AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Petrobrás toma empréstimo de 5 bilhões de dólares com Banco chinês

No dia 4 de dezembro de 2017, segunda-feira passada, a empresa brasileira Petrobrás anunciou a tomada de empréstimo de 5 bilhões de dólares e vencimento em 2027 com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB, sigla em inglês). A liberação dos recursos deverá ocorrer em duas parcelas, a primeira ainda em dezembro de 2017 e a segunda em janeiro de 2018, quando a Petrobrás deverá pagar pelos 2,8 bilhões de dólares adquirido também com o CDB em 2009. Além disso, a petrolífera brasileira divulgou a assinatura de contrato comercial com a companhia chinesa Unipec Asia Company, o qual prevê o fornecimento preferencial de 100 mil barris de óleo diários pelos próximos 10 anos.

Pedro Parente, atual presidente da Petrobrás

Nesse contexto, é perceptível a aproximação da Petrobrás com firmas e instituições financeiras chinesas na última década. Em 2009, a estatal brasileira firmou seu primeiro acordo de financiamento com o CDB no valor de 10 bilhões de dólares. Posteriormente, em 2013, a empresa passou a explorar o campo de libra no Pré-sal brasileiro conjuntamente com a China National Petroleum Corporation (CNPC, sigla em inglês).

Mais recentemente, em julho deste ano (2017), a Petrobrás firmou Memorando de Entendimento e parceria estratégica também com a CNPC. De acordo com comunicado oficial da petrolífera brasileira, “as companhias irão avaliar conjuntamente as oportunidades de investimento em áreas chave no Brasil, compartilhando suas capacidades e experiências em todos os seguimentos da cadeia de petróleo e gás”.  Nesse contexto, o financiamento do CDB vai ao encontro da nova estratégia de reestruturação dos níveis de alavancagem da corporação iniciada após a alteração no comando da companhia em 2016.    

Do ponto de vista chinês, os investimentos no setor petrolífero brasileiro se inserem no objetivo de longo prazo de diversificação das fontes de energia do país. De acordo com o Ministério de Terra e Recursos da China, as importações de petróleo ainda serão responsáveis por 70% do consumo total do país em 2035. Nesse contexto, nota-se que países como Brasil, Venezuela e Rússia se tornaram foco de atração de capitais chineses na última década.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Plataforma da Petrobrás, próxima a Ponte RioNiteroi” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras#/media/File:Anchor_handling_ocean_viking_by_volfegan-d3kowva.jpg

Imagem 2Pedro Parente, atual presidente da Petrobrás” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petrobras#/media/File:Pedro_Parente_2016.jpg

América do NorteAMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Estatal chinesa Sinopec aciona juridicamente a PDVSA nos EUA

A empresa estatal chinesa SINOPEC (China Petroleum & Chemical Corporation) havia entrado com uma ação jurídica contra a estatal venezuelana Petroleos de Venezuela S.A (PDVSA) no dia 27 de novembro passado, para exigir a liquidação de dívidas contraídas pela corporação venezuelana. A cobrança refere-se ao não pagamento da aquisição de 45.000 toneladas de hastes de aço que foram entregues em 2013, no valor de 43,5 milhões de dólares, tendo sido quitados apenas pouco menos da metade deste montante, conforme foi disseminado pelo jornal Financial Times.

Nesse sentido, o ato foi realizado por uma subsidiária da empresa chinesa nos EUA, nos tribunais de Houston, exigindo o pagamento de pouco mais de 23 milhões de dólares em danos, destacando-se o fato de que as perdas se mantiveram diante dos constantes atrasos dos venezuelanos, mesmo com as promessas de que haveria o cumprimento da quitação da dívida, algo que foi se alongando por todo este período.

