas por curdos, com o propósito de criar o Curdistão.

** É o termo utilizado pelo Governo Regional do Curdistão no Iraque para designar as forças armadas do Curdistão Iraquiano. As forças Peshmerga do Curdistão existem desde o advento dos movimentos de independência curda em 1920, após o colapso do Império Otomano e da dinastia Qajar no Irã, que governavam a área por onde se distribuem os curdos.

*** Azeri corresponde a uma mescla étnica de turcos, iranianos e caucasianos. Atualmente o povo azeri encontra-se, majoritariamente, na República do Azerbaijão, no entanto, devido aos diversos impérios que dominaram a Ásia Central, os azeris estão dispersos pela região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Curdos no Iraque indo às urnas pela sua independência” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Kurdish_flags_at_the_pro-Kurdistan_referendum_and_pro-Kurdistan_independence_rally_at_Franso_Hariri_Stadiu%2C_Erbil%2C_Kurdistan_Region_of_Iraq_11.jpg

Imagem 2Mapa localizando a província de Azerbaijão do Oeste, no Irã” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/IranWestAzerbaijan-SVG.svg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia e Turquia acordam sobre “zona desmilitarizada” na Província de Idlib, na Síria

A Província de Idlib, na Síria, é uma região situada no noroeste do país e um dos últimos redutos dos rebeldes que lutam pela saída do Presidente sírio, Bashar al-Assad, do poder. Por conta dessa situação, nos últimos meses, assistia-se à escalada das tensões na área e temia-se que uma ação militar de grande porte se iniciasse. Caso essa se concretizasse, uma catástrofe seria evidente, visto que metade da população de 3 milhões de Idlib é formada de civis deslocados internamente, além de que há em torno de 1 milhão de crianças.

Localização da região de Idlib, na Síria

A situação na região torna-se ainda mais complexa quando somado ao escalonamento dos conflitos pela Síria e ao crescimento dos deslocamentos internos no país. Além disso, geopoliticamente há o fato de que muitos países estão envolvidos, como é o caso da Turquia e da Rússia. Aquela apoia alguns grupos da oposição em Idlib, enquanto que esta apoia o Governo de Bashar al-Assad.

Diante do cenário, no dia 17 de setembro, o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reuniram-se com o intuito de se chegar em um consenso sobre a situação em Idlib. O resultado do encontro foi a decisão pela criação de uma zona desmilitarizada* na região, a qual terá entre 15 e 25 quilômetros de extensão e será patrulhada por soldados russos e turcos.

O objetivo do Acordo é evitar que uma ofensiva militar atinja a área, algo que poderia causar uma catástrofe humanitária. Assim, até o dia 15 de outubro, espera-se a retirada dos tanques da oposição, dos sistemas de lançadores de mísseis e de artilharia e os grupos que são considerados terroristas devem deixar a zona. De acordo com Erdogan, “[…] nós decidimos estabelecer uma zona desmilitarizada entre os territórios controlados pela oposição e pelo regime. A oposição permanecerá nos territórios que ela ocupa. Vamos garantir que os grupos radicais, designados em conjunto com a Rússia, não operem na região”.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, expressou seu contentamento pela decisão acordada. Em suas palavras “saúdo o acordo entre o Presidente Erdogan da Turquia e o Presidente Putin da Rússia, para criar uma zona desmilitarizada em Idlib. Se implementado adequadamente, isso pode salvar três milhões de civis – incluindo um milhão de crianças – da catástrofe”.  Guterres também pediu pela ampla cooperação de todas as partes envolvidas no conflito da Síria para que o plano seja implementado corretamente.

Os detalhes do Acordo já foram discutidos e ele já está em vias de ser aplicado. Apesar do otimismo quanto ao seu êxito, há a possibilidade de que a zona não seja plenamente respeitada. Alguns grupos da oposição já se declararam contrários à decisão, como é o caso do Horas al-Din, que é o maior de Idlib. Porém, há divergência dentro dos próprios rebeldes, pois existem aqueles que apoiam a criação da zona e decidiram por respeitá-la. O fato, no entanto, é que a Guerra na Síria persiste e continua tendo resultados imprevisíveis que causam consequências nefastas à sua população.

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Nota:

* Uma zona desmilitarizada é uma área onde a atividade militar não é permitida, seja por um tratado de paz, um armistício ou um acordo bilateral ou multilateral.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=putin+erdogan&title=Special%3ASearch&go=Go#/media/File:Erdogan_Putin_meeting_4.jpeg

Imagem 2Localização da região de Idlib, na Síria” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Idlib_(distrito)#/media/File:SyriaIdlib.PNG

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Reino Unido e União Europeia cada vez mais distantes de um acordo

O Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), está cada vez mais próximo e as negociações que irão definir a futura relação entre o país e o bloco econômico ganham um contorno de maior dificuldade. O episódio mais recente que ilustra esta questão ocorreu em Salzburg, na Áustria, onde foi celebrada uma reunião entre líderes de países pertencentes à UE.

