AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Projetos peruanos atraem interesse de investidores europeus

Representantes da Agência de Promoção de Investimentos Privados do Peru (Proinversión), estiveram em Londres e Madri, de 25 a 28 de fevereiro de 2019, apresentando a potenciais investidores a sua carteira de parcerias público-privadas (PPP)  para 2019, especialmente na área de infraestrutura e transportes. A Proinversión informou que foram realizadas mais de 40 reuniões com fundos de investimentos, construtoras, empresas de consultoria, operadores e provedores de material rodante que demonstraram grande interesse nos projetos Trem Lima-Ica e III Grupo de Aeroportos.

A Proinversión é um órgão técnico especializado e vinculado ao Ministério de Economia e Finanças do Peru, cuja finalidade é atrair investimento privado para obras de interesse público daquele país. A viagem às capitais da Inglaterra e da Espanha ocorreu no âmbito do XVI Road Show Europa 2019 organizado pela inPerú. A inPerú é uma associação sem fins lucrativos que congrega entidades dos diversos ramos de negócios, com o fim de conectar os setores público e privado e captar investimento estrangeiro.

A primeira edição do Road Show foi realizada em Londres em 2012 e desde então tem havido pelo menos duas edições por ano, sendo que em 2015 foram promovidos o Road Show Brasil, em São Paulo, e o Road Show Asia em Tóquio, Seul e Pequim, respectivamente capitais do Japão, Coréia do Sul e China.

Apresentação de oportunidades de investimento em PPP no Peru

O Trem Lima-Ica é apresentado em vídeo do Ministério de Transportes e Comunicações do Peru como um trem de passageiros e carga que deve percorrer, em até 3 horas, os 323 km que separam as cidades de Ica a Lima a uma velocidade máxima de 200km/hora, e se conectando ao metrô desta última. Segundo Carlos Estremadoyro, Vice-Ministro de Transportes e Comunicações, o projeto tem investimento estimado em US$ 3,263 bilhões (aproximadamente, 12,610 bilhões de reais, conforme a cotação de 8 de março de 2019) e contempla o desenho, financiamento, construção com material de alta tecnologia, operação e manutenção em regime de concessão por 30 anos.

O projeto III Grupo de Aeroportos consiste na operação e manutenção, por um período de concessão de 30 anos, de 8 complexos aeroportuários regionais localizados nas cidades de Chimbote, Huánuco, Ilo, Jaén, Jauja, Rioja, Tingo María e Yurimaguas. O investimento de US$ 600 milhões (em torno de 2,32 bilhões de reais, também de acordo com a cotação de 8 de março de 2019) prevê a modernização das estações de passageiros e melhoramentos nas pistas de decolagem, de acessos (taxiamento) e no pátio de estacionamento de aeronaves.

Após as apresentações no XVI Road Show Europa 2019, as autoridades da Proinversión manifestaram seu otimismo quanto ao recebimento de propostas que deverá ocorrer entre 1º de abril e 15 de maio de 2019, para os dois projetos cujas características e condições de participação estão bastante detalhadas no vídeo publicado pela empresa do governo peruano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Autoridades peruanas no XVI Road Show Europa 2019” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/proinversion/47312770981/in/album-72157690234653423/

Imagem 2 Apresentação de oportunidades de investimento em PPP no Peru” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/proinversion/46026159125/in/album-72157678251357468/

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Itália adere à iniciativa chinesa, apesar da pressão de Washington e Bruxelas

Em 2013, Pequim lançou a Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), projeto internacional de construção de infraestruturas de transporte, telecomunicação e energia, cujo objetivo é utilizar o “cinturão” para ligar a China à Europa através da Ásia Central e da Rússia, e a “rota” para conectar a China ao continente europeu, por meio do Mar do Sul da China e do Oceano Índico. Até o momento, mais de 100 países e organizações internacionais assinaram acordos de cooperação com os chineses para desenvolver o projeto.

A Itália será um dos poucos Estados da União Europeia (UE) a conceder apoio formal à ICR, apesar da oposição dos Estados Unidos e da UE. O documento deverá ser assinado este mês (Março), durante a visita à Itália do Presidente chinês, Xi Jinping, no dia 22. A Casa Branca afirmou que a inclusão da Itália nos planos chineses não beneficiará o país economicamente e pode prejudicar significativamente a sua imagem internacional.