Entrada da sede de PDVSA, localizada na avenida 5 de Julio, em Maracaibo, pode-se ler atrás da placa a frase ‘Pátria, Socialismo ou Morte’, no pórtico da entrada do prédio

O consenso acerca do problema não diz respeito aos valores envolvidos, uma vez que são pequenos para o porte da SINOPEC, mas ao fato de a situação ter chegado a um ponto em que a demanda jurídica foi aberta em território norte-americano e, considerando-se a fidedignidade dos informações disseminadas por vários jornais, supostamente adquiridas com acesso direto aos documentos da ação, está ocorrendo cansaço e irritação por parte dos chineses, que primam por ser pacientes e diplomáticos em contatos que envolvam relações exteriores.

Conforme foi divulgado, no documento estão frases como “As promessas de pagamento da PDVSA têm sido vazias”, ou “Este é simplesmente um caso de uma promessa de pagamento quebrada”, com afirmações mais duras, tais como “mentir e enganar deliberadamente”, ou, ainda, “Este caso envolve uma transação comercial complexa calculada especificamente para deixar a Sinopec sem seu pagamento”.

Pelos dados coletados, os chineses têm tentado amenizar a situação afirmando ser uma situação normal e sem a dimensão que a mídia vem dando, tanto que o porta-voz do Grupo Sinopec, Lu Dapeng, declarou que é apenas “uma disputa por um pagamento de uma dívida” (..) e “Como uma grande empresa, para nós é normal ter uma disputa comercial deste tipo e é normal recorrer à lei se há uma disputa”. Além disso, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang, chegou a ir mais além, quase expressando que é uma situação sem tanta importância, ao declarar: “Acredito que esta é uma disputa comercial comum e não devem ser feitas interpretações exageradas sobre ela.  (…). Quero relembrar que a China dá uma grande importância ao desenvolvimento das relações entre China e Venezuela

Logo da Sinopec

Especialistas, no entanto, apontam um desgaste expressivo, uma vez que com a quantidade de acordos e investimentos que os chineses fizeram na Venezuela, que chegou a mais de 65 bilhões de dólares ao longo de 10 anos (2007 a 2016)*, se espera que a tendência natural sejam os diálogos diretos, exceto se a situação tiver ultrapassado o limite da tolerância, e é o que deve ter acontecido.

Este ultrapassar o limite significa uma situação de grandes perdas para o governo venezuelano de Nicolás Maduro. Diante da crise política, social e econômica que o país tem vivido, um dos poucos pilares da sobrevivência do regime é obter apoio de algumas potências com as quais manteve relacionamento ao longo dos últimos 17 anos, para as quais deve favores, recursos e grandes investimentos, precisando agora de outros tão expressivos quanto foram no passado recente.

Nesta circunstância, o ponto mais importante seria preservar a sua credibilidade, algo que, diante do fato, parece ter sido muito afetada, tanto que, como dito, chegou-se à situação de os chineses terem tomado uma decisão que só corre quando parece não haver mais alternativas, pois, normalmente, os representantes da China são corteses e, principalmente, pacientes.   

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* Há divergências na mídia sobre esse valor, com algumas fontes afirmando ser superior a 62 bilhões e não 65 bilhões. Preferiu-se usar esta referência pelo fato de ela citar que o valor decorrer de estudos provenientes da Universidade de Boston e do centro dos estudos do Diálogo Interamericano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da Sinopec, no Distrito de Chaoyang, em Pequim” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sinopec

Imagem 2 Entrada da sede de PDVSA, localizada na avenida 5 de Julio, em Maracaibo, podese ler atrás da placa a frase Pátria, Socialismo ou Morte’, no pórtico da entrada do prédio” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petróleos_de_Venezuela

Imagem 3 Logo da Sinopec” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sinopec

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Governo mexicano apresenta deficiências no combate à lavagem de dinheiro

De acordo o Jornal Reuters, um relatório não datado, encomendado pelo Governo mexicano para avaliar os esforços do país no combate à lavagem de dinheiro, estimou que o comércio de drogas, fraude fiscal e outros crimes arrecadam, pelo menos, 1,13 trilhão de pesos (aproximadamente, 59,17 bilhões de dólares – cotação de 08.11.17) por ano no México.