Theresa May, Primeira-Ministra Britânica

Um dos principais tópicos abordados foi o Acordo de Chequers: Plano Ministerial que a primeira-ministra Theresa May endereçou ao Parlamento sobre como o Governo Britânico intenciona conduzir as negociações do Brexit. A consolidação do plano foi responsável pela saída de dois políticos-chave da base governista: David Davis, negociador britânico do Brexit; e Boris Johnson, Ministro das Relações Exteriores.

O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que o Acordo de Chequers não é viável para se trabalhar, em função da dificuldade de conciliar os interesses britânicos com os do bloco europeu, sobretudo no aspecto econômico. As principais divergências são a adesão de um “guia de regras comum” a ser adotado pelo Reino Unido, no intuito de seguir as regras da UE quanto à participação em agências e em determinações internas do bloco; e a manutenção do regime tarifário que seria coletado pelo Estado e repassado à UE.

Daí surge o impasse da Irlanda do Norte, em que a falta de acordo sobre como será a situação da fronteira entre o Reino Unido e a República da Irlanda frente ao Brexit direciona as discussões travadas até então. O interesse britânico é de que a União Europeia permita que o país continue adotando as tarifas praticadas pela UE; já o bloco defende que somente a Irlanda do Norte tenha essa permissão, gerando algum tipo de “fronteira” entre as ilhas da Irlanda e da Grã-Bretanha, algo que o Reino Unido não está inclinado a aceitar.

Publicidade contra a Fronteira entre as Irlandas

Especialistas apontam quatro possíveis cenários. Primeiro, no caso de um acordo, que tem se mostrado cada vez mais improvável, resta saber se o Reino Unido será capaz de abrir mais concessões à UE e se esta se mostra disposta a fazer o mesmo, evitando que ambas as partes não cheguem a um consenso, algo que nenhum dos lados deseja. Segundo, ainda que o acordo não ocorra, a relação entre o país e o bloco econômico será pautada pela OMC (Organização Mundial do Comércio), praticando os mesmos regimes a que Estados Unidos da América e Brasil, por exemplo, são submetidos. Um terceiro cenário é de que há ainda a remota possibilidade de permanecer na UE, mas isto levaria a um suicídio político dos governantes britânicos. Ademais, a permanência de Theresa May nas últimas Eleições Gerais de 2017 é um forte indicativo de que isso não irá acontecer. Por fim, há também a possibilidade de um novo Referendo, nos moldes do que foi o de 2016. Entretanto, existe o risco político, apesar de menor, e a ideia proposta é de que o acordo final seja votado no Parlamento e não posto em novo escrutínio à população.

A proposta europeia oferece duas opções ao país: ou adotar o modelo norueguês, que manteria a circulação de pessoas e a permanência do Reino Unido na Corte Europeia de Justiça, algo que os britânicos já acenaram não estarem interessados pelo próprio Acordo de Chequers; ou uma variação do modelo canadense, que ainda não foi implementado na UE, em que não se remove todas as obrigações tarifárias do Reino Unido sem perder acesso ao mercado europeu. Nesse último ponto, o próprio Partido Conservador não possui uma clara posição, uma vez que os mais radicais conservadores, como Boris Johnson e David Davis, aceitam essa proposta, que, por sua vez, não é vista com bons olhos pela base governista.

A partir do dia 30 de setembro até 3 de outubro, os Conservadores estarão em conferência para tomar decisões futuras. É o último momento antes da reunião final dos negociadores do Brexit, tanto do Reino Unido como da UE, que ocorrerá nos dias 18 e 19 de outubro. A possibilidade, cada vez mais provável, de que não haja um acordo final entre as partes já leva a ambos os lados se prepararem para este cenário. Ainda assim, é possível que ocorra alguma reviravolta no âmbito político que consiga resolver a situação, mas ainda é incerto e há boas chances de que ocasione algum tipo de custo político no fim das contas.

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Fontes da Imagens:

Imagem 1Bandeira do Reino Unido escrito BREXIT” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/brexit-ue-reino-unido-1478565/

Imagem 2Theresa May, PrimeiraMinistra Britânica” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Theresa_May_(Sept_2017).jpg

Imagem 3Publicidade contra a Fronteira entre as Irlandas” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/tiocfaidh_ar_la_1916/25754240267

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidente mexicano Enrique Peña Nieto vai à ONU

De acordo o Secretaria de Relações Exteriores mexicana (SRE), o presidente Enrique Peña Nieto viajou para Nova York no último domingo (dia 23 de setembro) para participar da 73ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e também de atividades prioritárias para a agenda multilateral do México.

