América do NorteECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Canadá denuncia os Estados Unidos ante a OMC

De acordo com o Jornal El País, o Governo de Justin Trudeau (Canadá) anunciou na última sexta-feira (dia 1o de junho), que vai denunciar Washington perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) e ao mecanismo de resolução de litígios do Acordo de Livre Comércio Norte-Americano (NAFTA, na sigla em inglês de “North American Free Trade Agreement”), após a primeira potência mundial impor tarifas sobre suas importações de aço e alumínio do vizinho do norte, México e União Europeia. “Essas ações impostas unilateralmente com o pretexto de garantir a segurança dos EUA não respeitam as obrigações comerciais internacionais e as regras da OMC”, declarou a Ministra das Relações Exteriores canadense, Chrystia Freeland.

Centro William Rappard, sede da OMC em Genebra, Suíça

Além disso, Freeland pediu à OMC para estabelecer consultas com os EUA sobre a questão da criação de tarifas punitivas sobre as importações de aço e alumínio do Canadá e decidir sobre uso abusivo de pretextos dos EUA de proteção nacional para fins protecionistas com o intuito de infligir impostos para Ottawa. Ainda, segundo a Ministra, o Canadá irá trabalhar em estreita colaboração com a União Europeia, que também entrou com uma queixa na OMC contra os Estados Unidos.

Temos que acreditar que o senso comum prevalecerá em algum momento, mas atualmente não vemos sinais por parte dos Estados Unidos”, acrescentou Trudeau após classificar as medidas protecionistas de Washington como “inaceitáveis”.

Caldeira com aço derretido

No Canadá, a justificativa da administração Trump para estabelecer a tarifa sobre aço e alumínio incomodou, especialmente pelo fato de envolver a segurança nacional como argumento. Uma estratégia similar foi utilizada para enfrentar a crescente cota chinesa em seu mercado interno. Porém, o país norte-americano é um dos aliados mais fiéis dos Estados Unidos em todas as suas atuações no exterior. Fato que talvez não impeça o desencadeamento de uma guerra comercial entre os dois parceiros tradicionais.

Além da OMC – que atua como uma espécie de árbitro do comércio internacional – o Canadá exigirá, perante o secretariado do NAFTA a “implementação de um grupo especial” dentro da estrutura do regulamento desse Tratado – possibilitado pelo capítulo 20, que Washington ameaçada liquidar no novo acordo, atualmente em fase de negociação – a fim de condenar a “violação das regras do NAFTA pelos EUA”.

Enredado em uma difícil negociação do atual NAFTA – que uniu os EUA, o México e o Canadá por quase um quarto de século – os três países estão há aproximadamente um ano na mesa de diálogo em busca de um novo acordo comercial. A imposição de taxas sobre o aço e o alumínio do Canadá enfraquece a indústria automobilística, um dos setores sensíveis na renegociação do Tratado, e frustra ainda mais o já complexo clima em que as negociações estão ocorrendo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O primeiroministro Justin Trudeau (à esquerda) e o presidente Donald Trump (à direita) se encontram em Washington, em fevereiro de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Canada%E2%80%93United_States_relations

Imagem 2Centro William Rappard, sede da OMC em Genebra, Suíça” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_Mundial_do_Com%C3%A9rcio

Imagem 3Caldeira com aço derretido” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Siderurgia

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Trump declara que poderá taxar em até 25% as importações de carros

De acordo com o Jornal El País, na última quarta-feira (dia 23 de maio), o presidente Donald Trump ordenou que fosse iniciada uma investigação sobre as importações de carros – incluindo SUVs e picapes – com a intenção de aplicar uma tarifa de até 25%, caso seja determinado que elas colocam a economia dos EUA em risco. A intenção é limitar a entrada de carros no país.

Donald Trump

O México exportou 2,3 ​​milhões de veículos para os Estados Unidos no ano passado (2017), de longe o maior mercado, pois o vizinho do Norte, do qual depende um quarto do PIB do México, compra 75% dos veículos que deixam as fábricas de montagem mexicanas.

