AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Caravana de imigrantes centro-americanos avança pelo México

A caravana de migrantes da América Central conseguiu adentrar o território mexicano. Desde a última sexta-feira (dia 19 de outubro), milhares de pessoas cruzaram a fronteira da Guatemala para o México. Alguns atravessaram a ponte da fronteira pedindo o status de refugiado ao governo mexicano e outros simplesmente se esquivaram do controle imigratório, a bordo de jangadas no rio Suchiate.

América Central

O escritório de Proteção Civil do município de Suchiate, no Estado de Chiapas, estima que mais de 7.200 pessoas, principalmente hondurenhos, continuam sua jornada com destino aos Estados Unidos.

A marcha atualmente ocupa uma das duas pistas da rodovia entre Ciudad Hidalgo, a cidade mais próxima da fronteira guatemalteca, e Tapachula, cerca de 30 quilômetros já dentro do território mexicano. Alcançar Tapachula era o objetivo da caravana até o último domingo (dia 21 de outubro) para se reagrupar e seguir a viagem.

 A Polícia Federal, que originalmente bloqueava a rodovia para impedir o avanço da caravana, finalmente abriu passagem e limitou-se a monitorar e acompanhar de perto a rota. Um helicóptero sobrevoa a estrada para observar o grupo de migrantes. “Tudo o que queremos é que eles cheguem em segurança”, disse Manelich Castilla, comissário da Polícia Federal mexicana.

As autoridades do México pediram aos organizadores das caravanas que parassem com o avanço do contingente. Eles até ofereceram transporte para levá-los a albergues do Instituto Nacional de Migração (INM). Entretanto, os organizadores rejeitaram a oferta do governo mexicano por medo de que o grupo se dispersasse.

Na rota, algumas autoridades convidaram os hondurenhos a regularizar seu status de imigração. “O Estado mexicano pode recebê-los, está aberto para conceder-lhes o status de refugiado, mas eles não podem ir em uma situação irregular, viajando por todo o território nacional”, disse Francisco Echavarría, delegado regional do INM. O México pediu ajuda à Organização das Nações Unidas (ONU) para atender ao grande grupo de imigrantes que continuam chegando ao México para se juntar à caravana.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Placa de trânsito sinaliza movimento de imigrantes pelas estradas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Immigration_sign

Imagem 2América Central” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Central_America

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Quebra de acordo nuclear poderá causar corrida armamentista entre EUA e Rússia

No último sábado, dia 20 de outubro de 2018, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo irá encerrar a participação no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force), o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano a época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos* e de cruzeiro**, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância.

Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev

A alegação por parte do Governo norte-americano para a quebra do pacto estaria baseada na violação do mesmo pela Federação Russa, com a implantação de sistemas de mísseis 9M729***, sobre os quais não se tem dados técnicos confirmados se o seu alcance efetivo viola os limites acordados, além de que o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China, que não faz parte do Tratado internacional.

De acordo com o senador russo, Alexei Pushkov, essa dissolução do acordo causará um outro “grande golpe no sistema de estabilidade mundial” devido ao fato de os EUA já terem apresentado comportamento pouco diplomático quando se retiraram, em 2001, do Tratado ABM (do inglês, Anti-Ballistic Missile Treaty) sobre proliferação de mísseis antibalísticos. Agora, apresentam nova intenção de rescindir acordo que limita o uso de armas nucleares, o que, para alguns analistas, poderá levar a uma possível corrida armamentista global, fruto de doutrinas nucleares beligerantes adotadas pelos EUA e pelo reforço do potencial nuclear militar da Rússia, ordenada pelo presidente Vladimir Putin, desde 2016, em resposta à expansão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao largo de suas fronteiras, percebido, então, como uma ameaça.

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Notas:

* Um míssil balístico é um míssil que segue uma trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após o míssil queimar todo o seu combustível (a sua trajetória fica governada pelas leis da balística – física). Para cobrir grandes distâncias, a trajetória dos mísseis balísticos atinge as camadas mais altas da atmosfera ou o espaço, efetuando um voo suborbital.

** Um míssil de cruzeiro é um míssil guiado que transporta uma carga explosiva e é propulsionado, normalmente, por um motor a jato, rumo a um alvo em terra ou no mar. Mísseis de cruzeiro modernos podem viajar em velocidades supersônicas ou em altas velocidades subsônicas, são autonavegáveis, e podem voar em uma trajetória não-balística, de altitude extremamente baixa.

