ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

O posicionamento do FMI e do Banco Mundial sobre a Nova Rota da Seda

A Belt and Road Initiative (BRI), comumente designada pela mídia como a Nova Rota da Seda, consiste na principal iniciativa de política externa do mandatário chinês Xi Jinping, resultando em uma visão estratégica para a integração da Eurásia, da África, e, mais recentemente, podendo incluir a América Latina. Contando com mais de 65 países envolvidos e representando cerca de 30% do PIB global e 60% da população mundial, a BRI já apresenta resultados concretos no Paquistão, no Cazaquistão, na Tailândia, entre outros.

Notas da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi)

A estimativa dos valores envolvidos nos projetos de construção de infraestrutura poderá chegar a US$ 4 trilhões, sendo que relatórios estratégicos elaborados pela academia chinesa estimam que a BRI deverá se estender por 30-40 anos. Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial proferiram declarações acerca da condução e dos desenvolvimentos ao longo dos seis eixos geoestratégicos que compõem a Iniciativa: 1) a Nova Ponte Terrestre Eurasiática (que chegará até o território europeu); 2) o eixo China-Mongólia- Rússia; 3) o eixo central China-Ásia Ocidental (perpassando o Oriente Médio); 4) o eixo da Península China-Indochina; 5) o eixo do Corredor Econômico China-Paquistão e, finalmente, 6) o Corredor Econômico Bangladesh-China- Índia-Myanmar.

O FMI apoia formalmente a BRI, porém, um recente comunicado emitido pela diretora-geral Christine Lagarde, expressa preocupação com a possibilidade de endividamento da China e dos países parceiros ao prosseguir com os projetos delineados. Foi estabelecido na quinta-feira, dia 12 de março (2018), o China-IMF Capacity Development Center, um órgão que representa a cooperação entre o Banco Popular da China e o Fundo Monetário Internacional, no sentido de fornecer suporte técnico para a Nova Rota da Seda. Por sua vez, o Banco Mundial já declarou seu apoio à BRI, salientando que a Organização já possui investimentos nos países que estão inclusos na Rota, totalizando o montante de US$ 80 bilhões.

Por fim, a BRI dependerá da aceitação e legitimidade construídas perante a comunidade internacional e, de forma mais significativa, perante os países membros. A cooperação com organismos internacionais já consolidados, tal como o FMI, é um importante desenvolvimento no sentido de construir uma imagem de estabilidade e previsibilidade no que diz respeito à Iniciativa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa demonstrando os territórios compreendidos pela Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/04/One_Belt_One_Road.png

Imagem 2Notas da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi)” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/dinheiro-china-rmb-yuan-%C3%A1sia-938269/

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Estados Unidos impõem novas sanções econômicas à Rússia

No dia 6 de abril (2018), o Governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou novas sanções econômicas à Federação Russa, mas, dessa vez, afetando sete de seus grandes empresários*, catorze companhias**, estando listadas doze, as quais devem ser as que estão sob o controle desses empresários, e dezessete Oficiais do Governo Russo***. Segundo a Administração Trump, as medidas foram aplicadas com o intuito de punir a Rússia pela sua suposta intervenção nas eleições americanas de 2016, pela anexação da Crimeia em 2014 e pelo seu apoio ao governo de Bashar al-Assad na Síria.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu Vice-Presidente, Mike Pence

Tal decisão tomada pelo Governo Americano proíbe que as personagens mencionadas na chamada “lista negra” viajam aos EUA, façam negócios e até abram contas bancárias no território estadunidense, além disso, os bens deles que estão sob a jurisdição norte-americana estão congelados. É válido mencionar que essas sanções econômicas foram direcionadas aos principais homens de negócio da Rússia, sendo que alguns deles têm um relacionamento próximo ao presidente Vladimir Putin, como é o caso de Kirill Shamalov, conhecido não só por ser seu genro, como também por ser acionista da companhia energética Sibur. 

