NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia acusa Ocidente de preparar encenação de ataque químico na Síria para justificar novo bombardeio

O Governo russo está denunciando e acusando o Ocidente, mais especificamente, Estados Unidos, Reino Unido, França, além de indiretamente alguns de seus aliados, de estarem preparando a encenação de um ataque químico na Síria, que dirão ter sido feito pelo governo de Bashar al-Assad.

O objetivo seria terem justificativas para novos bombardeios, ações variadas e possível invasão do país, na tentativa de frear o processo de paz que se desenrola, bem como fazer recuar o Exército da Síria, que vem ganhando território, graças principalmente ao apoio da Rússia, do Irã e grupos aliados deste último.

Pode-se destacar que a Turquia, apesar de membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), está identificando que a perda de controle político por parte de Assad poderá gerar fragmentação do território sírio, significando um avanço dos curdos, que, por sua vez, desejam ganhar independência de região da Turquia e fundar o seu próprio país, o projetado Curdistão, que acrescentaria ainda áreas da Síria, do Iraque e do Irã.

Major-general Igor Konashenkov com jornalistas em El-Karjatein, na Síria, em abril de 2016

Segundo declarações do Ministério da Defesa russo, fontes relataram que na região de Idlib estão chegando especialistas para realizar a encenação de um “ataque químico”, e que o local em que ocorreria a suposta atividade seria o povoado chamado Kafer Zaita. O major-general Igor Konashenkov, representante oficial do Ministério, afirmou que há “socorristas disfarçados de Capacetes Brancos” e que haveria filmagem para ser repercutida nas mídias ocidentais e locais. Em suas palavras: “No próprio povoado de Kafer Zaita está se efetuando o treinamento de um grupo de habitantes, transferidos do norte da província, para sua participação [numa] encenação de ‘danos’ causados pelas alegadas ‘munições químicas’ e ‘bombas de barril’ supostamente lançadas pelas forças governamentais da Síria, [encenação também] da falsa prestação de assistência pelos socorristas disfarçados de Capacetes Brancos e [participação na] gravação de cenas para ulterior divulgação nas mídias em inglês e do Oriente Médio. (…)” (Acréscimos feitos no original para tornar a redação mais compreensível).

Além disso, afirmou que o ataque estaria sendo planejado para os próximos dois dias, contando do momento em que fez a declaração, domingo, dia 26 de agosto, ou seja, para até hoje, dia 28, terça-feira, embora seja possível admitir que também está no seu cenário que ocorra ainda esta semana. Especificou de forma clara: “Planeja-se efetuar um ataque com munições com substâncias tóxicas a partir de lançadores de foguetes nas próximas 48 horas contra o povoado de Kafer Zaita, situado seis quilômetros para sul de Habit”.

Logo do Hayyat Tahrir al-Sham

Os detalhes da acusação são muito específicos, razão pela qual a comunidade internacional tem ficado atenta, e vem levando em consideração a alta probabilidade de que algo realmente poderá ocorrer, independentemente de quem será o responsável por esse alegado ataque químico, e de ele ser real ou encenado, caso se confirmem essas denúncias que vem sendo feitas. Trazendo mais elementos, Konashenkov também detalhou: “Pelas informações confirmadas simultaneamente por várias fontes independentes, o agrupamento terrorista Tahrir al-Sham [novo nome adotado depois do desgaste sofrido pelo reconhecidamente nefasto do bando Frente al-Nusra] está realizando os preparativos para mais uma provocação com ‘uso de armas químicas’ para seguir com as denúncias vazias de que seriam crimes das forças governamentais sírias contra a população civil da província de Idlib. (…)”.

