AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Futuros investimentos israelenses no Brasil

No dia 29 de outubro de 2018, durante a visita ao presidente eleito Jair Messias Bolsonaro, o embaixador de Israel, Yossi Avraham Shelley, manifestou a intenção de parceria através do projeto de uma usina piloto de dessalinização de água do mar na região Nordeste do Brasil.

Benjamin Netanyahu

O país do Oriente Médio é famoso por ter resgatado seu meio ambiente local, combatendo a desertificação e também por promover uma agricultura sustentável dotada de tecnologia de irrigação, o que torna o país líder mundial em pesquisas de recursos hídricos e exportador dessa técnica. Reutiliza 85% da água que produz e possui a maior planta de dessalinização do mundo, chamada Sorek[1]. A tecnologia pode ser útil no combate à seca do semiárido nacional[2].

interesse do governo israelense em fortalecer relações bilaterais com o Brasil durante o novo futuro governo. A presença de Benjamin Netanyahu está prevista na cerimônia de posse, em 1º de janeiro de 2018, pois o mesmo manifestou sua intenção de vinda durante sua ligação telefônica, na qual parabenizou Jair Bolsonaro pela vitória.

Caso realmente compareça, ele será o primeiro Premiê israelense a visitar o Brasil desde a fundação de Israel no ano de 1948. O Primeiro-Ministro saudou a declaração do novo Presidente eleito sobre a possível transferência da embaixada brasileira para Jerusalém. A intensificação de relações vai ao encontro dos objetivos israelenses em buscarem parceiros para o intercâmbio de tecnologia e, consequentemente, maior mercado externo.

O Estado possui centros de inovação de tecnologia em geral,  como, por exemplo, em tecnologia da informação, que gerou as famosas “startups” israelenses, e também tecnologia de uso militar. Esta pode vir a ser usada futuramente no combate a narcotraficantes do estado do Rio de Janeiro

———————————————————————————————–

Notas:

[1] Para mais informações:  https://ceiri.news/israel-70-anos-de-existencia/

[2] Negociações com estados brasileiros – Ceará, Alagoas e Maranhão – já têm sido feitas.

Para maiores informações, vide: http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2018-01/israel-quer-transferir-tecnologia-de-dessalinizacao-de-agua-para-o   e

 https://www.al.ce.gov.br/index.php/ultimas-noticias/item/67151-0808la-visita-embaixador

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira de Israel” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Israel#/media/File:Flag_of_Israel.svg

Imagem 2Benjamin Netanyahu” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Netanyahu#/media/File:Benjamin_Netanyahu_2012.jpg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Com capital árabe, Etiópia construirá oleoduto até a Eritreia

Com a retomada das relações diplomáticas entre a Etiópia e a Eritreia, novas oportunidades econômicas surgiram. Especificamente no que diz respeito aos interesses etíopes, muito se discute sobre como a nova conjuntura pode favorecer o escoamento de produtos agrícolas e manufaturados, dado que o país africano não possui acesso direto ao mar.

As dimensões logísticas exercem papel crucial na estrutura final de custos e, por consequência, na competitividade de qualquer nação dentro do mercado internacional de commodities. Justamente por serem produtos ofertados em um modelo próximo à livre concorrência, produtores de grãos, minérios e petróleo, por exemplo, tomam os preços dados pelo mercado global, devendo assim adequar os custos de produção a estes valores, a fim de efetivar algum lucro.

Reem Al-Hashimy selou, com o primeiro-ministro Abiy Ahmed, acordo que prevê o financiamento para a construção do oleoduto

Neste sentido, na semana passada, o Governo da Etiópia discutiu futuras parcerias logísticas com os Emirados Árabes Unidos (EAU), a fim de viabilizar a construção de um oleoduto desde a capital do país até o Mar Vermelho, na Eritreia. A discussão em torno do acordo ocorreu em Addis Ababa, onde o primeiro-ministro Abiy Ahmed se encontrou com a Ministra de Cooperação Internacional do país árabe, Reem Al-Hashimy.