Em resultado, as consequências dessa ação possivelmente serão bastante sentidas na Rússia, visto que grandes companhias importantes à economia do país foram incluídas nessas sanções ditadas por Washington. Por exemplo, uma das maiores produtoras de alumínio da Rússia e do mundo, a empresa Rusal, teve seu valor diminuído pela metade na Bolsa e está prestes a declarar moratória, desde que o Governo americano anunciou essas medidas. Somado a isso, pelo fato de os Oficiais Russos de Agências Internacionais também estarem na lista, possivelmente a cooperação pela luta contra o terrorismo também poderá ser afetada, visto que a comunicação entre os dois países por esses fóruns de discussão das agências estará mais comprometida.

Apesar desse último ponto também vir a afetar os EUA, o Presidente norte-americano assinalou que essas medidas são necessárias, pois, segundo ele, a Rússia tem que ser responsabilizada por suas ações. De acordo com o Vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, “as decisões de Trump mostram sua liderança forte e mandam uma mensagem clara: atividades malignas não serão toleradas pelos Estados Unidos”.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, ao seu lado, o Primeiro Ministro da Rússia, Dmitri Medvedev

Por outro lado, a Federação Russa não está de acordo com mais essas sanções impostas. Para o primeiro-ministro Dmitri Medvedev, “as ações dos EUA são uma ameaça ao livre comércio e à economia de mercado, além de que elas são ilegítimas, pois não seguem o que está estabelecido pelo direito internacional”. Em vista disso, o Governo da Rússia já está preparando um pacote de retaliações e também está oferecendo total suporte econômico às grandes empresas que foram afetadas.

Diante do quadro, assiste-se, novamente, ao enfraquecimento das relações bilaterais entre as duas nações. Enquanto a Rússia segue indignada com o tratamento norte-americano e afirma que responderá de forma dura e à altura, os EUA destacam que essas medidas tomadas não significam o fim do diálogo entre os dois países. O momento é delicado e pede cautela, pois não se sabe quais serão os próximos passos tomados pelo Governo russo e nem por quanto tempo essas sanções se manterão. De fato, as medidas foram bastante duras, algo que provavelmente refletirá nas projeções econômicas futuras da Federação Russa.

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Notas:

* Os sete empresários russos inclusos na lista de sanções de Washington, por ordem alfabética: Andrei Skoch; Igor Rotenberg; Kirill Shamalov; Oleg Deripaska; Suleiman Kerimov; Viktor Vekselberg e Vladimir Bogdanov.

** Essas catorze companhias russas incluídas na lista de sanções de Washington, por ordem alfabética, são: Agroholding Kuban; Basic Element Limited; B-Finance; En+ Group; GAZ Group; Gazprom Burenie; Eurosibenergo; Ladoga Management; NPV Engineering; Renova Group; Rosoboronexport; Russian Financial Corporation; Russian Machines e Rusal.

*** Alguns dos Oficiais Russos presentes na lista de sanções de Washington, por ordem alfabética: Aleksander Torshin, Vice-Governador do Banco da Rússia; Aleksander Zharov, Chefe do Órgão de Supervisão de Comunicações Roskomnadzor; Aleksei Dyumin, Governador da Região de Tula; Konstantin Kosachyvov, Presidente do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho da Federação; Mikhail Fradkov, Diretor do Instituto Russo de Estudos Estratégicos; Nikolai Patrushev, Secretário do Conselho de Segurança; Oleg Govorun, Chefe do Gabinete Presidencial de Cooperação Socioeconômica com os Países da CEI, a República da Abcásia e a República da Ossétia do Sul; Timur Valiulin, Chefe do Departamento de Resistência ao Extremismo do Ministério do Interior; Viktor Zolotov, Chefe da Guarda Russa; Vladimir Ustinov, Representante Presidencial no Distrito Federal do Sul; Vladimir Kolokoltsev, Ministro do Interior; Yevgeny Shkolov, Assessor Presidencial; e Vladislav Reznik, Presidente da Duma.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro oficial entre o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na reunião do G20 em Hamburg, julho de 2017” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_and_Donald_Trump_at_the_2017_G-20_Hamburg_Summit_(1).jpg

