ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Cientistas chineses criam grão de soja que tornará o país mais resiliente durante guerra comercial

Uma nova espécie híbrida de soja pode ajudar a China a arcar com os custos mais altos de sua importação durante a guerra comercial com os Estados Unidos, informa o jornal South China Morning Post.

Os testes com um grão de soja na Região Autônoma de Xinjiang, no oeste da China, alcançaram um rendimento recorde depois que cientistas do nordeste do país criaram uma espécie híbrida que produz favas extras e é mais resistente a intempéries. Essa nova variedade de soja, chamada de Henong-71­,produz quatro vezes a quantidade média produzida pela soja plantada na China.

As importações da planta dos Estados Unidos caíram depois que Pequim aplicou tarifas punitivas de 25% sobre a soja americana, em julho de 2018. Isso forçou a China, o maior consumidor de soja do mundo, a comprar de outros países e a aumentar a produção doméstica. O país importou 88 milhões de toneladas do grão no ano de 2018. 

Plantação de soja na Carolina do Sul, nos Estados Unidos

O plantio de transgênicos é ilegal em território chinês, então os pesquisadores do Instituto de Geografia e Agroecologia do Nordeste, em Changchun, foram obrigados a encontrar formas alternativas de aumentar a produtividade e reduzir os custos. Uma equipe liderada pelos professores Guo Tai e Feng Xianzhong criou várias novas espécies híbridas domesticadas e selvagens, e depois colocou as sementes em uma câmara radioativa para acelerar a mutação que ocorre na luz solar.

Ao contrário das espécies transgênicas, essa soja não contém genes artificiais, mas os pesquisadores selecionaram e aumentaram os genes que já possuíam para melhorar o rendimento e aprimorar características específicas, como fortalecer a haste da planta para ajudá-la a prosperar em condições de vento.

O Henong-71, que cultivou um número maior de vagens e ramos do que as espécies existentes, e resistiu a ventos mais fortes, foi o híbrido com o melhor desempenho até agora. As sementes dessa variedade produziram 6,7 toneladas por hectare enquanto o rendimento médio nos Estados Unidos é de cerca de três toneladas por hectare.

Existe a possibilidade de que essa novidade também afete o Brasil, pois o país asiático figura como o principal mercado consumidor da soja brasileira. A China importou 27,6 milhões de toneladas de soja do Brasil apenas no primeiro quadrimestre de 2019. Contudo, a produtividade média da soja brasileira é de 3,3 toneladas por hectare. Assim, o Brasil precisará investir em desenvolvimento agrícola e biotecnologia para garantir a sua atual fatia do mercado chinês, frente à competitividade da variedade Henong-71.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Grãos de soja” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=soybean+china&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Soybeans_(30182217494).jpg

Imagem 2 Plantação de soja na Carolina do Sul, nos Estados Unidos”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=soybean&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Soybean_1292.JPG

ÁFRICAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Cabo Verde: investimento chinês e a Economia Azul

Em termos conceituais, a Economia Azul se refere às atividades econômicas que se utilizam do mar como principal recurso, aliado a princípios de sustentabilidade, políticas de gestão consciente de recursos naturais e desenvolvimento econômico-social. A insularidade cabo-verdiana posiciona o país dentro das dinâmicas da Economia Azul como um possível vetor da iniciativa para além do continente.

Como evidenciou o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, em ocasião da 74a Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que ocorreu em setembro de 2019, há grande potencial no posicionamento geográfico de Cabo Verde. Complementarmente, ele ressaltou a necessidade de investimentos para impulsionar as capacidades do arquipélago para a geração de energias limpas, turismo e outros setores ligados ao oceano.

Nesse contexto observa-se o estreitamento das relações de Cabo Verde com a península chinesa da Região Administrativa Especial de Macau. Esse foi o pano de fundo da Conferência Plataforma Azul, também realizada em setembro (2019), na cidade de Gaia, em Portugal. O evento, que contou com representações do meio acadêmico e delegações de cidades dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e de Macau, teve como objetivo o desenvolvimento de uma rede sub-regional de apropriação do mar em uma perspectiva ecológica.

