AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Presidente do Brasil viaja à China em busca de investimentos para privatizações

No dia 29 de agosto de 2017, o Presidente do Brasil, Michel Temer, embarcou em viagem oficial para a República Popular da China. A visita ocorreu na semana anterior à 9ª Cúpula do BRICS, realizada na cidade chinesa de Xiamen. O Presidente foi acompanhado por uma comitiva de quarenta empresários e dos Ministros Aloysio Nunes (Relações Internacionais), Blairo Maggi (Agricultura), Marcos Pereira (Indústria e Comércio), Bezerra Filho (Minas e Energia) e Dyogo Oliveira (Planejamento).

Marca da empresa estatal chinesa State Grid, principal interessada na aquisição da Eletrobrás

Analistas afirmam que o principal objetivo do Chefe de Estado brasileiro no país asiático é atrair investidores para o plano de privatizações de 57 empresas públicas anunciado no dia 24 de agosto. Em entrevista para a agência de notícias da China, Michel Temer afirmou que “nesse momento em que as oportunidades se multiplicam, queremos nos beneficiar da excelência chinesa em rodovias, aeroportos, portos, energia elétrica, petróleo e gás”.

Os primeiros encontros oficiais do mandatário brasileiro foram com os presidentes das empresas estatais chinesas State Grid e China Three Gorges, potenciais interessadas no processo de privatização da Eletrobrás. A reunião com o Chefe de Estado da China, Xi Jinping, aconteceu no dia 1o de setembro. Na ocasião, o líder chinês declarou que “a relação entre Brasil e China possui significado global estratégico e os dois países devem continuar aprofundando a cooperação bilateral em harmonia. Em seguida, Michel Temer assinou acordos de intenção sobre investimentos da companhia China National Nuclear Corporation (CNNC, sigla em inglês) na construção da Usina de Angra 3 no Rio de Janeiro.

As consequências do adensamento das relações econômicas entre os dois países são controversas entre especialistas brasileiros. Por exemplo, Oliver Stunkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, considera que “não há alternativa à China. Fortalecer a relação com o país é o único caminho”, e Sérgio Lanzzarini, professor do Insper, defende que “dizer não à China é um movimento protecionista que não deveríamos perseguir”.

Exportação de soja brasileira para a China

Por outro lado, para o professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, André Cunha, caso o Brasil não formule uma estratégia adequada, a concorrência chinesa pode acarretar feitos negativos para a indústria nacional. Nota-se que a pauta de exportação brasileira para o país asiático é fortemente concentrada em bens primários, principalmente minério de ferro e soja. Ademais, Pedro Rossi, professor de Economia da Unicamp, argumenta que o pacote de privatizações defendido pelo Presidente Temer na China ameaça “a soberania nacional e a própria democracia brasileira”.

Nesse contexto, percebe-se que a estratégia de privatização do setor de infraestrutura perseguida pelo Governo Federal vai de encontro ao projeto de desenvolvimento executado pelo país asiático. Isso porque os investimentos em infraestrutura no território chinês são realizados fundamentalmente por empresas públicas chinesas. Além disso, é interessante notar que são corporações estatais as principais interessadas na aquisição da Eletrobrás. Logo, caso o plano de privatizações do Presidente Michel Temer seja bem-sucedido, o setor elétrico no Brasil não será mais administrado por uma empresa estatal brasileira, mas sim por companhias controladas pelo Governo da China.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente do Brasil, Michel Temer, e Presidente da China, Xi Jinping, em 2016” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Presidente_Michel_Temer_e_Presidente_Xi_Jinping.jpg

Imagem 2Marca da empresa estatal chinesa State Grid, principal interessada na aquisição da Eletrobrás” (Fonte):

https://zh.wikipedia.org/wiki/%E5%9B%BD%E5%AE%B6%E7%94%B5%E7%BD%91#/media/File:State_Grid.svg

Imagem 3Exportação de soja brasileira para a China” (Fonte):

http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2015/11/economia/464702-exportacao-de-soja-gaucha-e-a-maior-da-historia.html

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Presidente do México visitará a China para fomentar o comércio

De acordo com a Secretaria de Relações Exteriores, o Presidente do México, Enrique Peña Nieto, foi convidado pelo presidente chinês Xi Jinping para participar de um Diálogo de Economias Emergentes durante um Fórum de Negócios, entre os dias 4 e 5 de setembro, em Xiamen, na China.

