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México e Estados Unidos renegociam acordo comercial sobre açúcar

Nesta segunda-feira (5 de junho), México e Estados Unidos fecharam acordo sobre a comercialização de açúcar. A tratativa evitou uma possível guerra comercial que poderia ocorrer com o aumento da taxação norte-americana sobre o açúcar mexicano e a possível retaliação pelo México sobre a importação de xarope de milho estadunidense, conforme foi divulgado na Reuters. Apesar das informações específicas sobre o acordo ainda não terem sido divulgadas, sabe-se que essa renegociação beneficiou ambas as partes. Atualmente, o México é o principal fornecedor estrangeiro de açúcar para os Estados Unidos, chegando a exportar 12 milhões de toneladas anualmente.

Transporte da cana de açúcar

Desde que o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês) foi negociado pela primeira vez, no início dos anos 1990, a indústria açucareira tem estado no centro das questões comerciais mais controversas entre o México e os Estados Unidos. O setor de açúcar estadunidense tem sido protegido por uma garantia de preços realizada por quotas (limites) de importação e outros mecanismos. Quando o Nafta entrou em vigor, em 1994, a indústria norte-americana ganhou tratamento especial pelo Governo, que limitou as importações mexicanas de açúcar por 14 anos.

Após o período de restrição, em 2008 o México tornou-se o único país do mundo com acesso irrestrito ao mercado de açúcar norte-americano. Entretanto, quando as suas exportações aumentaram em 2013, devido a uma grande safra, os produtores estadunidenses acusaram os mexicanos de praticarem dumping* (práticas comerciais injustas), levando o Departamento de Comércio a avaliar possíveis punições ao seu açúcar. Porém, para evitar problemas maiores à venda de açúcar, o Governo mexicano aceitou a criação de quotas às exportações e fixação de preços em 2014. Mesmo assim, as empresas de açúcar norte-americanas logo argumentaram que os acordos não eram suficientes para protegê-las, fazendo com que o Departamento de Comércio suspendesse o acerto e voltasse à mesa de negociações.

Plantação de cana de açúcar

Do lado mexicano, a cana-de-açúcar é cultivada por 190.000 pequenos agricultores espalhados por algumas das regiões mais pobres do país e, durante a colheita, o trabalho intensivo em mão-de-obra emprega 450 mil pessoas, tornando a indústria uma força política importante. Do lado estadunidense, os empregos podem ser comprometidos pelas restrições adicionais sobre as importações de açúcar às empresas nacionais que produzem derivados da commodity.

Negociações bilaterais dessa natureza estão acontecendo para facilitar a reformulação do NAFTA entre México, Estados Unidos e Canadá, que deve iniciar no mês de agosto.

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* O Dumping é uma prática considerada injusta e ilegal pelos tratados internacionais, pois consiste em ação comercial em que a(s) empresa(s) de um país vende(m) produtos, mercadorias ou serviços por preços muito abaixo de seu valor comercial considerado justo, para o mercado de um outro país (ou seja, o preço no lugar para onde exporta é estabelecido como menor do que o dentro do próprio país exportador). Isso é feito como estratégia para eliminar os concorrentes desses país importador e, posteriormente, ao dominar este mercado, adotar preços altos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cana de açúcar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sugarcane

Imagem 2Transporte da cana de açúcar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sugarcane

Imagem 3Plantação de cana de açúcar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sugarcane

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Governo moçambicano e empresa italiana selam acordo de exploração de gás natural

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o presidente da companhia italiana de exploração de hidrocarbonetos Eni, Claudio Descalzi, encontraram-se na última quinta-feira (1o de junho) para oficializar o contrato de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

Situado na região norte do país, o campo de exploração, denominado de FLGN de Coral Sul, tem capacidade de produção estimada de 3,4 milhões de toneladas de gás natural por ano. A produção, cujo início está previsto para 2022, será comprada pela British Petroleum e conduzida em parceria com as empresas Galp Energia SGPS S.A; Korea Gas Corp (KOGAS) e com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), companhia estatal moçambicana.

Logo da ENI

A receita advinda com a exploração de gás natural é vista pelo Governo de Moçambique como uma das principais estratégias para a resolução da atual crise da dívida. Desde o ano passado (2016), os títulos da dívida pública do país observaram sucessivos rebaixamentos, à medida que investidores internacionais liquidaram suas posições com a divulgação de débitos de, aproximadamente, 1,4 bilhão de dólares não revelados às instituições financeiras externas.

Nós finalmente estamos transformando recursos em dinheiro. Nós esperamos que isto [a exploração do gás natural] nos ajude a trazer de volta a performance econômica da última década”, afirmou Nyusi, durante a solenidade. Neste sentido, Moçambique reforça a estratégia adotada por outros países subsaarianos, como Angola, em sustentar a economia nacional a partir da exploração de commodities.

