ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

China e Rússia fecham acordos no valor de 77,5 bilhões de reais

China e Rússia fecharam acordos no valor de 20 bilhões de dólares (77,5 bilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 7 de junho de 2019) para fortalecer os laços econômicos em setores como tecnologia e energia, logo após o encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin, informa o jornal South China Morning Post.

A reunião entre os dois Chefes de Estado ocorreu na quarta-feira (5 de junho de 2019) e marcou a visita de três dias de Xi Jinping ao território russo para as comemorações do 70º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Moscou e Pequim. Durante o encontro, os Presidentes expressaram o desejo de aumentar a cooperação entre os seus países.

Na quinta-feira (10 de junho de 2019), Gao Feng, Porta-Voz do Ministério de Comércio da China, afirmou que os dois países objetivam aumentar o volume de comércio entre si, a fim de alcançar o patamar de 200 bilhões de dólares (775 bilhões de reais, ainda de acordo com a cotação do dia 7 de junho de 2019). No ano passado (2018), houve um aumento de 24,5% no fluxo de comércio bilateral, atingindo o valor recorde de 108 bilhões de dólares (419 bilhões de reais, também segundo a cotação do dia 7 de junho de 2019). Gao apontou que os acordos celebrados abrangem as áreas de energia nuclear, gás natural, automóveis, desenvolvimento de alta tecnologia, comércio eletrônico e comunicações 5G.

Os acordos foram os primeiros resultados concretos oriundos da proximidade entre os dois líderes, que concordaram aprofundar sua parceria estratégica. Putin anunciou durante uma coletiva de imprensa com Xi, na quarta-feira (5 de junho de 2019): “Nós discutimos o estado atual e as perspectivas da cooperação bilateral de forma construtiva e voltada para negócios, e revisamos, de maneira substantiva, importantes questões internacionais, ao mesmo tempo que nos voltamos para a cooperação russo-chinesa em áreas que são realmente importantes para ambos os países”.

O Mandatário chinês reiterou que ambos os Estados vão trabalhar para “construir apoio e assistência mútuas em questões relativas aos nossos principais interesses com o espírito de inovação, cooperação pelo bem da vantagem comum, e promoção de nossas relações na nova era para o benefício de nossas nações e dos povos do mundo”.

Entre os acordos realizados, a Novatek e a Sinopec, as duas principais companhias de gás natural da Rússia e da China, respectivamente, assinaram um acordo preliminar com o Banco estatal russo, Gazprombank, na quarta-feira (5 de junho), para estabelecer uma joint venture para comercializar gás no território chinês. A Novatek também está formando uma parceria com a Corporação Nacional de Petróleo da China e a Corporação Nacional de Petróleo Offshore da China para desenvolver uma usina de gás natural no Ártico. Ambas as empresas chinesas serão detentoras de 10% das ações do projeto.

Uma das sedes da companhia de gás natural, Novatek, em Kostroma, na Rússia

Andrey Denisov, embaixador russo na China, declarou que o país também pretende dobrar as exportações de soja para os chineses, pois, atualmente, a Rússia detém uma pequena proporção da quantidade total de soja comprada por Pequim. Os dois lados também discutiram um investimento de 153 milhões de dólares (593 milhões de reais ainda, segundo a cotação do dia 7 de junho de 2019) para criar uma holding agrícola conjunta em Primorsky, localizada no leste da Rússia.

A companhia chinesa de telecomunicações, Huawei, também fechou um acordo com a empresa russa de telecomunicações MTS, para desenvolver uma rede de 5G. Além disso, a Corporação de Investimentos da China e o fundo soberano russo RDIF também acordaram em criar um fundo conjunto de pesquisa em tecnologia.

