Agências de RiscoECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

O Banco Asiático de Infraestrutura obtém o rating AAA na Moody's e Fitch

O Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura (AIIB) obteve o rating AAA por parte da Moody’s e da Fitch, duas das maiores agências de avaliação de risco que atuam no sistema financeiro internacional. Este é um importante marco para a ampliação das atividades do Banco e reflete a solidez financeira, a boa estrutura de governança e as políticas de gestão de risco da instituição. A nota AAA é a máxima que um organismo multilateral pode obter.

Países membros do AIIB em azul escuro e verde, países prospectando entrada estão na cor azul claro

O AIIB foi criado no ano de 2014 e possui 56 Estados membros, sendo 37 países oriundos da Ásia, 19 da Europa e outros 24 países que estão prospectando a possibilidade de entrada na organização. A instituição possui 17 projetos aprovados, totalizando o montante de US$ 2,8 bilhões, além de outros 11 projetos propostos. O eixo temático principal consiste na construção de infraestrutura de transporte e energia.

O Banco Asiático de Desenvolvimento publicou um relatório afirmando que a Ásia precisará de investimentos no valor de US$ 26 trilhões até o ano de 2030, o que equivale a uma média anual de US$ 1,7 trilhão, para responder às necessidades impostas pela mudança climática, pela erradicação da pobreza e para manter as taxas de crescimento da região.  

Círculos de Sustentabilidade

Neste sentido, a sua atuação é complementar às necessidades da Ásia para a próxima década. A China é o maior doador no arcabouço da instituição, contribuindo com cerca de 30% do capital subscrito, seguida pela Índia que contribui com cerca de 9%. O conjunto dos países da Ásia corresponde a 75% do capital total, que se encontra no valor de US$ 100 bilhões.

A estratégia do AIIB enfatiza o objetivo de atingir o desenvolvimento sustentável através do investimento em energias renováveis e a necessidade do aumento da conectividade regional. Adicionalmente, o documento reconhece a importância de questões sociais e de gênero, tais como acesso à educação e condições de trabalho igualitárias para homens e mulheres.

O Banco pretende aumentar a atração de capitais privados através da emissão de títulos no mercado global e pelo estabelecimento de parcerias público-privadas. Para este fim, reconhece-se a necessidade de melhor posicionamento de sua marca corporativa. O AIIB pretende fortalecer seus vínculos com outras instituições multilaterais, além de enfatizar a importância de iniciativas globais como o Acordo de Paris e a Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo do Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura (AIIB)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0e/AIIB_logo.png

Imagem 2 Países membros do AIIB em azul escuro e verde, países prospectando entrada estão na cor azul claro” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5a/AoAAsianInfrastructureInvestmentBank.svg

Imagem 3 Círculos de Sustentabilidade” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/96/Circles_of_Sustainability_image_(assessment_-_Melbourne_2011).jpg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Economia moçambicana sob o olhar das instituições financeiras internacionais

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a sua última missão a Moçambique, em mais uma etapa de controle e verificação das contas públicas deste país. Desde o ano passado (2016), quando 1,4 bilhão de dívidas contraídas por empresas estatais foram descobertos, investidores e instituições financeiras internacionais acompanham de perto os principais indicadores econômicos do país.

Alguns importantes dados sobre a economia moçambicana foram divulgados ao final da missão. A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8% para 2016 preocupa analistas do FMI e investidores internacionais: é a menor taxa desde o ano 2000 e pode impactar negativamente nas arrecadações fiscais do Governo. Analistas preveem somente uma leve recuperação para a taxa de 2017, sendo esta estimada em 4,7%.

FMI configura-se como principal ator no processo de reestruturação da dívida moçambicana

O FMI aguarda a publicação completa da auditoria que está sendo realizada pela companhia Kroll. Esta empresa foi contratada em meados do ano passado para auditar as contas de três empresas estatais que estiveram no epicentro da crise da dívida: a Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), a Proindicus e a Mozambique Asset Management (MAM). No entanto, a auditora vem relatando dificuldades de acessar todas as suas demonstrações financeiras.

Os dados financeiros são limitados, incluindo os extratos bancários para alguns períodos e documentação incompleta, tais como acordos de empréstimos e contratos com fornecedores. Dessa forma, tornou-se aparente que um significativo montante de informação originalmente prevista de ser detida pelas companhias moçambicanas não estava disponível”, declarou a companhia Kroll, em nota oficial.

