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Crise do Comércio no Reino Unido faz nova vítima

A Mothercare, maior rede de vendas de artigos para bebês e crianças do Reino Unido, anunciou o fechamento de suas 79 lojas no país, pondo em risco o emprego de 2.800 trabalhadores. A empresa foi fundada em 1961 e no seu auge, em 2007, contou com mais de 400 estabelecimentos, somente no território britânico. Em 2018, 60 já haviam sido fechados, na tentativa de recuperar as finanças da companhia, porém, os esforços foram em vão. As operações em outros países, que ainda são lucrativas e funcionam por intermédio de franquia, não serão afetadas.

Loja da Mothercare na Rússia – operações ainda continuam lucrativas no exterior

A Mothercare é mais um nome tradicional que se vê obrigado a fechar as portas, causando a perda de milhares de empregos e mudando a paisagem das High Street* britânicas. Um artigo recente do jornal The Guardian listou empresas como a Bonmarché (venda de roupas), Bathstore (acessórios para banheiros) e a Debenham’s (loja de departamentos) entre as que estão atualmente em processo de falência, ou reorganização administrativa. O fechamento destas três pode afetar quase 30.000 postos de trabalho.

Não só as lojas de produtos manufaturados estão com dificuldades. Dados recentes mostram que no período de 12 meses, até março de 2019, 768 bares e restaurantes fecharam as portas. Em setembro, a falência do grupo de vendas de pacotes turísticos, Thomas Cook, tomou conta das manchetes de vários jornais. Fundada em 1817, suas agências eram parte da paisagem das High Streets de todo o país. Porém, uma crise financeira profunda fez a companhia entrar em colapso, afetando não só seus empregados e clientes, mas, indiretamente, toda uma cadeia de hotéis e serviços turísticos espalhados pela Europa e outros destinos.

Agência da Thomas Cook, em Sutton, Londres, entrou em falência após 178 anos de operação

O Brexit tem certa influência sobre essa crise. O referendo de 2016 trouxe uma queda no valor da Libra Esterlina, que, somado às indefinições políticas em relação ao desfecho da saída da União Europeia, resultaram em um ambiente de incerteza ao Comércio. Mas estes não são os únicos fatores.

A mudança de hábito dos consumidores tem um papel fundamental, principalmente em relação ao consumo online, que cresceu vertiginosamente nos últimos anos e hoje representa quase 20% do total das vendas do varejo. Outro fator é o alto preço dos alugueres dos estabelecimentos comerciais, que, em geral, utilizam-se de mais espaço do que são realmente necessários. Além disso, muitos hipermercados estão vendendo produtos, antes exclusivos nas lojas, com preços competitivos e de boa qualidade.

Comparação entre vendas online e vendas físicas (store) no Reino Unido entre 2008 e 2017. O Comércio online apresenta crescimento constante, enquanto as vendas nas lojas físicas sofrem estagnação

O desemprego na área tende a afetar principalmente pessoas que ganham pouco e que dependem da flexibilidade de trabalhar meio-período, em especial as mulheres. Porém, o crescimento do comércio online levou muitos trabalhadores para a área de logística e distribuição. Apesar do fechamento de grandes grupos, o nível de desemprego no país continua numa baixa histórica, cerca de 3,9% no período entre junho a agosto de 2019.  

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Nota:

* As “High-Streets” são as ruas principais dos bairros e cidades no Reino Unido, onde geralmente se concentra o comércio local. A palavra “highstreet” também é utilizada como sinônimo para o termo “comércio popular.   

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Loja da rede Bon Marché no bairro de Sutton, Londres, anuncia fechamento” (Fonte):

Foto do Autor – André Miquelasi (CEIRI NEWS)

Imagem 2 Loja da Mothercare na Rússia operações ainda continuam lucrativas no exterior” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mothercare.jpg

Imagem 3 Agência da Thomas Cook, em Sutton, Londres, entrou em falência após 178 anos de operação” (Fonte):

Foto do Autor – André Miquelasi (CEIRI NEWS)

Imagem 4 Comparação entre vendas online e vendas físicas (store) no Reino Unido entre 2008 e 2017. O Comércio online apresenta crescimento constante, enquanto as vendas nas lojas físicas sofrem estagnação” (Fonte): https://www.ons.gov.uk/businessindustryandtrade/retailindustry/articles/comparingbricksandmortarstoresalestoonlineretailsales/august2018

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A Letônia, a Rail Báltica e o futuro comercial com os russos

O comércio de mercadorias é um dos principais pontos de contato dos Estados, pois favorece o diálogo político, o fluxo econômico e a própria sociedade, que lucra com os benefícios. Diante das oportunidades futuras, os letões esperam poder fazer uso da linha de trem de alta velocidade, a Rail Báltica, para intensificar sua logística e atrair o comércio exterior russo.

