América do NorteECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia recorre a OMC contra sanções dos EUA

No dia 20 de junho, o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, anunciou[1] que irá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as sanções impostas a Moscou pelos Estados Unidos devido à crise ucraniana.

Entre as medidas[2] já adotadas pelo Governo estadunidense em represália pelo que consideram ações de Moscou na Ucrânia estão o congelamento de ativos; a proibição da obtenção de vistos para sete cidadãos russos próximos ao presidente Vladimir Putin e também sanções a 17 empresas ligadas a ele.

Os norte-americanos também passaram[2] a negar licenças de exportação de todos os itens de alta tecnologia que possam contribuir para a capacidade militar russa e a revogar as licenças de exportação existentes que atendam a essas condições.

Medvedev admite[1] que o trâmite na OMC não será simples, pois os EUA têm “autoridade [1] na organização. Mas a Rússia é membro da Organização desde o verão de 2012 e possui todo o direito de recorrer a ela para arbitrar a questão. Analistas indicam que a Rússia busca uma estratégia de fortalecimento das instituições internacionais existentes, buscando-as mesmo com a forte influência norte-americana existente para promover o diálogo internacional.

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Imagem (Fonte): http://4.bp.blogspot.com/_a-ZiWkYqOVk/TJUNb0eBLMI/AAAAAAAAAnU/XpO9BxcSq3M/s1600/EUA+Russia.jpg

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Fontes Consultadas: 

[1] Ver:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/06/russia-recorre-a-omc-por-sancoes-dos-eua.html

[2] Ver:

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/04/28/eua-anunciam-nova-rodada-de-sancoes-contra-a-russia.htm

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Filho do vice-presidente norte-americano Joe Biden assume cargo em empresa ucraniana

Desde que a crise interna ucraniana se expandiu para além de suas fronteiras, as manobras políticas, diplomáticas e militares que envolvem os principais atores internacionais recebem cuidadosas avaliações, sobretudo pelo impacto que certas interpretações podem gerar na organização atual do Sistema Internacional, que ainda vive tensões antigas formadas na ordem mundial do pós-Segunda Guerra, algumas das quais ainda continuam trazendo grande importância na composição das análises.

Um desses cenários que inspiram tal tipo de atenção aconteceu na última semana, com a contratação de Robert Hunter Biden  para atuar como membro da diretoria de uma companhia energética ucraniana, a Burisma Holdings. Ele é filho do Vice-Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.  De acordo com a imprensa internacional, Robert Biden irá assumir o cargo na área jurídica da empresa, buscando aproximação da companhia com organizações internacionais. Quanto ao seu desafio, Robert comentou que o trabalho poderá ser uma ferramenta para auxiliar o fortalecimento da economia ucraniana. Nesse sentido, na fala que fez após sua incorporação, destacou à assistência dada às empresas por meio de temas como transparência, governo corporativo, responsabilidade e expansão internacional que servirão para beneficiar a economia do povo ucraniano.

O filho do Vice-Presidente tem um currículo importante como assessor e consultor jurídico nos Estados Unidos. Ele atua como assessor da Boies, Schiller & Flexner LLP, um dos maiores escritórios jurídicos, localizado em Nova York. É co-fundador e sócio gerente da empresa Rosemont Seneca Partners. Na Universidade de Georgetown, é professor adjunto no programa de mestrado da Escola de Serviço Exterior. Destaca-se também por ser Presidente do Conselho do Programa Alimentar Mundial (World Food ProgrammeUSA) que trabalha em associação com o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (The United Nations World Food Programme). Como atribuição, esta ONG oferece ajuda aos pobres em países em desenvolvimento, com auxílio à alimentação e educação a 300 crianças desnutridas.

A empresa Burisma Holdings é uma companhia de óleo e gás natural, considerada a maior produtora privada do país. Opera no mercado desde 2002, com ativos na Ucrânia, tendo permissão para atuar nas jazidas das regiões de Dnieper-Donetsk, Carpathian e Azov-Kuban.

