ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Sequestro de funcionários indianos traz à público o drama dos baixos salários na Etiópia

Com o processo de globalização, o capital internacional flutua entre fronteiras em busca dos espaços que lhe oferecem mais vantagens comparativas para a redução de custos dos fatores de produção. Neste sentido, a Etiópia tem se posicionado como um dos principais destinos de plantas fabris de grandes empresas multinacionais, em especial no que diz respeito ao setor têxtil, tendo em vista a sua institucionalizada política de salários reduzidos.

IL&FS tem participado ativamente das obras de infraestrutura na Etiópia

Com um dos menores níveis salariais do mundo, o Governo deste país almeja intensificar a entrada de investimentos externos e, com isso, propiciar o florescimento de uma ampla gama de empresas locais que passem a operar como fornecedoras das companhias estrangeiras, desencadeando assim um processo industrializante. No entanto, as consequências sociais de uma política instituída de redução dos salários têm como principal consequência o aumento expressivo da desigualdade socioeconômica, bem como das tensões sociais entre as diferentes classes societárias.

No rol de conflitos desta natureza está o sequestro de sete funcionários indianos por parte de alguns trabalhadores etíopes da companhia Infrastructure Leasing & Financial Services (IL&FS), com sede principal na Índia. Com filial na capital Addis Ababa e em outros três municípios ao redor do país, a IL&FS é uma empresa focada no financiamento e desenvolvimento de obras de infraestrutura física e digital. Tendo em vista o expressivo ritmo de execução e implementação de obras públicas na Etiópia ao longo dos últimos anos, a companhia indiana tem ocupado papel importante no planejamento e execução dos grandes empreendimentos previstos no país.

O grupo de sequestradores reivindicam não somente melhores salários, mas também o pagamento destes, os quais estão atrasados há alguns meses. Atualmente, a IL&FS passa por um processo de recuperação judicial devido ao não cumprimento de uma série de dívidas fiscais, tendo inclusive observado parte de suas ações serem adquiridas pelo Governo indiano para a execução financeira. Até o momento de elaboração deste artigo, somente dois dos sete trabalhadores haviam sido liberados após um longo processo de negociação.

Eventos como este somam-se às reivindicações civis dos Oromo e Amhara, formando assim um amplo conjunto populacional que se posiciona contra as principais dimensões do projeto desenvolvimentista do governo da Frente Democrática Revolucionária dos Povos Etíopes (FDRPE). Se os atores envolvidos na discussão por políticas públicas mais igualitárias apresentam-se como vetores de oposição ao projeto de industrialização em curso, o equilíbrio de forças demonstra ser ainda um processo longo e demorado, o qual poderá custar a estabilidade social até ser finalmente atingido.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Política institucionalizada de baixos salários revela suas tensões sociais iminentes na Etiópia” (Fonte):

http://nazret.com/blog/index.php/2013/03/18/ethiopia-to-open-first-industrial-zone-to-bolster-economy

Imagem 2IL&FS tem participado ativamente das obras de infraestrutura na Etiópia” (Fonte):

https://www.theweek.in/news/biz-tech/2018/09/25/ILFS-moves-NCLT-seeking-insolvency-protection.html

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Empreendedorismo feminino é estimulado como caminho para uma economia de impacto na Etiópia

Na semana passada, a fim de estimular a igualdade de gênero – objetivo número 5 do conjunto dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), formulado pela Organização das Nações Unidas (ONU) –, o Banco de Investimento Europeu (BIE) assinou junto com o Ministério das Finanças e da Cooperação Econômica da Etiópia (MFCE) um empréstimo de 34 milhões de dólares, aproximadamente 130,7 milhões de reais, de acordo com a cotação do dia 27 de novembro de 2018. O montante será direcionado ao Projeto de Desenvolvimento do Empreendedorismo Feminino (PDEF), mantido pelo Governo etíope e que visa promover o aumento de negócios no contexto rural e urbano gerenciado por mulheres, bem como a escala de atuação das iniciativas produtivas já existentes.

