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Toyota planeja realocar produção de SUVs dos EUA para o México

Na ultima sexta-feira (dia 4 de agosto), de acordo com o Jornal Reuters, a Toyota Motor Corporation declarou que planeja construir uma nova fábrica de caminhonetes SUVs no México, após as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de penalizar a empresa se produzisse carros pequenos ao sul da fronteira com o Estado mexicano.

Toyota modelo SUV Sequoia

Inicialmente, a Toyota planejava produzir sedãs Corolla na planta que está construindo no Estado central de Guanajuato, mas agora mudará a produção dos pequenos carros e para uma nova fábrica de montagem planejada para os Estados Unidos.

O porta-voz da Toyota no México, Luis Lozano, disse que o fabricante de automóveis global estudaria a produção de SUVs em Guanajuato, além do modelo de caminhão Tacoma no futuro, mas decidiu adiantar os planos. Caminhões e SUVs representaram cerca de 65% do mercado norte-americano, segundo Lozano.

A decisão ocorreu quando a Toyota planejava conquistar uma participação de 5% da rival japonesa menor Mazda Motor Corporation, como parte de uma aliança empresarial para construir uma fábrica de 1,6 bilhão de dólares com o objetivo de trabalharem juntos na produção de veículos elétricos.

A intenção de produzir SUVs em Guanajuato marca a continuação de uma tendência crescente da fabricação mexicana que atende aos padrões de qualidade necessários para produzir veículos mais caros, segundo Christopher Wilson, vice-diretor do Centro Internacional Woodrow Wilson.

Ainda de acordo com Wilson, em vez de construir carros de valor mais baixo, que geralmente oferecem margens menores de lucro para o México, e manter a produção dos SUVs de alto valor agregado nos EUA, a empresa está se movendo na direção oposta, para reduzir a pressão política sobre os interesses do presidente Trump.

Em entrevista a uma de rádio mexicana, Lozano disse que espera que o nível de investimento da empresa na região permaneça semelhante, apesar da mudança nos planos. O aporte de recursos calculado quando a Toyota anunciou a decisão de construir a fábrica para produzir Corolla foi de um bilhão de dólares. Entretanto, atualmente, não se tem um valor final dos investimentos que serão feitos na nova planta dos SUVs, mas Lozano assegura que esse valor não irá variar muito.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Sede da empresa em Toyota, província de Aichi, Japão” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Toyota_Motor

Imagem 2Toyota modelo SUV Sequoia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Toyota_Sequoia

Imagem 3Toyota modelo Corolla” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:09_Toyota_Corolla.jpg

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México e Estados Unidos renegociam acordo comercial sobre açúcar

Nesta segunda-feira (5 de junho), México e Estados Unidos fecharam acordo sobre a comercialização de açúcar. A tratativa evitou uma possível guerra comercial que poderia ocorrer com o aumento da taxação norte-americana sobre o açúcar mexicano e a possível retaliação pelo México sobre a importação de xarope de milho estadunidense, conforme foi divulgado na Reuters. Apesar das informações específicas sobre o acordo ainda não terem sido divulgadas, sabe-se que essa renegociação beneficiou ambas as partes. Atualmente, o México é o principal fornecedor estrangeiro de açúcar para os Estados Unidos, chegando a exportar 12 milhões de toneladas anualmente.

Transporte da cana de açúcar

Desde que o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês) foi negociado pela primeira vez, no início dos anos 1990, a indústria açucareira tem estado no centro das questões comerciais mais controversas entre o México e os Estados Unidos. O setor de açúcar estadunidense tem sido protegido por uma garantia de preços realizada por quotas (limites) de importação e outros mecanismos. Quando o Nafta entrou em vigor, em 1994, a indústria norte-americana ganhou tratamento especial pelo Governo, que limitou as importações mexicanas de açúcar por 14 anos.

