ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

O mercado danês em tempos de Coronavírus

Nos últimos meses o mundo experimenta uma forte onda viral provocada pela ascensão do Coronavírus, o qual faz parte de uma série de vírus da mesma categoria. O COVID-19 surgiu na China, porém os cientistas desconhecem sua origem e apenas afirmam que ele não poderia ter sido criado em laboratório, visto que as pesquisas apontam uma evolução natural da estrutura do COVID-19, sem espaço para manipulação humana.

Os chineses já estão em fase de recuperação após os graves impactos e mortes ocorridas, todavia, a situação não é tão otimista para a Europa e demais continentes nos quais o Coronavírus assola. Diversos Estados europeus são afetados, com destaque para a Itália, Espanha e França, os quais possuem quantitativo elevado de mortes e infectados.

Em relação à Dinamarca, o Jornal Copenhague Post informa cerca de 2.201 casos registrados e 65 mortes até o momento. As autoridades danesas* estimam que 10% da população do país poderá ser atingida pelo COVID-19, representando o equivalente a 580.000 pessoas. Os dinamarqueses se esforçam para garantir um atendimento digno aos seus cidadãos, e no respectivo jornal citado acima foi noticiado que cerca de 19.000 pessoas já foram testadas para o vírus, mas o Sundhedsstyrelsen (Conselho Nacional de Saúde Dinamarquês) espera aumentar a capacidade de testes diários para 5.000.

A emergência do Coronavírus trouxe mudanças drásticas no cotidiano da sociedade danesa, a qual foi orientada a permanecer de quarentena com o objetivo de diminuir a propagação do vírus. Diante desse cenário, as pessoas não podem sair para trabalhar e, por causa dessa questão, a vida e a economia do país têm sofrido reveses de diferentes tipos.

Em perfil de rede social, a Primeira-Ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, manifestou empatia e trouxe a seguinte mensagem à população: “Não queremos manter a Dinamarca fechada um dia mais do que necessário […]. Use os pacotes de ajuda historicamente grandes do Folketing. Não demita pessoas. Envie-as para casa. O Estado cobre uma grande parte do salário […]. Quase 33.000 pessoas estão desempregadas desde o início da crise do Corona. Pessoas e famílias que de repente não recebem um salário. Não é fácil”.

Os desafios de preservar a saúde e manter o sustento são imensos e de grande preocupação para a sociedade dinamarquesa, pois são pessoas e famílias que dependem de seus salários para honrarem seus compromissos. As empresas também se ressentem devido as responsabilidades financeiras envolvidas, seja com o pagamento de salários frente a não produção, seja com as despesas gerais de todo empreendedor com aluguéis ou financiamentos.

Ministro das Finanças da Dinamarca – Nicolai Wammen

Em resposta às intempéries geradas pela crise do COVID-19, o Estado dinamarquês liberará cerca de 200 bilhões de DKK (aproximadamente, US$ 29,781,600,000.00, ou R$ 151.773.000.000,00, de acordo com a cotação de 27 de março de 2020) para os Bancos. O objetivo é fornecer auxílio às empresas que precisam de fundos para cobrir perdas financeiras. Em relação à pauta, o Jornal Altinget apresentou a fala do Ministro das Finanças da Dinamarca, Nicolai Wammen, o qual comunicou: “O que estamos fazendo hoje é pegar uma das armas mais pesadas do arsenal e dispará-las para o benefício de empresas e trabalhadores dinamarqueses”.

De forma geral, o Estado apresentou algumas alternativas para ajudar as empresas do país apresentadas também no Jornal Altinget, tais como: a permissão de atraso de salários de forma temporária, com o recebimento pelos funcionários de subsídio complementar; a iniciativa de reembolso ao empregador, a partir do primeiro dia que o funcionário foi infectado por COVID-19, ou permaneceu em quarentena; e a concessão de empréstimos flexíveis para as grandes, médias e pequenas empresas, às quais terão acesso de forma proporcional, ou seja, em conformidade com as respectivas situações.