Banco de Investimento Europeu (BIE) concedeu empréstimo de mais de 30 milhões ao Governo etíope

Iniciado em 2013, o PDEF tem sido um importante projeto para dinamizar a economia constituída por pequenos e médios empreendimentos, os quais são centrais para a consolidação de um processo de desenvolvimento sustentável e de longo prazo. Desde o seu começo, aproximadamente 30 milhões de dólares (em torno de 115,32 milhões de reais, pela cotação do dia 27 de novembro de 2018) foram emprestados a taxas de juros subsidiadas, facilitando o acesso à credito produtivo entre empreendedoras locais.

Negócios femininos constituem o cerne da chamada “economia de impacto”: conjunto de iniciativas que possuem a efetivação dos ODSs como cerne de um modelo de negócio. Neste sentido, este tipo de economia diferencia-se significativamente da “economia de mercado”, onde o foco principal de qualquer atividade produtiva é a geração de lucro, sendo o impacto – tanto o positivo quanto o negativo, em termos socioambientais – uma mera externalidade, isto é, uma simples consequência das atividades operacionais.

A viabilização desse modelo, por sua vez, depende diretamente da presença de linhas de “financiamento híbrido”: conjunto de capital composto por não-reembolsáveis (doações) e reembolsáveis (empréstimos). Segundo o Fórum Econômico Mundial, investimentos dessa modalidade são a maneira mais eficiente de se viabilizar economias de impacto em “mercados fronteiriços”, onde carências energéticas, logísticas, jurídicas e técnicas inviabilizam a sustentabilidade econômico-financeira de empreendimentos. Assim, doações representam importante estratégia para a plena incubação destes negócios, antes de receberem empréstimos para a alavancagem de suas operações.

Dessa maneira, a concessão de uma nova linha de financiamento às empreendedoras etíopes representa mais um outro projeto para a consolidação de economias de impacto nos países do Sul Global. Atualmente, mais de 10 mil mulheres já foram apoiadas no âmbito do PDEF, o qual desembolsa, em média, cerca de 2 milhões dólares por mês desde a sua criação, ou seja, equivalentes aproximados a 7,7 milhões de reais, conforme a cotação do dia 27 de novembro de 2018. No entanto, para o presidente do BIE na Etiópia, Werner Hoyer, o montante a ser liberado deverá ser ainda maior para o pleno atendimento do ODS 5 no país africano: “Para combater a pobreza e acelerar o desenvolvimento, nós precisamos sobrepor os desafios que limitam os potenciais femininos. Neste sentido, o BIE pode fazer um grande diferencial ao investir em projetos que promovam a inclusão e o empoderamento das mulheres. Isto não é somente a coisa certa a se fazer: é uma economia inteligente”, declarou após o anúncio do empréstimo.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1A economia de impacto, que promove os ODSs como aspectos centrais de um modelo de negócio, representa um modelo de desenvolvimento econômico alternativo às nações do Sul Global” (Fonte):

https://cerasis.com/2014/07/03/economic-impact-rating/

Imagem 2Banco de Investimento Europeu (BIE) concedeu empréstimo de mais de 30 milhões ao Governo etíope” (Fonte):

http://www.eib.org/en/index.htm

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Controle sobre garimpo ilegal em Angola suscita intensa migração de congolenses

Nasce no sudoeste africano um novo movimento migratório de extrema relevância. Trata-se de um intenso fluxo de congolenses que, vindos das províncias angolanas de Lunda Norte e Sul, regressam à República Democrática do Congo (RDC). Na verdade, verifica-se neste fenômeno o processo inverso àquele encontrado ao longo dos últimos anos, quando o mesmo grupo de pessoas migraram a Angola devido aos conflitos na província congolesa de Kasai.

Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), desde o começo de outubro deste ano (2018), pouco mais de 200 mil congolenses fugiram das províncias ao norte e nordeste de Angola. O principal fator explicativo para tamanho descolamento repentino é de natureza econômica e política: desde o final de setembro, o Governo angolano tem levado a cabo a “Operação Transparência”, a qual visa pôr fim aos garimpos ilegais de diamantes no país.