Esta não é a primeira vez neste ano (2018) em que lideranças políticas das duas nações se encontram. Ainda em junho, Ahmed e o Chefe de Estado dos EAU, Sheikh Mohammed bin Zayed, aprovaram uma série de parcerias na área econômica, sendo a principal delas a concessão de três bilhões de dólares à nação africana. Na mesma direção, o país árabe exerceu papel central na mediação diplomática entre a Etiópia e a Eritreia para a assinatura do acordo de paz.

Os EAU serão responsáveis pelo financiamento do oleoduto, obra essencial no plano mantido pela Etiópia em aumentar a sua produção de petróleo – em junho deste ano algumas extrações na região sudeste do país foram feitas para testagem. Como benefício imediato ao acordo, o país árabe intensifica as suas relações diplomáticas e o seu posicionamento na região. Este movimento ocorre principalmente mediante os recentes avanços estratégicos de nações como a Turquia, a Arábia Saudita e o Catar sobre os países do Chifre da África.

Para a Etiópia, o oleoduto exerce papel central no projeto desenvolvimentista nacional, à medida que promove a viabilização da produção de petróleo no país. Espera-se, com a emergência deste setor, que uma série de indústrias também surjam para o fornecimento de matérias-primas, insumos, máquinas e equipamentos, aumentando o dinamismo da economia e diversificando a pauta de produção. Entretanto, a consecução deste cenário consolida um modelo de desenvolvimento pautado na utilização de combustíveis fósseis – fato que vai na contramão das atuais necessidades de mitigar os efeitos das mudanças climáticas através da implementação de economias de baixo carbono.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Oleoduto marca a nova era de relações econômicas entre a Etiópia e a Eritreia” (Fonte):

https://www.meed.com/uae-build-pipeline-ethiopia-eritrea/

Imagem 2Reem AlHashimy selou, com o primeiroministro Abiy Ahmed, acordo que prevê o financiamento para a construção do oleoduto” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Reem_Al_Hashimi

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Vitória da Rússia e Arábia Saudita na OPEP+

Em plena Copa do Mundo, vários países se reuniram no último dia 22 de junho em Viena, capital da Áustria, não para discutir sobre o andamento dos jogos de suas seleções, mas para dar continuidade ao plano de balanceamento mundial na produção de petróleo, em detrimento aos altos preços do barril dessa commodity demonstrados no mercado mundial nos últimos meses.

Símbolo da OPEP

A reunião elencou os países pertencentes a OPEP* (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), onde se decidiu, baseados no plano original, pelo aumento de produção diária em 1 milhão de barris a partir de julho de 2018, o que equivale a 1% da produção mundial.

A validação desse acordo se concretizou um dia depois, 23 de junho, com a reunião complementar da OPEP+ (membros da OPEP e os 10 principais países exportadores não pertencentes ao cartel, liderados pela Rússia), onde foram delineados os montantes de produção individual aos 24 membros participantes, mas não informados aos órgãos de comunicação internacional, impossibilitando uma visão clara dos desígnios desse acordo aos olhos de analistas internacionais. Segundo estudos de especialistas na área de energia e combustíveis, a produção real deverá ser elevada apenas entre 600 e 700 mil barris diários, graças à falta de capacidade operacional de alguns países, aliado a questões político-econômicas que afetam Venezuela e Irã.

Gráfico preço do barril Brent

Devido ao petróleo ser uma commodity que possui alto nível de especulação de seus preços no mercado mundial, aliado ao fato do resultado dessa reunião não ter atendido aos anseios dos investidores internacionais que esperavam uma inundação do mercado futuro com a oferta elevada de petróleo, os preços do barril dispararam logo após o encontro, quando, na Bolsa Mercantil de Nova York, o contrato futuro do WTI (West Texas Intermediate – principal região petrolífera dos EUA) para entrega em agosto subiu 4,6%, indo para US$ 68,58 por barril, enquanto, em Londres, o Brent** subiu 3,4%, para encerrar a sessão negociado a US$ 75,55 por barril.

