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A Estratégia do Banco dos BRICS para 2017-2021

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), popularmente conhecido como Banco dos BRICS* (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), foi fundado em 2014 e lançado oficialmente no ano seguinte. A instituição possui capital autorizado de US$ 100 bilhões, podendo realizar empréstimos anuais de até US$ 34 bilhões e tendo como objetivo estimular o desenvolvimento de países emergentes. A contribuição financeira e o poder de voto de cada país membro são divididos de forma igualitária. A sede do Banco está localizada em Shangai, na China.

Chefes de Estado dos países membros dos BRICS, no contexto da criação do Banco Multilateral

O NBD lançou recentemente a sua estratégia para o período de 2017-2021. A construção de infraestrutura para o desenvolvimento sustentável consiste no principal eixo de execução, recebendo dois terços dos fundos disponíveis. O plano estratégico envolve cinco áreas temáticas: 1) energia limpa; 2) irrigação, gestão e sanitização da água; 3) transporte e logística; 4) desenvolvimento urbano sustentável e 5) cooperação e integração entre os países membros. A instituição pretender abrir gradualmente a sua estrutura para a participação de novos membros, visando uma maior diversidade geográfica e cultural.

Dos sete projetos e empréstimos realizados até o momento, apenas um não é da área de energia renovável. Pretende-se expandir a rede de projetos para 75 até o ano de 2021, sendo cada um deles com um valor médio de US$ 200 milhões. Os primeiros títulos emitidos pelo NBD foram denominados na moeda chinesa (Yuan-Renminbi), contribuindo para o processo de internacionalização da mesma. A instituição já possui parceria com o Banco Mundial e pretende expandir sua rede para incluir outros Bancos multilaterais.

Mapa mostrando os países membros dos BRICS

O NBD possui 150 servidores, pretendendo expandir este número para 400 funcionários até o ano de 2021, à medida que sejam estabelecidos novos escritórios regionais. No momento, o único escritório adicional está localizado em Johanesburgo, na África do Sul. As unidades regionais deverão servir como pontos estratégicos para a articulação política, para o aprendizado e para a troca de boas práticas, além de possibilitar um trabalho de projeção de influência e expansão das operações.

O Banco afirma o seu comprometimento com a integração da tecnologia nos seus processos, com ênfase na preparação eficiente dos projetos, visando à minimização de riscos operacionais. Duas agências de rating da China classificaram o Novo Bando de Desenvolvimento como AAA, no que diz respeito à sua solidez financeira, e um dos focos da estratégia é obter uma nota similar por parte das três principais agências de crédito que atuam no mercado financeiro global, até o ano de 2021.

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Notas e Fontes consultadaspara maiores esclarecimentos:

A coligação intergovernamental dos BRICS surgiu como um indicador de mercados potenciais para investimentos, no ano de 2006, conforme anunciado por Jim O’Neill, um economista do banco Goldman Sachs. Com o passar dos anos os países foram estabelecendo laços de cooperação e interação política no sentido de promover a democratização das Instituições Internacionais, visando uma governança econômica mais justa para os países emergentes. Os BRICS partiram de uma sigla de investimentos para ganhar materialidade e institucionalização. No momento, o desenvolvimento é o seu principal eixo temático.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo do Novo Banco de Desenvolvimento” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/New_Development_Bank.svg/1280px-New_Development_Bank.svg.png

Imagem 2 Chefes de Estado dos países membros dos BRICS, no contexto da criação do Banco Multilateral” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ac/BRICS_heads_of_state_and_government_hold_hands_ahead_of_the_2014_G-20_summit_in_Brisbane%2C_Australia_%28Agencia_Brasil%29.jpg

Imagem 3 Mapa mostrando os países membros dos BRICS” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bb/BRICS.svg/1280px-BRICS.svg.png

Agências de RiscoECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Standard and Poor’s diminui nota dos Títulos de Dívida da Venezuela

No último dia 11 de julho (2017), a agência de avaliação de risco Standard and Poor’s (S&P’s) diminuiu a nota dos títulos soberanos venezuelanos de longo prazo, passando de CCC para CCC-. A Venezuela, que já possuía uma das piores avaliações do mundo – o que significa, para a agência, uma possibilidade de iminente calote – viu, portanto, sua situação se deteriorar ainda mais com as agências internacionais de rating. A perspectiva de mudança de nota é negativa, isto é, o país estaria se aproximando da nota mais baixa possível na classificação da agência, o D de default.

