AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

BNDES e a internacionalização como estratégia às relações internacionais

Desde o surgimento do capitalismo, o processo de expansão das atividades econômicas e financeiras é tema de discussão em diversas áreas do conhecimento, gerando divisões que permeiam todas as esferas da vida moderna. Os ciclos contínuos inerentes à expansão capitalista moldam sucessivamente a balança de poder entre as nações, gerando novos atores e novos processos. A internacionalização de empresas é um dos processos derivados da expansão do capital e do próprio capitalismo e tem se transformado em uma importante ferramenta na estratégia econômica e política de diversas nações, assim como no berço de novos atores do cenário mundial.

Atualmente, no Brasil, existem críticas em relação à participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES)[1] no processo de internacionalização das principais empresas do país, assim como uma série de incertezas sobre o processo, a sua legitimidade e licitude. Certo é que o Brasil está longe de ser o único país do mundo que financia com recursos públicos a internacionalização de empresas, sendo está uma prática realizada por diversas nações e instituições internacionais, entre elas a União Europeia[2], seus integrantes e, mais recentemente, a China[3].

Entender os motivos que levam um Estado a intervir no processo de internacionalização de empresas é fundamental para compreender a utilidade estratégica do processo e dominar sua utilização para a consecução dos objetivos do país em âmbito internacional.

No caso do Brasil, é importante entender o período histórico e político no qual se desenvolve a internacionalização. Ela, começou após a abertura de mercados e o surgimento do Mercosul nos anos 90, que ofereceu às empresas brasileiras a possibilidade de ampliar suas atividades em países vizinhos, conquistar novos mercados e obter maior competitividade em âmbito regional.

Embora esse processo tenha sido estimulado pela ação do Governo, devido ao panorama econômico da época, a falta de liquidez existente no Brasil, as altas taxas de financiamento, a instabilidade e a pouca disponibilidade de crédito internacional, além dos problemas inflacionários e cambiais, minavam qualquer possibilidade de expansão do tecido empresarial brasileiro.

Após o Plano Real e a estabilização e consolidação da economia, o Brasil ficou preparado para finalmente ampliar suas atividades econômicas, diversificar seus parceiros e aumentar sua influência, reduzindo assim sua dependência dos grandes players internacionais. Este movimento foi amplamente defendido na gestão do presidente Lula e em seu modelo de negociações sul-sul.

O BNDES passou a financiar a internacionalização dessas empresas e se transformou no principal agente do processo, oferecendo uma série de benefícios:

Taxas de juros competitivas e a possibilidade de obtenção de crédito mediante o histórico bancário das empresas no Brasil.

Financiamento realizado em reais, o que reduz o impacto cambial e oferece menor risco de inadimplência.

– Atuar dentro do marco jurídico brasileiro.

Por outro lado, o Governo brasileiro utilizou o Banco para fomentar acordos em áreas consideradas estratégicas e em ferramenta diplomática, alinhando as atividades das empresas aos interesses do país o que explica o aumento das atividades econômicas entre o Brasil e países como Angola, Colômbia, Panamá, Argentina, Bolívia, Equador, Peru e até mesmo Cuba[1].

Como país que busca a projeção internacional mediante a liderança do continente, é compreensível à atuação do Governo, além do mais, o crescimento da própria economia brasileira depende da expansão do seu capital. Especialistas apontam que a internacionalização das principais empresas se justifica pela própria competitividade internacional e pela atuação de outros países emergentes nesse processo, como ocorre na China.

A expansão do capital é a essência do capitalismo e a internacionalização das empresas é parte fundamental deste processo. Observadores destacam ainda que, no caso do Brasil, a necessidade das empresas foi alinhada a estratégia geopolítica do Governo e, mesmo havendo dúvidas sobre o fato de uma investigação do BNDES abrir a Caixa de Pandora, é preciso compreender o cenário brasileiro e seu tecido empresarial. Compreender a dificuldade da iniciativa privada em obter financiamento internacional para internacionalizar suas atividades de forma autônoma; os ricos cambiais inerentes desse tipo de transação; a composição jurídica e tributária brasileira; a competitividade de outros países emergente e de outras nações; as limitações do mercado brasileiro e as oportunidades existentes na diversificação de parceiros; compreender que o Brasil pretende ampliar sua influência na região e que, muitas vezes, os países implicados não possuem os recursos necessários, porém um enorme potencial produtivo ou de consumo.