Em contrapartida, em meio a agitação relacionada à divulgação completa da auditoria e o final da missão do FMI, um importante acordo foi selado entre o Governo moçambicano e uma outra instituição financeira internacional. Na semana passada, o Banco Mundial anunciou um programa de financiamento de 1,2 bilhão de dólares a ser implementado no país nos próximos três anos. Andrew Mbumbe, diretor executivo da instituição, declarou que o investimento será canalizado em áreas prioritárias, tais como a saúde, a educação, as infraestruturas e a agricultura.

A parceria selada com o Banco Mundial, no entanto, não será um alívio ao país frente aos problemas relacionados à crise da dívida e a desconfiança dos investidores internacionais. Na verdade, constitui-se somente como um outro lado de uma verdade iminente e arriscada: a dependência do orçamento público frente aos montantes financeiros que chegam em forma de doações e financiamentos externos.

Nessa conjuntura, a capacidade e a soberania estatal moçambicana fica comprometida pelo humor dos investidores internacionais, das agências bilaterais e multilaterais. Uma concentração da arrecadação estatal a partir dos tributos auferidos sobre o produto interno, porém, somente seria possível com um incremento da produtividade e uma consolidação de uma economia nacional sustentada em altos níveis de produção.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Economia moçambicana segue sob o olhar suspeito dos investidores internacionais” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Maputo

Imagem 2 FMI configurase como principal ator no processo de reestruturação da dívida moçambicana” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monet%C3%A1rio_Internacional

 

Agências de RiscoECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Standard and Poor’s diminui nota dos Títulos de Dívida da Venezuela

No último dia 11 de julho (2017), a agência de avaliação de risco Standard and Poor’s (S&P’s) diminuiu a nota dos títulos soberanos venezuelanos de longo prazo, passando de CCC para CCC-. A Venezuela, que já possuía uma das piores avaliações do mundo – o que significa, para a agência, uma possibilidade de iminente calote – viu, portanto, sua situação se deteriorar ainda mais com as agências internacionais de rating. A perspectiva de mudança de nota é negativa, isto é, o país estaria se aproximando da nota mais baixa possível na classificação da agência, o D de default.

Nicolás Maduro, Presidente venezuelano

No relatório que explica sua ação, a Stardard and Poor’s a justifica tanto com questões políticas quanto econômicas. Alguns fatores apontados pela agência são: a perpetuação da crise política no país; a instabilidade dentro da coalizão do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro; e o aumento do número e intensidade dos protestos, advindos tanto da oposição quanto do apoio ao Governo, que levaram a cerca de 80 mortes nos últimos três meses.

Sem estabilidade política, o país não consegue se concentrar em solucionar a crise econômica, a maior em sua história recente. A S&P’s estima que a queda do PIB per capita venezuelano em termos reais seja de 7,2% em 2017. Na avaliação da dívida, a agência considera que as reservas venezuelanas sejam em torno de 10 bilhões de dólares, com estimativas de pagamentos de juros e amortizações da dívida externa somando 2,8 bilhões de dólares na segunda metade de 2017 e 7 bilhões de dólares em 2018 – isto é, o país praticamente esgotaria suas reservas em 2018. Por sua vez, a Petróleos de Venezuela S.A., estatal venezuelana, está com uma dívida acumulada de 4 bilhões de dólares*.

Ainda que esses dados não sejam oficiais, e sim estimativas da agência, o Governo venezuelano não nega que esteja em uma crise econômica e busca soluções para ela, como empréstimos chineses e russos e a emissão de títulos junto ao banco Goldman Sachs. O não pagamento do débito, porém, não é considerado uma trajetória possível para Maduro, ainda que economistas próximos do Presidente a recomendem. O que está acontecendo nos últimos anos, e principalmente nos últimos meses, é a submissão da economia venezuelana ao pagamento da dívida, um desafio cada vez maior dada a dificuldade crescente em atrair capitais, refletida não só, mas também, nas notas de especulação fornecidas pelas três maiores agências de rating do mundo, a Standard and Poor’s, a Moody’s e a Fitch.