Mapa de Macau

Tal iniciativa de aproximação chinesa com os Estados Insulares da lusofonia africana se deve ao desenvolvimento da “Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau”, ao estabelecimento de conexões além-mar, e ao fortalecimento da ligação cultural e histórica entre as ex-colônias portuguesas.

O turismo, como uma das vertentes da Economia Azul, também é uma pauta contemplada nas relações entre Cabo Verde e China, tanto que se busca a captação de investimentos privados neste setor. Como exemplo, pode-se citar a recepção do Grupo Macau Legend, que anunciou a construção de um complexo de hotel e cassino no ilhéu Santa Maria, com um investimento de 90 milhões de euros (cerca de 409,9 milhões de reais, de acordo com a cotação de 1o de outubro de 2019), cuja conclusão é prevista para o ano de 2020.

Pesca artesanal

Na esfera governamental será divulgado em novembro de 2019 o Plano para a Economia Azul. Desenvolvido pelo Comitê de Pilotagem para Economia Azul, o documento fundamentará os futuros projetos infraestruturais e novos empreendimentos externos, seguindo as diretrizes de preservação do meio ambiente. Além da preservação da saúde dos mares, a preocupação com as populações costeiras torna-se relevante, tendo em vista a maior vulnerabilidade e dependência das questões ambientais. Nesse sentido, para uma plena execução dos princípios basilares da Economia Azul, a integração das populações tradicionais se faz fundamental para a promoção do desenvolvimento social e econômico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Oceano Atlântico”(Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Alto-mar#/media/Ficheiro:Clouds_over_the_Atlantic_Ocean.jpg

Imagem 2 “Mapa de Macau” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Geografia_de_Macau#/media/Ficheiro:Macau-CIA_WFB_Map.png

Imagem 3 “Pesca artesanal” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pesca_artesanal#/media/Ficheiro:Mozambique_-_traditional_sailboat.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Governo chinês afirma que um acordo comercial com o Japão e a Coreia do Sul garantiria a estabilidade na Ásia

Os Ministros de Negócios Estrangeiros da China, do Japão e da Coreia do Sul terminaram o seu encontro na quinta-feira (22 de agosto de 2019), com a promessa de trabalhar em direção à maior cooperação econômica entre seus países. Na ocasião, o Primeiro-Ministro chinês, Wang Yi, encontrou-se com seus congêneres do Japão e da Coreia do Sul, respectivamente, Taro Kono e Kan Kyung-wha, no Grande Hall do Povo, em Pequim, informa o jornal South China Morning Post.

O Primeiro-Ministro da China, Li Keqiang, pediu que Tóquio e Seul apoiem a promoção do multilateralismo. Li indicou: “A cooperação entre a China, a Coreia do Sul e o Japão é uma importante salvaguarda e catalisador para a região e para o mundo. Nós devemos defender a paz regional e a estabilidade, o sistema multilateral de comércio e os princípios do livre-comércio”. Além disso, reiterou que um Acordo de Livre-Comércio garantiria uma competição mais justa e que a China deveria exercer um papel importante na promoção da cooperação entre os três países e o Leste da Ásia.

Primeiro-Ministro da China, Li Keqiang

Wei Jianguo, ex-Vice-Ministro de Comércio da China, afirmou que um acordo trilateral forneceria uma plataforma para que o Japão e a Coreia do Sul resolvam sua atual disputa comercial, que possui raízes na história colonial japonesa. Tóquio declara que já cumpriu suas obrigações em um Tratado de 1965, mas um Tribunal sul-coreano decidiu que as empresas japonesas devem compensar as vítimas de trabalho escravo durante a Segunda Guerra Mundial.

Li Keqiang também fez referência às preocupações de Pequim em relação à possibilidade da instalação de mísseis estadunidenses de alcance intermediário em países vizinhos e solicitou que Seul e Tóquio pensem cuidadosamente caso recebam alguma proposta de Washington. O governo chinês alertou que a presença de mísseis americanos na Coreia do Sul e no Japão pode comprometer as suas relações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Navio cargueiro chinês” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:YM_Orchid_(ship,_2000)_002.jpg

Imagem 2 PrimeiroMinistro da China, Li Keqiang” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Li_Keqiang,_Chinese_and_foreign_press_conference.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China faz concessões para produtos agrícolas americanos após diálogo “franco e construtivo”