No entanto, a estratégia pode revelar-se falha, à medida que os recursos advindos com a exploração de hidrocarbonetos não sejam aplicados na diversificação da economia. Para tanto, faz-se necessária uma aplicação maciça desses recursos na educação e nos serviços sociais, a fim de estimular a produção de tecnologias e a promoção do capital humano dentro das fronteiras moçambicanas.

Por exemplo, segundo dados do Banco Mundial, em 2013, somente 5,2% dos egressos do ensino médio matriculam-se no ensino superior em Moçambique. Nesse sentido, a exploração de gás natural poderia não somente cobrir os déficits das contas públicas, mas também conduzir uma transformação radical no acesso a serviços básicos, capazes de impulsionar a economia do país a novos patamares.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Engenharia Naval” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Engenharia_naval

Imagem 2 Logo da ENI” (Fonte ENI Website):

https://www.eni.com/en_IT/home.page

Agências de RiscoAMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Brasil: o rebaixamento da perspectiva de nota pela Moody’s

A delação dos donos e diretores da empresa brasileira JBS e suas consequências políticas foram os últimos acontecimentos de uma crise ampla das instituições políticas do Brasil; e os agentes financeiros estão reagindo em todos os momentos aos desdobramentos da crise. Nesse sentido, a delação de Joesley Batista, um dos seus proprietários, relacionada ao caso Lava Jato, repercutiu fortemente nos mercados. A última dessas reações foi realizada pela agência de rating Moody’s, que alterou no último dia 26 de maio, sexta-feira passada, a perspectiva de nota brasileira de estável para negativa, acompanhando o que a Standard and Poor’s havia feito quatro dias antes. Outros índices, além das agências, porém, devem ser analisados para permitir o entendimento mais completo das reações dos mercados à última faceta da crise brasileira e para ver se as ações das agências geram efeitos nos mercados brasileiros.

Imagens Operação Lava Jato. Fonte: Wikipedia

O impacto do último dia 17 de maio (quarta-feira da semana retrasada), quando a delação de Joesley foi amplamente divulgada, transpareceu em vários índices financeiros. Nesse dia, o EMBI+, ou Risco-Brasil, que mede o diferencial da taxa de retorno dos títulos brasileiros em relação aos estadunidenses, subiu 42 pontos-base, ou 0,42%. Esse índice estava em uma trajetória de queda suave desde do início de 2017. O dólar, por sua vez, passou de 3,13 reais/dólar, no dia 17, para 3,38 reais/dólar, no dia 18, o que representa um aumento expressivo, visto que o dólar se mantinha na casa dos 3,1 reais/dólar desde o início de 2017. Por fim, o IBOVESPA, índice que mede o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, despencou de 67.540 para 61.597. A junção desses três índices demonstraria o aumento da insegurança dos mercados e o início de um processo de fuga de capital no Brasil.

O IBOVESPA, porém, mostrou tendência ascendente nos últimos dias, ainda que moderada. Isso reflete o que o índice MSCI Brasil, produzido pela Morgan Stanley e que mede o mercado brasileiro, já havia notado. Como avaliado pelo jornal financeiro Bloomberg, o MSCI, apesar de uma pequena queda inicial dia 17, voltou a crescer nos dias posteriores. Isso indica, de acordo com tal jornal, que os investidores estrangeiros estão comprando as ações que tiveram seus preços derrubados no mesmo dia 17 e estão otimistas com as perspectivas político-econômicas do Brasil. O MSCI é um índice muito utilizado por fundos de pensão do exterior, e fundos estrangeiros relacionados a trocas cambiais focados no Brasil atraíram 856 milhões de dólares em fluxos na última semana.

Logo da Moody’s. Fonte: Wikipedia

Dessa forma, evidencia-se que a reação dos mercados foi imediata à delação de Joesley, ainda que não completamente como seria imaginado, visto que ainda existe aposta no mercado brasileiro. Após essas mudanças mais drásticas, houve uma estabilidade nos índices nos últimos dias, mesmo que eles não tenham voltado aos seus valores originais.

As agências de avaliação de risco, nesse sentido, parecem ter chegado atrasadas, apenas reagindo aos movimentos dos investidores uma semana após suas ações. Anúncios de perspectiva de notas não são tão impactantes como anúncios de uma de facto mudança, porém ainda assim é importante notar que nenhum dos índices avaliados sofreu alguma alteração significativa nos dias posteriores às ações das agências. Visto que o papel delas seria formar uma posição dos investidores, e não reagir às suas ações, salienta-se que, nesse caso da delação da Joesley Batista, elas não foram significantes para o entendimento das ações dos mercados financeiros no Brasil nos últimos dias. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 BOVESPA” (Fonte Leo Pinheiro):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa_de_Valores_de_S%C3%A3o_Paulo#/media/File:Bovespa_Traders.jpg

