ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Etiópia e Emirados Árabes Unidos aprofundam laços econômicos

Na última sexta-feira (15 de junho), o primeiro-ministro Abiy Ahmed recebeu, em Addis Ababa, o Chefe de Estado dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Sheikh Mohammed bin Zayed. A visita representa o primeiro encontro oficial entre os principais líderes das duas nações desde a posse de Ahmed, em abril deste ano (2018).

A pauta de discussão entre as lideranças esteve focada, principalmente, no apoio financeiro a ser concedido pelos EAU à Etiópia. Ao final da visita, foi anunciado um plano de empréstimo de três bilhões de dólares ao país africano. Deste montante, cerca de um terço será utilizado para mitigar a escassez de divisas, enquanto que o valor restante será aplicado em investimentos na área do turismo e da infraestrutura.

Eu estive muito contente em chegar a Addis Ababa, uma cidade de história, civilização e diversidade cultural. Eu estou ainda mais satisfeito por fortalecer os laços de amizade e cooperação entre as nossas duas nações”, declarou Mohammed bin Zayed, em sua conta pessoal no Twitter.

Com constantes déficits na balança de pagamentos ao longo dos últimos anos, a Etiópia sofre com um acentuado desequilíbrio de divisas. Em certa medida, isto ocorre devido ao fato dela exportar, majoritariamente, produtos de baixo valor agregado e de importar bens manufaturados e bens de capital, cuja aquisição é mais custosa. Em 2016, por exemplo, o principal produto vendido por esse país foi o café, representando 24% do valor total exportado, ao passo que maquinários representaram cerca de 30% das importações.

Soma-se a esta conjuntura a gradativa desvalorização da moeda nacional – o Birr – frente ao dólar. Este processo agrava o desequilíbrio nas contas externas, à medida que os produtos importados se tornam mais caros. A depreciação de aproximadamente 17%, se comparado ao câmbio de setembro do ano passado (2017), gera também pressões inflacionárias na economia, o que prejudica a parcela mais pobre da população. Nesse sentido, a concessão de um bilhão de dólares por parte dos EAU poderá mitigar os efeitos negativos da atual escassez de divisas no país.

No que diz respeito ao restante financeiro previsto no acordo, este poderá servir para dar continuidade aos investimentos em infraestrutura que o Governo etíope tem levado a cabo nos últimos anos. Em verdade, o acordo selado reforça a dependência da Etiópia no capital internacional para a implementação das reformas econômicas previstas, as quais buscam instaurar um processo de industrialização. Este padrão tem sido observado em outros episódios, os quais sinalizam uma entrada cada vez maior de investidores estrangeiros na economia nacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Pin de Lapela com as bandeiras de Etiópia e Emirados Árabes Unido Etiópia busca nos EAU os recursos necessários para implementar suas reformas econômicas planejadas” (Fonte):

https://www.crossed-flag-pins.com/shop/Flags-E/Friendship-Pins-Ethiopia-XXX/Pins-Ethiopia-United-Arab-Emirates.html

Imagem 2Sheikh Mohammed bin Zayed fez visita oficial a Etiópia, importante parceiro do país árabe no continente africano” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mohammed_bin_Zayed_Al_Nahyan

                                                                                              

NOTA ANALÍTICA 2 – Wilson (11:00)

POLÍTICA INTERNACIONAL – Coreias do Sul e do Norte acordam em mesclar times para os Jogos Asiáticos 2018

Em consonância com o fato histórico que marcou a Olimpíada de Inverno 2018 em PyeongChang – quando, em fevereiro, os atletas de Coreia do Sul e do Norte marcharam juntos sob bandeira unificada nas cerimônias de abertura e encerramento, além de disputar uma partida com equipe mista –, autoridades dos dois países comunicaram nesta segunda-feira, 18 de junto de 2018, que irão repetir a atitude nos Jogos Asiáticos deste ano (2018) .

Após o declínio da candidatura da cidade de Hanói, no Vietnã, ao alegar falta de preparo e incapacidade econômica, a execução da décima oitava edição dos Jogos Asiáticos será realizada na Indonésia, entre a capital Jakarta e Palembang, no período de agosto e setembro. A competição contará com 484 disputas, divididas em 42 modalidades esportivas.