VIII Cúpula dos BRICS, na Índia, em 2016

Além do encontro bilateral com o anfitrião chinês, Peña Nieto também participará da IX Reunião de Cúpula dos BRICS (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Durante o evento serão discutidos os seguintes temas: cooperação e implementação da Agenda 2030*; intensificação da cooperação Sul-Sul; promoção do comércio; e a aplicação de mecanismos para à erradicação da pobreza.

Conforme apontam especialistas, o Diálogo de Economias Emergentes será uma ótima oportunidade para o México tentar diminuir sua dependência do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês), especialmente com os Estados Unidos. Neste encontro, mais de 80

0 líderes empresariais devem discutir oportunidades de investimento, comércio, conectividade, cooperação financeira, desenvolvimento e uso sustentável dos recursos marinhos.

Presidente norte-americano, Donald Trump, mostra a ordem executiva que retirou os EUA da Parceria Transpacífica (TPP)

A visita de Peña Nieto ocorrerá na mesma semana em que os representantes norte-americanos, mexicanos e canadenses se reunirão na Cidade do México para uma rodada de negociações sobre a renovação do NAFTA (entre os dias 1o e 5 de setembro).

Na tentativa de aumentar o comércio com a América Latina e a Ásia, durante a semana passada (entre os dias 21 e 23 de agosto), o México participou de algumas negociações na Austrália, com o objetivo de alavancar o acordo comercial da Parceria Transpacífica, interrompido pela saída dos Estados Unidos, em janeiro deste ano (2017).

Em resposta ao dinamismo mexicano, no domingo (dia 27 de agosto), o presidente estadunidense Donald Trump voltou a dizer que poderia se retirar do NAFTA com base nos mesmos argumentos que tem apresentado durante os últimos meses: desemprego e déficit na balança comercial.

Para finalizar sua viagem à China, Peña Nieto visitará os escritórios da Alibaba Group Holding Ltd, no dia 6 de agosto, em Hangzhou, um dos principais consórcios privados no comércio eletrônico e economia digital, além de ser uma das empresas mais valiosas da Ásia. O Governo mexicano e a gigante asiática estão trabalhando para que as empresas mexicanas incorporem seus produtos e serviços na plataforma de negociação da Alibaba, que tem mais de 500 milhões de consumidores em diversos países ao redor do mundo.

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Notas:

* Concluídas em agosto de 2015, as negociações da Agenda 2030 culminaram em um documento ambicioso que propõe 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas correspondentes, fruto do consenso obtido pelos delegados dos Estados-membros da ONU, que devem ser implementadas entre 2016 e 2030. Confira a íntegra do documento da Agenda 2030:

http://www.itamaraty.gov.br/images/ed_desenvsust/Agenda2030completoportugus12fev2016.pdf

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente chinês, Xi Jinping (à direita), cumprimenta o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, durante a Cúpula do G20 de 2016” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/599182610

Imagem 2VIII Cúpula dos BRICS, na Índia, em 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/BRICS

Imagem 3Presidente norteamericano, Donald Trump, mostra a ordem executiva que retirou os EUA da Parceria Transpacífica (TPP)” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/632489942

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O Clã do Golfo e outros novos Narcos na Colômbia

Com o avanço dos acordos de paz na Colômbia, novos grupos podem ocupar os territórios deixados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), dentre estes está o Clã do Golfo (Clan del Golfo). No twitter do Clã está escrito: “no queremos negociar…queremos seguir traqueteando”. A palavra “traquete” significa em português chocalho, assim traquetear poderia significar chacoalhar.

