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Governo moçambicano e empresa italiana selam acordo de exploração de gás natural

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o presidente da companhia italiana de exploração de hidrocarbonetos Eni, Claudio Descalzi, encontraram-se na última quinta-feira (1o de junho) para oficializar o contrato de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

Situado na região norte do país, o campo de exploração, denominado de FLGN de Coral Sul, tem capacidade de produção estimada de 3,4 milhões de toneladas de gás natural por ano. A produção, cujo início está previsto para 2022, será comprada pela British Petroleum e conduzida em parceria com as empresas Galp Energia SGPS S.A; Korea Gas Corp (KOGAS) e com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), companhia estatal moçambicana.

Logo da ENI

A receita advinda com a exploração de gás natural é vista pelo Governo de Moçambique como uma das principais estratégias para a resolução da atual crise da dívida. Desde o ano passado (2016), os títulos da dívida pública do país observaram sucessivos rebaixamentos, à medida que investidores internacionais liquidaram suas posições com a divulgação de débitos de, aproximadamente, 1,4 bilhão de dólares não revelados às instituições financeiras externas.

Nós finalmente estamos transformando recursos em dinheiro. Nós esperamos que isto [a exploração do gás natural] nos ajude a trazer de volta a performance econômica da última década”, afirmou Nyusi, durante a solenidade. Neste sentido, Moçambique reforça a estratégia adotada por outros países subsaarianos, como Angola, em sustentar a economia nacional a partir da exploração de commodities.

No entanto, a estratégia pode revelar-se falha, à medida que os recursos advindos com a exploração de hidrocarbonetos não sejam aplicados na diversificação da economia. Para tanto, faz-se necessária uma aplicação maciça desses recursos na educação e nos serviços sociais, a fim de estimular a produção de tecnologias e a promoção do capital humano dentro das fronteiras moçambicanas.

Por exemplo, segundo dados do Banco Mundial, em 2013, somente 5,2% dos egressos do ensino médio matriculam-se no ensino superior em Moçambique. Nesse sentido, a exploração de gás natural poderia não somente cobrir os déficits das contas públicas, mas também conduzir uma transformação radical no acesso a serviços básicos, capazes de impulsionar a economia do país a novos patamares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Engenharia Naval” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_naval

Imagem 2 Logo da ENI” (Fonte ENI Website):

https://www.eni.com/en_IT/home.page

Agências de RiscoÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia e China criam agência de avaliação de risco

A Universal Credit Rating Group (UCRG, na sigla em inglês), criada conjuntamente pela China e pela Rússia, é uma agência de avaliação de risco que examina os títulos financeiros oferecidos pelos diferentes mercados nacionais. Basicamente, as agências de avaliação de risco avaliam a capacidade dos países, instituições e corporações (as que atuem no sistema financeiro) de pagar efetivamente a dívida contraída perante os seus credores, contabilizando os devidos juros.

Logo da Agência de Avaliação Moody’s. Fonte: Wikipedia

As três maiores agências de avaliação de risco no mundo são a Moody’s, a Standard&Poors (S&P) e o Grupo Fitch, oriundas dos Estados Unidos e com sedes na Europa, controlando cerca de 95% do mercado de avaliação de risco. A agência Moody’s rebaixou recentemente a sigla de avaliação do risco da China, de Aa3, para A1, devido à sua preocupação com o endividamento do Estado chinês. Isto coloca a China no patamar de países como Japão, Coreia do Sul e Israel. O nível de endividamento do Estado chinês relativamente ao seu PIB se encontra em aproximadamente 250%, uma cifra que, segundo a Moody’s, revela certo perigo, ao passo que pode ocasionar o surgimento de uma bolha em setores econômicos superaquecidos.