Após o período de restrição, em 2008 o México tornou-se o único país do mundo com acesso irrestrito ao mercado de açúcar norte-americano. Entretanto, quando as suas exportações aumentaram em 2013, devido a uma grande safra, os produtores estadunidenses acusaram os mexicanos de praticarem dumping* (práticas comerciais injustas), levando o Departamento de Comércio a avaliar possíveis punições ao seu açúcar. Porém, para evitar problemas maiores à venda de açúcar, o Governo mexicano aceitou a criação de quotas às exportações e fixação de preços em 2014. Mesmo assim, as empresas de açúcar norte-americanas logo argumentaram que os acordos não eram suficientes para protegê-las, fazendo com que o Departamento de Comércio suspendesse o acerto e voltasse à mesa de negociações.

Plantação de cana de açúcar

Do lado mexicano, a cana-de-açúcar é cultivada por 190.000 pequenos agricultores espalhados por algumas das regiões mais pobres do país e, durante a colheita, o trabalho intensivo em mão-de-obra emprega 450 mil pessoas, tornando a indústria uma força política importante. Do lado estadunidense, os empregos podem ser comprometidos pelas restrições adicionais sobre as importações de açúcar às empresas nacionais que produzem derivados da commodity.

Negociações bilaterais dessa natureza estão acontecendo para facilitar a reformulação do NAFTA entre México, Estados Unidos e Canadá, que deve iniciar no mês de agosto.

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* O Dumping é uma prática considerada injusta e ilegal pelos tratados internacionais, pois consiste em ação comercial em que a(s) empresa(s) de um país vende(m) produtos, mercadorias ou serviços por preços muito abaixo de seu valor comercial considerado justo, para o mercado de um outro país (ou seja, o preço no lugar para onde exporta é estabelecido como menor do que o dentro do próprio país exportador). Isso é feito como estratégia para eliminar os concorrentes desses país importador e, posteriormente, ao dominar este mercado, adotar preços altos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cana de açúcar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sugarcane

Imagem 2Transporte da cana de açúcar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sugarcane

Imagem 3Plantação de cana de açúcar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sugarcane

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[:pt]Os desafios da política comercial dos Estados Unidos na era Trump[:]

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No curso da campanha presidencial do ano de 2016, o magnata imobiliário Donald J. Trump cunhou o termo “Make America Great Again” como princípio base para devolver aos estadunidenses o protagonismo político-econômico que o candidato republicano interpretava que o país havia perdido.

Com a surpreendente vitória em novembro do último ano (2016), o novo Presidente lançou as bases para devolver a grandiosidade para os Estados Unidos através, inicialmente, de ordens executivas que reposicionaram os princípios de governabilidade com determinações distintas daquelas negociadas por seu antecessor, Barack Obama, em especial no que tange aos acordos comerciais, destacando-se o Trans-Pacific Partnership (TPP, na sigla em inglês), North America Free Trade Agreement (NAFTA, na sigla em inglês), dentre outros que Trump avalia como onerosos para o ambiente produtivo, de negócios e para a mão de obra da nação.

Com uma interpretação aparentemente excludente ao ambiente global de negócios, em que a concorrência externa espreme as empresas manufatureiras estadunidenses, apresentando como resultados perda de empregos e cessão de mercado às exportações asiáticas, o presidente Trump, de acordo com especialistas consultados, poderá revitalizar a política adotada pelo republicano Ronald Reagan na década de 1980, como contraponto as políticas comerciais atuais.

Os Acordos Plaza-Louvre negociados por Reagan junto com França, Alemanha Ocidental, Japão e Reino Unido forçaram o valor do dólar para baixo contra o Iene e o Deutsche Mark, favorecendo o realinhamento dos valores das moedas que culminaram na redução dos desequilíbrios nas contas correntes, preservando o sistema comercial global aberto, fatores estes que evitaram uma guerra comercial que poderia solapar a estrutura global de comércio findada desde o pós-Segunda Guerra Mundial, a qual foi fundamental para alavancar os países arruinados no conflito.

Ainda em complemento aos entendimentos de uma parcela de especialistas, as condições atuais são maduras para um novo acordo Plaza-Louvre, uma vez que os desequilíbrios globais das contas correntes e os desalinhamentos monetários são tão severos como nos tempos da administração Reagan.