A China concordou comprar mais produtos agrícolas dos Estados Unidos após diálogo comercial considerado como “franco, eficiente e construtivo”,realizado na quarta-feira (31 de julho de 2019), o primeiro entre os dois países, desde que as negociações foram suspensas em maio de 2019. Enquanto o lado chinês não especificou quais produtos comprará, afirmou em nota que levará em conta sua demanda interna, após meio dia de negociações em Xangai, na quarta-feira (31 de julho de 2019). Os representantes chineses também disseram que os Estados Unidos “criarão condições favoráveis para as importações”, informa o jornal South China Morning Post.

A Casa Branca, que classificou o diálogo desta semana como “construtivo”, declarou na quarta-feira (31 de julho de 2019) que os negociadores chineses viajarão para Washington para continuar as negociações “acerca de um acordo comercial exequível”, no início de setembro de 2019. 

A delegação estadunidense chegou à China na terça-feira (30 de julho de 2019) para um jantar de trabalho e as discussões oficiais ocorreram na manhã de quarta-feira e se estenderam até o período da tarde. As negociações ocorreram entre o Representante Comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o Vice-Primeiro-Ministro chinês, Liu He.

Plantação de soja no Estado de Ohio, nos Estados Unidos

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Pequim, Wang Yong, analisou o estado do diálogo realizado e explica: “A China começou a comprar soja dos Estados Unidos, o que pode ajudar [Donald] Trump a conter a pressão política doméstica, enquanto as empresas de tecnologia americanas levantaram suas vozes para fazer lobby junto ao governo estadunidense para que diminua o controle sobre as exportações para [a empresa de tecnologia chinesa] Huawei”. E completa: “Os banqueiros de Wall Street também esperam investir mais na China. Se ambos os lados não conseguirem chegar a um acordo, eles vão perder o mercado chinês, o qual se espera que se abra ainda mais nos próximos anos”.

Além de comprar mais produtos agrícolas, Pequim pode prometer mudar algumas de suas regulamentações para facilitar a operação de empresas estrangeiras no país, aponta Pang Zhongying, especialista em Relações Internacionais da Universidade Oceânica da China. Pang também indica que “as questões difíceis que emperram o relacionamento comercial [entre China e Estados Unidos] não serão superadas imediatamente”.

O ex-Vice-Ministro do Comércio, Wei Jianguo, observa: “Nós não podemos encarar as atuais negociações entre China e Estados Unidos como aptas a resolver os problemas no relacionamento, mas nós podemos ver como podemos usar esses diálogos para construir confiança mútua e para acabar com a desconfiança entre os dois lados”.

Assim, podemos concluir que ainda há um longo caminho para a conclusão da guerra comercial entre Washington e Pequim, mas, diálogos como o que ocorreram nesta semana indicam que as negociações estão avançando gradativamente e lançam as bases para a construção de um relacionamento mais harmonioso entre as duas grandes potências comerciais do planeta. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 VicePrimeiroMinistro da China, Liu He, e o Representante Comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=Liu+He&title=Special:Search&go=Go&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=ezkcjtz22lndjaaee8np2j8tq#%2Fmedia%2FFile%3ALighthizer_and_Liu_He_in_Washington%2C_April_2019.jpg

Imagem 2 Plantação de soja no Estado de Ohio, nos Estados Unidos” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Soybean_fields_in_Ohio#/media/File:Multicolor_soybeans_in_Hale_Township.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

China e Rússia fecham acordos no valor de 77,5 bilhões de reais

China e Rússia fecharam acordos no valor de 20 bilhões de dólares (77,5 bilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 7 de junho de 2019) para fortalecer os laços econômicos em setores como tecnologia e energia, logo após o encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin, informa o jornal South China Morning Post.

A reunião entre os dois Chefes de Estado ocorreu na quarta-feira (5 de junho de 2019) e marcou a visita de três dias de Xi Jinping ao território russo para as comemorações do 70º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Moscou e Pequim. Durante o encontro, os Presidentes expressaram o desejo de aumentar a cooperação entre os seus países.

