ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Economia sul-africana apresenta piora em seus indicadores

Especialistas vêm questionando a posição da África do Sul como principal potência subsaariana. Não à toa, tal visão a respeito do posicionamento da África do Sul entre os seus pares é legitimada pela significativa expansão econômica de seus vizinhos, pela escolha de Angola como país membro do conselho de segurança não permanente das Nações Unidas para 2015[1] e pelo fato de a economia nigeriana, maior país do continente, estar caminhando a largos passos.

A perda de hegemonia da África do Sul é reforçada por um instável cenário econômico no país. Na semana passada, a Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE) registrou significativas perdas, impulsionada por preocupações dos investidores em torno das projeções oficiais de crescimento para este ano. Além disso, os números apontam para um aumento do desemprego e para o crescimento da dívida pública[2].

Ainda que recentemente agências internacionais de risco tenham mantido os níveis de recomendação de investimento neste país, teme-se que a piora dos indicadores macroeconômicos cause um rebaixamento futuro nos níveis de investimento, o que impactaria negativamente no fluxo de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED).

Os IEDs são de crucial importância para o saldo final de transações correntes da África do Sul. Isto ocorre devido ao fato de que este país é grande exportador de matérias primas e de minerais e importador de bens de capital. Os cinco principais bens de exportação são, respectivamente, ouro, platina, massa de carvão, diamantes e minério de ferro[3]. Contudo, a constante queda nos preços internacionais das commodities reduziu as rendas em dólares da exportação[4].

Os baixos rendimentos com as exportações e a deterioração das contas públicas impulsionam uma acentuada desvalorização da moeda local, o Rand. Após uma desvalorização de 5,36% desde o começo de dezembro, o Rand está cotado a 11,5 dólares, superando o maior valor histórico, atingido durante a crise de 2008[5]. A desvalorização da moeda sul-africana encarece as importações de bens de capital, extremamente importantes para a economia sul-africana. No ano passado, a importação de bens de capital, como máquinas e equipamentos para a indústria, somaram 26 bilhões de dólares, posicionando-se atrás somente da importação de petróleo e derivados, em termos quantitativos[3].

Uma piora nos indicadores macroeconômicos e na confiança dos investidores internacionais na economia sul-africana poderia resultar em uma súbita retirada de dólares, trazendo consigo sérias pressões inflacionárias e uma provável redução dos investimentos por parte das empresas nacionais na produção, o que abalaria ainda mais a economia sul-africana.

Porém, o ânimo dos investidores não é prejudicado somente pela deterioração de indicadores macroeconômicos. Casos de corrupção no setor público, o expressivo número de protestos diários e a emergência de partidos extremistas no cenário político também são fontes de preocupação. O principal partido de extrema-esquerda, os Guerreiros pela Liberdade Econômica, reelegeu, por unanimidade, nesta última semana, Julius Malema como o líder partidário[6]. Tal fato aumentará ainda mais a desconfiança de investidores e a instabilidade em uma economia já fragilizada.

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Imagem (Fonte – Times Live):

http://www.timeslive.co.za/business/2010/09/14/jse-best-regulated-in-world

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Jornal de Angola:

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/africa_a_uma_so_voz_na_onu_1

[2] Ver News 24:

http://www.fin24.com/Markets/Equities/SA-faces-difficult-time-economically-20141214

[3] Ver Observatory of Economic Complexity:

http://atlas.media.mit.edu/profile/country/zaf/

[4] Ver Investing.com:

http://www.investing.com/commodities/gold-streaming-chart

[5] Ver XE Currency:

http://www.xe.com/currencycharts/?from=USD&to=ZAR&view=10Y

[6] Ver News24:

http://www.news24.com/SouthAfrica/Politics/Malema-uncontested-as-EFF-leader-20141214

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia fecha Acordo de Cooperação para construção de usinas nucleares na África do Sul

A empresa estatal russa de energia nuclear Rosatom formalizou um histórico Acordo de Cooperação com o Governo da África do Sul para a construção de uma rede de usinas nucleares no país focadas na geração de energia. O acerto foi formalizado por Sergei Kirienko, Diretor-Geral da Rosatom, e por Tina Joermat-Peterson, Ministra de Energia sul-africana.


De acordo com Kirienko, “o acordo lança os alicerces para o desenvolvimento de um programa de geração de energia nuclear de grande escala na África do Sul com a construção, até 2030, de uma rede de oito usinas nucleares equipadas com reatores russos VVER, gerando o total de 9,6 GW[1].