Conforme destacou o Jornal de Negócios,o Subsecretário do Ministério do Desenvolvimento Econômico da Itália, Michele Geraci, apontou que “as negociações ainda não terminaram, mas é possível que sejam concluídas a tempo para a visita de Xi. Também procurou justificar a decisão do governo italiano, explicando: “Queremos ter a certeza de que os produtos ‘Made in Italy’ podem ter mais sucesso em termos de volume de exportação para a China, que é o mercado que mais cresce no mundo”.

China em vermelho, os membros do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura em laranja. Os 6 corredores propostos

O desconforto de Washington e Bruxelas frente à adesão italiana à iniciativa chinesa decorre do fato de que enxergam a ICR como uma tentativa de construção de uma nova ordem internacional por uma grande potência cujo sistema político e de valores consideram como profundamente diferente do ocidental. Além disso, também consideram que os Bancos e instituições financeiras chinesas estão concedendo vultosos empréstimos para os projetos lançados no âmbito da Iniciativa, o que coloca as nações beneficiárias em risco de se encontrarem em uma “armadilha de dívidas” (“debt trap”, em inglês), fazendo com que elas entrem em uma espiral de dívidas e aumentem sua dependência em relação à China.

Um caso exemplar é o do porto de Hambantota, no Sri Lanka, construído por uma empresa estatal chinesa, que se revelou um gasto insuportável para o país, que teve de entregar o controle do porto e dos terrenos adjacentes à China, por um período de 99 anos. Pequim já é detentora da maior parte da dívida de diversas nações que se encontram ao longo da ICR, como são os casos do Quirguistão, Laos, Maldivas, Mongólia, Montenegro, Paquistão, Tadjiquistão e Djibouti. Assim como esses países, União Europeia e Estados Unidos consideram que, agora, a Itália também se coloca à mercê dos empréstimos chineses e Pequim fortalece a sua influência geopolítica no continente europeu.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 The palazzo Chigi at piazza Colonna in Rome. This is the official building of the Italian presidency of the Council of Ministers” / “O palazzo Chigi na praça Colonna em Roma. Este é o edifício oficial da presidência italiana do Conselho de Ministros” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Palazzo_Chigi_(Rome)#/media/File:Palais_Chigi.JPG

Imagem 2 China in Red, the members of the Asian Infrastructure Investment Bank in orange. The 6 proposed corridors” / “China em vermelho, os membros do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura em laranja. Os 6 corredores propostos” (Fonte):https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:One-belt-one-road.svg#/media/File:One-belt-one-road.svg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Grécia quer “financiamento coletivo” para adquirir novas Fragatas

Crowdfunding para Fragatas?

O Ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, suscitou aos seus compatriotas que ajudassem a financiar a compra de novas Fragatas para a Marinha do país (Marinha Helênica), por meio de doações a uma conta bancária criada para este devido fim. A ideia é aumentar a capacidade naval grega já a partir de 2019.

A intenção de Kammenos é de que os próprios gregos tenham participação na compra de novas embarcações. Isso surge após a Grécia passar por uma grave crise econômica que demandou um elevado esforço da União Europeia, com importante participação da Alemanha,exigindo, em contrapartida, medidas duras de austeridade.

Quanto às fragatas, vale ressaltar que o país dispõe de 13 navios, sendo que apenas um possui menos de 20 anos de operação. As outras 12 embarcações são, principalmente, do final dos anos 1970 e início dos anos 1980 (Standard); e dos anos 1990 (ClasseMeko-200HN). Não ficou claro, no discurso de Kammenos, se a construção dessas embarcações será em estaleiros nacionais ou internacionais.

Fragata Nikiforos Fokas – a mais nova da Marinha grega, tem 14 anos

Em um encontro com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, comentou sobre os principais interesses de seu país e a importância do retorno das boas relações com os russos, que ficaram estagnadas desde que os helênicos passaram a enfrentar seus problemas econômicos.

Para Tsipras, é fundamental que se resolva a questão do Chipre, que é dividido ao sul, como República do Chipre, e ao norte,como República Turca do Chipre do Norte. O último é reconhecido apenas pela Turquia, rival histórica da Grécia na região, apesar de ambos serem países-membros da OTAN.

Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras (esquerda); e o Presidente russo, Vladimir Putin (direita)

A aproximação grega com a Rússia pode ter o interesse de resolver essa questão, pressionando os turcos, que são importantes parceiros estratégicos dos russos, para que o Chipre possa, então,ser reconhecido como um único país. Existe lá uma missão de paz da ONU (UNFICYP) desde 1964.

Uma Marinha forte na região é importante aos gregos pelo patrulhamento das águas nacionais, pois, apesar de não possuir um extenso território e nem uma grande costa, a Grécia detém cerca de 6.000 ilhas, sendo a maioria desabitada, em uma região de instabilidade migratória. Ademais, a questão do Chipre não resolvida é um fator de atenção que reforça a necessidade de patrulhamento no Mediterrâneo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Selo da Marinha Helênica” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Hellenic_Navy_Seal.svg

Imagem 2Fragata Nikiforos Fokas amais nova da Marinha grega, tem 14anos” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nikiforos_Fokas_F466.jpg

Imagem 3PrimeiroMinistro grego, Alexis Tsipras (esquerda); e o Presidente russo, Vladimir Putin (direita)” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:With_Greek_Prime_Minister_Alexis_Tsipras.jpg

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Rússia volta a importar carne brasileira

No último dia 31 de outubro (2018), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Blairo Maggi, anunciou que a Rússia voltará a importar carne brasileira de acordo com a avaliação positiva do Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Federação Russa (Rosselkhoznadzor) sobre as medidas tomadas para eliminar as violações identificadas que afetaram a qualidade dos produtos brasileiros.

Para se entender esse embargo é preciso retornar a 20 de novembro de 2017, quando o serviço federal russo notificou o Governo brasileiro acerca da imposição de restrições temporárias sobre a compra de carne bovina e suína e que se efetivariam a partir de 1º de dezembro do mesmo ano.

Carcaças de suínos

O principal motivo para a suspensão do comércio de carne entre os dois países se baseou em análises laboratoriais que constataram traços de um determinado estimulante de crescimento animal conhecido como ractopamina* que, de acordo com a legislação russa, seu uso e comercialização é expressamente proibido, pois impacta diretamente na segurança do consumidor final e no mercado interno de alimentos.

Países como China, Malásia e União Europeia também proíbem o emprego de tal substância e limitam a aquisição comercial das carnes provenientes de nações que se utilizam da mesma, tendo como ressalvas a possibilidade de causarem efeitos colaterais graves como o aumento da pressão arterial, tontura, taquicardia, hiper ou hipoglicemia e até mesmo provocar efeitos carcinogênicos e danos cromossômicos.

A notícia do restabelecimento comercial, que poderá ocorrer ainda no mês de novembro deste ano (2018), foi muito aplaudida por instituições representativas, produtores pecuaristas e pelo próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que se uniram numa força-tarefa para reverter o impacto negativo e resgatar a relação comercial entre os dois países.

O Brasil é o segundo maior produtor de carnes do mundo, com 9,3 milhões de toneladas anuais (15,4% do total mundial – dados de 2017), segundo o USDA (United States Department of Agriculture) e a FAO (Food and Agriculture Organization) – órgão ligado à ONU (Organização das Nações Unidas), e tem a Rússia como consumidor de 10% dessa produção, sendo que, somente no consumo de carne suína, os russos respondem por 40% do volume exportado e 50% da receita arrecadada, o que, com o restabelecimento das exportações, irá possibilitar a retomada das vendas perdidas dos principais frigoríficos** fornecedores desse produto.

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Notas:

* Aditivo alimentar beta-agonista utilizado na fase final da criação de suínos e bovinos (28 dias antes do abate) que provoca uma modificação metabólica que reduz índices de gordura e aumenta a massa muscular e, consequentemente, os índices de carne em torno de 10 a 15% de rendimento com o mesmo consumo de ração, ou seja, melhora no ganho de peso, melhora na conversão alimentar do animal e melhora na rentabilidade do produtor.