Departamento de Justiça dos EUA exibe gráficos durante uma coletiva de imprensa para anunciar acusações de lavagem de dinheiro contra o HSBC

O relatório de 321 páginas foi preparado a partir de dados oficiais e pesquisas independentes realizadas pelo Grupo de Trabalho de Ação Financeira (FATF, sigla em inglês), formado por agências governamentais que combatem a lavagem de dinheiro. Segundo o relatório, o risco representado por fundos ilícitos suscetíveis à legalização é auto no país.

Entretanto, o Governo declarou na quinta-feira (dia 2 de novembro) que a avaliação do FATF mostrou que o México fez progressos significativos na luta contra a lavagem de dinheiro desde a última avaliação em 2008. Já sobre a riqueza ilícita no país, concluiu que necessita de mecanismos mais eficientes como novas leis que complementem a estrutura nacional anticorrupção.

Para isso, seria necessário padronizasse as leis a nível estadual para resolver as diferenças com as autoridades que lidam com a corrupção, bem como melhorar a colaboração entre as agências encarregadas de implementar políticas e coletar dados. Ainda de acordo com o relatório, as políticas públicas devem ser revisadas para entender melhor o fenômeno da corrupção no país.

Os escândalos sobre lavagem de dinheiro têm perseguido a elite política mexicana durante décadas. Em 2016, um levantamento feito pela ONG Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade, com base nos dados do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, calculou que a economia movimentada pela corrupção chegava a ser equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) mexicano. Atualmente, o país está em 128º lugar no ranking do índice global sobre ética, corrupção e competitividade, dentre 137 nações avaliadas pelo Fórum Econômico Mundial (2017).

Robert Dugdale, Assistente Procurador dos EUA da Divisão Criminal, exibe incursões realizadas nas operações contra lavagem de dinheiro no Fashion District de Los Angeles

Em relação ao tema, o presidente Enrique Peña Nieto já foi criticado por se referir à corrupção como um problema “cultural” no México. De acordo com grupos da sociedade civil e legisladores da oposição, o posicionamento governamental de minimizar a gravidade do problema ou normalizá-la acabou diminuindo seu papel em combater esse tipo de crime.

O relatório ainda ressalta que a evasão fiscal e os delitos associados representaram a maior fonte de riqueza ilícita identificada, chegando a 484 bilhões de pesos (aproximadamente, 25,34 bilhões de dólares – cotação de 08.11.17), seguido do comércio de cocaína e maconha, com 404 bilhões de pesos (aproximadamente, 21,15 bilhões de dólares – cotação de 08.11.17).

Os valores desse mercado ilícito podem ser ainda maiores, pois o documento não aborda as receitas da heroína e da meta-anfetamina, que constituem uma grande parte do comércio de drogas.  Também não inclui crimes de colarinho branco (como desvio de dinheiro público e tráfico de influência), tráfico de pessoas e armas, roubo de combustível e exploração sexual.

Embora incompletas, as conclusões contrastam com a quantidade de fundos ilícitos que o Governo disse ter retirado de circulação nos últimos anos. De acordo com os dados estatais, a unidade de crime organizado do escritório do procurador-geral apreendeu apenas 11,4 milhões de dólares em seus esforços anti-lavagem de dinheiro, entre setembro de 2016 e junho de 2017.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Policial mexicano mascarado fica de guarda durante uma incursão de uma loja de câmbio” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/1324430

Imagem 2Departamento de Justiça dos EUA exibe gráficos durante uma coletiva de imprensa para anunciar acusações de lavagem de dinheiro contra o HSBC” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/158214895

Imagem 2Robert Dugdale, Assistente Procurador dos EUA da Divisão Criminal, exibe incursões realizadas nas operações contra lavagem de dinheiro no Fashion District de Los Angeles” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/455194566

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O Fator Odebrecht no Equador, Peru e Colômbia