O Danske Bank (Banco da Dinamarca) criou um programa de crédito para atender seus clientes em tempos de Coronavírus, dentre os quais contempla: empréstimos com pagamentos parcelados e com extensão de prazos; financiamento de hipotecas mediante parcelamentos; adiamento de pagamentos por empresas; e suspensão de juros negativos para empresas (cerca de 90.000) com depósitos menores que 500.000 DKK (próximos de  a US$ 74,454.10, ou R$ 379.431,00, de acordo com a cotação de 27 de março de 2020).

Danske Bank

No tangente a situação, o CEO do Danske Bank, Chris Vogelzang, sinalizou: “Estamos em uma situação extraordinária que tem grandes implicações financeiras para a sociedade, empresas e famílias. Como o maior Banco do país, temos uma responsabilidade significativa por ajudar a minimizar os danos causados pelo COVID-19, e faremos um longo caminho para ajudar nossos clientes nessa situação desafiadora”.

Os analistas apontam a importância do isolamento social frente à expansão do COVID-19, não somente na Dinamarca, mas em todos os Estados afetados, com o propósito de reduzir a curva de infectados e a longo prazo aumentar a possibilidade de saída da quarentena. Em relação à economia danesa, verifica-se o esforço do Estado na preservação da manutenção básica da sociedade, ou seja, a injeção de recursos financeiros, o apoio com a folha de pagamento das empresas, e a flexibilização de empréstimos que muito contribui para a formação do consumo e, por extensão, para fazer a economia se movimentar.

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Nota:

* Danesas: adjetivo pátrio na Dinamarca; referente à dinamarquês ou povo Dane.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Primeira-Ministra da Dinamarca Mette Frederiksen” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8c/20180615_Folkemodet_Bornholm_Socialdemokratiet_Mette_Frederiksen_1629_%2842770573192%29.jpg

Imagem 2 Ministro das Finanças da Dinamarca Nicolai Wammen”  (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/19/Nicolai_Wammen%2C_pressefoto.jpg

Imagem 3 Danske Bank” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7e/Danske_Bank_Copenhagen_2018.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Manufatura chinesa registra maior queda desde 2009 devido ao coronavírus

A atividade do setor manufatureiro da China registrou a maior queda desde 2009, em meio à desaceleração econômica que o país vem sofrendo devido ao surto de coronavírus. Segundo o Bureau Nacional de Estatísticas da China, o Índice de Gestores de Compras (PMI) para o mês de fevereiro se situou em 35,7 pontos, contra 50,0 pontos em janeiro. Uma cifra acima de 50 indica expansão da atividade e, abaixo, contração, informa a agência de notícias Reuters.

O resultado é muito inferior à previsão dos analistas entrevistados pela Reuters, cuja média era de 46,0, um nível inédito desde janeiro de 2009. Os analistas da consultoria japonesa Nomura Holdings estimam que o crescimento chinês no primeiro trimestre deve ser de 2%.

Desconfiados do aumento dos custos econômicos, os principais líderes chineses instaram os governos locais, fábricas e trabalhadores a reiniciar as operações o mais rápido possível nas regiões menos afetadas, mas muitas autoridades estão preocupadas com o ressurgimento de infecções. Contudo, os dados oficiais mostraram que os níveis de produção das fábricas pequenas e médias eram de apenas 32,8% até quarta-feira (26 de fevereiro de 2020), e somente 40% dos trabalhadores imigrantes retornaram ao trabalho. Assim, muitas fábricas de pequeno porte têm sofrido com a falta de mão de obra.