A Rail Báltica possui previsão inicial de construção em 2021 e conta com um planejamento de 870 Km de extensão. O transporte de passageiros e de carga fará a conexão entre a Estônia, Letônia, e Lituânia com uma possível ligação diária, respectivamente para as capitais Varsóvia, na Polônia, e Berlim, na Alemanha.

A Letônia busca reduzir os custos operacionais de cargas que tenham como origem a Federação Russa e, mediante essa questão, realiza projetos de eletrificação de sua rede ferroviária, justamente com o propósito de facilitar o comércio entre ambos os países. Esse estímulo poderia contribuir para melhorar as relações dos Estados bálticos com a Federação Russa, visto que as mesmas possuem tendência a tensões, acarretadas esporadicamente por fatores políticos.

Embaixador letão na Federação Russa, Maris Riekstins

Nessa perspectiva, o jornal The Baltic Times trouxe a declaração do embaixador da Letônia na Federação Russa, Maris Riekstins, sobre o caso, o qual afirmou: “O projeto da linha ferroviária europeia de alta velocidade do Báltico para ligar Tallinn, Lituânia, Polônia e Alemanha é um grande projeto que acho interessante para os empresários russos. Haverá um ponto perto de Riga, onde acreditamos que poderíamos pegar uma parte do fluxo de carga vindo da Rússia e colocá-lo na linha férrea; caso contrário, uma parte das mercadorias transportadas da Rússia poderia ser redirecionada para o aeroporto de Riga e transportada por via aérea. Haverá oportunidades interessantes no futuro”.

Os analistas compreendem que a cooperação comercial internacional é fundamental para o exercício de relações amigáveis entre as nações, pois, além das vantagens econômicas, existe o fator humano, o qual amplia a valorização das identidades. A manutenção do diálogo facilita a confiança e evita possíveis mal-entendidos e proporciona à Letônia e à Federação Russa, assim como a todos os países bálticos, um meio de transposição de quaisquer diferenças negativas do presente ou do futuro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trem de alta velocidade” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a8/ICE_3_Oberhaider-Wald-Tunnel.jpg

Imagem 2 Embaixador letão na Federação Russa, Maris Riekstins” (Fonte Imagem alterada digitalmente / Fonte original: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ad/FEMA_-_12531_-_Photograph_by_Bill_Koplitz_taken_on_02-16-2005_in_District_of_Columbia.jpg):

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Grupo russo Acron compra unidade da Petrobras

A Acron*, uma das principais produtoras russas na área de fertilizantes minerais, entrou na fase de finalização do acordo de compra da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3) da Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A.), localizada no município de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Este processo vinha se desenrolando desde outubro de 2017, época em que foi anunciada a pretensão de venda e teve a participação de seis empresas interessadas na aquisição da unidade.

Com a formalização da venda esperada para agosto (2019), haverá a retomada das obras do complexo cujo cronograma havia sido paralisado desde dezembro de 2014, por conta de bloqueio de bens a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o qual constatou envolvimento de dois ex-presidentes da estatal brasileira em pagamentos irregulares na construção da fábrica, onde, até o momento, 83% das obras foram concluídas.

Um ponto importante que agilizou o processo de aquisição pelo conglomerado russo foi a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, que, em junho (2019), deixou claro que o processo de venda ou perda de controle acionário de subsidiárias das estatais não precisa de aval do Congresso Nacional para ser realizado, abrindo caminho para as negociações.

Logotipo da Acron

Os investimentos previstos pela Acron a serem direcionados para a unidade totalizam cerca de R$ 8,2 bilhões, onde a empresa russa vai investir R$ 5 bilhões na fábrica e pagar R$ 3,2 bilhões à Petrobras pelas obras executadas. Em contrapartida, o conglomerado russo já sinalizou, em reunião realizada com a Secretaria Estadual da Fazenda de MS, a pretensão de receber os mesmos incentivos fiscais concedidos à estatal brasileira, e ficaria isenta do pagamento de impostos estaduais, entre eles estão a alíquota de 10% sobre Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para aquisição de equipamentos e, também, 75% de redução no tributo para as operações de saída de ureia da unidade fabril.