A política externa norte-coreana tem se mostrado flexível e aberta ao diálogo com rivais ideológicos, a se destacar a vizinha do sul e os Estados Unidos da América, notadamente após o encontro inédito dos Chefes de Estado, Kim Jong-Un e Donald Trump, realizado em Cingapura.

Estas conversas de reconciliação corroboram para o alívio do conflito na península coreana ao utilizar-se do esporte, pela segunda vez apenas neste ano, como importante instrumento catalizador para alcançar o objetivo maior: a paz na região.

Jeon Choong-ryul, secretário-geral do Comitê Esportivo e Olímpico Coreano, que participou das negociações, em uma coletiva de imprensa reitera este pensamento ao dizer que “nós compartilhamos da visão que o esporte iniciou a reaproximação e cooperação entre as Coreias”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Representantes dos 45 países participantes dos Jogos Asiáticos 2018” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/gallery/img/800_6c9f10461da9add7e5c5f74c6559bca5.jpeg

Imagem 2 “Logo oficial da 18ª edição dos Jogos Asiáticos” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/noimg/sosmed-home-bottom.jpg

Imagem 3 “Entrevista do presidente da INASGOC à Revista Tempo” (Fonte):

https://asiangames2018.id/assets/gallery/img/800_fa5dd386a8747856ca1005ab0d29cc93.jpeg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

As estratégias internacionais da Huawei e da Xiaomi, gigantes chinesas do ramo digital

A Huawei Technologies Co. Ltd. e a Xiaomi Inc. são empresas transnacionais que atuam no ramo digital e de telecomunicações, exemplificando a crescente inserção das empresas chinesas nos segmentos de alta tecnologia. A disputa pelo desenvolvimento e controle das tecnologias de ponta é um fator muito importante para a concorrência econômica e para a disputa geopolítica entre os países no sistema internacional. Portanto, os Estados buscam desenvolver e estimular as suas empresas para que elas consigam se inserir internacionalmente de forma competitiva nestas cadeias produtivas.

Logomarca da Huawei Technologies Co. Ltd.

A Huawei Technologies Co. Ltd. é uma empresa privada, com sede em Shenzen, na província de Guangdong, na China, sendo atualmente a maior produtora de equipamentos de telecomunicações no mundo. Fundada em 1987, ela possui mais de 170.000 funcionários e define o seu principal objetivo como sendo a construção de um mundo mais conectado. No ano de 2017, a Huawei apresentou uma receita de US$ 93,71 bilhões e um rendimento líquido de US$ 14,9 bilhões.

A sua internacionalização teve forte impulso após o ano 2000, focando inicialmente as vendas para mercados em desenvolvimento como a Rússia, a América Latina e mesmo países do Oriente Médio. Nos anos seguintes, a empresa começou a estabelecer centros de pesquisa e desenvolvimento nas mais variadas regiões, buscando produzir sua própria tecnologia e tendo como objetivo a inserção no mercado europeu. Atualmente, a Huawei visa se tornar uma das maiores empresas globais no ramo de inteligência artificial. Por fim, a empresa vem se posicionando como defensora da sustentabilidade e da economia circular, além de focar o seu posicionamento de marca (branding) como uma entidade que promove a acessibilidade à internet.

Logomarca da Xiaomi Inc.

Por sua vez, a Xiaomi Inc. é a terceira maior produtora de smartphones do mundo. Até o presente momento, cerca de 70% das vendas da Xiaomi estão concentradas no mercado chinês, demonstrando amplo espaço para a sua internacionalização. Já muito popular nos mercados da China e da Índia, a empresa foca a sua estratégia para a inserção na Europa, sobretudo na França, Espanha e Itália. No futuro, a Xiaomi tem vistas a ingressar no Mercado norte-americano, estratégia que está sendo cuidadosamente planejada. O diferencial competitivo dos produtos desta marca reside no menor preço em relação aos seus concorrentes, apresentando configurações de desempenho muito similares. A maioria das vendas ocorre pelo meio online, o que ajuda na redução dos custos logísticos adicionados aos seus produtos.

