América do NorteECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Kalashnikov: EUA estuda possibilidade de fabricar fuzil russo em solo americano

Um dos símbolos da extinta União Soviética, o fuzil automático AK-47*, está sendo estudado para que tenha sua fabricação realizada dentro do território norte-americano, segundo declarações do Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (USSOCOM – United States Special Operations Command), órgão encarregado de supervisionar as várias operações dos comandos de forças especiais que fazem parte do Exército, da Força Aérea, da Marinha e dos Fuzileiros Navais, das Forças Armadas dos EUA.

Desde maio de 2016, o Comando Militar já havia se posicionado sobre o assunto, quando publicou uma solicitação de “fontes procuradas” para armas não-padrão em um site de contratação federal. Em abril do mesmo ano, o Comando postou um aviso semelhante para munição de arma não padrão. O termo “não padrão” é usado para armamentos que não são frequentemente utilizados pelos Estados Unidos ou seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Logotipo da empresa Kalashnikov

Especificamente, o USSOCOM quer que as empresas americanas explorem se é viável fazer engenharia reversa ou reengenharia e produzir internamente tal armamento com o objetivo de desenvolver uma capacidade doméstica inovadora para produzir “réplicas” em pleno funcionamento de armas fabricadas no exterior que sejam iguais ou melhores do que está sendo produzido internacionalmente, segundo a proposta do Centro de Pesquisas em Pequenas Empresas (SBIR – Small Business Innovation Research), departamento ligado à USSOCOM.

Considerada por analistas militares como a “senhora da guerra”, o fuzil de assalto AK-47 é a mais letal e a mais produzida arma de combate individual na história, pois, segundo registros internacionais, foram fabricados mais de 100 milhões de unidades, tendo equipado mais de 50 Exércitos Nacionais em todo o mundo. Ainda sob o regime soviético, a manufatura do fuzil foi compartilhada entre mais de 10 países comunistas que ganharam licença de produção e, atualmente, a China se apresenta como maior produtora, tendo como principais clientes diversos países do continente africano.

O Governo russo, juntamente com representantes da empresa JSC Kalashnikov Concern**, fabricante do fuzil, deixou claro a preocupação sobre a alta proliferação de fabricantes não licenciados espalhados mundialmente, o que representa um alto risco contra a qualidade e os direitos autorais do armamento original, a reputação da empresa russa, além da facilitação do contrabando e desvio para grupos rebeldes em todo o mundo.

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Notas:

* Denominação do fuzil de assalto russo calibre 7.62x39mm: A de automático, K de Kalashnikov (criador do projeto – Mikhail Kalashnikov) e 47 (ano do início de fabricação – 1947).

** Indústria russa do ramo de defesa localizada na cidade de Ijevsk, cerca de 900km de Moscou, capital da Rússia. A empresa é controlada majoritariamente pelo grupo Rostec, que detêm 51% de participação acionária, seguida por investidores privados que possuem os outros 49%. Seus principais produtos são armas automáticas leves, veículos blindados e tecnologia robótica militar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Exposição de armas Kalashnikov” (Fonte):

https://en.kalashnikov.media/photo/weapons/gosti-mezhdunarodnogo-voenno-tekhnicheskogo-foruma-armiya-2018

Imagem 2 Logotipo da empresa Kalashnikov” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ea/KalashnikovConcern.svg/1200px-KalashnikovConcern.svg.png

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Moçambique e empresas estrangeiras selam acordos para a exploração de petróleo

O Governo moçambicano selou, na semana passada, um acordo com as empresas petrolíferas Exxon Mobil e Rosneft para estimular a exploração de petróleo no país. A parceria prevê investimentos entre 700 e 900 milhões dólares para a abertura de dez poços de extração, sendo oito deles no mar (offshore) e dois no continente (onshore).