O setor automotivo é um dos grandes obstáculos na negociação já muito complexa para atualizar o NAFTA. Washington quer reduzir as importações de veículos acabados do México, que, nas últimas três décadas, se tornou a principal plataforma de manufatura para muitos países. Por isso, atualmente, as empresas de origem norte-americana querem que as montadoras mexicanas aumentem o percentual de autopeças estadunidenses na fabricação dos automóveis.

A medida tarifária, afetaria também a União Europeia e, especialmente, a Alemanha, já que 15% das vendas da BMW e da Mercedes são feitas nos EUA, além de 12% dos carros da Audi e 5% dos da Volkswagen. Seria, claramente, um revés na linha d’água dessas empresas e também de seus concorrentes americanos, que fabricam principalmente fora do país norte-americano.

Fabricantes de automóveis asiáticos como Nissan, Toyota, Hyundai ou Kia também sofreriam com essas novas barreiras de entrada no mercado estadunidense. Por isso, os governos do Japão e da Coréia do Sul foram rápidos em dizer que vão monitorar a situação.

A China, que cada vez mais olha para os EUA como um mercado potencial para a sua crescente indústria automotiva, acrescentou que defenderá seus interesses. Declarou o Ministério do Comércio: “A China se opõe ao abuso de cláusulas de segurança nacional, que podem prejudicar gravemente os sistemas multilaterais de comércio e atrapalhar a ordem normal de comércio internacional. Vamos acompanhar de perto a situação sob investigação dos EUA e avaliar completamente o possível impacto e defender resolutamente nossos próprios interesses legítimos”.

Importações e exportações globais de carros em 2011

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (dia 24 de maio), o Departamento de Comércio dos EUA explicou que a investigação será feita com base na seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, para determinar se essas importações representam uma ameaça à segurança nacional. O Secretário, Wilbur Ross, vai trabalhar em coordenação com o chefe do Pentágono, James Mattis, para realizar uma investigação que durará meses. Trata-se de uma política semelhante à adotada para implementar as restrições às compras de aço e alumínio no exterior, uma medida que ainda não entrou em vigor para os principais parceiros comerciais dos EUA, mas também paira como uma ameaça ao longo dos anos.

Os Estados Unidos produziram cerca de 12 milhões de carros e caminhões em 2017 e importaram 8,3 milhões de automóveis por 192 bilhões de dólares. Desse total, 2,4 milhões de unidades vieram do México, 1,8 milhão do Canadá e 1,7 milhão do Japão.

O governo dos EUA apoia sua suspeita nos dados de que as importações de veículos de passageiros passaram dos 32% que representavam as vendas há duas décadas atrás para os 48% que representam hoje. No mesmo período, a produção nacional foi reduzida em 22%, apesar do fato de que as compras de veículos são de recordes históricos, aproveitando o calor da melhoria econômica que houve na área. Ele também ressalta que apenas 7% dos componentes utilizados na indústria são de origem nacional.

Ross explica que seu medo é que essa perda de capacidade de produção afetará os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na indústria, que por décadas foi uma das mais importantes fontes de inovação tecnológica nos EUA. Além disso, menciona a perda de emprego qualificado em um momento em que a indústria está entrando em novas tecnologias de mobilidade e eletrificação em todo o mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Fábrica da Tesla, na Califórnia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Tesla_Factory

Imagem 2Donald Trump” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Donald_Trump_August_19,_2015_(cropped).jpg

Imagem 3Importações e exportações globais de carros em 2011” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Automotive_industry_in_the_United_States

América do NorteAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador pretende firmar acordo comercial bilateral com os Estados Unidos

O Ministro do Comércio Exterior e Investimentos da República do Equador, Pablo Campana, informou em meados de março passado, em entrevista à Revista Líderes, que negociações para firmar um acordo comercial com os Estados Unidos devem se iniciar no segundo semestre deste ano (2018).

