ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Japão assina Acordo de Livre Comércio com União Europeia

O Parlamento japonês ratificou, no dia 8 de dezembro de 2018, um Acordo de Livre Comércio com a União Europeia (UE). O documento ainda passará pelo legislativo europeu,e, se ratificado até o final deste ano (2018), entrará em vigor em fevereiro de2019, e é considerado um dos maiores acordos de livre comércio já feito.

Por ele se prevê a eliminação de tarifas de importação entre as duas partes, além de englobar incentivos a investimentos e proteção à propriedade intelectual. O Japão isentará taxas de cerca de 95% de todas as importações do Bloco até 2035, em contrapartida, a UE aplicará a isenção em 99% de importações vindas do país asiático.

Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu

As negociações foram iniciadas em 2013, porém, com a política “America First” implantada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ratificação tomou um caráter de urgência perante o crescimento do protecionismo. O Presidente americano criticou o Acordo, designando-o como “injusto”.

ShinzoAbe, Primeiro-Ministro japonês, tem fortalecido o multilateralismo e o livre comércio, inclusive em sua atuação no Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP), cuja revisão entrará em vigor dia 30 de dezembro deste ano, noqual os Estados Unidos deixaram de integrar.

Tal postura condiz com a possível dificuldade econômica futura, principalmente no que tange à falta de mão de obra e envelhecimento populacional, alertada pelo FMI recentemente. A expansão de parceiros comerciais e o aprofundamento de relações vantajosas, como o caso da UE, em que o Japão permanece em condição superavitária, será uma alternativa para enfrentar esses desafios. Seguindo esta estratégia, negociações também estão sendo realizadas com os Membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) para a Parceria Econômica Regional Abrangente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 PrimeiroMinistro do Japão, Shinzo Abe” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Shinz%C5%8D_Abe#/media/File:Shinzo_Abe_at_CSIS.jpg

Imagem 2 Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Donald_Tusk

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Grécia quer “financiamento coletivo” para adquirir novas Fragatas

Crowdfunding para Fragatas?

O Ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, suscitou aos seus compatriotas que ajudassem a financiar a compra de novas Fragatas para a Marinha do país (Marinha Helênica), por meio de doações a uma conta bancária criada para este devido fim. A ideia é aumentar a capacidade naval grega já a partir de 2019.

A intenção de Kammenos é de que os próprios gregos tenham participação na compra de novas embarcações. Isso surge após a Grécia passar por uma grave crise econômica que demandou um elevado esforço da União Europeia, com importante participação da Alemanha,exigindo, em contrapartida, medidas duras de austeridade.

Quanto às fragatas, vale ressaltar que o país dispõe de 13 navios, sendo que apenas um possui menos de 20 anos de operação. As outras 12 embarcações são, principalmente, do final dos anos 1970 e início dos anos 1980 (Standard); e dos anos 1990 (ClasseMeko-200HN). Não ficou claro, no discurso de Kammenos, se a construção dessas embarcações será em estaleiros nacionais ou internacionais.

Fragata Nikiforos Fokas – a mais nova da Marinha grega, tem 14 anos

Em um encontro com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, comentou sobre os principais interesses de seu país e a importância do retorno das boas relações com os russos, que ficaram estagnadas desde que os helênicos passaram a enfrentar seus problemas econômicos.

Para Tsipras, é fundamental que se resolva a questão do Chipre, que é dividido ao sul, como República do Chipre, e ao norte,como República Turca do Chipre do Norte. O último é reconhecido apenas pela Turquia, rival histórica da Grécia na região, apesar de ambos serem países-membros da OTAN.

Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras (esquerda); e o Presidente russo, Vladimir Putin (direita)

A aproximação grega com a Rússia pode ter o interesse de resolver essa questão, pressionando os turcos, que são importantes parceiros estratégicos dos russos, para que o Chipre possa, então,ser reconhecido como um único país. Existe lá uma missão de paz da ONU (UNFICYP) desde 1964.

Uma Marinha forte na região é importante aos gregos pelo patrulhamento das águas nacionais, pois, apesar de não possuir um extenso território e nem uma grande costa, a Grécia detém cerca de 6.000 ilhas, sendo a maioria desabitada, em uma região de instabilidade migratória. Ademais, a questão do Chipre não resolvida é um fator de atenção que reforça a necessidade de patrulhamento no Mediterrâneo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Selo da Marinha Helênica” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Hellenic_Navy_Seal.svg

Imagem 2Fragata Nikiforos Fokas amais nova da Marinha grega, tem 14anos” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nikiforos_Fokas_F466.jpg

Imagem 3PrimeiroMinistro grego, Alexis Tsipras (esquerda); e o Presidente russo, Vladimir Putin (direita)” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:With_Greek_Prime_Minister_Alexis_Tsipras.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Guerra econômica entre EUA e China cria oportunidades para a Rússia

