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Esta semana ocorrerá o evento de negócios mais importante das Américas

Nos dias 12 e 13 de abril ocorrerá em Lima, Perú, a III Cúpula Empresarial das Américas. De acordo com informações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), este é o evento de negócios mais importante das Américas, reunindo mais de 700 altos executivos do continente e 12 Chefes de Estado com objetivo de analisar as oportunidades para promover o crescimento econômico e os investimentos no continente.

O tema central da Cúpula deste ano será “Feito nas Américas” para analisar o potencial das cadeias de valor e a importância da colaboração público-privada para promover investimentos, facilitar o comércio e impulsionar o desenvolvimento sustentável.

Logo da III Cúpula Empresarial das Américas

Inovação e tecnologia serão temas constantemente abordados nos painéis do evento, tendo destaque questões sobre economia digital, integração tecnológica, revolução agroindustrial, energia, transparência e luta contra a corrupção.

Também deve ser apresentado um documento que contém 44 recomendações do setor privado aos Governos do continente americano, que é uma versão atualizada das recomendações geradas no Diálogo Empresarial das Américas, iniciativa facilitada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com objetivo de promover o diálogo de políticas público-privadas entre líderes empresariais e governantes do continente. A primeira versão do documento foi apresentada na II Cúpula Empresarial das Américas, que ocorreu no Panamá, em 2015, contendo como recomendações centrais:

  • Melhorar a infraestrutura e fortalecer o comércio;
  • Facilitar recursos financeiros para estimular o crescimento e o desenvolvimento;
  • Estimular a inovação, o empreendimento e desenvolver nosso capital humano;
  • Maximizar o potencial dos recursos naturais e energéticos na região.

Nesta edição, a abertura será realizada pelo Presidente da República do Perú, Martín Vizcarra, e pelo Presidente do BID, Luis Alberto Moreno. Também confirmaram presença dos seguintes Chefes de Estado e de Governo:

  • Danilo Medina, da República Dominicana;
  • Juan Carlos Varela, do Panamá;
  • Juan Orlando Hernández, de Honduras;
  • Evo Morales, da Bolívia;
  • Hubert Minnis, de Bahamas;
  • Lenín Moreno, do Equador;
  • Justin Trudeau, do Canadá;
  • Juan Manuel Santos, da Colômbia;
  • Enrique Peña Nieto, do México;
  • Mauricio Macri, da Argentina, e
  • Sebastián Piñera, do Chile.

O Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, e a Assessora Especial do Presidente, Ivanka Trump, também palestrarão no evento. Com transmissão ao vivo, todos poderão acompanhar a Cúpula em espanhol, ou inglês.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Imagem de divulgação da Cúpula Empresarial das Américas” (Fonte):

http://www.negociosmagazine.com/iii-cumbre-empresarial-de-las-americas-dialogo-de-politicas-publico-privado-de-alto-nivel

Imagem 2 “Logo da III Cúpula Empresarial das Américas” (Fonte):

https://img.new.livestream.com/events/00000000007c11d5/059f8383-dbeb-4cac-9ced-c92db0dc6117_640x359.png

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

OPEP e Rússia buscam cooperação de 10 a 20 anos sobre a produção de petróleo

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), criada em 1960, possui 14 países membros*. Seu objetivo é regular a produção e a comercialização de petróleo entre seus integrantes para manter o mercado desse produto estável e com uma oferta eficiente e regular. Atualmente, metade das nações associadas à OPEP estão entre os 15 maiores produtores mundiais, algo que demonstra a influência que essa organização tem sobre o mercado global dessa commodity.

Entretanto, há grandes produtores de petróleo que não fazem parte da OPEP, mas que acabam afetando o mercado da mesma maneira, como é o caso da Federação Russa. Em vista disso, muitas vezes a OPEP busca firmar acordos e parcerias com esses países para controlar a oferta global. Essa é a situação com os russos desde 2017, quando a Rússia e a Organização acordaram em realizar cortes na produção dessa commodity, sob a justificativa de que a oferta e a demanda mundial estavam desajustadas e, portanto, precisavam ser controladas para chegar a um nível estável novamente. Em resultado dessa decisão, o preço do petróleo voltou a subir no mercado global e agora, em 2018, o barril voltou a custar mais de US$ 60 dólares, ante o valor de US$ 30 dólares no início de 2016.

O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita

A partir de então, a Rússia e a OPEP vêm realizando acordos anuais de corte da produção para manter a oferta mundial do produto e, assim, estabilizar o seu preço. Por essa ação ter sido um sucesso, essa organização analisa a possibilidade da realização de uma cooperação de longa duração com os russos. Segundo o Príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, um dos principais países membros, no momento procura-se mudar o acordo anual para um acordo de 10 a 20 anos com a Rússia.

