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Medellín sedia Primeira Cúpula da Economia Laranja

A cidade de Medellín, capital do Departamento de Antioquia, na Colômbia, foi o palco da Primeira Cúpula da Economia Laranja, entre os dias 9 e 10 de setembro de 2019. Considerando que a Economia Laranja – ou Economia Criativa – além do componente cultural tem alto valor comercial, os esforços do governo colombiano visam transformá-la em um dos eixos econômicos de crescimento, contribuindo, inclusive, para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Durante os dois dias do evento foram realizados painéis e conferências para ampliar a consciência do que representa a economia laranja como vantagem competitiva para empresas, instituições e empresários, facilitando a transição para um modelo econômico. Os temas abordados foram: Economia Laranja; Propriedade Intelectual; Educação para fomentar o talento e a criatividade; Cinema, Televisão e Animação; Cultura e Arte como geradores de riqueza; Desenho e Economia Digital; Inteligência Artificial e Redes Sociais; Políticas Públicas para a Criatividade e Inovação.

Cidade de Medellín

Um dos objetivos da Cúpula é formar uma rede de influenciadores e disseminadores denominados Embaixadores da Economia Laranja. Para tanto, o Governo Nacional da Colômbia, juntamente com a Prefeitura de Medellín e a Fundação Advanced Leadership abriram vagas para a capacitação de 300 líderes do ecossistema criativo do país. Depois de treinados, os Embaixadores estarão incumbidos de realizar 10 conferências ou diálogos em suas regiões, para atingir, em até 12 meses, o total de 3.000 eventos com cerca de 120 mil participantes.

Em abril de 2019, foi inaugurado em Medellín o primeiro centro da indústria 4.0 da América Latina. Agora, por ocasião da realização da Cúpula que reuniu mais de 55 experts de 17 países, Federico Gutiérrez, Prefeito de Medellín, lembrou que a cidade, que há 20 anos era lembrada pela violência, tornara-se uma referência de arte e de cultura.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da Economia Laranja em Medellín” (Fonte): https://pbs.twimg.com/media/EFLWcBPXoAAgGHw?format=jpg&name=small

Imagem 2 Cidade de Medellín” (Fonte): https://www.medellin.gov.co/irj/go/km/docs/galerias/Imagenes/Galer%C3%ADa%20d%C3%ADa%20a%20d%C3%ADa%202019/20190103_MEDELLLINOTRA2.jpg

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Corte equatoriana rejeita pedidos de consulta popular para mineração

A Corte Constitucional (CC) do Equador negou, em 17 de setembro de 2019, dois pedidos distintos de consulta popular sobre a atividade de mineração. Um pedido havia sido encaminhado por Yaku Perez, Prefeito Provincial de Azuay, e o outro por Elías Bermeo, Prefeito do Cantão Camilo Ponce Enriquez, na mesma Província.

No primeiro caso (Yaku Pérez) a consulta indagava se a população estava de acordo com a proibição da mineração na sua localidade, enquanto que no segundo (Bermeo) perguntava se o cidadão estava de acordo com a exploração mineira. Para ambos os casos, a CC, como a Corte é identificada pela mídia equatoriana, argumentou que as perguntas não tinham clarezas necessárias para garantir a liberdade do eleito.

Yaku Pérez, Prefeito da Província de Azuay

A primeira negativa causou mais repercussões e, segundo o periódico El Telégrafo, o Sr. Carlos Sucuzhañay, Presidente da Confederação Quéchua do Equador (Ecuarunari), havia protestado antes da decisão e afirmado que as companhias de mineração não adentrariam nos territórios do seu povo. Para a Telesur TV, a solicitação de Yaku Pérez é fruto da rejeição popular à entrada das multinacionais canadenses e americanas que lideram os projetos locais. Ainda segundo a Telesur, a decisão da CC foi celebrada pelo Vice-Ministro de Minas, Fernando Benalcázar.

Ainda na noite da 17 de setembro, a CC informou que irá analisar as consultas populares caso a caso. Não obstante, Yaku Pérez, que havia liderado uma vigília em frente da sede da Corte desde a manhã, já avisou que irá apelar para uma Consulta Popular em nível nacional, uma Emenda Constitucional ou à realização de uma Assembleia Nacional Constituinte.