Logo após a cúpula do G20*, realizada em Buenos Aires, Argentina, no dia 1º de dezembro (2018), os dois países protagonistas da chamada “guerra comercial”, EUA e China, se reuniram para formalizar uma trégua em suas ações bilaterais, referentes à aumentos de tarifas onde o presidente norte-americano Donald Trump se comprometeu a não elevar as alíquotas de importação sobre 200 bilhões de dólares (cerca de R$ 772 bilhões) de produtos chineses, a partir de janeiro de 2019, enquanto seu homologo chinês, Xi Jinping, relatou que elevaria a compra de produtos dos EUA a partir desta data.

Logotipo do G20 – Argentina 2018

Para entender o que ocasionou essa ruptura nos acordos comerciais, deve-se retroceder à julho de 2018, quando as duas maiores economias do mundo entraram oficialmente numa disputa conflituosa em que os EUA impuseram um aumento de até 25% sobre as importações de inúmeros itens chineses, tendo como principais alvos produtos dos setores espacial, robótica, manufaturados e automobilístico, e como suposto objetivo a proteção dos empregos locais, bem como a extinção da transferência injusta de tecnologia e propriedade intelectual para a China. Os chineses, em retaliação ao ato, também impuseram elevações tarifárias entre 5% e 10% a cerca de 545 produtos norte-americanos, dentre eles, automóveis, soja, carne bovina e frutos do mar, num montante de cerca de 60 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 231 bilhões), além de reduzir drasticamente as importações de combustível dos EUA, sendo que, em outubro (2018), a importação de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) chegou a praticamente zero, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

Em contraponto a esse desbalanceamento sistêmico entre os dois países, a Federação Russa vem se beneficiando com a criação de oportunidades comerciais com a China, principalmente na área energética. A China importou mais de 3,5 milhões de toneladas de gás natural liquefeito dos EUA em 2017. Comparativamente, em 2018, as importações de GNL não chegaram a atingir 1 milhão de toneladas até agosto, frente a 2,1 milhões de toneladas no mesmo período de 2017. Ao mesmo tempo, Pequim aumentou as importações de gás russo em aproximadamente 17%, o que significa uma janela de oportunidade se abrindo para Moscou. 

A potencialização dessa relação comercial só não é maior devido a questões tecnológicas e logísticas por parte da Rússia, pois, tradicionalmente, as exportações de gás russo são realizadas através de gasodutos, enquanto as importações chinesas se baseiam preferencialmente no GNL, o qual é transportado em tanques especiais alocados em navios. Até os gasodutos russos em direção ao Oriente estarem prontos, os exportadores concorrentes vão se beneficiar dessa defasagem técnica, tais como: a Austrália, com fornecimento para o mercado chinês em torno de 2,27 milhões de toneladas; o Qatar, com 960 mil toneladas; e a Malásia, com 496 mil toneladas (dados de outubro de 2018).

Apesar da trégua entre EUA e China e da concordância em buscar uma relação comercial mais ambiciosa, se isso não for alcançado em 90 dias após a data de efetivação do acordo, muito provavelmente as imposições de tarifas serão efetivadas, segundo o Presidente norte-americano.

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Nota:

* Criado em 25 de setembro de 1999, como um fórum de ministros de finanças e presidentes de Bancos Centrais das principais economias do mundo, a partir da crise financeira internacional de 2008 visualizou-se a necessidade de gerar um novo consenso entre os altos funcionários do ranking. A partir de então, as cúpulas do G-20 também passaram a incluir reuniões em nível de Chefes de Estado e de Governo e a agenda temática foi ampliada. Atualmente, é o principal fórum internacional de cooperação econômica, financeira e política: trata dos principais desafios globais e busca gerar políticas públicas que os resolvam

Consiste na União Europeia e mais 19 países: Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, África do Sul e Turquia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Navio com containers” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/52/Container_ships_Hamburg-Waltershof_%2871809711%29.jpg

Imagem 2 Logotipo do G20 Argentina 2018” (Fonte):

https://www.g20.org/profiles/g20/themes/custom/g20_poncheado/img/g20_logo.png

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Sequestro de funcionários indianos traz à público o drama dos baixos salários na Etiópia

Com o processo de globalização, o capital internacional flutua entre fronteiras em busca dos espaços que lhe oferecem mais vantagens comparativas para a redução de custos dos fatores de produção. Neste sentido, a Etiópia tem se posicionado como um dos principais destinos de plantas fabris de grandes empresas multinacionais, em especial no que diz respeito ao setor têxtil, tendo em vista a sua institucionalizada política de salários reduzidos.