O acordo faz parte de um importante planejamento estratégico que o governo de Filipe Nyusi tem traçado para o país: desenvolver-se através da exportação de combustíveis fósseis. Autoridades e formuladores de políticas públicas esperam que Moçambique seja o quarto maior exportador de gás natural na próxima década, bem como um dos principais produtores de petróleo em todo o continente. Atualmente, a principal commodity de exportação é o alumínio bruto, o qual, em 2016, representou 19% das vendas externas do país. Paralelamente, no mesmo ano, o petróleo atingiu somente 4,5% de representatividade sobre o total de exportações.

Exxon Mobil, junto com a companhia russa Rosneft, irão investir entre 700 e 900 milhões para a produção de petróleo em Moçambique

Com a retomada nos preços internacionais dos hidrocarbonetos, o petróleo e seus derivados voltam a aparecer como interessante mercadoria de exportação para os países do Globo Sul – nos quais, em alguns destes, há plena abundância dessas commodities. Especificamente no caso de Moçambique, a intensificação no nível de produção desta mercadoria soa como atraente estratégia para a resolução de seu endividamento público, o qual afeta diretamente na captação de recursos entre investidores estrangeiros para a efetivação das políticas sociais de desenvolvimento nacional.

Na mesma direção, no final deste mês (outubro de 2018), o Governo irá dar continuidade junto à empresa sul-africana Sasol e à companhia italiana Eni na discussão de novos direcionamentos para a exploração de gás natural. Ambas as empresas já possuem contratos em andamento para a produção da commodity, cuja data estimada de exportação está marcada para o ano de 2022. Além disso, o anúncio por parte da empresa estadunidense Andarko sobre o futuro andamento da exploração dos campos de gás também é aguardado pelas autoridades moçambicanas nos próximos meses.

Neste sentido, inúmeras corporações produtoras de hidrocarbonetos orbitam o Governo de Moçambique em busca de selar acordos para a exploração, à medida que o país oferta uma série de campos de petróleo e de gás natural. Da mesma maneira, as autoridades públicas buscam parcerias estratégicas com estes atores, pois representam canais para o expressivo incremento na fonte de rendimentos às contas estatais, as quais estão severamente deterioradas. No entanto, muito se pode perguntar até que ponto as futuras receitas com a exportação de petróleo serão economicamente sustentáveis, tendo em vista que uma série de nações africanas se encontram em recessão devido ao choque nos preços internacionais desta commodity ao longo dos últimos quatro anos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Petróleo é visto pelas autoridades moçambicanas como caminho para resolução da crise fiscal” (Fonte):

http://www.oilreviewafrica.com/exploration/exploration/eni-to-drill-new-wells-in-africa-for-more-oil-and-gas

Imagem 2Exxon Mobil, junto com a companhia russa Rosneft, irão investir entre 700 e 900 milhões para a produção de petróleo em Moçambique” (Fonte):

https://corporate.exxonmobil.com/en/company/worldwide-operations/locations/brazil#About

                                                                                             

ÁSIADIPLOMACIA CORPORATIVAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Jack Ma, fundador da Alibaba, anuncia a sua aposentadoria

Jack Ma, o fundador da maior empresa chinesa de comércio eletrônico, anunciou que não retornará às suas atividades junto ao grupo Alibaba[1], durante uma conferência organizada pelo Fórum Econômico Mundial, no final de setembro (2018), em Tianjin, na China. O icônico empresário trabalhará durante o ano de 2019, deixando posteriormente a empresa a cargo do Diretor Executivo (CEO), Daniel Zhang.

Logo da Empresa Alibaba

Jack Ma afirmou que continuará em constante comunicação com o novo CEO e que não está preocupado com a queda de 7% que as ações da empresa apresentaram após o anúncio de sua saída. Declarou que pretende se dedicar a atividades filantrópicas visando à preparação de jovens empreendedores nas próximas décadas.

Criada no ano de 1999, a empresa visa facilitar a comercialização de produtos ao redor do mundo, provendo tecnologia, marketing e expertise para os seus parceiros. O empresário credita o sucesso de sua companhia a uma habilidade fundamental[2] aprendida durante os anos em que trabalhou como professor: a capacidade de identificar e cultivar o talento em outras pessoas.

