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[:pt]Integrando agendas: a economia azul como elemento de ligação na parte ocidental do Mar Mediterrâneo[:]

[:pt] No último dia 19 de abril, a Comissão Europeia lançou uma iniciativa para integrar suas agendas econômica, ambiental e securitária em torno do conceito de economia azul na região do Mediterrâneo ocidental. A intenção…

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[:pt]A Nova Rota da Seda Chinesa: uma esperança para a Europa[:]

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Em momentos de crises, tais como os vividos na Europa desde 2008 até 2016, grandes transformações ocorrem nas mais diversas esferas do poder. Sejam tais transformações políticas, sociais, tecnológicas ou ideológicas, o certo é que a crise funciona como um gatilho que impulsiona profundas mudanças no cenário no qual ela se desenvolve, havendo sempre um antes e um depois, pois os atores implicados são forçados a buscar uma resposta e muitas vezes são levados a inovar ou a avaliar novas opções.

A crise na Europa resultou em uma série de mudanças no cenário local, assim como na política externa europeia. O continente, que durante muito tempo teve sua economia direcionada para o eixo do Atlântico, aumentou suas parcerias com os países asiáticos, principalmente com a China e Índia, fortalecendo o eixo asiático.

A China, por outro lado, soube entender a situação europeia e a fragilidade econômica de diversos países da Europa, para, pouco a pouco, se inserir no mercado europeu, principalmente mediante a compra de empresas consagradas, bem como participando de projetos públicos e fazendo novas parcerias. Assim, não é de estranhar que foram os países do Mediterrâneo a principal porta de entrada da China na economia europeia, mediante a aquisição de marcas como FENDI, PIRELLI, UCI Odeon, Alcatel Mobile, Granada FC, Espanyol F.C., Atlético de Madrid, Inter de Milano etc., mostrando que os investimentos chineses são diversificados e massivos.

Como reflexo dessa inserção da China no mercado europeu, o comércio e as comunicações entre ambas regiões aumentaram nos últimos anos. Atualmente, o chinês é uma das línguas mais estudas na Europa, com um aumento anual de 20%, além disso, o número de alunos de intercâmbio também aumentou e a China, após os próprios países europeus e os EUA, já é o maior destino de intercâmbio da Europa, de forma que toda as grandes capitais europeias já possuem voos diretos para diversas cidades chinesas, além de conexão com os principais portos e até mesmo conexão por trem.

A primeira linha ferroviária entre um país europeu e a China é a que faz o trajeto Madrid- Yiwu, de aproximadamente 13.052 km, em 30 dias, sendo, atualmente, o maior trajeto percorrido do mundo. A conexão por trem entre a China e a Europa reduz o tempo de viagem em aproximadamente 10 dias, porém conta com uma série de dificuldades, tais como a diferença da bitola* entre os países, as condições climáticas da Ásia Central e a burocracia dos Estados que não estão inseridos em Acordos Regionais ou Acordos Bilaterais. Ainda assim, o Governo chinês aposta na viabilidade do transporte ferroviário e novas linhas já estão em funcionamento, além de outras que vem sendo planejadas.

Em janeiro de 2017 partiu o primeiro trem que une a cidade de Yiwu a Londres, percorrendo mais de 18.000 km, em apenas 18 dias, alcançando o mercado britânico em plena saída da União Europeia e consolidando a presença da China em um mercado historicamente ligado a influência americana.

Outras conexões, tais como Milão, Duisburg e Moscou, formam uma teia chinesa que muitos já consideram a Nova Rota de Seda, pela qual a China controlará o intercâmbio de produtos entre os mercados, a tempo de garantir o suprimento do seu crescente mercado interno. A Europa se beneficia com a entrada de investimento estrangeiro direto, mas perde o controle de suas multinacionais e meios de produção nas mãos das companhias asiáticas, pois até mesmo gigantes como a IBM ao a Volvo já foram alvos da expansão comercial chinesa e do seu ímpeto por investir em marcas já consagradas.

