América do NorteAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador pretende firmar acordo comercial bilateral com os Estados Unidos

O Ministro do Comércio Exterior e Investimentos da República do Equador, Pablo Campana, informou em meados de março passado, em entrevista à Revista Líderes, que negociações para firmar um acordo comercial com os Estados Unidos devem se iniciar no segundo semestre deste ano (2018).

Nos dias 6 e 8 de fevereiro, a Federación de Exportadores del Ecuador (FEDEXPOR) havia realizado em Guayaquil e Quito o I Fórum de Comércio e Investimentos Equador-Estados Unidos,  durante o qual o ministro Campana ressaltou o pragmatismo do governo atual na busca por mercados, depois do que denominou ter sido uma “década nula” de abertura comercial. Também presente ao evento, o Embaixador dos EUA  no Equador, Todd Chapman, reconheceu os avanços da gestão de Lenín Moreno quanto à redução do risco-país.

Neste mesmo período, uma delegação equatoriana se encontrava em Washington iniciando tratativas para a reativação do Conselho de Comércio e Investimentos, cuja última reunião tinha ocorrido em 2009, ainda na primeira gestão de Rafael Correa.

Logo do Ministério de Comércio Exterior e Investimentos do Equador

As relações entre Equador e Estados Unidos durante os dez anos (2007-2017) de gestão de Rafael Correa não foram as mais amistosas e o Caso Snowden chegou a trazer fissura diplomática. Lenín Moreno foi eleito em 2017 pelo partido de Correa (Aliança País), mas, além de ser considerado mais moderado que seu antecessor, os dois romperam no início de 2018.

Na busca de parcerias, o Governo do Equador promoveu, em 15 de março, em Miami, nos Estados Unidos, o Fórum de Atração de Investimentos “Invest Ecuador”, com objetivo de atrair investidores locais interessados em aproveitar oportunidades no país andino, por meio de parcerias público-privadas (PPP).

Em final de março, o Governo americano aprovou a renovação do Sistema Geral de Preferências, retroativo a 1º de janeiro de 2018 e com vigência até 31 de dezembro de 2020, o qual favorece 120 países em desenvolvimento e, por extensão, beneficia mais de 800 empresas equatorianas com cerca de 400 milhões de dólares em exportações.

A medida foi comemorada por Campana, mas a maior expectativa dele é pela celebração de um acordo bilateral mais vantajoso, similar ao firmado com a União Europeia. O Ministro de Estado, que empreendeu visitas a 13 países em 2017 e promete continuar a agenda de visitas em 2018, sabe da importância das relações com os EUA, principal parceiro comercial e destino de 23% das exportações do Equador.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Foto de Capa Ministério de Comércio Exterior Equador no Facebook” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/18920622_1208835249239401_62962900973208855_n.jpg?_nc_cat=0&oh=95a074b99895634b2a5a8af778690e79&oe=5B68D484

Imagem 2 Logo do Ministério de Comércio Exterior e Investimentos do Equador” (Fonte):

https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/1522303_435756293213971_149747844_n.jpg?_nc_cat=0&oh=1d22e72a5565a5d914a194f17dc4e654&oe=5B53E128

América do NorteAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Esta semana ocorrerá o evento de negócios mais importante das Américas

Nos dias 12 e 13 de abril ocorrerá em Lima, Perú, a III Cúpula Empresarial das Américas. De acordo com informações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), este é o evento de negócios mais importante das Américas, reunindo mais de 700 altos executivos do continente e 12 Chefes de Estado com objetivo de analisar as oportunidades para promover o crescimento econômico e os investimentos no continente.

O tema central da Cúpula deste ano será “Feito nas Américas” para analisar o potencial das cadeias de valor e a importância da colaboração público-privada para promover investimentos, facilitar o comércio e impulsionar o desenvolvimento sustentável.

Logo da III Cúpula Empresarial das Américas

Inovação e tecnologia serão temas constantemente abordados nos painéis do evento, tendo destaque questões sobre economia digital, integração tecnológica, revolução agroindustrial, energia, transparência e luta contra a corrupção.