Pessoas usando máscaras de proteção, em Guangzhou, na Província de Guangdong

Já a britânica Capital Economics publicou um comunicado na última sexta-feira (28) afirmando que “mesmo com a volta ao trabalho dos trabalhadores chineses, algumas fábricas ainda devem enfrentar problemas para se regularizar, já que outros países também enfrentam paralisações na produção”. Segundo os economistas da americana Morgan Stanley, o impacto no crescimento global do primeiro trimestre corre riscos de se manter também até a metade do ano (2020).

Esses dados desalentadores destacam o elevado dano econômico causado pelo coronavírus na segunda maior economia do mundo, que matou quase 3.000 pessoas na China continental e que levou à implementação de medidas de quarentena. No entanto, o presidente Xi Jinping assegurou repetidamente aos líderes mundiais que o impacto econômico do vírus é temporário e que Pequim espera atingir as metas de crescimento de 2020.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pessoas usando máscaras de proteção em mercado no Condado de Yanshan, Província de Hubei” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=500&offset=200&profile=default&search=coronavirus+china&advancedSearch-current={}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:People_wearing_mask_in_Yanshan_InZone_20190129.jpg

Imagem 2Pessoas usando máscaras de proteção, em Guangzhou, na Província de Guangdong” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=500&offset=200&profile=default&search=coronavirus+china&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=2vrbnloidljl3vkilae4w1urj#%2Fmedia%2FFile%3AStreet_photo_in_Guangzhou_city_%2849477439332%29.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Comércio entre Rússia e China apresenta crescimento sem precedentes

A inauguração do gasoduto “Poder da Sibéria” foi um marco nas relações bilaterais entre Rússia e China, em tempos de sanções do ocidente contra ambos os países. Em uma empreitada de cooperação sem precedentes, Moscou e Pequim consolidam sua posição de parceiros comerciais, assumida em 2014, com a crise da Crimeia. Conforme reportado pelo Sputnik, o comércio Sino-Russo atingiu, em 2019, a marca dos 110 bilhões de dólares (aproximadamente,446,6 bilhões de reais)*, representando um crescimento de 3,1%, com base no mesmo período do ano passado (nomeadamente, de janeiro a novembro de 2018).

Há nove anos consecutivos, a China é o maior parceiro comercial da Rússia, tanto em importações, como exportações. De acordo com dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China e publicados pela TASS, o volume de exportações chinesas para a Rússia manteve-se estável nos primeiros oito meses do ano (2019), enquanto as importações chinesas de produtos e serviços russos cresceu 8,3%, sendo a Rússia a maior fornecedora de petróleo bruto para o país. Mais detalhadamente, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, disse que, até outubro de 2019, as importações de produtos agrícolas de origem russa aumentaram 12,4%, enquanto as exportações de carros chineses para a Rússia cresceram 66,4%

O Primeiro-Ministro russo, Dmitry Medvedev, anunciou a ambição do Kremlin de dobrar o comércio entre Federação Russa e China até 2024, o que acarretaria um faturamento de 200 bilhões de dólares (em torno de 812 bilhões de reais)* em negócios mútuos. As áreas de foco da cooperação seriam a agricultura (principalmente a soja), por intermédio da remoção de barreiras tarifárias; a indústria de alta tecnologia e, é claro, o setor energético.

Reunião do presidente Vladimir Putin com o presidente Xi Jinping, Novembro de 2019

É importante salientar que a Rússia já tem megaprojetos de infraestrutura aprovados para acontecer neste período de cinco anos, incluindo aeroportos, pontes, autoestradas, portos e ferrovias, dos quais 10% são destinados a facilitar o comércio através do corredor Leste-Oeste. Um exemplo é a Estrada Meridiana (Meridian Highway): uma via de 2.000 quilômetros entre Bielorrússia e Cazaquistão, a mais curta autoestrada conectando a Europa com a China, para propósitos comerciais.