A Rússia e a África do Sul também aprovaram um Acordo de Cooperação Bilateral com objetivo de promover a pesquisa e o desenvolvimento em outros setores da indústria nuclear e programaram a construção de um reator de pesquisa de múltiplos usos com tecnologia russa, para o desenvolvimento e modernização da infraestrutura nuclear sul-africana.

De acordo com o Plano Integrado de Recursos (IRP, na sigla em inglês) da África do Sul para 2010-2030[2], para garantir a segurança energética de todos os sul-africanos, o país precisa utilizar diversas fontes de energia, incluindo a nuclear. Dessa forma, continuará comprometido a adicionar novas plantas nucleares de geração à sua matriz energética.

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Imagem (Fonte):

 Wikipedia

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.monitormercantil.com.br/index.php?pagina=Noticias&Noticia=161715&Categoria=INTERNACIONAL

[2] Ver:

http://www.atividadesnucleares.com.br/materia.asp?id=1501

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Manifestantes no Quênia clamam à empresa chinesa por mais empregos

O crescente investimento chinês nos países africanos levanta um debate em torno dos reais benefícios transmitidos aos cidadãos africanos. Se por um lado especialistas advogam a favor da presença chinesa, alegando que ela gera um aumento da produtividade e da renda do trabalhador africano[1], outros acreditam que, na maioria das vezes, empresários chineses privilegiam o emprego de compatriotas ao invés da população local[1].

Há um expressivo contingente populacional chinês presente na África: um quarto dos chineses que trabalham fora de seu país está na África[1]; além disso, ano passado, mais de 210 mil chineses desembarcaram na África, montante 18% maior que o de 2012[1]. Animados pelas crescentes oportunidades advindas da significativa expansão econômica dos últimos anos, chineses direcionam-se ao continente para, principalmente, supervisar obras e orientar a mão de obra local[2].

Segundo alguns especialistas, esta presença da mão de obra chinesa é essencial para que a produção seja levada a cabo, uma vez que eles possuem o know-how necessário para a execução das atividades. Além disso, pesquisadores alegam também que o trabalhador chinês é mais produtivo que o trabalhador africano[1][2].

Contudo, há casos em que a mão de obra chinesa é empregada em situações onde africanos seriam totalmente aptos para a execução das atividades[3]. Em Angola e Zimbábue, por exemplo, há casos onde trabalhadores chineses ocuparam posições, como a de motoristas de caminhão, que seriam, a princípio, delegadas aos cidadãos locais[4].

Claramente descontentes com estes casos, reivindicações comumente ocorrem ao redor do continente africano. Na sexta-feira passada (dia 3 de outubro), na cidade de Voi, no Quênia, um grupo de manifestantes fechou a rodovia que liga o porto de Mombassa a outras cidades do interior, como Nairóbi[4]. O porto de Mombassa é um dos principais portos na África Oriental e por ali ocorre o escoamento dos principais produtos de exportação do Quênia, como chá e frutas.

Segundo autoridades locais, os manifestantes demandavam maior número de empregos a uma empresa chinesa – a “China Road and Bridge Construction Company” – que opera a construção de uma ferrovia local[4]. A princípio, convencionou-se que cerca de 30 mil quenianos seriam empregados, sendo que apenas algumas centenas de chineses seriam contratados para a supervisão das obras. Contudo, autoridades locais alegam que esta empresa não entregou o número de empregos prometidos à população local, tendo concedido significativa parte deles à trabalhadores chineses[4].

Este protesto em Voi ilustra que há a probabilidade de que a crescente internacionalização das economias africanas e o aumento do investimento estrangeiro direto traga, de forma parcial, o desenvolvimento esperado. Para os índices de produtividade e de renda realmente melhorarem, torna-se necessária a adoção de estratégias inclusivas, que garantam a participação dos trabalhadores africanos nos grandes projetos industriais e de infraestrutura.

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Imagem (FonteJamii Forums):

www.jamiiforums.com

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Fontes Consultadas:

[1] VerThe Wall Street Journal”:

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702304788404579519631654112594

[2] VerCS Monitor”:

http://www.csmonitor.com/World/Africa/2013/0904/As-Africa-welcomes-more-Chinese-migrants-a-new-wariness-sets-in

[3] VerChina in Africa”:

http://www.chinaafricarealstory.com/p/chinese-workers-in-africa-anecdotes.html

[4] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/10/03/us-kenya-protests-road-idUSKCN0HS0YH20141003

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Países da África Ocidental receberão investimentos de empresas do Golfo Pérsico

A parceria comercial entre os países africanos e outras nações emergentes segue crescendo. Recentemente, empresas privadas do Golfo Pérsico firmaram um Acordo que prevê um desembolso de 19 bilhões de dólares em investimentos de infraestrutura nas nações pertencentes ao grupo UEMOA (West African Economic & Monetary Union)[1]. Este grupo é constituído por países que possuem a mesma moeda de circulação, o CFA Franco Ocidental. São eles: Benin, Burkina-Faso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Niger, Senegal e Togo[2].

