ECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Estreitam-se os laços comerciais entre o Irã e o Catar

Em dados divulgados pela Administração Alfandegária do Irã, entre março e abril de 2017, período que corresponde aos sete primeiros meses do calendário persa, as exportações iranianas para o Catar apresentaram um aumento de 117,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, não computado o comércio associado ao setor de óleo e gás. Este crescimento foi mais sensível a partir de junho, quando uma coalização liderada pela Arábia Saudita cortou os laços diplomáticos com Doha e implementou o bloqueio às rotas aéreas, terrestres e marítimas entre o Emirado e o restante da Península Arábica.

Encontro entre os ministros Al-Thani e Zarif em Teerã

Em uma tentativa de promover ainda mais a cooperação, o Ministro da Economia do Catar, Sheikh Ahmed bin Jassim Al-Thani, viajou a Teerã, no dia 26 de novembro, onde se reuniu com membros da alta cúpula do Governo iraniano, incluindo o Ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, e o Ministro da Indústria, Mineração e Comércio, Mohammad Shariatmadari. Um dos objetivos das conversas, segundo Shariatmadari, seria discutir propostas para quintuplicar o montante resultante das trocas comerciais entre os dois países, que atualmente ainda se encontra abaixo de 1 bilhão de dólares anuais.

O resultado concreto da visita foi a assinatura de um acordo comercial trilateral, juntamente com a Turquia. Esta medida deverá facilitar o transporte de produtos turcos para o Catar, usando o Irã como país de trânsito. Desta forma, é esperado que Doha passe a contar com uma rota de abastecimento segura que forneça uma alternativa ao isolamento imposto por seus vizinhos árabes. Em contrapartida, a Turquia, assim como o Irã, passará a ter acesso privilegiado ao mercado consumidor do Catar, país com o mais elevado Produto Interno Bruto per capita do mundo.

Após seis meses em vigência, o embargo promovido pela Arábia Saudita parece ter resultado em um efeito inverso do esperado: a aproximação política e econômica do Catar com o Irã. Na perspectiva de Doha, a parceria com Teerã representa a única alternativa que garante a sobrevivência do Emirado como um Estado autônomo. Já os iranianos celebram, além dos ganhos provenientes do aumento do fluxo de comércio, a possibilidade de expandir ainda mais a influência do país no Oriente Médio.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Ponte dos 33 Arcos, em Isfahan” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Si-o-se_Pol#/media/File:Si-o-se-Pol.jpg

Imagem 2Encontro entre os ministros AlThani e Zarif em Teerã” (Fonte):

http://en.mfa.ir/index.aspx?fkeyid=&siteid=3&pageid=1997&newsview=488031

ECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Moçambicanos discutem congelamento salarial para 2018

Em meio à crise fiscal, Moçambique deverá discutir nas próximas semanas se os salários gerais do próximo ano (2018) serão congelados ou não. O projeto tem gerado imenso debate entre trabalhadores e empresários nacionais, os quais assumem diferentes pontos de vista e interesses sobre essa questão.

OTM e outras lideranças sindicais se opõem ao congelamento dos salários

Parte do empresariado nacional, representado pela Confederação das Associações Econômicas de Moçambique (CTA), propôs ao governo, na última semana, que haja um congelamento nos salários dos trabalhadores no ano que vem. Para estes, a medida é necessária para reduzir os gastos da indústria com folhas salariais, permitindo uma retomada de investimentos internos em um contexto de recessão econômica e queda de confiança na performance da economia nacional.

Em contrapartida, a Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM) – central sindical que reúne também membros do Governo e da classe patronal – declarou que irá atuar fortemente contra a implementação deste projeto. O dirigente geral da OTM, Alexandre Munguambe, afirmou que caso o congelamento seja aprovado, a organização irá convocar os sindicatos a aderirem a uma ampla greve geral como forma de retaliação.

Rejeitamos de forma vigorosa a proposta. Vamos combatê-la vigorosamente porque não devem ser os pobres trabalhadores a pagar a fatura da crise”, disse Munguambe.

Desde meados do ano passado (2016), a solvência do Governo de Moçambique tornou-se fato de importante preocupação entre investidores internacionais e instituições financeiras, principalmente após 1,4 bilhão de dólares em dívidas não declaradas serem descobertas. Tendo em vista que aproximadamente um terço do Orçamento Geral moçambicano é composto por recursos externos, o episódio marcou o início de uma série de negociações em torno da contenção dos gastos públicos, a fim de garantir o fluxo financeiro externo.