Embora seja uma relação de longa data, o volume de dinheiro movimentado pelo comércio bilateral entre os países apenas cresceu vertiginosamente nos últimos anos, saltando de 69,6 bilhões de dólares em 2016 (próximos de 282,83 bilhões de reais)* para mais de 107,1 bilhões em 2018 (aproximadamente, 435,22 bilhões de reais)* e atingindo novo recorde este ano (2019).

Vladimir Putin com Xi Jinping, Dezembro de 2018

Em reunião de imprensa após discussão com o Presidente chinês, em setembro de 2018, Vladimir Putin confirmou que as relações Federação Russa-China vão além do comércio per se: “Rússia e China reafirmaram seu interesse em expandir o uso das moedas nacionais em acordos bilaterais, o que melhoraria a estabilidade dos serviços bancários durante as transações de importação e exportação sob as arriscadas condições dos mercados globais”.

A parceria segue um caminho promissor. Xi Jinping afirma que Rússia é o país que mais visitou, e em junho deste ano (2019) premiou o presidente Vladimir Putin com a primeira medalha de amizade da China, considerando-o seu “melhor e mais íntimo amigo”.

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Nota:

* Cotação do dólar em 16/12/2019: 1 US$ = R$ 4,06.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Reunião de imprensa após discussão com Xi Jinping, Setembro de 2018” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/58528/photos/55373

Imagem 2 Reunião do presidente Vladimir Putin com o presidente Xi Jinping, Novembro de 2019” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/62039/photos/61986

Imagem 3 Vladimir Putin com Xi Jinping, Dezembro de 2018” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/59279/photos/56869

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Governo chinês promete promover o crescimento e combater a pobreza e a poluição em 2020

Os líderes da China prometeram fomentar o crescimento econômico em 2020, diante da guerra tarifária com os Estados Unidos, e reduzir a pobreza e a poluição. Segundo uma declaração da mídia estatal chinesa na sexta-feira (13 de dezembro de 2019), os líderes do Partido Comunista Chinês se comprometeram a promover o desenvolvimento nacional baseado na tecnologia e na competição, por meio de uma maior abertura da parte da economia que ainda é dominada pelo Estado, informa o jornal South China Morning Post.

A Reunião Anual de Trabalho Econômico, que terminou na quinta-feira (12 de dezembro de 2019), estabelece as metas do governo para o ano que vem (2020). A reunião “enviou um forte sinal de que a estabilidade é a primeira prioridade”, afirmou a empresa americana do ramo de serviços financeiros, Citigroup, em um relatório. Mas, destacou que “alguns dos elementos que afetaram a desaceleração da China em 2019 continuarão a moldar a economia do próximo ano”.

Os governantes chineses estão em meio a uma campanha de orientar o país em direção a um crescimento mais sustentável, embora mais lento, com base no consumo doméstico, em vez de comércio e investimento. Seus planos foram desafiados pela guerra comercial com os Estados Unidos e por uma queda inesperadamente acentuada na demanda dos consumidores. No terceiro trimestre de 2019, o crescimento econômico caiu para uma das menores taxas nas últimas décadas, em torno de 6% ao ano, em relação ao mesmo período de 2018.

Fábrica às margens do Rio Yangtzé, na China

Pequim prometeu combater “três grandes batalhas”: contra a pobreza, a poluição e o risco financeiro. Segundo o governo, “o Partido Comunista garantiria crescimento razoável na economia e o crescimento estável do comércio. Não houve menção direta à guerra comercial com Washington, mas afirmou-se que o país enfrenta “crescentes riscos e desafios em casa e no exterior”.