Imagem 2 O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu VicePresidente, Mike Pence” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Donald_Trump_and_Mike_Pence#/media/File:President_Trump_is_joined_by_Vice_President_Pence_for_an_Executive_Order_signing_(33803971533)_(2).jpg

Imagem 3 O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, ao seu lado, o Primeiro Ministro da Rússia, Dmitri Medvedev” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moscow_Victory_Day_Parade_2012-05-09_(41d3ea8745adb8200c98).jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

OPEP e Rússia buscam cooperação de 10 a 20 anos sobre a produção de petróleo

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), criada em 1960, possui 14 países membros*. Seu objetivo é regular a produção e a comercialização de petróleo entre seus integrantes para manter o mercado desse produto estável e com uma oferta eficiente e regular. Atualmente, metade das nações associadas à OPEP estão entre os 15 maiores produtores mundiais, algo que demonstra a influência que essa organização tem sobre o mercado global dessa commodity.

Entretanto, há grandes produtores de petróleo que não fazem parte da OPEP, mas que acabam afetando o mercado da mesma maneira, como é o caso da Federação Russa. Em vista disso, muitas vezes a OPEP busca firmar acordos e parcerias com esses países para controlar a oferta global. Essa é a situação com os russos desde 2017, quando a Rússia e a Organização acordaram em realizar cortes na produção dessa commodity, sob a justificativa de que a oferta e a demanda mundial estavam desajustadas e, portanto, precisavam ser controladas para chegar a um nível estável novamente. Em resultado dessa decisão, o preço do petróleo voltou a subir no mercado global e agora, em 2018, o barril voltou a custar mais de US$ 60 dólares, ante o valor de US$ 30 dólares no início de 2016.

O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita

A partir de então, a Rússia e a OPEP vêm realizando acordos anuais de corte da produção para manter a oferta mundial do produto e, assim, estabilizar o seu preço. Por essa ação ter sido um sucesso, essa organização analisa a possibilidade da realização de uma cooperação de longa duração com os russos. Segundo o Príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, um dos principais países membros, no momento procura-se mudar o acordo anual para um acordo de 10 a 20 anos com a Rússia.

Dessa forma, a Organização passaria a atuar em conjunto com os russos por um período muito maior e nunca praticado antes. Se esse acordo se firmar realmente, especialistas apontam que os países membros e a Federação Russa terão controle sobre o mercado mundial de petróleo de maneira nunca antes vista. De fato, juntar os maiores produtores de petróleo num grande acordo que duraria pelo menos 10 anos irá resultar em maior comando da oferta que, consequentemente, afetará no preço.

Entretanto, há fatores que devem ser considerados que podem vir a comprometer esse plano. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a produção de petróleo nos Estados Unidos (EUA) vem aumentando consideravelmente nos últimos anos, tanto que a previsão é que ele consiga, sozinho, cobrir 80% da demanda crescente global dessa commodity. Os 20% restante caberiam a outros países, como Canadá, Brasil e Noruega, não havendo muito espaço restante para a oferta dos países da OPEP. Segundo a AIE, isso está previsto exatamente pelos cortes na produção que foram praticados, pois criou-se um espaço para que outras nações ofertassem seu produto.

O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita

Apesar desse prognóstico, a Arábia Saudita segue confiante quanto à existência de um acordo de longo prazo com a Rússia, visto que nenhum dos dois países e nem os restantes daqueles membros da OPEP querem estar sujeitos novamente às grandes oscilações no preço do petróleo. Assim, afirma-se que essa cooperação, se realizada, garantirá maior estabilidade ao mercado. Ademais, ela seria muito benéfica à Rússia, visto que, desde o início da cooperação com a Organização, o orçamento federal russo recebeu 29,41 bilhões de dólares a mais por conta da alta no preço do petróleo, conforme afirmou o Ministro da Energia russo, Alexander Novak. Portanto, se isso prevalecer por mais esse período proposto, os ganhos à Rússia serão inestimáveis.