Nos dias 6 e 8 de fevereiro, a Federación de Exportadores del Ecuador (FEDEXPOR) havia realizado em Guayaquil e Quito o I Fórum de Comércio e Investimentos Equador-Estados Unidos,  durante o qual o ministro Campana ressaltou o pragmatismo do governo atual na busca por mercados, depois do que denominou ter sido uma “década nula” de abertura comercial. Também presente ao evento, o Embaixador dos EUA  no Equador, Todd Chapman, reconheceu os avanços da gestão de Lenín Moreno quanto à redução do risco-país.

Neste mesmo período, uma delegação equatoriana se encontrava em Washington iniciando tratativas para a reativação do Conselho de Comércio e Investimentos, cuja última reunião tinha ocorrido em 2009, ainda na primeira gestão de Rafael Correa.

Logo do Ministério de Comércio Exterior e Investimentos do Equador

As relações entre Equador e Estados Unidos durante os dez anos (2007-2017) de gestão de Rafael Correa não foram as mais amistosas e o Caso Snowden chegou a trazer fissura diplomática. Lenín Moreno foi eleito em 2017 pelo partido de Correa (Aliança País), mas, além de ser considerado mais moderado que seu antecessor, os dois romperam no início de 2018.

Na busca de parcerias, o Governo do Equador promoveu, em 15 de março, em Miami, nos Estados Unidos, o Fórum de Atração de Investimentos “Invest Ecuador”, com objetivo de atrair investidores locais interessados em aproveitar oportunidades no país andino, por meio de parcerias público-privadas (PPP).

Em final de março, o Governo americano aprovou a renovação do Sistema Geral de Preferências, retroativo a 1º de janeiro de 2018 e com vigência até 31 de dezembro de 2020, o qual favorece 120 países em desenvolvimento e, por extensão, beneficia mais de 800 empresas equatorianas com cerca de 400 milhões de dólares em exportações.

A medida foi comemorada por Campana, mas a maior expectativa dele é pela celebração de um acordo bilateral mais vantajoso, similar ao firmado com a União Europeia. O Ministro de Estado, que empreendeu visitas a 13 países em 2017 e promete continuar a agenda de visitas em 2018, sabe da importância das relações com os EUA, principal parceiro comercial e destino de 23% das exportações do Equador.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Foto de Capa Ministério de Comércio Exterior Equador no Facebook” (Fonte):

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Imagem 2 Logo do Ministério de Comércio Exterior e Investimentos do Equador” (Fonte):

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Estados Unidos impõem novas sanções econômicas à Rússia

No dia 6 de abril (2018), o Governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou novas sanções econômicas à Federação Russa, mas, dessa vez, afetando sete de seus grandes empresários*, catorze companhias**, estando listadas doze, as quais devem ser as que estão sob o controle desses empresários, e dezessete Oficiais do Governo Russo***. Segundo a Administração Trump, as medidas foram aplicadas com o intuito de punir a Rússia pela sua suposta intervenção nas eleições americanas de 2016, pela anexação da Crimeia em 2014 e pelo seu apoio ao governo de Bashar al-Assad na Síria.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu Vice-Presidente, Mike Pence

Tal decisão tomada pelo Governo Americano proíbe que as personagens mencionadas na chamada “lista negra” viajam aos EUA, façam negócios e até abram contas bancárias no território estadunidense, além disso, os bens deles que estão sob a jurisdição norte-americana estão congelados. É válido mencionar que essas sanções econômicas foram direcionadas aos principais homens de negócio da Rússia, sendo que alguns deles têm um relacionamento próximo ao presidente Vladimir Putin, como é o caso de Kirill Shamalov, conhecido não só por ser seu genro, como também por ser acionista da companhia energética Sibur. 

Em resultado, as consequências dessa ação possivelmente serão bastante sentidas na Rússia, visto que grandes companhias importantes à economia do país foram incluídas nessas sanções ditadas por Washington. Por exemplo, uma das maiores produtoras de alumínio da Rússia e do mundo, a empresa Rusal, teve seu valor diminuído pela metade na Bolsa e está prestes a declarar moratória, desde que o Governo americano anunciou essas medidas. Somado a isso, pelo fato de os Oficiais Russos de Agências Internacionais também estarem na lista, possivelmente a cooperação pela luta contra o terrorismo também poderá ser afetada, visto que a comunicação entre os dois países por esses fóruns de discussão das agências estará mais comprometida.