** Barra Mansa Comércio de Carnes e Derivados Ltda; Agra Agroindustrial de Alimentos S/A; Alibem Alimentos S/A; Adelle Indústria de Alimentos Ltda; Minerva S/A; Cooperativa Central Aurora Alimentos; Frigorífico Astra do Paraná Ltda; Frigorífico Vale do Sapucaí Ltda.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Carnes em açougue” (Fonte):

http://www.agricultura.gov.br/noticias/russia-retoma-compras-de-carne-suina-e-bovina-do-brasil/carne-brasileira.jpg/@@images/a3c4ca54-27f4-4d06-940f-1ca1da94a91f.jpeg

Imagem 2 Carcaças de suínos” (Fonte):

https://www.embrapa.br/bme_images/m/175280040m.jpg

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Kalashnikov: EUA estuda possibilidade de fabricar fuzil russo em solo americano

Um dos símbolos da extinta União Soviética, o fuzil automático AK-47*, está sendo estudado para que tenha sua fabricação realizada dentro do território norte-americano, segundo declarações do Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (USSOCOM – United States Special Operations Command), órgão encarregado de supervisionar as várias operações dos comandos de forças especiais que fazem parte do Exército, da Força Aérea, da Marinha e dos Fuzileiros Navais, das Forças Armadas dos EUA.

Desde maio de 2016, o Comando Militar já havia se posicionado sobre o assunto, quando publicou uma solicitação de “fontes procuradas” para armas não-padrão em um site de contratação federal. Em abril do mesmo ano, o Comando postou um aviso semelhante para munição de arma não padrão. O termo “não padrão” é usado para armamentos que não são frequentemente utilizados pelos Estados Unidos ou seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Logotipo da empresa Kalashnikov

Especificamente, o USSOCOM quer que as empresas americanas explorem se é viável fazer engenharia reversa ou reengenharia e produzir internamente tal armamento com o objetivo de desenvolver uma capacidade doméstica inovadora para produzir “réplicas” em pleno funcionamento de armas fabricadas no exterior que sejam iguais ou melhores do que está sendo produzido internacionalmente, segundo a proposta do Centro de Pesquisas em Pequenas Empresas (SBIR – Small Business Innovation Research), departamento ligado à USSOCOM.

Considerada por analistas militares como a “senhora da guerra”, o fuzil de assalto AK-47 é a mais letal e a mais produzida arma de combate individual na história, pois, segundo registros internacionais, foram fabricados mais de 100 milhões de unidades, tendo equipado mais de 50 Exércitos Nacionais em todo o mundo. Ainda sob o regime soviético, a manufatura do fuzil foi compartilhada entre mais de 10 países comunistas que ganharam licença de produção e, atualmente, a China se apresenta como maior produtora, tendo como principais clientes diversos países do continente africano.

O Governo russo, juntamente com representantes da empresa JSC Kalashnikov Concern**, fabricante do fuzil, deixou claro a preocupação sobre a alta proliferação de fabricantes não licenciados espalhados mundialmente, o que representa um alto risco contra a qualidade e os direitos autorais do armamento original, a reputação da empresa russa, além da facilitação do contrabando e desvio para grupos rebeldes em todo o mundo.

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Notas:

* Denominação do fuzil de assalto russo calibre 7.62x39mm: A de automático, K de Kalashnikov (criador do projeto – Mikhail Kalashnikov) e 47 (ano do início de fabricação – 1947).

** Indústria russa do ramo de defesa localizada na cidade de Ijevsk, cerca de 900km de Moscou, capital da Rússia. A empresa é controlada majoritariamente pelo grupo Rostec, que detêm 51% de participação acionária, seguida por investidores privados que possuem os outros 49%. Seus principais produtos são armas automáticas leves, veículos blindados e tecnologia robótica militar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Exposição de armas Kalashnikov” (Fonte):

https://en.kalashnikov.media/photo/weapons/gosti-mezhdunarodnogo-voenno-tekhnicheskogo-foruma-armiya-2018

Imagem 2 Logotipo da empresa Kalashnikov” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ea/KalashnikovConcern.svg/1200px-KalashnikovConcern.svg.png

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia lança estratégia monetária como arma de defesa

A política monetária de uma determinada nação é gerida pelo seu Banco Central e tem por princípio gerar controles sobre a quantidade de dinheiro em circulação, a administração de taxas de juros e do crédito, além de buscar meios para garantir a liquidez* dos ativos pertencentes a esse país, envolvendo títulos públicos ou privados, reservas internacionais, moeda estrangeira, empréstimos ao sistema bancário mundial e inúmeros outros tipos de ativos. Todo esse processo tem como principal objetivo a busca do equilíbrio econômico nacional frente aos numerosos entraves que podem afetar tanto a economia interna quanto a posição geopolítica desse agente no cenário global atual.

