ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Moçambique reduz juros almejando a recuperação econômica

Com a gradativa desaceleração da inflação, o Comitê de Política Monetária do Banco de Moçambique tem agido na redução da taxa geral de juros. Na semana passada, após a última reunião do Comitê, a Taxa do Mercado Monetário Interbancário (MIMO) foi reduzida em 0,75 pontos percentuais, saindo do patamar de 15% de juros ao ano para o nível de 14,25%. Similarmente, as taxas praticadas para empréstimos compulsórios também foram diminuídas para 11,25%.

Em linhas gerais, dois grandes objetivos estão atrelados à diminuição da taxa geral de juros. Em primeiro lugar, tendo em vista o gradativo aumento do endividamento interno do Estado moçambicano, menores taxas reduzem as pressões orçamentárias sobre o cumprimento da dívida assumida junto aos credores no longo prazo. Neste sentido, a solvência das contas estatais representa importante unidade de análise por parte investidores, os quais temem que os atuais níveis da dívida interna e externa tenham o seu pagamento inviabilizado pelo baixo nível de superávit final do Governo.

O Banco de Moçambique é a instituição financeira responsável pela condução da política monetária do país

Os últimos escândalos descobertos reforçam a percepção global de que há uma reduzida transparência na gestão das contas públicas no país africano. Muito além do caso envolvendo a empresa estatal Ematum e o 1,4 bilhão de dívidas corporativas não reveladas, em 2016, o Governo moçambicano esteve envolvido em amplas discussões na mídia internacional na última semana sobre pagamentos sistêmicos a mais de 30 mil funcionários fantasmas. Estima-se que,entre 2015 e 2017, mais 250 milhões de dólares foram pagos a serviços não prestados ou executados sob nomes fictícios. Acima de tudo, o caso resume o pouco controle público sobre a gestão das contas estatais – fato que colabora para o posicionamento de Moçambique como um dos últimos países em termos de transparência pública.

Em segundo lugar, a redução na taxa MIMO ocorre com vistas a estimular a economia nacional, a qual ainda se encontra em fase de recuperação. Após intensa desvalorização da moeda nacional – o Metical– frente ao dólar, somada à crise nas expectativas de investidores estrangeiros e à redução nos preços internacionais das commodities,o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu mais de 30% entre2014 e 2016. Uma redução nos juros pode representar um novo estímulo ao consumo interno, à concessão de créditos e ao investimento produtivo, dinamizando outra vez a economia nacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Após recessão intensa, Moçambique busca recuperar sua economia através de uma gradativa redução dos juros” (Fonte): http://opais.sapo.mz/-mocambique-votou-contra-decisao-de-trump-no-caso-jerusalem

Imagem 2O Banco de Moçambique é a instituição financeira responsável pela condução da política monetária do país” (Fonte): https://www.contact.co.mz/pt/home/recrutamento-banco-de-mocambique/informacoes-recrutamento-banco-de-mocambique

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador recebe empréstimo de 900 milhões de dólares da China

O Governo do Equador anunciou no último dia 12 de dezembro, quarta-feira passada, a obtenção de um crédito de $ 900 milhões de dólares, junto à China, aproximadamente 3,53 bilhões de reais,conforme a cotação do dia 17 de dezembro de 2018. Por meio da conta oficial da Presidência no twitter, o Executivo informou que este empréstimo, obtido com a “taxa de juros mais baixa da história”,  foi o principal benefício econômico-financeiro da visita oficial ao país asiático, que faz parte de uma agenda de visitas que inclui também o Catar e a Espanha.

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Segundo matéria publicada, em 2013, no periódico equatoriano La Hora, o país já se encontrava em posição de dependência do financiamento chinês, que acumulava, de 2005 a 2011, um montante de 7,254 milhões de dólares(em torno de 28,41 milhões de reais, também de acordo com a cotação do dia 17de dezembro), mais de 45 vezes o valor recebido do Banco Mundial e quase o triplo do obtido junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no mesmo período. Ainda segundo o La Hora, o Equador ocupava o posto de 4º maior tomador de empréstimo chinês no continente, superado por Venezuela, Argentina e Brasil.