Apesar desse último ponto também vir a afetar os EUA, o Presidente norte-americano assinalou que essas medidas são necessárias, pois, segundo ele, a Rússia tem que ser responsabilizada por suas ações. De acordo com o Vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, “as decisões de Trump mostram sua liderança forte e mandam uma mensagem clara: atividades malignas não serão toleradas pelos Estados Unidos”.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, ao seu lado, o Primeiro Ministro da Rússia, Dmitri Medvedev

Por outro lado, a Federação Russa não está de acordo com mais essas sanções impostas. Para o primeiro-ministro Dmitri Medvedev, “as ações dos EUA são uma ameaça ao livre comércio e à economia de mercado, além de que elas são ilegítimas, pois não seguem o que está estabelecido pelo direito internacional”. Em vista disso, o Governo da Rússia já está preparando um pacote de retaliações e também está oferecendo total suporte econômico às grandes empresas que foram afetadas.

Diante do quadro, assiste-se, novamente, ao enfraquecimento das relações bilaterais entre as duas nações. Enquanto a Rússia segue indignada com o tratamento norte-americano e afirma que responderá de forma dura e à altura, os EUA destacam que essas medidas tomadas não significam o fim do diálogo entre os dois países. O momento é delicado e pede cautela, pois não se sabe quais serão os próximos passos tomados pelo Governo russo e nem por quanto tempo essas sanções se manterão. De fato, as medidas foram bastante duras, algo que provavelmente refletirá nas projeções econômicas futuras da Federação Russa.

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Notas:

* Os sete empresários russos inclusos na lista de sanções de Washington, por ordem alfabética: Andrei Skoch; Igor Rotenberg; Kirill Shamalov; Oleg Deripaska; Suleiman Kerimov; Viktor Vekselberg e Vladimir Bogdanov.

** Essas catorze companhias russas incluídas na lista de sanções de Washington, por ordem alfabética, são: Agroholding Kuban; Basic Element Limited; B-Finance; En+ Group; GAZ Group; Gazprom Burenie; Eurosibenergo; Ladoga Management; NPV Engineering; Renova Group; Rosoboronexport; Russian Financial Corporation; Russian Machines e Rusal.

*** Alguns dos Oficiais Russos presentes na lista de sanções de Washington, por ordem alfabética: Aleksander Torshin, Vice-Governador do Banco da Rússia; Aleksander Zharov, Chefe do Órgão de Supervisão de Comunicações Roskomnadzor; Aleksei Dyumin, Governador da Região de Tula; Konstantin Kosachyvov, Presidente do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho da Federação; Mikhail Fradkov, Diretor do Instituto Russo de Estudos Estratégicos; Nikolai Patrushev, Secretário do Conselho de Segurança; Oleg Govorun, Chefe do Gabinete Presidencial de Cooperação Socioeconômica com os Países da CEI, a República da Abcásia e a República da Ossétia do Sul; Timur Valiulin, Chefe do Departamento de Resistência ao Extremismo do Ministério do Interior; Viktor Zolotov, Chefe da Guarda Russa; Vladimir Ustinov, Representante Presidencial no Distrito Federal do Sul; Vladimir Kolokoltsev, Ministro do Interior; Yevgeny Shkolov, Assessor Presidencial; e Vladislav Reznik, Presidente da Duma.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro oficial entre o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na reunião do G20 em Hamburg, julho de 2017” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_and_Donald_Trump_at_the_2017_G-20_Hamburg_Summit_(1).jpg

Imagem 2 O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu VicePresidente, Mike Pence” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Donald_Trump_and_Mike_Pence#/media/File:President_Trump_is_joined_by_Vice_President_Pence_for_an_Executive_Order_signing_(33803971533)_(2).jpg

Imagem 3 O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, ao seu lado, o Primeiro Ministro da Rússia, Dmitri Medvedev” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moscow_Victory_Day_Parade_2012-05-09_(41d3ea8745adb8200c98).jpg

América do NorteAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

México pressiona EUA e Canadá para finalizar a renegociação do NAFTA

De acordo com o Jornal Reuters, na ultima quinta-feira (dia 16 de março), o Ministro da Economia do México, Ildefonso Guajardo, instou as autoridades a pressionarem por uma renegociação rápida do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA).