O anúncio do Acordo ocorreu durante o West Africa Investment Forum, sediado em Dubai, no dia 9 de setembro deste ano. O evento contou com a participação de inúmeras autoridades políticas africanas e árabes, além de empresários interessados em investir em projetos relacionados à construção civil, telefonia, energia elétrica e água e esgoto na região ocidental da África[1]. A Conferência foi marcada também pelo anúncio de um investimento de 16 bilhões de dólares em projetos relacionados à construção civil da companhia Trojan General Contracting LLC, cujo presidente é o Sheik Tahnoun bin Mohammed Al Nahyan[1].

Os oito países membros do grupo UEMOA ilustram a atual conjuntura econômica da África Subsaariana: em 2013, este grupo teve um crescimento médio do Produto Interno Bruto de 5,37%; entretanto, tais nações ainda necessitam superar alguns entraves relacionados à infraestrutura, como o fato de que, em média, somente 20,8% das rodovias são pavimentadas[3].

A crescente preocupação em torno deste tema faz emergir inúmeras Conferências que visam reunir tanto membros do setor privado como autoridades públicas para a elaboração de projetos que melhorem o cenário como um todo. Em junho, o Governo do Senegal realizou um evento especializado no assunto, juntamente com outros órgãos como o Banco Mundial – como foi relatado pelo CEIRI Newspaper[4].

O “gap” de infraestrutura nestas nações tende a atrair inúmeras companhias estrangeiras que visam usufruir dos altos rendimentos que tais obras podem trazer. Além da já conhecida presença chinesa na região, a conferência ocorrida no início do mês passado exemplifica o crescente interesse que os demais países possuem no continente africano.

As nações árabes, por exemplo, importantes produtoras de petróleo, tendem nos próximos anos diversificar suas atividades produtivas, realizando investimentos em outros setores. Sendo assim, a África desponta como um dos continentes mais atrativos para o aporte de capital árabe, dado a sua conjuntura econômica atual. Contudo, atrair o investimento externo passará pela criação de um ambiente político favorável à iniciativa privada, algo que pode ser notado a partir da gradativa democratização das principais nações africanas e da presença de autoridades políticas em eventos internacionais.

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Imagem (FonteUEMOA):

http://www.investinuemoa.com/

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Fontes Consultadas:

[1] VerThe Wall Street Journal”:

http://online.wsj.com/articles/gulf-companies-commit-19-billion-to-west-africa-infrastructure-projects-1410285016?tesla=y&mg=reno64-wsj&url=http://online.wsj.com/article/SB10001424052970203523604580144023986642174.html

[2] VerWest Africa Investment Forum”:

http://www.investinuemoa.com/

[3] VerBanco MundialEstatísticas”:

http://data.worldbank.org/

[4] VerCEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/autoridades-africanas-se-reunem-em-dakar-em-prol-da-infraestrutura/

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Implicações do Novo Banco de Desenvolvimento para a África

A concorrência perfeita é vista por economistas como a situação ideal. Nela, os preços justos e a possibilidade de escolha empoderam o consumidor, ampliando as liberdades individuais. Esta lógica também é defendida no âmbito de Tratados Internacionais e, por isso, claramente, a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) no 6° Encontro dos BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) traz esperanças a economistas e autoridades políticas como sendo uma instituição alternativa aos tradicionais órgãos financeiros internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI)[1][2].

Sediado em Fortaleza, na semana passada, o encontro contou com os principais membros do governo das cinco nações participantes. Acordou-se a criação de um Fundo de Reservas (Arranjo de Contingente de Reservas), com um capital inicial de 100 bilhões de dólares. Brasil, Índia e Rússia colaborarão com 18% cada, ao passo que China e África do Sul terão participação de 41% e 5%, respectivamente, no capital total[1][2].

Um dos objetivos desta nova instituição financeira é servir como fonte alternativa no caso de possível escassez de divisas nas nações emergentes[3], a exemplo do que ocorreu com algumas nações asiáticas ao final da década de 90[4] e com o Malawi recentemente[5], quando a evasão repentina de dólares nesses países trouxe impactos negativos à conjuntura econômica. O contingente de 100 bilhões de dólares será destinado aos países membros que sofrerem com problemas como estes.