Diante desse movimento econômico-comercial, uma vez o Presidente Trump optando pela redução dos déficits comerciais, haverá necessidade de aprofundar a relação com outros atores. A China pode ter razões econômicas para cooperar, porém, ao contrário do que fora visto no passado, o Japão e a Alemanha tratariam a questão com mais reticências, uma vez que os movimentos protecionistas nos discursos e tweets do mandatário republicano elucidam disposição para uma guerra comercial.

Contudo, há outras interpretações que apresentam cenário mais realista, através do emprego de outros instrumentos para a política comercial estadunidense, que poderão servir de bases para administração Trump desenhar seu modelo de retomada do protagonismo:

  1. Medidas corretivas, anti-dumping para combater práticas comerciais desleais;
  2. Comércio controlado, com cortes em acordos diretamente negociados com empresas a fim de reduzir as exportações para os EUA, ou limitar sua participação de mercado. Essa negociação geralmente é acompanhada por uma ameaça de novas barreiras se as empresas não cooperarem;
  3. Negociações bilaterais, um principio próximo daqueles confeccionados nos acordos Plaza-Louvre. Isso significa compelir a reciprocidade de países que são vistos como refratários a uma nova abertura estadunidense;
  4. Como último recurso, a imposição como ferramenta unilateral para controle das práticas comerciais, através de um sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (WTO, na sigla em inglês). Porém, esse movimento não impede os Estados Unidos de enfrentarem litígios na WTO por iniciativa das políticas protecionistas adotadas por Trump.

Ao conjecturar soluções para os entendimentos da administração Trump de perda de competitividade no cenário comercial internacional, a tendência protecionista idealizada pelo Presidente e seus assessores próximos apresenta inconsistências com as regras que os próprios Estados Unidos ajudaram a confeccionar, ou seja, as medidas protecionistas até aqui especuladas pela Casa Branca poderão não impulsionar a competitividade industrial, haja vista que diminuir sua participação em cooperação e impor tarifas as importações não estão diretamente relacionadas a novos empregos e retorno das fábricas do exterior.

Com a imposição de tarifas, possivelmente isso transformaria os EUA em um país de alto custo para insumos industriais, repelindo os empregos e, consequentemente, o consumo interno, e encorajaria o movimento que tentam evitar, de manutenção de uma produção offshore com vistas a mercados de exportação para assim manter a competição frente a produtos japoneses, alemães e chineses fora dos EUA.

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Imagem 1Trump falando na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Political_positions_of_Donald_Trump#/media/File:Donald_Trump_by_Gage_Skidmore_3_(cropped).jpg

Imagem 2Reunião de ministros das finanças em 1985, no acordo que ficou conhecido como PlazaLouvre: Da esquerda para direita estão Gerhard Stoltenberg da Alemanha Ocidental, Pierre Bérégovoy da França, James A. Baker III dos Estados Unidos, Nigle Lawson da GrãBretanha e Noboru Takeshita do Japão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Plaza_Accord#/media/File:Plaza_Accord_1985.jpg

Imagem 3Imagem da Embaixada da China nos EUA” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–United_States_relations#/media/File:Chinese_Embassy_Washington_3212.JPG

Imagem 4Centro William Rappard, sede da OMC em Genebra, Suíça” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organização_Mundial_do_Comércio

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[:pt]Aumenta a compra de ouro, em meio à insegurança quanto ao rumo da economia global[:]

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A demanda por ouro tem crescido no mundo, sendo que a China e a Rússia têm sido os principais responsáveis por esta tendência. Apenas no dia 1o de dezembro deste ano (2016), 28 toneladas foram negociadas na Bolsa de Ouro de Shangai. A China se encontra entre os maiores detentores de ouro no mundo, contando com reservas que chegam ao montante de 1.808 toneladas, no entanto, estimativas de organismo internacionais apontam que o valor deve estar mais próximo de 4.000 toneladas. Fontes oficiais afirmam que a Rússia possui cerca de 1.499 toneladas de ouro, sendo que os Estados Unidos possuem 8.134 toneladas e o Banco Central Europeu detém 10.788 toneladas.