A Polícia Antinarcóticos promove várias ações contra o Clã, dentre elas a distribuição de panfletos informando o pagamento de recompensa para quem tiver informações sobre seus líderes, esconderijos, armas e narcóticos. Panfletos são jogados de helicópteros ou entregues em barreiras policiais. Atualmente foi divulgado na imprensa brasileira que existe uma associação entre o Clã do Golfo e o grupo brasileiro Primeiro Comando da Capital (PCC). Informam que através desta parceria foi enviada uma grande quantidade de entorpecentes para a Europa, além de outros lugares.

Exército colombiano destrói laboratório para o processamento de cocaína

Em maio de 2017, a Colômbia autorizou bombardeios aéreos contra os Clãs Usuga, Los Pelusos e Los Pontilleros. Estes considerados pelas FARC como grupos paramilitares e classificados pelo Governo como grupos criminosos dedicados ao narcotráfico. Estas ações estão baseadas nas “Diretiva 15”, que permite o uso de toda força disponível do Estado contra os grupos armados, sobretudo os que possuem a maior hostilidade.

Nas redes sociais, está chamando atenção a figura de Jaime Restrepo (autointitulado: El Patriota). Opositor do processo de paz, faz elogios ao ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe. Seu comentário em relação ao atentado no Centro Comercial Andino foi compartilhado no twitter do Clã do Golfo: “eu vejo muito repúdio pelas fotos e sangue das vítimas e aplausos para os algozes das FARC. Essa é a Colômbia!

Exército colombiano erradica 10,2 hectares de cultivos ilícitos na zona rural de Codazzi

O atentado ao Centro Comercial Andino ocorreu no dia 17 de maio de 2017, na véspera do Dia dos Pais. Um artefato explosivo foi colocado no banheiro feminino. Três pessoas morreram e nove ficaram feridas. Jorge Hernando Nieto, diretor da Polícia Nacional afirmou que os suspeitos capturados no último dia 24 de junho de 2017 pertencem ao Movimento Revolucionário do Povo (MARP) que, juntamente com o Clã do Golfo, se opõe ao processo de paz. O MRP fez sua primeira aparição pública em setembro de 2015.

A partir destas informações pode-se perceber que o processo de paz não se encerrará tão facilmente, no entanto, é possível falar em redução de sua intensidade, mas não em seu fim definitivo. Um indicativo disso é a recente aliança entre os ex-presidentes Andrés Pastrana e Álvaro Uribe e sua possível vitória no pleito presidencial de 2018, sobretudo com o desgaste político de Santos e o fim de seu mandato, que poderão impedir o avanço das conversações, por exemplo, com o Exército de Libertação Nacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Exército da Colômbia faz apreensão de drogas” (Fonte):

https://twitter.com/col_ejercito/status/744989465672749056

Imagem 2Exército colombiano destrói laboratório para o processamento de cocaína” (Fonte):

https://twitter.com/COL_EJERCITO/status/880164652436439040

Imagem 3 Exército colombiano erradica 10,2 hectares de cultivos ilícitos na zona rural de Codazzi” (Fonte):

https://twitter.com/COL_EJERCITO/status/879951246609731584

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

México perde espaço para a China na indústria automobilística

De acordo com o Jornal Reuters, na semana passada (dia 20 de junho), a Ford anunciou que vai realocar a produção do novo modelo Focus de Michigan para à China e não para o México, como havia pré-estabelecido.

A mudança de plano ocorre um mês após a empresa automobilística nomear seu novo Diretor Executivo (CEO, sigla em inglês), Jim Hackett, ex-dirigente da unidade de mobilidade inteligente, responsável pelos projetos de veículos autônomos da Ford.

Diretor Executivo da Ford Motor Company

O objetivo anterior de mudar a produção para o México já havia sido criticado pelo presidente Donald Trump, mesmo que a mudança não impactasse o mercado de trabalho norte-americano, pois a Ford planejava substituir a produção do Focus em Michigan por dois novos veículos.