Na quinta-feira (10 de junho de 2019), Gao Feng, Porta-Voz do Ministério de Comércio da China, afirmou que os dois países objetivam aumentar o volume de comércio entre si, a fim de alcançar o patamar de 200 bilhões de dólares (775 bilhões de reais, ainda de acordo com a cotação do dia 7 de junho de 2019). No ano passado (2018), houve um aumento de 24,5% no fluxo de comércio bilateral, atingindo o valor recorde de 108 bilhões de dólares (419 bilhões de reais, também segundo a cotação do dia 7 de junho de 2019). Gao apontou que os acordos celebrados abrangem as áreas de energia nuclear, gás natural, automóveis, desenvolvimento de alta tecnologia, comércio eletrônico e comunicações 5G.

Os acordos foram os primeiros resultados concretos oriundos da proximidade entre os dois líderes, que concordaram aprofundar sua parceria estratégica. Putin anunciou durante uma coletiva de imprensa com Xi, na quarta-feira (5 de junho de 2019): “Nós discutimos o estado atual e as perspectivas da cooperação bilateral de forma construtiva e voltada para negócios, e revisamos, de maneira substantiva, importantes questões internacionais, ao mesmo tempo que nos voltamos para a cooperação russo-chinesa em áreas que são realmente importantes para ambos os países”.

O Mandatário chinês reiterou que ambos os Estados vão trabalhar para “construir apoio e assistência mútuas em questões relativas aos nossos principais interesses com o espírito de inovação, cooperação pelo bem da vantagem comum, e promoção de nossas relações na nova era para o benefício de nossas nações e dos povos do mundo”.

Entre os acordos realizados, a Novatek e a Sinopec, as duas principais companhias de gás natural da Rússia e da China, respectivamente, assinaram um acordo preliminar com o Banco estatal russo, Gazprombank, na quarta-feira (5 de junho), para estabelecer uma joint venture para comercializar gás no território chinês. A Novatek também está formando uma parceria com a Corporação Nacional de Petróleo da China e a Corporação Nacional de Petróleo Offshore da China para desenvolver uma usina de gás natural no Ártico. Ambas as empresas chinesas serão detentoras de 10% das ações do projeto.

Uma das sedes da companhia de gás natural, Novatek, em Kostroma, na Rússia

Andrey Denisov, embaixador russo na China, declarou que o país também pretende dobrar as exportações de soja para os chineses, pois, atualmente, a Rússia detém uma pequena proporção da quantidade total de soja comprada por Pequim. Os dois lados também discutiram um investimento de 153 milhões de dólares (593 milhões de reais ainda, segundo a cotação do dia 7 de junho de 2019) para criar uma holding agrícola conjunta em Primorsky, localizada no leste da Rússia.

A companhia chinesa de telecomunicações, Huawei, também fechou um acordo com a empresa russa de telecomunicações MTS, para desenvolver uma rede de 5G. Além disso, a Corporação de Investimentos da China e o fundo soberano russo RDIF também acordaram em criar um fundo conjunto de pesquisa em tecnologia.

Shi Yinhong, professor de Relações Internacionais na Universidade Renmin, da China, disse que os dois lados estão reafirmando a sua colaboração estratégica e diplomática “em uma época de tensões extraordinárias entre Washington e Pequim”. E lembrou: “Embora a cooperação [entre a China e a Rússia] na área de alta tecnologia seja limitada, está garantida no campo puramente militar”.Em setembro de 2018, 300 mil soldados de ambos os países realizaram um exercício militar conjunto na Sibéria oriental, o maior exercício militar na Rússia em quase quatro décadas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da China, Xi Jinping, se encontra com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin (julho de 2018)”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_and_Xi_Jinping,26_july_2018(1).jpg

Imagem 2 Uma das sedes da companhia de gás natural, Novatek, em Kostroma, na Rússia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=novatek&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearchcurrent=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Novatek._Kostroma._May_2014__panoramio.jpg

América do NorteÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Destinos americanos se esforçam para atrair turistas chineses novamente

O número de turistas chineses nos Estados Unidos da América (EUA) caiu pela primeira vez em 15 anos, depois de uma década de rápido crescimento. As viagens da China para os EUA caíram 5,7% em 2018, de acordo com o Escritório Nacional de Turismo e Viagens dos Estados Unidos. Foi a primeira vez, desde 2003, que as idas de chineses para lá foram menores do que no ano anterior, informa o jornal South China Morning Post.