Tais centros de mineração contam com uma intensa presença da mão de obra congolesa. Pautados em operações ilegais em termos jurídicos, estes garimpos foram os principais alvos da investigação liderada pelo Governo, levando à interdição e encerramento das atividades de extração aí desenvolvidas. Com efeito, centenas de milhares de trabalhadores congolenses foram atirados ao desemprego, estimulando o retorno destas pessoas à sua nação de origem.

Entretanto, fontes locais afirmam que o encerramento das atividades de garimpo ilegal foi efetivado com intensa violência por parte das forças policiais angolanas. “Nós escutamos sobre casos de brutalidade, sobre pessoas sendo mortas, sobre pessoas sendo feridas e seus pertences sendo saqueados por aqueles que as expulsaram. Com certeza nós não estamos contentes com essa situação e os responsáveis por todas essas mortes deverão responder”, declarou o porta-voz do Governo congolês, Lambert Mende.

Há uma intensa preocupação por parte da RDC com o movimento migratório, tendo em vista que a entrada maciça e repentina de migrantes desempregados pode desestabilizar o país. Com as eleições gerais que estão por vir ao final deste ano (2018), as perspectivas são de que a crise migratória afete consideravelmente os resultados da urna, bem como a legitimidade do regime democrático mediante iminente turbulência social e econômica.

Do outro lado da fronteira, o Governo angolano claramente ruma na direção de suprimir as explorações ilegais de diamantes, a fim de auferir o monopólio total de exploração do minério. Considerado a segunda mercadoria de exportação do país, posicionada somente atrás do petróleo, os diamantes ocupam papel central no planejamento econômico do presidente João Lourenço, cujo plano de governo consiste em efetivar parcerias internacionais para expandir a exploração e as vendas externas da commodity. No ano passado, por exemplo, a empresa estatal angolana Endiama firmou um acordo com a companhia russa Alrosa – a maior do mundo no setor de diamantes – para a intensificação da exploração no campo de Luaxe.

Neste sentido, o uso da força policial nos campos ilegais de mineração também encontra a sua razão de ser no intento estatal de monopolizar a cadeia produtiva dos diamantes, apropriando-se economicamente de todas as receitas e royalties que a comercialização dessa commodity no cenário internacional pode propiciar. Em contrapartida, se por um lado a soberania do Estado angolano sobre os recursos naturais presentes em seu território legitima a atuação contra os sítios ilegais de garimpo, do outro o movimento migratório que este suscita faz questionar a validade da medida para o desenvolvimento econômico e social sustentável na região.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Controle sobre garimpos ilegais de diamantes gera intenso processo migratório de congolenses” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Diamonds.jpg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Moçambique e empresas estrangeiras selam acordos para a exploração de petróleo

O Governo moçambicano selou, na semana passada, um acordo com as empresas petrolíferas Exxon Mobil e Rosneft para estimular a exploração de petróleo no país. A parceria prevê investimentos entre 700 e 900 milhões dólares para a abertura de dez poços de extração, sendo oito deles no mar (offshore) e dois no continente (onshore).

O acordo faz parte de um importante planejamento estratégico que o governo de Filipe Nyusi tem traçado para o país: desenvolver-se através da exportação de combustíveis fósseis. Autoridades e formuladores de políticas públicas esperam que Moçambique seja o quarto maior exportador de gás natural na próxima década, bem como um dos principais produtores de petróleo em todo o continente. Atualmente, a principal commodity de exportação é o alumínio bruto, o qual, em 2016, representou 19% das vendas externas do país. Paralelamente, no mesmo ano, o petróleo atingiu somente 4,5% de representatividade sobre o total de exportações.

Exxon Mobil, junto com a companhia russa Rosneft, irão investir entre 700 e 900 milhões para a produção de petróleo em Moçambique

Com a retomada nos preços internacionais dos hidrocarbonetos, o petróleo e seus derivados voltam a aparecer como interessante mercadoria de exportação para os países do Globo Sul – nos quais, em alguns destes, há plena abundância dessas commodities. Especificamente no caso de Moçambique, a intensificação no nível de produção desta mercadoria soa como atraente estratégia para a resolução de seu endividamento público, o qual afeta diretamente na captação de recursos entre investidores estrangeiros para a efetivação das políticas sociais de desenvolvimento nacional.

