ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Com capital árabe, Etiópia construirá oleoduto até a Eritreia

Com a retomada das relações diplomáticas entre a Etiópia e a Eritreia, novas oportunidades econômicas surgiram. Especificamente no que diz respeito aos interesses etíopes, muito se discute sobre como a nova conjuntura pode favorecer o escoamento de produtos agrícolas e manufaturados, dado que o país africano não possui acesso direto ao mar.

As dimensões logísticas exercem papel crucial na estrutura final de custos e, por consequência, na competitividade de qualquer nação dentro do mercado internacional de commodities. Justamente por serem produtos ofertados em um modelo próximo à livre concorrência, produtores de grãos, minérios e petróleo, por exemplo, tomam os preços dados pelo mercado global, devendo assim adequar os custos de produção a estes valores, a fim de efetivar algum lucro.

Reem Al-Hashimy selou, com o primeiro-ministro Abiy Ahmed, acordo que prevê o financiamento para a construção do oleoduto

Neste sentido, na semana passada, o Governo da Etiópia discutiu futuras parcerias logísticas com os Emirados Árabes Unidos (EAU), a fim de viabilizar a construção de um oleoduto desde a capital do país até o Mar Vermelho, na Eritreia. A discussão em torno do acordo ocorreu em Addis Ababa, onde o primeiro-ministro Abiy Ahmed se encontrou com a Ministra de Cooperação Internacional do país árabe, Reem Al-Hashimy.

Esta não é a primeira vez neste ano (2018) em que lideranças políticas das duas nações se encontram. Ainda em junho, Ahmed e o Chefe de Estado dos EAU, Sheikh Mohammed bin Zayed, aprovaram uma série de parcerias na área econômica, sendo a principal delas a concessão de três bilhões de dólares à nação africana. Na mesma direção, o país árabe exerceu papel central na mediação diplomática entre a Etiópia e a Eritreia para a assinatura do acordo de paz.

Os EAU serão responsáveis pelo financiamento do oleoduto, obra essencial no plano mantido pela Etiópia em aumentar a sua produção de petróleo – em junho deste ano algumas extrações na região sudeste do país foram feitas para testagem. Como benefício imediato ao acordo, o país árabe intensifica as suas relações diplomáticas e o seu posicionamento na região. Este movimento ocorre principalmente mediante os recentes avanços estratégicos de nações como a Turquia, a Arábia Saudita e o Catar sobre os países do Chifre da África.

Para a Etiópia, o oleoduto exerce papel central no projeto desenvolvimentista nacional, à medida que promove a viabilização da produção de petróleo no país. Espera-se, com a emergência deste setor, que uma série de indústrias também surjam para o fornecimento de matérias-primas, insumos, máquinas e equipamentos, aumentando o dinamismo da economia e diversificando a pauta de produção. Entretanto, a consecução deste cenário consolida um modelo de desenvolvimento pautado na utilização de combustíveis fósseis – fato que vai na contramão das atuais necessidades de mitigar os efeitos das mudanças climáticas através da implementação de economias de baixo carbono.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Oleoduto marca a nova era de relações econômicas entre a Etiópia e a Eritreia” (Fonte):

https://www.meed.com/uae-build-pipeline-ethiopia-eritrea/

Imagem 2Reem AlHashimy selou, com o primeiroministro Abiy Ahmed, acordo que prevê o financiamento para a construção do oleoduto” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Reem_Al_Hashimi

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Chile construirá maior usina dessalinizadora da América Latina em parceria com Arábia Saudita

O Deserto do Atacama, conhecido destino turístico no norte do Chile, deverá abrigar a maior usina de dessalinização de água da América Latina. O projeto denominado Energías y Aguas del Pacífico (Enapac) terá investimento inicial de 500 milhões de dólares e será executado pela empresa chilena Trends Industrial S.A., com a participação da saudita Almar Water Solutions  e projeto da alemã Synlift.

A região, por suas características desérticas, enfrenta dificuldades para o seu desenvolvimento econômico em razão da carência de recursos hídricos. A ideia consiste, portanto, na instalação de um complexo autossustentável, formado por: uma usina de dessalinização, à beira do Pacífico, que extrairá a água salgada e fará o tratamento em sequência de três fases, dentre elas, a osmose reversa; uma estação de geração de energia solar fotovoltaica, que proverá a alimentação da usina; e um reservatório para armazenar a água, com capacidade para 600.000m3.