Shi Yinhong, professor de Relações Internacionais na Universidade Renmin, da China, disse que os dois lados estão reafirmando a sua colaboração estratégica e diplomática “em uma época de tensões extraordinárias entre Washington e Pequim”. E lembrou: “Embora a cooperação [entre a China e a Rússia] na área de alta tecnologia seja limitada, está garantida no campo puramente militar”.Em setembro de 2018, 300 mil soldados de ambos os países realizaram um exercício militar conjunto na Sibéria oriental, o maior exercício militar na Rússia em quase quatro décadas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da China, Xi Jinping, se encontra com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin (julho de 2018)”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_and_Xi_Jinping,26_july_2018(1).jpg

Imagem 2 Uma das sedes da companhia de gás natural, Novatek, em Kostroma, na Rússia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=novatek&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearchcurrent=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Novatek._Kostroma._May_2014__panoramio.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Congresso americano ameaça impor sanções à construção do gasoduto Nord Stream 2

Atualmente, a Federação Russa é uma das principais parceiras da Europa em relação ao suprimento de gás natural. O Nord Stream é um dos vários dutos que fornecem essa fonte energética ao continente europeu. O seu caminho é pelo Mar Báltico, ele parte de Vyborg, na Rússia, e termina em Greifswald, na Alemanha. Há 2 gasodutos paralelos com 1.222 quilômetros de extensão cada, o que resulta numa capacidade de transporte anual de 55 bilhões de metros cúbicos. Agora, em 2019, está em andamento a construção do Nord Stream 2, que adicionaria mais dois condutos aos que existem, elevando o volume total de carregamento anual para 110 bilhões de metros cúbicos.

Economicamente, esse projeto garantiria que a Europa tivesse acesso a uma quantidade maior de gás natural a um preço mais barato. Entretanto, essa afirmação é contestável. De acordo com uma análise realizada pelo jornal inglês “The Economist”, a prospectiva da demanda europeia por gás natural para os próximos anos não é suficiente para justificar a construção de um novo gasoduto neste momento, principalmente por causa da eficiência energética e a utilização de fontes renováveis de energia.

Localização do Nord Stream

Politicamente, a construção do Nord Stream 2 também trouxe várias controvérsias. A principal é que com esse novo gasoduto a Rússia poderia cortar o fornecimento de gás natural à Ucrânia sem afetar a Europa, o que resultaria num prejuízo de 2 a 3 bilhões de dólares* para o país e isso seria suficiente para que sua economia entrasse numa recessão. Outros Estados também poderiam sofrer cortes no fornecimento por questões político-estratégicas, como a Polônia ou outros países Bálticos.

A partir desse cenário, os senadores norte-americanos Ted Cruz e Jeanne Shaheen apresentaram ao Senado um Projeto de Lei que sancionaria as companhias envolvidas em projetos energéticos russos de construção de dutos em águas profundas. Caso a lei passe, as partes sancionadas não serão permitidas a conseguir licenças de exportação para os EUA e nem conseguirão empréstimos maiores de 10 milhões de dólares** de instituições financeiras americanas. Pelas especificações do Projeto de Lei, a construção do Nord Stream 2 pode ser afetada e, consequentemente, as empresas envolvidas*** na obra.

Os maiores dutos de Gás Natural que partem da Rússia até a Europa

Embora exista essa ameaça, os empresários não acreditam que a lei vá entrar em vigor, que ela seria apenas uma maneira de pressioná-los a não realizarem projetos futuros com a Rússia nesse campo comercial. Richard Nephew, um pesquisador do Centro de Energia Política Global da Universidade de Columbia, nos EUA, declarou que essa lei poderia atrasar a conclusão do gasoduto, mas que é pouco provável que impediria a sua finalização, visto que a Rússia já demonstrou estar disposta a continuar, apesar das controvérsias.

A Alemanha e a Federação Russa já se pronunciaram contra o Projeto de Lei proposto pelos senadores norte-americanos. O Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, afirmou que “as questões de política energética devem ser decididas na Europa e não nos EUA”. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que, ao “invés de uma competição justa com o Nord Stream 2, os EUA preferem atuar na Europa como nos tempos do Velho Oeste. Eles mostraram suas armas e disseram aos europeus que eles comprarão gás americano e não importa que seja pelo menos 30% mais caro do que o gás russo”.