Analistas criticavam a situação, na época, afirmando que: a) tratava-se de uma estratégia de disputa de espaço na região, por parte da China, em relação aos Estados Unidos; b) havia desvantagens para o Equador, que deixava de diversificar suas fontes de financiamento, em troca de uma relação assimétrica;c) os chineses tinham maior poder de decisão, o que resultava, dentre outras coisas, na reduzida contratação de empresas locais. 

O presidente Correa justificava que os empréstimos se davam a longo prazo, com a exigência de contrapartida em petróleo e não do que ele classificou de “sacrifícios horrendos” exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o analista e professor da Universidade de São Francisco de Quito, Pedro Romero, a preferência pela China era coerente com a diretriz correista de não depender das instituições de crédito multilaterais tradicionais.

Chegada do presidente Moreno à China

Os empréstimos contraídos na década passada dessa maneira tornaram-se mais difíceis de serem quitados, por conta da queda nos preços do petróleo, por isso a dívida do Equador com a China atinge hoje a cifra de $ 6,5 bilhões de dólares (em torno de 25,46 bilhões de reais, na mesma cotação), levando o atual Presidente, Lenín Moreno, a buscar solução para o problema, cogitando inclusive o financiamento por parte das instituições que Correa evitava.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), a Chancelaria equatoriana informou que a taxa de juros a ser aplicada pelo Banco de Desenvolvimento da China é de 6,5%em um período de 6 anos, com até 2 anos de carência. Moreno obteve ainda, com os chineses, um valor de $ 69,3 milhões de dólares para reconstrução e US$ 30 milhões, a título de assistência não reembolsável, respectivamente, próximos de 271,39 milhões de reais e 117,45 milhões de reais,na mesma cotação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Assinatura do termo de empréstimo ChinaEquador”(Fonte Facebook da Presidência do Equador): https://scontent.fbsb8-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/48174604_2257828417563010_3223151760537288704_n.jpg?_nc_cat=101&_nc_ht=scontent.fbsb8-1.fna&oh=aae425f260911d770fce9ff354c913f7&oe=5C90F4DC

Imagem 2 Chegada do presidente Moreno à China”(Fonte Facebook da Presidência): https://scontent.fbsb8-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/48356368_2255302084482310_2683276497438900224_n.jpg?_nc_cat=107&_nc_ht=scontent.fbsb8-2.fna&oh=211ee6e033748f70c591c91835605d39&oe=5CA7EDC5

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Grécia quer “financiamento coletivo” para adquirir novas Fragatas

Crowdfunding para Fragatas?

O Ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, suscitou aos seus compatriotas que ajudassem a financiar a compra de novas Fragatas para a Marinha do país (Marinha Helênica), por meio de doações a uma conta bancária criada para este devido fim. A ideia é aumentar a capacidade naval grega já a partir de 2019.

A intenção de Kammenos é de que os próprios gregos tenham participação na compra de novas embarcações. Isso surge após a Grécia passar por uma grave crise econômica que demandou um elevado esforço da União Europeia, com importante participação da Alemanha,exigindo, em contrapartida, medidas duras de austeridade.

Quanto às fragatas, vale ressaltar que o país dispõe de 13 navios, sendo que apenas um possui menos de 20 anos de operação. As outras 12 embarcações são, principalmente, do final dos anos 1970 e início dos anos 1980 (Standard); e dos anos 1990 (ClasseMeko-200HN). Não ficou claro, no discurso de Kammenos, se a construção dessas embarcações será em estaleiros nacionais ou internacionais.