Maquete da usina de dessalinização

Uma empresa especializada fará estudos de impacto ambiental e alguns cuidados já estão previstos, como a extração da água a 20 m de profundidade e a devolução da salmoura ao mar, por meio de difusores que permitam a dissolução eficiente, evitando a saturação. A geração de energia solar, abundante na região, é uma iniciativa pioneira que fará desta dessalinizadora a primeira do Chile a funcionar com energia limpa.

Ao contrário da maior parte dos projetos de dessalinização, que são alimentados por energia elétrica tradicional, este complexo contará com 100 megawatts de energia de origem solar, suficientes para as operações da usina que produzirá uma média 1.000 litros de água tratada por segundo, a ser fornecida às empresas do entorno, especialmente de mineração.

As empresas parceiras firmaram acordo em final de maio (2018) e aguardam aprovação por parte das autoridades ambientais. O inovador projeto, que foi indicado ao Index Award 2019, conhecido como o “Prêmio Nobel do Desenho, deverá entrar em operação em 2021 e, segundo o jornal El Mercúrio, ao atingir sua capacidade plena de operação de 2.600 litros por segundo, a usina se converterá na maior da América Latina.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Localização da usina+estação+solar e reservatório” (Fonte):

http://www.enapac.cl/images/MAPA-1.png

Imagem 2 Maquete da usina de dessalinização” (Fonte):

http://www.enapac.cl/images/ENAPAC_marina.jpeg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Etiópia e Emirados Árabes Unidos aprofundam laços econômicos

Na última sexta-feira (15 de junho), o primeiro-ministro Abiy Ahmed recebeu, em Addis Ababa, o Chefe de Estado dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Sheikh Mohammed bin Zayed. A visita representa o primeiro encontro oficial entre os principais líderes das duas nações desde a posse de Ahmed, em abril deste ano (2018).

A pauta de discussão entre as lideranças esteve focada, principalmente, no apoio financeiro a ser concedido pelos EAU à Etiópia. Ao final da visita, foi anunciado um plano de empréstimo de três bilhões de dólares ao país africano. Deste montante, cerca de um terço será utilizado para mitigar a escassez de divisas, enquanto que o valor restante será aplicado em investimentos na área do turismo e da infraestrutura.

Eu estive muito contente em chegar a Addis Ababa, uma cidade de história, civilização e diversidade cultural. Eu estou ainda mais satisfeito por fortalecer os laços de amizade e cooperação entre as nossas duas nações”, declarou Mohammed bin Zayed, em sua conta pessoal no Twitter.

Com constantes déficits na balança de pagamentos ao longo dos últimos anos, a Etiópia sofre com um acentuado desequilíbrio de divisas. Em certa medida, isto ocorre devido ao fato dela exportar, majoritariamente, produtos de baixo valor agregado e de importar bens manufaturados e bens de capital, cuja aquisição é mais custosa. Em 2016, por exemplo, o principal produto vendido por esse país foi o café, representando 24% do valor total exportado, ao passo que maquinários representaram cerca de 30% das importações.

Soma-se a esta conjuntura a gradativa desvalorização da moeda nacional – o Birr – frente ao dólar. Este processo agrava o desequilíbrio nas contas externas, à medida que os produtos importados se tornam mais caros. A depreciação de aproximadamente 17%, se comparado ao câmbio de setembro do ano passado (2017), gera também pressões inflacionárias na economia, o que prejudica a parcela mais pobre da população. Nesse sentido, a concessão de um bilhão de dólares por parte dos EAU poderá mitigar os efeitos negativos da atual escassez de divisas no país.

No que diz respeito ao restante financeiro previsto no acordo, este poderá servir para dar continuidade aos investimentos em infraestrutura que o Governo etíope tem levado a cabo nos últimos anos. Em verdade, o acordo selado reforça a dependência da Etiópia no capital internacional para a implementação das reformas econômicas previstas, as quais buscam instaurar um processo de industrialização. Este padrão tem sido observado em outros episódios, os quais sinalizam uma entrada cada vez maior de investidores estrangeiros na economia nacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Pin de Lapela com as bandeiras de Etiópia e Emirados Árabes Unido Etiópia busca nos EAU os recursos necessários para implementar suas reformas econômicas planejadas” (Fonte):

https://www.crossed-flag-pins.com/shop/Flags-E/Friendship-Pins-Ethiopia-XXX/Pins-Ethiopia-United-Arab-Emirates.html