Os grandes beneficiados desse conclave foram Arábia Saudita e Rússia, que são os maiores produtores desse bloco e assumiram a responsabilidade pela estabilidade do mercado global de petróleo, elaborando um acordo que pode abrir caminho para um novo mercado mundial e a elaboração de mecanismos de regulação de preços, de acordo com o analista russo, Dmitry Lekuh. No momento, com o resultado da reunião, poderão ter a possibilidade de preencher a lacuna produtiva dos países com dificuldades e ainda lucrar com os atuais preços praticados.

———————————————————————————————–

Notas:

* Criada em 14 de setembro de 1960, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é uma organização intergovernamental, que tem como objetivo a centralização da elaboração das políticas sobre produção e venda do petróleo dos países integrantes (Angola, Argélia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Equador, Gabão, Indonésia, Iraque, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela).

** O petróleo Brent foi batizado assim porque era extraído de uma base da Shell com o mesmo nome. Atualmente, a palavra Brent designa todo o petróleo extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Londres. A cotação Brent é referência para os mercados europeu e asiático.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Putin e Mohammed bin Salman” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/DfsjIpeXkAALmrz.jpg

Imagem 2 Símbolo da OPEP” (Fonte):

http://p0.ipstatp.com/large/005926ff9fc600959675

Imagem 3 Gráfico preço do barril Brent” (Fonte):

https://br.investing.com/commodities/brent-oil

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Etiópia e Emirados Árabes Unidos aprofundam laços econômicos

Na última sexta-feira (15 de junho), o primeiro-ministro Abiy Ahmed recebeu, em Addis Ababa, o Chefe de Estado dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Sheikh Mohammed bin Zayed. A visita representa o primeiro encontro oficial entre os principais líderes das duas nações desde a posse de Ahmed, em abril deste ano (2018).

A pauta de discussão entre as lideranças esteve focada, principalmente, no apoio financeiro a ser concedido pelos EAU à Etiópia. Ao final da visita, foi anunciado um plano de empréstimo de três bilhões de dólares ao país africano. Deste montante, cerca de um terço será utilizado para mitigar a escassez de divisas, enquanto que o valor restante será aplicado em investimentos na área do turismo e da infraestrutura.

Eu estive muito contente em chegar a Addis Ababa, uma cidade de história, civilização e diversidade cultural. Eu estou ainda mais satisfeito por fortalecer os laços de amizade e cooperação entre as nossas duas nações”, declarou Mohammed bin Zayed, em sua conta pessoal no Twitter.

Com constantes déficits na balança de pagamentos ao longo dos últimos anos, a Etiópia sofre com um acentuado desequilíbrio de divisas. Em certa medida, isto ocorre devido ao fato dela exportar, majoritariamente, produtos de baixo valor agregado e de importar bens manufaturados e bens de capital, cuja aquisição é mais custosa. Em 2016, por exemplo, o principal produto vendido por esse país foi o café, representando 24% do valor total exportado, ao passo que maquinários representaram cerca de 30% das importações.

Soma-se a esta conjuntura a gradativa desvalorização da moeda nacional – o Birr – frente ao dólar. Este processo agrava o desequilíbrio nas contas externas, à medida que os produtos importados se tornam mais caros. A depreciação de aproximadamente 17%, se comparado ao câmbio de setembro do ano passado (2017), gera também pressões inflacionárias na economia, o que prejudica a parcela mais pobre da população. Nesse sentido, a concessão de um bilhão de dólares por parte dos EAU poderá mitigar os efeitos negativos da atual escassez de divisas no país.