Fragata Nikiforos Fokas – a mais nova da Marinha grega, tem 14 anos

Em um encontro com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, comentou sobre os principais interesses de seu país e a importância do retorno das boas relações com os russos, que ficaram estagnadas desde que os helênicos passaram a enfrentar seus problemas econômicos.

Para Tsipras, é fundamental que se resolva a questão do Chipre, que é dividido ao sul, como República do Chipre, e ao norte,como República Turca do Chipre do Norte. O último é reconhecido apenas pela Turquia, rival histórica da Grécia na região, apesar de ambos serem países-membros da OTAN.

Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras (esquerda); e o Presidente russo, Vladimir Putin (direita)

A aproximação grega com a Rússia pode ter o interesse de resolver essa questão, pressionando os turcos, que são importantes parceiros estratégicos dos russos, para que o Chipre possa, então,ser reconhecido como um único país. Existe lá uma missão de paz da ONU (UNFICYP) desde 1964.

Uma Marinha forte na região é importante aos gregos pelo patrulhamento das águas nacionais, pois, apesar de não possuir um extenso território e nem uma grande costa, a Grécia detém cerca de 6.000 ilhas, sendo a maioria desabitada, em uma região de instabilidade migratória. Ademais, a questão do Chipre não resolvida é um fator de atenção que reforça a necessidade de patrulhamento no Mediterrâneo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Selo da Marinha Helênica” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Hellenic_Navy_Seal.svg

Imagem 2Fragata Nikiforos Fokas amais nova da Marinha grega, tem 14anos” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nikiforos_Fokas_F466.jpg

Imagem 3PrimeiroMinistro grego, Alexis Tsipras (esquerda); e o Presidente russo, Vladimir Putin (direita)” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:With_Greek_Prime_Minister_Alexis_Tsipras.jpg

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FMI alerta redução de 25% da economia japonesa nos próximos 40 anos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou o Japão, no dia 28 de novembro de 2018, sobre uma possível contração econômica de 25% no decorrer dos próximos 40 anos. O aviso baseia-se na manutenção da atual conjuntura e pelo constante envelhecimento da população do país, que diminuiu em 1 milhão de 2012 a 2017. Hoje, o país tem aproximadamente 127 milhões de habitantes.

Primeiro-Ministro Shinzo Abe

A estimada redução no PIB pode, segundo o FMI, ser amenizada caso reformas sejam aplicadas. A Agência recomenda o aumento da força de trabalho, com maior participação de mulheres, trabalhadores mais velhos e migrantes, apoiando, assim, as atuais propostas de alteração da legislação nacional, que visa à atração de trabalhadores estrangeiros por meio de isenções de testes e qualificações para algumas categorias.

O FMI declarou também que as sugestões de modificações nas políticas comerciais, monetárias e no setor corporativo, além da estabilização da dívida, podem elevar o nível do PIB em 15% nos próximos 40 anos, caso sejam efetivadas de fato, afastando-se da presente situação que o Japão se encontra.

Este ano (2018), estima-se que o PIB atinja 1,1%, abaixo da meta do Banco do Japão de 2%. Entretanto, a projeção para o ano que vem é de 0,9%. A economia japonesa, altamente alimentada pelo consumo interno, poderá ter uma arrecadação maior com a aplicação do aumento do imposto sobre o consumo (de 8% para 10%) em 2019, porém, igualmente corre risco de diminuição do mercado interno.

Para responder a esses desafios, o “Abenomics” – plano econômico do primeiro-ministro Shinzo Abe, lançado em 2012 – desenvolveu-se da estrutura de “três flechas” (expansão da base monetária, política fiscal e crescimento econômico) para uma nova formulação, que conta com quatro pontos: mudanças estruturais sociais; leis e regulamentações voltadas a negócios e tecnologia (smart technology); atração de oportunidades internacionais e maior competitividade de negócios.