Imagem 2Sheikh Mohammed bin Zayed fez visita oficial a Etiópia, importante parceiro do país árabe no continente africano” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mohammed_bin_Zayed_Al_Nahyan

                                                                                              

NOTA ANALÍTICA 2 – Wilson (11:00)

POLÍTICA INTERNACIONAL – Coreias do Sul e do Norte acordam em mesclar times para os Jogos Asiáticos 2018

Em consonância com o fato histórico que marcou a Olimpíada de Inverno 2018 em PyeongChang – quando, em fevereiro, os atletas de Coreia do Sul e do Norte marcharam juntos sob bandeira unificada nas cerimônias de abertura e encerramento, além de disputar uma partida com equipe mista –, autoridades dos dois países comunicaram nesta segunda-feira, 18 de junto de 2018, que irão repetir a atitude nos Jogos Asiáticos deste ano (2018) .

Após o declínio da candidatura da cidade de Hanói, no Vietnã, ao alegar falta de preparo e incapacidade econômica, a execução da décima oitava edição dos Jogos Asiáticos será realizada na Indonésia, entre a capital Jakarta e Palembang, no período de agosto e setembro. A competição contará com 484 disputas, divididas em 42 modalidades esportivas.

A política externa norte-coreana tem se mostrado flexível e aberta ao diálogo com rivais ideológicos, a se destacar a vizinha do sul e os Estados Unidos da América, notadamente após o encontro inédito dos Chefes de Estado, Kim Jong-Un e Donald Trump, realizado em Cingapura.

Estas conversas de reconciliação corroboram para o alívio do conflito na península coreana ao utilizar-se do esporte, pela segunda vez apenas neste ano, como importante instrumento catalizador para alcançar o objetivo maior: a paz na região.

Jeon Choong-ryul, secretário-geral do Comitê Esportivo e Olímpico Coreano, que participou das negociações, em uma coletiva de imprensa reitera este pensamento ao dizer que “nós compartilhamos da visão que o esporte iniciou a reaproximação e cooperação entre as Coreias”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Representantes dos 45 países participantes dos Jogos Asiáticos 2018” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/gallery/img/800_6c9f10461da9add7e5c5f74c6559bca5.jpeg

Imagem 2 “Logo oficial da 18ª edição dos Jogos Asiáticos” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/noimg/sosmed-home-bottom.jpg

Imagem 3 “Entrevista do presidente da INASGOC à Revista Tempo” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/gallery/img/800_fa5dd386a8747856ca1005ab0d29cc93.jpeg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

OPEP e Rússia buscam cooperação de 10 a 20 anos sobre a produção de petróleo

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), criada em 1960, possui 14 países membros*. Seu objetivo é regular a produção e a comercialização de petróleo entre seus integrantes para manter o mercado desse produto estável e com uma oferta eficiente e regular. Atualmente, metade das nações associadas à OPEP estão entre os 15 maiores produtores mundiais, algo que demonstra a influência que essa organização tem sobre o mercado global dessa commodity.

Entretanto, há grandes produtores de petróleo que não fazem parte da OPEP, mas que acabam afetando o mercado da mesma maneira, como é o caso da Federação Russa. Em vista disso, muitas vezes a OPEP busca firmar acordos e parcerias com esses países para controlar a oferta global. Essa é a situação com os russos desde 2017, quando a Rússia e a Organização acordaram em realizar cortes na produção dessa commodity, sob a justificativa de que a oferta e a demanda mundial estavam desajustadas e, portanto, precisavam ser controladas para chegar a um nível estável novamente. Em resultado dessa decisão, o preço do petróleo voltou a subir no mercado global e agora, em 2018, o barril voltou a custar mais de US$ 60 dólares, ante o valor de US$ 30 dólares no início de 2016.

O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita

A partir de então, a Rússia e a OPEP vêm realizando acordos anuais de corte da produção para manter a oferta mundial do produto e, assim, estabilizar o seu preço. Por essa ação ter sido um sucesso, essa organização analisa a possibilidade da realização de uma cooperação de longa duração com os russos. Segundo o Príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, um dos principais países membros, no momento procura-se mudar o acordo anual para um acordo de 10 a 20 anos com a Rússia.