No dia 2 de outubro de 2017, a Corte Nacional de Justiça do Equador decretou a prisão do vice-presidente da República, o Sr. Jorge Glas, sob a acusação de ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht. Em seu twitter, Glas afirmou: “Segundo todos os juristas, incluindo os meus mais ferozes opositores, o pedido do fiscal para que se apliquem medidas cautelares é uma aberração jurídica (…) este tem sido um processo cheio de irregularidades (…) isto não é só contra Jorge Glas, é parte de um plano organizado para destruir a revolução cidadã e a Rafael Correa”. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que a Odebrecht pagou cerca de U$ 788 milhões em propinas em 12 países, dentre eles o Equador. O documento demonstra que no caso do Equador, entre 2007 e 2016, a construtora brasileira pagou propinas no valor de U$ 35,5 milhões a funcionários do governo*.  

Escudo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos

Em entrevista concedida ao jornal El País, em 27 de julho de 2017, o suposto ex-advogado da Empresa Odebrecht, Sr. Tacla Duran, afirmou que no Equador a construtora admitiu que destinou 29 milhões de euros em comissões ilegais para obter contratos no valor de 100 milhões de euros, durante o mandato de Rafael Correa (2007-2017), estando entre os implicados o ex-Ministro de Eletricidade, Aleksey Mosquera. A Odebrecht, em nota de imprensa datada de 28 de julho de 2017, afirmou que o Sr. Duran nunca atuou como advogado da empresa e informou que era operador financeiro, cuja participação em atividades ilícitas foi informada pela empresa às autoridades em seu processo de colaboração.

O documento norte-americano menciona pagamentos feitos a membros dos governos de outros países da América do Sul, como o Peru. Nele consta: “Entre 2005 e 2014, a ODEBRECHT fez aproximadamente US$ 29 milhões em pagamentos corruptos a funcionários do governo em Peru para garantir contratos públicos de obras. A ODEBRECHT ganhou benefícios de mais de U$ 143 milhões como resultado desses pagamentos corruptos”*.

Em 9 de fevereiro de 2017, a Justiça do Peru decretou a prisão preventiva do ex-presidente Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006, sendo acusado de receber 20 milhões de dólares em subornos da Odebrecht para a construção da rodovia Interoceânica Sul, que liga o Peru e o Brasil. O jornal brasileiro Folha de S. Paulo denunciou que o ex-presidente Ollanta Humala recebeu três milhões da Odebrecht para sua campanha presidencial. Recentemente, o Peru teve que cancelar um contrato com a empreiteira para a construção do Gasoduto do Sul, um investimento estimado em 7 bilhões de dólares, pois a empresa não obteve o apoio financeiro necessário para a execução desta obra. Toledo, atualmente se encontra foragido nos Estados Unidos.

Em 14 de julho de 2017, o também ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, e sua esposa, Nadine Heredia, foram presos pela polícia, após a Justiça ter decretado suas prisões preventivas por 18 meses. O casal é acusado de lavagem de dinheiro doado pela Odebrecht para as campanhas presidenciais de 2006 e 2011. Humala afirma em seu twitter: “Esta é a confirmação do abuso de poder, ao qual nós faremos frente, em defesa de nossos direitos e dos direitos de todos”. O atual presidente Pedro Pablo Kuczynski responde a perguntas sobre pagamentos ilícitos na construção da Rodovia Interoceânica no tempo em que era Ministro da Economia da Administração Toledo. Sua oponente, Keiko Fujimori, também possui contra si o depoimento de Marcelo Odebrecht que afirma ter doado em Caixa Dois para ela.