O Primeiro-Ministro terá então grandes desafios, uma vez que em seu discurso para reeleição, prometeu aprofundar mais seu plano econômico. Os novos pontos a serem abordados impactam bastante o cotidiano da sociedade japonesa, tanto em consumo, bem-estar social e características demográficas, influenciando a popularidade do Primeiro-Ministro com maior tempo no governo atualmente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fundo Monetário Internacional” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monet%C3%A1rio_Internacional#/media/File:Fundo_Monet%C3%A1rio_Interacional.png

Imagem 2 PrimeiroMinistro Shinzo Abe” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Shinzo_Abe,_Prime_Minister_of_Japan_(9092387608).jpg

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Sequestro de funcionários indianos traz à público o drama dos baixos salários na Etiópia

Com o processo de globalização, o capital internacional flutua entre fronteiras em busca dos espaços que lhe oferecem mais vantagens comparativas para a redução de custos dos fatores de produção. Neste sentido, a Etiópia tem se posicionado como um dos principais destinos de plantas fabris de grandes empresas multinacionais, em especial no que diz respeito ao setor têxtil, tendo em vista a sua institucionalizada política de salários reduzidos.

IL&FS tem participado ativamente das obras de infraestrutura na Etiópia

Com um dos menores níveis salariais do mundo, o Governo deste país almeja intensificar a entrada de investimentos externos e, com isso, propiciar o florescimento de uma ampla gama de empresas locais que passem a operar como fornecedoras das companhias estrangeiras, desencadeando assim um processo industrializante. No entanto, as consequências sociais de uma política instituída de redução dos salários têm como principal consequência o aumento expressivo da desigualdade socioeconômica, bem como das tensões sociais entre as diferentes classes societárias.

No rol de conflitos desta natureza está o sequestro de sete funcionários indianos por parte de alguns trabalhadores etíopes da companhia Infrastructure Leasing & Financial Services (IL&FS), com sede principal na Índia. Com filial na capital Addis Ababa e em outros três municípios ao redor do país, a IL&FS é uma empresa focada no financiamento e desenvolvimento de obras de infraestrutura física e digital. Tendo em vista o expressivo ritmo de execução e implementação de obras públicas na Etiópia ao longo dos últimos anos, a companhia indiana tem ocupado papel importante no planejamento e execução dos grandes empreendimentos previstos no país.

O grupo de sequestradores reivindicam não somente melhores salários, mas também o pagamento destes, os quais estão atrasados há alguns meses. Atualmente, a IL&FS passa por um processo de recuperação judicial devido ao não cumprimento de uma série de dívidas fiscais, tendo inclusive observado parte de suas ações serem adquiridas pelo Governo indiano para a execução financeira. Até o momento de elaboração deste artigo, somente dois dos sete trabalhadores haviam sido liberados após um longo processo de negociação.

Eventos como este somam-se às reivindicações civis dos Oromo e Amhara, formando assim um amplo conjunto populacional que se posiciona contra as principais dimensões do projeto desenvolvimentista do governo da Frente Democrática Revolucionária dos Povos Etíopes (FDRPE). Se os atores envolvidos na discussão por políticas públicas mais igualitárias apresentam-se como vetores de oposição ao projeto de industrialização em curso, o equilíbrio de forças demonstra ser ainda um processo longo e demorado, o qual poderá custar a estabilidade social até ser finalmente atingido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Política institucionalizada de baixos salários revela suas tensões sociais iminentes na Etiópia” (Fonte):

http://nazret.com/blog/index.php/2013/03/18/ethiopia-to-open-first-industrial-zone-to-bolster-economy

Imagem 2IL&FS tem participado ativamente das obras de infraestrutura na Etiópia” (Fonte):

https://www.theweek.in/news/biz-tech/2018/09/25/ILFS-moves-NCLT-seeking-insolvency-protection.html

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Empreendedorismo feminino é estimulado como caminho para uma economia de impacto na Etiópia