A China tentou manter o crescimento econômico por meio do afrouxamento dos regulamentos sobre empréstimos bancários e da injeção de dinheiro na economia por intermédio do aumento do investimento em obras públicas. Mas, a liderança governamental deseja evitar o aumento da dívida e declarou que prefere contar com reformas estruturais a gastar com estímulos econômicos. As tarifas comerciais dos Estados Unidos atingiram os exportadores chineses, que, por sua vez, responderam aumentando as vendas para outros mercados, deixando o país com poucas perdas no comércio global no ano de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=80&profile=default&search=xi+jinping+filetype%3Abitmap&advancedSearch-current={%22fields%22:{%22filetype%22:%22bitmap%22}}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Xi_Jinping_at_Great_Hall_of_the_People_2016.jpg

Imagem 2Fábrica às margens do Rio Yangtzé, na China” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=File%3AFactory+in+China+at+Yangtze+River.JPG+filetype%3Abitmap&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%22fields%22%3A%7B%22filetype%22%3A%22bitmap%22%7D%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Factory_in_China_at_Yangtze_River.JPG

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Rússia e o mercado global de petróleo

No mês de novembro de 2019, o preço do barril de petróleo Brent* demonstrou uma acentuada volatilidade no mercado mundial, com picos que chegaram aos 5,64% na alta (US$ 64,05 p/ barril**) e 5,15% na baixa, fechando o período com o valor do barril em torno de US$ 60,75***. É evidente que um ativo financeiro como o petróleo seja submetido a oscilações de preço e, como é de conhecimento geral, nesse ativo existem fortes correlações com investimentos de âmbito internacional, levando a uma flutuação de preços de forma direta ou indireta.

Preço barril de petróleo Brent – Novembro 2019

Fatores como a produção, determinada pela OPEP**** (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), certamente são indicadores muito acompanhados pela maioria dos grandes investidores a nível mundial, e isso determinará se o preço do barril irá subir ou descer.

Arábia Saudita e Rússia, que são os maiores produtores de petróleo dentro e fora da OPEP, respectivamente, assumiram em dezembro de 2018 a responsabilidade pela estabilidade do mercado global de petróleo, elaborando acordos para a estruturação de mecanismos de regulação de preços, e que, juntamente com os demais países participantes do bloco, definiram os montantes que cada um deveria produzir para que o equilíbrio fosse respeitado.

O pacto de redução da produção previa o corte de 1,2 milhão de barris por dia (bpd) em relação aos níveis de outubro de 2018, dos quais 800 mil barris seriam de responsabilidade de membros do cartel (OPEP) e os 400 mil barris restantes seriam de responsabilidade de países aliados (10 principais países exportadores não pertencentes ao cartel, liderados pela Rússia). De acordo com o pacto global, a Federação Russa (terceiro maior produtor de petróleo do mundo e maior exportadora fora da OPEP) deveria controlar seus níveis de produção em torno dos 11,17 milhões de bpd, o que, atualmente, transcorre em torno dos 11,23 milhões bpd (produção de outubro de 2019), ultrapassando o acordo firmado em 60 mil bpd.

Sede da OPEP em Viena, Áustria

O presidente russo Vladimir Putin declarou que tem um “objetivo comum” com a OPEP em manter o mercado de petróleo equilibrado e previsível, mas, certamente, deverá rever seu excedente produtivo quando se reunir com o grupo e seus aliados, em 5 de dezembro, em Viena, capital da Áustria, onde o grupo terá que decidir se deve ou não aprofundar seus atuais cortes de produção para manter o mercado equilibrado diante do que se espera ser mais um ano lento de crescimento da demanda.

Apesar das restrições produtivas, a Rússia tem uma vantagem financeira sobre a Arábia Saudita, pois, pela primeira vez em oito anos, o estoque total de dinheiro, ouro e outros títulos do Banco da Rússia, está prestes a superar as reservas da Arábia Saudita, destacando a vantagem do Kremlin nas negociações entre grandes produtores de petróleo sobre o volume de corte da produção.

Enquanto a Arábia Saudita tem drenado suas reservas para cobrir gastos sociais em meio aos baixos preços do petróleo, a Rússia reforçou seu orçamento e está gerando superávits em meio a temores de novas sanções. Como a Rússia tem cada vez mais poder de decisão nas discussões com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a vantagem financeira é o mais recente sinal da mudança da sorte entre grandes produtores.