Fábrica de fertilizantes da Petrobras

A empresa russa juntamente com o Governo do Estado estimam que o complexo vai gerar cerca de mil empregos diretos e aproximadamente 10 mil postos de trabalho indiretos quando suas atividades derem início em 2024, de acordo com programação, considerando que a planta de fertilizantes nitrogenados tem capacidade de produção de 761,2 mil toneladas/ano de amônia e 1,223 milhão de toneladas/ano de ureia granulada. O complexo é composto por unidade de geração de hidrogênio, unidade de produção de amônia, unidade de produção de ureia, de granulação, utilidades, áreas de estocagem e expedição.

No seu processo de fabricação, a empresa irá necessitar de um insumo produtivo importante que é o gás natural, e a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos), empresa estatal de energia da Bolívia, anunciou fechamento de acordo com a Acron para fornecer 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia às unidades da empresa no Brasil, entre elas à fábrica de Três Lagoas. A operação será realizada por um período de 20 anos, válido a partir de 2023, e, além de se tornar fornecedora da Acron no Brasil, a YPFB também será sócia da empresa russa na UFN3, com uma fatia de 12% na fábrica e a opção de ampliar a participação para 30%.

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Nota:

* A Acron é uma das principais produtoras russas e mundiais de fertilizantes minerais, com um portfólio diversificado de produtos compostos por fertilizantes com múltiplos nutrientes, como NPK [Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K)] e misturas a granel, bem como produtos diretos à base de nitrogênio, como ureia [CO(NH2)2] e nitrato de amônio [NH4NO3]. O Grupo também gera produtos de síntese orgânica, incluindo metanol, formaldeído e UFR, e produtos de síntese inorgânicos, como nitrato de amônia de baixa densidade, dióxido de carbono e carbonato de cálcio. O Acron Group opera em seis países e, em 2017, vendeu seus produtos para 65 países, sendo os principais mercados de vendas do grupo a Rússia, o Brasil, a Europa e os Estados Unidos. A empresa é membro da Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes, reunindo mais de 450 produtores de 80 países. Em 2017, o volume de vendas da empresa russa atingiu mais de 7,3 milhões de toneladas, com receitas consolidadas de US$ 1,6 bilhão (R$ 5,99 bilhões, pela cotação de 20/07/19 >> 1US$ = R$ 3,7457) e EBITDA** de US$ 511 milhões (R$ 1,91 bilhão – cotação de 20/07/19 >> 1US$ = R$ 3,7457), de acordo com o International Financial Reporting Standards. A Acron é uma sociedade anônima de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores de Moscou e de Londres.

** EBTDA é a sigla em inglês para “Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization”, em português, “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização” (LAJIDA)

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo da Petrobras” (Fonte): https://www.agenciapetrobras.com.br/Materia/ExibirMateria?p_materia=981002

Imagem 2 Logotipo da Acron” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/dc/Acron.svg

Imagem 3 Fábrica de fertilizantes da Petrobras” (Fonte): http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/fabricas-de-fertilizantes/fabrica-de-fertilizantes-nitrogenados-fafen.htm

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A Dinamarca e o gasoduto Nord Stream 2

A energia é um dos principais desafios da Europa contemporânea, pois, é preciso garantir o acesso em quantidade para suprir as necessidades da população e manutenção eficaz da produção industrial. Todavia, essas questões envolvem não apenas o caráter estratégico para alguns Estados, mas, também, uma árdua negociação política frente aos interesses dos atores da União Europeia (UE).

A Dinamarca está no centro de uma pequena polêmica em relação à construção do gasoduto Nord Stream 2, subsidiária da empresa russa Gazprom, pois, o mesmo representa a possibilidade de um descompasso geoestratégico no Velho Continente. O Nord Stream 2 visa dobrar a capacidade logística do atual gasoduto Nord Stream, que conecta a cidade russa de Vyborg à cidade alemã de Greifswald.

Os dinamarqueses atrasaram sua decisão sobre a pauta do gasoduto por causa de perspectivas políticas do governo anterior, mas, o Energistyrelsen (Agência de Energia Dinamarquesa) finalmente retornou a considerar as ações a serem feitas. Até o momento, a Agência de Energia analisa os planos de trajeto do gasoduto submarino, o qual deverá passar pela plataforma continental danesa* em direção à Alemanha.