A Alibaba superou as vendas globais da Walmart no ano de 2014 e o tamanho do mercado consumidor da China certamente é um dos fatores que contribuem para isto, mas esta não é a única razão para o seu sucesso. A empresa buscou formar um ecossistema digital em torno dos fornecedores e dos consumidores[3], conectados cada vez mais fortemente pela internet. Paulatinamente, a Alibaba passou a diversificar as suas atividades, estabelecendo centros de pesquisa e desenvolvimento, marketing, logística, atuando inclusive no financiamento de novas empresas.

Por fim, o avanço de tecnologias como a inteligência artificial, computadores em nuvem, o big data e a internet aplicada aos bens de consumo criarão fluxos cada vez maiores de dados que poderão servir como uma base para o crescimento de empresas que atuem no meio digital. Atendendo à demanda de dois bilhões de pessoas ao redor do mundo[4], certamente será muito interessante observar as tendências e a estratégia da Alibaba, assim como os rumos do seu célebre fundador, Jack Ma.

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Notas:

[1] Ver:

https://www.cnbc.com/2018/09/20/jack-ma-says-he-wont-ever-come-back-to-lead-alibaba-after-he-leaves.html

[2] Ver:

https://www.cnbc.com/2018/09/20/working-as-a-teacher-taught-alibabas-jack-ma-this-business-skill.html

[3] Ver:

https://hbr.org/2018/09/alibaba-and-the-future-of-business

[4] Ver:

https://www.alibabagroup.com/en/ir/pdf/160614/08.pdf

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Diretor da Empresa Alibaba, Jack Ma” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/itupictures/34106079942

Imagem 2Logo da Empresa Alibaba” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b6/Alixblog.png

                                                                                              

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Retomada dos preços do petróleo ameaça sustentabilidade ambiental e econômica em Angola

A gradativa retomada nos preços internacionais do petróleo anima autoridades angolanas e as perspectivas para a economia deste país. Com mais de 90% do orçamento público advindo das receitas de exportação dessa commodity, Angola possui elevada dependência no valor pago pelo barril. As quedas nas cotações ao longo dos últimos quatro anos posicionaram o país em uma situação de vulnerabilidade, pondo em xeque a execução orçamentária do Estado e os investimentos necessários para o contínuo crescimento econômico.

A Sonangol, apesar dos recentes problemas fiscais, é a principal empresa angolana. Corporação terá sua previsão de receitas elevada com o gradativo aumento nas cotações internacionais do petróleo

Durante os últimos meses, em especial a partir da segunda metade do ano passado (2017), o valor do barril de petróleo nas bolsas internacionais voltou a subir, animando investidores estrangeiros e agentes econômicos das grandes nações exportadoras de hidrocarbonetos. Ao atentarmos às cotações do barril na bolsa de Londres, por exemplo, vemos que esta, na semana passada, superou a marca dos 80 dólares, atingindo o maior preço desde outubro de 2014.

No entanto, preços mais favoráveis ao barril motivam, nestas nações, a adoção de políticas públicas com significativas externalidades negativas, à medida que autoridades governamentais passam a privilegiar o setor petrolífero no planejamento estratégico de suas respectivas economias nacionais. Este ramo produtivo, por sua vez, possui duas imanentes dimensões prejudiciais ao bem-estar dos cidadãos.

A primeira destas dimensões refere-se à consolidação de uma economia com altos índices de emissão de gases de efeito estufa. Em face às mudanças climáticas em curso no planeta, faz-se imperativo a gradativa mudança para economias de baixo carbono, principalmente entre os países com altos índices de poluição atmosférica. A intensificação na exploração e produção de combustíveis fósseis vai na contramão da atual necessidade de expandir o rol de atividades produtivas ambientalmente sustentáveis, socialmente justas e economicamente viáveis.