A mudança do equilíbrio de poder no mundo do petróleo começa a ficar evidente em um novo indicador: as reservas de Bancos Centrais.

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Nota:

* O petróleo Brent foi batizado assim porque era extraído de uma base da Shell com o mesmo nome. Atualmente a palavra Brent designa todo o petróleo extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Londres. A cotação Brent é referência para os mercados europeu e asiático.

** Aproximadamente, 271,28 reais, conforme a cotação de 29 de novembro de 2019.

*** Em torno de 257,3 reais, também de acordo com a cotação de 29 de novembro de 2019.

**** Criada em 14 de setembro de 1960, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é uma organização intergovernamental, que tem como objetivo a centralização da elaboração das políticas sobre produção e venda do petróleo dos países integrantes (Angola, Argélia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Equador, Gabão, Indonésia, Iraque, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Plataforma de petróleo russa Berkut no campo de ArkutunDagi” (Fonte): https://www.rosneft.com/press/gallery/Russian_President_Vladimir_Putin_holds_t/

Imagem 2 Preço barril de petróleo Brent Novembro 2019” (Fonte): https://br.investing.com/commodities/brent-oil

Imagem 3 Sede da OPEP em Viena, Áustria” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_dos_Países_Exportadores_de_Petróleo#/media/Ficheiro:Opec_Gebäude_Wien_Helferstorferstraße_17.jpg

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Comitiva da Colômbia visita Vietnam para fazer benchmarking turístico

Uma delegação colombiana esteve em visita ao Vietnam, de 3 a 9 de novembro de 2019, para intercâmbio de informações e experiências do setor de turismo. A comitiva, liderada pela Chancelaria e pela Embaixada da Colômbia no Vietnam, esteve composta por prepostos de outros órgãos oficiais, como o Ministério do Comércio, Indústria e Turismo (MINCIT), Colombia Productiva, Procolombia, além de empresários do trade turístico colombiano.

No primeiro dia, os visitantes se reuniram com o Ministério de Cultura, Desportos e Turismo do Vietnam para conhecer o desempenho turístico da nação nos últimos cinco anos. De acordo com relatórios do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, em inglês), enquanto na Colômbia o turismo representou 5,6% da economia, no Vietnam esta contribuição foi da ordem de 9,2% do PIB.

Comitiva da Colômbia no Vietnam

Além disso, a delegação da Colômbia visitou a Província de Hoa Binh para conhecer o modelo de homestay em alojamento rural, em que o turista desfruta da experiência de convivência com a cultura local. Esse tipo de iniciativa tem forte apelo turístico, inclusive um projeto similar equatoriano mereceu destaque em publicação conjunta da Organização do Estados Americanos (OEA) e Organização Mundial do Turismo (UNWTO, em inglês), e foi objeto de artigo no Ceiri News. 

De acordo com dados do Relatório Barômetro da UNWTO, o Vietnam recebeu 19,9 milhões de turistas em 2018 (29,1% da recepção mundial) enquanto a Colômbia foi visitada por 6,6 milhões. A visita da Colômbia se deu como parte das atividades previstas em Memorando de Entendimento (MoU, na sigla em inglês) assinado entre os dois Estados, cuja primeira ação foi a visita de vietnamitas aos cafezais colombianos em 2018. As autoridades esperam que o intercâmbio permita o aperfeiçoamento das práticas em ambos os países.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Delegação colombiana em passeio no Vietnam” (Fonte): https://www.cancilleria.gov.co/sites/default/files/styles/prensa_noticias/public/newsroom/news/images/img7470.jpg?itok=JqHiodi-

Imagem 2 “Comitiva da Colômbia no Vietnam” (Fonte): https://www.cancilleria.gov.co/sites/default/files/styles/galleryformatter_slide/public/img_7164.jpg?itok=DtG_R6dH