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Imagem 1 Corte Constitucional do Equador” (Fonte): https://www.corteconstitucional.gob.ec/media/k2/items/cache/thumbs/5fd45095a868b007b05013834dba7a95_XL_940x393.jpg

Imagem 2 Yaku Pérez, Prefeito da Província de Azuay” (Fonte): http://www.azuay.gob.ec/prv/wp-content/uploads/2019/09/erere-768×367.jpg

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Colômbia vai a Peru e Chile em busca de investidores

A Agência ProColombia visitou o Peru e o Chile, de 2 a 6 de setembro de 2019, com objetivo de atrair investimentos. O giro pelas cidades de Lima e Santiago, que foi comandado por esta agência de promoção de exportações, turismo, investimentos estrangeiros e gestão de marca país, incluiu outras instituições colombianas.

Acompanhando a ProColombia estiveram quatro agências regionais de investimentos (Armenia, Barranquilla, Manizales e Pereira) e quatro Zonas Francas, a saber: Barranquilla, Bogotá, La Cayena e Pacífico. A estratégia visa destacar o potencial de cada região e atrair investidores que contribuam para a inserção de empresas locais nas cadeias de valor global.

O Chile, país que mais investe na América Latina, realizou semelhante viagem de atração de investimentos, tendo como destino exatamente o Peru e a Colômbia, além do Brasil. A InvestChile programou uma sequência de eventos denominado “Roadshow Latam, que visitou Lima e Bogotá em junho de 2019 e, em agosto, também deste ano, esteve nas capitais brasileiras Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. 

Logo da ProColombia

Algumas das vantagens destacadas foram a localização privilegiada de Barranquilla, que facilita alcançar o resto do país, bem como a América Central e o Caribe. Manizales oferece apoio institucional, mão-de-obra qualificada e custo competitivo. Os pontos fortes de Armenia é a baixa carga tributária e facilidades de abrir empresas. Pereira apresenta uma boa estrutura logística como atrativo.

A Colômbia acaba de ser reconhecida como um dos cinco primeiros países das Américas com maior valor de marca país como destino de negócios. O Country Brand Ranking, elaborado pela Bloom Consulting, apresenta Estados Unidos, Brasil, Canadá e México à frente dos colombianos, que estão nos Top 25 no ranking mundial de 194 países. Essa posição de destaque, divulgada em 4 de setembro de 2019 pela ProColombia, pode funcionar como um elemento a mais na atração de investimentos peruanos e chilenos.

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Imagem 1 Apresentação da ProColombia para investidores” (Fonte): https://external.fudi1-1.fna.fbcdn.net/safe_image.php?d=AQDt8HIci2lQtsIY&w=540&h=282&url=http%3A%2F%2Fwww.procolombia.co%2Fnoticias%2Fsites%2Fdefault%2Ffiles%2Fapris_1900px_01_0.jpg&cfs=1&upscale=1&fallback=news_d_placeholder_publisher&_nc_hash=AQD8eq9vn5uagfsU

Imagem 2 Logo da ProColombia” (Fonte): http://www.procolombia.co/noticias/sites/all/themes/prensa/logo.png

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O Acordo EFTA-MERCOSUL e a posição da Noruega

Nas últimas semanas a União Europeia (UE) e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) chegaram a um consenso e decidiram pela realização de um Acordo de Livre Comércio. A notícia trouxe ânimo nos mercados de ambos os Blocos, e proporcionou a expectativa de crescimento nos Estados sul-americanos. Esse acordo é resultante de décadas de negociação e, apesar de ainda não ter sido ratificado pelos respectivos países, mostrou-se uma conquista. Cabe, agora, aguardar o desdobramento da questão ambiental brasileira a qual tem recebido críticas de vários Estados-membros da UE.

Em meio a discursos de declinação do acordo UE-MERCOSUL por parte de alguns países europeus, preocupados com as causas das queimadas que ocorrem na Amazônia brasileira, o MERCOSUL alcançou mais uma possibilidade de negócios, pois, foram concluídas as conversações entre a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, sigla em inglês para European Free Trade Association) e o MERCOSUL, os quais farão um acordo de livre comércio.

Bandeira do MERCOSUL

O Tratado de Livre Comércio (TLC) entre o EFTA-MERCOSUL teve concretização em Buenos Aires, Argentina, no encontro de ambas as delegações, entre os dias 20-23 de agosto deste ano (2019). O TLC possui o potencial de aumentar o fluxo comercial, permitindo a abertura e expansão de novos negócios entre os países-parte. Juntamente com o acordo da UE, o EFTA traz pela primeira vez na história a possibilidade de um continente realizar um TLC com um Bloco econômico da América do Sul.