Nicolás Maduro, Presidente venezuelano

No relatório que explica sua ação, a Stardard and Poor’s a justifica tanto com questões políticas quanto econômicas. Alguns fatores apontados pela agência são: a perpetuação da crise política no país; a instabilidade dentro da coalizão do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro; e o aumento do número e intensidade dos protestos, advindos tanto da oposição quanto do apoio ao Governo, que levaram a cerca de 80 mortes nos últimos três meses.

Sem estabilidade política, o país não consegue se concentrar em solucionar a crise econômica, a maior em sua história recente. A S&P’s estima que a queda do PIB per capita venezuelano em termos reais seja de 7,2% em 2017. Na avaliação da dívida, a agência considera que as reservas venezuelanas sejam em torno de 10 bilhões de dólares, com estimativas de pagamentos de juros e amortizações da dívida externa somando 2,8 bilhões de dólares na segunda metade de 2017 e 7 bilhões de dólares em 2018 – isto é, o país praticamente esgotaria suas reservas em 2018. Por sua vez, a Petróleos de Venezuela S.A., estatal venezuelana, está com uma dívida acumulada de 4 bilhões de dólares*.

Ainda que esses dados não sejam oficiais, e sim estimativas da agência, o Governo venezuelano não nega que esteja em uma crise econômica e busca soluções para ela, como empréstimos chineses e russos e a emissão de títulos junto ao banco Goldman Sachs. O não pagamento do débito, porém, não é considerado uma trajetória possível para Maduro, ainda que economistas próximos do Presidente a recomendem. O que está acontecendo nos últimos anos, e principalmente nos últimos meses, é a submissão da economia venezuelana ao pagamento da dívida, um desafio cada vez maior dada a dificuldade crescente em atrair capitais, refletida não só, mas também, nas notas de especulação fornecidas pelas três maiores agências de rating do mundo, a Standard and Poor’s, a Moody’s e a Fitch.

A escassez deixa prateleiras vazias nesta loja venezuelana, 2014

Essa submissão reflete, em certo sentido, uma falta de opções originada nas escolhas de política econômica do antecessor de Maduro, Hugo Chávez. Apesar da gestão de Chávez ter trazido ganhos sociais e econômicas expressivos, eles foram financiados pelo aumento da dívida, tanto interna quanto externa, e pelas rendas do petróleo, que eram 90% das exportações e 40% das rendas governamentais venezuelanas, além da maior fonte de dólares do país. Com os preços do petróleo em ascensão nos anos 2000, essa estratégia era viável. Em um cenário de redução de seus preços, que se tornou expressivo a partir de 2014, a falta de alternativas ao petróleo e a dependência das importações para o funcionamento da sociedade venezuelana –  que compra do exterior 49,4%  dos laticínios, 79,1% das leguminosas e 67,3% da carne consumida internamente –  transformam-se em problemas incontornáveis.

Por um lado, o default, ou calote na dívida externa, significa a perda definitiva da confiança internacional e, devido à dependência venezuelana das importações, uma provável submissão aos órgãos internacionais para adquirir dólares. Tais órgãos condicionarão os empréstimos à Venezuela a medidas de austeridade que vão de encontro ao projeto econômico chavista. Por outro lado, escolher pagar a dívida, controlando as importações para poupar dólares e contraindo dívida futura para pagar a presente, é perpetuar a crise econômica, que tem como consequências não só a literal escassez de comida, mas a perpetuação da crise política. Dessa forma, a ausência de diversificação da economia venezuelana está levando a uma crise econômica, política e social que, se não resolvida a partir de medidas contundentes de Maduro que rompam a trajetória atual da história econômica venezuelana, pode minar o projeto chavista para o país.