A UCRG foi criada no ano de 2013, denunciando a atuação das agências tradicionais como instrumentos políticos capazes de influenciar e mesmo desestabilizar economias nacionais. Adicionalmente, a UCRG foi criada sobre o preceito da necessidade de reforma do sistema financeiro global, evidenciada pela crise econômica mundial de 2008, que colocou dúvidas sobre a legitimidade das avaliações produzidas pelas grandes agências. As instabilidades ligadas a acontecimentos políticos produzem efeitos nos mercados financeiros, alterando a expectativa de rentabilidade dos investimentos e podendo ocasionar a fuga de capital de curto prazo, sobretudo em países emergentes.

Mapa global mostrando as tendências de risco por país, na década de 2000-2010. Fonte: Wikipedia

A análise política aliada ao instrumental econômico se torna especialmente importante em uma conjuntura global de instabilidade e risco geopolítico, ligados, por exemplo, à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos; às reformas econômicas e desaceleração relativa da economia Chinesa; ao referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia e o doloroso processo que ainda está por vir; passando pela recessão geopolítica na América do Sul, emblemática no caso do Brasil e da Venezuela e, chegando mesmo às tensões suscitadas pelo armamento nuclear da Coreia do Norte.

Estes variados acontecimentos foram citados com o intuito de demonstrar que em uma conjuntura de crescentes incertezas, a atuação de agências de avaliação de risco se torna cada vez mais relevante, contanto que se possa obter análises comprometidas com metodologias definidas e que não visem à produção de um discurso particular acerca da realidade que se apresenta. Por estas razões, é importante que haja uma multiplicidade de perspectivas e visões acerca dos riscos políticos e suas possíveis consequências econômicas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem contendo notas da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi)” (Fonte):

http://maxpixel.freegreatpicture.com/static/photo/1x/Rmb-Bank-Note-Chinese-Yuan-Asia-Money-China-938269.jpg

Imagem 2 Logo da Agência de Avaliação Moodys” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c1/Moodys_logo_blue.jpg

Imagem 3 Mapa global mostrando as tendências de risco por país, na década de 20002010” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7d/Annual_Trend_in_Euromoney_Country_Risk%2C_March_2000_-_March_2011.svg/1280px-Annual_Trend_in_Euromoney_Country_Risk%2C_March_2000_-_March_2011.svg.png

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASSociedade Internacional

[:pt]Rebaixamento de nota da Ericsson para grau de especulação aponta problemas estruturais numa gigante das telecomunicações[:]

[:pt]

No último dia 3 de maio, a agência de avaliação de risco Moody’s diminuiu a nota dos títulos da empresa Ericsson de Baa3 para Ba1, o que significa a perda do grau de investimento dos títulos da empresa, uma fornecedora global de telecomunicações com sede na Suécia. Outras ações de instituições do mercado financeiro apontam desde o ano passado (2016) para o enfraquecimento da Ericsson nos últimos anos, com o outro rebaixamento de nota da Moody’s, em outubro de 2016, o rebaixamento da nota pela Standard em Poor’s, em janeiro de 2017, e a avaliação negativa das ações da empresa pela Goldman Sachs no mesmo período. Segundo a Bloomberg, a ação da Moody’s teve efeito imediato: o aumento da probabilidade de default diminuiu o preço dos títulos e aumentou os rendimentos esperados por título em 21 pontos bases, ou em 0,21%. O valor das ações caiu em cerca de 2%.

O rebaixamento é uma resposta a um comunicado oficial da Ericsson lançado ao público dia 28 de março, que reestrutura a empresa de acordo com os objetivos do novo CEO, Börje Ekholm. Segundo a Moody’s, o grau de especulação da Ericsson reflete as implicações financeiras de um plano de reestruturação que se concentra principalmente no corte de gastos e que, logo, não implica em crescimento sustentável no longo prazo. O alto grau de competitividade do setor de equipamentos das redes sem fio (wireless), no qual a Ericsson está inserida, impossibilita que um plano de corte de gastos seja suficiente para a empresa perseguir constantemente a inovação. Um perfil financeiro fragilizado e o baixo crescimento dela nos últimos anos também foram apontados como fatores determinantes do rebaixamento de nota.