Dessa forma, a Organização passaria a atuar em conjunto com os russos por um período muito maior e nunca praticado antes. Se esse acordo se firmar realmente, especialistas apontam que os países membros e a Federação Russa terão controle sobre o mercado mundial de petróleo de maneira nunca antes vista. De fato, juntar os maiores produtores de petróleo num grande acordo que duraria pelo menos 10 anos irá resultar em maior comando da oferta que, consequentemente, afetará no preço.

Entretanto, há fatores que devem ser considerados que podem vir a comprometer esse plano. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), a produção de petróleo nos Estados Unidos (EUA) vem aumentando consideravelmente nos últimos anos, tanto que a previsão é que ele consiga, sozinho, cobrir 80% da demanda crescente global dessa commodity. Os 20% restante caberiam a outros países, como Canadá, Brasil e Noruega, não havendo muito espaço restante para a oferta dos países da OPEP. Segundo a AIE, isso está previsto exatamente pelos cortes na produção que foram praticados, pois criou-se um espaço para que outras nações ofertassem seu produto.

O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita

Apesar desse prognóstico, a Arábia Saudita segue confiante quanto à existência de um acordo de longo prazo com a Rússia, visto que nenhum dos dois países e nem os restantes daqueles membros da OPEP querem estar sujeitos novamente às grandes oscilações no preço do petróleo. Assim, afirma-se que essa cooperação, se realizada, garantirá maior estabilidade ao mercado. Ademais, ela seria muito benéfica à Rússia, visto que, desde o início da cooperação com a Organização, o orçamento federal russo recebeu 29,41 bilhões de dólares a mais por conta da alta no preço do petróleo, conforme afirmou o Ministro da Energia russo, Alexander Novak. Portanto, se isso prevalecer por mais esse período proposto, os ganhos à Rússia serão inestimáveis.

Além desses resultados diretos, pode-se citar que essa cooperação OPEP-Rússia trouxe também o fortalecimento da aproximação econômica entre a Arábia Saudita e a Federação Russa nos últimos anos. Um exemplo é a busca pela realização de investimentos de um nas indústrias petrolíferas do outro. Ademais, é importante destacar que a aproximação da Rússia com a OPEP pode vir a garantir o maior protagonismo desse país no Oriente Médio, destacando ainda mais o papel dos russos no âmbito internacional.

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Nota:

* Atualmente, ordenado pelo ano de ingresso, os países membros da OPEP são: Arábia Saudita (setembro de 1960); Iraque (setembro de 1960); Irã (setembro de 1960); Kuwait (setembro de 1960); Venezuela (setembro de 1960);  Catar (dezembro de 1961); Indonésia (de 1962 a 2009, retornando em janeiro de 2016); Líbia (dezembro de 1962); Emirados Árabes Unidos (novembro de 1967); Argélia (julho de 1969); Nigéria (julho de 1971); Equador (de 1973 até 1992, retornou como membro em dezembro de 2007); Gabão (de 1975 a 1994, retornou em julho de 2016); Angola (janeiro de 2007).

** Ordenado por colocação entre os 15: Arábia Saudita (4o); Iraque (5o); Irã (6o); Kuwait (6o); Venezuela (14o).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag_of_OPEC.svg

Imagem 2 O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mohammed_bin_salman.jpg

Imagem 3 Ministro da Energia russo, Alexander Novak” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aleksandr_Novak,_2012.jpeg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Empresas petroleiras buscam novas oportunidades no México e no Brasil

Companhias de petróleo e gás se reuniram durante a semana passada no México e no Brasil para poderem aproveitar o que podem ser as últimas chances de competirem por algumas das maiores reservas do mundo, antes das eleições e das possíveis reformas energéticas que virão a ocorrer nos dois países.

Na ultima terça-feira (dia 27 de março), ocorreu um leilão de direitos para explorar e produzir petróleo em águas rasas no México e na última quinta feira, dia 29 de março, uma rodada de leilões onshore e offshore no Brasil, meses antes das eleições presidenciais nas duas principais economias da América Latina. Atualmente, os candidatos de esquerda se comprometeram a reverter ou retardar o fluxo de dinheiro privado para a indústria do petróleo em ambos os países, levando preocupação aos investidores.

A incerteza das eleições levou algumas empresas a buscarem oportunidades para garantir acesso a novas áreas de exploração. Durante os leilões, um executivo de uma empresa registrada para licitar nos dois países, que preferiu o anonimato, declarou que “existe de fato a sensação de que estes podem ser os últimos (leilões) por um tempo”.

