ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Japão rejeita pedido da ONU de impedir retorno a Fukushima

O Japão rejeitou o pedido da Organização das Nações Unidas (ONU) de impedir que mulheres e crianças retornassem à Fukushima. Segundo o jornal Japan Today, no dia 25 de outubro (2018), Baskut Tuncak, relator especial da ONU, afirmou que “[as pessoas sentiam que] estavam sendo forçadas a retornarem a áreas de risco, incluindo aquelas com níveis de radiação acima do que o governo [japonês] anteriormente considerava seguro”, ao que Ministro de Relações Exteriores rebateu, afirmando que seu embasamento parcial poderia suscitar medos desnecessários em relação a Fukushima.

Localização de Fukushima

O limite de exposição aceitável atualmente é de 20mSv (milisievert) por ano, o mesmo adotado para funcionários que trabalham em plantas nucleares. Antes do acidente nuclear em Fukushima, o nível era de somente 1mSv/ano, correspondente a 0.23μSv (microsievert) por hora. Contudo, em janeiro deste ano (2018), foram divulgadas medições de áreas de risco apresentando quantidades que atingiram 8.48μSv /hora no verão anterior. Algumas regiões ainda permanecem com ordem de evacuação.

O alto aumento do limite de exposição potencializa a insegurança da população e de especialistas, principalmente quando, neste ano (2018), o governo japonês reconheceu a primeira morte relacionada à explosão dos reatores ocorrida em 2011. A preocupação da administração japonesa é tentar estabelecer confiança e segurança após o maior acidente nuclear depois de Chernobyl, visando o sucesso da Olimpíada em 2020, que será sediada em Tóquio.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista de Fukushima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fukushima_(prefeitura)#/media/File:Fukushima_City_with_a_view_of_Fukushima_Station.jpg

Imagem 2 Localização de Fukushima” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fukushima_(prefeitura)#/media/File:Map_of_Japan_with_highlight_on_07_Fukushima_prefecture.svg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Líderes da Alemanha, França, Rússia e Turquia reúnem-se para discutir a situação na Síria

No sábado, dia 27 de outubro, a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o Presidente da França, Emmanuel Macron, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, reuniram-se, pela primeira vez em Istambul para debater a Guerra da Síria. Apesar da Conferência ter durado poucas horas, ela representou uma grande importância no campo diplomático cooperativo na busca por uma resolução conjunta e pacífica à situação na República Árabe Síria.

Reunião dos líderes da Alemanha, França, Rússia e Turquia

Ao final da Cúpula, os líderes liberaram uma declaração conjunta na qual apontaram a importância do uso de ferramentas políticas e diplomáticas para a resolução da crise e, também, que a participação popular será extremamente relevante para a decisão do futuro do país. Nesse sentido, os quatro líderes apoiaram que seja criado um Comitê Constitucional até o final do ano (2018), quando se espera a participação da oposição síria, assim como representantes do governo de Bashar al-Assad, atual Presidente da Síria.

Em relação a esse ponto, Putin afirmou que “uma Comissão deste tipo deve certamente ser reconhecida por todos os lados sírios e ter o seu respeito. Só neste caso, este órgão será viável e eficiente e será capaz de preparar e levar a cabo a reforma constitucional que há muito deveria fortalecer o Estado sírio e unir a sociedade síria”. Em adição ao pronunciamento do Presidente russo, Macron declarou que o “Comitê precisa ser formado para preparar eleições transparentes monitoradas pela comunidade internacional”.

Outra questão abordada durante a Cúpula entre Alemanha, França, Rússia e Turquia foi a integridade territorial da Síria. Todos os líderes concordaram que essa é uma prioridade, assim como sua soberania, independência e unidade. Ademais, discutiu-se a situação dos refugiados, em que se pretende criar boas condições para o retorno deles e dos demais que foram internamente deslocados. Tais condições dependem da garantia de que não haverá conflitos armados, perseguição política e nem detenções ilegais, além da reconstrução da infraestrutura do país.