Dessa forma, especialistas apontam que a introdução dessa lei americana pouco afetará a construção do Nord Stream 2. Mesmo que haja controvérsias políticas e econômicas que rodeiam o novo gasoduto, ele provavelmente será concluído e passará a ser utilizado já em 2020. As suas consequências, portanto, só poderão ser confirmadas no próximo ano.

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Nota:

* Aproximadamente, 7,82 e 11,72 bilhões de reais, conforme a cotação de 4 de junho de 2019.

** Em torno de 39,08 milhões de reais, também de acordo com a mesma cotação de 4 de junho de 2019.

*** As empresas que podem sofrer sanções são: Allseas, da Suíça; Anglo-Dutch Shell e OMV, da Áustria; Engie, da França; Saipem, da Itália; e Uniper e Wintershall, da Alemanha.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Capitólio dos Estados Unidos, prédio que serve como centro legislativo do governo dos EUA” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a3/United_States_Capitol_west_front_edit2.jpg/800px-United_States_Capitol_west_front_edit2.jpg

Imagem 2Localização do Nord Stream” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/58/Nordstream.png/220px-Nordstream.png

Imagem 3Os maiores dutos de Gás Natural que partem da Rússia até a Europa” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Major_russian_gas_pipelines_to_europe.png

América do NorteÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Destinos americanos se esforçam para atrair turistas chineses novamente

O número de turistas chineses nos Estados Unidos da América (EUA) caiu pela primeira vez em 15 anos, depois de uma década de rápido crescimento. As viagens da China para os EUA caíram 5,7% em 2018, de acordo com o Escritório Nacional de Turismo e Viagens dos Estados Unidos. Foi a primeira vez, desde 2003, que as idas de chineses para lá foram menores do que no ano anterior, informa o jornal South China Morning Post.

Como a China é um dos países que mais enviam turistas ao território norte-americano, qualquer queda já é sentida pelos destinos turísticos, que possuem grande dependência em relação aos gastos dos visitantes chineses. Em 2017, o Estado asiático figurou como o quinto maior país de origem de turistas para os Estados Unidos, logo atrás do Canadá, México, Reino Unido e Japão. O gasto desse segmento de chineses aproximou-se da quantia de 18,9 bilhões de dólares (aproximadamente 74,2 bilhões de reais, conforme a cotação de 31 de maio de 2019) entre 2008 e 2016. Em 2017, caiu 1%, para 18,8 bilhões de dólares (em torno de 73,8 bilhões de reais, ainda conforme a cotação de 31 de maio de 2019).

Em 2000, 249.000 chineses visitaram o Estado norte-americano. O número triplicou para 802.000 visitantes, no período até 2010, e triplicou novamente no período até 2015. Isso ocorreu, em parte, devido à renda maior dos cidadãos chineses, melhores conexões para voos de longo-curso e afrouxamento das regras para a obtenção de visto de turista nos EUA. A nação americana recebeu mais de 3 milhões de chineses nos anos de 2016 e 2017. Contudo, o número cresceu apenas 4% em 2017, a taxa mais lenta em mais de uma década.

No verão de 2018, a China lançou um aviso de viagem em relação aos EUA, alertando seus cidadãos sobre os altos custos de cuidados médicos no país e para tomarem cuidado com tiroteios e roubos. Os norte-americanos posteriormente retaliaram com seu próprio alerta sobre viagens à China.

Outra razão para a queda do número de visitantes chineses em território estadunidense é a incerteza econômica na China, que faz com que muitos dos viajantes de menor poder aquisitivo prefiram passar férias em locais próximos de casa, afirma Wolfgang Georg Arlt, diretor do Instituto de Pesquisa de Turismo Internacional Chinês. Um estudo do instituto demonstrou que 56% dos turistas que saíram de seu país nos últimos três meses de 2018 foram para Hong Kong, Macau ou Taiwan, comparado a 50% em 2017. Além disso, os que viajam para locais distantes estão optando por destinos mais exóticos para eles, como a Croácia, o Marrocos e o Nepal.