O candidato esquerdista do México, Andres Manuel Lopez Obrador, que lidera atualmente as pesquisas de opinião para as próximas eleições, disse que revisará mais de 90 contratos assinados desde que o México aprovou a legislação em 2013, pondo fim ao monopólio de 75 anos da estatal de energia Pemex.

Obrador planeja pedir ao presidente Enrique Peña Nieto que cancele dois leilões planejados para o segundo semestre deste ano (2018), caso Nieto vença a eleição de julho. O apoio a Obrador está em torno de 29,5%, contra 21,2% de seu rival mais próximo, Ricardo Anaya, segundo pesquisas.

Produção de petróleo por país, 2013

No Brasil, o candidato esquerdista mais provável na disputa presidencial, Ciro Ferreira Gomes, advertiu aos potenciais licitantes de companhias de petróleo que ele expropriaria ativos de energia comprados por investidores privados se vencer a eleição de outubro próximo. Gomes, ex-governador do estado brasileiro do Ceará, está próximo do candidato à direita, Jair Bolsonaro, nas pesquisas, logo atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá ficar inelegível, a depender das decisões que serão tomadas na justiça brasileira.

A maioria dos executivos e analistas de petróleo declarou que não esperam que as reformas sejam totalmente revertidas em nenhum dos dois países, mas muitos vislumbram um calendário de lances mais lentos e mudanças nos termos do contrato como possibilidades reais. “As empresas podem agora querer maiores taxas de retorno ou podem chegar a um ponto em que não vão querer esse nível de risco (de investimento)”, afirmou Alfredo Alvarez, chefe do grupo de energia norte-americana para a consultoria EY no México.

A geologia de qualidade superior do Brasil e o histórico de honrar contratos superaram as preocupações com a instabilidade política. As licitações na rodada de um leilão subsequente, em junho próximo, para blocos do Pré-sal, podem ser tão grandes que prejudicariam a lucratividade de qualquer empresa, segundo a consultora Wood Mackenzie.

Em setembro de 2017, a Exxon Mobil (XOM.N) pagou um recorde de 678 milhões de dólares por um bloco brasileiro com a parceira Petrobras (PETR4.SA) em um leilão de concessão. Em outro sinal de forte demanda, as empresas que concorrerão em outubro para comprar participações nos cobiçados campos de petróleo do país prometem dar ao governo até 80% do petróleo produzido após cobrir os custos.

Reservas de petróleo por país, 2013

No leilão brasileiro de quinta-feira passada (dia 29 de março), 21 empresas, incluindo a Chevron (BPX.N), a BP (BP.L), a Exxon, a Royal Dutch Shell (RDSa.L), a Statoil (STL.OL) e a Total (TOTF.PA), se registraram para participar de uma rodada onde 70 blocos seriam oferecidos.

Entretanto, foram arrematados 22 dos 47 blocos marítimos leiloados, após o Tribunal de Contas da União (TCU) do Brasil retirar os dois blocos mais valiosos localizados na Bacia de Santos, que representariam 80% da arrecadação desta rodada. Mesmo assim, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) arrecadou até agora oito bilhões de reais em bônus com o leilão, batendo um novo recorde nas rodadas de concessões.

Já no México, 14 empresas e 22 consórcios, compostos por empresas de médio porte, qualificaram-se para concorrer no leilão da semana passada, que ofereceu 35 blocos nas águas rasas do Golfo do México. A previsão do governo é de que pelo menos sete sejam concedidos, segundo o Secretário da Energia do México, Pedro Joaquín Coldwell. A Pemex é provavelmente a concorrente dominante da rodada porque possui a infraestrutura e um vasto conhecimento da geologia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Plataforma Offshore” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Offshore_oil_and_gas_in_California

Imagem 2Produção de petróleo por país, 2013” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_oil_production

Imagem 3Reservas de petróleo por país, 2013” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Oil_reserves

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Economia russa no cenário mundial atual

Para entender a economia russa dos dias atuais é necessário revisitar o passado e observar como esta nação apresentou um desenvolvimento surpreendente durante as duas últimas décadas, resultado de práticas austeras, no âmbito político-econômico, efetivadas pelo atual presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, que desde 1999 tem governado, direta ou indiretamente, tendo como principal objetivo colocar novamente o país dentro dos preceitos hegemônicos mundiais, iguais aos que possuía quando formava a extinta União Soviética.