Edifício da ONU em Genebra (Suíça)

Durante seu discurso como o quinto Presidente do Debate Geral da 73ª Assembleia Geral da ONU, Peña Nieto apresentou as prioridades de sua política externa, assim como um balanço sobre as realizações no que tange o desempenho multilateral alcançado durante sua administração.

Juntamente com outros líderes e representantes das Nações Unidas, o Mandatário mexicano participou do lançamento do Painel de Alto Nível para a construção de uma Economia Oceânica Sustentável, liderado pela Primeira-Ministra da Noruega, Erna Solberg. Da mesma forma, Peña Nieto participou, a convite do Presidente da França, Emmanuel Macron, da Segunda Cúpula de Um Planeta, na qual ele apresentou o progresso do México no cumprimento dos compromissos assumidos em dezembro passado (2017).

Organização das Nações Unidas

Já na Cúpula do Fórum Econômico Mundial sobre o impacto do desenvolvimento sustentável, o Presidente abordou as ações do México para alcançar os objetivos da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, e partilhou a posição do país frente ao crescimento econômico e a Quarta Revolução Industrial.

A convite do Sr. Michael Bloomberg, o Chefe do Executivo mexicano participou também do Bloomberg Global Business Fórum 2018, onde ele destacou o papel de liderança exercida pelo México nas negociações do Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular, bem como as importantes contribuições dos migrantes para o desenvolvimento econômico dos países.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede das Nações Unidas em Nova York” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Headquarters_of_the_United_Nations

Imagem 2Edifício da ONU em Genebra (Suíça)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%BApula_Mundial_sobre_a_Sociedade_da_Informa%C3%A7%C3%A3o

Imagem 3Organização das Nações Unidas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Member_states_of_the_United_Nations

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sukhoi poderá sofrer sanções norte-americanas

A TASS, Agência de Informação e Telegrafia da Rússia, informou que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América está considerando a possibilidade de instaurar sanções contra a empresa russa Sukhoi, baseado na alegação de que suas aeronaves supostamente tenham sido utilizadas em ataques químicos dentro do território sírio. A notificação da agência fundamentou-se numa declaração, realizada em 13 de setembro de 2018, pelo secretário adjunto do Financiamento Terrorista, Marshall Billingslea, que afirmou a preocupação dos EUA no tocante ao envolvimento de tais aviões nesses ataques e o que poderia estar sendo feito, se realmente a realidade dos fatos se comprovarem.

Logotipo da Sukhoi

Fundada em 1939, a PJSC Sukhoi Company atualmente é a maior holding de aviação russa e uma das mais versáteis fabricantes de aviões militares do mundo, envolvendo mais de 24 mil funcionários e tendo sua participação como membro da United Aircraft Corporation (UAC), empresa russa de capital aberto. Com 80% das ações pertencentes ao Estado e o resto à iniciativa privada, a empresa consolida companhias aeroportuárias de construção, manufatura, projeto e venda de aeronaves para fins civis, militares e de transporte.

A holding “Sukhoi” inclui as principais agências de design da Rússia e fábricas de aviões em série, fornecendo um ciclo completo de obras na construção de aeronaves, desde a concepção até o serviço pós-venda. Como principais produtos ofertados, tem as aeronaves de combate Su, que são a base da aviação de linha de frente russa e da aviação tática em muitos países do mundo. A Sukhoi Company é a maior exportadora russa de equipamentos para aviação e, atualmente, a empresa está implementando programas promissores no campo da construção de aeronaves militares e civis, tendo com carro-chefe de seus projetos o Su-57, caça de 5ª geração.

Segundo analistas, a questão da efetividade dessas sanções deve levar em conta que a diversidade de operações das aeronaves Sukhoi não está baseada somente na aplicação militar, mas, também, nas várias operações de transporte de passageiros pelo mundo, incluindo os processados dentro do território americano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sukhoi Su57 (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Sukhoi_T-50_Beltyukov.jpg

Imagem 2 Logotipo da Sukhoi” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/3/34/Sukhoi_Company_logo.svg/275px-Sukhoi_Company_logo.svg.png

AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASOrganizações InternacionaisPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidente do Brasil viaja para a abertura da 73a Assembleia Geral das Nações Unidas

O presidente brasileiro Michel Temer viajou ontem, domingo, dia 23 de setembro de 2018, para Nova York, onde participará da 73a Assembleia Geral das Nações Unidas, quando fará o discurso inaugural no dia 25, terça-feira, pela manhã. A realização da abertura por um brasileiro tornou-se uma tradição, quando, desde 1955, passou a ser feita pelo representante do Brasil, que somente a partir de 1982 teve um Presidente da República, na época João Batista de Figueiredo, fazendo o discurso inaugural, algo que antes era realizado pelo representante do país na entidade, ou pelo Ministro das Relações Exteriores.