Na Colômbia a situação não é diferente. Afirma o documento do Departamento de Justiça que “Entre 2009 e 2014, ODEBRECHT fez mais de US $ 11 milhões em pagamentos corruptos na Colômbia, (…). A ODEBRECHT conseguiu benefícios de mais de US $ 50 milhões como resultado desses pagamentos corruptos”*. Em 11 de agosto de 2017 a Suprema Corte da Colômbia convocou o Presidente da República, Juan Manuel Santos, para depor no caso Odebrecht.  A Suprema Corte enviou um questionário sobre os supostos subornos recebidos da empreiteira no contrato para a construção da via Ocaña-Gamarra, na Ruta del Sol II.

Segundo consta, a empresa financiou ilegalmente a classe política Latino Americana que está implicada por favorecer a multinacional brasileira em troca de benesses. Analistas ressaltam que causa estranheza a participação dos Estados Unidos, através do Departamento de Justiça, operando como uma agência internacional de investigação de ilícitos muito além de suas fronteiras, colhendo informações, produzindo relatórios detalhados e disponibilizando-os à imprensa de Peru, Equador e Colômbia. Este fato favorece aos posicionamentos sobre a intervenção das agências estadunidenses nos rumos da política da região.

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Nota:

* O documento pode ser acessado também por este link:

https://www.justice.gov/opa/press-release/file/919911/download.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Foto dos expresidentes Rafael Correa (Equador), Michele Bachelet (Chile), Ollanta Humala (Peru) e Juan Manuel Santos (Colômbia)” (Fonte):

https://twitter.com/Ollanta_HumalaT/status/675095460160344066

Imagem 2 Escudo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Seal_of_the_United_States_Department_of_Justice.svg

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Empresa chinesa arremata hidrelétrica da Cemig

No dia 27 de setembro de 2017, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou o leilão de quatro hidrelétricas que até então eram operadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A empresa Pacific Hydro, controlada pelo companhia estatal chinesa State Power Investment Corp (Spic, sigla em inglês), arrematou o direito de operação da usina de São Simão por 7,18 milhões de dólares. Os leilões resultaram em uma arrecadação de 12,13 bilhões de reais. De acordo com a Agência Brasil, o dinheiro será utilizado pelo Governo Federal para redução do déficit de 159 bilhões de reais previsto para este ano (2017). 

Prédio da Cemig em Belo Horizonte

O arremate da usina de São Simão por uma companhia proveniente da China ocorre em um contexto de intensa aquisição de ativos do setor energético e infraestrutura brasileiros por parte de empresas do país asiático. Por exemplo, no dia 4 de setembro, o conglomerado China Merchants Port Holdings Company Limited (CMPort, sigla em inglês) adquiriu o controle do Porto de Paranaguá. Além disso, nota-se que a estatal chinesa State Grid é uma das principais interessadas na privatização da Eletrobrás.

A realização dos leilões provocou intensa disputa judicial entre o Governo Federal e a Cemig. No dia 21 de agosto de 2017, o Tribunal Regional Federal da 1º Região concedeu liminar para suspender a venda das usinas. No entanto, tal decisão foi derrubada por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Posteriormente, executivos da estatal e membros da bancada mineira no Congresso Nacional tentaram negociar com o Palácio do Planalto a renovação da concessão de ao menos uma das unidades.

De acordo com o Presidente da Cemig, Bernardo Alvarenga, tais esforços se justificam porque “a perda dessas usinas significará na redução da capacidade de geração da Cemig em quase 50%. Significa termos uma outra companhia e ela não será mais aquela empresa que todos conhecemos, que é a maior empresa do setor elétrico brasileiro. A Cemig vai ser fortemente prejudicada e, consequentemente, todos os mineiros”.