No que diz respeito ao restante financeiro previsto no acordo, este poderá servir para dar continuidade aos investimentos em infraestrutura que o Governo etíope tem levado a cabo nos últimos anos. Em verdade, o acordo selado reforça a dependência da Etiópia no capital internacional para a implementação das reformas econômicas previstas, as quais buscam instaurar um processo de industrialização. Este padrão tem sido observado em outros episódios, os quais sinalizam uma entrada cada vez maior de investidores estrangeiros na economia nacional.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Pin de Lapela com as bandeiras de Etiópia e Emirados Árabes Unido Etiópia busca nos EAU os recursos necessários para implementar suas reformas econômicas planejadas” (Fonte):

https://www.crossed-flag-pins.com/shop/Flags-E/Friendship-Pins-Ethiopia-XXX/Pins-Ethiopia-United-Arab-Emirates.html

Imagem 2Sheikh Mohammed bin Zayed fez visita oficial a Etiópia, importante parceiro do país árabe no continente africano” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mohammed_bin_Zayed_Al_Nahyan

                                                                                              

NOTA ANALÍTICA 2 – Wilson (11:00)

POLÍTICA INTERNACIONAL – Coreias do Sul e do Norte acordam em mesclar times para os Jogos Asiáticos 2018

Em consonância com o fato histórico que marcou a Olimpíada de Inverno 2018 em PyeongChang – quando, em fevereiro, os atletas de Coreia do Sul e do Norte marcharam juntos sob bandeira unificada nas cerimônias de abertura e encerramento, além de disputar uma partida com equipe mista –, autoridades dos dois países comunicaram nesta segunda-feira, 18 de junto de 2018, que irão repetir a atitude nos Jogos Asiáticos deste ano (2018) .

Após o declínio da candidatura da cidade de Hanói, no Vietnã, ao alegar falta de preparo e incapacidade econômica, a execução da décima oitava edição dos Jogos Asiáticos será realizada na Indonésia, entre a capital Jakarta e Palembang, no período de agosto e setembro. A competição contará com 484 disputas, divididas em 42 modalidades esportivas.

A política externa norte-coreana tem se mostrado flexível e aberta ao diálogo com rivais ideológicos, a se destacar a vizinha do sul e os Estados Unidos da América, notadamente após o encontro inédito dos Chefes de Estado, Kim Jong-Un e Donald Trump, realizado em Cingapura.

Estas conversas de reconciliação corroboram para o alívio do conflito na península coreana ao utilizar-se do esporte, pela segunda vez apenas neste ano, como importante instrumento catalizador para alcançar o objetivo maior: a paz na região.

Jeon Choong-ryul, secretário-geral do Comitê Esportivo e Olímpico Coreano, que participou das negociações, em uma coletiva de imprensa reitera este pensamento ao dizer que “nós compartilhamos da visão que o esporte iniciou a reaproximação e cooperação entre as Coreias”.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Representantes dos 45 países participantes dos Jogos Asiáticos 2018” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/gallery/img/800_6c9f10461da9add7e5c5f74c6559bca5.jpeg

Imagem 2 “Logo oficial da 18ª edição dos Jogos Asiáticos” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/noimg/sosmed-home-bottom.jpg

Imagem 3 “Entrevista do presidente da INASGOC à Revista Tempo” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/gallery/img/800_fa5dd386a8747856ca1005ab0d29cc93.jpeg

ECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Estreitam-se os laços comerciais entre o Irã e o Catar

Em dados divulgados pela Administração Alfandegária do Irã, entre março e abril de 2017, período que corresponde aos sete primeiros meses do calendário persa, as exportações iranianas para o Catar apresentaram um aumento de 117,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, não computado o comércio associado ao setor de óleo e gás. Este crescimento foi mais sensível a partir de junho, quando uma coalização liderada pela Arábia Saudita cortou os laços diplomáticos com Doha e implementou o bloqueio às rotas aéreas, terrestres e marítimas entre o Emirado e o restante da Península Arábica.

Encontro entre os ministros Al-Thani e Zarif em Teerã

Em uma tentativa de promover ainda mais a cooperação, o Ministro da Economia do Catar, Sheikh Ahmed bin Jassim Al-Thani, viajou a Teerã, no dia 26 de novembro, onde se reuniu com membros da alta cúpula do Governo iraniano, incluindo o Ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, e o Ministro da Indústria, Mineração e Comércio, Mohammad Shariatmadari. Um dos objetivos das conversas, segundo Shariatmadari, seria discutir propostas para quintuplicar o montante resultante das trocas comerciais entre os dois países, que atualmente ainda se encontra abaixo de 1 bilhão de dólares anuais.