A segunda consequência negativa diz respeito ao trade-off* que uma nova conjuntura de preços do petróleo traz aos formuladores de políticas públicas. Por se tratarem de rendimentos imediatos e expressivos, um alto volume de exportação de hidrocarbonetos tende a mitigar os investimentos públicos em atividades paralelas ao setor petrolífero, tais como a agricultura familiar e a indústria – ramos cruciais ao desenvolvimento econômico e social de longo prazo.

No caso angolano, especificamente, o país vivencia desde o início do governo de João Lourenço uma constante tentativa de expandir o dinamismo econômico dos setores agrícolas e industriais, mobilizando o capital estrangeiro para essa tarefa. Este projeto se fez politicamente viável principalmente devido aos baixos preços pago aos barris exportados de petróleo, motivando o Estado a buscar novas frentes de arrecadação de tributos em setores da economia até então esquecidos pelo antigo presidente José Eduardo dos Santos.

Entretanto, com a retomada das cotações internacionais do barril, vale observar em que medida o investimento público na agricultura e no setor industrial continuará a ser prioridade no atual governo, ou se este voltará a restringir-se às receitas auferidas com a retomada das atividades no setor petrolífero. Neste sentido, a sustentabilidade ambiental e econômica demandará uma efetiva escolha política para a sua real implementação, tendo em vista que a inércia histórica motiva a futura conformação de Angola enquanto mero e exclusivo produtor e exportador de combustíveis fósseis.

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Nota:

* No linguajar econômico, tradeoff refere-se a uma situação de escolha exclusiva, onde o indivíduo/organização deve decidir se privilegia o produto/política pública A ao invés do produto/política pública B, ou vice-versa, dado que os recursos controlados por si são escassos, impossibilitando a escolha inclusiva das duas opções.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Fachada do Parlamento angolano, em Luanda. Muito se pode perguntar qual será o grau de atenção que o Governo deste país dará aos setores produtivos sustentáveis com a elevação dos preços do petróleo” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Economy_of_Angola

Imagem 2A Sonangol, apesar dos recentes problemas fiscais, é a principal empresa angolana. Corporação terá sua previsão de receitas elevada com o gradativo aumento nas cotações internacionais do petróleo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sonangol_Logo.svg

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Trigo russo enfrenta os agricultores norte-americanos e avança no mercado

Detentora de aproximadamente 10% das terras aráveis do mundo, e com um plano estabelecido, desde 2001, de se tornar o maior país produtor de trigo do planeta, a Federação Russa vem estabelecendo recordes de exportação, “expulsando” os concorrentes europeus e norte-americanos do mercado, tendo como principais importadores o Egito, a Turquia, a China e a Coreia do Sul, além de novos mercados como Marrocos e Senegal (que pertenciam a França), Nigéria, Bangladesh, Indonésia e também o México (que tradicionalmente importa grãos dos EUA).

Tabela USDA – Produção de trigo

Em seu último boletim informativo, expedido em agosto de 2018, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA – United States Department of Agriculture) apresentou a projeção comparativa para a safra 2018/19, na qual as exportações de trigo da Rússia atingiram 35 milhões de toneladas contra as 27,9 milhões dos EUA (aprox. 25,4% acima).

Essa diferença entre os dois países, não só na exportação, mas também na produção agrícola, se dá, segundo especialistas, pela diminuição da participação dos agricultores americanos no comércio mundial de grãos, que caiu de 65%, em meados da década de 70, para 30%, hoje. A existência de mais produtores e mais compradores em todo o mundo também significa mais interrupções potenciais por causa do clima, fome ou crises políticas.

Outro ponto importante que contribuiu para este distanciamento produtivo foi a consequência, mal calculada pelo governo norte-americano, de suas sanções econômicas impostas sobre a Federação Russa. Por conta delas, a desvalorização do rublo tornou o preço do trigo russo mais atraente aos compradores estrangeiros, ao mesmo tempo em que a qualidade desse produto aumentou significativamente, devido a melhorias em técnicas de plantio e desenvolvimento de novos tipos de sementes para fugir dos preços especulativos das corporações globais, tais como Monsanto e Syngenta.