*** O míssil de cruzeiro 9M729 parece ser uma modificação do já implantado míssil de cruzeiro 9M728 de 500 km, atualmente utilizado pelas brigadas Iskander. O 9M729 difere de seu predecessor por conta de sua fuselagem ser mais longa. Seu tamanho maior permite que sua carga de combustível e, consequentemente, seu alcance efetivo seja muito expandido. O tamanho do 9M729 é bastante próximo ao do míssil Kalibr lançado de navios – Ship Launched Cruise Missile (SLCM), cuja faixa é estimada em 3.000 km ou mais. O desempenho do 9M729 é provável ser similar a seu equivalente naval.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Míssil Balístico” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/Titan_II_launch.jpg/260px-Titan_II_launch.jpg

Imagem 2 “Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Estônia almeja vaga no Conselho de Segurança

O Estado estoniano está investindo pesado no sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), pois pretende submeter sua candidatura a Membro Não Permanente do Conselho de Segurança da instituição. Diante dessa postura, Tallinn* reservou cerca de 800.000 euros** para apoiar as atividades da ONU e de outras organizações internacionais relacionadas ao desenvolvimento e ajuda humanitária.

Ministro de Relações Exteriores da Estônia, Sven Mikser

O jornal The Baltic Times apresenta uma relação de organismos e os valores que serão doados pela Estônia como contribuição. Dentre os principais se destacam: o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com alocação de 150.000 euros; o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com 75.000 euros; e o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), com a doação de 60.000 euros. Em programas com doações menores tem-se: a Equipe de Peritos da ONU sobre o Estado de Direito e Violência Sexual em Conflito, que receberá 50.000 euros; o Fundo Voluntário da ONU para Povos Indígenas (UNVFIP), para o qual irão 20.000 euros; e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime que obterá a quantia de 5.000 euros**.

O empenho estoniano em auxiliar os programas da ONU é coerente com o discurso do Ministro de Relações Exteriores da Estônia, Sven Mikser, o qual defendeu que os países devem ter voz ativa nas temáticas importantes da instituição.

No tangente a essa pauta, o jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do Ministro:  A Estônia acredita que todos os países, independentemente de sua localização geográfica e tamanho, devem ter voz ativa em temas importantes da ONU. Queremos tornar o mundo um lugar mais seguro e tornar-se membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU é o nosso próximo objetivo”.

Os analistas atentam para a movimentação do país sobre as atividades da ONU e compreendem que não é coincidência a relação entre as contribuições financeiras e o propósito de concorrer a uma cadeira no Conselho de Segurança. Observa-se que o Estado estoniano está realizando o esperado para um ator que almeja ter maior posição no cenário internacional, visto que sem atuação na direção que vem seguindo não existe perspectiva de ganho de votos.

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Nota:

* Tallinn: capital da Estônia utilizada no contexto para representar o Estado.

** A cotação do Euro em relação ao Real Brasileiro, em 18 de outubro de 2018, é:

1 EUR (Euro) = 4,23943 BRL (Real Brasileiro).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Conselho de Segurança da ONU” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a4/United_Nations_Security_Council_4-3-crop.jpeg

Imagem 2 Ministro de Relações Exteriores da Estônia, Sven Mikser” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/20/SDE_Sven_Mikser.jpg/519px-SDE_Sven_Mikser.jpg

                                                                                             

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Irã e Arábia Saudita intensificam duelo pela influência no Paquistão

As relações entre a República Islâmica do Irã e o Reino da Arábia Saudita têm sido historicamente marcadas por fortes tensões diplomáticas na busca pelo controle geopolítico regional. Tal defrontação inclui desde as interpretações do Islã e Alcorão, a aspiração pela liderança do mundo islâmico, a política de exportação de petróleo até as relações com Estados Unidos e demais Estados do ocidente.

Primeiro-Ministro do Paquistão, Imran Khan

A Arábia Saudita é uma Monarquia conservadora absoluta constituída em 1932, a qual interpreta o islã desde a visão sunita. Já o Irã Moderno, criado após a Revolução Iraniana em 1979, possui um sistema político com alguns elementos de uma Democracia parlamentarista, mas que é supervisionado por um governo teocrático xiita, cuja autocracia está sob responsabilidade do Líder Supremo.

Por outro lado, a República Islâmica do Paquistão foi fundada em 1947 e, após uma série de guerras civis, em 1973 uma nova Constituição foi estabelecida, mantendo o status de República Parlamentar e determinando a concordância das leis com a interpretação do islã.

Após a eleição do novo Primeiro-Ministro do Paquistão, Imran Khan, em agosto de 2018, Riad e Teerã têm iniciado uma disputa de poder pela busca de influência no Estado sul-asiático. A sua importância estratégica se deve ao fato de ser o segundo país mais populoso do mundo islâmico, bem como possuir armas nucleares. Adicionalmente, cerca de 1,5 milhão de paquistaneses vivem na Arábia Saudita. Já Paquistão e Irã compartilham uma fronteira de 900 quilômetros.