Por outro lado, o temor que provoca as investigações se justifica pela dificuldade de definir em que âmbito jurídico o Banco atua, bem como elucidar o funcionamento do processo, sendo talvez necessária uma maior normatização, principalmente pelo fato de que os projetos do BNDES são de longo prazo e seus resultados, diferentes aos de outros Bancos, não são somente contábeis, mas também geopolíticos, pelo que uma prestação de contas seria incapaz de demonstrar seu real impacto e a sua necessidade para os interesses da nação.

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Imagem (Fonte):

http://www.bndes.gov.br/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.bndes.gov.br/

[2] Ver:

http://ec.europa.eu/enterprise/policies/sme/files/support_measures/internationalisation/internat_best_es.pdf

[3] Ver:

http://www.cdb.com.cn/English/Index.asp

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Colômbia poderá ser plataforma de exportação brasileira de produtos e serviços tecnológicos

O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Armando Monteiro, no dia 22 de julho, em Bogotá, na Colômbia, afirmou durante cerimônia de abertura do encontro Brasil Tecnológico 2015, estar “trabalhando fortemente para abrir mercados e inserir o Brasil nos principais fluxos de comércio do mundo[1]. Declarou ainda que “os países da Bacia do Pacífico da América do Sul merecem atenção especial no Plano Nacional de Exportações”[1].

Em entrevista ao jornal La República[2], Monteiro ressaltou que a Colômbia é um mercado prioritário para o país e pode servir como uma plataforma para as exportações brasileiras de produtos e serviços tecnológicos na América Latina.

Entre 2005 e 2014, a corrente de comércio bilateral elevou-se em 165%, atingindo no ano passado US$ 4,1 bilhões, sendo que, desse valor, 73% são de bens manufaturados[3]. Essas estatísticas corroboram uma perspectiva de fortalecimento da relação comercial entre Brasil e Colômbia.

De acordo com informações do jornal Sputnik News[4], Monteiro também afirmou que o recém-criado Banco de Desenvolvimento do BRICS poderá investir em projetos de infraestrutura em outros países, sugerindo que a Colômbia poderá se beneficiar em breve com empréstimos da nova instituição financeira, especialmente por conta de seus laços com o Brasil.

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Imagem (Fonte Nações Unidas):

http://roteirouberlandia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/brasil-x-colombia-uberlandia-600×330.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://pt.slideshare.net/mdicgovbr/22072015-discurso-brasil-tecnolgico

[2] Ver:

http://www.larepublica.co/colombia-ser%C3%A1-el-hub-latinoamericano-de-las-exportaciones-de-tecnolog%C3%ADa-brasile%C3%B1a_279956

[3] Ver:

http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=1&noticia=13928

[4] Ver:

http://br.sputniknews.com/brasil/20150723/1656767.html

América do NorteAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Secretário de Inovação do MDIC do Brasil participou de Congresso Mundial no Canadá, falando sobre biocombustíveis

Na segunda-feira, dia 20 de julho[1], o Secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marcos Vinícius de Souza, participou em Toronto, no Canadá, do Congresso Mundial de Biotecnologia Industrial (BIO),…

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ÁFRICAAMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Banco do BRICS como ferramenta político-estratégica

Na quinta-feira passada, 9 de julho, o Banco do BRICS declarou que, estando em operação, a concessão de financiamento para projetos será realizada de forma transparente e simples, algo que, de acordo com o ministro das finanças russo Anton Siluanov, haverá possibilidade de financiamento para projetos de infraestrutura já para o ano de 2016.

O Banco do BRICS possui uma reserva de capital inicial de 100 bilhões de dólares, será utilizado por empresas dos países membros, possibilitando-as utilizarem do recurso internacional para projeção transnacional ou expansão interna, com vantagens distintas das oferecidas por Bancos convencionais.

De acordo com especialistas, o Banco do BRICS pode ser observado como uma câmara de fomento de negócios, que se concentrará na projeção e incentivo de expansão dos negócios dentro dos países membros e também entre estes, garantindo, assim, a oportunidade necessária para tais países permanecerem com competitividade corporativa no cenário global.

Outros analistas entendem, a partir da ótica de Relações Internacionais, que o Banco do BRICS coloca de lado a perspectiva de que o crédito internacional proporcionado por outros Bancos regionais ou internacionais poderiam dar chance às instituições empresariais dos BRICS para se projetarem com força em mercados internacionais, preservando os seus interesses. Em síntese, ele as substituiria garantindo que realmente isso se processe.

O crédito pode ser concedido sob condições que irão dar vantagem estratégica a quem interessar. Dessa forma, é preciso entender o Banco do BRICS como uma ferramenta político-estratégica para os países membros.