Além desses resultados diretos, pode-se citar que essa cooperação OPEP-Rússia trouxe também o fortalecimento da aproximação econômica entre a Arábia Saudita e a Federação Russa nos últimos anos. Um exemplo é a busca pela realização de investimentos de um nas indústrias petrolíferas do outro. Ademais, é importante destacar que a aproximação da Rússia com a OPEP pode vir a garantir o maior protagonismo desse país no Oriente Médio, destacando ainda mais o papel dos russos no âmbito internacional.

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Nota:

* Atualmente, ordenado pelo ano de ingresso, os países membros da OPEP são: Arábia Saudita (setembro de 1960); Iraque (setembro de 1960); Irã (setembro de 1960); Kuwait (setembro de 1960); Venezuela (setembro de 1960);  Catar (dezembro de 1961); Indonésia (de 1962 a 2009, retornando em janeiro de 2016); Líbia (dezembro de 1962); Emirados Árabes Unidos (novembro de 1967); Argélia (julho de 1969); Nigéria (julho de 1971); Equador (de 1973 até 1992, retornou como membro em dezembro de 2007); Gabão (de 1975 a 1994, retornou em julho de 2016); Angola (janeiro de 2007).

** Ordenado por colocação entre os 15: Arábia Saudita (4o); Iraque (5o); Irã (6o); Kuwait (6o); Venezuela (14o).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag_of_OPEC.svg

Imagem 2 O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mohammed_bin_salman.jpg

Imagem 3 Ministro da Energia russo, Alexander Novak” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aleksandr_Novak,_2012.jpeg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Comércio de petróleo em Yuans (Renminbi) desafia a supremacia do dólar

A China passou a lançar contratos para a compra futura de petróleo, denominados inteiramente na sua moeda, o yuan (renminbi), através da bolsa Shanghai International Energy Exchange. Até o momento, o comércio de petróleo só era realizado através da utilização do dólar dos Estados Unidos (EUA) como meio de troca e isto poderá representar um passo no sentido de desafiar a supremacia da moeda norte-americana no longo prazo.

Consumo global de energia no ano de 2015

Este movimento geoeconômico é especialmente relevante se considerarmos que a China é o maior país importador de petróleo do mundo. Embora inicialmente destinado à compra de petróleo russo e iraniano, os contratos denominados pela expressão “petro-yuan” poderão auxiliar Estados que enfrentem sanções impostas pelas economias centrais do Ocidente, ao passo que os mesmos poderão recorrer ao yuan para a comercialização de petróleo. Este fato representa uma possibilidade emblemática de contornar e evitar o uso do dólar nos mercados financeiros.

Na presente conjuntura, os países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) são os maiores atores a comercializar o hidrocarboneto, cujo pagamento é denominado em dólares. A demanda pela moeda dos EUA, que é decorrente destas transações, auxilia no financiamento dos crescentes déficits do orçamento norte-americano. O apoio de Washington à Arábia Saudita, por exemplo, está fortemente fundamentado por esta relação.

Notas da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi)

À medida que o yuan, que possui lastro no ouro, se torne uma alternativa viável, poderão ocorrer mudanças fundamentais nos mercados de energia a nível global. O Banco Central da Alemanha (Bundesbank) adicionou a moeda chinesa às suas reservas de capital. Adicionalmente, no ano retrasado (2016), o yuan foi incluso na cesta de moedas de reserva e direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional, demonstrando a crescente internacionalização do renminbi. Por outro lado, devemos mencionar que o dólar e o euro ainda representam cerca de 90% das transações financeiras internacionais.