Essa manobra conjuntural em períodos de tensões geopolíticas, atrelada ao fato de que uma das chaves das análises é justamente como ficará a questão energética com o agravamento da crise no leste europeu, levou cientistas políticos, analistas e atores governamentais a considerar que as estratégias adotadas pelos lados opostos da crise vai além das manobras militares e influência diplomática, devendo chegar à questão da alocação de meios e indivíduos especiais, como é o caso do filho do Vice- Presidente dos Estados Unidos, em setores sensíveis do âmbito econômico.

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Imagem (Fonte):

http://static.guim.co.uk/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2014/5/14/1400079795193/Joe-Biden-Hunter-Biden-011.jpg

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Fontes consultadas:

Ver:

http://carosamigos.com.br/index.php/economia/4133-ucrania-filho-de-vice-dos-eua-assume-cargo-em-petrolifera

Ver:

http://www.politico.com/story/2014/05/hunter-biden-ukraine-gas-board-106631.html

Ver:

http://www.politico.com//story/2014/04/hunter-beau-biden-health-105902.html

Ver:

http://burisma.com/hunter-biden-joins-the-team-of-burisma-holdings/

 

América do NorteÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Coreia e EUA discutem relação bilateral

Como parte de sua viagem à Ásia com o objetivo de estreitar as relações com países da região, o presidente norte-americano Barack Obama visitou nos dias 25 e 26 de abril a “Coreia do Sul”. Durante sua estadia, além de questões sobre Segurança, Obama discutiu o andamento da relação comercial entre os dois países, tanto com a “Presidente da Coreia do Sul” Park Geun-hye, como com empresários coreanos[1].

Em encontro realizado pela “Câmara de Comércio Americana” (AMCHAM) em Seul, Obama pressionou a “Coreia do Sul” para implementar, por completo, o “Acordo de Livre Comércio” (ALC) entre os dois países[2]. Exportadores norte-americanos estão insatisfeitos com as barreiras não-tarifárias aplicadas pelas autoridades da Coreia e os EUA têm recebido muitas críticas por conta do déficit em sua balança comercial com os sul-coreanos. No último ano (2013), a “Coreia do Sul” apresentou um superávit de 20,5 bilhões de dólares com os EUA[3] e investiu em torno de 5 bilhões de dólares no parceiro, segundo o “Wall Street Journal[4].

A “Coreia do Sul” tem manifestado interesse em participar da “Parceria Transpacífica”, Acordo composto atualmente por 12 países[5], mas, para os EUA, o cumprimento do ALC, também conhecido como KORUS, é condição essencial para a consideração da participação sul-coreana na “Parceria Transpacífica[6].

Acordos de cooperação em energia e TIC também foram estabelecidos durante a visita, ressaltando-se que, atualmente, cerca de 96% da demanda energética coreana é coberta por recursos externos e o país pretende importar gás de xisto dos EUA a partir de 2017[7].

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ImagemJung Yeon-je, Pool” (FonteWashingtonpost.com):

http://www.washingtonpost.com/national/10-things-to-know-for-today/2014/04/25/59bead70-cc63-11e3-b81a-6fff56bc591e_story.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.whitehouse.gov/the-press-office/2014/04/25/president-obama-attends-roundtable-korean-business-executives-encourage-  

[2] Ver:

http://www.ft.com/intl/cms/s/0/4afbfbd2-cc3e-11e3-bd33-00144feabdc0.html#axzz30Ho9K16p

[3] Ver:

http://www.chinapost.com.tw/commentary/the-china-post/special-to-the-china-post/2014/02/11/400339/Negotiating-more.htm

[4] Ver:

http://koreajoongangdaily.joins.com/news/article/article.aspx?aid=2988502

[5] Ver:

http://www.ft.com/intl/cms/s/0/4afbfbd2-cc3e-11e3-bd33-00144feabdc0.html#axzz30Ho9K16p