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Imagem (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/BRICS#/media/File:BRICS_heads_of_state_and_government_hold_hands_ahead_of_the_2014_G-20_summit_in_Brisbane,_Australia_(Agencia_Brasil).jpg

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Fonte Consultada:

VerBRICS bank to consider new infrastructure projects by 2016 finance minister” (Publicado em 9 de julho de 2015):

http://rt.com/business/272701-brics-bank-projects-pool/

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Petrobrás recebe o financiamento do Banco de Desenvolvimento da China

No dia 12 de junho, a Petrobras informou[1] que recebeu os recursos do financiamento assinado em 20 de maio de 2015 com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), no valor de US$ 1,5 bilhão.

Analistas indicam que os recursos podem trazer algum alívio para a empresa, que agora tem mais dificuldades de captar recursos por conta da crise decorrente do escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

Em fevereiro, a agência de classificação de risco Moodys[2] rebaixou todas as notas de crédito da companhia, que perdeu o grau de investimento, ou seja, com isso, as aplicações consideradas seguras para os investidores perderam credibilidade. Com o rebaixamento na classificação, ficou mais difícil para a empresa captar recursos no mercado.

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Imagem (Fonte):

http://static.wixstatic.com/media/1426b3_23cf344bc828463bbd4b711d55502329.jpg  

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/comunicados-e-fatos-relevantes/recebimento-de-us-15-bilhao-do-banco-de-desenvolvimento-da-china

[2] Ver:

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/02/moodys-rebaixa-todos-notas-de-credito-da-petrobras.html

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

EMBRATUR e MRE firmam parceria para promoção internacional do Brasil

A Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR) e o Ministério de Relações Exteriores do Brasil (MRE) firmaram parceria para potencializar ações de promoção internacional do Brasil. Nesta parceria, mais de 100 Setores Comerciais de Embaixadas e Consulados brasileiros, que cuidam de promoção turística em 83 países, receberam vídeos e materiais promocionais do Brasil para serem utilizados em capacitações realizadas pelo Itamaraty[1].

Além da parceria em ações pontuais, a Embratur e o Itamaraty atuam de forma conjunta em 10 países, desde 2001, por meio dos Comitês Descubra Brasil, frutos de um termo de cooperação técnica entre os dois órgãos[1].

Em conjunto com a Embratur, os Setores de Promoção Comercial (SECOMS) das representações diplomáticas e consulares do Brasil no exterior coordenam as atividades dos comitês compostos por operadores, companhias áreas, empresas hoteleiras e seguradoras de viagens de cada um dos países. Esses comitês são um importante instrumento de promoção do Brasil em toda a América Latina, por exemplo[1].

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Imagem (Fonte):

http://inacio.com.br/wp-content/uploads/2013/11/Embratur-logo.jpg

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Fonte Consultada:

[1] Ver:

http://www.embratur.gov.br/piembratur-new/opencms/salaImprensa/noticias/arquivos/Embratur_e_MRE_juntos_pela_promocao_do_Brasil_.html

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Brasil e México firmam acordo de facilitação de investimentos

Ontem, terça-feira, dia 26 de maio, os Ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, e das Relações Exteriores (MRE), Mauro Vieira, assinaram o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) com o Secretário de Economia do México, Ildefonso Villarreal, com objetivo de alavancar os investimentos recíprocos[1].

De acordo com a nota oficial do MDIC, o novo modelo de acordo de investimento foi elaborado em parceria com o MRE e com o setor privado, especialmente com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Entre os principais elementos do acordo de investimentos estão as “cláusulas de responsabilidade social e de compromissos com comunidades locais,  a nomeação de um Ombudsman, que terá a função de responder a dúvidas, queixas e expectativas dos investidores, a criação de um Comitê Conjunto, com representantes governamentais dos dois países, para monitorar a implementação do acordo, o compartilhamento de oportunidades de investimentos, além da definição de agendas de cooperação e facilitação de investimentos[1].

O comércio entre Brasil e México, em 2014, somou pouco mais de US$ 9 bilhões, volume que representou exportações brasileiras de US$ 3,7 bilhões e importações de produtos mexicanos de US$ 5,3 bilhões. As trocas foram superavitárias para o país norte-americano em US$ 1,7 bilhão[1].

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Imagem (Fonte):

http://www.rochatop.com.br/wp-content/uploads/2015/05/brasil_e_mexico_fecham_novo_acordo_automotivo.jpg

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Fonte Consultada:

[1] Ver:

http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=1&noticia=13802