A reunião entre os líderes foi bastante frutífera e trouxe esperanças quanto à possibilidade de ampliá-la e incluir outros países na discussão, tornando-a mais ampla e aberta à comunidade internacional. Assim, o Presidente francês destacou que “Existem vários formatos de discussão sobre a criação de uma resolução da Guerra na Síria. Precisamos que o formato Astana (Rússia, Irã e Turquia) e o Grupo Pequeno (Reino Unido, Alemanha, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Estados Unidos e França) unam forças. (…). Os esforços desses formatos se sobrepõem e a cúpula em Istambul é um passo adiante nessa direção”. Entretanto, Macron reconhece que tal união só terá êxito caso os membros dos dois formatos ajam em coordenação.

Em suma, a primeira reunião realizada entre os representantes da Alemanha, França, Rússia e Turquia quanto à situação na Síria trouxe uma maior coordenação diplomática entre eles. O principal objetivo, agora, é assegurar o fim dos conflitos armados no país e garantir que ocorra um processo de transição democrática em que todos os sírios terão acesso, inclusive aqueles que estão em diáspora pelo mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Antes da Reunião, da esquerda para a direita, a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, e o Presidente da França, Emmanuel Macron” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/AmOAhZ7cp2PcFvYdorNkHAOakMsP81V4.jpg

Imagem 2Reunião dos líderes da Alemanha, França, Rússia e Turquia” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/FlPUbKTGGJA6orbl74bD24JYnqHcfWMX.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia e a nova “Crise dos Mísseis”

Logo após o anúncio da retirada dos Estados Unidos do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) com a Federação Russa, proferida pelo presidente Donald Trump, em 20 de outubro de 2018, a comunidade internacional ingressou em uma nova “Crise dos Mísseis”*, de acordo com a visão de analistas, e que, desta vez, não envolveria somente a bipolaridade entre EUA e a Rússia, mas, também, a inserção de novos agentes geopolíticos dentro desse conflito.

Míssil russo RS 24 Yars

O desequilíbrio político-militar se deu sob a alegação por parte dos EUA de que a Rússia apresentou desrespeito ao acordo de redução de mísseis de médio alcance, ao mesmo tempo que apresenta uma disposição baseada na Revisão da Postura Nuclear da administração Trump em investir pesadamente no desenvolvimento de arsenal que faça frente à suposta ameaça russa, e também coloca a China como potencial inimigo na questão de fabricação e disposição de mísseis de médio e longo alcance, já que esta nação não está incluída no Tratado e vem se destacando no cenário mundial com avanços significativos em desenvolvimento de mísseis convencionais e nucleares, alterando sua estratégia de dissuasão** e passando para uma estratégia chamada de “retaliação garantida”, pela qual uma resposta nuclear seria efetiva e danosa ao seu oponente em caso de confronto.

Outro ponto crítico nesse desequilíbrio sistêmico seria a demonstração de poder bélico por parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aumentando a intensidade de treinamentos operacionais e de combate nas regiões fronteiriças da Federação Russa e da República de Belarus (Bielorrúsia), incluindo também exercícios relacionados ao uso de armas nucleares. Por sua vez, a Federação Russa, apesar de demonstrar o desejo de não ser “arrastada” para um conflito militar com o Ocidente, já informou que essas ações prejudicam sua estabilidade estratégica, o que obrigaria o país a tomar medidas de retaliação.

Segundo o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já que os norte-americanos decidiram sair do Tratado INF, eles devem revelar seus futuros planos no controle de armamentos, acrescentando que a falta de transparência é inadmissível e estendeu essa preocupação ao conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, quando este estava em visita à Moscou, em 22 de outubro (2018).

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Notas:

* Crise dos mísseis de Cuba, também conhecida como a Crise de Outubro, foi um confronto de 13 dias (16-28 outubro de 1962) entre os Estados Unidos e a União Soviética relacionado com a implantação de mísseis balísticos soviéticos em Cuba e que levaria o mundo à beira de uma guerra nuclear.