A Ericsson entrou no mercado no século XIX e se estabeleceu como uma grande corporação no ramo de telecomunicações na segunda metade do século XX, principalmente devido à produção de telefones e celulares. Ao término do século XX, porém, enfrentou uma série de problemas. A empresa fez parte da crise da Bolha da Internet no final dos anos 1990 e, durante os anos 2000, uma série de fusões e compras de outras companhias não gerou os resultados esperados.

A empresa também não foi bem-sucedida ao se inserir no novo modelo do setor de telecomunicações do século XXI, que está menos focado em produtos e mais em pacotes de serviços que incluem hardware e software. De acordo com Elfvinga, Lindahlb e Sundinb (2015), autores do livro “Ericsson – The History from Product to Solution Provider and Challenges and Opportunities in an Evolving Environment[1] (“Ericsson – A Transformação de Fornecedora de Produtos à de Soluções e Desafios e Oportunidades em um Ambiente em Evolução”, em tradução livre), com o advento da era dos smartphones, da informação e dos serviços, a Ericsson não conseguiu se manter no mercado de hardware e ainda precisa transitar de uma empresa fornecedora de produtos para ser uma de soluções e serviços. Suas antigas competidoras, como a Nokia, também estão passando por processos similares, com a maioria já fora do mercado. Em seu plano de reestruturação, a Ericsson, além de cortar custos, promete ser uma das líderes da implementação da internet 5G e canalizar seus esforços para os serviços digitais, redes e para a Internet das Coisas[2]. O que a Moody’s e as outras instituições estão sinalizando, porém, é que ela ainda tem um longo caminho para sua reinserção no mercado das telecomunicações. 

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Notas e fontes consultadas para maiores esclarecimentos:

[1] ELFVINGA, S.; LINDAHLB, M.; SUBDINB, E. Ericsson – The History from Product to Solution Provider and Challenges and Opportunities in an Evolving Environment. Procedia CIRP, n. 30, 2015, p. 239-244.

[2] A Internet das Coisas é uma revolução tecnológica a fim de conectar dispositivos eletrônicos utilizados no dia-a-dia, como aparelhos eletrodomésticos e meios de transporte, à Internet.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da Ericsson, em Estocolmo” (. Fonte Arild Vågen):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ericsson#/media/File:Isafjord_1_October_2015_01.jpg

Imagem 2Börje Ekholm novo CEO da Ericsson” (Fonte):

http://www.marketswiki.com/wiki/images/8/8e/Borje_Ekholm.jpg

Imagem 3Logo da Moody’s” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moodys_logo_blue.jpg

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]China pretende construir uma fazenda de geração de energia solar, nas cinzas de Chernobyl[:]

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O desastre de Chernobyl, que ocorreu no ano de 1986, na Ucrânia, é considerado o pior acidente nuclear que já ocorreu, tendo matado diretamente 50 pessoas e estima-se que 4.000 outras morreram ao longo dos anos devido à exposição à radiação. Atualmente, duas empresas chinesas anunciaram o projeto para a construção de uma fazenda de geração de energia solar em Chernobyl, fato que atraiu investidores internacionais, sobretudo da Alemanha.

As empresas envolvidas são a GCL Tecnologia e Integração de Sistemas Ltd. e a Companhia Nacional de Engenharia da China, visando a construção de uma fazenda solar capaz de gerar um Giga Watt de energia, o que equivale a capacidade de geração de um reator nuclear moderno. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD, na sigla em inglês) indicou que estaria disposto a cofinanciar projetos que envolvam a geração de energia sustentável no local. Ressalte-se que o EBRD já aportou mais de US$ 500 milhões para a criação de uma instalação de aço visando conter a radiação do reator de Chernobyl.