Os planos atuais de construção do projeto não incluem o ingresso em águas dinamarquesas, e, sim, seu contorno, o que para os políticos significa a redução de problemáticas futuras, pois, o gasoduto só poderia sofrer veto caso houvessem razões marítimas ou ambientais em vista. O Nord Stream 2 tem potencial de transportar 55 bilhões de metros cúbicos de gás para a UE, e equivale ao abastecimento de 26 milhões de residências.

Linha do gasoduto Nord Stream

O CEO da Nord Stream 2, Mathias Warnig, aparenta boa expectativa quanto ao desenvolvimento do projeto e afirmou o seguinte no jornal Copenhaguen Post sobre toda a situação: “Sentimo-nos obrigados a dar este passo porque, em mais de dois anos desde que arquivamos este requerimento, o antigo governo dinamarquês não deu qualquer indicação de chegar a uma decisão”.

Os analistas compreendem a importância do empreendimento para a região, sobretudo, para os alemães, entretanto, devido às recentes políticas consideradas na Europa como agressivas por parte da Rússia, os europeus ressentem-se diante da possibilidade de tensões ou conflitos com seu vizinho e ponderam suas ações comerciais. No tangente aos daneses, não se observa risco político e energético, pois eles possuem boa relação com os russos, principais interessados na reciprocidade, e a Dinamarca tem abastecimento regular de energia oriunda de fontes renováveis.

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Fontes das Imagens:

* Daneses: adjetivo pátrio referente ao cidadão nacional do Reino da Dinamarca.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tubo de gasoduto” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e5/Nord_Stream_pipe_in_Kotka.jpg

Imagem 2 Linha do gasoduto Nord Stream” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Nordstream.png

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A greve da SAS na Suécia

A Scandinavian Airlines System (SAS) é uma companhia aérea multinacional formada inicialmente por consórcio entre a Suécia, a Noruega e a Dinamarca, em 1951. Após mudanças de mercado, em 2004, a empresa passou a operar dividida em 4 novas empresas independentes: SAS Scandinavian Airlines Sverige AB, SAS Scandinavian Airlines Danmark AS, SAS Scandinavian Airlines Norge AS, e SAS Scandinavian International AS, as quais ampliaram rotas domésticas e internacionais na região nórdica europeia.

Nos últimos anos, a SAS enfrenta momentos de dificuldades financeiras e redução de custos, e enfrentou uma greve de pilotos que paralisou a maioria dos seus voos, chegando a cerca de 4.000 cancelamentos. A greve iniciou no dia 26 de abril (2019) e terminou no dia 2 de maio, há exatamente 1 semana, e resultou em acordo de 11% no aumento de salários e no prejuízo de aproximadamente 380.000 passageiros.

A razão básica para a greve não foi apenas pelo aumento de salários dos pilotos, os quais se queixavam de defasagem, mas também pela desvalorização destes profissionais que alegavam não ter condições de trabalho apropriadas e realizarem voos seguidos por semanas.

Frota da SAS

Em relação ao tema, o jornal Expressen trouxe as afirmações do CEO da SAS, Richard Gustafsson, o qual comentou durante a paralisação: “Queremos dizer que temos uma boa oferta para nossos pilotos. Quando recrutamos novos pilotos, recebemos muitos aplicativos, por funcionários muito talentosos, mas também não podemos criar uma explosão de custos na empresa”.

Na mesma mídia, o Presidente da Associação de Pilotos Sueca da seção SAS, Wilhelm Tersmeden, declarou, em defesa dos profissionais durante o período de greve: “Um piloto da SAS se casa com a empresa e queremos que a SAS sobreviva. Mas nós não nos reconhecemos na descrição da realidade que a atual administração faz”.