Esta conjuntura trouxe consigo uma crescente fuga de investimento estrangeiro, o que acarretou em uma significativa desvalorização do metical – moeda local. Com isso, as importações de produtos básicos ficaram mais caras, principiando pressões inflacionárias na economia nacional, as quais afetam de maneira mais incisiva a parcela mais pobre da população. É neste sentido que reside a principal argumentação da OTM contra o congelamento dos salários. Com uma média de 66 dólares por mês, a estabilização do salário mínimo tende a reduzir o poder de compra da população, o que diminui a possibilidade em satisfazer as necessidades mínimas.

A austeridade fiscal consiste em pacote amplamente adotado nas nações ao redor do mundo, principalmente desde a crise financeira de 2008. Entretanto, sua eficácia em retomar o crescimento tem sido amplamente questionada por analistas, tendo em vista que cortes em setores como o da educação e da saúde tendem a diminuir o ritmo da inovação e da produtividade da mão de obra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira de Moçambique” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mo%C3%A7ambique

Imagem 2OTM e outras lideranças sindicais se opõem ao congelamento dos salários” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mozambique_Workers%27_Organization

                                                        

ÁFRICAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Desvalorização cambial na Etiópia anima empresários chineses

A China configura atualmente como um dos principais parceiros diplomáticos e econômicos dos países da África Subsaariana. Neste conjunto de nações, a Etiópia ocupa o papel de protagonista, à medida que se apresenta como local atrativo a companhias chinesas que queiram desenvolver atividades de uso intensivo de mão de obra. Em um período onde as transações e investimentos em escala global são cada vez mais rápidos e fáceis, este crescente movimento se faz com o intuito de diminuir o custo geral de produção e ganhar competitividade no mercado mundial.

Banco Nacional Etíope desvalorizou a moeda local após 7 anos estável

Neste sentido, o Estado etíope caminha na consolidação de uma estrutura econômica e institucional favorável ao fortalecimento do investimento estrangeiro direto. As construções de barragens, de usinas hidrelétricas e de rodovias, por exemplo, têm sido obras desenvolvidas com vistas a tonificar essa estrutura. É nesta direção que a recente mudança no regime de câmbio caminha também.

Após sete anos com o câmbio deliberadamente inalterado, o Banco Nacional da Etiópia (BNE) desvalorizou em 15% a moeda nacional – o Birr. Cotada anteriormente em 23/dólar, a cotação média agora situa-se em torno da casa dos 27 birrs. Juntamente com a desvalorização, o BNE anunciou também no início deste mês (novembro de 2017) um aumento de 2% na taxa geral de juros, a qual será a partir de agora de 7% ao ano.

Segundo a instituição, a medida foi anunciada com o intuito de incrementar as rendas auferidas com a exportação. Isto pois, uma vez consolidadas as filiais de empresas estrangeiras, um câmbio desvalorizado aumenta as rendas auferidas com as vendas no mercado mundial. Com uma expectativa maior de rendimentos após a desvalorização do câmbio, cresce a projeção de lucros às empresas instaladas, o que poderá incentivar o investimento estrangeiro direto.

O balanço de pagamentos também desempenhou papel relevante na decisão do BNE. O café representa, atualmente, cerca de 40% das exportações etíopes. A estagnação dos preços internacionais dessa commodity vem limitando as receitas externas, o que explica a decisão em desvalorizar a moeda. Além disso, uma vez que os produtos importados tenderão a ter um aumento nos preços no mercado nacional, subir a taxa geral de juros foi vista como medida para arrefecer o consumo e, com isso, evitar uma possível pressão inflacionária.

Porém, a desvalorização encontra a sua grande razão de ser na tentativa de impulsionar a consolidação de uma indústria nacional. A transformação de uma economia essencialmente agrária para uma lastreada no segundo setor faz parte do atual Great Transformation Plan II (GTP II), o qual almeja posicionar a Etiópia como uma economia de nível médio até 2025.