Dessa forma, a Organização passaria a atuar em conjunto com os russos por um período muito maior e nunca praticado antes. Se esse acordo se firmar realmente, especialistas apontam que os países membros e a Federação Russa terão controle sobre o mercado mundial de petróleo de maneira nunca antes vista. De fato, juntar os maiores produtores de petróleo num grande acordo que duraria pelo menos 10 anos irá resultar em maior comando da oferta que, consequentemente, afetará no preço.

Entretanto, há fatores que devem ser considerados que podem vir a comprometer esse plano. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a produção de petróleo nos Estados Unidos (EUA) vem aumentando consideravelmente nos últimos anos, tanto que a previsão é que ele consiga, sozinho, cobrir 80% da demanda crescente global dessa commodity. Os 20% restante caberiam a outros países, como Canadá, Brasil e Noruega, não havendo muito espaço restante para a oferta dos países da OPEP. Segundo a AIE, isso está previsto exatamente pelos cortes na produção que foram praticados, pois criou-se um espaço para que outras nações ofertassem seu produto.

O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita

Apesar desse prognóstico, a Arábia Saudita segue confiante quanto à existência de um acordo de longo prazo com a Rússia, visto que nenhum dos dois países e nem os restantes daqueles membros da OPEP querem estar sujeitos novamente às grandes oscilações no preço do petróleo. Assim, afirma-se que essa cooperação, se realizada, garantirá maior estabilidade ao mercado. Ademais, ela seria muito benéfica à Rússia, visto que, desde o início da cooperação com a Organização, o orçamento federal russo recebeu 29,41 bilhões de dólares a mais por conta da alta no preço do petróleo, conforme afirmou o Ministro da Energia russo, Alexander Novak. Portanto, se isso prevalecer por mais esse período proposto, os ganhos à Rússia serão inestimáveis.

Além desses resultados diretos, pode-se citar que essa cooperação OPEP-Rússia trouxe também o fortalecimento da aproximação econômica entre a Arábia Saudita e a Federação Russa nos últimos anos. Um exemplo é a busca pela realização de investimentos de um nas indústrias petrolíferas do outro. Ademais, é importante destacar que a aproximação da Rússia com a OPEP pode vir a garantir o maior protagonismo desse país no Oriente Médio, destacando ainda mais o papel dos russos no âmbito internacional.

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Nota:

* Atualmente, ordenado pelo ano de ingresso, os países membros da OPEP são: Arábia Saudita (setembro de 1960); Iraque (setembro de 1960); Irã (setembro de 1960); Kuwait (setembro de 1960); Venezuela (setembro de 1960);  Catar (dezembro de 1961); Indonésia (de 1962 a 2009, retornando em janeiro de 2016); Líbia (dezembro de 1962); Emirados Árabes Unidos (novembro de 1967); Argélia (julho de 1969); Nigéria (julho de 1971); Equador (de 1973 até 1992, retornou como membro em dezembro de 2007); Gabão (de 1975 a 1994, retornou em julho de 2016); Angola (janeiro de 2007).

** Ordenado por colocação entre os 15: Arábia Saudita (4o); Iraque (5o); Irã (6o); Kuwait (6o); Venezuela (14o).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag_of_OPEC.svg

Imagem 2 O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mohammed_bin_salman.jpg

Imagem 3 Ministro da Energia russo, Alexander Novak” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aleksandr_Novak,_2012.jpeg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

China concede crédito para o Irã em meio às sanções do Ocidente

A China forneceu uma linha de crédito de US$ 10 bilhões ao Irã, destinada a projetos de infraestrutura nas áreas de energia, transporte, gestão de recursos hídricos, entre outros. O Irã vem crescendo como um parceiro estratégico para os investimentos chineses. As linhas de crédito são denominadas em Yuan (Renminbi), visando contribuir para o processo de internacionalização da moeda chinesa.

Mapa com a localização da China e do Irã

A China é o maior parceiro comercial do Irã, sendo consequentemente o maior receptor do petróleo iraniano, que constitui 66% de sua pauta exportadora com este país. Em contrapartida, os chineses exportam produtos industrializados, tais como smartphones, centrífugas, carros, entre outros. O maior projeto bilateral em curso até o momento consiste em uma ferrovia de alta velocidade que sai da província de Xinjiang no oeste da China até o Irã, perpassando 2.000 quilômetros através da Ásia Central, percorrendo países como Quirquistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Cazaquistão e Uzbequistão.