Também deve ser apresentado um documento que contém 44 recomendações do setor privado aos Governos do continente americano, que é uma versão atualizada das recomendações geradas no Diálogo Empresarial das Américas, iniciativa facilitada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com objetivo de promover o diálogo de políticas público-privadas entre líderes empresariais e governantes do continente. A primeira versão do documento foi apresentada na II Cúpula Empresarial das Américas, que ocorreu no Panamá, em 2015, contendo como recomendações centrais:

  • Melhorar a infraestrutura e fortalecer o comércio;
  • Facilitar recursos financeiros para estimular o crescimento e o desenvolvimento;
  • Estimular a inovação, o empreendimento e desenvolver nosso capital humano;
  • Maximizar o potencial dos recursos naturais e energéticos na região.

Nesta edição, a abertura será realizada pelo Presidente da República do Perú, Martín Vizcarra, e pelo Presidente do BID, Luis Alberto Moreno. Também confirmaram presença dos seguintes Chefes de Estado e de Governo:

  • Danilo Medina, da República Dominicana;
  • Juan Carlos Varela, do Panamá;
  • Juan Orlando Hernández, de Honduras;
  • Evo Morales, da Bolívia;
  • Hubert Minnis, de Bahamas;
  • Lenín Moreno, do Equador;
  • Justin Trudeau, do Canadá;
  • Juan Manuel Santos, da Colômbia;
  • Enrique Peña Nieto, do México;
  • Mauricio Macri, da Argentina, e
  • Sebastián Piñera, do Chile.

O Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, e a Assessora Especial do Presidente, Ivanka Trump, também palestrarão no evento. Com transmissão ao vivo, todos poderão acompanhar a Cúpula em espanhol, ou inglês.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Imagem de divulgação da Cúpula Empresarial das Américas” (Fonte):

http://www.negociosmagazine.com/iii-cumbre-empresarial-de-las-americas-dialogo-de-politicas-publico-privado-de-alto-nivel

Imagem 2 “Logo da III Cúpula Empresarial das Américas” (Fonte):

https://img.new.livestream.com/events/00000000007c11d5/059f8383-dbeb-4cac-9ced-c92db0dc6117_640x359.png

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Venezuela corta três zeros da moeda

O presidente Nicolás Maduro, da República Bolivariana da Venezuela, anunciou na semana passada o corte de três zeros na moeda nacional, como parte da chamada reconversão monetária.

A moeda atual, que se chama bolívar, dará lugar ao bolívar soberano, a partir de 4 de junho, informou o mandatário, enfatizando que “Não vamos dolarizar nossa economia, vamos defender nosso Bolívar”. A dolarização da economia venezuelana é defendida por Henri Falcon, principal concorrente de Maduro nas eleições presidenciais marcadas para 20 de maio próximo.

A reforma monetária com corte de zeros não é uma novidade no mundo, Brasil e Argentina já lançaram mão da medida nos anos 90 e o Governo da Colômbia está cogitando fazer o mesmo para 2019. Na Venezuela, em 2007, Hugo Chávez implantou reforma similar e, na ocasião, o bolívar foi substituído pelo bolívar fuerte.

Maduro apresenta o bolívar soberano

O governo venezuelano justifica que a mudança tem cinco objetivos: simplificar cálculos para facilitar as transações econômicas e comerciais; aumentar a disponibilidade de moeda em espécie na economia; facilitar os sistemas contábeis de empresas públicas e privadas; evitar o contrabando de moeda nacional, garantindo o desenvolvimento da economia doméstica; permitir a solvência da economia no Plano da Pátria 2025.

Correntes contrárias à reconversão argumentam que se trata de uma “maquiagem” que não ataca as causas da hiperinflação, a qual atingiu mais de 6.000%, segundo estimativas do Congresso Nacional venezuelano, de maioria oposicionista. Colocam em dúvida a capacidade de logística do governo para emissão e distribuição da nova moeda no prazo estabelecido. Alegam ainda que a pura e simples conversão dos salários não otimizará o poder de compra e apontam um problema bastante peculiar à realidade do país: como os preços de  passagens de metrô e gasolina são muito baixos, a  menor  unidade do bolívar soberano, que é a moeda de 50 centavos, compraria 1.250  bilhetes e não haveria troco para quem enchesse um tanque de 50 litros, que custaria 30 centavos.