Imagem 2 “Operação Lava Jato” (Fonte Holy Goo):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dela%C3%A7%C3%B5es_da_JBS_na_Opera%C3%A7%C3%A3o_Lava_Jato#/media/File:Montagem_Lava_Jato.jpg

Imagem 3Logo da Moodys” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moodys_logo_blue.jpg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Angola projeta exploração de diamantes

Com uma pauta de exportação significativamente dependente das rendas do petróleo, o fluxo de divisas em Angola estancou-se expressivamente a partir de 2014, com a gradativa queda nos preços desta commodity. A abrupta desvalorização do Kwanza – moeda local –, fato que pressionou o índice de preços da economia, representa hoje um dos principais dilemas ao Governo e, especialmente, a João Lourenço, principal candidato a sucessor do atual presidente José Eduardo dos Santos.

Neste sentido, uma série de políticas fiscais e monetárias tem sido adotadas pelos órgãos do Governo angolano, com o intuito de resolver o problema da escassez de divisas no país. Na semana passada, por exemplo, o Parlamento angolano aprovou a medida que permite ao contribuinte o pagamento de impostos em moeda estrangeira.

O que se pretende na realidade é permitir ao Estado angariar mais recursos através da tributação em moeda externa, reduzindo assim a pressão sobre a balança de pagamentos e a realização da despesa no estrangeiro”, afirmou o Ministro das Finanças, Archer Mangueira. A medida tem o intuito também de fragilizar o mercado negro de divisas que se instalou no país, principalmente após a abrupta valorização do dólar, do euro e de outras importantes moedas a partir de meados de 2014.

À medida que as receitas com o petróleo ainda permanecem estagnadas, o Governo angolano busca outro tipo de exploração econômica capaz de suprir a economia nacional. A exploração de diamantes, por exemplo, apresenta-se como caminho plausível aos formuladores de políticas públicas angolanos.

Logo da Endiama. Fonte: Ponto Únido

Na semana passada, a empresa angolana de exploração de diamantes, a Endiama, e a maior companhia mundial de exploração do mesmo minério, a russa Alrosa, celebraram um acordo de cooperação de exploração do campo de Luaxe, na região nordeste do país africano.

Em 2013, descobriu-se uma mina de diamantes nesse local, já controlado pela empresa russa. De lá para cá, estudos sobre a viabilidade da exploração, reuniões e negociações entre russos e angolanos foram conduzidas a fim de estabelecer os termos de exploração da mina, cuja magnitude da produção está estimada em 350 milhões de quilates de diamantes. Trata-se da maior descoberta de um campo de diamantes dos últimos 60 anos, sendo o seu valor comercial estimado em 35 bilhões de dólares.

Logo Alrosa. Fonte: Alrosa

Se, por um lado, os projetos de mineração, assim como a exploração de hidrocarbonetos, incrementam abruptamente o nível de exportações e o fluxo de dólares em uma economia, do outro os retornos podem ser nefastos, caso a aplicabilidade destes recursos não seja gerenciada adequadamente. O investimento em educação e tecnologia, por exemplo, a partir das receitas advindas da exploração dessas commodities, se faz necessário para motivar a diversificação da economia e da pauta exportadora, a fim de evitar excessiva dependência destes bens primários – dependência que Angola vivencia atualmente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Diamantes” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Diamonds.jpg

Imagem 2 Logo da Endiama” (FontePonto Único):

http://pontounico.com/city/luanda/listing/endiama-empresa-nacional-de-diamantes-de-angolaep/

Imagem 3 Alrosa” (Fonte Alrosa):

http://eng.alrosa.ru/about-us/

 

ECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Rússia e Turquia removem restrições comerciais

O vice primeiro-ministro turco, Mehmet Simsek, e sua contraparte russa, Arkady Dvorkovich, assinaram na última segunda-feira (22 de maio) um acordo que levanta as últimas restrições comerciais impostas mutuamente, após a derrubada de um caça russo pela Força Aérea turca na Síria, em novembro de 2015. Essa ação, embora essencialmente econômica, representa mais um passo na reaproximação política entre os dois países.

Erdogan e Putin no encontro do G-20 em 2015. Fonte: Wikipedia

O acordo foi costurado após um encontro entre o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e seu homólogo russo, Vladimir Putin, ter ocorrido em Moscou, em 5 de maio. Na reunião as partes concordaram que todas as restrições comerciais seriam abolidas, afora a importação pela Rússia de tomates turcos. A questão dos tomates se tornou problemática já que despertava grande interesse dos produtores da Turquia, que, antes das restrições, exportavam cerca de 70% de seus tomates para o mercado russo. Putin alegou que grandes investimentos teriam sido feitos para que produtores locais pudessem suprir a demanda do fruto para o mercado interno, e que as importações de tomate seriam restabelecidas após um período de transição.