É interessante destacar que, durante a campanha presidencial, Donald Trump chegou a culpar a China e ao México pela fuga das fábricas estadunidenses do país e ameaçou impor tarifas pesadas aos carros fabricados no território vizinho. Entretanto, após eleito, Trump passou a ser mais moderado em relação ao tema. Os preparativos para a renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, sigla em inglês), que começa em agosto, acabaram reaproximando os dois países.

Contudo, a decisão atual da Ford preocupa a economia mexicana, pois não é o primeiro movimento de recuo dado pela empresa. Em janeiro deste ano (2017) a empresa cancelou a construção de uma montadora avaliada em 1,8 bilhão de dólares no Estado mexicano de San Luis Potosi. Apesar disso, segundo Alfredo Arzola, diretor do cluster automotivo do Estado de Guanajuato, ainda existe uma grande taxa de investimento nas montadoras mexicanas.

Não obstante, o novo plano da Ford preocupa também o representante de comércio dos EUA, Robert Lighthizer, que disse não entender o motivo da mudança. Para Lighthizer, se a mudança for por “razões não econômicas”, o Governo deve agir de alguma forma.

Segundo Philippe Houchois, analista de investimentos no setor automobilístico do Banco Jefferies, a produção mexicana de carros foi favorecida, durante muito tempo, pela baixa qualidade dos veículos produzidos na China, que não alcançavam os padrões globais. Porém este cenário tem se modificado. Na última década, as montadoras mundiais investiram fortemente em fábricas chinesas para torná-las capazes de construir carros com a qualidade dos mercados desenvolvidos, mas, alguns estudos ainda mostram que a fabricação mexicana é competitiva e os líderes empresariais acreditam que as negociações do NAFTA entre o México, os Estados Unidos e o Canadá podem, em última instância, produzir regras regionais que beneficiem o investimento local.

Ford modelo Focus RS 2016

Mesmo assim, a Ford destaca que sua decisão equilibrou seu custo em relação às taxas de mão-de-obra chinesa (mais barata) e o transporte (mais caro), e após uma remodelação já planejada de sua fábrica chinesa, a empresa economizou cerca de 500 milhões de dólares com a mudança. Portanto, aparentemente, foi por razões econômicas.

Em 2016, a Ford vendeu 169.000 veículos Focus, um declínio de 17% comparado ao ano anterior. Tal queda nas vendas pode estar relacionada ao fato de que o Focus atual está um pouco ultrapassado em comparação com seus concorrentes, como Honda Civic, Toyota Corolla e Hyundai Elantra.

Segundo Jacob George, gerente geral da J.D. Power Asia Pacific Operations, apesar da melhora significativa da qualidade dos carros produzidos na China, quando se compara o percentual de qualidade entre China e México, nota-se ainda um atraso de 4 a 6 anos da produção chinesa. Essa é a média de tempo que a nova planta da Ford tardará para iniciar sua produção na China. O início de sua implantação está previsto para meados de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Ford World Headquarters em Dearborn, Michigan, também conhecido como Glass House” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Motor_Company

Imagem 2Diretor Executivo da Ford Motor Company” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_Hackett_(businessman)

Imagem 3Ford modelo Focus RS 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Focus

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Empresas chinesas investem em Segurança Pública na América Latina

A segurança pública é um tema discutido em todo o mundo, principalmente em países considerados em desenvolvimento, como os da América do Sul, em que são analisadas as carências e possíveis soluções para o setor. Nesse sentido, corporações chinesas apostam neste seguimento para ampliar seu leque de negócios nos Estados latino-americanos e, buscando apresentar o melhor em soluções tecnológicas, a empresa chinesa Huawei está promovendo a Cúpula Da Cidade Segura da América Latina, em São Paulo, contando com a presença de autoridades de todo o Brasil e de nações vizinhas.