Frente a esse processo, podemos assinalar 3 pontos importantes:

1º – O papel das crises na reconfiguração e na transformação dos Estados;

2º – O processo de expansão comercial chinesa registrado em todos os continentes;

3º – A nova etapa da economia global, onde a financeirização do capital gera distorções entre os proprietários dos meios de produção e os que manejam o capital nos centros de poder.

Além desses três pontos, é importante ressaltar que o processo de expansão do capital é um dos principais vetores da globalização e que, sem dúvidas, isso gera um dos maiores paradigmas que enfrentam os países europeus, já que, internamente, a Europa discute os efeitos da integração regional e da globalização, mas, externamente, ela precisa se aproximar de novos mercados e manter sua participação nas cadeias produtivas e fluxos financeiros mundiais.

Ainda que muitos falam de uma Nova Rota da Seda, o certo é que a China está tecendo uma grande rede de comunicações ao redor do mundo, com investimentos na América Latina, Europa, África e Ásia. Como observadores tem apontado, a Europa, mesmo com todos os conflitos e com seu crescente discurso nacionalista, precisa mais do que nunca de outros países e de novas opções, sendo talvez hora de olhar para o Oriente, abandonando seu paternalismo histórico para com o Ocidente.

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* Bitola é nome usado para se referir a largura que tem a distância entre as faces interiores das cabeças de dois trilhos (pelo português brasileiro) ou carris (pelo português de Portugal) em uma via férrea.

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Imagem 1 Mapa indicando localização da União Europeia e da República Popular da China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China–European_Union_relations

Imagem 2 Mapa da Europa, mostrando as fronteiras geográficas mais utilizadas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Europa

Imagem 3 A Rota da Seda Ferroviária” (Fonte):

https://logisticagrupob.wordpress.com

Imagem 4 O centro financeiro de Tianjin” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/China

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[:pt]Eurogrupo avalia situação da Zona do Euro e divulga seu plano de trabalho para o primeiro semestre de 2017[:]

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Mensalmente, os Ministros das Finanças dos países que integram a Zona do Euro se reúnem para discutir as obrigações conjuntas relacionadas à integração monetária europeia. Estas conversas acontecem no âmbito do Eurogrupo, uma instância informal de coordenação instalada no bojo do Conselho da União Europeia. A reunião deste mês (dezembro) foi realizada no dia 5, em Bruxelas, um dia antes da reunião do Conselho da União Europeia, encarregado dos assuntos econômicos e financeiros.

O Eurogrupo trouxe informações otimistas sobre os indicadores da área do euro para 2017. As projeções indicam que os 19 países que integram o grupo devem entrar no quinto ano de taxas de crescimento positivas, ainda que com ritmos de recuperação diferentes. Além do avanço dos níveis de emprego e da demanda interna, espera-se também que os níveis de investimentos finalizem um longo período de baixa.

Pautada por este cenário, a reunião apresentou três eixos principais. No primeiro, o Eurogrupo analisou os planos orçamentários propostos pelos Estados que adotam o euro, tendo como base a comunicação da Comissão Europeia sobre os projetos orçamentários apresentados pelos respectivos Estados. Neste aspecto, o Eurogrupo endossou o risco destacado pela Comissão acerca da possibilidade de não cumprimento das regras orçamentárias detalhadas no Pacto de Estabilidade e Crescimento* (PEC). Oito países estão nesta situação: Bélgica, Chipre, Finlândia, Itália, Lituânia, Portugal, Eslovênia e Espanha. Sendo que a Itália recebeu um chamado específico do Eurogrupo para adotar as medidas necessárias para atingir o especificado na PEC.

A situação da economia grega compôs uma pauta à parte e foi concentrada na segunda avaliação do programa de ajuste econômico que o país tenta implementar desde 2015. Foi informado que a Grécia e as instituições credoras chegaram a um acordo quanto ao cumprimento do superávit primário de 1,75% do seu Produto Interno Bruto para 2017, com elevação para 3,5%, em 2018. Contudo, permanece em aberto o pleno cumprimento do acordo firmado em 2015 sobre a recuperação econômica grega. A esse respeito, Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Eurogrupo, declarou que “está claro que mais ações são necessárias [para o cumprimento do acordo]. As partes estão preparadas e de prontidão para retornar a Atenas e trabalhar no assunto. Esta é a situação atual” (tradução livre).