A área útil é de aproximadamente 6.000 hectares e o local possui ampla exposição solar, além de ser um terreno de baixíssimo preço de mercado, fatores que viabilizam a realização do projeto. Treze investidores internacionais e mais de 39 grupos empresariais de menor porte, oriundos sobretudo da Alemanha, estão buscando permissão para criar parques solares em Chernobyl, em escala menor do que o projeto chinês. Permanecem as dúvidas acerca da segurança para os trabalhadores que atuarão na construção e manutenção destes parques solares.

O projeto chinês deverá se estender pelos próximos dois anos. Conseguir revitalizar a área de um desastre de tamanha proporção, gerando energia advinda de fontes renováveis, seria um significativo gesto político acerca das intenções da China em despontar como um país que defende o desenvolvimento sustentável e a agenda de combate às mudanças climáticas. Além disto, este fato remete à discussão acerca dos limites ambientais do capitalismo, evidenciando os perigos e desafios de prover energia para uma população global em ritmo crescente, além de uma população chinesa que aumenta o seu padrão de consumo.

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Imagem 1 Placa com o símbolo nuclear, localizada em Chernobyl ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/16/VOA_Markosian_-_Chernobyl02.jpg

Imagem 2 Mapa com as zonas afetadas pela radiação do desastre de Chernobyl” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5c/Chernobyl_radiation_map_1996-lt.svg/2000px-Chernobyl_radiation_map_1996-lt.svg.png

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ÁFRICABLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Integrando agendas: a economia azul como elemento de ligação na parte ocidental do Mar Mediterrâneo[:]

[:pt] No último dia 19 de abril, a Comissão Europeia lançou uma iniciativa para integrar suas agendas econômica, ambiental e securitária em torno do conceito de economia azul na região do Mediterrâneo ocidental. A intenção…

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ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Mercados e Instituições financeiras respondem de forma majoritariamente favorável ao Referendo turco[:]

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No último dia 16 de abril, ocorreu um Referendo na Turquia, onde a população pode escolher entre aprovar ou rejeitar uma mudança constitucional, composta de 18 Emendas, a qual foi proposta pelo partido que atualmente controla o Executivo, o AKP, Partido da Justiça e Desenvolvimento. Entre as mudanças sugeridas, centradas no aumento do poder do Executivo, estão a abolição da função de Primeiro Ministro; a substituição do sistema Parlamentar por um Presidencial; e o alinhamento temporal das eleições para a formação do Legislativo e o Executivo. O resultado foi uma vitória apertada para o “Sim”, com 51,41% dos 58,3 milhões de votos. Após as eleições de 2019, as Emendas serão incorporadas na Constituição turca.

Diversos foram os focos de contestação da consulta popular, advindos da oposição ao AKP e de países europeus. Problemas em seus procedimentos foram apontados pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, e diversas nações europeias, além de bloquearem manifestações a favor do Referendo em seus países, não reagiram formalmente ao seu resultado. Os líderes dos EUA, China e Rússia, por sua vez, parabenizaram Recep Tayyip Erdogan, fundador do AKP e atual Presidente da Turquia.

Investidores ao redor do mundo, todavia, viram o resultado da votação de maneira favorável, com a moeda turca, a Lira, subindo 0,5% em relação ao dólar e com as ações turcas tendo seus valores ligeiramente aumentados.  De acordo com John Defterios, jornalista do CNN Money, os investidores valorizaram a estabilidade política e a possibilidade de implementação das políticas econômicas propostas pelo AKP. Apesar do fraco crescimento de 2,9% do PIB em 2016, os investidores prezam a responsabilidade fiscal turca. O crescimento do PIB no último trimestre de 2016 de 3,5% também melhorou as perspectivas da economia turca.