[6] Ver:

http://koreajoongangdaily.joins.com/news/article/article.aspx?aid=2988502 

[7] Ver:

http://koreajoongangdaily.joins.com/news/article/article.aspx?aid=2988502 

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALFÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICAS

Reforma do FMI: países membros pressionam os EUA

Em 2010, os líderes dos países que compõem o denominado G20, ou seja, grupo das 20 maiores economias do mundo, estabeleceram um acordo a fim de promover a reforma doFundo Monetário Internacional” (FMI), sendo um dos principais pontos a revisão das quotas em favor dos países em desenvolvimento. Adicionalmente à revisão geral das quotas, também duplicaria a capacidade de empréstimo da instituição para US$ 737 bilhões[1]. Em vista disso, alguns dos elementos propostos pela reforma do FMI aprovada há quatro anos interferem no estatuto do Fundo, e, portanto, requerem a ratificação dessas propostas por parte dos Congressos nacionais dos países membros do Órgão.

Para que a Reforma entre em vigor é preciso aprovação de 85% dos cotistas e, conforme anúncio do FMI, até o final de março de 2014, a Reforma tinha recebido concordância de 144 países, o que corresponde a aproximadamente 76% das cotas[2]. No entanto, sem a aceitação dos “Estados Unidos da América” (EUA), que possuem 17% das cotas, e no qual a proposta está travada em seu “Congresso” desde 2010, a Reforma não se torna viável.

graficoA Reforma do “Fundo Monetário Internacional” pretende dar maior peso aos países emergentes na Instituição, que, ao longo dos últimos anos, têm se mostrado como importantes players na economia internacional. Caso ela seja realmente aprovada, os emergentes como Brasil, China, Índia e Rússia, que no presente somam 6% do peso total dos votos, passarão a somar conjuntamente mais de 14%, como mostra o quadro ao lado[3].

Segundo levantamento de 2012, do “Banco Central Alemão[4], a Reforma implicará no dobro do peso do voto da China, enquanto que a Rússia perderá 5,4% do seu peso. Já o voto do Brasil passará de 1,40% para 2,20%. No caso brasileiro, cabe destacar ainda que, pela primeira vez, juntamente com a Índia, o Brasil fará parte dos dez maiores membros do Órgão[5]. Assim, a “União Europeia”(UE) ficará com um percentual de 21%, e os “Estados Unidos”ainda continuarão a ser o país com maior peso de voto na Instituição, mesmo com o decréscimo para 16%.

Como mencionado anteriormente, a Reforma está estagnada, pois é necessária a ratificação dos “Estados Unidos” e, por conta das disputas políticas internas entre republicanos e democratas, o processo está travado no Congresso. O grande desafio, segundo alguns analistas, refere-se ao campo político interno do país, uma vez que o “Partido Republicano” argumenta que a Reforma custará demais ao país e reduzirá sua influência no FMI[6]. Recentemente, “Barack Obama”, “Presidente dos EUA”, incluiu a medida para votação no Congresso juntamente com o pacote de ajuda à Ucrânia[7], porém a oposição republicana, que é maioria no“Congresso norte-americano”, não aprovou.

Segundo declarou Joe Hockey (“Presidente do G-20” e “Ministro do Tesouro da Austrália”), durante a reunião do Grupo na última semana, o “Congresso Norte-Americano” está desapontando o mundo e o fracasso em finalizar este tema prejudica a posição global dos “Estados Unidos”, ao invés de fortalecê-la[8]. Em comunicado, o G-20, declarou que se as Reformas propostas em 2010 não forem ratificadas até o final do ano pelo “Congresso dos EUA”, o Grupo pedirá ao FMI que desenvolva novas alternativas para seguir com a questão. Nesse sentido, para Guido Mantega, “Ministro da Fazenda do Brasil”,“o FMI não pode permanecer paralisado e adiar seu compromisso com a reforma. Devem ser encontradas alternativas para avançar, enquanto o maior acionista (os Estados Unidos) não resolve seus problemas políticos[9].