A escassez deixa prateleiras vazias nesta loja venezuelana, 2014

Essa submissão reflete, em certo sentido, uma falta de opções originada nas escolhas de política econômica do antecessor de Maduro, Hugo Chávez. Apesar da gestão de Chávez ter trazido ganhos sociais e econômicas expressivos, eles foram financiados pelo aumento da dívida, tanto interna quanto externa, e pelas rendas do petróleo, que eram 90% das exportações e 40% das rendas governamentais venezuelanas, além da maior fonte de dólares do país. Com os preços do petróleo em ascensão nos anos 2000, essa estratégia era viável. Em um cenário de redução de seus preços, que se tornou expressivo a partir de 2014, a falta de alternativas ao petróleo e a dependência das importações para o funcionamento da sociedade venezuelana –  que compra do exterior 49,4%  dos laticínios, 79,1% das leguminosas e 67,3% da carne consumida internamente –  transformam-se em problemas incontornáveis.

Por um lado, o default, ou calote na dívida externa, significa a perda definitiva da confiança internacional e, devido à dependência venezuelana das importações, uma provável submissão aos órgãos internacionais para adquirir dólares. Tais órgãos condicionarão os empréstimos à Venezuela a medidas de austeridade que vão de encontro ao projeto econômico chavista. Por outro lado, escolher pagar a dívida, controlando as importações para poupar dólares e contraindo dívida futura para pagar a presente, é perpetuar a crise econômica, que tem como consequências não só a literal escassez de comida, mas a perpetuação da crise política. Dessa forma, a ausência de diversificação da economia venezuelana está levando a uma crise econômica, política e social que, se não resolvida a partir de medidas contundentes de Maduro que rompam a trajetória atual da história econômica venezuelana, pode minar o projeto chavista para o país.

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* Em reais, na sequência dos montantes informados, os valores são, aproximadamente: 31,5 bilhões; 8,8 bilhões; 22,1 bilhões e 12,6 bilhões, de acordo com estimativa de 18 de julho de 2017.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Protestos em 2014” (Fonte Bravo Pueblo):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Protestos_na_Venezuela_em_2014%E2%80%932017#/media/File:2014_Venezuelan_Protests_(12F).jpg

Imagem 2Nicolás Maduro, Presidente venezuelano” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicol%C3%A1s_Maduro#/media/File:Nicol%C3%A1s_Maduro_in_meeting_with_Iranian_President_Hassan_Rouhani_in_Saadabad_Palace.jpg

Imagem 3A escassez deixa prateleiras vazias nesta loja venezuelana, 2014” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_na_Venezuela_desde_2013#/media/File:Venezuela_Shortages_2014.png

ECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

PIB da Arábia Saudita cai pela primeira vez desde 2009

A Arábia Saudita registrou no primeiro trimestre de 2017 a primeira retração de seu Produto Interno Bruto (PIB) desde 2009, quando o mundo ainda sofria os efeitos da crise financeira de 2008. Segundo dados oficiais, revelados na última sexta-feira (30 de junho), o PIB saudita encolheu 0,5% entre os meses de janeiro e março de 2017, em comparação com o mesmo período do ano anterior, já ajustada a inflação. Se considerado apenas o setor petrolífero, a contração registrada foi de 2,3%.

Bandeira da OPEP

O mau desempenho apresentado pela economia do Reino Árabe é, em grande parte, fruto da política de diminuição do ritmo de produção de petróleo, adotada com o intuito de pressionar para cima o preço cobrado pelo barril nos mercados internacionais. Esta medida foi tomada em conjunção com os demais membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em novembro de 2016 e prorrogada em maio deste ano (2017). Pelo acordado, foram definidas quotas de redução que cada país membro deve cumprir, ficando a produção total do cartel limitada a 32,5 barris por dia até o final de 2018.

Apesar de surtir um efeito positivo inicial, a política adotada pela OPEP não obteve êxito em manter os preços internacionais da commodity em elevação. O barril do tipo Brent, que era comercializado a US$46 no momento em que a redução da produção foi instaurada, atingindo um pico de US$56 em fevereiro de 2017, hoje é vendido por US$48, pouco acima do valor inicial. Dentre os membros do bloco, a Arábia Saudita é a mais comprometida com a medida e mantém níveis de extração de petróleo aquém dos limites acordados. O efeito deste comprometimento já é sentido na economia sem, contudo, alcançar os objetivos esperados.