Além desses, há outros fatos que estão sendo apresentados pelos russos como confirmadores das suspeitas:

  1. segundo informações, o destroyer estadunidense USS The Sullivans chegou ao Golfo Pérsico, e um bombardeiro B-1B foi transferido para base militar no Qatar.
  2. a declaração de John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA, dada em coletiva de imprensa no dia 22, quarta-feira da semana passada, afirmando que os sírios (no caso, o Governo sírio) “devem pensar bem antes de fazer uso de armas químicas contra a população de Idlib”. Isso pôde ser visto como uma falha de comunicação no planejamento dos norte-americanos, pois anunciaram antecipadamente o evento, ou seja, acabam robustecendo as suspeitas e dando mais força às acusações da Rússia de que os ocidentais estão provocando a situação de novo embate e serão os responsáveis pelo alegado ataque com armas químicas, mesmo que seja apenas uma encenação. A exceção para a declaração de Bolton se daria se houvesse trazido dados do serviço de inteligência. Neste caso, seriam necessárias mais informações e com detalhamento, tal qual foi feito pelo Governo russo, ao invés de fazer apenas a ameaça.

John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA

Com base no que tem sido divulgado na imprensa, deve-se acrescentar a esses dois pontos a significativa retirada dos 230 milhões de dólares de doação dos EUA do fundo de estabilização para a Síria, algo que vem sendo interpretado como um recuo estadunidense em apoiar o processo de pacificação do país, devido ao caso de a guerra estar caminhando para um desfecho favorável a Assad, algo contrário aos interesses norte-americanos, tanto que o porta-voz da diplomacia dos EUA, Heather Nauert, declarou que “O presidente (Donald Trump) deixou claro que estamos preparados para permanecer na Síria até uma derrota duradoura do EI (grupo Estado Islâmico), e seguimos centrados em garantir a retirada das forças iranianas e de seus aliados”. Observadores entendem que isso mostra que pretendem permanecer, mas gera a interpretação de que o objetivo mais importante é impedir os avanços dos seus adversários na região.

Outro fato relevante é a situação interna nos EUA, em que o presidente Donald Trump vem sendo submetido a críticas e constantemente surgem ameaças de que poderá ser solicitado o seu impeachment. Ou seja, uma ação externa, ainda mais dessa natureza – envolvendo direitos humanos, a Rússia, o Irã, e a Síria – poderia desviar o foco da crise pessoal que vive o mandatário norte-americano, algo que lhe impulsiona a tomar tal decisão, ou seja, realizar um bombardeio punitivo contra um ataque com armas químicas.

Lavrov se reúne com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, 10 de maio de 2017

Trazendo mais elementos que aumentam a probabilidade de que algo poderá acontecer em breve, o Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Lavrov, respondeu à afirmação de Bolton declarando que “Todas as forças estrangeiras que estão lá sem o convite do governo sírio devem eventualmente retirar-se”, tendo disso isso após o Assessor para Segurança Nacional dos EUA também ter alegado que a saída do Irã e seus aliados do território sírio era uma condição para a resolução do conflito.

Nesse sentido, há indícios de que o processo de paz dificilmente será alcançado, ocorrendo, pelo contrário, um exercício de preservação do impasse que se vive, em que, de um lado, não haverá apoio para a pacificação sem que ocorra a saída de Assad, a retirada do Irã e seus aliados, e a exclusão da influência russa na área; de outro, que a pacificação só terá resultado se Assad for preservado e os ocidentais retirados da Síria, bem como reduzidas as suas presenças na região.

Complementarmente, os turcos alertaram aos russos que seria um desastre uma solução militar em Idlib, último baluarte da resistência síria ao governo Assad. O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu, em coletiva de imprensa em Moscou, ao lado de Serguei Lavrov, foi enfático ao dizer isso: “Uma solução militar causaria uma catástrofe não somente para a região de Idlib, mas também para o futuro da Síria. Os combates podem durar muito tempo, os civis se verão afetados”. O russo, por sua vez, completou: “Quando foi criada uma zona de distensão em Idlib ninguém propôs utilizar esta região para que combatentes (…) se escondessem e utilizassem os civis como escudos humanos. (…). Não apenas ficam lá, como há ataques e disparos permanentes vindos desta zona contra as posições do exército sírio”.

Ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu

A Turquia, que apoia grupos rebeldes, prevê que o Exército sírio faça um ataque naquela região, mas não cita a probabilidade do uso de armas químicas, por isso está alertando para que não ocorra ação militar e está em negociações com a Rússia, uma vez que seus interesses estão convergindo cada vez mais com os russos e distanciando-se constantemente dos ocidentais, tanto que, no mesmo encontro, Mevlüt Cavusoglu declarou: “No entanto, é muito importante que esses grupos radicais, os terroristas, sejam neutralizados. É também muito importante para a Turquia, pois eles estão do outro lado da nossa fronteira. Representam antes de tudo uma ameaça para nós”. Reforçando esta convergência, Vladimir Putin, Presidente da Rússia, declarou, referindo-se positivamente à Turquia: “Graças aos esforços de nossos países, com participação de outros países interessados, especialmente do Irã (…), conseguimos avançar claramente na solução da crise síria”.

Diante do quadro, a denúncia e acusação feita sobre a suposta encenação de ataque com armas químicas começa a ganhar foro de alta probabilidade, uma vez que uma resposta à ação dessa natureza supostamente promovida pelo governo sírio fecha o círculo estratégico momentâneo das três potências da OTAN (EUA, Reino Unido e França), trazendo ainda mais elementos para retardar a crescente convergência entre Rússia e Turquia, bem como mais subsídios aos esforços para impedir a pacificação do país de uma maneira que não contemple o melhor cenário para os Ocidentais, ou seja: pacificação da Síria com a saída de Assad; a retirada do Irã e grupos aliados dos iranianos do território sírio; e afastamento da influência russa no país que surgiria desse processo, bem como na região médio oriental.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Print Screen da Região de Idlib destacada em rosa retirado do Google Maps” (Fonte):

https://www.google.com.br/maps/place/Idlib,+S%C3%ADria/@35.9334051,36.6421011,7z/data=!4m5!3m4!1s0x152500e6cc6ed27b:0xe59a7e2f651fc24c!8m2!3d35.8268798!4d36.6957216

Imagem 2 Majorgeneral Igor Konashenkov com jornalistas em ElKarjatein, na Síria, em abril de 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Igor_Konashenkov#/media/File:Igor_Konashenkov_(2016-04-08).jpg

Imagem 3 Logo do Hayyat Tahrir alSham” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Tahrir_al-Sham#/media/File:Hayyat_Tahrir_al-Sham_logo.jpg

Imagem 4 John Bolton, Assessor para Segurança Nacional dos EUA” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/John_R._Bolton#/media/File:John_R._Bolton_by_Gage_Skidmore.jpg

Imagem 5 Lavrov se reúne com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, 10 de maio de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sergey_Lavrov#/media/File:President_Trump_Meets_with_Russian_Foreign_Minister_Sergey_Lavrov_(33754471034).jpg

Imagem 6 Ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mevlüt_Çavuşoğlu#/media/File:Çavuşoğlu.jpg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sergey Lavrov e a diplomacia russa

Num Estado soberano, com sua estrutura política organizada e possuidor de instituições que controlam e administram seus desígnios, além da figura propriamente dita do governante máximo desta nação, é de suma importância que exista a posição de um membro do governo responsável pela condução da política externa, segundo as diretrizes estabelecidas, bem como pela coordenação dos serviços diplomáticos e consulares, no intuito de estabelecer e desenvolver contatos pacíficos, visando uma efetiva continuidade das relações harmoniosas, bem como a tentativa de comunicação clara e precisa em seus objetivos para com os outros países do mundo.