Segundo Guajardo, se nenhum acordo para retrabalhar o NAFTA for concretizado até 30 de abril, a nova complexidade política da região poderá pôr em dúvida a reformulação do acordo pelos próprios legisladores. Isso porque a sessão ordinária do Congresso no México termina em 30 de abril, e o país elegerá um novo Presidente em julho, que assumirá o cargo no início de dezembro.

Fabricação de Aço

Além disso, os EUA realizarão eleições parlamentares de médio prazo em novembro, e o Presidente estadunidense, Donald Trump, pretende aumentar as taxas de importação do aço e do alumínio em curto prazo.

Em um recente tweet publicado no dia 5 de março, Trump declarou que os EUA possuem grandes déficits comerciais com o México e Canadá, e que o NAFTA, tem sido um mau acordo. Portanto, as tarifas sobre aço e alumínio só serão excluídas se for assinado um Tratado novo e justo, segundo a sua perspectiva.

A inclusão do NAFTA nas tarifas seria particularmente impactante para as economias estatais mais dependentes. Canadá e México fornecem juntos 32% das importações de alumínio e aço dos EUA. Michigan, por exemplo, conta com o NAFTA em mais de 70% de seus produtos de aço e alumínio. Essas importações alimentam os clusters automotivos e metalúrgicos do Estado que, em conjunto, empregam 230 mil trabalhadores.

Balança comercial dos EUA em relação ao México entre 1992 e 2015

Mas, mesmo que o Canadá e o México fossem poupados, as tarifas ainda se aplicariam a outros parceiros estratégicos individuais. Illinois é o segundo maior importador de produtos siderúrgicos do país, importa 41% do aço do Brasil e 29% do seu alumínio vem da China, cada vez mais utilizado como substituto do aço na indústria automobilística dos EUA.

Para Guajardo, o México e o Canadá devem estar prontos para seguirem sozinhos caso os Estados Unidos saiam do NAFTA, dado o clima de grande incerteza. O Governo mexicano está ansioso para negociar um acordo antes de uma mudança de Presidência, e Guajardo também disse que sua equipe estará pronta para continuar negociando até o final de novembro.

A intenção do governo mexicano é se esforçar para que os norte-americanos continuem no NAFTA, já que a grande maioria dos mexicanos se manteve a favor do livre comércio. Porém, Donald Trump sempre esteve sob uma crescente pressão dos defensores políticos dos Estados agrícolas para renovar o acordo comercial.

No entanto, os comentários de Trump parecem contradizer as declarações feitas por seu recém-empossado diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow. Para ele, o NAFTA necessita ser reformulado de alguma forma, mas não poderia ser abandonado, tal como o Presidente declara.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Representantes do Canadá, México e EUA renegociam o NAFTA” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/North_American_Free_Trade_Agreement

Imagem 2Fabricação de Aço” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Steel

Imagem 3Balança comercial dos EUA em relação ao México entre 1992 e 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/NAFTA%27s_effect_on_United_States_employment

América do NorteAMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Estatal chinesa Sinopec aciona juridicamente a PDVSA nos EUA

A empresa estatal chinesa SINOPEC (China Petroleum & Chemical Corporation) havia entrado com uma ação jurídica contra a estatal venezuelana Petroleos de Venezuela S.A (PDVSA) no dia 27 de novembro passado, para exigir a liquidação de dívidas contraídas pela corporação venezuelana. A cobrança refere-se ao não pagamento da aquisição de 45.000 toneladas de hastes de aço que foram entregues em 2013, no valor de 43,5 milhões de dólares, tendo sido quitados apenas pouco menos da metade deste montante, conforme foi disseminado pelo jornal Financial Times.