Já o vice-primeiro-ministro de Cingapura, Tharman Shanmugaratnam, “Presidente do Comitê Financeiro e Monetário Internacional (IMFC, na sigla em inglês)”, assinalou que é possível que os EUA ratifiquem a Reforma ainda este ano (2014), pois, segundo ele, existe um consenso dentro “Congresso Norte-Americano” da necessidade de um FMI mais forte, logo, capaz de enfrentar os desafios da economia global atual. No entanto, Shanmugaratnam reconhece que caso isso não ocorra, poderá levar a um enfraquecimento do multilateralismo e a busca por instrumentos regionais e bilaterais, o que pode não ser um cenário ideal para os “Estados Unidos” e também para os membros do FMI[10].

Em contrapartida,o Brasil preferiu aumentar a pressão e propor um “Plano B”. Segundo a proposta brasileira, a ideia consiste em desvincular a redistribuição das cotas e a mudança no sistema de nomeação dos direitos executivos. Desse modo, a redistribuição poderá entrar em vigor com 70% dos votos, sem depender da ratificação por parte do “Congresso dos Estados Unidos[11]. De qualquer forma, mesmo após a redistribuição, os EUA manterão o poder de veto por possuírem isoladamente o maior número de votos.

Contrapondo-se à proposta brasileira, Christine Lagarde, “Diretora-Gerente do FMI”, afirmou no decorrer da última semana que é prematuro pensar em um Plano B para as reformas do Fundo. Cabe ressaltar, contudo, que o prazo final para aprovação dos Congressos nacionais era 2012. Assim, Lagarde preferiu uma posição mais tranquila destacando que, por enquanto, espera que“os resultados da instituição e as pressões feitas pelos membros dessa instituição aos que ainda não ratificaram deem frutos num futuro não muito distante[12].

Em resposta a essa pressão internacional, “Jacob Lew”, “Secretário do Tesouro Norte-Americano”, prometeu se empenhar em destravar no “Congresso dos EUA” o projeto de Reforma do “Fundo Monetário Internacional”. A intenção agora, segundo assinalou, é aprovar a proposta juntamente com o “Orçamento Federal para 2015[13]. Compete observar que, apesar da declaração de Lew,o “Governo Norte-Americano” não promove um maior debate interno da Reforma, apenas posterga sua votação no “Congresso nacional”.

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140411_fmi_reforma_g20_eua_mm_pu.shtml

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140411_reforma_fmi_brasil_pu_rb.shtml

[2] Ver:

http://www.valor.com.br/financas/3503792/lagarde-critica-eua-por-nao-ratificar-reforma-do-fmi

[3] Ver:

http://www.realinstitutoelcano.org/wps/portal/web/rielcano_en/contenido?WCM_GLOBAL_CONTEXT=/elcano/elcano_in/zonas_in/TGAE-Schwarzer-Steinberg-Valiante-Common-external-representation-eurozone#.U02aM1VdWTo

[4] Ver:

http://www.dw.de/pa%C3%ADses-emergentes-ter%C3%A3o-mais-peso-nas-decis%C3%B5es-do-fmi/a-16292676

[5] Ver:

[6] Ver:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,reforma-do-fmi-parece-improvavel-dizem-fontes,181815,0.htm

[7] Ver:

http://www.valor.com.br/financas/3503792/lagarde-critica-eua-por-nao-ratificar-reforma-do-fmi

[8] Ver:

http://www.valor.com.br/internacional/3514904/fmi-se-reforma-nao-se-concretizar-em-2014-ela-tera-que-ser-reformada

[9] Ver:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2014/04/11/interna_internacional,518294/mantega-fmi-precisa-de-alternativas-para-fazer-reformas.shtml