Em julho (2017), os Estados Unidos (EUA) impuseram novas sanções econômicas ao Irã, por considerar que o país estaria violando o compromisso de não desenvolver o seu setor militar. No ano de 2015 foi assinado um Tratado para a contenção do desenvolvimento de armas nucleares no país. Mesmo com o cumprimento das medidas delineadas, o Irã sofre sanções econômicas pela parte dos EUA. 

A assinatura do Documento é uma demonstração da eficácia da ação multilateral na resolução de conflitos, reforçando a noção de que o mundo caminha para a multipolaridade. O Tratado foi negociado conjuntamente por França, Alemanha, Reino Unido, China, Rússia e Estados Unidos. O Irã afirmou que continuará a cumpri-lo integralmente e a Rússia reafirmou que os termos do Tratado não são renegociáveis.

As relações com os iranianos são estratégicas para a inserção da China na região do Oriente Médio. Adicionalmente, a segurança energética é vista como uma questão vital para o Estado chinês. Isto faz com que as suas relações com os países que possuem hidrocarbonetos tornem-se peças fundamentais para a manutenção do ritmo de desenvolvimento da economia chinesa. Ressalte-se que a postura unilateral e revisionista dos Estados Unidos em assuntos de segurança tende a estimular a aproximação do Irã em relação à China e à Rússia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Chefes de Estado da China e do Irã” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1e/Ali_Khamenei_receives_Xi_Jinping_in_his_house_%286%29.jpg

Imagem 2 Mapa com a localização da China e do Irã” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a5/Iran_China_Locator.png

 

ECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

PIB da Arábia Saudita cai pela primeira vez desde 2009

A Arábia Saudita registrou no primeiro trimestre de 2017 a primeira retração de seu Produto Interno Bruto (PIB) desde 2009, quando o mundo ainda sofria os efeitos da crise financeira de 2008. Segundo dados oficiais, revelados na última sexta-feira (30 de junho), o PIB saudita encolheu 0,5% entre os meses de janeiro e março de 2017, em comparação com o mesmo período do ano anterior, já ajustada a inflação. Se considerado apenas o setor petrolífero, a contração registrada foi de 2,3%.

Bandeira da OPEP

O mau desempenho apresentado pela economia do Reino Árabe é, em grande parte, fruto da política de diminuição do ritmo de produção de petróleo, adotada com o intuito de pressionar para cima o preço cobrado pelo barril nos mercados internacionais. Esta medida foi tomada em conjunção com os demais membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em novembro de 2016 e prorrogada em maio deste ano (2017). Pelo acordado, foram definidas quotas de redução que cada país membro deve cumprir, ficando a produção total do cartel limitada a 32,5 barris por dia até o final de 2018.

Apesar de surtir um efeito positivo inicial, a política adotada pela OPEP não obteve êxito em manter os preços internacionais da commodity em elevação. O barril do tipo Brent, que era comercializado a US$46 no momento em que a redução da produção foi instaurada, atingindo um pico de US$56 em fevereiro de 2017, hoje é vendido por US$48, pouco acima do valor inicial. Dentre os membros do bloco, a Arábia Saudita é a mais comprometida com a medida e mantém níveis de extração de petróleo aquém dos limites acordados. O efeito deste comprometimento já é sentido na economia sem, contudo, alcançar os objetivos esperados.

Por outro lado, os dados divulgados revelaram que o setor privado não relacionado ao petróleo apresentou crescimento de 0,9% nos três primeiros meses do ano. Ainda que este número não tenha sido suficiente para evitar a queda do PIB, ele mostra que há sinais de desenvolvimento de segmentos da economia saudita não dependentes das reservas minerais do país. No entanto, Riad ainda está longe de conseguir diversificar sua matriz econômica, já que 87% de suas receitas em 2016 provieram da exploração do petróleo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Riad, capital da Arábia Saudita” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ar%C3%A1bia_Saudita#/media/File:Riyadh_North_Skyline_.jpg

Imagem 2Bandeira da OPEP” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Pa%C3%ADses_Exportadores_de_Petr%C3%B3leo#/media/File:Flag_of_OPEC.svg