Larry Yu, professor de gerenciamento de hospitalidade na Universidade George Washington, aponta que os turistas chineses, particularmente os mais jovens, estão cada vez mais planejando viagens usando aplicativos de mídias sociais, como o WeChat, e são menos propensos a viajar com grupos de excursão. Eles também adotaram os sistemas de pagamento que utilizam smartphones, como o Alipay. David Becker, ex-presidente da consultoria Attract China, de Nova York, indica que os destinos dos EUA precisam investir nessas novas tecnologias se quiserem continuar a atrair os turistas chineses.

Vista da cidade Washington, D.C., capital dos EUA

Em 2017, Washington tornou-se a primeira cidade norte-americana a lançar um guia interativo para o WeChat. Os visitantes do país asiático podem usá-lo para acessar rotas para as atrações, acessar guias de viagem em mandarim e encontrar restaurantes e lojas. A capital americana também lançou um programa chamado “Bem-Vinda China”, que ensina hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais sobre costumes chineses e os encoraja a oferecer amenidades, como cardápios em língua chinesa e pantufas para serem usadas nos quartos. Até o momento, 44 hotéis e restaurantes participaram do programa.

A maioria dos analistas da indústria de turismo avalia que a queda de visitantes da China nos EUA será temporária, porque a classe média daquele país continua a expandir. O governo americano prevê que o turismo chinês vai crescer 2% em 2019 e atingir a marca de 3,3 milhões de visitantes. Estima-se que alcançará o número de 4,1 milhões de visitantes em 2023.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista da Estátua da Liberdade, em Nova York, EUA”(Fonte): https://www.pexels.com/photo/statue-of-liberty-670530/

Imagem 2 Vista da cidade Washington, D.C., capital dos EUA” (Fonte): https://www.pexels.com/photo/washington-monument-usa-739047/

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Cabo Verde: convergência entre biodiversidade e turismo

Comemorada anualmente no dia 22 de maio, o dia mundial da biodiversidade marca a conscientização da importância da preservação do patrimônio natural e das suas diferentes formas de vida. Esta questão se relaciona também com os rumos do desenvolvimento dos Estados e do legado a ser deixado para as futuras gerações, uma vez que a degradação ambiental, de forma ampla, impacta o ecossistema e as condições de vida das populações no mundo.

A dualidade em manter o desenvolvimento tendo em perspectiva a preservação da biodiversidade está presente nas pautas de Cabo Verde, principalmente no tocante ao ecoturismo e seus impactos. Neste sentido, o Diretor Nacional do Ambiente, Alexandre Nevsky destacou a necessidade de o Estado estabelecer uma estrutura mais complexa na regulamentação do setor turístico, especificamente nas zonas costeiras. Para tanto, a sugestão feita pelo Diretor é planificar como deve ocorrer a integração do turismo com a proteção do ecossistema.

Vista aérea de Praia, Cabo Verde

De modo complementar, o arquipélago enfrenta a ameaça de espécies da fauna e flora naturais das ilhas, em razão da expansão das zonas urbanas, em detrimento do limitado espaço geográfico insular. Por conseguinte, a proteção das áreas de preservação consequentemente se conecta com a necessidade em planificar a atuação do setor turístico e a mensuração do impacto desta atividade econômica.

Como aponta o V Relatório Nacional sobre o estado da Biodiversidade em Cabo Verde, desenvolvido pela Direção Nacional do Ambiente, os principais fatores que comprometem o ecossistema das ilhas são a atuação humana de forma direta e indireta. No espaço marítimo, as atividades econômicas tais como a pesca, portos, turismo, atividades desportivas e lazer contribuem com os riscos ambientais.

Importante observar que, da mesma maneira em que há o avanço da criação de Áreas de Proteção, o crescimento da criação de reservas se deu por meio do estabelecimento da Rede Nacional de espaços protegidos, em 2003. Durante o período de 2009 a 2014 foram implantadas 23 áreas de proteção, contemplando o espaço terrestre, marítimo e costeiro.

