ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Manufatura chinesa registra maior queda desde 2009 devido ao coronavírus

A atividade do setor manufatureiro da China registrou a maior queda desde 2009, em meio à desaceleração econômica que o país vem sofrendo devido ao surto de coronavírus. Segundo o Bureau Nacional de Estatísticas da China, o Índice de Gestores de Compras (PMI) para o mês de fevereiro se situou em 35,7 pontos, contra 50,0 pontos em janeiro. Uma cifra acima de 50 indica expansão da atividade e, abaixo, contração, informa a agência de notícias Reuters.

O resultado é muito inferior à previsão dos analistas entrevistados pela Reuters, cuja média era de 46,0, um nível inédito desde janeiro de 2009. Os analistas da consultoria japonesa Nomura Holdings estimam que o crescimento chinês no primeiro trimestre deve ser de 2%.

Desconfiados do aumento dos custos econômicos, os principais líderes chineses instaram os governos locais, fábricas e trabalhadores a reiniciar as operações o mais rápido possível nas regiões menos afetadas, mas muitas autoridades estão preocupadas com o ressurgimento de infecções. Contudo, os dados oficiais mostraram que os níveis de produção das fábricas pequenas e médias eram de apenas 32,8% até quarta-feira (26 de fevereiro de 2020), e somente 40% dos trabalhadores imigrantes retornaram ao trabalho. Assim, muitas fábricas de pequeno porte têm sofrido com a falta de mão de obra.

Pessoas usando máscaras de proteção, em Guangzhou, na Província de Guangdong

Já a britânica Capital Economics publicou um comunicado na última sexta-feira (28) afirmando que “mesmo com a volta ao trabalho dos trabalhadores chineses, algumas fábricas ainda devem enfrentar problemas para se regularizar, já que outros países também enfrentam paralisações na produção”. Segundo os economistas da americana Morgan Stanley, o impacto no crescimento global do primeiro trimestre corre riscos de se manter também até a metade do ano (2020).

Esses dados desalentadores destacam o elevado dano econômico causado pelo coronavírus na segunda maior economia do mundo, que matou quase 3.000 pessoas na China continental e que levou à implementação de medidas de quarentena. No entanto, o presidente Xi Jinping assegurou repetidamente aos líderes mundiais que o impacto econômico do vírus é temporário e que Pequim espera atingir as metas de crescimento de 2020.

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Imagem 1 Pessoas usando máscaras de proteção em mercado no Condado de Yanshan, Província de Hubei” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=500&offset=200&profile=default&search=coronavirus+china&advancedSearch-current={}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:People_wearing_mask_in_Yanshan_InZone_20190129.jpg

Imagem 2Pessoas usando máscaras de proteção, em Guangzhou, na Província de Guangdong” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=500&offset=200&profile=default&search=coronavirus+china&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=2vrbnloidljl3vkilae4w1urj#%2Fmedia%2FFile%3AStreet_photo_in_Guangzhou_city_%2849477439332%29.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Governo chinês promete promover o crescimento e combater a pobreza e a poluição em 2020

Os líderes da China prometeram fomentar o crescimento econômico em 2020, diante da guerra tarifária com os Estados Unidos, e reduzir a pobreza e a poluição. Segundo uma declaração da mídia estatal chinesa na sexta-feira (13 de dezembro de 2019), os líderes do Partido Comunista Chinês se comprometeram a promover o desenvolvimento nacional baseado na tecnologia e na competição, por meio de uma maior abertura da parte da economia que ainda é dominada pelo Estado, informa o jornal South China Morning Post.

A Reunião Anual de Trabalho Econômico, que terminou na quinta-feira (12 de dezembro de 2019), estabelece as metas do governo para o ano que vem (2020). A reunião “enviou um forte sinal de que a estabilidade é a primeira prioridade”, afirmou a empresa americana do ramo de serviços financeiros, Citigroup, em um relatório. Mas, destacou que “alguns dos elementos que afetaram a desaceleração da China em 2019 continuarão a moldar a economia do próximo ano”.

Os governantes chineses estão em meio a uma campanha de orientar o país em direção a um crescimento mais sustentável, embora mais lento, com base no consumo doméstico, em vez de comércio e investimento. Seus planos foram desafiados pela guerra comercial com os Estados Unidos e por uma queda inesperadamente acentuada na demanda dos consumidores. No terceiro trimestre de 2019, o crescimento econômico caiu para uma das menores taxas nas últimas décadas, em torno de 6% ao ano, em relação ao mesmo período de 2018.