O investimento em ciência e tecnologia, avançando os processos de pesquisa e desenvolvimento, são fatores constantes no modelo econômico chinês desde a tradição política das quatro modernizações*, empregadas no mandato de Deng Xiaoping (1978-1989). Neste sentido, embora a Xiaomi e a Huawei sejam empresas privadas, o seu progresso acompanha o desenvolvimento da economia chinesa, à medida que ocorrem melhorias na infraestrutura, na qualificação dos trabalhadores e expressam o crescimento da complexidade econômica da nação.

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Nota:

* As quatro modernizações consistem na reforma dos setores da (1) agricultura, (2) indústria e manufaturas, (3) ciência e tecnologia e (4) defesa nacional, visando tornar a China em um Estado relativamente moderno até o ano 2000. Embora tenham sido executadas sobretudo no mandato de Deng Xiaoping, o idealizador das quatro modernizações foi Zhou Enlai, Primeiro-Ministro da China de 1949-1976.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A tecnologia está mudando os negócios” (Fonte):

http://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

Imagem 2 Logomarca da Huawei Technologies Co. Ltd.” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Huawei-optimized.svg#/media/File:Huawei-optimized.svg

Imagem 3 Logomarca da Xiaomi Inc.” (Fonte):

https://de.wikipedia.org/wiki/Datei:Xiaomi_logo.svg#/media/File:Xiaomi_logo.svg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Reformas econômicas e políticas prosseguem na Etiópia

A fim de dar continuidade à entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) e com o intuito de reduzir os confrontos civis com as forças policiais, o Estado etíope promulgou novas reformas econômicas e políticas. O primeiro-ministro Abiy Ahmed, empossado como Chefe de Governo em abril deste ano (2018), tem levado a cabo algumas medidas para devolver a estabilidade, ampliar o espaço de atuação das corporações estrangeiras na economia nacional e incrementar as receitas com exportações de produtos manufaturados.

Entre as principais medidas adotadas na semana passada, está a nomeação de novas autoridades aos cargos militares mais altos do país. Seare Mekonnen e Adem Mohamed foram apontados, respectivamente, como chefe das Forças Armadas e diretor do Serviço Nacional de Segurança e Inteligência. Entretanto, ambos os nomes não foram recebidos com ânimo por parte da população, uma vez que esta pede por maior representatividade política das etnias Oromo e Amhara nos principais organismos do Estado.

Fronteira entre Etiópia e Eritreia sempre esteve envolvida em conflitos

Mekonnen e Mohamed são filiados à Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT), um dos partidos que compõem a Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE) – o partido governista, desde 1995. As manifestações civis que assolam o país desde 2015 clamam por maior participação de outras etnias nas principais agências estatais, argumentando que a FLPT goza de maior poder decisório dentro da FDRPE.

Em contrapartida, Ahmed sustenta as nomeações a partir das atuais intenções do Governo em resolver os problemas diplomáticos com a Eritreia. Após este país declarar independência em 1993, severos conflitos assolaram a fronteira por sete anos, até que um acordo de paz fora selado. Entretanto, a Etiópia nunca reconheceu, efetivamente, a autonomia do país vizinho.

Com o intuito de pôr fim a este imbróglio, fontes locais afirmam que um dos principais objetivos da política externa de Ahmed é implementar, de fato, o acordo de paz, reconhecendo a independência do país vizinho e caminhar rumo ao fortalecimento dos laços diplomáticos. Para tanto, a nomeação de Mekonnen é vista como fator chave, tendo em vista a sua longa experiência em questões políticas, econômicas e sociais envolvendo a Eritreia.

Paralelamente às referentes nomeações, o Governo também manifestou interesse em ceder espaço a investidores internacionais nas corporações estatais, principalmente através da venda de ações. Entre as principais empresas contidas no plano de privatização estão a Ethiopian Arilines e a Ethio-Telecom. Essa medida, na verdade, faz parte de um consolidado projeto de abertura da economia nacional ao capital estrangeiro, com vistas a mobilizá-lo como fonte de financiamento ao processo de industrialização.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Crescimento econômico na Etiópia depende, principalmente, da estabilidade política e dos investimentos estrangeiros” (Fonte):

https://financialtribune.com/articles/world-economy/65898/ethiopia-to-become-economic-giant-of-east-africa-in-2017

Imagem 2Fronteira entre Etiópia e Eritreia sempre esteve envolvida em conflitos” (Fonte):

https://www.infoescola.com/africa/eritreia/

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Os investimentos da China em três portos internacionais e a Rota da Seda Marítima

A China realizou grandes investimentos em três (3) importantes portos internacionais: Kyaukpyu (Mianmar), Hambantota (Sri Lanka), Gwadar (Paquistão). Este movimento faz parte do componente marítimo da Nova Rota da Seda, designada oficialmente como Belt and Road Initiative* (BRI), um gigantesco plano de integração política e econômica que compreende a Eurásia e a África, podendo se estender para outras regiões.