Esta questão torna-se relevante no cenário atual, dado que o arrefecimento da crise econômica nos Estados Unidos (EUA) incentiva o Federal Reserve (o Banco Central americano) a aumentar a taxa de juros[6][7]. O grau de investimento americano causará, provavelmente, a evasão de divisas das nações emergentes para os EUA. Contudo, a maior esperança desses países para a criação da nova instituição é o surgimento de uma alternativa de suporte aos países em crise.  

Além deste instrumento, também foi dada iniciativa para a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), com aporte de 50 bilhões de dólares, para o financiamento de projetos relacionados à infraestrutura[1][2][3]. No que diz respeito às nações africanas, espera-se que o NBD traga a liberdade desejada pelas nações africanas rumo à criação de uma política econômica própria, sem haver a necessidade de subjugá-las às imposições correntes do Banco Mundial e do FMI[3].

A esperança que as nações africanas depositam no NBD para o financiamento de futuros projetos com impacto positivo na economia é ilustrada pela frase proferida durante o encontro por Jacob Zuma, Presidente da África do Sul: “Nós começamos a viagem de forjar relações de cooperação estratégica, embarcando em um conjunto de projetos concretos com os produtos que irão impactar positivamente o nosso crescimento e desenvolvimento[8].

O NBD se junta a uma série de instituições já existentes, cujo objetivo principal também é financiar projetos de infraestrutura na África. Entre elas estão aAfrican Development Bank Group[9];o“The New Partnership for Africa’s Development”(NEPAD)[10]instituição controlada pela União Africana; a The Infrastructure Consortium for Africa”(ICA)[11] e o “The Development Bank of Southern Africa” (DBSA)[12].

Segundo dados do Banco Mundial, estima-se que há um déficit de aproximadamente 1 trilhão de dólares em projetos de infraestrutura nos países em desenvolvimento[13]. Dessa forma, a pluralidade de Bancos de Desenvolvimento na África não restringe o campo de atuação do NBD, uma vez que o “gap” de investimentos é expressivo.

Entretanto, no que tange às consequências da criação deste Banco para o continente africano, alguns fatores devem ser considerados a fim de que os futuros financiamentos realmente tragam o desenvolvimento esperado.

O primeiro fator a ser considerado é o direcionamento dos empréstimos de infraestrutura. Apesar da grande necessidade de receber recursos desta natureza, questiona-se a capacidade do continente africano, através de seu representante imediato no Bloco – a África do Sul – reivindicar o seu espaço na futura carteira de financiamentos do NBD. Tendo em vista a expressiva participação das nações do Sudeste Asiático e, em menor proporção, da América do Sul no comércio internacional[14], levanta-se a questão de identificar quais fatores garantem a concessão de financiamentos à África.

A China, como principal parceiro comercial do continente africano e país sede do escritório geral do Banco[1], desempenhará papel importante na reivindicação de crédito à África, pelo menos no que diz respeito a projetos de infraestrutura. O crescente relacionamento comercial entre o continente africano e a China desperta iminente demanda por parte do Governo chinês em promover projetos de infraestrutura na África, com a finalidade cardinal de reduzir os custos das matérias-primas importadas deste continente.

Contudo, questiona-se a real efetividade de tais projetos de infraestrutura. Obviamente, a construção de novas rodovias, a maior geração de energia elétrica e a disponibilidade de água potável são obras cruciais para lograr os objetivos sociais pré-determinados. Porém, a distribuição ampla destes benefícios passa não somente pela construção de obras estruturais, mas sim pela reestruturação do cenário político nos países subsaarianos.

A presença de dois países cujos regimes políticos são questionados, apesar de também haver grupos que identificam estarem esses países em processo de construção de suas democracias Rússia e China – diminui a esperança de que a questão política na África Subsaariana será abordada.

Na verdade, a permanência de tradicionais grupos no poder, como é o caso de Angola, Camarões e Uganda, por exemplo, facilita a imposição de contratos, prazos e leis, de maneira autoritária, que permitam a construção e entrega de obras em curto período de tempo. Esta característica nos leva a segunda e última questão sobre a efetividade do NBD em promover um caminho diferente, rumo ao desenvolvimento econômico e social, que é saber como demandar a reforma do sistema político nas nações africanas, a fim de reduzir a desigualdade e instituir uma democracia ampla.

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Imagem (Fonte Washington Post):

http://www.washingtonpost.com/blogs/monkey-cage/wp/2014/07/17/what-the-new-bank-of-brics-is-all-about/

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Fontes consultadas:

[1] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/jul/17/brics-development-bank-africa-world-bank-tyranny

[2] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2014/07/16/world/emerging-nations-bloc-to-open-development-bank.html?_r=0

[3] VerWashington Post”:

http://www.washingtonpost.com/blogs/monkey-cage/wp/2014/07/17/what-the-new-bank-of-brics-is-all-about/

[4] Ver:

KRUGMAN, P; Crises Monetárias. Ed. Makron Books, 2001.