Por outro lado, os dados divulgados revelaram que o setor privado não relacionado ao petróleo apresentou crescimento de 0,9% nos três primeiros meses do ano. Ainda que este número não tenha sido suficiente para evitar a queda do PIB, ele mostra que há sinais de desenvolvimento de segmentos da economia saudita não dependentes das reservas minerais do país. No entanto, Riad ainda está longe de conseguir diversificar sua matriz econômica, já que 87% de suas receitas em 2016 provieram da exploração do petróleo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Riad, capital da Arábia Saudita” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ar%C3%A1bia_Saudita#/media/File:Riyadh_North_Skyline_.jpg

Imagem 2Bandeira da OPEP” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_dos_Pa%C3%ADses_Exportadores_de_Petr%C3%B3leo#/media/File:Flag_of_OPEC.svg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICAS

O Clã do Golfo e outros novos Narcos na Colômbia

Com o avanço dos acordos de paz na Colômbia, novos grupos podem ocupar os territórios deixados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), dentre estes está o Clã do Golfo (Clan del Golfo). No twitter do Clã está escrito: “no queremos negociar…queremos seguir traqueteando”. A palavra “traquete” significa em português chocalho, assim traquetear poderia significar chacoalhar.

A Polícia Antinarcóticos promove várias ações contra o Clã, dentre elas a distribuição de panfletos informando o pagamento de recompensa para quem tiver informações sobre seus líderes, esconderijos, armas e narcóticos. Panfletos são jogados de helicópteros ou entregues em barreiras policiais. Atualmente foi divulgado na imprensa brasileira que existe uma associação entre o Clã do Golfo e o grupo brasileiro Primeiro Comando da Capital (PCC). Informam que através desta parceria foi enviada uma grande quantidade de entorpecentes para a Europa, além de outros lugares.

Exército colombiano destrói laboratório para o processamento de cocaína

Em maio de 2017, a Colômbia autorizou bombardeios aéreos contra os Clãs Usuga, Los Pelusos e Los Pontilleros. Estes considerados pelas FARC como grupos paramilitares e classificados pelo Governo como grupos criminosos dedicados ao narcotráfico. Estas ações estão baseadas nas “Diretiva 15”, que permite o uso de toda força disponível do Estado contra os grupos armados, sobretudo os que possuem a maior hostilidade.

Nas redes sociais, está chamando atenção a figura de Jaime Restrepo (autointitulado: El Patriota). Opositor do processo de paz, faz elogios ao ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe. Seu comentário em relação ao atentado no Centro Comercial Andino foi compartilhado no twitter do Clã do Golfo: “eu vejo muito repúdio pelas fotos e sangue das vítimas e aplausos para os algozes das FARC. Essa é a Colômbia!

Exército colombiano erradica 10,2 hectares de cultivos ilícitos na zona rural de Codazzi

O atentado ao Centro Comercial Andino ocorreu no dia 17 de maio de 2017, na véspera do Dia dos Pais. Um artefato explosivo foi colocado no banheiro feminino. Três pessoas morreram e nove ficaram feridas. Jorge Hernando Nieto, diretor da Polícia Nacional afirmou que os suspeitos capturados no último dia 24 de junho de 2017 pertencem ao Movimento Revolucionário do Povo (MARP) que, juntamente com o Clã do Golfo, se opõe ao processo de paz. O MRP fez sua primeira aparição pública em setembro de 2015.

A partir destas informações pode-se perceber que o processo de paz não se encerrará tão facilmente, no entanto, é possível falar em redução de sua intensidade, mas não em seu fim definitivo. Um indicativo disso é a recente aliança entre os ex-presidentes Andrés Pastrana e Álvaro Uribe e sua possível vitória no pleito presidencial de 2018, sobretudo com o desgaste político de Santos e o fim de seu mandato, que poderão impedir o avanço das conversações, por exemplo, com o Exército de Libertação Nacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Exército da Colômbia faz apreensão de drogas” (Fonte):

https://twitter.com/col_ejercito/status/744989465672749056

Imagem 2Exército colombiano destrói laboratório para o processamento de cocaína” (Fonte):

https://twitter.com/COL_EJERCITO/status/880164652436439040

Imagem 3 Exército colombiano erradica 10,2 hectares de cultivos ilícitos na zona rural de Codazzi” (Fonte):

https://twitter.com/COL_EJERCITO/status/879951246609731584

AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

México perde espaço para a China na indústria automobilística

De acordo com o Jornal Reuters, na semana passada (dia 20 de junho), a Ford anunciou que vai realocar a produção do novo modelo Focus de Michigan para à China e não para o México, como havia pré-estabelecido.