Dólar americano

Com o intuito de garantir sua soberania político-econômica, devido a vários processos de sanções executadas pelos EUA e seus aliados desde 2014, a Federação Russa, através do seu Banco Central, iniciou em abril de 2018 um enorme processo de venda de seus ativos na forma de títulos do Tesouro norte-americano que, segundo analistas econômicos internacionais, apresentaram uma redução de 96 bilhões para 15 bilhões de dólares (uma diminuição em torno de 84% de suas reservas internacionais nessa categoria), colocando a Rússia, em poucas semanas, no 22º lugar dos países credores dos Estados Unidos ante a 18ª posição que possuía.

Alguns especialistas acreditam que a Rússia vendeu seus títulos, mesmo sendo considerados pelo mercado financeiro internacional como os mais seguros do mundo, por conta de sua liquidez garantida, devido ao receio de que esses ativos possam ser congelados no caso de novas sanções anti-russas. Entretanto, essas medidas são pouco prováveis, porque afetariam a credibilidade dos investidores em todo o mundo no sistema financeiro dos EUA.

Ao mesmo tempo que a Rússia tenta diminuir sua dependência da moeda americana, ela também iniciou um processo de aumento substancial em suas reservas de ouro e que, segundo a presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullinav, fazem parte de um processo de diversificação das divisas russas, que levaram em consideração todos os riscos financeiros, econômicos e geopolíticos.

Putin segurando barra de ouro

Desde o ano 2000, as reservas russas de ouro aumentaram 500% e, no primeiro semestre de 2018, a Federação Russa acrescentou mais 106 toneladas desse metal ao seu portfólio, transformando o país no maior comprador mundial e terceiro maior produtor com uma posse de quase 2 mil toneladas**, cerca de 18% das reservas mundiais, segundo o Conselho Mundial do Ouro (WGC – World Gold Council), ficando em 5º lugar, atrás de Estados Unidos, Alemanha, Itália e França e à frente da China, que ocupa hoje o 6º lugar.

Questionado sobre as ações do Banco Central Russo, o presidente Vladimir Putin deixou claro em declaração no dia 27 de julho, na 10ª Cúpula dos BRICS***, realizada em Johannesburgo, África do Sul, que o uso de sistemas de pagamento por Washington para fins políticos mina o dólar americano como moeda global e que, colocando limitações, incluindo aquelas sobre transações baseados nesse câmbio, enfatizam um grande erro estratégico. Ademais, ao fazer isso, os EUA diminuem a confiança no dólar como moeda de reserva.

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Notas:

* É definida como a facilidade com que determinado ativo pode ser trocado pela moeda local de um país em um curto espaço de tempo, com custos de transação reduzidos e perda do valor pouco significativa.

** Historicamente, as posses de ouro na região da Rússia atingiram o máximo registrado em torno de 2.800 toneladas em 1941, sob o regime de Joseph Stalin, na extinta União Soviética.

*** Em economia, BRICS é um acrônimo que se refere aos países membros fundadores (o grupo BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China), que juntos formam um grupo político de cooperação. Em 14 de abril de 2011, o “S” foi oficialmente adicionado à sigla BRIC para formar o BRICS, após a admissão da África do Sul (em inglês: South África) ao grupo. Os membros fundadores e a África do Sul estão todos em um estágio similar de mercado emergente, devido ao seu desenvolvimento econômico. É geralmente traduzido como “os BRICS” ou “países BRICS”. Não são considerados como bloco econômico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Barras de ouro russo” (Fonte):

http://review.uz/uploads/catalog/5a62039615e9f94c5d2cbc58-1e4ea1c079.jpg

Imagem 2Dólar americano” (Fonte):

https://pronedra.ru/uploads/d/SL/lj/SLljNHCw.ok1.jpg

Imagem 3Putin segurando barra de ouro” (Fonte):

http://www.birchgold.com/wp-content/uploads/putin_hold_gold.jpg