O terceiro eixo da discussão foi a adoção do plano de trabalho semestral do Eurogrupo. A principal agenda será a coordenação da política econômica com vistas a garantir a solidez das finanças públicas. Isso se dará por meio de aplicação de reformas estruturais e monitoramento das políticas orçamentárias dos Estados para garantir a estabilidade financeira e macroeconômica da área do euro. Os trabalhos relativos ao reforço da união bancária e à avaliação dos países em processo de ajuste econômico, caso da Grécia, ou que recentemente saíram desta situação, como Chipre, Irlanda, Portugal e Espanha, completam a agenda de trabalho para o primeiro semestre de 2017.

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Notas:

* O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) é um conjunto de regras destinado a garantir que os países da UE se empenham em sanear as suas finanças públicas e em coordenar as suas políticas orçamentais.

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ImagemDa esquerda para a direita: Sr. Pierre Moscovici, Membro da Comissão Europeia; Mr. Jeroen Dijsselbloem, Presidente do Eurogrupo; Sr. Klaus Regling, Diretor do Mecanismo de Europeu de Estabilidade” (Fonte):

https://tvnewsroom.consilium.europa.eu/event/eurogroup-meeting-december-2016-5834656a0e49f/eurogroup-meeting-final-press-conference-05-12-16-bruxelles-05-12-16#/gallery/0

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América do NorteBLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Fim prematuro do acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos[:]

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O Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), caso fosse aprovado, resultaria na maior área de livre comércio do mundo, com mais de 60% do PIB do planeta e com as nações mais ricas do ocidente em um único grupo, sendo uma tentativa de restaurar o eixo econômico do Atlântico, o qual perdeu lugar para o eixo econômico do Pacífico devido à ascensão da China e aos avanços tanto da ASEAN como do Tratado Transpacífico (TTP).

Mas as negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos nunca lograram obter o consenso necessário, pois as políticas europeias de incentivos e controle de determinados setores se chocavam com as políticas liberais americanas. Outro ponto crítico foi a falta de consenso entre os países membros da União, que não viam com bons olhos uma possível consolidação da hegemonia americana na Europa e o impacto da mesma no projeto de integração regional, que passa por uma série de desafios devido as crises recentes e aos problemas de governabilidade de alguns países, além do temor de uma reconfiguração nas políticas de financiamento da produção e nos incentivos a setores importantes, tais como a agricultura e a pecuária. Por último, temiam uma modificação nas leis de proteção ao consumidor.

No dia 28 de agosto, o Vice-Chanceler e Ministro da Economia, o Sr. Sigmar Gabriel, declarou publicamente o fracasso nas negociações e a incapacidade de obter um Acordo, embora a notícia não tenha sido recebida com surpresa, já que, em uma consulta pública realizada pela Comissão Europeia, mais de 80% dos participantes declararam não estar a favor das propostas geradas pela criação do Bloco.

Sendo assim, a União Europeia, após fracassar nas negociações com os Estados Unidos dará continuidade com outros acordos tais como o do Mercosul, embora o Bloco latino também passe por problemas internos devido à questão da Venezuela e ao afastamento da ex-presidente Dilma Roussef, que produziu um importante entrave diplomático entre os países membros.

Desde o início da Crise Financeira Internacional, em 2008, a Europa enfrenta diversos problemas, tais como a crise da Ucrânia, a crise do Mediterrâneo, a crise dos Refugiados, entre outras, dificultando uma recuperação do Bloco e seu fortalecimento. O reflexo dessas mudanças são o aumento do eurocepticismo e as novas reconfigurações políticas, tanto nos países da periferia europeia como nas economias mais consolidadas. A não aprovação do TTIP adiciona um fator relevante, já que que a Europa possui problemas a longo prazo para manter sua estrutura econômica e fiscal, principalmente devido a evolução demográfica do continente, a evasão da produção para economias emergentes e a crescente competitividade internacional.