A mudança de plano ocorre um mês após a empresa automobilística nomear seu novo Diretor Executivo (CEO, sigla em inglês), Jim Hackett, ex-dirigente da unidade de mobilidade inteligente, responsável pelos projetos de veículos autônomos da Ford.

Diretor Executivo da Ford Motor Company

O objetivo anterior de mudar a produção para o México já havia sido criticado pelo presidente Donald Trump, mesmo que a mudança não impactasse o mercado de trabalho norte-americano, pois a Ford planejava substituir a produção do Focus em Michigan por dois novos veículos.

É interessante destacar que, durante a campanha presidencial, Donald Trump chegou a culpar a China e ao México pela fuga das fábricas estadunidenses do país e ameaçou impor tarifas pesadas aos carros fabricados no território vizinho. Entretanto, após eleito, Trump passou a ser mais moderado em relação ao tema. Os preparativos para a renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, sigla em inglês), que começa em agosto, acabaram reaproximando os dois países.

Contudo, a decisão atual da Ford preocupa a economia mexicana, pois não é o primeiro movimento de recuo dado pela empresa. Em janeiro deste ano (2017) a empresa cancelou a construção de uma montadora avaliada em 1,8 bilhão de dólares no Estado mexicano de San Luis Potosi. Apesar disso, segundo Alfredo Arzola, diretor do cluster automotivo do Estado de Guanajuato, ainda existe uma grande taxa de investimento nas montadoras mexicanas.

Não obstante, o novo plano da Ford preocupa também o representante de comércio dos EUA, Robert Lighthizer, que disse não entender o motivo da mudança. Para Lighthizer, se a mudança for por “razões não econômicas”, o Governo deve agir de alguma forma.

Segundo Philippe Houchois, analista de investimentos no setor automobilístico do Banco Jefferies, a produção mexicana de carros foi favorecida, durante muito tempo, pela baixa qualidade dos veículos produzidos na China, que não alcançavam os padrões globais. Porém este cenário tem se modificado. Na última década, as montadoras mundiais investiram fortemente em fábricas chinesas para torná-las capazes de construir carros com a qualidade dos mercados desenvolvidos, mas, alguns estudos ainda mostram que a fabricação mexicana é competitiva e os líderes empresariais acreditam que as negociações do NAFTA entre o México, os Estados Unidos e o Canadá podem, em última instância, produzir regras regionais que beneficiem o investimento local.

Ford modelo Focus RS 2016

Mesmo assim, a Ford destaca que sua decisão equilibrou seu custo em relação às taxas de mão-de-obra chinesa (mais barata) e o transporte (mais caro), e após uma remodelação já planejada de sua fábrica chinesa, a empresa economizou cerca de 500 milhões de dólares com a mudança. Portanto, aparentemente, foi por razões econômicas.

Em 2016, a Ford vendeu 169.000 veículos Focus, um declínio de 17% comparado ao ano anterior. Tal queda nas vendas pode estar relacionada ao fato de que o Focus atual está um pouco ultrapassado em comparação com seus concorrentes, como Honda Civic, Toyota Corolla e Hyundai Elantra.

Segundo Jacob George, gerente geral da J.D. Power Asia Pacific Operations, apesar da melhora significativa da qualidade dos carros produzidos na China, quando se compara o percentual de qualidade entre China e México, nota-se ainda um atraso de 4 a 6 anos da produção chinesa. Essa é a média de tempo que a nova planta da Ford tardará para iniciar sua produção na China. O início de sua implantação está previsto para meados de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Ford World Headquarters em Dearborn, Michigan, também conhecido como Glass House” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Motor_Company

Imagem 2Diretor Executivo da Ford Motor Company” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_Hackett_(businessman)

Imagem 3Ford modelo Focus RS 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Focus