Na semana passada, a fim de estimular a igualdade de gênero – objetivo número 5 do conjunto dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), formulado pela Organização das Nações Unidas (ONU) –, o Banco de Investimento Europeu (BIE) assinou junto com o Ministério das Finanças e da Cooperação Econômica da Etiópia (MFCE) um empréstimo de 34 milhões de dólares, aproximadamente 130,7 milhões de reais, de acordo com a cotação do dia 27 de novembro de 2018. O montante será direcionado ao Projeto de Desenvolvimento do Empreendedorismo Feminino (PDEF), mantido pelo Governo etíope e que visa promover o aumento de negócios no contexto rural e urbano gerenciado por mulheres, bem como a escala de atuação das iniciativas produtivas já existentes.

Banco de Investimento Europeu (BIE) concedeu empréstimo de mais de 30 milhões ao Governo etíope

Iniciado em 2013, o PDEF tem sido um importante projeto para dinamizar a economia constituída por pequenos e médios empreendimentos, os quais são centrais para a consolidação de um processo de desenvolvimento sustentável e de longo prazo. Desde o seu começo, aproximadamente 30 milhões de dólares (em torno de 115,32 milhões de reais, pela cotação do dia 27 de novembro de 2018) foram emprestados a taxas de juros subsidiadas, facilitando o acesso à credito produtivo entre empreendedoras locais.

Negócios femininos constituem o cerne da chamada “economia de impacto”: conjunto de iniciativas que possuem a efetivação dos ODSs como cerne de um modelo de negócio. Neste sentido, este tipo de economia diferencia-se significativamente da “economia de mercado”, onde o foco principal de qualquer atividade produtiva é a geração de lucro, sendo o impacto – tanto o positivo quanto o negativo, em termos socioambientais – uma mera externalidade, isto é, uma simples consequência das atividades operacionais.

A viabilização desse modelo, por sua vez, depende diretamente da presença de linhas de “financiamento híbrido”: conjunto de capital composto por não-reembolsáveis (doações) e reembolsáveis (empréstimos). Segundo o Fórum Econômico Mundial, investimentos dessa modalidade são a maneira mais eficiente de se viabilizar economias de impacto em “mercados fronteiriços”, onde carências energéticas, logísticas, jurídicas e técnicas inviabilizam a sustentabilidade econômico-financeira de empreendimentos. Assim, doações representam importante estratégia para a plena incubação destes negócios, antes de receberem empréstimos para a alavancagem de suas operações.

Dessa maneira, a concessão de uma nova linha de financiamento às empreendedoras etíopes representa mais um outro projeto para a consolidação de economias de impacto nos países do Sul Global. Atualmente, mais de 10 mil mulheres já foram apoiadas no âmbito do PDEF, o qual desembolsa, em média, cerca de 2 milhões dólares por mês desde a sua criação, ou seja, equivalentes aproximados a 7,7 milhões de reais, conforme a cotação do dia 27 de novembro de 2018. No entanto, para o presidente do BIE na Etiópia, Werner Hoyer, o montante a ser liberado deverá ser ainda maior para o pleno atendimento do ODS 5 no país africano: “Para combater a pobreza e acelerar o desenvolvimento, nós precisamos sobrepor os desafios que limitam os potenciais femininos. Neste sentido, o BIE pode fazer um grande diferencial ao investir em projetos que promovam a inclusão e o empoderamento das mulheres. Isto não é somente a coisa certa a se fazer: é uma economia inteligente”, declarou após o anúncio do empréstimo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1A economia de impacto, que promove os ODSs como aspectos centrais de um modelo de negócio, representa um modelo de desenvolvimento econômico alternativo às nações do Sul Global” (Fonte):

https://cerasis.com/2014/07/03/economic-impact-rating/

Imagem 2Banco de Investimento Europeu (BIE) concedeu empréstimo de mais de 30 milhões ao Governo etíope” (Fonte):

http://www.eib.org/en/index.htm