Como a China é um dos países que mais enviam turistas ao território norte-americano, qualquer queda já é sentida pelos destinos turísticos, que possuem grande dependência em relação aos gastos dos visitantes chineses. Em 2017, o Estado asiático figurou como o quinto maior país de origem de turistas para os Estados Unidos, logo atrás do Canadá, México, Reino Unido e Japão. O gasto desse segmento de chineses aproximou-se da quantia de 18,9 bilhões de dólares (aproximadamente 74,2 bilhões de reais, conforme a cotação de 31 de maio de 2019) entre 2008 e 2016. Em 2017, caiu 1%, para 18,8 bilhões de dólares (em torno de 73,8 bilhões de reais, ainda conforme a cotação de 31 de maio de 2019).

Em 2000, 249.000 chineses visitaram o Estado norte-americano. O número triplicou para 802.000 visitantes, no período até 2010, e triplicou novamente no período até 2015. Isso ocorreu, em parte, devido à renda maior dos cidadãos chineses, melhores conexões para voos de longo-curso e afrouxamento das regras para a obtenção de visto de turista nos EUA. A nação americana recebeu mais de 3 milhões de chineses nos anos de 2016 e 2017. Contudo, o número cresceu apenas 4% em 2017, a taxa mais lenta em mais de uma década.

No verão de 2018, a China lançou um aviso de viagem em relação aos EUA, alertando seus cidadãos sobre os altos custos de cuidados médicos no país e para tomarem cuidado com tiroteios e roubos. Os norte-americanos posteriormente retaliaram com seu próprio alerta sobre viagens à China.

Outra razão para a queda do número de visitantes chineses em território estadunidense é a incerteza econômica na China, que faz com que muitos dos viajantes de menor poder aquisitivo prefiram passar férias em locais próximos de casa, afirma Wolfgang Georg Arlt, diretor do Instituto de Pesquisa de Turismo Internacional Chinês. Um estudo do instituto demonstrou que 56% dos turistas que saíram de seu país nos últimos três meses de 2018 foram para Hong Kong, Macau ou Taiwan, comparado a 50% em 2017. Além disso, os que viajam para locais distantes estão optando por destinos mais exóticos para eles, como a Croácia, o Marrocos e o Nepal.

Larry Yu, professor de gerenciamento de hospitalidade na Universidade George Washington, aponta que os turistas chineses, particularmente os mais jovens, estão cada vez mais planejando viagens usando aplicativos de mídias sociais, como o WeChat, e são menos propensos a viajar com grupos de excursão. Eles também adotaram os sistemas de pagamento que utilizam smartphones, como o Alipay. David Becker, ex-presidente da consultoria Attract China, de Nova York, indica que os destinos dos EUA precisam investir nessas novas tecnologias se quiserem continuar a atrair os turistas chineses.

Vista da cidade Washington, D.C., capital dos EUA

Em 2017, Washington tornou-se a primeira cidade norte-americana a lançar um guia interativo para o WeChat. Os visitantes do país asiático podem usá-lo para acessar rotas para as atrações, acessar guias de viagem em mandarim e encontrar restaurantes e lojas. A capital americana também lançou um programa chamado “Bem-Vinda China”, que ensina hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais sobre costumes chineses e os encoraja a oferecer amenidades, como cardápios em língua chinesa e pantufas para serem usadas nos quartos. Até o momento, 44 hotéis e restaurantes participaram do programa.

A maioria dos analistas da indústria de turismo avalia que a queda de visitantes da China nos EUA será temporária, porque a classe média daquele país continua a expandir. O governo americano prevê que o turismo chinês vai crescer 2% em 2019 e atingir a marca de 3,3 milhões de visitantes. Estima-se que alcançará o número de 4,1 milhões de visitantes em 2023.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista da Estátua da Liberdade, em Nova York, EUA”(Fonte): https://www.pexels.com/photo/statue-of-liberty-670530/

Imagem 2 Vista da cidade Washington, D.C., capital dos EUA” (Fonte): https://www.pexels.com/photo/washington-monument-usa-739047/