As principais agências de avaliação de risco de crédito também sinalizaram que, caso se comprove a continuidade do governo do AKP e se mantenha a estabilidade no país, as notas atribuídas aos títulos soberanos turcos não serão modificadas. A Fitch Ratings analisou que o Referendo sinaliza uma mudança na política na Turquia que pode facilitar o renascimento de reformas econômicas positivas para a credibilidade de seus títulos. Não houve alteração na perspectiva de mudança de sua nota, ou em sua nota, BB+. Para a agência, ela é um reflexo da combinação de uma fraqueza estrutural, sinalizada na alta dependência de financiamento externo, com uma relação dívida/receitas mais baixa que a maioria dos países emergentes.

A Agência Moody’s, por sua vez, mudou a perspectiva de mudança de nota dos títulos turcos de estável para negativa. As razões principais para tal alteração foram, segundo a agência: a erosão da força institucional; as fracas perspectivas de crescimento; o aumento de pressões nas contas públicas e externas; e o risco de choque de crédito. A priorização de medidas de crescimento de curto prazo levada a cabo pelo governo do AKP também vai ao encontro da estabilidade macroeconômica do país. Entretanto, a agência não modificou a nota turca, enfatizou a força de sua economia e das políticas econômicas turcas e colocou que, caso o risco político de seu ambiente doméstico e regional diminua, a perspectiva de mudança de nota pode ser retificada para estável. Dessa forma, as instituições e mercados financeiros apontam que, caso o AKP consiga estabilizar politicamente o país e manter suas diretrizes econômicas, não irão se colocar opostos às mudanças políticas que estão ocorrendo no país.

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Imagem 1 Boletim de voto e envelope utilizados no Referendo” (Fonte Nub Cake):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkish_constitutional_referendum,_2017#/media/File:Turkish_constitutional_referendum_vote_and_envelope.jpg

Imagem 2Recep Tayyip Erdogan, em 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Recep_Tayyip_Erdo%C4%9Fan#/media/File:Recep_Tayyip_Erdogan_2017.jpg

Imagem 3Logo da Moodys” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Moody%27s#/media/File:Moodys_logo_blue.jpg

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ÁSIABLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A Nova Rota da Seda Chinesa: uma esperança para a Europa[:]

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Em momentos de crises, tais como os vividos na Europa desde 2008 até 2016, grandes transformações ocorrem nas mais diversas esferas do poder. Sejam tais transformações políticas, sociais, tecnológicas ou ideológicas, o certo é que a crise funciona como um gatilho que impulsiona profundas mudanças no cenário no qual ela se desenvolve, havendo sempre um antes e um depois, pois os atores implicados são forçados a buscar uma resposta e muitas vezes são levados a inovar ou a avaliar novas opções.

A crise na Europa resultou em uma série de mudanças no cenário local, assim como na política externa europeia. O continente, que durante muito tempo teve sua economia direcionada para o eixo do Atlântico, aumentou suas parcerias com os países asiáticos, principalmente com a China e Índia, fortalecendo o eixo asiático.

A China, por outro lado, soube entender a situação europeia e a fragilidade econômica de diversos países da Europa, para, pouco a pouco, se inserir no mercado europeu, principalmente mediante a compra de empresas consagradas, bem como participando de projetos públicos e fazendo novas parcerias. Assim, não é de estranhar que foram os países do Mediterrâneo a principal porta de entrada da China na economia europeia, mediante a aquisição de marcas como FENDI, PIRELLI, UCI Odeon, Alcatel Mobile, Granada FC, Espanyol F.C., Atlético de Madrid, Inter de Milano etc., mostrando que os investimentos chineses são diversificados e massivos.

Como reflexo dessa inserção da China no mercado europeu, o comércio e as comunicações entre ambas regiões aumentaram nos últimos anos. Atualmente, o chinês é uma das línguas mais estudas na Europa, com um aumento anual de 20%, além disso, o número de alunos de intercâmbio também aumentou e a China, após os próprios países europeus e os EUA, já é o maior destino de intercâmbio da Europa, de forma que toda as grandes capitais europeias já possuem voos diretos para diversas cidades chinesas, além de conexão com os principais portos e até mesmo conexão por trem.