Por outro lado, a interpretação do Palácio do Planalto é de que o interesse dos investidores estrangeiros nos ativos brasileiros indica que a política econômica está no rumo certo. O Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, considerou que “a gente teve um resultado acima do esperado. Foi importante porque não foi só uma empresa, foram três. Uma que chega ao Brasil forte, a SPIC, e duas já conhecidas no mercado brasileiro, Engie e Enel”. Por sua vez, Michel Temer, Presidente do Brasil, afirmou em sua conta oficial do Twitter que “nós resgatamos definitivamente a confiança do mundo no Brasil. Leilão das usinas da Cemig rendeu R$12,13 bi, acima da expectativa do mercado”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente do Brasil, Michel Temer, e o Presidente da China, Xi Jinping” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/55515

Imagem 2 Prédio da Cemig em Belo Horizonte” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_Energ%C3%A9tica_de_Minas_Gerais#/media/File:Cemig.JPG

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Setor manufatureiro mexicano atinge melhor índice em 16 meses

De acordo com as informações divulgadas pela IHS Markit Ltd.*, nesta segunda-feira (dia 2 de outubro), a produção manufatureira mexicana atingiu o seu maior índice de produção dos últimos 16 meses (Índice de Gerentes de Compras PMI), de 52,2 pontos em agosto para 52,8 em setembro, marcando uma forte melhora do setor.

Logo da IHS Markit, uma empresa com sede em Londres

Esta análise é baseada em dados coletados mensalmente de respostas dadas aos questionários enviados aos executivos de compras de mais de 300 empresas de fabricação, refletindo no atual percentual de crescimento, comparado com o mês anterior.

Tal desenvolvimento acelerado ocorreu divido à criação de empregos adicionais e pelo aumento das compras de insumos. Por outro lado, os baixos níveis de estoque nas mãos dos fornecedores, aliado à subida dos preços dos materiais importados, levaram a um aumento mais acentuado nos custos dos produtos. Como consequência, os produtores aumentaram novamente os seus próprios preços de venda.

Mesmo assim, os fabricantes mexicanos mantiveram sua visão otimista das perspectivas de crescimento e declararam que a modernização das máquinas, a força da demanda e o lançamento de produtos são os principais motivadores da confiança do setor.

A empresa mexicana ‘La Giralda’ dedicada à fabricação de doces é conhecida pela produção de toneladas de doces gomosos e chocolates diariamente

As empresas se beneficiaram de uma recuperação acelerada dos novos projetos e, de fato, o crescimento geral das encomendas recuperou seu nível mais alto desde maio de 2016. Da mesma forma, a demanda foi fortalecida no mercado interno e no exterior no mês de setembro, embora os novos empregos totais tenham avançado a um ritmo mais rápido do que os novos negócios oriundos do mercado externo.

Em resposta ao ambiente de demanda melhorada, os fabricantes mexicanos intensificaram sua produção pelo quinto mês consecutivo. Assim, a produção subiu a um ritmo sólido. Para lidar com o aumento da carga de trabalho, algumas empresas contrataram pessoal adicional em setembro, embora a taxa global de criação de emprego tenha sido moderada e a mais lenta desde maio. Contudo, o crescimento do emprego foi insuficiente e não conseguiu evitar outra acumulação do número de desemprego.

Segundo Pollyanna de Lima, economista do IHS Markit, a recuperação do crescimento registrado nos últimos dois meses culmina com um mês de setembro que encerra um excelente trimestre. Isso sugere que o setor de manufatura poderá contribuir positivamente para o crescimento do PIB no terceiro trimestre, que provavelmente ultrapassará sua modesta marca de 0,6%, registrada no segundo trimestre.

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Notas:

* De acordo com a Bolsa de Valores Nasdaq, a IHS Markit é líder global em soluções críticas, análises e informações para indústrias e mercados chave com forte influência em economias ao redor do mundo. Suas análises e informações subsidiam o processo de tomada de decisão de empresas e governos em diversos setores como aeroespacial, defesa e segurança; automotivo; químico; energético; marítimo e comercial; tecnológico; e manufatureiro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Trabalhadores são retratados durante a fabricação de peças para barcos” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/842497054

Imagem 2Logo da IHS Markit, uma empresa com sede em Londres” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/IHS_Markit

Imagem 3A empresa mexicana La Giraldadedicada à fabricação de doces é conhecida pela produção de toneladas de doces gomosos e chocolates diariamente” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/846604078