IL&FS tem participado ativamente das obras de infraestrutura na Etiópia

Com um dos menores níveis salariais do mundo, o Governo deste país almeja intensificar a entrada de investimentos externos e, com isso, propiciar o florescimento de uma ampla gama de empresas locais que passem a operar como fornecedoras das companhias estrangeiras, desencadeando assim um processo industrializante. No entanto, as consequências sociais de uma política instituída de redução dos salários têm como principal consequência o aumento expressivo da desigualdade socioeconômica, bem como das tensões sociais entre as diferentes classes societárias.

No rol de conflitos desta natureza está o sequestro de sete funcionários indianos por parte de alguns trabalhadores etíopes da companhia Infrastructure Leasing & Financial Services (IL&FS), com sede principal na Índia. Com filial na capital Addis Ababa e em outros três municípios ao redor do país, a IL&FS é uma empresa focada no financiamento e desenvolvimento de obras de infraestrutura física e digital. Tendo em vista o expressivo ritmo de execução e implementação de obras públicas na Etiópia ao longo dos últimos anos, a companhia indiana tem ocupado papel importante no planejamento e execução dos grandes empreendimentos previstos no país.

O grupo de sequestradores reivindicam não somente melhores salários, mas também o pagamento destes, os quais estão atrasados há alguns meses. Atualmente, a IL&FS passa por um processo de recuperação judicial devido ao não cumprimento de uma série de dívidas fiscais, tendo inclusive observado parte de suas ações serem adquiridas pelo Governo indiano para a execução financeira. Até o momento de elaboração deste artigo, somente dois dos sete trabalhadores haviam sido liberados após um longo processo de negociação.

Eventos como este somam-se às reivindicações civis dos Oromo e Amhara, formando assim um amplo conjunto populacional que se posiciona contra as principais dimensões do projeto desenvolvimentista do governo da Frente Democrática Revolucionária dos Povos Etíopes (FDRPE). Se os atores envolvidos na discussão por políticas públicas mais igualitárias apresentam-se como vetores de oposição ao projeto de industrialização em curso, o equilíbrio de forças demonstra ser ainda um processo longo e demorado, o qual poderá custar a estabilidade social até ser finalmente atingido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Política institucionalizada de baixos salários revela suas tensões sociais iminentes na Etiópia” (Fonte):

http://nazret.com/blog/index.php/2013/03/18/ethiopia-to-open-first-industrial-zone-to-bolster-economy

Imagem 2IL&FS tem participado ativamente das obras de infraestrutura na Etiópia” (Fonte):

https://www.theweek.in/news/biz-tech/2018/09/25/ILFS-moves-NCLT-seeking-insolvency-protection.html

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Rússia prepara plano para a desdolarização de sua economia

No início de outubro (2018), o serviço de imprensa do Governo da Federação Russa anunciou o desenvolvimento de um plano para a diminuição da dependência econômica em relação ao dólar norte-americano. Tal projeto, no entanto, não tem o objetivo de restringir e nem de banir por completo as transações nessa moeda, o propósito é estimular pagamentos em moedas nacionais, criando um mecanismo capaz de permitir essas trocas com o mínimo de perda possível.

Notas de rublo, moeda da Rússia

Dessa maneira, o processo da desdolarização russa está caminhando a passos rápidos e está envolvendo muitos países relevantes pró-comércio internacional, como a China e os membros da União Europeia. O andar acelerado do plano se deve principalmente pelo fato de que a Rússia tem o intuito de criar uma blindagem contra o possível surgimento de novas sanções norte-americanas.

Dessa forma, já é possível notar os incentivos para a comercialização bilateral utilizando o rublo ou outras moedas, como o yuan. Numa visita oficial à China, o Primeiro-Ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, destacou o respeito mútuo que as duas nações têm uma pela outra, algo que encoraja a utilização de moedas nacionais no comércio bilateral entre eles. De fato, há a possibilidade da concretização de um acordo nesse sentido entre os dois países até o fim de 2018.

Outro exemplo é a situação do Irã, o qual teve seus setores automotivo e petrolífero afetados por recentes sanções aplicadas pelos EUA. Assim, de acordo com o Ministro da Energia russo, Alexander Novak, “nós não reconhecemos [as sanções dos EUA contra o Irã], que foram introduzidas unilateralmente sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Continuaremos buscando mecanismos de cooperação, e um deles são os acordos comerciais em moedas nacionais”.

Além disso, uma questão que pode vir a mudar o comércio internacional é que empresas de setores russos, como as de hidrocarbonetos e de armas, estão pressionando seus compradores a realizar os pagamentos em euro. A Federação Russa não tem o monopólio do petróleo mundial, mas a relevância desse produto para o mercado europeu é demasiadamente grande, sendo provável que os parceiros da União Europeia optem por aceitarem as condições de pagamento.