** A estratégia de dissuasão nuclear, muito utilizada no período da Guerra Fria entre EUA e União Soviética, é baseada num equilíbrio induzido pelo perigo do holocausto nuclear (Destruição Mútua Assegurada). Esta relação de forças traduzia-se num verdadeiro paradigma em que o equilíbrio do terror funcionava como a garantia da estabilidade e paz mundial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Silo com míssil nuclear R36 russo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Dnepr_inside_silo.jpg/330px-Dnepr_inside_silo.jpg

Imagem 2Míssil russo RS 24 Yars” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8f/PC-24_%C2%AB%D0%AF%D1%80%D1%81%C2%BB.JPG/1200px-PC-24_%C2%AB%D0%AF%D1%80%D1%81%C2%BB.JPG

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Etiópia terá a sua primeira Presidente mulher

Em uma movimentação surpreendente, o Parlamento etíope elegeu, por unanimidade, a ex-diplomata Sahle-Work Zewde como a nova Presidente. A escolha aconteceu imediatamente logo após a renúncia de Mulatu Teshome, depois de cinco anos no cargo. Com a eleição de Zewde, será a primeira vez que uma mulher assumirá o cargo de Chefe de Estado no país.

Parlamento etíope aprovou, por unanimidade, Zewde como a nova Presidente do país

Embora, institucionalmente, o cargo da Presidência na Etiópia não confira demasiado poder ao ocupante, na concepção e execução de políticas públicas, simbolicamente a escolha de Zewde para o posto representa uma significativa conquista. De maneira geral, a Etiópia – em especial o seu mundo rural – assenta-se sobre uma organização social marcada por uma profunda desigualdade de gênero, sendo as mulheres reféns de menores salários, de precárias condições de trabalho e de difícil acesso à educação. Neste sentido, a nova Presidente ocupará papel central em expandir a representatividade dos direitos às mulheres no conjunto das reformas propostas pelo governo de Abiy Ahmed.

Ao manifestar-se sobre a sua própria nomeação, Zewde declarou estar em consonância com as reformas econômicas e políticas lideradas pelo atual Primeiro-Ministro, afirmando trabalhar a favor da implementação de um conjunto de políticas que visa acelerar o desenvolvimento do país. No entanto, ela afirmou que dará foco em específico ao aumento do protagonismo das mulheres neste processo de transformação social.

O Governo e os partidos de oposição tem que entender que nós vivemos em uma mesma casa e que devemos focar nas coisas que nos unem, não naquilo que nos divide. Devemos criar uma nação e uma geração das quais nos orgulharemos. A ausência de paz primeiro vitimiza as mulheres, por isso durante o meu mandato eu irei me focar no papel delas em garantir a paz”, declarou a nova Presidente da Etiópia.

Desde o princípio da década de 80, Zewde trabalhou como diplomata, ocupando importantes posições em embaixadas etíopes em países da África Subsaariana e da Europa. Como última ocupação, ela trabalhava como representante da União Africana na Organização das Nações Unidas (ONU). A sua nomeação vem justamente em um momento no qual  autoridades e especialistas aguardavam a sua aposentadoria.

A nova Chefe de Estado poderá proporcionar um efetivo avanço na igualdade de gênero na Etiópia. Entretanto, esta conquista somente se efetivará se suas pautas igualitárias encontrarem espaço em um conjunto de políticas públicas entendidas por especialistas como autoritárias e pouco inclusivas. Não à toa, o país vivencia ao longo dos últimos três anos uma série de protestos e reivindicações por direitos civis, dos quais a igualdade de gênero constitui-se como importante pauta para a construção de um modelo de desenvolvimento inclusivo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Zewde será a primeira Presidente etíope, inaugurando um novo capítulo na história do Executivo no país” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sahle-Work_Zewde

Imagem 2Parlamento etíope aprovou, por unanimidade, Zewde como a nova Presidente do país” (Fonte):

http://radioshabelle.com/ethiopian-parliament-forms-committee-investigate-ethnic-dispute/

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Arábia Saudita afirma que jornalista Khashoggi foi assassinado

No dia 21 de outubro, a Arábia Saudita afirmou que Jamal Ahmad Khashoggi foi assassinado e atribui sua morte a uma operação não autorizada. O Ministro das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, relatou à Fox News que o ato foi um erro tremendo e negou que haja influência do Príncipe Mohamed Bin Salman na decisão que culminou na morte da vítima. Declarou, ainda, que os culpados serão devidamente responsabilizados pelo incidente, assim que as investigações feitas por autoridades turcas e sauditas sejam finalizadas.