Gráfico do PIB da Rússia em US$ Bilhões

O período pós-Guerra Fria foi extremamente difícil economicamente para a Rússia, que presenciou uma retração em torno de 40% de sua economia na década de 1990. Tal crise foi resultante de um massivo processo de privatizações empreendido pelo governo de Boris Yeltsin, além do fechamento de inúmeras estatais consideradas improdutivas, o que gerou uma enorme onda de desemprego e a redução do mercado consumidor. Para agravar essa situação, em 1998, ocorreu uma forte crise financeira que acarretou na desvalorização do Rublo (moeda local), aliada a uma declaração de moratória (interrupção dos pagamentos externos), ocasionando uma fuga de capitais nacionais e internacionais.

Em agosto de 1999, Vladimir Putin tornou-se Primeiro-Ministro da Rússia e, logo depois, em maio de 2000, substituiria Boris Yeltsin na Presidência do país, tendo como principal promessa, o crescimento econômico da Federação Russa. Os seus dois primeiros mandatos, de 2000 até 2007, foram marcados por uma curva de crescimento real em seu Produto Interno Bruto (PIB), na média de 7% ao ano, fazendo da Rússia a 7ª maior economia mundial em poder de compra, conseguindo mostrar sua capacidade de superar os efeitos devastadores da recessão dos anos 1990, com políticas econômicas liberais e a integração de companhias estratégicas na busca do avanço nacional, como foram os casos da Gazprom (maior exportadora de gás natural do mundo) e a Rosneft (uma das maiores empresas petrolíferas do mundo).

Máquina de Extração de Petróleo da Rússia

Em 2012, Putin assume seu terceiro mandato como Presidente e tem a responsabilidade de reerguer uma Rússia ainda cambaleante pelos efeitos da crise mundial de 2008, fazendo com que todas as previsões de analistas ocidentais, a respeito da real capacidade econômica do país, caíssem por terra quando foram apresentados altos índices de crescimento industrial nacional, em grande parte pelo efeito da política de substituição de importações. Em 2014, com a anexação do território da Crimeia (área cedida à Ucrânia em 1954), o país sofreu um dos seus maiores golpes em termos econômicos com a efetivação de sanções por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, causando uma guerra comercial sem precedentes entre os lados e acarretando um crescimento negativo no PIB russo nos dois anos subsequentes, -3,7% em 2015 e -0,8% em 2016.

Em 2017, apesar das fortes sanções econômicas e do baixo preço do petróleo, que é o principal produto de exportação, a Rússia teve crescimento de 1,5%, segundo o Rosstat (Serviço Federal de Estatística da Rússia), consolidando, assim, sua recuperação após dois anos de recessão. Observadores apontam que a previsão de crescimento para 2018 e próximos anos irá se manter no mesmo patamar de 2017 se o país não realizar, no curto prazo, reformas significativas que atentem para a diminuição do impacto das sanções internacionais e das tensões geopolíticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco Central da Rússia” (Fonte):

http://user.vse42.ru/files/P_S1280x852q80/Wnone/ui-56b169487dfca7.55047544.jpeg

Imagem 2 Gráfico do PIB da Rússia em US$ Bilhões” (Fonte):

https://tradingeconomics.com/russia/gdp

Imagem 3 Máquina de Extração de Petróleo da Rússia ” (Fonte):

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/upload/conteudo/images/Petroleo-da-Russia.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia aumenta diversificação de produtos para exportação

Apesar de ter alcançado no ano de 2016 a 16ª posição no ranking mundial em exportações, atingindo a marca de US$ 282 bilhões, de acordo com o último relatório do OEC (Observatory of Economy Complexity – órgão ligado ao Massachussets Institute of Technology (MIT)), a Rússia não comemorou seu posto devido ao fato de ter absorvido consecutivas quedas em suas vendas totais para outros países, 44% desde 2011. O principal motivo dessa diminuição está localizado no setor de produtos minerais, como petróleo, gás e carvão, que vem sendo afetado pelas flutuações nos preços dessas commodities no mercado mundial, além das sanções impostas ao país pela comunidade internacional.

Exportações Rússia 2011-201, em bilhões de dólares

Mesmo tendo em vista que esses produtos representem 62% do total das exportações e que essa situação não irá se modificar nos próximos anos, de acordo com declarações de especialistas e principalmente do ex-ministro das Finanças da Rússia, Aleksêi Kúdrin, o governo tenta minimizar esse impacto com a diversificação dos produtos a serem exportados.

A gama de produtos abrangidos por essa diversificação mercadológica vai de automóveis a reatores nucleares, tendo em vista o desenvolvimento da indústria nacional e a estabilização da balança comercial com a diminuição das importações.