O resultado concreto da visita foi a assinatura de um acordo comercial trilateral, juntamente com a Turquia. Esta medida deverá facilitar o transporte de produtos turcos para o Catar, usando o Irã como país de trânsito. Desta forma, é esperado que Doha passe a contar com uma rota de abastecimento segura que forneça uma alternativa ao isolamento imposto por seus vizinhos árabes. Em contrapartida, a Turquia, assim como o Irã, passará a ter acesso privilegiado ao mercado consumidor do Catar, país com o mais elevado Produto Interno Bruto per capita do mundo.

Após seis meses em vigência, o embargo promovido pela Arábia Saudita parece ter resultado em um efeito inverso do esperado: a aproximação política e econômica do Catar com o Irã. Na perspectiva de Doha, a parceria com Teerã representa a única alternativa que garante a sobrevivência do Emirado como um Estado autônomo. Já os iranianos celebram, além dos ganhos provenientes do aumento do fluxo de comércio, a possibilidade de expandir ainda mais a influência do país no Oriente Médio.

———————————————————————————————–                     

Fontes das Imagens:

Imagem 1Ponte dos 33 Arcos, em Isfahan” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Si-o-se_Pol#/media/File:Si-o-se-Pol.jpg

Imagem 2Encontro entre os ministros AlThani e Zarif em Teerã” (Fonte):

http://en.mfa.ir/index.aspx?fkeyid=&siteid=3&pageid=1997&newsview=488031

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

China concede crédito para o Irã em meio às sanções do Ocidente

A China forneceu uma linha de crédito de US$ 10 bilhões ao Irã, destinada a projetos de infraestrutura nas áreas de energia, transporte, gestão de recursos hídricos, entre outros. O Irã vem crescendo como um parceiro estratégico para os investimentos chineses. As linhas de crédito são denominadas em Yuan (Renminbi), visando contribuir para o processo de internacionalização da moeda chinesa.

Mapa com a localização da China e do Irã

A China é o maior parceiro comercial do Irã, sendo consequentemente o maior receptor do petróleo iraniano, que constitui 66% de sua pauta exportadora com este país. Em contrapartida, os chineses exportam produtos industrializados, tais como smartphones, centrífugas, carros, entre outros. O maior projeto bilateral em curso até o momento consiste em uma ferrovia de alta velocidade que sai da província de Xinjiang no oeste da China até o Irã, perpassando 2.000 quilômetros através da Ásia Central, percorrendo países como Quirquistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Cazaquistão e Uzbequistão.

Em julho (2017), os Estados Unidos (EUA) impuseram novas sanções econômicas ao Irã, por considerar que o país estaria violando o compromisso de não desenvolver o seu setor militar. No ano de 2015 foi assinado um Tratado para a contenção do desenvolvimento de armas nucleares no país. Mesmo com o cumprimento das medidas delineadas, o Irã sofre sanções econômicas pela parte dos EUA. 

A assinatura do Documento é uma demonstração da eficácia da ação multilateral na resolução de conflitos, reforçando a noção de que o mundo caminha para a multipolaridade. O Tratado foi negociado conjuntamente por França, Alemanha, Reino Unido, China, Rússia e Estados Unidos. O Irã afirmou que continuará a cumpri-lo integralmente e a Rússia reafirmou que os termos do Tratado não são renegociáveis.

As relações com os iranianos são estratégicas para a inserção da China na região do Oriente Médio. Adicionalmente, a segurança energética é vista como uma questão vital para o Estado chinês. Isto faz com que as suas relações com os países que possuem hidrocarbonetos tornem-se peças fundamentais para a manutenção do ritmo de desenvolvimento da economia chinesa. Ressalte-se que a postura unilateral e revisionista dos Estados Unidos em assuntos de segurança tende a estimular a aproximação do Irã em relação à China e à Rússia.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Chefes de Estado da China e do Irã” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1e/Ali_Khamenei_receives_Xi_Jinping_in_his_house_%286%29.jpg

Imagem 2 Mapa com a localização da China e do Irã” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a5/Iran_China_Locator.png