Jamal Ahmad Khashoggi era um jornalista que já foi editor-chefe do canal Al-Arab News, editor do jornal saudita Al Watan e, durante o autoexílio nos Estados Unidos, foi colaborador do “The Washington Post”. Apesar de já ter atuado como conselheiro de altos funcionários sauditas, tornou-se crítico do novo governo.

No dia 2 de outubro de 2018, Khashoggi foi visto, pela última vez, adentrando o Consulado da Arábia Saudita em Istambul e desapareceu. Na ocasião, sua noiva aguardava do lado de fora do edifício. Autoridades turcas suspeitavam de que ele foi morto durante a visita no Consulado, o que foi posteriormente confirmado pelos sauditas.

Em um primeiro momento, a Arábia Saudita posicionou-se assegurando que o jornalista saiu das dependências consulares com vida, porém, no dia 20 de outubro de 2018, alegou outra versão, afirmando que ele havia morrido devido a uma briga em seu interior.

Suspeita-se que um dublê tenha sido usado na tentativa de despistar a possibilidade de a vítima ter desaparecido durante a visita ao Consulado. Alega-se também que o “Apple watch” do jornalista tenha gravado o áudio dos seus últimos momentos e que havia um legista saudita, Dr. Salah al-Tubaigy, com formação na Austrália, junto aos agentes no local. O médico supostamente teria desmembrado o corpo para facilitar sua ocultação. Todas essas informações ainda serão confirmadas ou não pelas investigações oficiais. O acontecimento gerou clamor pelo mundo.

Retrato oficial da Diretora da CIA Gina Haspel

A diretora da Central Intelligence Agency (CIA), Gina Haspel, está se dirigindo à Turquia a fim de acompanhar as investigações. O senador Rand Paul, dos Estados Unidos, posicionou-se com duras críticas aos fatos durante uma entrevista à Fox News.

O presidente Donald Trump afirmou que está insatisfeito com a resposta da Arábia Saudita em relação ao crime e que se deve chegar a fundo sobre o que houve. Anteriormente, havia declarado a importância da Arábia Saudita como aliada econômica e política, porém que tal fato é inaceitável. Reino Unido, França e Alemanha demandam clarificação urgente sobre o ocorrido. Vale lembrar que três Príncipes dissidentes da família real saudita, que residiam na Europa, também desapareceram[1]. É o caso, por exemplo, do Príncipe Sultan bin Turki.

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Notas:

[1] para saber mais sobre o desaparecimento dos príncipes sauditas, veja o documentário da BBC “Kidnapped! Saudi Arabia Missing Princes”, que pode ser visto nos links:

https://www.bbc.co.uk/programmes/n3ct3jbq,

ou https://www.youtube.com/watch?v=r2KYQWPUbG4&t=135s

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Fonte das Imagens:

Imagem 1Jornalista saudita, colunista da Global Opinions para o The Washington Post, e exeditor chefe do AlArab News Channel, Jamal Khashoggi faz comentários durante o POMEDs Mohammed bin Salmans Saudi Arabia: A Deeper Look’, em 21 de março de 2018Project on Middle East Democracy (POMED), Washington, DC.” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Jamal_Khashoggi#/media/File:Jamal_Khashoggi_in_March_2018_(cropped).jpg

Imagem 2Retrato oficial da Diretora da CIA Gina Haspel” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Gina_Haspel#/media/File:Gina_Haspel_official_CIA_portrait.jpg

AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Aspectos que envolvem a retirada dos EUA de Acordo nuclear com a Rússia

Como foi noticiado, no dia 20 de outubro (2018), o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que irá retirar o seu país do Tratado de Forças Nucleares de Faixa Intermediária (INF, sigla em inglês)*, o qual foi firmado entre os EUA e a antiga União Soviética (URSS), em 1987, com o objetivo de encerrar o uso e a fabricação de mísseis nucleares e convencionais que teriam um alcance de 500 à 5.500 quilômetros. Esse banimento resultou na destruição de 2.692 mísseis até o prazo final dado pelo Documento, o qual foi 1º de junho de 1991.