Sergey Lavrov

A Federação Russa tem como principal representante diplomático para assuntos internacionais a figura de Sergey Viktorovich Lavrov, que desde março de 2004 vem atuando como Ministro das Relações Exteriores da Rússia, enfrentando uma longa lista de desafios que, nos últimos anos, colocaram sua pessoa à frente dos mais variados assuntos diplomáticos que apresentaram grande repercussão não só dentro das fronteiras do país, como também em diversas partes do mundo.

Descendente de armênios, foi direcionado à carreira diplomática logo depois de sua graduação, em 1972, no Departamento de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Asiáticos em Moscou, na Academia de Ciências da Rússia, quando foi recrutado como funcionário interino na embaixada soviética no Sri Lanka. Em sua proeminente carreira diplomática chegou a assumir a posição de representante permanente da Rússia na ONU (Organização das Nações Unidas), onde, durante os dez anos de permanência no cargo, até sua saída em 2004, teve que tratar de assuntos chaves da diplomacia russa sobre os conflitos na extinta Iugoslávia, Iraque, Oriente Médio e Afeganistão, bem como a tratativa do papel da Federação Russa na luta contra o terrorismo mundial.

Desde sua nomeação em 2004 pelo presidente russo Vladimir Putin, tem como principal objetivo defender as boas práticas nas relações internacionais baseadas no “pragmatismo, respeito mútuo e responsabilidade global compartilhada”. Sua atuação diplomática enfrenta hoje uma miríade de acusações ao governo russo, no entanto, deixa claro que seu país não é um “buscador de conflitos”, mas protegerá seus interesses caso necessário. Ultimamente, uma das principais atribuições é lidar com os conflitos com a administração norte-americana, que vem piorando nos últimos dois governos, com relatos de ataques às propriedades diplomáticas russas, algo que, de acordo com sua análise, contradiz a Convenção de Viena e também à própria Constituição dos EUA, além dos princípios da sociedade norte-americana, onde a propriedade privada é sagrada.

Em discurso perante à Conferência de Segurança de Munique, em 2017, Lavrov defendeu uma “ordem mundial pós-Ocidental, na qual, cada país, baseando-se em sua soberania no marco da lei internacional, busque um equilíbrio entre seus próprios interesses nacionais e os interesses nacionais dos parceiros”, com respeito à identidade histórica e cultural de cada um.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sergey Lavrov com jornalistas” (Fonte):

http://www.uznayvse.ru/images/stories2015/uzn_1450944171.jpg

Imagem 2 Sergey Lavrov” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/00/Sergey_Lavrov%2C_official_photo_06.jpg/200px-Sergey_Lavrov%2C_official_photo_06.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O incêndio de carros na Suécia

Na última semana, os suecos sofreram um susto ao saberem dos carros incendiados em seu país. Cerca de 80 carros foram queimados nas redondezas de Gotemburgo, no Oeste da Suécia, e 10 carros na região de Estocolmo, capital da nação, e Uppsala.

As autoridades desconhecem os autores dos crimes e acreditam que a ação tenha sido coordenada pela internet. Segundo relatos locais, grupos de jovens encapuzados e vestidos de preto seriam os responsáveis pelo prejuízo, bem como pela tensão populacional.

Primeiro-Ministro da Suécia, Stefan Löfven

O jornal Aftonbladet trouxe a afirmação de Hans Lippens, porta-voz da Polícia no Oeste sueco, sobre o ocorrido: “Identificamos e conversamos com jovens que estavam no local. Mas não é possível dizer que são os que iniciaram os incêndios. Estamos conversando com seus pais”.

O jornal Dagens Industri apresentou o comentário do primeiro-ministro sueco Stefan Löfven, o qual expressou: “Cria preocupação e medo e, portanto, a sociedade deve mostrar que sempre seremos mais fortes. Parece que o trabalho de investigação está indo bem e esperamos que os culpados sejam punidos”.