Rosoboronexport

Um mercado bastante promissor é o setor de tecnologia militar, que vem crescendo nos últimos anos com o desenvolvimento de várias empresas nacionais que estão ganhando espaço com seus produtos, como é o caso da Rosoboronexport, um dos líderes do mercado mundial de armas, sendo responsável por mais de 85% das exportações russas de material bélico.

Outro nicho de mercado que vai ser bastante explorado é o de gêneros alimentícios e matérias primas agrícolas. Neste caso, o trigo é o principal produto a ser comercializado no mercado internacional, tendo sua produção aumentada nos últimos anos em decorrência do desenvolvimento de técnicas de plantio e colheita. Tal desenvolvimento transformou a Rússia no ano de 2017 num dos principais produtores desse grão, com 27,1 milhões de toneladas, ficando atrás somente dos Estados Unidos, com 28,1 milhões de toneladas, segundo relatório da Bloomberg.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Navio de carga” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=37541826

Imagem 2 Exportações Rússia 2011201, em bilhões de dólares” (Fonte):

https://atlas.media.mit.edu/en/visualize/line/hs92/show/rus/all/all/2011.2016/

Imagem 3 Rosoboronexport” (Fonte):

https://engineeringrussia.files.wordpress.com/2014/02/d0b8d0bdd0b6-5.jpeg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Venezuela busca ampliar voos para a Europa

Na segunda quinzena de março, autoridades do Aeroporto Internacional Simon Bolívar da Venezuela se reuniram com representantes da empresa aérea espanhola Plus Ultra, para firmarem acordo e acertarem detalhes para o início de voos regulares da Europa para Caracas. A ação faz parte da diretriz de ampliação de conectividade aérea do Ministério dos Transportes  venezuelano, que está também alinhada com a estratégia do Ministério do Turismo, de utilizar o turismo como motor de desenvolvimento daquele país.

Por ocasião da 25ª Exposição Internacional de Viajes e Turismo de Moscou (MITT 2018, na sigla em inglês), que reuniu 23 mil profissionais da Rússia e de mais de 100 países, de 13 a 14 de março último, a Venezuela se fez presente com um stand e o seu Vice-Ministro de Turismo Internacional firmou acordo de cooperação com autoridades da Abecásia para promoção dos dois países como destino turístico.

Ao longo do ano de 2017, diversas empresas aéreas desativaram suas operações na Venezuela, preocupadas com a falta de segurança, a instabilidade política e a retenção de fundos devidos às companhias. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, em inglês), que representa cerca de 275 empresas e 83% do tráfego aéreo internacional, manifestou-se, em meados de 2017, contrária à negativa do Governo de Caracas, de repatriar mais de 3,8 bilhões de dólares* de fundos das empresas, insistindo que “respeitem os padrões globais, para assegurar a competitividade e sustentabilidade do transporte aéreo na Venezuela”.

Banner no site da Plus Ultra

Em matéria publicada em janeiro de 2018, o jornal online australiano news.com.au, tece duras críticas ao país sul-americano quanto ao que chamou de “plano audacioso para sair do caos econômico” e aponta problemas diversos como:  a insegurança causada pela violência urbana; a escassez de voos destinados ao país; flutuação dos preços, em razão da instabilidade da moeda; a precária infraestrutura dos hotéis, devido às dificuldades de manutenção e roubos de equipamentos; dentre outros.  Ainda segundo o news.com.au, o principal obstáculo é que, por essas razões, ninguém quer visitar a Venezuela.

Não obstante as posições contrárias, o governo venezuelano dá continuidade ao plano e a página principal do site da Plus Ultra já oferece reserva de voos ida e volta entre as capitais espanhola e venezuelana. Mais abaixo, na mesma página, um banner anuncia que a empresa aterrissou na Venezuela e que a rota Madri-Caracas será inaugurada em 22 de maio de 2018. Além disso, os dirigentes do Instituto Aeroporto Internacional de Maiquetía** (IAM) informam que estão avaliando com a Turkish Airlines a ampliação da frequência de voos Istambul-Caracas.

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Nota:

* Aproximadamente, 37,95 bilhões de bolívares venezuelanos, ou 12,44 bilhões de reais, nas cotações de 22 de março de 2018.

** Município limítrofe a Caracas, em cujo território está localizado o Aeroporto Internacional Simón Bolívar também conhecido como Aeroporto de Maiquetía.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Aeroporto Internacional Simón Bolívar” (Fonte):

http://www.aeropuerto-maiquetia.com.ve/web/img/galeria/img001.jpg

Imagem 2 Banner no site da Plus Ultra” (Fonte):

https://plusultra.com/