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* Em reais, na sequência dos montantes informados, os valores são, aproximadamente: 31,5 bilhões; 8,8 bilhões; 22,1 bilhões e 12,6 bilhões, de acordo com estimativa de 18 de julho de 2017.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Protestos em 2014” (Fonte Bravo Pueblo):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Protestos_na_Venezuela_em_2014%E2%80%932017#/media/File:2014_Venezuelan_Protests_(12F).jpg

Imagem 2Nicolás Maduro, Presidente venezuelano” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicol%C3%A1s_Maduro#/media/File:Nicol%C3%A1s_Maduro_in_meeting_with_Iranian_President_Hassan_Rouhani_in_Saadabad_Palace.jpg

Imagem 3A escassez deixa prateleiras vazias nesta loja venezuelana, 2014” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_na_Venezuela_desde_2013#/media/File:Venezuela_Shortages_2014.png

Agências de RiscoECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Moody’s e S&P’s alertam: Nota do Reino Unido pode baixar

As agências de avaliação de risco Standard and Poor’s e Moody’s avaliaram negativamente o resultado das eleições britânicas do último dia 8 de junho (2017). Elas afirmam que o novo cenário de instabilidade política pode agravar a já complicada trajetória de crescimento econômico do país.

O Reino Unido já havia perdido pela Moody’s o AAA, o mais cobiçado selo de bom pagador do mercado financeiro, em fevereiro de 2013, e ganhou uma perspectiva de nota negativa pela mesma agência em junho de 2014. Pela S&P’s, o país perdeu o AAA após a votação do Brexit, ocorrida dia 23 de junho de 2016. Agora, enfrenta a possibilidade de um novo rebaixamento de nota pelas duas agências, visto que ambas se manifestaram negativamente depois o resultado das últimas Eleições.

Elas foram convocadas por Theresa May, Primeira-Ministra do Reino Unido desde 13 de julho de 2016 e sucessora de David Cameron, que renunciou após a decisão da população a favor do Brexit. Apesar de ser do mesmo partido político de Cameron, o Partido Conservador, May fez a convocação por acreditar que precisava aumentar sua maioria no Parlamento para negociar a saída da União Europeia.

Em um resultado surpreendente, o Partido Conservador, que era majoritário por 12 assentos no período anterior ao Pleito eleitoral, perdeu 13 assentos. A partir de uma aliança com o Partido Unionista Democrático, os conservadores garantiram um Governo Minoritário. Dessa forma, ao contrário das expectativas de May, formou-se um Parlamento com uma menor base de apoio para a Primeira-Ministra que anteriormente.

Logo da Moody’s

Os mercados responderam negativamente ao resultado eleitoral, com a libra esterlina, a moeda britânica, se desvalorizando. As agências mostraram postura similar. De acordo com a Reuters, para a Moody’s “o futuro da nota do Reino Unido dependerá de dois fatores: o resultado das negociações para saída da União Europeia e as implicações dessa saída para seu crescimento econômico. Segundo, desenvolvimentos nas contas fiscais, dado o déficit fiscal e o aumento da dívida pública do país”. O governo minoritário de May, para a Moody’s, possui uma maior tendência a aumentar a dívida pública do país, um índice que já é excessivamente elevado, de acordo com a avaliação da agência.

Para a Standard and Poor’s, por sua vez, um governo minoritário não é positivo para o ambiente de negócios. Sobre o Brexit, a agência afirmou que, apesar das expectativas, ainda não é possível saber se a reestruturação do Parlamento, que aumentou o espaço político do Partido Trabalhista, acarretará em uma saída mais branda da União Europeia, pela qual os britânicos ainda permaneceriam em um mercado único europeu. Dessa forma, apesar de a eleição não ter causado mudanças de notas, ambas as agências se mostram apreensivas com seus resultados e alertam para possíveis mudanças futuras da nota soberana do Reino Unido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Parlamento Britânico (. FonteMaurice):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:British_Houses_of_Parliament.jpg

Imagem 2Logo da Moodys” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moodys_logo_blue.jpg

Agências de RiscoAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Brasil: o rebaixamento da perspectiva de nota pela Moody’s