Neste sentido, a presença chinesa é vista como primordial, seja para incrementar as receitas em dólares e com isso expandir o controle sobre divisas, seja para criar indústrias de abastecimento – onde através de um learning-by-doing* possíveis grandes indústrias intensivas em bens de capital e tecnologia poderiam emergir. No período entre 2012 e 2017, 279 empresas chinesas passaram a operar na Etiópia, criando mais de 28 mil empregos em projetos que valem, em conjunto, cerca de 580 milhões de dólares. A transferência tecnológica desse conjunto de empresas chinesas ao empresariado etíope dependerá, no entanto, de condições institucionais, do fortalecimento do mercado interno e de um processo contínuo de capacitação da mão de obra local.

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Nota:

* Learningbydoing resume uma condição de aprendizado por parte do empresariado nacional sobre práticas produtivas e de inovação desenvolvidas por empresas estrangeiras. É vista por muitos economistas como um dos principais caminhos para o desenvolvimento de indústrias em nações subdesenvolvidas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Desvalorização da moeda etíope tende a acentuar investimento chinês na Etiópia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China%E2%80%93Ethiopia_relations

Imagem 2Banco Nacional Etíope desvalorizou a moeda local após 7 anos estável” (Fonte):

https://www.ezega.com/News/NewsDetails/3538/NBE-Gives-New-Forex-Directives-to-Ethiopian-Banks

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China avança na liberalização de seu sistema financeiro para o capital estrangeiro

No dia 10 de novembro de 2017, o Governo da República Popular da China anunciou que permitirá que estrangeiros sejam sócios majoritários de empresas que atuam nos mercados de futuros, seguros e fundos no mercado financeiro do país. Além disso, o Ministro da Fazenda, Zhu Guangyao, afirmou que a completa propriedade estrangeira sobre instituições financeiras em território chinês deverá ser liberalizada dentro dos próximos três anos.

A iniciativa foi recebida com entusiasmo por investidores internacionais. Percebe-se que, apesar de a China possuir a segunda maior economia do mundo, o sistema financeiro do país asiático ainda é extremamente regulamentado e predominantemente estatal. Por conta disso, William Zarit, diretor da Câmera de Comércio da China, afirmou que “a abertura do setor financeiro deverá melhorar a alocação de recursos e impulsionar a continuidade do desenvolvimento chinês”.

O domínio do setor financeiro por instituições públicas e a imposição de controles de capitais pelo Estado foram elementos centrais na estratégia de desenvolvimento econômico do país. Mesmo após 39 anos do início das reformas liberalizantes do ex-presidente Deng Xiaoping, nota-se que 48% dos ativos do mercado financeiro chinês é controlado por quatro Bancos estatais. No entanto, conforme destaca o Global Times, periódico oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), os objetivos estratégicos da internacionalização da moeda chinesa (Yuan) e a realização dos investimentos da Iniciativa do Cinturão e da Rota requerem uma maior integração do país no mercado financeiro internacional. 

As medidas liberalizantes ocorrem em um contexto no qual aumenta a pressão do Governo estadunidense pela abertura da economia chinesa, bem como surgem dúvidas quanto a estabilidade do mercado financeiro da nação asiática. Nesse sentido, Jin Canrong, especialista da Universidade de Renmin, considera que as mudanças “objetivam ampliar o acesso ao mercado interno chinês, um dos três principais problemas que o Presidente Trump ressaltou, junto com o desequilíbrio comercial e a falta de proteção à propriedade intelectual”.

Além disso, um número crescente de analistas sugere a existência de uma bolha especulativa no mercado financeiro da China. O próprio Presidente do Banco Central do país, Zhou Xiaochuan, afirmou que “os empréstimos não executáveis aumentaram nos últimos anos, erodindo o capital bancário e a resiliência de risco do sistema”.