Imagem aérea do Parque Natural de Monte Verde, na Ilha de São Vicente em Cabo Verde

Ainda no âmbito das iniciativas internas, em 2014 foi estabelecida a Segunda Estratégia Nacional e Plano de Ação sobre a Biodiversidade, contemplando o intervalo temporal de 2014-2030. Possuindo como meta principal o planejamento, objetiva-se a recuperação, preservação e valorização da biodiversidade cabo-verdiana, aliada ao desenvolvimento do país e de seus cidadãos. A Estratégia ainda pauta prioridades relacionadas à integração da sociedade na temática ambiental; a redução das ameaças ao ecossistema; e a criação de fundos para monitoramento da biodiversidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cabo Verde” (Fonte): https://maisturismo.org/wp-content/uploads/2014/07/caboverde4.jpg

Imagem 2Vista aérea de Praia, Cabo Verde” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Praia_(Cabo_Verde)#/media/File:Praia_aerial.jpg

Imagem 3 Imagem aérea do Parque Natural de Monte Verde, na Ilha de São Vicente em Cabo Verde” (Fonte): https://www.guiadecaboverde.cv/wp-content/uploads/2016/10/monte-verde.jpg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador abre concorrência internacional para corredor ferroviário costeiro

O Ministério de Transportes e Obras Públicas (MTOP) do Equador lançou, em 10 de maio de 2019, uma concorrência internacional para a concessão do corredor ferroviário costeiro Daule-Posorja. O objeto do certame é o desenho, a construção, exploração e transferência do trecho de 115 km entre as cidades de Daule e Posorja, na Província* de Guayas, que constitui a primeira etapa do projeto denominado Tren Playero (Trem Praieiro).

A obra demandará investimentos de 370 milhões de dólares (cerca de 1,48 bilhão de reais ao câmbio de 16 de maio de 2019) para a construção e vai gerar cerca de 1.000 empregos diretos nesta fase, mais 2.000 empregos nas fases de operação e manutenção, segundo Aurelio Hidalgo, titular do MTOP. O Tren Playero, depois de completo, se estenderá pelo litoral da Província* de Santa Elena até a cidade de Manta, na Província* de Manabí, totalizando 400km.

Um dos objetivos da ferrovia é fazer circular a produção de bens da região, inclusive por escoamento pelo Porto de Posorja, cuja construção deverá estar concluída ainda em 2019. O 1º porto de águas profundas do Equador  terá 16 metros de profundidade, com enorme capacidade de movimentação de cargas, pois permitirá o acesso de embarcações de maior calado operacional (fundura máxima do casco do navio carregado).

Banner da convocatória do Tren Playero

Além disso, o governo deseja fomentar a circulação de passageiros e o turismo nas regiões servidas pelo trem praieiro. O Equador conta com uma malha ferroviária bastante modesta, tanto para carga quanto passageiros, mas dispõe de um trem turístico que faz sucesso. O Tren Crucero (Trem Cruzeiro), que transporta mais de 115 mil turistas/ano nos seus 6 roteiros, recebeu em final de 2018, pelo quinto ano consecutivo, o Prêmio de Melhor Trem de Luxo da América do Sul, concedido pelo World Travel Awards, considerado o Oscar do Turismo.

O Ministério de Transporte e Obras Públicas espera receber propostas até 16 de agosto e contratar a empresa vencedora em 9 de novembro de 2019.  As informações para as empresas candidatas à concorrência estão disponibilizadas em link específico no site do MTOP. Contando a fase de planejamento, iniciada em 15 de outubro de 2018, o Ministro estima que esta primeira etapa possa ser entregue em 26 meses e que as 2 etapas seguintes, que totalizarão os 400k até Manta, sejam concluídas em mais um ano.