A Incapacidade do Bloco de se reformular e se renovar está promovendo seu engessamento dentro das premissas nas quais se fundou a União Europeia, sendo cada vez mais difícil a superação das crescentes assimetrias entre os países membros e os desafios que surgiram nos últimos 10 anos, gerando conflitos internos, problemas de coesão e a falta do consenso necessário para dar continuidade ao projeto de integração.

O fim das negociações colocou em evidência a falta de consenso da União e sua crescente dificuldade de atuar e negociar de forma coesa, mantendo os interesses gerais do grupo, sendo este outro sintoma da real situação do Bloco europeu, que, aos poucos, vem dando mostras de esgotamento e fissuras contínuas.

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Imagem (Fonte):

https://i.ytimg.com/vi/JozF1BajY0c/maxresdefault.jpg

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BLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALSociedade Internacional

A política externa dos Estados Unidos para a Europa sob a névoa do Brexit

A intenção do Reino Unido em deixar o Bloco europeu inundou a comunidade internacional de incertezas, ao criar um vácuo na esfera financeira, econômica, geopolítica e social, não exclusiva apenas para a integração europeia, mas para toda a cadeia de cooperação entre Estados, algo que, se essa decisão for consumada, culminará, por exemplo, no questionamento e na provável alteração do equilíbrio de forças do sistema internacional.

A posição do Reino Unido é um paradoxo em relação à conjuntura globalizada de tempos recentes, em que atores diversos se unem em prol da promoção comercial, segurança, proteção ambiental e para repelir ameaças. Os países signatários dessas integrações concordam em abrir um pouco de sua soberania em busca de interesses econômicos, segurança e vantagens comerciais.

Das inúmeras análises e projeções elaboradas após o “leave” de parte do Reino britânico, o aspecto estratégico focado na argumentação econômica é a que mais se repetiu, possivelmente pela integração do sistema financeiro internacional, que, na Europa, é controlado pela City londrina, a Wall Street do outro lado do Atlântico. Nesse sentido, para os defensores do “remain”, o Brexit trará para o debate um possível empobrecimento do país, que culminaria em menos recursos para dedicar às esferas de política externa e defesa, mecanismos de dissuasão importantes e muito em voga, devido ao caos sistêmico global testemunhado há anos em todas as regiões do mundo, e cujos protagonistas estão em grande parte alocados no lado ocidental do globo.

Ao inserir os Estados Unidos na equação, sua influência no Bloco econômico também sofreria um revés. Washington e Londres nem sempre concordam, porém são parceiros históricos, que, em uma eventual ruptura de Londres com Bruxelas, trará para o futuro Governo estadunidense a perda de uma voz ativa na Europa, aumentando a distância entre os outros 27 membros da integração europeia com a Casa Branca.

Diante desse quadro difuso, uma das conjecturas coloca a Escócia no centro dos desdobramentos em segurança internacional. O desejo do Governo escocês em se manter na União Europeia abre precedente para um novo Referendo de secessão do Reino Unido e, uma vez esse entrevero bilateral ganhando contornos mais complexos, as armas nucleares, estações de monitoramento e submarinos dos Estados Unidos estacionados em território e águas escocesas podem ser redirecionados, sendo este um momento desfavorável aos norte-americanos, do ponto de vista geoestratégico, dada à intenção de Moscou em reassumir o protagonismo no cenário internacional.

Para o presidente Barack Obama, e também para seu sucessor, os desafios serão grandes, pois Londres acolhe centenas de empresas americanas nos serviços financeiros, como previamente levantados, tem uma conexão com Wall Street muito profunda, assim como tem laços comerciais que projetam o Reino Unido como segundo parceiro norte-americano no continente europeu, atrás apenas da Alemanha.

No curto prazo, os EUA até podem se beneficiar dos movimentos especulativos com a fuga de capitais na Europa, e Wall Street poderá ser um porto seguro, culminando na redução das taxas de juros e, consequentemente, no aumento da competitividade estadunidense para serviços financeiros. No que tange aos negócios, os investimentos serão analisados de perto pelas corporações norte-americanas, a flutuação da moeda e a capacidade do mercado de absorção de uma nova modalidade macroeconômica poderão fazer a diferença nesse primeiro momento. Contudo, os projetos de investimento estarão em passo de espera com a eminente saída britânica do Bloco. Para alguns economistas consultados, há um consenso em esperar para ver o resultado das negociações do Reino Unido na União Europeia no próximo par de anos.