Fábrica às margens do Rio Yangtzé, na China

Pequim prometeu combater “três grandes batalhas”: contra a pobreza, a poluição e o risco financeiro. Segundo o governo, “o Partido Comunista garantiria crescimento razoável na economia e o crescimento estável do comércio. Não houve menção direta à guerra comercial com Washington, mas afirmou-se que o país enfrenta “crescentes riscos e desafios em casa e no exterior”.

A China tentou manter o crescimento econômico por meio do afrouxamento dos regulamentos sobre empréstimos bancários e da injeção de dinheiro na economia por intermédio do aumento do investimento em obras públicas. Mas, a liderança governamental deseja evitar o aumento da dívida e declarou que prefere contar com reformas estruturais a gastar com estímulos econômicos. As tarifas comerciais dos Estados Unidos atingiram os exportadores chineses, que, por sua vez, responderam aumentando as vendas para outros mercados, deixando o país com poucas perdas no comércio global no ano de 2019.

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Imagem 1 O Presidente da República Popular da China, Xi Jinping” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=80&profile=default&search=xi+jinping+filetype%3Abitmap&advancedSearch-current={%22fields%22:{%22filetype%22:%22bitmap%22}}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Xi_Jinping_at_Great_Hall_of_the_People_2016.jpg

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ÁFRICAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Gana fecha acordo com China sobre bauxita, de aproximadamente 8 bilhões de reais

Gana fechou um acordo de 2 bilhões de dólares (aproximadamente 8,3 bilhões de reais, segundo a cotação de 22 de novembro de 2019) com a China, no qual, o país asiático construirá estradas e pontes em troca de bauxita do país. Pequimlançou o primeiro pacote de fundos no valor de 649 milhões de dólares (aproximadamente 2,7 bilhões de reais, também conforme a cotação de 22 de novembro de 2019), afirmou o Vice-Presidente de Gana, Mahamudu Bawumia, na segunda-feira (11 de novembro de 2019), informa o jornal South China Morning Post.

O acordo incluiu um empréstimo de 42,7 milhões de dólares (aproximadamente 179,1 milhões de reais, na cotação de 22 de novembro de 2019) e o perdão de uma dívida no valor de 35,7 milhões de dólares (em torno de 149,8 milhões de reais, ainda conforme com a cotação de 22 de novembro de 2019), para auxiliar o desenvolvimento da infraestrutura de Gana. Os chineses também ajudarão a aperfeiçoar as habilidades dos trabalhadores ganeses por meio de cursos vocacionais e de capacitação técnica, declarou Bawumia.

Após conversas com o Vice-Primeiro-Ministro chinês, Sun Chunlan, em Accra, capital do Gana, Bawumia apontou que quatro projetos de construção de estradas sob a primeira fase do acordo foram sancionados pela China Export e pelo Credit Insurance Corporation, conhecida como Sinosure. O Vice-Presidente ganês indicou: “Esperamos que o restante [da verba] venha até março de 2020”.O Presidente de Gana, Nana Akufo-Addo, destacou: “Esperamos que os outros seis projetos, que estavam sendo avaliados pela Sinosure, sejam aprovados até o final do ano [2019]”.

O Vice-Presidente de Gana, Mahamudu Bawumia

A China é o maior importador de minerais africanos e investiu bilhões de dólares em operações de mineração em todo o continente. Suas principais importações de Gana abrangem petróleo bruto, minério de alumínio, manganês e madeira bruta no valor de 2,4 bilhões de dólares por ano (próximos de 10 bilhões de reais, conforme a cotação de 22 de novembro de 2019), de acordo com um estudo da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos.

Pequim exportou 4,8 bilhões de dólares (aproximadamente 20 bilhões de reais, ainda na mesma cotação) em eletrônicos, máquinas, têxteis, produtos químicos, plásticos e borracha para Gana em 2018, segundo o estudo. Entre 2000 e 2017, a China concedeu mais de 143 bilhões de dólares (quase 600 bilhões de reais, também nesta cotação) em empréstimos a projetos de infraestrutura africanos, mais do que qualquer outro país, de acordo com a pesquisa.

Guiné e a China assinaram um acordo em 2017 envolvendo 20 bilhões de dólares (em torno de 83,9 bilhões de reais, ainda de acordo com a cotação de 22 de novembro de 2019) em empréstimos durante 20 anos em troca de bauxita. O país asiático tem acordos semelhantes com a República Democrática do Congo, a República do Congo e Angola.