O EFTA é formado pela Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, os quais não fazem parte da UE. A Noruega é um dos mercados de maior destaque do grupo, haja vista as suas exportações de frutos do mar, fertilizantes e maquinarias, as quais representaram a cifra de NOK 5,5 bilhões em 2018 (US$ 602,625,000.00, ou o equivalente a R$ 2.517.040.000,00, conforme a cotação do dia 4 de setembro de 2019), e a expectativa para os próximos 10 anos é que o fluxo entre Noruega-MERCOSUL possa ser da cifra de NOK 8,8 bilhões (US$ 964,200,000.00, ou o equivalente a R$ 4.027.260.000,00 também conforme a cotação do dia 4 de setembro de 2019).

O site do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega trouxe a declaração do Ministro norueguês do Comércio e Indústria, Torbjørn Røe Isaksen, sobre o tema, o qual afirmou: “Os acordos de livre comércio significam um aumento das exportações para empresas norueguesas e ajudam a garantir empregos em toda a Noruega. O acordo com o Mercosul também dispõe sobre comércio e desenvolvimento sustentável, como mudanças climáticas, proteção ambiental e direitos trabalhistas. Uma das principais preocupações da Noruega era o compromisso de combater a extração ilegal de madeira. Estou satisfeito com os resultados dessas negociações.

Os analistas entendem que o acordo EFTA-MERCOSUL poderá beneficiar ambos os países dos Blocos, sobretudo, nesse aspecto, para Argentina, Brasil e Noruega, os quais possuem as economias mais robustas de suas regiões. Diversos setores poderão desfrutar do TLC e da dinâmica econômica, todavia, ressalta-se como projeção a ampliação de conversas futuras entre os Blocos sobre as commodities*, às quais obtiveram dos noruegueses somente aumento de cota e pequenas reduções tarifárias.

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Nota:

* Commodities: geralmente são matérias-primas produzidas em escala e estocadas sem perda da qualidade. Exemplos: petróleo, café, soja, ouro, peixe.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo do EFTA” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/89/EFTA-logo_No_outline_With_Lines-01.png/1280px-EFTA-logo_No_outline_With_Lines-01.png

Imagem 2 Bandeira do MERCOSUL”(Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d2/Flag_of_Mercosur_%28Portuguese%29.svg/1280px-Flag_of_Mercosur_%28Portuguese%29.svg.png

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CEPAL divulga dados do Investimento Estrangeiro Direto na América Latina em 2018

Na última quarta-feira, 14 de agosto de 2019, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe lançou em Santiago (Chile) seu relatório anual sobre Investimento Estrangeiro Direto na região. No documento, há uma análise sobre a evolução das entradas desse tipo de investimento, bem como sobre a contribuição desses fluxos para os processos de desenvolvimento produtivo.

Diferentemente da perspectiva reducionista, após cinco anos, houve o registro positivo de entradas em 13,2% em 2018 em comparação com 2017, totalizando 184,3 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 747 bilhões de reais). Portanto, conclui-se que o cenário econômico mundial pautado pelas disputas entre Estados Unidos e China não afetou substancialmente os fluxos de capital no local.

Com base nas informações do estudo, o discurso da Secretária-Executiva – Alicia Bárcena (CEPAL), sinaliza que “ao analisar os diferentes componentes do IED, observa-se que a recuperação do dinamismo em 2018 não se baseou na entrada de aumentos de capital, que seria a fonte mais representativa do interesse renovado das empresas para se estabelecerem nos países da região, mas no crescimento do reinvestimento dos lucros e dos empréstimos entre empresas”.

Em linhas gerais, 16 países apresentaram aumento das entradas em comparação com 2017 e, em 15 países, ocorreu o oposto. A maior parte do crescimento em 2018 é explicada pela ingestão estrangeira de recursos na economia do Brasil (88,3 bilhões de dólares, em torno de 357 bilhões de reais, 48% do total regional) e do México (36,9 bilhões de dólares, aproximadamente, 149 bilhões de reais, 20% do total).