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Nota:

Províncias são divisões político-administrativas do território do Equador, similares aos Estados no Brasil. Dentre as 24 Províncias 5 são costeiras: as citadas Guayas, Manabí e Santa Elena, além de Esmeraldas e El Oro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ministro Hidalgo e presidente Moreno no lançamento da concorrência do Tren Playero” (Fonte): https://www.obraspublicas.gob.ec/wp-content/uploads/2019/05/Presidente-Lenin-Moreno-y-ministro-Aurelio-Hidalgo-en-el-lanzamiento-del-Tren-Playero-Daule-Posorja..jpg

Imagem 2 Banner da convocatória do Tren Playero” (Fonte): https://www.obraspublicas.gob.ec/wp-content/uploads/2019/05/BANNER_Tren_Playero_MTOP_SLIDE_3.png

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China foca na geração de empregos com continuação da guerra comercial

O Primeiro-Ministro chinês, Li Keqiang, jurou mobilizar todos os recursos disponíveis para criar empregos e estabilizar o mercado de trabalho, à medida que a guerra comercial entre Washington e Pequim ameaça impactar a economia chinesa, informa o jornal South China Morning Post.

Presidindo uma conferência nacional sobre emprego em Pequim, na segunda-feira retrasada (13 de maio), Li pediu que os oficiais do Partido Comunista da China, em todos os níveis, priorizem a criação de empregos. O Primeiro-Ministro disse que se deve dar primazia aos recém-graduados, aos militares desmobilizados e aos trabalhadores imigrantes: todos aqueles que enfrentam desafios no mercado de trabalho. Li explicou: “Apoiar o emprego e o empreendedorismo, especialmente dos graduados nas universidades, é uma garantia importante para alcançar o desenvolvimento saudável da economia, melhorando a vida do povo, bem como garantindo a estabilidade social”.

O pedido de Li ocorre logo após o seu aviso no Congresso Nacional do Povo, que ocorreu em março, sobre o fato de que a China enfrenta uma séria situação de desemprego neste ano, com 15 milhões de desempregados. Ele afirmou que espera que, em 2019, o governo consiga criar 13 milhões de novas ocupações, o mesmo número alcançado em 2018.

Li Keqiang, Primeiro-Ministro da China

Na sexta-feira (10 de abril), os Estados Unidos aumentaram as tarifas de 10% para 25% sobre produtos chineses, avaliados em 200 bilhões de dólares (aproximadamente 819,8 bilhões de reais, conforme a cotação de 17 de maio de 2019), depois de meses sem novas tarifas entre os dois países.         

O especialista em relações internacionais, Shen Dingli, de Xangai, observa que a questão do emprego é crucial para a China, em meio à guerra comercial com os Estados Unidos. Shen aponta: “No ano passado, testemunhamos o fechamento de 6 milhões de fábricas [na China] e isso, inevitavelmente, levou a um certo grau de desemprego. Contudo, nós também assistimos à abertura de 13 mil fábricas por dia, gerando 5 milhões de novas indústrias. Então, as nossas perdas globais foram limitadas”.

Gao Lingyun, especialista em economia e política internacional da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que além de estabilizar o mercado de trabalho, Pequim está se preparando para apoiar outros setores. Gao afirmou que o governo poderia ajudar áreas como o mercado financeiro e as pequenas e médias empresas a enfrentar a guerra comercial por meio da eliminação de impostos, oferecendo empréstimos baratos e descontos fiscais para os exportadores. O especialista relembrou: “Nós vamos continuar a incentivar o investimento estrangeiro, particularmente no setor de alta tecnologia”.

Gao também indicou que a China está bem preparada para responder aos aumentos tarifários impostos pelos Estados Unidos. “Por exemplo, os aumentos tarifários da China estão sob diferentes taxas tarifárias a fim de evitar um impacto generalizado sobre as importações e nós também permitimos que as empresas se candidatem a isenções [de tarifas]”, declarou. E procurou reiterar: “Apesar de nós querermos resolver a questão comercial por meio de negociações, isso não significa que nós temos que aceitar os acordos ditados pelos Estados Unidos. A presidência americana muda a cada quatro ou oito anos… O tempo está do lado da China”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Operários em fábrica de eletrônicos em Wuxi, China”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=china+factory&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=70yl4lbq1f3x3cgxnwl4dbqzz#%2Fmedia%2FFile%3ASeagate_Wuxi_China_Factory_Tour.jpg

Imagem 2 Li Keqiang, PrimeiroMinistro da China” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=li+keqiang&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Li_Keqiang-19052015.png