Tradicionalmente, a relação entre Islamabad e Riad* é naturalmente próxima. O caso mais emblemático é a cooperação entre ambos países em conjunto com a CIA na defesa do Afeganistão, ocupado, na década de 1980, pelo Exército da União Soviética. Somado a isso, um braço do Exército paquistanês está presente em território saudita com o propósito de proteger a monarquia de ameaças internas e externas. E, em contrapartida, Arábia Saudita fornece uma assistência econômica ao aliado, a qual tem contribuído aos desafios enfrentados pelos paquistaneses. 

Ministra dos Direitos Humanos, Shireen Mazari

No entanto, esta relação bilateral tem sido levemente deteriorada desde o início da guerra no Iêmen, quando a Monarquia saudita solicitou que o Exército do Paquistão se unisse contra os rebeldes Houthis** na guerra civil iemenita. Na época, o primeiro-ministro Nawaz Sharif levou tal demanda ao Congresso, que refutou o envio de soldados.

Por outro lado, a equipe ministerial de Khan tem flertado com a possibilidade de aproximação de Islamabad e Teerã. Uma visita do Ministro das Relações do Irã, Mohammad Javid Zarif, está programada para este ano (2018). Além disso, a Ministra dos Direitos Humanos, Shireen Mazari, tem criticado veementemente a presença dos sauditas no Iêmen, bem como tem defendido a finalização do projeto de construção de gasoduto entre Irã e Paquistão e apoiado uma aliança bilateral entre ambos países na luta pelo fim da guerra no Afeganistão.

Finalmente, analistas no tema reconhecem que o Paquistão, sob a liderança de Khan, pode aliviar as tensões entre iranianos e sauditas e, consequentemente, abrandar a polarização existente na região, a qual gera danos humanitários irreversíveis.

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Referências:

* Islamabad e Riad são, respectivamente, as capitais de Paquistão e Arábia Saudita, referindo-se, aqui, aos Governos dos dois países.

** Grupo opositor ao atual Presidente do Iêmen, Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, e principal rival na Guerra Civil Iemenita. Houthis, também conhecido como Ansar Allah, é um movimento político-religioso de maioria xiita constituído na década de 1990, após a unificação do país. Dentre os seus aliados na guerra encontram-se Irã, Síria, Rússia e Coreia do Norte.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Localização do Irã e Arábia Saudita” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/64/Iran_Saudi_Arabia_Locator.svg

Imagem 2PrimeiroMinistro do Paquistão, Imran Khan” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Prime_Minister_of_Pakistan#/media/File:Imran_Khan_2012.jpg

Imagem 3Ministra dos Direitos Humanos, Shireen Mazari” (Fonte):

http://www.mohr.gov.pk/index.php/home/minister

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Valor de gastos desnecessários seria suficiente para eliminar a pobreza extrema na A.L. e Caribe

No mês de setembro passado (2018), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou o relatório “Melhores Gastos para Melhores Vidas – Como a América Latina e Caribe podem fazer mais com menos”. O estudo apresenta uma análise do gasto fiscal na região e revela grandes ineficiências e desperdícios que podem chegar a 4,4% do PIB, ou cerca de US$ 220 bilhões (16% do gasto total), aproximadamente R$ 848 bilhões de reais (cotação do dia 7 de outubro de 2018), indicando que há espaço para melhorar os serviços públicos sem a necessidade de aumentar os gastos. Essa quantia seria suficiente para eliminar a pobreza extrema na região. O Chile e o Peru têm a melhor qualidade de gastos, com custos de ineficiências que chegam a 1,8% e 2,5% do PIB, respectivamente.

Foi apresentado que o gasto público atualmente consolidado é de 29,7% do PIB, quase 6 pontos percentuais a mais do que no início da década de 2000. As despesas variam de mais de 35% do PIB na Argentina e Brasil e menos de 20% na República Dominicana e Guatemala.

Dinheiro não nasce em árvore

O aumento dos gastos dos governos dificilmente ajudará a fechar a lacuna de desigualdade na região se as ineficiências na redistribuição não forem corrigidas. Em 16 países latino-americanos, os impostos diretos e as transferências monetárias reduzem a desigualdade em uma média de apenas 4,7%, contra 38% em uma amostra de países desenvolvidos.

Uma redução nos custos excedentes e atrasos nos projetos de infraestrutura financiados pelos governos nos níveis de projetos financiados pelos Bancos multilaterais de desenvolvimento poderia gerar economias em gastos de quase 1,2% do PIB. Isso poderia liberar até US$ 50 bilhões (quase R$ 194 bilhões de reais, na cotação do dia 7 de outubro de 2018) anualmente para investimentos em infraestrutura.