A desdolarização da economia russa é real e as consequências dela não vão se restringir à Rússia. De acordo com especialistas, é possível que esse acontecimento impulsione outros países a aderir ao processo. De fato, percebe-se que, aos poucos, está se tornando um efeito mundial. Por exemplo, em outubro (2018), o Japão assinou com a Índia um Acordo para a utilização de moedas nacionais no comércio entre eles no valor de 75 bilhões de dólares. Outro fato que ilustra essa situação é o recente depoimento do Presidente francês, Emmanuel Macron, à CNN, no qual ele afirma que a dependência do dólar é um problema de soberania à União Europeia, sendo preciso fortalecer o euro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Nota de um dólar norteamericano” (Fonte):

https://de.wikipedia.org/wiki/Datei:Dollarnote_hq.jpg

Imagem 2Notas de rublo, moeda da Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b1/Russian_rubles.jpg/220px-Russian_rubles.jpg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Governo moçambicano reestrutura 726 milhões de dólares* em dívida externa

Mediante as volumosas quantias de dívidas assumidas junto a instituições financeiras internacionais, o Governo moçambicano tem discutido meios de renegociar os prazos para o pagamento dos débitos contraídos no estrangeiro. As negociações têm em vista o atual contexto econômico do país, marcado por uma recessão que aprofunda as vulnerabilidades sociais e mitiga as perspectivas futuras de crescimento.

A taxa de inflação dos últimos 12 meses está situada em 25% – significativamente maior do que o valor de 5% registrado para o ano passado (2017). Somada às pressões inflacionárias, as quais prejudicam a parcela mais pobre da população, estão os aumentos gradativos nos preços dos alimentos. Este cenário tende a acentuar processos de conflitos sociais, conforme já foi presenciado na capital Maputo nos anos de 2010 e 2013, pondo em risco a sustentabilidade política do atual governo.

Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma das instituições financeiras mais envolvidas na renegociação da dívida internacional moçambicana

Neste sentido, o Ministro das Finanças, Adriano Maleiane, esteve em próximo diálogo com investidores internacionais na semana passada, a fim de renegociar o prazo de uma série de títulos da dívida pública moçambicana. Como resultado, cerca de 730 milhões de dólares em Eurobonds foram reestruturados, tendo os seus prazos de pagamento e suas modalidades de acerto financeiro renegociadas.

Trata-se de um alívio ao orçamento até que tenhamos receitas adicionais”, declarou Maleiane. “A nossa prioridade enquanto Governo é que tenhamos mercados que confiem em Moçambique. Nós precisamos de credores trabalhando em conjunto com o país. Neste sentido, nós estamos trabalhando em uma solução ganha-ganha para esta questão”. A renegociação executada prevê a extensão do prazo de validade dos Eurobonds para o ano de 2033, além de atrelar parte do pagamento mediante a entrega de royalties advindos da exploração de gás natural.

As reservas que aguardam futura exploração possuem uma capacidade estimada possível de posicionar o país como um dos maiores exportadores da commodity no mundo. Empresas italianas e estadunidenses, em especial, têm participado ativamente no processo de pesquisa, prospecção e viabilização dos campos offshore presentes na parcela norte de Moçambique, prevendo o início de sua exploração e venda internacional a partir do ano de 2022.

Neste sentido, as expectativas positivas rendimentos aos cofres públicos opera como instrumento crucial à estratégia moçambicana em reivindicar a solvência de seu Estado junto aos credores internacionais. Em contrapartida, ao justamente atrelar as receitas da exploração desta commodity ao pagamento de dívidas externas, analistas argumentam que se reforça justamente a dependência econômica ao capital estrangeiro, a qual posiciona o país em uma conjuntura vulnerável atualmente.

Pouco mais de 30% do orçamento estatal é composto por doações e outras modalidades de recursos internacionais – fato que ilustra o grau de dependência nacional às instituições financeiras externas, bilaterais e multilaterais. Uma alocação dos royalties do gás em setores como a educação, ciência e tecnologia, poderia representar justamente o desenvolvimento de uma indústria autônoma, capaz de gerar divisas ao Estado moçambicano mediante a exportação de produtos com maior valor agregado.

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Nota:

* Pela cotação de 13 de novembro de 2018, aproximadamente, 2,71 bilhões de reais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Governo moçambicano, em face da recessão econômica, busca meios de renegociar sua dívida externa” (Fonte):

https://pt.globalvoices.org/2015/12/17/em-informe-a-nacao-presidente-da-republica-reconhece-que-as-coisas-nao-vao-bem-em-mocambique/

Imagem 2Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma das instituições financeiras mais envolvidas na renegociação da dívida internacional moçambicana” (Fonte):

https://www.imf.org/external/index.htm