Relatório da CEPAL avalia oscilações do investimento estrangeiro direto na América Latina e Caribe – Foto: PEXELS

Sobre a situação apresentada na América Central, houve saldo positivo de 9,4% em relação a 2017 devido ao impulso do Panamá. No Caribe, as entradas diminuíram 11,4%, devido aos menores investimentos na República Dominicana (-29%), o principal receptor nessa sub-região.

Em se tratando dos setores que captaram estes recursos, 47% das entradas de IED direcionaram-se para a indústria manufatureira, 35% para serviços e 17% para recursos naturais. Assim, os principais investidores são oriundos da Europa (que tem uma maior presença no Cone Sul) e Estados Unidos (principal investidor no México e na América Central).

Por fim, a atuação de países asiáticos, a China, por sua vez, perdeu participação em fusões e aquisições na América Latina e no Caribe. No mesmo período, a República da Coreia destacou-se com a modalidade de novos projetos de investimento (greenfield) e tem apoiado o desenvolvimento de manufaturas de alto valor agregado na região, especialmente na indústria automobilística do México e do Brasil. 

Para maiores informações o texto pode ser lido na íntegra neste link (em espanhol).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Alicia Bárcena, SecretáriaExecutiva da CEPAL, apresentou o relatório no Santiago do ChileFoto: Jesús Inostroza/CEPAL”(Fonte): https://www.cepal.org/pt-br/comunicados/o-investimento-estrangeiro-direto-america-latina-caribe-aumentou-132-2018-revertendo

Imagem 2Relatório da CEPAL avalia oscilações do investimento estrangeiro direto na América Latina e CaribeFoto: PEXELS”(Fonte): https://nacoesunidas.org/onu-divulga-relatorio-sobre-investimento-estrangeiro-direto-na-america-latina/

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Exportações chilenas são afetadas pela guerra comercial China x EUA

As exportações chilenas para os Estados Unidos e para a China tiveram redução de 11% no primeiro semestre de 2019 em comparação ao mesmo período de 2018. Os dados são do Ministério de Relaciones Exteriores do Chile (Minrel) e foram veiculados pelo periódico chileno La Tercera, que considera ser a guerra comercial EUA x China um dos fatores causais.

Embora a queda nas exportações para países parceiros tenha também sofrido queda (6,9 %) de janeiro a junho de 2019, o percentual de redução foi maior (11%) especificamente para a China e para os Estados Unidos. Segundo o La Tercera, o Subsecretário de Relações Econômicas e Internacionais do Chile,  Rodrigo Yánez, esclareceu que a diminuição de envios da China aos EUA causou efeito cascata nas exportações chilenas, porque estas são parte da cadeia produtiva chinesa.

Perante a disputa entre as duas megapotências políticas e que são também gigantes do comércio internacional, o Chile tem evitado fazer alinhamento e buscado uma postura pragmática. Essa visão de relação comercial com as ambas as partes ficou evidenciada em declaração dada pelo presidente Sebastían Piñera em visita feita a Pequim, em abril de 2019.

Não obstante, a preocupação dos chilenos os levou a realizar um diálogo público-privado em 20 de junho de 2019, na sede do Minrel, para debater o impacto da guerra comercial sino-americana. Na avaliação chilena, a diversificação de mercados tem sido um redutor de impactos e eles apostam no Tratado Integral e Progressista de Associação Transpacífico (TPP11) como alternativa de ampliação de destinos na Ásia Pacífico.

Marca do ChileB2B

Recentemente, em junho de 2019, o Minrel, em conjunto com a agência de promoção de exportações do Chile, ProChile, lançaram a primeira plataforma de e-commerce transfronteiriço. Denominado de ChileB2B, o site tem como objetivo conectar exportadores chilenos, sobretudo as MPEs, com importadores mundiais. Diversificar a oferta, de modo inclusivo e ampliar o número de mercados atingidos é a estratégia adotada.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Exportações chilenas” (Fonte): https://scontent.fbsb8-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/14956398_10154657505509042_4882610205362325306_n.jpg?_nc_cat=108&_nc_oc=AQmxwj_PBA5zEZDCo6-btS5slJE-vVKP1lGj5_ktU_sKEbIBqu7l1ZFZm1yIazEb3C0&_nc_ht=scontent.fbsb8-1.fna&oh=75e8d6304767dd95a06ec6bc63ae779e&oe=5DDFB690

Imagem 2 Marca do ChileB2B” (Fonte): https://cdn.fromozz.com/LogosHome/PROCHILE.png