Essa gigante da comunicação apresentou diversas soluções tecnológicas para o monitoramento em tempo real, as quais podem contribuir para a segurança de pequenas e grandes cidades, não apenas com softwares, mas também com hardwares que podem compor desde uma frota de ônibus até meios de monitoramento aéreo. O objetivo da empresa é apresentar recursos de ponta de forma acessível para a aquisição de firmas ou instituições que cuidam da segurança pública em suas respectivas jurisdições.

Foto: Prefeitura de São Paulo – Reprodução Tecmundo.com

A cidade de São Paulo está sendo uma das primeiras no país a contar com a presença dos chineses no campo da Segurança. Em abril deste ano (2017), a Prefeitura recebeu a doação de equipamentos da chinesa Dahua Technology, recebendo kits com câmeras para vigilância e drones para uso da Guarda Civil Metropolitana (GCM), equipamentos avaliados em cerca de R$ 650 mil reais. Além disso, a administração municipal deverá contar com mais de 150 mil reais em serviços de suporte, através de uma doação da companhia Airobotics.

O programa batizado de Dronepol deverá ser um modelo a ser disseminado para outras cidades brasileiras e até para governos estaduais e federal, e já está atravessando fronteiras.  Durante o primeiro dia de evento, agentes que compõem a força policial da cidade de Sucre*, capital da Bolívia, demonstraram interesse em ampliar sua parceria com as empresas chinesas, seguindo o exemplo da capital paulista.

O Prefeito da cidade paulista de Campinas, Jonas Donizette, e o governador do Estado de São Paulo (Brasil), Geraldo Alckmin, também apresentaram entusiasmo com o que vem sendo apresentado no evento e estudam meios de viabilizar parcerias para agregarem aos seus sistemas de segurança atuais. A tecnologia chinesa viabiliza integrar reconhecimento facial nas câmeras de monitoramento fixas e de drones que sobrevoam regiões onde são necessários, como em grandes manifestações e eventos de público aberto.

Sistema de monitoramento da Huawei. Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

No Brasil e em outros países vizinhos, a monitorização e manutenção de equipamentos que fazem a vigilância e acompanhamento em suas pequenas e grandes cidades têm custos muito elevados e nem todos contam com equipamentos com tecnologias nacionais. Grandes corporações chinesas sabem dessa deficiência e apostam em parcerias com empresas regionais para redução de custos e para oferecer soluções mais atrativas do que as propostas pelas empresas estadunidenses e europeias.

Um fato que é reconhecido é a carência por soluções tecnológicas para segurança pública na América Latina e esse ponto gera um grande mercado que está cada vez mais perto de receber uma presença massiva de tecnologias chinesas, o que poderá contribuir ainda mais na mudança das relações entre a China e países da América Latina, em especial as sul-americanos, passando de simples transações de importação e exportação de bens primários e de construção civil para o comércio de tecnologia avançada.

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* Sucre é capital constitucional da Bolívia, além de ser, também, a capital do Departamento de Chuquisaca. A sede do Governo, no entanto, está localizada em outra cidade, La Paz, fazendo desta a capital de fato de Bolívia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da Cidade Segura em São Paulo” (Fonte Autor):

Foto Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Imagem 2 Drones chineses devem ajudar GCM no monitoramento da cidade de São Paulo” (Fonte Foto: Prefeitura de São Paulo Reprodução Tecmundo.com):

https://www.tecmundo.com.br/drones/116103-drones-chineses-devem-ajudar-gcm-monitoramento-cidade-paulo.htm

Imagem 3 Sistema de monitoramento da Huawei” (Fonte Autor):

Foto Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWSPAPER

Agências de RiscoAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Brasil: o rebaixamento da perspectiva de nota pela Moody’s