Os analistas salientam estranhamento com os atos, os quais beiram a ataques terroristas. Observam com atenção uma possível atuação de grupos anarquistas, provavelmente insatisfeitos com as políticas do país, pois o modo de operação não tende a indicar traços de manifestação e protesto, e, sim, de pânico e medo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Carros incendiados” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4e/Second_day_of_Husby_riots%2C_three_burning_cars.jpg/1024px-Second_day_of_Husby_riots%2C_three_burning_cars.jpg

Imagem 2 PrimeiroMinistro da Suécia, Stefan Löfven” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/59/Stefan_L%C3%B6fven_edited_and_cropped.jpg/679px-Stefan_L%C3%B6fven_edited_and_cropped.jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Assinatura do Acordo do Mar Cáspio e a geopolítica energética

No dia 12 de agosto, na cidade cazaquistanesa de Aktau, os presidentes do Azerbaijão (Ilham Aliyev), Cazaquistão (Nursultan Nazarbaev), Irã (Hassan Rohani), Rússia (Vladimir Putin) e Turcomenistão (Gurbanguly Berdimuhammedow) assinaram uma convenção relativa à administração do Mar Cáspio e de seus arredores.

Situado em uma zona transcontinental entre a Ásia e Europa, e historicamente utilizado como um importante corredor comercial e de trânsito entre as potências do leste e oeste, a região atraiu notável atenção após a descoberta de uma significativa quantidade de recursos energéticos, incluindo cerca de 50 bilhões de barris de petróleo e de 9 trilhões de metros cúbicos de gás natural.

Mapa Mar Cáspio

Posteriormente ao colapso da União Soviética (URSS), o Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão conquistaram suas independências e, como consequência, não apenas obtiveram o direito sobre o mar territorial do Cáspio, mas também poderiam usufruir e explorar seus recursos naturais. No entanto, disputas e discordâncias entre os governos centrais dos Estados limítrofes ao mar sobre demarcação de fronteiras resultou em uma limitada capacidade de exploração dos recursos aquífero e energético.

Um dos principais temas em divergência é definir se o Cáspio é um mar ou um lago. Enquanto que no primeiro caso a divisão se estenderia da margem litorânea de cada Estado até um ponto intermediário da água, no segundo a distribuição seria igualitária. Por certo nenhum dos cinco Estados foi impedido de ter acesso aos recursos naturais, no entanto, explorações energéticas mais profundas e a criação de projetos de gasodutos que atravessassem o mar foram paralisados.

Primeiramente, a convenção assinada estabeleceu e classificou o Cáspio como um mar, determinando, dessa forma, que cada Estado controle 15 milhas náuticas de água da sua costa para a exploração mineral e 25 milhas náuticas para a pesca, já as outras partes do Mar Cáspio são consideradas águas neutras para uso comum. Somado a isso, foi acordada a proibição da entrada de embarcações militares de países não-caspianos ao mar. Neste último item, cabe destacar que Irã e Rússia se beneficiam com esta decisão, uma vez que ambos os países se preocupam com o aumento da presença dos Estados Unidos e da OTAN na região, principalmente no Azerbaijão.

Apesar da assinatura do acordo ter sido uma conquista após anos de tentativas frustradas, ainda existem diversos temas à espera de resolução. No tocante à problemática ambiental e delimitação do fundo do mar, onde a maior parte dos recursos energéticos são encontrados, será necessário, segundo especialistas no assunto, negociações bilaterais para serem alcançados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente Hassan Rouhani em encontro com presidente Vladimir Putin, em Teerã” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Third_GECF_summit_in_Tehran_32.jpg

Imagem 2Mapa Mar Cáspio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Caspianseamap.png

                                                                                   

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China e Turquia aprofundam relacionamento bilateral

A Turquia tem localização estratégica no cenário geopolítico mundial. Exercer influência no país médio-oriental é importante para consolidar posições de poder global. Tradicionalmente, os turcos têm fortes laços com países ocidentais, principalmente com os EUA, e participam ativamente das instituições influenciadas pelo Ocidente. Essa conjuntura está sendo alterada recentemente, devido à crescente presença chinesa no país, por meio da cooperação econômica e militar.