Os analistas entendem que todos os profissionais possuem o direito de realizarem paralisações em defesa de seus interesses, assim como reconhecem as dificuldades inerentes a gestão de empresas. Todavia, o principal prejudicado com a greve da SAS foi o consumidor, o qual não pode contar com a efetivação de serviços no momento de compra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Avião da SAS” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3b/LN-RKS_A330_SAS_ARN_02.jpg/1280px-LN-RKS_A330_SAS_ARN_02.jpg

Imagem 2 Frota da SAS” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/SAS_DC-8-33_OY-KTA.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Xiaomi: melhor marca em crescimento na Rússia em 2019

Pela primeira vez realizada em solo russo, a premiação Best Brands (do inglês, Melhores Marcas) categorizou a Xiaomi como a melhor marca em crescimento de 2019, no evento “Russian Consumer Electronics”. O prêmio faz parte de um projeto anual organizado pela Interbrand, consultoria global controlada pela Omnicon Group Inc., e que, todos os anos, categoriza as melhores marcas do mundo, tendo como referencial suas estratégias, valorização, design corporativo e gestão.

A gigante da tecnologia chinesa Xiaomi começou sua história nos arredores de Pequim em abril de 2010, quando foi fundada por 8 sócios provindos de outras empresas de renome em território chinês, tais como Kingsoft e filiais da Google e Motorola, comprovando, assim, uma grande experiência de mercado. O nome de batismo da empresa, que literalmente significa “pequeno arroz”, tem um simbolismo profundo devido à história do país, onde, durante a segunda guerra sino-japonesa, de 1937 a 1945, o líder Mao tse Tung dizia que a China combatia usando “xiaomi e rifles”. Além disso, no budismo existe o ditado de que um único grão de arroz é capaz de ser tão incrível quanto uma montanha.

Yu Man, chefe da Xiaomi Rússia, recebendo premiação

Desde sua fundação, a empresa vem batendo recordes de vendas de seus aparelhos celulares. Em 2015, conseguiu a impressionante marca de 2 milhões, 112 mil e 10 dispositivos vendidos em um só dia numa plataforma de vendas online. No mesmo ano, a empresa atingiu um valor de mercado em torno de 45 bilhões de dólares (cerca de R$ 182,88 bilhões ao câmbio atual) e com mais de 160 milhões de usuários em sua base de dados.

Comparativo entre smartphones Xiaomi Mi 9 e Apple iPhone XS

Atualmente, a empresa expandiu sua presença global com novas lojas localizadas em várias cidades de diferentes continentes. Além da Índia, também em países europeus como a Rússia, França, Alemanha e Espanha, e vêm aumentando sua participação mundial não só no segmento de celulares, mas, também, no ramo de Internet das Coisas e de saúde, lançando vários itens de fabricação própria, tais como monitor de pressão sanguínea, purificador de ar, aspirador, roteador, drones, televisores, action cam, scooter elétrico e até panela de esquentar arroz. Seu principal produto vendido é o aparelho celular MI 9 SE, que pode ser comprado no Brasil através de plataformas online, pelo valor de R$ 2.200,00.

Segundo dados divulgados, outro ponto que chamou a atenção nessa premiação foi a presença da Huawei* no segundo lugar, indicando que as empresas chinesas conseguiram cativar o consumidor russo, sendo a Xiaomi a mais lembrada pelo público. A popularidade da companhia fica ainda mais evidente quando são considerados os números divulgados pelo AliExpress** no fim do ano passado (2018). De acordo com o levantamento, dos cinco smartphones mais vendidos na Rússia, três eram da Xiaomi.

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Notas:

* A Huawei é uma empresa multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações sediada na cidade de Shenzhen, localizada na província de Guangdong, China. Fundada em 1987, a Huawei cresceu de um pequeno negócio de US$ 5.680 (R$ 23,08 mil, no câmbio atual) para uma empresa global, com um volume de vendas de mais de US$ 70 bilhões (R$ 284,48 bilhões ao câmbio atual), com presença de negócios em mais de 170 países e regiões. Suas atividades principais são pesquisa e desenvolvimento, produção e marketing de equipamentos de telecomunicações, e o fornecimento de serviços personalizados de rede a operadoras de telecomunicações.

** AliExpress é um serviço de varejo on-line fundado em 2010, pertencente ao Alibaba Group, com sede em Hangzhou, China.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Premiação Best Brands Rússia 2019” (Fonte): https://www.facebook.com/xiaomiglobal/photos/fpp.250677251634542/2218492418186339/?type=3&theater

Imagem 2 Yu Man, chefe da Xiaomi Rússia, recebendo premiação” (Fonte): http://www.gazprom-media.com/ru/news/show?id=1738

Imagem 3 Comparativo entre smartphones Xiaomi Mi 9 e Apple iPhone XS” (Fonte): https://www.mi.com/global/mi-9-se/