À luz das questões diplomáticas, o Governo dos EUA poderá dividir sua política externa na Europa, mantendo a relação histórica com Downing Street, ao passo que poderá fortificar e aprofundar a relação com Alemanha e França. Com a Alemanha, por ser o país mais próspero da Europa, com uma liderança forte, estável e respeitada, além de ser o principal parceiro comercial; e com a França, pelo papel que tem em segurança, como grande colaborador da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, ou NATO, na sigla em inglês), sendo aliado imprescindível de Washington no Oriente Médio, África Subsaariana e no combate ao terrorismo.

Ainda há muito a analisar após a decisão britânica, porém, as bases para uma nova configuração geopolítica já se iniciaram e os desdobramentos podem ser dolorosos em diversas perspectivas, incluindo um novo ciclo de crise econômica que tende a piorar ainda mais o quadro social e levar à ascensão de uma extrema direita ao poder, tanto em grande parte da Europa, como também nos Estados Unidos.

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.com/image/0,,19352846_303,00.jpg

BLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Uma proposta comercial conjunta do MERCOSUL para a União Europeia se aproxima

Desde o início do ano de 2014, as chancelarias dos países-membros do “Mercado Comum do Sul” (MERCOSUL) vêm trabalhando intensamente na oferta conjunta do bloco sul-americano para as negociações com a “União Europeia” (UE). Se é verdade que, durante o início de abril, a postura argentina foi identificada como o grande obstáculo dessa rodada de negociações[1], as manchetes da semana passada atribuíam justamente à mudança de postura dos argentinos a razão do acerto da proposta única[2].

Lançadas há quase 20 anos, as negociações entre o MERCOSUL e a UE vem oscilando ora entre descrença e acusações mútuas, ora entre relançamentos e otimismos ufanistas. Durante a primeira fase, de 1995 a 1999, o principal obstáculo das negociações girava em torno da “Política Agrícola Comum” (PAC), que necessitava ao mesmo tempo se adaptar às recentes regras agrícolas da “Organização Mundial do Comércio” (OMC), ampliar-se rumo ao leste europeu, além de atender à forte pressão dos países em desenvolvimento, dentre estes, os membros do MERCOSUL, com os quais a UE negociava acordos comerciais dão longo da década de 90.

Durante o primeiro decênio do século XXI, as negociações intercontinentais entre “América do Sul” e Europa ficaram em segundo plano, tendo em vista que o MERCOSUL se orientou eminentemente rumo à negociações comerciais Sul-Sul – “África Austral”, Índia, Egito, Israel e Marrocos – e ao reforço e ampliação da integração sul-americana – com a criação da “União das Nações Sul-Americanas” (UNASUL) e a “Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos” (CELAC).

Além disso, o MERCOSUL vem tentando avançar com negociações junto a uma diversidade de países e regiões com os quais historicamente sempre teve uma balança comercial praticamente insignificante, tais como países do Golfo, Jordânia, Turquia e “Coreiado Sul”. É imperativo concluir que, muito embora se conteste as diretrizes e paradigmas que norteiam as negociações internacionais do Mercosul, não se pode afirmar que o Bloco seja inoperante em termos de negociações comerciais internacionais.

A atual formulação da proposta única é uma decorrência jurídica da “Resolução nº 32/2000”, que estabeleceu os parâmetros da política comercial exterior comum. Dentre outros compromissos, obrigou os Estados-membros do MERCOSUL à estabelecer negociações internacionais conjuntas, sendo vetado aos mesmos fazerem negociações isoladas com países de fora do Bloco[3].

A atual fase das negociações MERCOSULUE, lançada em 2011, começava a amadurecer uma proposta de integração intercontinental em “duas velocidades”, na qual países poderiam aderir a um grupo limitado de compromissos, enquanto outros aprofundariam a integração comercial. Tal estratégia é vista com o primeiro passo rumo a desconstrução do MERCOSUL. Nesse sentido, a presente proposta única que se desenhou na semana que passou vem reforçar o sentido de unidade do MERCOSUL nas suas negociações internacionais[4].