A Turquia é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)* desde 1952 e buscou frequentemente auxílio no Fundo Monetário Internacional (FMI)** quando sua economia esteve em crise. A recente desvalorização excessiva da lira turca, contudo, não provocou o mesmo movimento e o governo voltou-se para a China. Segundo alguns analistas, isso ocorreu devido ao aumento de influência do presidente Recep Tayyip Erdogan, que teria sido capaz de controlar as resistências e os temores da elite turca em relação aos chineses. De fato, o mandatário venceu um referendo em abril de 2017, que transformou o país em uma República Presidencialista, garantindo-lhe mais poderes. No entanto, ainda não há dados suficientes para afirmar com segurança que esse fato impulsionou a aproximação à China.

Lira turca antiga

A situação monetária desfavorável motivou a busca de recursos chineses. Segundo o economista turco Emre Alkin, “A estabilidade da lira turca virá da cooperação com países valorosos, como a China. É impossível que o Banco Central faça algo sozinho. Recursos são necessários […] está claro que precisamos da sabedoria, de ideias e de sugestões de países como a China”. Em contraprestação aos recursos chineses, os turcos estão dispostos a ampliar parcerias em portos e em infraestrutura de transportes. Além disso, a Turquia sinalizou recentemente seu interesse em ingressar no grupo BRICS*** e acredita que tem apoio dos membros para tanto.

A cooperação militar com Pequim é outra área que está em ascensão. Existe sentimento crescente de antiamericanismo na Turquia, devido em parte ao apoio estadunidense aos curdos na luta contra o Estado Islâmico. Isso é visto com desconfiança pela população turca, já que os curdos têm o pleito de fundarem um Estado que englobaria parte do território turco. A China e a Rússia, portanto, mostram-se como alternativas viáveis. Em maio de 2018, muitos oficiais chineses participaram do exercício militar “Ephesus 2018”**** como observadores. A tendência é que a cooperação aumente.

Para a China, a intensificação do relacionamento com a Turquia é positiva. O país médio-oriental encontra-se em ponto chave para a ligação física entre os continentes europeu e asiático, o que o torna essencial para o êxito do projeto chinês da Nova Rota da Seda, que visa a expandir sua influência global e promover a conectividade física, facilitando os fluxos de comércio entre a Europa e a Ásia. A concretização da iniciativa, portanto, depende de uma parceria sólida com os turcos.

A relação bilateral entre China e Turquia é pautada pela cooperação e pela aproximação progressiva. À medida que os turcos se afastam do Ocidente e das instituições ocidentais, cada vez mais buscam a parceria de outros atores, como os chineses e os russos. Pequim busca aproveitar a conjuntura favorável para estabelecer confiança e fortalecer os laços bilaterais, de modo que o relacionamento seja vantajoso para ambas as partes.

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Notas:

* Organização fundada em 1949, no contexto da Guerra Fria. Tem como objetivo fundamental garantir a defesa atlântica por meio de um sistema de segurança coletivo.

** Organização criada para ajudar a solucionar problemas na Balança de Pagamentos dos membros, por meio do fornecimento de empréstimos. Os recursos concedidos, contudo, têm como condição a adoção de disciplina fiscal rígida, o que é impopular em muitos países.

*** Coalizão que envolve Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (ingressa em 2011), que se reúne regularmente desde 2008 para debater temas da agenda internacional e promover iniciativas de reforma da ordem mundial, de modo a torná-la menos assimétrica, mais aproximada à atual distribuição internacional de poder e mais representativa dos interesses das nações em desenvolvimento.  