Na mesma direção, no final deste mês (outubro de 2018), o Governo irá dar continuidade junto à empresa sul-africana Sasol e à companhia italiana Eni na discussão de novos direcionamentos para a exploração de gás natural. Ambas as empresas já possuem contratos em andamento para a produção da commodity, cuja data estimada de exportação está marcada para o ano de 2022. Além disso, o anúncio por parte da empresa estadunidense Andarko sobre o futuro andamento da exploração dos campos de gás também é aguardado pelas autoridades moçambicanas nos próximos meses.

Neste sentido, inúmeras corporações produtoras de hidrocarbonetos orbitam o Governo de Moçambique em busca de selar acordos para a exploração, à medida que o país oferta uma série de campos de petróleo e de gás natural. Da mesma maneira, as autoridades públicas buscam parcerias estratégicas com estes atores, pois representam canais para o expressivo incremento na fonte de rendimentos às contas estatais, as quais estão severamente deterioradas. No entanto, muito se pode perguntar até que ponto as futuras receitas com a exportação de petróleo serão economicamente sustentáveis, tendo em vista que uma série de nações africanas se encontram em recessão devido ao choque nos preços internacionais desta commodity ao longo dos últimos quatro anos.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Petróleo é visto pelas autoridades moçambicanas como caminho para resolução da crise fiscal” (Fonte):

http://www.oilreviewafrica.com/exploration/exploration/eni-to-drill-new-wells-in-africa-for-more-oil-and-gas

Imagem 2Exxon Mobil, junto com a companhia russa Rosneft, irão investir entre 700 e 900 milhões para a produção de petróleo em Moçambique” (Fonte):

https://corporate.exxonmobil.com/en/company/worldwide-operations/locations/brazil#About

                                                                                             

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Novos ataques terroristas em Moçambique freiam expansão econômica

Novos ataques acossaram a província de Cabo Delgado, na região nordeste de Moçambique, divisa com a Tanzânia. Segundo fontes locais, 12 pessoas foram mortas e outras 14 foram feridas por terroristas islâmicos pertencentes à Al-Shabaab – grupo de mesmo nome, porém sem relação ao grupo somali.

Este é mais um de uma série de atentados ocorridos na região desde outubro do ano passado (2017). Na ocasião, dois policiais foram mortos em Mocimboa da Praia naquele que viria a ser o primeiro ataque jihadista da história de Moçambique. Desde então, forças armadas e terroristas têm entrado em constante conflito, totalizando 40 mortes e o aprisionamento de mais de 300 muçulmanos suspeitos de envolvimento.

Uma visão do Sudeste da ‘Troll A Platform

De acordo com analistas, a Al-Shabaab é formada por moçambicanos e tanzanianos, majoritariamente, tendo como principal objetivo a constituição de um califado na região. Acredita-se que este grupo tenha laços também com unidades terroristas localizadas no Quênia, na Somália e na Região dos Grandes Lagos, onde receberam treinamento para a concepção e realização dos ataques, bem como a aquisição de armamentos.

Cabo Delgado tem ocupado papel coadjuvante no conjunto de políticas públicas do Estado moçambicano nos últimos 20 anos, não usufruindo dos principais avanços econômicos e sociais que as demais regiões do país presenciaram. Neste sentido, muito se pode discutir sobre como a emergência de práticas terroristas está associada às deterioradas condições de vida da população local. No entanto, esta conjuntura socioeconômica poderá ser alterada nos próximos anos.

As recentes descobertas de gás natural posicionam a região como o epicentro das mudanças estruturais que empresários e autoridades esperam para Moçambique para os próximos anos. Estima-se que a capacidade total de exploração das minas descobertas seja capaz de alçar o país ao patamar de terceiro maior produtor mundial dessa commodity – fato que, de acordo com fontes especializadas, aumentaria em sete vezes o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Com isso, o interesse de consolidar a exploração ocupa papel central no planejamento estratégico do governo de Filipe Nyusi.