A delação dos donos e diretores da empresa brasileira JBS e suas consequências políticas foram os últimos acontecimentos de uma crise ampla das instituições políticas do Brasil; e os agentes financeiros estão reagindo em todos os momentos aos desdobramentos da crise. Nesse sentido, a delação de Joesley Batista, um dos seus proprietários, relacionada ao caso Lava Jato, repercutiu fortemente nos mercados. A última dessas reações foi realizada pela agência de rating Moody’s, que alterou no último dia 26 de maio, sexta-feira passada, a perspectiva de nota brasileira de estável para negativa, acompanhando o que a Standard and Poor’s havia feito quatro dias antes. Outros índices, além das agências, porém, devem ser analisados para permitir o entendimento mais completo das reações dos mercados à última faceta da crise brasileira e para ver se as ações das agências geram efeitos nos mercados brasileiros.

Imagens Operação Lava Jato. Fonte: Wikipedia

O impacto do último dia 17 de maio (quarta-feira da semana retrasada), quando a delação de Joesley foi amplamente divulgada, transpareceu em vários índices financeiros. Nesse dia, o EMBI+, ou Risco-Brasil, que mede o diferencial da taxa de retorno dos títulos brasileiros em relação aos estadunidenses, subiu 42 pontos-base, ou 0,42%. Esse índice estava em uma trajetória de queda suave desde do início de 2017. O dólar, por sua vez, passou de 3,13 reais/dólar, no dia 17, para 3,38 reais/dólar, no dia 18, o que representa um aumento expressivo, visto que o dólar se mantinha na casa dos 3,1 reais/dólar desde o início de 2017. Por fim, o IBOVESPA, índice que mede o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, despencou de 67.540 para 61.597. A junção desses três índices demonstraria o aumento da insegurança dos mercados e o início de um processo de fuga de capital no Brasil.

O IBOVESPA, porém, mostrou tendência ascendente nos últimos dias, ainda que moderada. Isso reflete o que o índice MSCI Brasil, produzido pela Morgan Stanley e que mede o mercado brasileiro, já havia notado. Como avaliado pelo jornal financeiro Bloomberg, o MSCI, apesar de uma pequena queda inicial dia 17, voltou a crescer nos dias posteriores. Isso indica, de acordo com tal jornal, que os investidores estrangeiros estão comprando as ações que tiveram seus preços derrubados no mesmo dia 17 e estão otimistas com as perspectivas político-econômicas do Brasil. O MSCI é um índice muito utilizado por fundos de pensão do exterior, e fundos estrangeiros relacionados a trocas cambiais focados no Brasil atraíram 856 milhões de dólares em fluxos na última semana.

Logo da Moody’s. Fonte: Wikipedia

Dessa forma, evidencia-se que a reação dos mercados foi imediata à delação de Joesley, ainda que não completamente como seria imaginado, visto que ainda existe aposta no mercado brasileiro. Após essas mudanças mais drásticas, houve uma estabilidade nos índices nos últimos dias, mesmo que eles não tenham voltado aos seus valores originais.

As agências de avaliação de risco, nesse sentido, parecem ter chegado atrasadas, apenas reagindo aos movimentos dos investidores uma semana após suas ações. Anúncios de perspectiva de notas não são tão impactantes como anúncios de uma de facto mudança, porém ainda assim é importante notar que nenhum dos índices avaliados sofreu alguma alteração significativa nos dias posteriores às ações das agências. Visto que o papel delas seria formar uma posição dos investidores, e não reagir às suas ações, salienta-se que, nesse caso da delação da Joesley Batista, elas não foram significantes para o entendimento das ações dos mercados financeiros no Brasil nos últimos dias. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 BOVESPA” (Fonte Leo Pinheiro):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa_de_Valores_de_S%C3%A3o_Paulo#/media/File:Bovespa_Traders.jpg

Imagem 2 “Operação Lava Jato” (Fonte Holy Goo):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dela%C3%A7%C3%B5es_da_JBS_na_Opera%C3%A7%C3%A3o_Lava_Jato#/media/File:Montagem_Lava_Jato.jpg

Imagem 3Logo da Moodys” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moodys_logo_blue.jpg