A delação dos donos e diretores da empresa brasileira JBS e suas consequências políticas foram os últimos acontecimentos de uma crise ampla das instituições políticas do Brasil; e os agentes financeiros estão reagindo em todos os momentos aos desdobramentos da crise. Nesse sentido, a delação de Joesley Batista, um dos seus proprietários, relacionada ao caso Lava Jato, repercutiu fortemente nos mercados. A última dessas reações foi realizada pela agência de rating Moody’s, que alterou no último dia 26 de maio, sexta-feira passada, a perspectiva de nota brasileira de estável para negativa, acompanhando o que a Standard and Poor’s havia feito quatro dias antes. Outros índices, além das agências, porém, devem ser analisados para permitir o entendimento mais completo das reações dos mercados à última faceta da crise brasileira e para ver se as ações das agências geram efeitos nos mercados brasileiros.

Imagens Operação Lava Jato. Fonte: Wikipedia

O impacto do último dia 17 de maio (quarta-feira da semana retrasada), quando a delação de Joesley foi amplamente divulgada, transpareceu em vários índices financeiros. Nesse dia, o EMBI+, ou Risco-Brasil, que mede o diferencial da taxa de retorno dos títulos brasileiros em relação aos estadunidenses, subiu 42 pontos-base, ou 0,42%. Esse índice estava em uma trajetória de queda suave desde do início de 2017. O dólar, por sua vez, passou de 3,13 reais/dólar, no dia 17, para 3,38 reais/dólar, no dia 18, o que representa um aumento expressivo, visto que o dólar se mantinha na casa dos 3,1 reais/dólar desde o início de 2017. Por fim, o IBOVESPA, índice que mede o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, despencou de 67.540 para 61.597. A junção desses três índices demonstraria o aumento da insegurança dos mercados e o início de um processo de fuga de capital no Brasil.

O IBOVESPA, porém, mostrou tendência ascendente nos últimos dias, ainda que moderada. Isso reflete o que o índice MSCI Brasil, produzido pela Morgan Stanley e que mede o mercado brasileiro, já havia notado. Como avaliado pelo jornal financeiro Bloomberg, o MSCI, apesar de uma pequena queda inicial dia 17, voltou a crescer nos dias posteriores. Isso indica, de acordo com tal jornal, que os investidores estrangeiros estão comprando as ações que tiveram seus preços derrubados no mesmo dia 17 e estão otimistas com as perspectivas político-econômicas do Brasil. O MSCI é um índice muito utilizado por fundos de pensão do exterior, e fundos estrangeiros relacionados a trocas cambiais focados no Brasil atraíram 856 milhões de dólares em fluxos na última semana.

Logo da Moody’s. Fonte: Wikipedia

Dessa forma, evidencia-se que a reação dos mercados foi imediata à delação de Joesley, ainda que não completamente como seria imaginado, visto que ainda existe aposta no mercado brasileiro. Após essas mudanças mais drásticas, houve uma estabilidade nos índices nos últimos dias, mesmo que eles não tenham voltado aos seus valores originais.

As agências de avaliação de risco, nesse sentido, parecem ter chegado atrasadas, apenas reagindo aos movimentos dos investidores uma semana após suas ações. Anúncios de perspectiva de notas não são tão impactantes como anúncios de uma de facto mudança, porém ainda assim é importante notar que nenhum dos índices avaliados sofreu alguma alteração significativa nos dias posteriores às ações das agências. Visto que o papel delas seria formar uma posição dos investidores, e não reagir às suas ações, salienta-se que, nesse caso da delação da Joesley Batista, elas não foram significantes para o entendimento das ações dos mercados financeiros no Brasil nos últimos dias. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 BOVESPA” (Fonte Leo Pinheiro):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa_de_Valores_de_S%C3%A3o_Paulo#/media/File:Bovespa_Traders.jpg

Imagem 2 “Operação Lava Jato” (Fonte Holy Goo):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dela%C3%A7%C3%B5es_da_JBS_na_Opera%C3%A7%C3%A3o_Lava_Jato#/media/File:Montagem_Lava_Jato.jpg

Imagem 3Logo da Moodys” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moodys_logo_blue.jpg