Por fim, a consolidação da influência do yuan é um processo que se encontra em seus estágios iniciais, considerando que a moeda chinesa representa cerca de 2% das transações econômicas a nível global. Este é um importante objetivo de Estado da China que dependerá ulteriormente da aceitação, confiança e legitimidade aportadas pela comunidade internacional através da utilização de sua moeda.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Rotas de transporte de energias ligadas à China” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AChina%E2%80%99s_import_transit_routes.png

Imagem 2 Consumo global de energia no ano de 2015” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/de/World_energy_consumption_by_fuel.svg/512px-World_energy_consumption_by_fuel.svg.png

Imagem 3 Notas da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi)” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/dinheiro-china-rmb-yuan-%C3%A1sia-938269/

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Economia russa no cenário mundial atual

Para entender a economia russa dos dias atuais é necessário revisitar o passado e observar como esta nação apresentou um desenvolvimento surpreendente durante as duas últimas décadas, resultado de práticas austeras, no âmbito político-econômico, efetivadas pelo atual presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, que desde 1999 tem governado, direta ou indiretamente, tendo como principal objetivo colocar novamente o país dentro dos preceitos hegemônicos mundiais, iguais aos que possuía quando formava a extinta União Soviética.

Gráfico do PIB da Rússia em US$ Bilhões

O período pós-Guerra Fria foi extremamente difícil economicamente para a Rússia, que presenciou uma retração em torno de 40% de sua economia na década de 1990. Tal crise foi resultante de um massivo processo de privatizações empreendido pelo governo de Boris Yeltsin, além do fechamento de inúmeras estatais consideradas improdutivas, o que gerou uma enorme onda de desemprego e a redução do mercado consumidor. Para agravar essa situação, em 1998, ocorreu uma forte crise financeira que acarretou na desvalorização do Rublo (moeda local), aliada a uma declaração de moratória (interrupção dos pagamentos externos), ocasionando uma fuga de capitais nacionais e internacionais.

Em agosto de 1999, Vladimir Putin tornou-se Primeiro-Ministro da Rússia e, logo depois, em maio de 2000, substituiria Boris Yeltsin na Presidência do país, tendo como principal promessa, o crescimento econômico da Federação Russa. Os seus dois primeiros mandatos, de 2000 até 2007, foram marcados por uma curva de crescimento real em seu Produto Interno Bruto (PIB), na média de 7% ao ano, fazendo da Rússia a 7ª maior economia mundial em poder de compra, conseguindo mostrar sua capacidade de superar os efeitos devastadores da recessão dos anos 1990, com políticas econômicas liberais e a integração de companhias estratégicas na busca do avanço nacional, como foram os casos da Gazprom (maior exportadora de gás natural do mundo) e a Rosneft (uma das maiores empresas petrolíferas do mundo).

Máquina de Extração de Petróleo da Rússia

Em 2012, Putin assume seu terceiro mandato como Presidente e tem a responsabilidade de reerguer uma Rússia ainda cambaleante pelos efeitos da crise mundial de 2008, fazendo com que todas as previsões de analistas ocidentais, a respeito da real capacidade econômica do país, caíssem por terra quando foram apresentados altos índices de crescimento industrial nacional, em grande parte pelo efeito da política de substituição de importações. Em 2014, com a anexação do território da Crimeia (área cedida à Ucrânia em 1954), o país sofreu um dos seus maiores golpes em termos econômicos com a efetivação de sanções por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, causando uma guerra comercial sem precedentes entre os lados e acarretando um crescimento negativo no PIB russo nos dois anos subsequentes, -3,7% em 2015 e -0,8% em 2016.