Nesse sentido, o ato foi realizado por uma subsidiária da empresa chinesa nos EUA, nos tribunais de Houston, exigindo o pagamento de pouco mais de 23 milhões de dólares em danos, destacando-se o fato de que as perdas se mantiveram diante dos constantes atrasos dos venezuelanos, mesmo com as promessas de que haveria o cumprimento da quitação da dívida, algo que foi se alongando por todo este período.

Entrada da sede de PDVSA, localizada na avenida 5 de Julio, em Maracaibo, pode-se ler atrás da placa a frase ‘Pátria, Socialismo ou Morte’, no pórtico da entrada do prédio

O consenso acerca do problema não diz respeito aos valores envolvidos, uma vez que são pequenos para o porte da SINOPEC, mas ao fato de a situação ter chegado a um ponto em que a demanda jurídica foi aberta em território norte-americano e, considerando-se a fidedignidade dos informações disseminadas por vários jornais, supostamente adquiridas com acesso direto aos documentos da ação, está ocorrendo cansaço e irritação por parte dos chineses, que primam por ser pacientes e diplomáticos em contatos que envolvam relações exteriores.

Conforme foi divulgado, no documento estão frases como “As promessas de pagamento da PDVSA têm sido vazias”, ou “Este é simplesmente um caso de uma promessa de pagamento quebrada”, com afirmações mais duras, tais como “mentir e enganar deliberadamente”, ou, ainda, “Este caso envolve uma transação comercial complexa calculada especificamente para deixar a Sinopec sem seu pagamento”.

Pelos dados coletados, os chineses têm tentado amenizar a situação afirmando ser uma situação normal e sem a dimensão que a mídia vem dando, tanto que o porta-voz do Grupo Sinopec, Lu Dapeng, declarou que é apenas “uma disputa por um pagamento de uma dívida” (..) e “Como uma grande empresa, para nós é normal ter uma disputa comercial deste tipo e é normal recorrer à lei se há uma disputa”. Além disso, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang, chegou a ir mais além, quase expressando que é uma situação sem tanta importância, ao declarar: “Acredito que esta é uma disputa comercial comum e não devem ser feitas interpretações exageradas sobre ela.  (…). Quero relembrar que a China dá uma grande importância ao desenvolvimento das relações entre China e Venezuela

Logo da Sinopec

Especialistas, no entanto, apontam um desgaste expressivo, uma vez que com a quantidade de acordos e investimentos que os chineses fizeram na Venezuela, que chegou a mais de 65 bilhões de dólares ao longo de 10 anos (2007 a 2016)*, se espera que a tendência natural sejam os diálogos diretos, exceto se a situação tiver ultrapassado o limite da tolerância, e é o que deve ter acontecido.

Este ultrapassar o limite significa uma situação de grandes perdas para o governo venezuelano de Nicolás Maduro. Diante da crise política, social e econômica que o país tem vivido, um dos poucos pilares da sobrevivência do regime é obter apoio de algumas potências com as quais manteve relacionamento ao longo dos últimos 17 anos, para as quais deve favores, recursos e grandes investimentos, precisando agora de outros tão expressivos quanto foram no passado recente.

Nesta circunstância, o ponto mais importante seria preservar a sua credibilidade, algo que, diante do fato, parece ter sido muito afetada, tanto que, como dito, chegou-se à situação de os chineses terem tomado uma decisão que só corre quando parece não haver mais alternativas, pois, normalmente, os representantes da China são corteses e, principalmente, pacientes.   

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* Há divergências na mídia sobre esse valor, com algumas fontes afirmando ser superior a 62 bilhões e não 65 bilhões. Preferiu-se usar esta referência pelo fato de ela citar que o valor decorrer de estudos provenientes da Universidade de Boston e do centro dos estudos do Diálogo Interamericano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da Sinopec, no Distrito de Chaoyang, em Pequim” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sinopec

Imagem 2 Entrada da sede de PDVSA, localizada na avenida 5 de Julio, em Maracaibo, podese ler atrás da placa a frase Pátria, Socialismo ou Morte’, no pórtico da entrada do prédio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petróleos_de_Venezuela

Imagem 3 Logo da Sinopec” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sinopec