A política migratória adotada pelo atual governo dos EUA também forçou a diminuição da produção agrícola interna, visto que há mais de 30 anos são empregados imigrantes ilegais para realizar o “trabalho pesado” nos campos de trigo e estes foram massivamente deportados para seus países de origem, causando falta de mão-de-obra neste setor.

Com essa diminuição da oferta de grãos, fazendas agrícolas norte-americanas começaram a apresentar pedidos de falência por não estarem conseguindo se adequar aos cenários político-econômicos atuais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Colheita de trigo” (Fonte):

https://images.freeimages.com/images/large-previews/90a/harvesting-1325831.jpg

Imagem 2 Tabela USDAProdução de trigo” (Fonte):

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/usda/219120-trigo-usda-reduz-safra-e-estoques-finais-globais-da-temporada-201819.html#.W7FHCntKjIW

                                                                                             

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Investimento Estrangeiro Direto na América Latina

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) trata-se da movimentação de capitais internacionais que engloba fusões e aquisições, construção de novas instalações, reinvestimento de lucros auferidos em operações no exterior e empréstimos entre empresas do mesmo grupo econômico. Portanto, com objetivo de longo prazo, influencia diretamente a geração de empregos, o desenvolvimento de infraestrutura e as transferências de tecnologias entre os países envolvidos.

No nível mundial, os Estados Unidos lideram a lista das 10 nações que mais receberam este tipo de investimento no ano passado: US$ 311 bilhões. Na sequência estão China, Hong Kong, Holanda, Irlanda, Austrália e, em sétimo lugar, o Brasil.

Gráfico 1 – América Latina e Caribe / fluxos de IED 2016-2017

Nesse sentido, o relatório “O Investimento Estrangeiro Direto na América Latina e no Caribe 2018” – elaborado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) – busca analisar a relação entre os investimentos e o desenvolvimento da região. Assim, pontua que os principais investidores foram União Europeia e os Estados Unidos, respectivamente.

O cenário econômico mundial no ano de 2017 foi marcado pela incerteza para os investimentos transfronteiriços, principalmente a partir de restrições comerciais e pressões para relocação da produção nos países desenvolvidos. Além disso, houve a expansão de empresas digitais fortemente concentradas nos Estados Unidos e na China, que demandam menores investimentos para crescerem em escala internacional.

Neste contexto, o IED na América Latina e no Caribe registrou queda de 3,6%, frente a 2016, e de 20% na comparação com 2011. O valor investido foi estimado em 161,673 bilhões de dólares. A explicação para esta queda contínua vai ao encontro de menores preços oferecidos aos produtos básicos de exportação, bem como pela recessão econômica registrada em 2015 e 2016. A diminuição se concentrou no Brasil (9,7%), no Chile (48,1%) e, em menor medida, no México, em que se conclui que foi próximo de 4,0%, apesar de o documento não apresentar o percentual (veja o gráfico).

Por outro lado, a Argentina destacou-se, ao registrar um aumento de mais de 250% dos fluxos de IED, totalizando 11,9 bilhões de dólares. O mesmo cenário positivo ocorre na América Central, pelo oitavo ano consecutivo, especialmente no Panamá, em que os fluxos de entrada alcançaram 6,06 bilhões de dólares.

A estimativa para o ano de 2018 é de crescimento do investimento estrangeiro em 2,2%. Também, segundo a CEPAL, identificam-se os aportes de recursos em energias renováveis, telecomunicações e indústrias automobilísticas como oportunidades para impulsionar a mudança estrutural e o desenvolvimento sustentável na região latino-americana. Para mais informações, o relatório pode ser conferido na íntegra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Investimento” (Fonte):

https://unsplash.com/photos/odXTJn4eB8g

Imagem 2 Gráfico 1 América Latina e Caribe / fluxos de IED 20162017” (Fonte):

https://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/43691/4/S1800413_pt.pdf