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Imagem 1 Embaixada da República de Gana em Pequim” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=Ghana+Beijing&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=wcl8uctr57x60ki2as2uaez2#%2Fmedia%2FFile%3AGhanian_Embassy_in_Beijing.JPG

Imagem 2O VicePresidente de Gana, Mahamudu Bawumia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=Bawumia&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:TDB_64th_Session_Wednesday_13_Sept.-Morning-(37034258966).jpg

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Roupas de banho artesanais colombianas fazem sucesso na China

Uma marca de trajes de banho femininos da Colômbia está fazendo sucesso na China. Trata-se da Agua Bendita, que reúne o trabalho de mais de 550 artesãs do departamento colombiano de Antioquia.

Criada em 2003, por Catalina Álvarez e Mariana Hinestroza, a Agua Bendita era uma pequena confecção cujos produtos eram vendidos para amigas e parentes. Em 2007, elas apresentaram a coleção na Colombiamoda, famosa feira do setor, e no mesmo ano as peças apareceram na revista Sports Illustrated. Em 2015, com mais de 10 anos após sua criação, a empresa comemorou o fato de terem chegado à China.

Este foi o primeiro país asiático alcançado pela marca, que conta com 50 lojas em 12 países pelo mundo, dentre eles: Aruba, Equador, Estados Unidos, México, Panamá, Paraguai e Venezuela. No processo de internacionalização, a empresa teve o suporte da agência de promoção de exportações ProColombia.

Modelo e marca da Agua Bendita

A Agua Bendita teve que fazer adaptações dos produtos ao tipo físico das chinesas e criou novos modelos. Além disso, adotou um posicionamento de marca voltado a um nicho de mercado formado por consumidores de alto poder aquisitivo, e que valorizam a moda.  Isso fez da filial chinesa a loja líder de vendas da rede no mundo.

Entusiasmada com os resultados, a companhia deseja atingir outros mercados do Oriente, a exemplo do Japão e da Malásia. Para isso, estão buscando investidores que aportem não só capital como conhecimento dos mercados-alvo. Esteban González, CEO da empresa, ressalta que a produção não atingirá escala industrial porque a intenção é manter o estilo artesanal, responsável pelo sucesso internacional da Agua Bendita.

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Imagem 1 Peças da Agua Bendita” (Fonte): https://scontent.fudi1-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/74605524_2850107281708738_7115834604069584896_n.jpg?_nc_cat=110&_nc_oc=AQkkUokN9dGHdR4SMciiVeMJYKBsK4ijATJ7X60XfHHdyxC167C96DNXXamkKUtrmRk&_nc_ht=scontent.fudi1-2.fna&oh=b2c4ca24203825aa5a42b4ae0ef7295b&oe=5E5037E0

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Cientistas chineses criam grão de soja que tornará o país mais resiliente durante guerra comercial

Uma nova espécie híbrida de soja pode ajudar a China a arcar com os custos mais altos de sua importação durante a guerra comercial com os Estados Unidos, informa o jornal South China Morning Post.

Os testes com um grão de soja na Região Autônoma de Xinjiang, no oeste da China, alcançaram um rendimento recorde depois que cientistas do nordeste do país criaram uma espécie híbrida que produz favas extras e é mais resistente a intempéries. Essa nova variedade de soja, chamada de Henong-71­,produz quatro vezes a quantidade média produzida pela soja plantada na China.

As importações da planta dos Estados Unidos caíram depois que Pequim aplicou tarifas punitivas de 25% sobre a soja americana, em julho de 2018. Isso forçou a China, o maior consumidor de soja do mundo, a comprar de outros países e a aumentar a produção doméstica. O país importou 88 milhões de toneladas do grão no ano de 2018. 

Plantação de soja na Carolina do Sul, nos Estados Unidos

O plantio de transgênicos é ilegal em território chinês, então os pesquisadores do Instituto de Geografia e Agroecologia do Nordeste, em Changchun, foram obrigados a encontrar formas alternativas de aumentar a produtividade e reduzir os custos. Uma equipe liderada pelos professores Guo Tai e Feng Xianzhong criou várias novas espécies híbridas domesticadas e selvagens, e depois colocou as sementes em uma câmara radioativa para acelerar a mutação que ocorre na luz solar.