[10] Ver:

http://www.valor.com.br/internacional/3514904/fmi-se-reforma-nao-se-concretizar-em-2014-ela-tera-que-ser-reformada

[11] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,governo-dos-eua-promete-destravar-reformas-do-fmi,1153076,0.htm

[12] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140411_fmi_reforma_g20_eua_mm_pu.shtml

[13] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,governo-dos-eua-promete-destravar-reformas-do-fmi,1153076,0.htm

América do NorteAMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

“Acordo Transpacífico” em discussão

O “Acordo Estratégico Transpacífico de Associações Econômicas” (TPP, na sigla em inglês) mobiliza “Coria do Sul”, Peru, Chile, EUA e Japão em discussões sobre as suas específicas participações. Nesse sentido, foi aberta a segunda rodada de negociações para definirem os rumos do Tratado que envolve diversas nações da Ásia-Pacífico.

Nesta semana, o “Ministério do Comércio, Indústria e Energia da Coreia do Sul” anunciou que está conversando com as autoridades do Peru e do Chile paralelamente ao Acordo principal do TPP. Destaca-se que a “Coreia do Sul” está abrindo negociações bilaterais com diversos países envolvidos no Acordo original e o mesmo tipo de contato já havia sido feito com os “Estados Unidos” durante as preliminares desta atual rodada de negociações.

Enquanto Seul trabalha com os sul-americanos, o Japão reinicia seu diálogo com Washington. A relação nipo-americana está baseada em tarifas que envolvem o setor de agronegócios, onde ambos os países divergem quando ao tema e voltam a atenção para a carne bovina e suína, sobre as quais existem cargas tributárias muito elevadas. No final deste mês de abril, o premiê Shinzo Abe e o presidente Barack Obama vão se reunir em Tokyo e provavelmente definirão os rumos destas negociações.

Muito se espera no TPP, mas ainda existem várias divergências em diferentes setores comerciais e, por se tratar de um Acordo que envolve diversas nações, sua concretização pode durar mais tempo.

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Fontes consultadas:

Ver:

http://spanish.yonhapnews.co.kr/economy/2014/04/07/0600000000ASP20140407002400883.HTML

Ver:

http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/top/news01.html

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América do NorteECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

EUA e o “Acordo de Livre de Comércio” com a “União Europeia”

No início do ano, os “Estados Unidos da América” (EUA) e “União Europeia” (EU) anunciaram as negociações para o estabelecimento de um “Acordo de Livre de Comércio” entre ambos.  Essa tentativa que envolve diversos entraves teve suas negociações paralisadas após o shutdown norte-americano e as denúncias de espionagem por parte dos “Estados Unidos” com seus tradicionais aliados europeus.  Contudo, nas últimas semanas as negociações foram retomadas, pois segundo John Kerry, secretário de Estado dos EUA Isso é uma parceria comercial. Tem a capacidade de impulsionar todos os países[1].

Caso o Acordo, que é formalmente conhecido como “Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos” (T-TIP), seja realmente  firmado, o mesmo será responsável pela criação da maior área de livre comércio do mundo, uma vez que os EUA e UE correspondem a 49% do PIB mundial e 31% do intercâmbio comercial[2]. Esse Acordo transatlântico tem por objetivo eliminar as tarifas sobre exportações, mas também estabelecer uma espécie de harmonização de normas e padrões técnicos e sanitários para todos os produtos que comercializam. Logo, essas medidas reduziriam os custos significativamente e consequentemente aumentaria o fluxo comercial.

Assim, caso ratificado um Acordo de caráter abrangente, o mesmo poderá aumentar de forma considerável a produção econômica europeia em cerca de 86 bilhões de euros ao ano, o equivalente a um aumento de 0,5 por cento no “Produto Interno Bruto” (PIB) da UE, e a economia norte-americana em 65 bilhões de euros, ou 0,4 por cento até 2027[3]. Nesse aspecto, o “Parlamento Europeu” crê que os transportes marítimos, aéreos, contratos públicos, sejam alguns dos setores beneficiados pelo Acordo transatlântico[4].