O Vice-Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Ryabokv

O INF, portanto, representou um progresso na aproximação diplomática entre as duas superpotências. Ele garantiu a diminuição das tensões da Guerra Fria** e o corte de arsenais nucleares. Não obstante, o período marcado por aquele conflito ideológico encerrou-se e o Tratado continuou em vigência, porém agora entre EUA e a Federação Russa, o principal país que carrega consigo o legado da URSS. Dessa maneira, mesmo que o INF tenha sido firmado em um período histórico-político diferente, sua relevância ainda prevalece nos dias atuais, pois garante um certo controle do arsenal balístico de dois países avançados militarmente.

Apesar desse fato, o Presidente Trump resolveu anunciar a saída dos EUA do Tratado sob a justificativa de que a Rússia estaria descumprindo-o há alguns anos. Essa acusação soma-se à suspeita norte-americana de que os russos estariam desenvolvendo um novo sistema de mísseis terrestres, o 9M729, o qual violaria o INF, pois permitiria o lançamento de um ataque direto à Europa sem aviso prévio.

Além da apreensão de Trump em relação à Rússia, ele também deixou subentendido em seu anúncio de que a China estaria aprimorando esse tipo de armamento, que poderia vir a ameaçar os EUA. De acordo com ele, a sua decisão só se alteraria caso “(…) a Rússia venha até nós e a China venha até nós e que eles todos venham até nós e digam ‘sejamos todos inteligentes, que nenhum de nós desenvolva essas armas’”. Todavia, prosseguiu, afirmando: “(…) Mas se a Rússia está fazendo isso e a China está fazendo isso e nós estamos mantendo o acordo, isso é inaceitável. Então nós temos um tremendo montante de dinheiro para colocar em nosso setor militar”. Entretanto, o INF nunca foi um Acordo entre outros países senão a Rússia e os EUA, de forma que a China não estaria atrelada a nenhuma diretriz desse Tratado em específico.

A Rússia respondeu oficialmente ao pronunciamento alegando ter sempre respeitado estritamente o Tratado, declarando que aqueles que o burlaram foram os norte-americanos. Ademais, afirmou que a saída dos EUA representava um passo perigoso e retroativo nas relações entre os dois países. Inclusive o Vice-Ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, comentou que “se os norte-americanos continuarem a agir de modo tão grosseiro e brutal, como já vimos em várias situações, se eles continuarem a sair de tratados, diferentes acordos e mecanismos unilateralmente (…) não nos restará nada mais que empreender medidas de resposta, inclusive do caráter técnico militar. Mas não queríamos chegar a esse ponto”.

A decisão de Trump colocou em alerta toda a comunidade internacional. Por enquanto, o Reino Unido é um dos poucos que apoiam essa iniciativa norte-americana, aceitando as alegações de violação do INF por parte da Rússia. Em contrapartida, países como Alemanha, Espanha e França repudiaram a decisão do Presidente estadunidense, declarando que esse não é o caminho para a manutenção das boas relações diplomáticas, além de que isso coloca em perigo a estabilidade da Europa.

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Nota:

* Também tem sido traduzido como Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário.

** A Guerra Fria foi um embate político, ideológico e militar entre a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América (EUA), durante o período de 1945 a 1991. É chamada por “Fria” porque não houve conflitos diretos entre as duas grandes potências devido à ameaça nuclear, naquilo que entrou para a história com o nome de “Equilíbrio do Terror”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Míssil balístico nuclear intercontinental norteamericano de longo alcance intitulado UGM-133 Trident II ou Trident D5” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/Trident_II_missile_image.jpg/200px-Trident_II_missile_image.jpg

Imagem 2 O ViceMinistro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Ryabokv” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Sergei_Ryabkov.jpg