Em 2017, apesar das fortes sanções econômicas e do baixo preço do petróleo, que é o principal produto de exportação, a Rússia teve crescimento de 1,5%, segundo o Rosstat (Serviço Federal de Estatística da Rússia), consolidando, assim, sua recuperação após dois anos de recessão. Observadores apontam que a previsão de crescimento para 2018 e próximos anos irá se manter no mesmo patamar de 2017 se o país não realizar, no curto prazo, reformas significativas que atentem para a diminuição do impacto das sanções internacionais e das tensões geopolíticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco Central da Rússia” (Fonte):

http://user.vse42.ru/files/P_S1280x852q80/Wnone/ui-56b169487dfca7.55047544.jpeg

Imagem 2 Gráfico do PIB da Rússia em US$ Bilhões” (Fonte):

https://tradingeconomics.com/russia/gdp

Imagem 3 Máquina de Extração de Petróleo da Rússia ” (Fonte):

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/upload/conteudo/images/Petroleo-da-Russia.jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Venezuela corta três zeros da moeda

O presidente Nicolás Maduro, da República Bolivariana da Venezuela, anunciou na semana passada o corte de três zeros na moeda nacional, como parte da chamada reconversão monetária.

A moeda atual, que se chama bolívar, dará lugar ao bolívar soberano, a partir de 4 de junho, informou o mandatário, enfatizando que “Não vamos dolarizar nossa economia, vamos defender nosso Bolívar”. A dolarização da economia venezuelana é defendida por Henri Falcon, principal concorrente de Maduro nas eleições presidenciais marcadas para 20 de maio próximo.

A reforma monetária com corte de zeros não é uma novidade no mundo, Brasil e Argentina já lançaram mão da medida nos anos 90 e o Governo da Colômbia está cogitando fazer o mesmo para 2019. Na Venezuela, em 2007, Hugo Chávez implantou reforma similar e, na ocasião, o bolívar foi substituído pelo bolívar fuerte.

Maduro apresenta o bolívar soberano

O governo venezuelano justifica que a mudança tem cinco objetivos: simplificar cálculos para facilitar as transações econômicas e comerciais; aumentar a disponibilidade de moeda em espécie na economia; facilitar os sistemas contábeis de empresas públicas e privadas; evitar o contrabando de moeda nacional, garantindo o desenvolvimento da economia doméstica; permitir a solvência da economia no Plano da Pátria 2025.

Correntes contrárias à reconversão argumentam que se trata de uma “maquiagem” que não ataca as causas da hiperinflação, a qual atingiu mais de 6.000%, segundo estimativas do Congresso Nacional venezuelano, de maioria oposicionista. Colocam em dúvida a capacidade de logística do governo para emissão e distribuição da nova moeda no prazo estabelecido. Alegam ainda que a pura e simples conversão dos salários não otimizará o poder de compra e apontam um problema bastante peculiar à realidade do país: como os preços de  passagens de metrô e gasolina são muito baixos, a  menor  unidade do bolívar soberano, que é a moeda de 50 centavos, compraria 1.250  bilhetes e não haveria troco para quem enchesse um tanque de 50 litros, que custaria 30 centavos.

Críticos moderados acreditam na validade da reconversão, mas alertam para a necessidade de uma política fiscal, uma política monetária e de uma boa estratégia de comunicação junto à população.

A cédula de maior valor atualmente, a de 100.000 bolívares, suficiente apenas para comprar um cafezinho, será substituída pela de 100 bolívares soberanos. O novo cone monetário – conjunto de notas e moedas de um país – mantém o padrão de estampa com faces de personagens ilustres e animais ameaçados de extinção. O bolívar soberano  entrará em vigor logo depois das eleições e o Presidente do Banco Central da Venezuela informou que  haverá amplo debate e campanhas de esclarecimento informativas, inclusive já existe um site denominado bolivarsoberano.com.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Maduro apresenta o bolívar soberano” (Fonte):

http://www.presidencia.gob.ve/Site/Web/Principal/imagenes/adjuntos/Web/2018/03/2018-03-22_billetes_/Aimg-9483_3.png

Imagem 2 Site bolivarsoberano.com” (Fonte):

http://bolivarsoberano.com/billete-de-2-bss/