[5] VerCEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/politica-de-crescimento-economico-malawi-e-esperanca-para-poucos-e-desastre-para-muitos/

[6] VerEstado de S. Paulo”:

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,aumento-de-juros-esta-em-discussao-nos-eua-revela-ata-do-fed,178159e

[7] VerExame”:

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/fed-deve-iniciar-aumento-de-juros-no-2o-tri-de-2015-diz-s-p

[8] VerNews24”:

http://www.fin24.com/Economy/Zuma-Brics-bank-at-start-of-journey-20140716

[9] VerAfrican Development Bank Group”:

http://infrastructureafrica.org/

[10] VerNEPAD”:

http://www.nepad.org/about

[11] VerICA”:

http://www.icafrica.org/en/

[12] VerDBSA”:

http://www.dbsa.org/EN/Pages/default.aspx

[13] VerBanco Mundial”:

http://web.worldbank.org/WBSITE/EXTERNAL/TOPICS/EXTINFRA/0,,contentMDK:23136173~menuPK:8497173~pagePK:64168445~piPK:64168309~theSitePK:8430730,00.html

[14] VerBanco Mundial – Estatísticas”:

http://data.worldbank.org/

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Entre a biotecnologia e as técnicas tradicionais: insegurança alimentar no Quênia

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) lançou 2014 como o ano da agricultura familiar, fato que traz à tona não apenas o papel dos empregos gerados nesse setor da economia, mas, também, a produtividade do setor na geração de alimentos para a população[1]. Um exemplo disso é representado pelo Brasil, visto que o país não consegue fornecer coesão estratégica no tocante à agricultura, tanto no nível doméstico, quanto no nível internacional – principalmente na cooperação internacional para o desenvolvimento.

No plano doméstico, o Brasil possui dois Ministérios responsáveis pelo assunto, mas que possuem estratégias quase antagônicas. De um lado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) coordena principalmente a monocultura e o agrobusiness, com foco para a soja, fruto dos investimentos da EMBRAPA nas décadas de 1980 e 1990. Nesse caso, a biotecnologia contribuiu para a alta produtividade. Ao mesmo tempo, essa atividade econômica emprega pouca mão de obra e produz acumulação de capital[2]. Por outro lado, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) assume as responsabilidades condizentes com a reforma agrária, o desenvolvimento sustentável do segmento rural e as burocracias voltadas para as terras das comunidades dos quilombos[3].

Assim como no plano doméstico, essa dualidade estratégica reflete na Carta Aberta dos moçambicanos sobre o projeto ProSavana[4], fruto da cooperação trilateral entre o Brasil, Moçambique e Japão. Na Carta, a sociedade civil moçambicana rejeita o foco excessivo da cooperação sobre o aumento da produtividade e da implementação de monoculturas, enquanto que marginaliza o papel da agricultura familiar na geração de emprego e renda.

Agora, esse debate também está sendo encarado pelo governo queniano. De acordo com o deputy presidentWilliam Ruto, o desafio consiste em desmistificar o conhecimento tecnológico e científico para os fazendeiros, de forma que eles possam aplicá-los[5]. A sociedade civil resiste ao afirmar que os alimentos geneticamente modificados não foram ainda certificados para consumo humano, fato este que só legitimaria, por exemplo, o plantio do algodão.

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ImagemFamilies for survival” (Fonte):

http://www.familiesforsurvival.org/wp/wp-content/uploads/2011/11/food_scarcity_kenya_2.jpg

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Fontes consultadas:

[1] VerONU Brasil”:

http://www.onu.org.br/fao-lanca-ano-internacional-da-agricultura-familiar-2014/

[2] VerMinistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”:

http://www.agricultura.gov.br/ministerio

[3] VerMinistério do Desenvolvimento Agrário”:

http://www.mda.gov.br/sitemda/compet%C3%AAncias

[4] VerJustiça Ambiental de Moçambique et al”:

http://farmlandgrab.org/uploads/attachment/Carta%20Aberta%20das%20organizac%CC%A7o%CC%83es%20e%20movimentos%20sociais%20para%20Detere%20Reflectir%20de%20Forma%20Urgente%20o%20Programa%20ProSavana-corrected.pdf

[5] VerDaily Nation”:

http://www.nation.co.ke/business/Kenya-urged-to-embrace-biotechnology/-/996/2390242/-/v4apv0/-/index.html