Embora economicamente atrativa, a produção de gás natural encontra suas barreiras mediante os crescentes ataques nas adjacências de Palma, capital da província de Cabo Delgado. Não à toa, forças armadas foram mobilizadas desde o final de 2017 para a região, a fim de pacificá-la, reduzir o número de ataques a civis e estabilizá-la para então levar a cabo a exploração da tão almejada commodity. Entretanto, a estratégia ainda não pareceu ter surtido efeito, à medida que crescem os incidentes terroristas e número de vítimas.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Os soldados da Força de Defesa Nacional Africana subiram uma colina durante um ataque simulado conjunto entre EUA e África do Sul, no dia 26 de julho, como parte do exercício Shared Accord 2011. AS11 é uma missão bilateral de treinamento militar e assistência civil realizada anualmente em toda a África” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:South_African_National_Defense_Force_soldiers_on_their_way.jpg

Imagem 2Uma visão do Sudeste da Troll A Platform” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Troll_A_platform#/media/File:Troll_A_Platform.jpg

ÁFRICAAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Brasil e Angola buscam reaproximar relações econômicas

Com o intuito de expandir as fontes de capital para levar a cabo a industrialização do país, Angola tem selado uma série de parcerias com organismos e investidores internacionais. Neste sentido, o país reproduz a mesma estratégia desempenhada historicamente pelas nações do Sul Global: expandir a composição de investimento externo nas contas nacionais, visando, com isso, preencher lacunas no capital doméstico em financiar atividades econômicas do segundo setor.

Neste âmbito, o Brasil ocupa papel importante, embora o volume comercializado e os acordos de cooperação com o país africano tenham presenciado uma gradativa queda desde o fim do governo de Dilma Rousseff. A fim de retomar o volume praticado naquele tempo, empresários brasileiros e angolanos, em conjunto com autoridades políticas, encontraram-se em Luanda para a realização da Semana Brasil.

Semana do Brasil aconteceu em Luanda, entre os dias 10 e 12 de agosto

Um dos principais encaminhamentos do evento foi a efetivação de um consórcio de Bancos brasileiros para o investimento em áreas tidas pelo Governo angolano como chave para o desenvolvimento econômico e social. Ao todo, pouco mais de 2 bilhões de dólares serão alocados no setor de infraestrutura, agronegócio, energia elétrica e, acima de tudo, indústria. Igualmente, tais atividades representam iminentes possibilidades de rendimentos futuros positivos ao empresariado brasileiro.

Atualmente, ampla maioria dos produtos exportados pelo Brasil para Angola tratam-se de mercadorias agrícolas e pecuárias, em especial açúcar refinado e carnes bovina, suína e de aves. Entretanto, as vendas externas brasileiras ao país africano representam somente 0,3% do total exportado, da mesma forma que as exportações angolanas aos portos brasileiros somam apenas 0,26% de toda a sua venda externa.

Neste sentido, a conjuntura atual aponta para um amplo espaço para o crescimento das trocas comerciais realizadas entre ambas as nações, em especial mediante a reaproximação estratégica. “Há muito espaço para cooperação, troca de conhecimentos, investimento e construir o desenvolvimento. Não será mais na base do gerador e do gasóleo, mas sim em energias renováveis e muita tecnologia”, declarou Arlete Lins, presidente da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (AEBRAN).

A sinalização da reabertura comercial e diplomática, no entanto, aparece como movimento estimulado mais por parte do Governo angolano do que necessariamente pelo Estado brasileiro. Ao passo que o governo de Michel Temer segue com uma política externa orientada, prioritariamente, aos países europeus e norte-americanos, a posse do presidente João Lourenço, no ano passado (2017), sinaliza uma aproximação maior com atores estrangeiros estratégicos para a implementação das reformas econômicas. Estas parcerias vêm de nações situadas em diferentes regiões do mundo, detentoras de uma relativa capacidade de investimento no setor industrial angolano.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Empresários angolanos e brasileiros discutem acordos comerciais” (Fonte):

https://cursovilabrasil.com.br/blog/diferencas-entre-o-portugues-do-brasil-e-o-portugues-de-angola-2/

Imagem 2Semana do Brasil aconteceu em Luanda, entre os dias 10 e 12 de agosto” (Fonte):

https://africabusinesscommunities.com/news/angola-works-on-making-trade-easier-cheaper-and-faster/