**** Exercício militar que ocorre a cada dois anos e é promovido pelo governo turco e seus aliados. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mesquita Azul, em Istambul” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkey

Imagem 2 Lira turca antiga” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkish_lira

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/08/little-brothers-together-turkey-turns-to-china/

[2] Ver:

https://www.theguardian.com/world/2017/apr/16/erdogan-claims-victory-in-turkish-constitutional-referendum

[3] Ver:

http://www.atimes.com/article/china-will-buy-turkey-on-the-cheap/

[4] Ver:

https://www.al-monitor.com/pulse/originals/2018/08/turkey-china-intensifying-defense-security-partnership.html

AMÉRICA LATINAÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Representantes latinoamericanos se reúnen con presidenta de Taiwan

La presidenta de Taiwan, Tsai ing-wen, realizó una visita oficial el pasado 14 de agosto al Paraguay. Dentro de la agenda para esos días, se inauguró una universidad local, establecida de manera conjunta entre ambos gobiernos, así mismo la representante Taiwanesa hizo presencia en la ceremonia de investidura del presidente electo Mario Abdo Benítez. El viaje de la presidenta de Taiwán continuo luego hacia Belice, donde fue recibida por una comitiva del gobierno del país centro americano. Lo anterior se enmarca en la pugna diplomática que ha mantenido la isla frente a China, de esta forma Taiwan busca abrir reconocimiento internacional en el mundo frente al poder chino que ha buscado bloquear las relaciones de esta provincia autónoma.

Taiwán, del tamaño de Cataluña, es una isla ubicada al sur de China, con más de 23 millones de habitantes. Tiene como capital Taipei, oficialmente recibe el nombre de República de China, y debe diferenciarse de la República Popular China, la cual considera que forma parte como provincia autónoma.

Presidenta de Taiwan, Tsai ing-wen

La diplomacia para Pekín y Taipei han sido el principal escenario de disputa en los últimos 50 años, luego de perder su asiento ante las Naciones Unidas en 1971. Desde entonces progresivamente la gran mayoría de países del mundo han suspendido las relaciones con la isla para fortalecer los lazos con la China continental. Pero con la actual presidenta Taiwanesa, que ha buscado fortalecer lazos con varios países en detrimento de China, se ha instalado un escenario de disputa entre ambos gobiernos.

En la actualidad, la relación entre China y su considerada provincia autónoma se encuentra congelada, los escenarios de dialogo se han visto opacadas por el aumento de actividad militar de China, para lo cual Taiwán, que cuenta con su propio Ejército, mantiene una actitud defensiva.

Es así como el viaje de la presidenta de Taiwán resulta estratégico, luego que los países visitados hacen parte de un total de 18 naciones con las que mantiene relaciones oficiales, 10 de la cuales se encuentran en Latinoamérica. Para Taiwán mantener estos vínculos resulta perentorio, luego que su no reconocimiento internacional podría generar un aislamiento total.

Es de esta manera como China busca hacer presión para que solo sea reconocida la China continental. En este sentido el año pasado (2017), Panamá de manera oficial rompió relaciones con Taiwán y fortaleció sus relaciones con chinos continentales. Cabe destacar que China en los últimos 12 años, ha prestado más de 150 mil millones de dólares a Bancos de inversión por toda Latinoamérica, además de mega proyectos de infraestructura en diferentes países de la región. 

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Fuentes das Imágenes:

Imagen 1 Isla de Taiwan” (Fuente):

https://es.wikipedia.org/wiki/Isla_de_Taiw%C3%A1n#/media/File:LocationTaiwan.svg

Imagen 2 Presidenta de Taiwan, Tsai ingwen” (Fuente):

https://es.wikipedia.org/wiki/Anexo:Presidentes_de_la_Rep%C3%BAblica_de_China#/media/File:%E8%94%A1%E8%8B%B1%E6%96%87%E5%AE%98%E6%96%B9%E5%85%83%E9%A6%96%E8%82%96%E5%83%8F%E7%85%A7.png