Críticos moderados acreditam na validade da reconversão, mas alertam para a necessidade de uma política fiscal, uma política monetária e de uma boa estratégia de comunicação junto à população.

A cédula de maior valor atualmente, a de 100.000 bolívares, suficiente apenas para comprar um cafezinho, será substituída pela de 100 bolívares soberanos. O novo cone monetário – conjunto de notas e moedas de um país – mantém o padrão de estampa com faces de personagens ilustres e animais ameaçados de extinção. O bolívar soberano  entrará em vigor logo depois das eleições e o Presidente do Banco Central da Venezuela informou que  haverá amplo debate e campanhas de esclarecimento informativas, inclusive já existe um site denominado bolivarsoberano.com.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Maduro apresenta o bolívar soberano” (Fonte):

http://www.presidencia.gob.ve/Site/Web/Principal/imagenes/adjuntos/Web/2018/03/2018-03-22_billetes_/Aimg-9483_3.png

Imagem 2 Site bolivarsoberano.com” (Fonte):

http://bolivarsoberano.com/billete-de-2-bss/

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Venezuela busca ampliar voos para a Europa

Na segunda quinzena de março, autoridades do Aeroporto Internacional Simon Bolívar da Venezuela se reuniram com representantes da empresa aérea espanhola Plus Ultra, para firmarem acordo e acertarem detalhes para o início de voos regulares da Europa para Caracas. A ação faz parte da diretriz de ampliação de conectividade aérea do Ministério dos Transportes  venezuelano, que está também alinhada com a estratégia do Ministério do Turismo, de utilizar o turismo como motor de desenvolvimento daquele país.

Por ocasião da 25ª Exposição Internacional de Viajes e Turismo de Moscou (MITT 2018, na sigla em inglês), que reuniu 23 mil profissionais da Rússia e de mais de 100 países, de 13 a 14 de março último, a Venezuela se fez presente com um stand e o seu Vice-Ministro de Turismo Internacional firmou acordo de cooperação com autoridades da Abecásia para promoção dos dois países como destino turístico.

Ao longo do ano de 2017, diversas empresas aéreas desativaram suas operações na Venezuela, preocupadas com a falta de segurança, a instabilidade política e a retenção de fundos devidos às companhias. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, em inglês), que representa cerca de 275 empresas e 83% do tráfego aéreo internacional, manifestou-se, em meados de 2017, contrária à negativa do Governo de Caracas, de repatriar mais de 3,8 bilhões de dólares* de fundos das empresas, insistindo que “respeitem os padrões globais, para assegurar a competitividade e sustentabilidade do transporte aéreo na Venezuela”.

Banner no site da Plus Ultra

Em matéria publicada em janeiro de 2018, o jornal online australiano news.com.au, tece duras críticas ao país sul-americano quanto ao que chamou de “plano audacioso para sair do caos econômico” e aponta problemas diversos como:  a insegurança causada pela violência urbana; a escassez de voos destinados ao país; flutuação dos preços, em razão da instabilidade da moeda; a precária infraestrutura dos hotéis, devido às dificuldades de manutenção e roubos de equipamentos; dentre outros.  Ainda segundo o news.com.au, o principal obstáculo é que, por essas razões, ninguém quer visitar a Venezuela.

Não obstante as posições contrárias, o governo venezuelano dá continuidade ao plano e a página principal do site da Plus Ultra já oferece reserva de voos ida e volta entre as capitais espanhola e venezuelana. Mais abaixo, na mesma página, um banner anuncia que a empresa aterrissou na Venezuela e que a rota Madri-Caracas será inaugurada em 22 de maio de 2018. Além disso, os dirigentes do Instituto Aeroporto Internacional de Maiquetía** (IAM) informam que estão avaliando com a Turkish Airlines a ampliação da frequência de voos Istambul-Caracas.

———————————————————————————————–

Nota:

* Aproximadamente, 37,95 bilhões de bolívares venezuelanos, ou 12,44 bilhões de reais, nas cotações de 22 de março de 2018.