A Maritime Silk Road, denominação oficial do componente marítimo da BRI, ligará os portos chineses no sudeste asiático com países da Costa Africana, passando pelo Oceano Índico, pelo Canal de Suez e chegando até o Mediterrâneo. Estão previstos três eixos de articulação geoestratégica nesta rota: 1) o eixo da Península China-Indochina; 2) o eixo do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC) e, finalmente, 3) o Corredor Econômico Bangladesh-China-Índia-Myanmar. O Banco Mundial estima que exista um déficit de investimento em infraestrutura na Ásia que totaliza entre US$ 1.7 e US$ 2.5 trilhões até o ano de 2020.

Porto internacional de Gwadar, no Paquistão

O investimento em Gwadar, que é um porto de águas profundas, simboliza o estreitamento das relações com o Paquistão, podendo fornecer uma rota de acesso para que as províncias situadas no oeste da China se conectem ao Oceano Índico. Os projetos que estão em negociação no CPEC já contabilizam mais de US$ 60 bilhões, compreendendo a criação de uma rede de rodovias e ferrovias em um trajeto de 3.000 quilômetros e contando com a construção de usinas energéticas ao longo do caminho. A conclusão do eixo econômico está prevista para o ano de 2030 e o mesmo encurtará em 12.000 quilômetros o trajeto de acesso do país em relação ao petróleo e gás natural provenientes do Oriente Médio. Isto é muito relevante, visto que mais da metade dos 7,6 milhões de barris de petróleo bruto que a China importa diariamente são provenientes do Golfo Pérsico.

Por sua vez, o porto de Kyaukpyu, localizado no Mianmar, ainda está em fase de planejamento e construção. O valor final do projeto está estimado para US$ 7.3 bilhões, sendo que este será igualmente um porto de águas profundas, o que permite a utilização de navios de carga de maior porte. Adicionalmente, será construída uma zona econômica especial, nomeadamente um cluster de empresas industriais estimado no valor de US$2.7 bilhões. A China terá o direito de utilização do porto por 50 anos, prorrogáveis por mais vinte e cinco. Kyaukpyu faz a conexão da província de Kumming na China com oleodutos e gasodutos cujo valor de mercado é estimado em US$ 2.5 bilhões, sendo uma importante fonte de hidrocarbonetos para esta economia. A utilização destas rotas visa reduzir a dependência do país acerca do Estreito de Malacca, região localizada no sudeste asiático, por onde passam anualmente mercadorias com valor de mercado de US$ 5 trilhões, sendo um ponto facilmente sujeito à bloqueios.

Hambantota Harbour Sri Lanka

Já o porto de Hambantotta foi cedido para o uso da China, em uma concessão de 99 anos, visto que o Sri Lanka não foi capaz de pagar pelo do financiamento recebido. Este fato sinaliza a aceitação dos fundos da Nova Rota da Seda pela parte dos países de menor renda. Neste sentido deve ser estimulada a análise minuciosa dos projetos, dos riscos políticos e econômicos envolvidos, além da construção de capacidades nos mais diversos níveis dos governos nacionais, de modo a reduzir os riscos envolvidos na aceitação da Iniciativa.

O aumento da projeção chinesa sobre o Oceano Índico é um fato relevante para a economia e a geopolítica global, com potencial para afetar a balança e o equilíbrio de poder na Ásia nas próximas décadas. Estima-se que passem anualmente 9.84 bilhões de toneladas de mercadorias pelo Oceano Índico. A Índia vem articulando uma resposta à crescente presença chinesa na região, em conjunto com o Japão e os Estados Unidos. Por fim, analistas afirmam a preocupação de que a China poderia utilizar os portos localizados no Oceano Índico para fins militares, no caso do envolvimento em conflitos.