A razão para o aumento da procura do metal por parte dos países emergentes passa por diversas questões, incluindo o receio de uma nova crise no padrão monetário internacional, caso os Estados Unidos realizem a redução de sua dívida de cerca de US$ 19 trilhões, através da emissão de moeda e decorrente inflação. No caso da China, esta preocupação é ainda mais importante, pois o país possui atualmente cerca de US$ 3,1 trilhões de reservas internacionais em dólar, incluindo neste montante cerca de US$ 1,4 trilhão em títulos da dívida norte-americana, acentuando o impacto negativo que uma eventual desvalorização do dólar causaria nestas reservas.

Sob a perspectiva chinesa, as reservas de ouro são um lastro para o movimento de internacionalização da sua moeda (yuan-renminbi), além de representar o acúmulo de reservas seguras para salvaguardar a atuação de novas instituições internacionais, tais como o Banco Asiático de Infraestrutura e Investimentos (AIIB) e o fundo de financiamento para o grande projeto estratégico de integração e facilitação do comércio eurasiático, promovido pela China, a Nova Rota da Seda (One Belt, One Road).

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ImagemBarras de Ouro” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a5/Gold_Bars.jpg

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[:pt]Fim prematuro do acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos[:]

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O Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), caso fosse aprovado, resultaria na maior área de livre comércio do mundo, com mais de 60% do PIB do planeta e com as nações mais ricas do ocidente em um único grupo, sendo uma tentativa de restaurar o eixo econômico do Atlântico, o qual perdeu lugar para o eixo econômico do Pacífico devido à ascensão da China e aos avanços tanto da ASEAN como do Tratado Transpacífico (TTP).

Mas as negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos nunca lograram obter o consenso necessário, pois as políticas europeias de incentivos e controle de determinados setores se chocavam com as políticas liberais americanas. Outro ponto crítico foi a falta de consenso entre os países membros da União, que não viam com bons olhos uma possível consolidação da hegemonia americana na Europa e o impacto da mesma no projeto de integração regional, que passa por uma série de desafios devido as crises recentes e aos problemas de governabilidade de alguns países, além do temor de uma reconfiguração nas políticas de financiamento da produção e nos incentivos a setores importantes, tais como a agricultura e a pecuária. Por último, temiam uma modificação nas leis de proteção ao consumidor.

No dia 28 de agosto, o Vice-Chanceler e Ministro da Economia, o Sr. Sigmar Gabriel, declarou publicamente o fracasso nas negociações e a incapacidade de obter um Acordo, embora a notícia não tenha sido recebida com surpresa, já que, em uma consulta pública realizada pela Comissão Europeia, mais de 80% dos participantes declararam não estar a favor das propostas geradas pela criação do Bloco.

Sendo assim, a União Europeia, após fracassar nas negociações com os Estados Unidos dará continuidade com outros acordos tais como o do Mercosul, embora o Bloco latino também passe por problemas internos devido à questão da Venezuela e ao afastamento da ex-presidente Dilma Roussef, que produziu um importante entrave diplomático entre os países membros.

Desde o início da Crise Financeira Internacional, em 2008, a Europa enfrenta diversos problemas, tais como a crise da Ucrânia, a crise do Mediterrâneo, a crise dos Refugiados, entre outras, dificultando uma recuperação do Bloco e seu fortalecimento. O reflexo dessas mudanças são o aumento do eurocepticismo e as novas reconfigurações políticas, tanto nos países da periferia europeia como nas economias mais consolidadas. A não aprovação do TTIP adiciona um fator relevante, já que que a Europa possui problemas a longo prazo para manter sua estrutura econômica e fiscal, principalmente devido a evolução demográfica do continente, a evasão da produção para economias emergentes e a crescente competitividade internacional.

A Incapacidade do Bloco de se reformular e se renovar está promovendo seu engessamento dentro das premissas nas quais se fundou a União Europeia, sendo cada vez mais difícil a superação das crescentes assimetrias entre os países membros e os desafios que surgiram nos últimos 10 anos, gerando conflitos internos, problemas de coesão e a falta do consenso necessário para dar continuidade ao projeto de integração.

O fim das negociações colocou em evidência a falta de consenso da União e sua crescente dificuldade de atuar e negociar de forma coesa, mantendo os interesses gerais do grupo, sendo este outro sintoma da real situação do Bloco europeu, que, aos poucos, vem dando mostras de esgotamento e fissuras contínuas.