** Município limítrofe a Caracas, em cujo território está localizado o Aeroporto Internacional Simón Bolívar também conhecido como Aeroporto de Maiquetía.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Aeroporto Internacional Simón Bolívar” (Fonte):

http://www.aeropuerto-maiquetia.com.ve/web/img/galeria/img001.jpg

Imagem 2 Banner no site da Plus Ultra” (Fonte):

https://plusultra.com/

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Venezuelana PDVSA faz acordo com a russa Rosneft, auxiliando economia da Venezuela

No sábado passado, dia 16 de dezembro, a empresa estatal venezuelana Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA) assinou um acordo com a corporação semiestatal russa, a petrolífera Rosneft, para que esta atue em dois campos de gás, o de Patao e Mejillones, podendo usar a produção também para exportação, na forma de gás natural liquefeito. Segundo foi divulgado, a validade será por 30 anos e as reservas são calculadas em 180 bilhões de metros cúbicos (bmc), com uma possível produção anual de 6,5 bmc.

Logo da Rosneft

O documento foi assinado entre os presidentes da Rosneft, Igor Sechin, e da PDVSA, Manuel Quevedo, na presença de Maduro e várias autoridades*, e podem dar um oxigênio à economia venezuelana, neste momento em que o país sofre sanções dos EUA; presencia a entrada de uma ação jurídica da estatal chinesa SINOPEC (China Petroleum & Chemical Corporation) contra a mesma petrolífera venezuelana, também nos Estados Unidos; e tenta obter caminhos para renegociar a dívida de 60 bilhões de dólares, causadas por essas sanções norte-americanas.

Além disso, o acordo resolve outro problema, que é sanar …o bônus de pagamento entre Rosneft e PDVSA, que são sócias em cinco empresas mistas”, sabendo-se que a Rosneft ao longo de vários anos, desde a época de Hugo Chávez, emprestou bilhões de dólares a petrolífera venezuelana. Conforme foi disseminado na mídia, em agosto deste ano (2017), a Rosneft calculou que a parceira da Venezuela lhe devia 6 bilhões de dólares e, de forma positiva, o Ministério das Finanças da Rússia concordou em reestruturar dívida existente entre os dois países, excluindo esta que envolve PDVSA e Rosneft.

Logo da PDVSA

Tais declarações levam os analistas a intuírem que o Acordo agora assinado veio sendo negociado e realmente permitirá uma certa oxigenação ao orçamento do Governo venezuelano, uma vez que se sabe da dependência que o país tem da exploração do petróleo e, em especial, dos resultados que podem ser apresentados por sua estatal petrolífera.

Observadores consideram que são vários problemas que conseguem ser equacionados numa mesma ação, embora deva ser acrescentado que não se pode calcular o resultado em longo prazo, já que, conforme se percebe nas declarações realizadas, o principal problema a ser resolvido diz respeito ao fluxo de caixa do Governo para garantir um mínimo de investimentos públicos, que lhes dão suporte de um segmento da população diante da crise política que vive, e também para pagar dívidas, mas não para solucionar problemas estruturais dentro de um planejamento estratégico.

———————————————————————————————–

Nota:

* Estiveram na reunião o ministro do Poder Popular de Petróleo y presidente de Petróleos de Venezuela, S.A., Manuel Quevedo, o vice-presidente-executivo da PDVSA e vice-presidente de Comércio e vice-Ministro, Ysmel Serrano; o ministro del Poder Popular de Finanças, Simón Zerpa; o el vicepresidente Setorial de Economia, Wilmer Castro Soteldo, juntamente com uma delegação de alto nível da Rosneft.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Aperto de mão selando o acordo assinado em 16 de dezembro de 2017” (Fonte):

http://www.pdvsa.com/index.php?option=com_content&view=article&id=8610:pdvsa-y-rosneft-firmaron-acuerdos-para-la-exploracion-y-explotacion-gasifera&catid=10:noticias&Itemid=589&lang=es

Imagem 2 Logo da Rosneft” (Fonte):

https://www.rosneft.com

Imagem 3 Logo da PDVSA” (Fonte):

http://www.pdvsa.com/index.php?lang=es

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Leilão do Pré-Sal brasileiro impacta mercado petrolífero mexicano

De acordo com o Jornal Reuters, na última sexta-feira (dia 8 de dezembro), a petrolífera estatal mexicana Pemex cancelou o desenvolvimento do projeto “Nobilis-Maximino”, de exploração em águas profundas do Golfo do México, em função do baixo interesse dos investidores.