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Nota:

* O delineamento geral da BRI já foi anteriormente abordado em notas previamente publicadas no CEIRI Newspaper.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Nova Rota da Seda, compreendendo os eixos terrestres e marítimos da Iniciativa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/04/One_Belt_One_Road.png

Imagem 2 Porto internacional de Gwadar, no Paquistão” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0e/Gwadar_Port.jpg/1280px-Gwadar_Port.jpg

Imagem 3 Porto de Hanbantota, no Sri Lanka” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a2/Hambantota_Harbour_Sri_Lanka.JPG

América do NorteÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

EUA aumentam tarifas de produtos chineses

As relações comerciais entre China e EUA estão em momento de tensão. Desde a campanha eleitoral, o presidente norte-americano Donald Trump critica severamente os chineses por suas práticas de comércio exterior. No centro da disputa está o enorme déficit comercial que os americanos têm com o país asiático. Apesar de autoridades chinesas terem prometido aumentar a importação de alguns produtos dos EUA, de modo a equilibrar a balança comercial e evitar uma guerra comercial, a controvérsia continuou, e a ameaça de um conflito econômico persiste.

A Casa Branca anunciou, em 29 de maio de 2018, novas tarifas a produtos chineses relacionados à transferência de tecnologia, propriedade intelectual e inovação. De acordo com declaração do governo americano, “… os Estados Unidos imporão uma tarifa de 25% sobre $50 bilhões de bens importados da China que contenham tecnologia industrialmente relevante, incluindo aquelas do programa ‘Made in China 2025’*. A lista final das importações incluídas será anunciada até 15 de junho de 2018, e as tarifas serão impostas a essas importações logo após”. A medida foi fundada na proteção à indústria nacional e em críticas a supostas práticas chinesas que violariam o acordo TRIPS**, da Organização Mundial do Comércio.

Lei de Anne, marco na definição de propriedade intelectual. Entrou em vigor em 1710

Esse movimento ocorre logo antes da visita de Wilbur Ross, secretário de comércio dos EUA, à China. William Zarit, presidente da Câmara de Comércio dos EUA na China, interpreta a medida como um instrumento de força nas negociações. Ele afirmou que “Tarifas ou a ameaça de tarifas são uma tática de negociação muito útil e poderosa, e isso trouxe a China à mesa de negociação como nunca antes”.

Os chineses foram cautelosos na resposta. Eles mantiveram a redução de tarifas sobre produtos de consumo básico, como eletrodomésticos e vestuário. A medida entrará em vigor no dia 1o de julho de 2018. O fato de o anúncio dos cortes tarifários ter sido feito apenas um dia depois da declaração da Casa Branca pode ser interpretado como uma afirmação de que o país asiático continua comprometido com o livre comércio e a globalização, mesmo sofrendo medidas comerciais restritivas.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, afirmou que “nós [os chineses] não queremos uma guerra comercial, mas nunca vacilaremos ou recuaremos de uma guerra comercial. Uma medida pode ser sempre contrariada por outra. Se os EUA estão convencidos a agir unilateralmente, nós certamente iremos tomar medidas firmes e cogentes para salvaguardar nossos direitos e interesses legítimos”.

Se a China decidir adotar ações mais firmes contra os EUA, uma guerra comercial pode começar. O movimento do governo americano prejudica as negociações, que estavam caminhando bem, com crescentes concessões chinesas. A possibilidade de um conflito comercial é real e alarmante. Nesse sentido, analistas e observadores internacionais convergem para a posição de que uma disputa comercial extensa entre os dois países seria um golpe terrível para o comércio internacional.

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Notas:

* Plano lançado em 2015 para modernizar e aumentar a relevância das manufaturas chinesas no âmbito global. As metas incluem ampliar o conteúdo doméstico de materiais importantes a 40% até 2020 e 70% até 2025. O programa tem foco em estimular a inovação no setor industrial chinês.