Portanto, considera-se que a liberalização do mercado financeiro chinês para o capital estrangeiro está inserida na redefinição da estratégia de desenvolvimento do país, a qual fundamenta-se na internacionalização da sua economia, explicitada da Iniciativa do Cinturão e da Rota. Nesse contexto, o desafio que se impõe para a política monetária da China será evitar que a crescente integração e interdependência com os mercados internacionais resultem no aumento da instabilidade do seu setor financeiro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Yuan, a moeda chinesa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e6/Yuan-chino-moneda-de-reserva-2.jpg

Imagem 2Funcionária trabalhando na filial do Banco de Comércio e Indústria da China em Madri” (Fonte):

http://www.zimbio.com/pictures/GuwkgWyk0PF/Chinese+Bank+Opens+Branch+Madrid/q-jg_YZaAvV

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Empresas chinesas no leilão do Pré-Sal

No dia 27 de outubro de 2017, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou duas rodadas de licitações para exploração de oito campos do pré-sal brasileiro e dezesseis companhias participaram dos leilões. De acordo com a Agência Brasil, o Governo Federal arrecadou de 6,15 bilhões de reais em bônus de assinaturas. O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, comemorou: “o resultado excelente obtido hoje é fruto do trabalho desenvolvido, e mostra acima de tudo a confiança retomada junto às grandes empresas internacionais

Sede da China National Petroleum Corporation em Beijing

Na ocasião, três consórcios envolvendo as petrolíferas chinesas China Petroleum & Chemical (Sinopec, sigla em inglês), China National Petroleum Corp (CNPC, sigla em inglês) e China National Offshore Oil (CNOOC, sigla em inglês) arremataram respectivamente os blocos de Peroba, Entorno de Sapinhoá e Alto de Cabo Frio do Oeste na bacia de Santos. Assim, nota-se que a participação da China no setor petrolífero brasileiro se intensificará ainda mais nos próximos anos.

Por exemplo, a companhia estatal Sinopec iniciou suas atividades no país por meio da aquisição de 40% dos ativos da espanhola Repsol Brasil S.A, em 2010, capitalizando em 7,1 bilhões de dólares o valor da empresa. Atualmente, a joint-venture sino-espanhola é a terceira maior produtora de petróleo no Brasil. Após os leilões do dia 27 de outubro, a Repsol-Sinopec Brasil participará com 25% do consórcio junto com a holandesa Shell (30%) e a Petrobrás (45%) para exploração do campo de Entorno de Sapinhoá.

Senador Roberto Requião (PMDB), líder da Frente Parlamentar Mista para Defesa da Soberania Nacional

Por sua vez, as também estatais CNPC e CNOOC adentraram o mercado brasileiro de petróleo através da participação de 20% do consórcio que atua no campo de Libra, em 2013. Após as rodadas de licitação do dia 27 de outubro, cada uma adquiriu 20% dos direitos de exploração dos campos de Alto Cabo Frio do Oeste (CNOOC) e Peroba (CNPC). Além disso, em  2017 a CNPC e a Petrobrás confirmaram a construção conjunta do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e firmaram Memorando de Entendimento para prospecção de novas oportunidades de negócio. Dessa forma, segundo o analista Zeng Xinqiu: “a China e o Brasil têm uma relação muito boa no que toca à cooperação energética, e as petrolíferas chinesas pretendem desenvolver ainda mais as suas tecnologias de prospecção de petróleo em alto mar”.

Nesse contexto, percebe-se que as concessões para exploração do pré-sal para empresas estrangeiras não representam consenso na sociedade brasileira. Por exemplo, segundo manifesto da Frente Parlamentar Mista para Defesa da Soberania Nacional, composta por cerca de 200 parlamentares: “o pré-sal se tornou a festa das multinacionais petrolíferas que buscam encontrar aqui os maiores lucros e os menores custos e impostos para a produção de petróleo e gás em todo o mundo”.

Contudo, após o Tribunal Federal da 1ª Região derrubar a liminar concedida pelo juiz federal Ricardo Sales, que suspendia a realização dos leilões, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, afirmou que a iniciativa representa “trazermos para o século 21 todo o esforço de explorar nosso potencial econômico, energético e a vitalidade e a força do empreendedorismo brasileiro em um setor que é importante para o País”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Plataforma da Petrobras na Bacia de Campos” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/pacgov/13228110274

Imagem 2Sede da China National Petroleum Corporation em Beijing” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China_National_Petroleum_Corporation#/media/File:%E4%B8%AD%E7%9F%B3%E6%B2%B9%E5%A4%A7%E6%A5%BC%E8%BF%9C%E6%99%AF.jpg

Imagem 3Senador Roberto Requião (PMDB), líder da Frente Parlamentar Mista para Defesa da Soberania Nacional” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Plen%C3%A1rio_do_Senado_(19117007258).jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Governo mexicano apresenta deficiências no combate à lavagem de dinheiro

De acordo o Jornal Reuters, um relatório não datado, encomendado pelo Governo mexicano para avaliar os esforços do país no combate à lavagem de dinheiro, estimou que o comércio de drogas, fraude fiscal e outros crimes arrecadam, pelo menos, 1,13 trilhão de pesos (aproximadamente, 59,17 bilhões de dólares – cotação de 08.11.17) por ano no México.