Osvaldo Aranha preside a Assembleia das Nações Unidas, 1947

As razões para tal honraria ser dada ao Brasil tem várias explicações, mas não há regra que o defina, sendo apenas um costume que passou a ser respeitado por cortesia que concede ao Estado brasileiro ser o responsável pelo primeiro discurso e dá aos EUA o papel de ser o segundo a discursar, uma vez que é o anfitrião, sendo seguido pelos demais países de acordo com a ordem de precedência de quem discursará, ou seja, Chefe de Estado, Chefe de Governo, Ministro e representante oficial.

A tradição foi rompida duas vezes, desde 1955, quando o Presidente dos EUA, Ronald Reagan, abriu a Assembleia em 1983 e 1984. Além disso, se também foi criado o costume de ser um Presidente da República brasileiro a fazer o discurso, este foi quebrado no mandato de Itamar Franco, em 1993, quando quem discursou foi então chanceler Celso Amorim.

Dentre as várias razões para a honraria, as mais aceitas são de que o Brasil passou a ser o responsável por ser um país neutro, além de haver certo respeito pelo trabalho exercido pelo ex-chanceler brasileiro Osvaldo Aranha, que foi o primeiro presidente da primeira sessão especial da Assembleia Geral da ONU e presidente da Segunda Assembleia Geral da ONU, em 1947, um ano conflituoso no Organismo, que culminou com a criação do Estado de Israel, no qual ele teve papel relevante, tanto na votação, quanto na negociação para que o plano fosse votado.

Mas também há explicações menos honrosas, como a apresentada pelo colunista do New York Times, Michael Pollack, feita em 2012, em que declarou, fazendo analogia com um show de Rock: “O astro geralmente tem um show de abertura. A Assembleia Geral é um lugar lotado, com delegados de 193 Estados-membros ainda chegando e procurando seus lugares durante os pronunciamentos iniciais. O discurso do Brasil oferece um modo diplomático de todo mundo se ajeitar para o que costuma ser a atração principal: o presidente dos Estados Unidos

Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sede das Nações Unidas, em Nova York

Independentemente da razão, oscilando da mais a menos glamorosa, estabelecida a honraria que se tornou costume, caberá a Michel Temer fazer o discurso de abertura do dia 25. Não foi divulgado sobre o que falará, mas se acredita que tratará dos temas que têm sido tradicionais ao Brasil: (1) a defesa do multilateralismo; (2) a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (sabendo-se que, antecipadamente, Aloysio Nunes, o Ministro das Relações Exteriores, participará do encontro do G4, grupo composto por Alemanha, Brasil, Índia e Japão, que detém uma proposta de reforma do Conselho de Segurança da ONU, desejando adquirir Cadeira como Membro Permanente no Conselho) e, (3) certamente, devido a crise que hoje vive a Venezuela, afetando diretamente o Brasil, o problema das migrações, e também já está certo que Aloysio Nunes representará o Brasil no chamado “Road to Marrakesh”, prévia de uma conferência internacional no Marrocos, em dezembro próximo (2018), sobre o assunto Migração.

Conforme tem sido disseminado na mídia, cinco são os temas a serem tratados de forma enfática neste ano (2018) nas Nações Unidas: a Coreia do Norte; a Crise na Venezuela; a Crise na Síria, em especial o problema do possível ataque a Idlib; o Acordo Nuclear do Irã, em particular tratando das ações norte-americanas, tendo sido divulgado, já no início do mês, notícias de que Trump estava aberto a se encontrar com o Presidente do Irã, Hassan Rohani, à margem da Assembleia Geral; e a guerra Civil no Iêmen.

Pelo que foi divulgado, a agenda de Michel Temer tem, hoje, dia 24, um almoço oferecido na Câmara de Comércio dos EUA, e amanhã, terá, além do discurso de abertura, um único encontro bilateral, que será com o Presidente da Colômbia, Ivan Duque, e encontro com Presidentes dos países do Mercosul, uma vez que está prevista reunião entre os líderes sul-americanos e os da União Europeia para tratar dos entraves ao acordo comercial que os dois grupos tentam há 18 anos. Após esta reunião, está previsto o retorno ao Brasil.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/05/UN_General_Assembly_hall.jpg

Imagem 2 Osvaldo Aranha preside a Assembleia das Nações Unidas, 1947” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/44/OsvalAranha_preside_a_Assembleia_das_Nações_Unidas.tif

Imagem 3 Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sede das Nações Unidas, em Nova York” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/95/UN-Sicherheitsrat_-_UN_Security_Council_-_New_York_City_-_2014_01_06.jpg