** O acordo TRIPS (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio) estabelece padrões mínimos de proteção a serem observados nos temas de direito autoral, marcas e outros aspectos comerciais relacionados à Propriedade Intelectual. As disputas em relação ao instrumento normativo são resolvidas pelo mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fábrica americana em Guangzhou, em 1845” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Old_China_Trade

Imagem 2 Lei de Anne, marco na definição de propriedade intelectual. Entrou em vigor em 1710” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Intellectual_property 

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Demais Fontes Consultadas: 

[1] Ver:

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/premie-chines-promete-abertura-de-mercado-para-evitar-guerra-comercial.shtml

[2] Ver:

https://www.whitehouse.gov/briefings-statements/statement-steps-protect-domestic-technology-intellectual-property-chinas-discriminatory-burdensome-trade-practices/

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2018/05/ahead-of-trade-talks-trump-slaps-more-tariffs-on-china/

[4] Ver:

http://www.xinhuanet.com/english/2018-05/31/c_137218446.htm

[5] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/mfa_eng/xwfw_665399/s2510_665401/t1563933.shtml

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Canadá denuncia os Estados Unidos ante a OMC

De acordo com o Jornal El País, o Governo de Justin Trudeau (Canadá) anunciou na última sexta-feira (dia 1o de junho), que vai denunciar Washington perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) e ao mecanismo de resolução de litígios do Acordo de Livre Comércio Norte-Americano (NAFTA, na sigla em inglês de “North American Free Trade Agreement”), após a primeira potência mundial impor tarifas sobre suas importações de aço e alumínio do vizinho do norte, México e União Europeia. “Essas ações impostas unilateralmente com o pretexto de garantir a segurança dos EUA não respeitam as obrigações comerciais internacionais e as regras da OMC”, declarou a Ministra das Relações Exteriores canadense, Chrystia Freeland.

Centro William Rappard, sede da OMC em Genebra, Suíça

Além disso, Freeland pediu à OMC para estabelecer consultas com os EUA sobre a questão da criação de tarifas punitivas sobre as importações de aço e alumínio do Canadá e decidir sobre uso abusivo de pretextos dos EUA de proteção nacional para fins protecionistas com o intuito de infligir impostos para Ottawa. Ainda, segundo a Ministra, o Canadá irá trabalhar em estreita colaboração com a União Europeia, que também entrou com uma queixa na OMC contra os Estados Unidos.

Temos que acreditar que o senso comum prevalecerá em algum momento, mas atualmente não vemos sinais por parte dos Estados Unidos”, acrescentou Trudeau após classificar as medidas protecionistas de Washington como “inaceitáveis”.

Caldeira com aço derretido

No Canadá, a justificativa da administração Trump para estabelecer a tarifa sobre aço e alumínio incomodou, especialmente pelo fato de envolver a segurança nacional como argumento. Uma estratégia similar foi utilizada para enfrentar a crescente cota chinesa em seu mercado interno. Porém, o país norte-americano é um dos aliados mais fiéis dos Estados Unidos em todas as suas atuações no exterior. Fato que talvez não impeça o desencadeamento de uma guerra comercial entre os dois parceiros tradicionais.

Além da OMC – que atua como uma espécie de árbitro do comércio internacional – o Canadá exigirá, perante o secretariado do NAFTA a “implementação de um grupo especial” dentro da estrutura do regulamento desse Tratado – possibilitado pelo capítulo 20, que Washington ameaçada liquidar no novo acordo, atualmente em fase de negociação – a fim de condenar a “violação das regras do NAFTA pelos EUA”.

Enredado em uma difícil negociação do atual NAFTA – que uniu os EUA, o México e o Canadá por quase um quarto de século – os três países estão há aproximadamente um ano na mesa de diálogo em busca de um novo acordo comercial. A imposição de taxas sobre o aço e o alumínio do Canadá enfraquece a indústria automobilística, um dos setores sensíveis na renegociação do Tratado, e frustra ainda mais o já complexo clima em que as negociações estão ocorrendo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O primeiroministro Justin Trudeau (à esquerda) e o presidente Donald Trump (à direita) se encontram em Washington, em fevereiro de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Canada%E2%80%93United_States_relations

Imagem 2Centro William Rappard, sede da OMC em Genebra, Suíça” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_Mundial_do_Com%C3%A9rcio

Imagem 3Caldeira com aço derretido” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Siderurgia