Esta proposta do Bloco sul-americano contempla ofertas tarifárias em 87% do volume do comércio com os europeus, podendo chegar a 90% nessas últimas semanas de acertos internos do MERCOSUL antes de concretizar a proposta no final do mês. No dia 29 deste mês, abril, as atenções estarão voltadas para uma reunião ministerial do MERCOSUL para o fechamento desta “Proposta Única”. De acordo com o “Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior” (MDIC), Mauro Borges, “a economia brasileira é inteiramente integrada ao mundo, e essa integração comercial com a Europa é decisiva, é o primeiro passo de um novo ciclo da integração comercial brasileira[5].

O fechamento deste posicionamento único é apenas um primeiro passo dentro de um longo processo de negociação intercontinental que se iniciará a partir de então. A UE tampouco fechou, até o momento, uma postura de negociação para o MERCOSUL. No entanto, passados quase 20 anos desde o início dos diálogos, caso se efetive a construção de uma posição comum dentro do MERCOSUL, tal feito poderá ser comemorado como um pequeno – mas construtivo – passo de um tardio alinhamento regional para suas negociações comerciais internacionais com a Europa

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ImagemLançadas há quase 20 anos, as negociações entre o Mercosul e a União Europeia oscilam ora entre descrença e acusações mútuas, ora entre relançamentos e otimismos ufanistas” (FonteReuters):

http://www.dw.de/mercosur-y-ue-libre-comercio-a-paso-de-tortuga/a-17229693

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

https://ceiri.news/negociacoes-entre-mercosul-e-uniao-europeia-nao-vao-bem-e-argentina-e-o-principal-entrave/

[2] Ver:

http://www.valor.com.br/brasil/3513404/argentina-muda-postura-e-mercosul-fecha-oferta-ue

[3] Ver:

http://www.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/dec3200p.asp

[4] Ver:

http://www.lanacion.com.ar/1680710-jorge-capitanich-dijo-que-hubo-avances-significativos-en-la-negociacion-del-mercosur-con-la-union-europea

[5] Ver:

http://www.valor.com.br/brasil/3513370/mercosul-fecha-oferta-unica-para-acordo-com-ue

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Simplificação aduaneira por envio postal dos países da IIRSA

A iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sulamericana”(IIRSA) instituiu um grupo de trabalho para analisar a viabilidade da “Integração Comercial” dos países da IIRSA por envios postais.  O grupo também tem a missão de promover o intercâmbio sobre o funcionamento dos serviços e analisar um modelo aduaneiro simplificado, considerando a sua viabilidade regulatória, econômica e institucional[1].

O estudo é focado no desenvolvimento do comércio exterior para pequenas e médias empresas. Segundos os dados iniciais levantados, os correios, de uma forma geral, tem a função de ser um agente facilitador e integrador do comércio internacional.

As estatísticas mundiais sobre o comércio de eletrônicos das empresas que vendem direto ao consumidor indicam que na  “América Latina” houve um aumento de 25% das vendas entre 2010 e 2011. O Brasil, dentro do contexto regional, é líder sendo responsável por 60% do total das vendas[2].

A “União Postal Universal” (UPU) e a “Organização Mundial de Aduanas” (OMA) reconhecem que  é necessário encontrar soluções postais e aduaneiras para facilitar o transporte e fornecer melhores condições de desenvolvimento tecnológico. Atualmente, as principais dificuldades de importar e exportar por correio são o despacho postal lento; o custo da logística postal; o tempo de entrega; a burocracia aduaneira e impositiva; as restrições de outros setores e as barreiras não tarifárias[2].

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Imagem (Fonte):

http://www.iirsa.org/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.iirsa.org/Event/Detail?Id=225#

[2] Ver:

http://www.iirsa.org/admin_iirsa_web/Uploads/Documents/envios_postales_santiago13_anexo11_MariseLouvison.pdf