A primeira linha ferroviária entre um país europeu e a China é a que faz o trajeto Madrid- Yiwu, de aproximadamente 13.052 km, em 30 dias, sendo, atualmente, o maior trajeto percorrido do mundo. A conexão por trem entre a China e a Europa reduz o tempo de viagem em aproximadamente 10 dias, porém conta com uma série de dificuldades, tais como a diferença da bitola* entre os países, as condições climáticas da Ásia Central e a burocracia dos Estados que não estão inseridos em Acordos Regionais ou Acordos Bilaterais. Ainda assim, o Governo chinês aposta na viabilidade do transporte ferroviário e novas linhas já estão em funcionamento, além de outras que vem sendo planejadas.

Em janeiro de 2017 partiu o primeiro trem que une a cidade de Yiwu a Londres, percorrendo mais de 18.000 km, em apenas 18 dias, alcançando o mercado britânico em plena saída da União Europeia e consolidando a presença da China em um mercado historicamente ligado a influência americana.

Outras conexões, tais como Milão, Duisburg e Moscou, formam uma teia chinesa que muitos já consideram a Nova Rota de Seda, pela qual a China controlará o intercâmbio de produtos entre os mercados, a tempo de garantir o suprimento do seu crescente mercado interno. A Europa se beneficia com a entrada de investimento estrangeiro direto, mas perde o controle de suas multinacionais e meios de produção nas mãos das companhias asiáticas, pois até mesmo gigantes como a IBM ao a Volvo já foram alvos da expansão comercial chinesa e do seu ímpeto por investir em marcas já consagradas.

Frente a esse processo, podemos assinalar 3 pontos importantes:

1º – O papel das crises na reconfiguração e na transformação dos Estados;

2º – O processo de expansão comercial chinesa registrado em todos os continentes;

3º – A nova etapa da economia global, onde a financeirização do capital gera distorções entre os proprietários dos meios de produção e os que manejam o capital nos centros de poder.

Além desses três pontos, é importante ressaltar que o processo de expansão do capital é um dos principais vetores da globalização e que, sem dúvidas, isso gera um dos maiores paradigmas que enfrentam os países europeus, já que, internamente, a Europa discute os efeitos da integração regional e da globalização, mas, externamente, ela precisa se aproximar de novos mercados e manter sua participação nas cadeias produtivas e fluxos financeiros mundiais.

Ainda que muitos falam de uma Nova Rota da Seda, o certo é que a China está tecendo uma grande rede de comunicações ao redor do mundo, com investimentos na América Latina, Europa, África e Ásia. Como observadores tem apontado, a Europa, mesmo com todos os conflitos e com seu crescente discurso nacionalista, precisa mais do que nunca de outros países e de novas opções, sendo talvez hora de olhar para o Oriente, abandonando seu paternalismo histórico para com o Ocidente.

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* Bitola é nome usado para se referir a largura que tem a distância entre as faces interiores das cabeças de dois trilhos (pelo português brasileiro) ou carris (pelo português de Portugal) em uma via férrea.

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Imagem 1 Mapa indicando localização da União Europeia e da República Popular da China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–European_Union_relations

Imagem 2 Mapa da Europa, mostrando as fronteiras geográficas mais utilizadas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Europa

Imagem 3 A Rota da Seda Ferroviária” (Fonte):

https://logisticagrupob.wordpress.com

Imagem 4 O centro financeiro de Tianjin” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China

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BLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Eurogrupo avalia situação da Zona do Euro e divulga seu plano de trabalho para o primeiro semestre de 2017[:]

[:pt] Mensalmente, os Ministros das Finanças dos países que integram a Zona do Euro se reúnem para discutir as obrigações conjuntas relacionadas à integração monetária europeia. Estas conversas acontecem no âmbito do Eurogrupo, uma instância…

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