As relações entre Moscou e Ancara, que haviam atingido seu ponto mais baixo com a incidente do caça em 2015, voltaram a se estreitar após a tentativa fracassada de Golpe de Estado sofrida pela Turquia, em julho de 2016. Erdogan atribuiu a responsabilidade pela tentativa de golpe ao clérigo Fethullah Gulen, que é opositor de seu regime e vive exilado nos Estados unidos. As relações entre Gulen e os EUA também foram alvo da desconfiança de Erdogan, que passou a acusar os americanos de terem participação no atentado ao seu governo. Na medida em que as relações turco-americanas se deterioravam, a Rússia voltou a ser um parceiro em potencial.

Modelo do caça derrubado pela Turquia em 2015. Fonte: Wikipedia

Esse processo de reaproximação é relevante por levar a reformulação da arquitetura geoestratégica regional, agora com uma participação mais distante do Ocidente. Essa nova dinâmica pôde ser observada no recente acordo firmado entre Turquia, Rússia e Irã para a imposição de zonas seguras no território sírio, em mais uma tentativa de dar fim à guerra civil no país. Na ocasião, as potências ocidentais foram excluídas das tratativas e a nova cooperação russo-turca pôde ser observada.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Composição bandeiras Rússia Turquia” (Fonte):

Construção do Autor

Imagem 2 Erdogan e Putin no encontro do G20 em 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2015_Russian_Sukhoi_Su-24_shootdown

Imagem 3Modelo do caça derrubado pela Turquia em 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2015_Russian_Sukhoi_Su-24_shootdown

América do NorteECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Acordo sobre livre comércio Transpacífico segue sem participação dos Estados Unidos

O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para retirar os Estados Unidos de um dos acordos econômicos mais ambiciosos do mundo, conhecido como Parceria Transpacífico (TPP, sigla em inglês), seguindo sua promessa de campanha e aproveitando a não ratificação da Parceria pelo Congresso estadunidense, em 24 de janeiro de 2017. Segundo Trump, o acordo multilateral prejudicava a produção fabril do país e a retirada favorece a criação de novos empregos em território norte-americano.

Barack Obama e Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Fonte: Wikipedia

O TPP é resultado de quase uma década de negociações que buscam liberalizar o fluxo de bens entre 12 países banhados pelo Oceano Pacífico, sendo considerado uma grande conquista da gestão do presidente Barack Obama. A participação dos Estados Unidos visava diminuir tarifas de milhares de itens, além de tentar unificar as leis sobre direitos autorais de seus membros. Não obstante, criar um Acordo de Livre Comércio com diversos Estados do Pacífico – responsável por 40% da economia global – era a estratégia de Obama para isolar comercialmente a China, trazendo os membros para sua zona de influência econômica.

Logomarca da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC). Fonte: Wikipedia

Entretanto, mesmo com a desistência dos norte-americanos, os outros 11 participantes do acordo (Japão, Canadá, Austrália, México, Peru, Chile, Nova Zelândia, Singapura, Malásia, Brunei e Vietnã) decidiram continuar com as tratativas, após um encontro paralelo à reunião ministerial da

Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), em Hanói (Vietnã). A continuidade das negociações busca concluir a Parceria ainda este ano (2017), antes que outras possíveis reuniões ocorram em novembro.

Segundo o ministro australiano Steve Ciobo, responsável pelo comércio, turismo e investimentos, “é importante deixar a porta aberta para os Estados Unidos. O acordo pode não se adequar aos interesses dos Estados Unidos neste momento para fazer parte do TPP, mas as circunstâncias podem mudar no futuro”. Além do Ministro, todos os representantes comerciais presentes no encontro se declararam prontos para definir os últimos detalhes e deixar espaço para que os norte-americanos retomem as negociações, caso decidam recuar.

A pressa dos países em finalizar o TPP se dá pelo receio de uma retração dos mercados internacionais, motivados pelo possível isolacionismo de alguns governos considerados como conservadores, como o de Donald Trump, e pela dificuldade das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para promover o livre comércio. Embora exista ainda alguma expectativa de que Trump reavalie a participação estadunidense no grupo, seu representante comercial, Robert Lighthizer, ressaltou que os Estados Unidos não voltarão para o TPP e seguirá com a estratégia de fechar acordos bilaterais (com Canadá e México, por exemplo).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Países membros do acordo TPP em verde escuro e interessados em aderir em verde claro” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Parceria_Transpac%C3%ADfico

Imagem 2Barack Obama e Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump

Imagem 3Logomarca da Cooperação Econômica ÁsiaPacífico (APEC)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Coopera%C3%A7%C3%A3o_Econ%C3%B4mica_%C3%81sia-Pac%C3%ADfico