Departamento de Justiça dos EUA exibe gráficos durante uma coletiva de imprensa para anunciar acusações de lavagem de dinheiro contra o HSBC

O relatório de 321 páginas foi preparado a partir de dados oficiais e pesquisas independentes realizadas pelo Grupo de Trabalho de Ação Financeira (FATF, sigla em inglês), formado por agências governamentais que combatem a lavagem de dinheiro. Segundo o relatório, o risco representado por fundos ilícitos suscetíveis à legalização é auto no país.

Entretanto, o Governo declarou na quinta-feira (dia 2 de novembro) que a avaliação do FATF mostrou que o México fez progressos significativos na luta contra a lavagem de dinheiro desde a última avaliação em 2008. Já sobre a riqueza ilícita no país, concluiu que necessita de mecanismos mais eficientes como novas leis que complementem a estrutura nacional anticorrupção.

Para isso, seria necessário padronizasse as leis a nível estadual para resolver as diferenças com as autoridades que lidam com a corrupção, bem como melhorar a colaboração entre as agências encarregadas de implementar políticas e coletar dados. Ainda de acordo com o relatório, as políticas públicas devem ser revisadas para entender melhor o fenômeno da corrupção no país.

Os escândalos sobre lavagem de dinheiro têm perseguido a elite política mexicana durante décadas. Em 2016, um levantamento feito pela ONG Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade, com base nos dados do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, calculou que a economia movimentada pela corrupção chegava a ser equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) mexicano. Atualmente, o país está em 128º lugar no ranking do índice global sobre ética, corrupção e competitividade, dentre 137 nações avaliadas pelo Fórum Econômico Mundial (2017).

Robert Dugdale, Assistente Procurador dos EUA da Divisão Criminal, exibe incursões realizadas nas operações contra lavagem de dinheiro no Fashion District de Los Angeles

Em relação ao tema, o presidente Enrique Peña Nieto já foi criticado por se referir à corrupção como um problema “cultural” no México. De acordo com grupos da sociedade civil e legisladores da oposição, o posicionamento governamental de minimizar a gravidade do problema ou normalizá-la acabou diminuindo seu papel em combater esse tipo de crime.

O relatório ainda ressalta que a evasão fiscal e os delitos associados representaram a maior fonte de riqueza ilícita identificada, chegando a 484 bilhões de pesos (aproximadamente, 25,34 bilhões de dólares – cotação de 08.11.17), seguido do comércio de cocaína e maconha, com 404 bilhões de pesos (aproximadamente, 21,15 bilhões de dólares – cotação de 08.11.17).

Os valores desse mercado ilícito podem ser ainda maiores, pois o documento não aborda as receitas da heroína e da meta-anfetamina, que constituem uma grande parte do comércio de drogas.  Também não inclui crimes de colarinho branco (como desvio de dinheiro público e tráfico de influência), tráfico de pessoas e armas, roubo de combustível e exploração sexual.

Embora incompletas, as conclusões contrastam com a quantidade de fundos ilícitos que o Governo disse ter retirado de circulação nos últimos anos. De acordo com os dados estatais, a unidade de crime organizado do escritório do procurador-geral apreendeu apenas 11,4 milhões de dólares em seus esforços anti-lavagem de dinheiro, entre setembro de 2016 e junho de 2017.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Policial mexicano mascarado fica de guarda durante uma incursão de uma loja de câmbio” (Fonte):

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Imagem 2Departamento de Justiça dos EUA exibe gráficos durante uma coletiva de imprensa para anunciar acusações de lavagem de dinheiro contra o HSBC” (Fonte):

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Imagem 2Robert Dugdale, Assistente Procurador dos EUA da Divisão Criminal, exibe incursões realizadas nas operações contra lavagem de dinheiro no Fashion District de Los Angeles” (Fonte):

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