Em razão das denúncias sobre espionagem, o “Parlamento Europeu” assinala que se deve proteger o direito de propriedade intelectual, incluindo as indicações geográficas e a proteção de dados pessoais. Outra área sensível refere-se ao setor agrícola, haja vista “que as percepções sobre organismos geneticamente modificados (OGM), clonagem e saúde dos consumidores tendem a divergir entre os EUA e a UE[5].

Além disso, ambos subsidiam fortemente o setor agrícola, o que torna difícil uma regulamentação ou harmonização nesse setor. Somam-se às divergências ainda as questões envolvendo direitos trabalhistas, uma vez que ambos veem essa questão de forma diferente. Os “Estados Unidos” por sua vez, esperam o relaxamento das restrições a suas exportações.

Já a “Organization for Economic Co-operation and Development” (OECD) aponta um crescimento mais elevado, destaca primeiramente que as tarifas de comércio bilateral entre EUA e UE já são baixas, cerca de 3%, mas a sua eliminação, poderia aumentar significativamente o “Produto Interno Bruto”, conforme assevera a “Câmara de Comércio Norte-Americana[6]. Segundo ainda afirmam os “Estados Unidos” e a “União Europeia”, esse Acordo fortaleceria o comércio internacional de modo geral, pois ambos possuem uma pauta abrangente de parceiros comerciais. Ademais, argumentam que essa harmonização provocaria um único conjunto de normas e padrões para os quais os países terceiros precisariam se adaptar, reduzindo a burocracia e os custos. 

Em contrapartida, alguns países como o Brasil seriam fortemente atingidos em suas economias. Conforme estudo da “Fundação Bertelsmann”, calcula-se que as exportações brasileiras diminuiriam 29,72% para os EUA e 9,4% para a UE, resultando em uma queda de 2,1% no PIB per capita real brasileiro em um prazo entre 15 e 20 anos. No entanto, se o Acordo girar apenas em torno da eliminação de barreiras tarifárias, sem a harmonização de normas e padrões, a redução das exportações brasileiras seria de apenas 2,24% para os “Estados Unidos” e 3,71% para a UE[7].Desse modo, como destaca Thiago Masson, coordenador da área internacional da “Confederação Nacional de Agricultura” (CNA), “Há necessidade de se repensar a política comercial brasileira[8], uma vez que o T-TIP, colocaria em segundo plano as negociações entre MERCOSUL e UE, as quais vem se arrastando desde 1995.

Por fim, a terceira rodada de negociações entre EUA e UE está prevista para dezembro de 2013. Os “Estados Unidos” e a “União Europeia” esperam chegar a um entendimento sobre T-TIP e suas diretrizes até o final de 2014. Se para os EUA e UE significa uma grande oportunidade para alavancar suas economias fortemente atingidas pela crise de 2008, aos países emergentes, particularmente o Brasil, compete adotar medidas de proteção e enfrentamento desse cenário.

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.de/apesar-da-espionagem-acordo-de-livre-com%C3%A9rcio-entre-ue-e-eua-deve-avan%C3%A7ar/a-17191217

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE9A401020131105

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131118_brasil_ue_mercosul_mb_dg.shtml

[3] Ver:

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE91C05520130213

[4] Ver:

http://www.europarl.europa.eu/news/pt/news-room/content/20130520IPR08593/html/Acordo-comercial-UE-EUA-Parlamento-define-prioridades-para-as-negocia%C3%A7%C3%B5es

[5] Ver:

Idem.

[6] Ver:

https://www.53.com/doc/cm/3Q13-us-europe-fta.pdf

[7] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131118_brasil_ue_mercosul_mb_dg.shtml  

[8] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,acordo-comercial-entre-eua-e-europa-divide-governo-brasileiro-,997252,0.htm