A implementação do projeto Nobilis-Maximino é uma parte essencial da estratégia da empresa para promover tais parcerias que fortalecerão suas capacidades operacionais, financeiras e tecnológicas. Conforme estabelecido em seu Plano de Negócios para 2017-2021, as joint ventures são um elemento-chave para a Pemex consolidar-se como uma empresa moderna, competitiva e rentável, pois isso permite que ela compartilhe os riscos de exploração e produção em seus campos, fortalecendo, assim, as vantagens oferecidas pela reforma energética.

Uma seção da Plataforma Pol-A da Pemex

O bloco Nobilis-Maximino está localizado em águas ultraprofundas na área do Cinturón Plegado Perdido do Golfo do México, a 230 quilômetros da costa do Estado de Tamaulipas e a 15 quilômetros da fronteira marítima com os Estados Unidos. Contém reservas totais estimadas em 500 milhões de barris de petróleo bruto. Tem uma profundidade de fluxo entre 2.900 metros e 3.100 metros e abrange uma área total de 1.524 quilômetros quadrados.

Segundo a Pemex, o baixo interesse do mercado em seu projeto está diretamente relacionado com a concorrência do leilão de petróleo do Pré-Sal realizado em outubro deste ano (2017) e com os baixos preços do petróleo. Seis dos oito blocos do Pré-Sal foram leiloados para grandes empresas, incluindo Royal Dutch Shell e ExxonMobil. “Um fator que afetou o apetite por novos projetos foi o investimento recentemente assumido por possíveis concorrentes. As empresas que conseguiram blocos no Brasil examinaram o projeto Nobilis-Maximino”, declarou a Pemex, em comunicado oficial.

Não obstante, os preços baixos do petróleo – com projeções de médio e longo prazo de 50 a 65 dólares por barril – têm sido um fator de risco para as empresas que se preocupam com a aquisição de projetos de águas profundas complicadas e caras, como o Nobilis-Maximino.

Como principal produtor mundial de petróleo bruto, o México está buscando reverter os resultados obtidos em 12 anos de queda da produção de petróleo e gás. De acordo com analistas, o pouco interesse no mercado mexicano também pode estar relacionado com as tentativas de abrir sua produção energética após um longo período de monopólio da estatal.

No entanto, existem cerca de 30 projetos de águas profundas semelhantes que estão pendentes, com propostas que ainda estão em andamento. Segundo Alma América Porres, diretora da Comissão Nacional de Hidrocarbonetos (CNH), o cancelamento não deve ser interpretado como uma falta de interesse da indústria, pois, apesar da CNH selecionar os parceiros da Pemex através de leilões abertos, 29 empresas já começaram o processo de pré-qualificação para participar das licitações de outros projetos mais flexíveis. Outras 16 companhias de petróleo também estão avaliando as informações associadas aos blocos para tomarem alguma decisão.

Para Miriam Grunstein, pesquisadora da Rice University no México, essas propostas são potencialmente mais atraentes porque podem ser desenvolvidas independentemente da Pemex. Entretanto, as principais corporações petrolíferas podem ter parcerias com a mexicana, caso suas dívidas e restrições orçamentárias inviabilizem o desenvolvimento de projetos independentes.

No final de 2016, a Pemex consolidou sua primeira joint venture em águas profundas com a BHP Billiton, no projeto Trion, de 11 bilhões de dólares. De acordo com a empresa, seu objetivo é continuar promovendo a sua estratégia de parceria em vários campos petrolíferos que apresentam menos dificuldades técnicas e menores riscos.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1Plataforma P5 offshore da Petrobrás” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Petrobras

Imagem 2Uma seção da Plataforma PolA da Pemex” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/481996451

Imagem 3Mapa do Golfo do México” (Fonte):

https://af.wikipedia.org/wiki/Golf_van_Meksiko