O relatório oferece uma ampla gama de recomendações de políticas específicas. Isso inclui fazer um uso maior da análise de custo-benefício para determinar suas melhores opções orçamentárias, ou a criação de agências dedicadas ao planejamento estratégico que utilizem avaliações rigorosas do impacto dos programas do governo antes de tomar decisões sobre a alocação de recursos.

No campo da educação, o Documento recomenda, entre outras medidas, acompanhar os gastos por aluno, com um aumento nas medidas de responsabilização para reduzir a corrupção, bem como um nível mais elevado de formação de professores, e ajustando o seu salário ao desempenho.

Em relação à segurança pública, destaca que a região apresenta altos níveis de criminalidade, apesar de ter aumentado substancialmente as despesas com policiamento e encarceramento, levando o setor de segurança a absorver 5,4% dos orçamentos fiscais, contra 3,3% nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O relatório também lista melhorias nas áreas de organização e eficiência policial, melhor gerenciamento de programas de prevenção ao crime e maior foco em pontos, pessoas e comportamentos de alto risco.

Finalmente, o informe também apresenta os elementos intangíveis que estão por trás das decisões orçamentárias, como o nível de confiança da população em seu governo. A falta de confiança implica, entre outras coisas, que os eleitores prefiram políticas públicas que ofereçam benefícios imediatos (como transferências), ao invés de investimentos em educação e infraestrutura, cujos benefícios só se tornam visíveis muitos anos depois.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Capa do Livro – Melhores Gastos para Melhores Vidas – Como a América Latina e Caribe podem fazer mais com menos” (Fonte):

https://flagships.iadb.org/themes/custom/idb_publications/images/MejoresVidas.png

Imagem 2 Dinheiro não nasce em árvore” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/dinheiro-riqueza-ativos-1169650/

                                                                               

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Macedônia tenta mudar o nome do país para ingressar na União Europeia e OTAN

A República da Macedônia votou, no último dia 30 de setembro, pela mudança do nome oficial do país para Macedônia do Norte. Apesar de o resultado ser amplamente favorável ao pleito do Governo, ele não é válido, pois não atingiu o mínimo estabelecido de 50% para a taxa de comparecimento dos eleitores, tendo comparecido apenas 36% do total de macedônios registrados para votar.

República da Macedônia e Macedônia Grega

Agora, o primeiro-ministro Zoran Zaev deve decidir se leva a questão à Sobranie, o Parlamento, ou busca uma outra estratégia para a mudança. A intenção do atual Governo é permitir que a Macedônia tenha chances de entrar tanto na União Europeia (UE) como na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ambas embarreiradas pela Grécia, em função do nome do país.

A alegação grega é a de que a Macedônia é uma região do seu território e a nomenclatura macedônia sugere uma possível reivindicação futura das terras pertencentes aos helênicos. Portanto, a mudança seria necessária para a sua entrada nestas instituições, hoje dificultadas por Atenas. Nesse sentido, foi realizado um acordo com a Grécia para que o processo de filiação nas organizações não tivesse impedimento dos gregos.

Sobranie – Assembleia da Macedônia

A questão agora passa a ser como o Governo vai conseguir aprovar esta medida, uma vez que a Sobranie está bastante dividida nesta questão. Para que ocorra a alteração solicitada, é preciso que dois terços do Parlamento aprove o trato entre gregos e macedônios, mas isto se mostra bastante difícil, já que quase metade desta Casa pertence à oposição. Outra possibilidade é antecipar as eleições para que uma nova composição da Assembleia permita uma votação favorável à nova nomenclatura.

Mesmo que a Macedônia consiga fazer a alteração, o caminho para entrar na UE não será fácil. Assim como a Ucrânia, a resistência interna pode causar um revés político, não nas mesmas proporções do país do leste europeu, no que culminou na anexação da Crimeia, em 2014, após tentativas ucranianas de se aproximar da UE.

A existência de um sentimento antieuropeu no continente pode ser uma “trava” para possíveis interesses do país em ingressar na organização. Ainda assim, Estados mais pobres do continente, como é o caso da Macedônia, não tendem a observar essas alianças como negativas, em um primeiro momento, o que facilitaria a ação do Governo em empregar suas pautas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1BandeiraMapa da Macedônia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Flag_map_of_the_Republic_of_Macedonia.svg

Imagem 2República da Macedônia e Macedônia Grega” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:The_Republic_of_Macedonia_and_the_wider_region_of_Macedonia.png

Imagem 3Sobranie Assembleia da Macedônia” (Fonte):

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sobranie_-_the_Macedonian_Assembly.JPG