Ao contrário das espécies transgênicas, essa soja não contém genes artificiais, mas os pesquisadores selecionaram e aumentaram os genes que já possuíam para melhorar o rendimento e aprimorar características específicas, como fortalecer a haste da planta para ajudá-la a prosperar em condições de vento.

O Henong-71, que cultivou um número maior de vagens e ramos do que as espécies existentes, e resistiu a ventos mais fortes, foi o híbrido com o melhor desempenho até agora. As sementes dessa variedade produziram 6,7 toneladas por hectare enquanto o rendimento médio nos Estados Unidos é de cerca de três toneladas por hectare.

Existe a possibilidade de que essa novidade também afete o Brasil, pois o país asiático figura como o principal mercado consumidor da soja brasileira. A China importou 27,6 milhões de toneladas de soja do Brasil apenas no primeiro quadrimestre de 2019. Contudo, a produtividade média da soja brasileira é de 3,3 toneladas por hectare. Assim, o Brasil precisará investir em desenvolvimento agrícola e biotecnologia para garantir a sua atual fatia do mercado chinês, frente à competitividade da variedade Henong-71.

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Imagem 1 Grãos de soja” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=soybean+china&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Soybeans_(30182217494).jpg

Imagem 2 Plantação de soja na Carolina do Sul, nos Estados Unidos”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=soybean&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Soybean_1292.JPG

ÁFRICAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Cabo Verde: investimento chinês e a Economia Azul

Em termos conceituais, a Economia Azul se refere às atividades econômicas que se utilizam do mar como principal recurso, aliado a princípios de sustentabilidade, políticas de gestão consciente de recursos naturais e desenvolvimento econômico-social. A insularidade cabo-verdiana posiciona o país dentro das dinâmicas da Economia Azul como um possível vetor da iniciativa para além do continente.

Como evidenciou o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, em ocasião da 74a Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que ocorreu em setembro de 2019, há grande potencial no posicionamento geográfico de Cabo Verde. Complementarmente, ele ressaltou a necessidade de investimentos para impulsionar as capacidades do arquipélago para a geração de energias limpas, turismo e outros setores ligados ao oceano.

Nesse contexto observa-se o estreitamento das relações de Cabo Verde com a península chinesa da Região Administrativa Especial de Macau. Esse foi o pano de fundo da Conferência Plataforma Azul, também realizada em setembro (2019), na cidade de Gaia, em Portugal. O evento, que contou com representações do meio acadêmico e delegações de cidades dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e de Macau, teve como objetivo o desenvolvimento de uma rede sub-regional de apropriação do mar em uma perspectiva ecológica.

Mapa de Macau

Tal iniciativa de aproximação chinesa com os Estados Insulares da lusofonia africana se deve ao desenvolvimento da “Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau”, ao estabelecimento de conexões além-mar, e ao fortalecimento da ligação cultural e histórica entre as ex-colônias portuguesas.

O turismo, como uma das vertentes da Economia Azul, também é uma pauta contemplada nas relações entre Cabo Verde e China, tanto que se busca a captação de investimentos privados neste setor. Como exemplo, pode-se citar a recepção do Grupo Macau Legend, que anunciou a construção de um complexo de hotel e cassino no ilhéu Santa Maria, com um investimento de 90 milhões de euros (cerca de 409,9 milhões de reais, de acordo com a cotação de 1o de outubro de 2019), cuja conclusão é prevista para o ano de 2020.

Pesca artesanal

Na esfera governamental será divulgado em novembro de 2019 o Plano para a Economia Azul. Desenvolvido pelo Comitê de Pilotagem para Economia Azul, o documento fundamentará os futuros projetos infraestruturais e novos empreendimentos externos, seguindo as diretrizes de preservação do meio ambiente. Além da preservação da saúde dos mares, a preocupação com as populações costeiras torna-se relevante, tendo em vista a maior vulnerabilidade e dependência das questões ambientais. Nesse sentido, para uma plena execução dos princípios basilares da Economia Azul, a integração das populações tradicionais se faz fundamental para a promoção do desenvolvimento social e econômico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Oceano Atlântico”(Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Alto-mar#/media/Ficheiro:Clouds_over_the_Atlantic_Ocean.jpg

Imagem 2 “Mapa de Macau” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Geografia_de_Macau#/media/Ficheiro:Macau-CIA_WFB_Map.png

Imagem 3 “Pesca artesanal” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pesca_artesanal#/media/Ficheiro:Mozambique_-_traditional_sailboat.jpg