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Imagem (Fonte):

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[:pt]De revés em revés: o caso da Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP)[:]

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Desde 2013, a União Europeia (UE) e os Estados Unidos (EUA) estão empenhados nas negociações da Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP), um acordo comercial e de investimento que visa impulsionar as economias de ambos os lados do Atlântico Norte, por meio da supressão de entraves ao comércio.

O seu pressuposto é, em essência, harmonizar o arcabouço comercial e regulatório para compra e venda de bens e serviços, reduzindo preços para os consumidores e, consequentemente, incrementando o comércio bilateral de modo a contribuir com a criação de mais postos de trabalho e com a maximização da pujança dos mercados locais.

Conforme noticiado no último mês de maio pelo CEIRI NEWSPAPER, na nota “TTIP: O desafio de criar uma área de livre comércio entre os EUA e a União Europeia”, o cenário europeu tem sido desfavorável ao avanço das negociações, a despeito da inicial euforia que cercou o assunto. Tal situação se evidenciava tanto pelas sondagens junto à opinião pública europeia, quanto pelo momento político que internamente vivia o Bloco.

Hoje, quatro meses após esse diagnóstico, e depois de mais duas rodadas de negociação, o TTIP enfrenta outro revés. No dia 29 de agosto, Sigmar Gabriel, Ministro da Economia da Alemanha, declarou que, na sua opinião, as negociações com os Estados Unidos tinham fracassado. No dia seguinte, foi a vez de François Hollande, Presidente da França, colocar em cheque a viabilidade do TTIP, durante uma reunião com embaixadores franceses, enquanto seu Secretário de Estado para o Comércio Exterior, Matthias Fekl, afirmou à RMC Radio que as negociações deveriam ser finalizadas.

Enquanto isso, o discurso oficial das partes imbuídas do mandato negociador, Comissão Europeia e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, parece estar alinhado. A despeito daquelas declarações, ambos garantem a continuidade das negociações e, em tom cauteloso, afirmam que elas estão avançando.

Observando em perspectiva, o caminho a ser percorrido pelos negociadores do TTIP continuará permeado de fortes intempéries. Dentre elas, o passivo gerado pelos britânicos, ao optarem pela saída da União Europeia, pode desempenhar papel vital. Isso porque, além das questões políticas e jurídicas em suspenso pelo Brexit, que estão embaralhando a agenda do Bloco, a saída do Reino Unido significa que o TTIP perde um apoiador contumaz dentre os membros economicamente mais fortes do Bloco Europeu, deixando um vazio que provavelmente será preenchido pelo tradicional ceticismo com que o Governo da França encara a questão, e pela posição mais cautelosa da Alemanha frente ao assunto.

A crescente insatisfação popular europeia com relação ao TTIP, devido a temores relacionados principalmente com questões sanitárias e trabalhistas, também desafia o mandato de Bruxelas nas negociações com Washington. Em 2015, a Comissária Europeia para o Comércio, Cecília Malmstrom afirmou: “Mesmo se eu disser milhares de vezes que as carnes com hormônios não vão entrar na Europa, as pessoas continuam a não acreditar. É como fazer a defesa de um inocente”. Denotou com tal declaração a existência de fortes lobbies contrários ao andamento das negociações. Mais de um ano depois, essa afirmação continua válida, a despeito dos esforços da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu em prol da transparência nas negociações.

Com todos esses elementos no horizonte de curto prazo, além das eleições norte-americanas marcadas para o próximo mês de novembro, o TTIP não encontra terreno fértil para avançar substancialmente neste ano (2016), contrariando as expectativas iniciais das partes.

Talvez, como alternativa, caso o ambiente europeu melhore nos próximos meses, algum acordo preliminar ou de intenções pode ser buscado, visando evitar que os esforços feitos até agora se percam. O cenário de médio prazo, por sua vez, também não é muito alentador, pois, além de toda a incerteza da parte europeia, que deve se arrastar pelo próximo ano, o futuro do Acordo vai ficar ainda na dependência do ritmo que o novo Presidente dos EUA quiser dar a ele.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Transatlantic_Free_Trade_Area.svg

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