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Proposta de livre-comércio entre Sérvia e União Econômica Eurasiana será protocolada

Em 1º de junho, logo após o anúncio das intenções da União Econômica Eurasiana (UEE) em firmar um Acordo de Livre-Comércio com o país, o ministro do Comércio, Turismo e Telecomunicações da Sérvia, Rasim Ljalic, afirmou que esperava as negociações, mas as trataria com cautela.

Atualmente, membros da União Econômica Eurasiana – Belarus, Cazaquistão, a Federação Russa, Armênia e Quirguistão – têm, separadamente, Acordos de Livre-Comércio com a Sérvia (com exceção dos dois últimos). A intenção da UEE em formalizar uma parceria institucional se daria com moldes similares aos acordos formados com o Vietnã e a negociação com Israel.

A Sérvia se encontra em um momento em que as negociações de entrada na União Europeia estão estancadas. As aspirações que o país tem de entrar no grande bloco europeu ficam à mercê dos futuros rumos que a UE terá, após a votação no Reino Unido sobre a sua saída da União Europeia (Brexit). A política de alargamento, a qual países como Turquia, Macedônia, Albânia, Kosovo, Sérvia e Bósnia-Herzegovina se encaixariam, poderia estar por vias de estagnação, levando em consideração a possível saída britânica.

Movimentos de associação com blocos, em que a Rússia é o maior player, poderiam, além do fator do Brexit, agravar a situação sérvia com a sua possível entrada no Bloco Europeu. Por uma outra via, a Albânia também propôs uma Zona de Livre-Comércio dos Bálcãs, com proposta a ser oficializada nos próximos meses.

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Imagem (Fonte):

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ÁFRICAAGÊNCIAS DE COOPERAÇÃOCOOPERAÇÃO INTERNACIONALECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Governo angolano anuncia programa de reparo de sua malha rodoviária

Historicamente deteriorada, devido aos conflitos da guerra civil, a malha rodoviária de Angola será alvo de investimentos governamentais, como anunciou o Governo angolano na semana passada. O Fundo Rodoviário terá como objetivo principal gerenciar e reformar importantes estradas, totalizando, aproximadamente, 12 mil quilômetros sob administração do Fundo.

As estradas boas e razoáveis estão sob responsabilidade do Fundo Rodoviário de Angola. Quando as estradas alcançam determinado grau de degradação, como as que foram classificadas como mal e péssimas, saem do programa de conservação e manutenção e passam para a reconstrução, sob responsabilidades do Instituto de Estradas de Angola”, afirmou Guido Waldemar da Silva, presidente do Conselho de Administração do Fundo Rodoviário.

A infraestrutura precária é, atualmente, um grande entrave ao desenvolvimento econômico e social não só de Angola, mas do mundo emergente. Uma das principais consequências de uma infraestrutura precária é o alto custo logístico, que acaba sendo repassado ao preço final dos produtos. O encarecimento dos mesmos aparece como significativo entrave ao aumento da participação dos países emergentes no comércio internacional, forçando-os a concentrarem-se meramente na exploração de recursos naturais e exportação de produtos primários.

No caso angolano, a infraestrutura precária, não somente em termos de transporte, mas também em serviços públicos como eletricidade, água e saneamento básico, se fez visível ao longo deste ano (2016) com a pior epidemia de febre amarela dos últimos 30 anos no país. O acúmulo de água e esgoto a céu aberto colaboraram para a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, representando, hoje, uma importante questão de saúde pública.

Não à toa, Angola foi alvo nos últimos anos de tentativas de auxílio financeiro e programas de expansão da infraestrutura local por parte de organizações bilaterais e multilaterais. Em maio de 2014, quatro meses após o país haver selado um acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento para o apoio ao desenvolvimento do setor elétrico nacional, o Banco Mundial ofereceu um programa de aproximadamente 1 bilhão de dólares para expansão da malha rodoviária do país e da infraestrutura agrícola.

A reforma de setores como eletricidade, rodovia e saneamento básico aparecem como reformas básicas, claramente necessárias para sustentar o crescimento econômico do país nos próximos anos. Questões relacionadas à infraestrutura deixam claro que o desenvolvimento econômico e social de uma nação vai além de expressivas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), mas passa, primeiramente, pela reforma da ordem social vigente.

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Imagem (FonteWikimedia Commons):

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ECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Desemprego uma questão global

Jamais na história da humanidade houve um número tão elevado de jovens formados e preparados para assumir o desafio do mercado global em todos os países. Ainda assim, o desemprego é um problema crescente em diversos locais do planeta e ameaça o crescimento da economia mundial, assim como a manutenção dos Estados em todos os continentes.

A globalização promoveu a internacionalização do sistema produtivo, reduzindo custos na produção, mas gerando enormes assimetrias no mercado laboral. A concentração da população e o êxodo rural das ultimas décadas – principalmente em países emergentes – e outros efeitos, tais como a integração regional, a internacionalização das empresas, a financeirização e as migrações, desestabilizaram o mercado de trabalho gerando ilhas de empregos e continentes de desemprego.

A economia do novo milênio se caracteriza pela concentração do mercado em grupos de empresas nacionais e multinacionais cuja necessidade administrativa é cada vez mais centralizada nas chamadas capitais financeiras, frente às operações que são cada vez mais expandidas, gerando a necessidade localizada de mão de obra altamente qualificada nas regiões onde se localizam as matrizes e, por outro lado, à demanda por mão de obra barata da qual se alimenta o sistema produtivo dessas empresas.

Hoje, o desemprego não se concentra apenas em países pouco desenvolvidos, mas é também uma realidade de países desenvolvidos localizados na periferia das grandes potências, tais como Espanha, Itália, Portugal etc. Assim como nos países emergentes, cujas economias oscilam entre a formação de novos polos financeiros e a existência de um vasto mercado produtivo de baixa remuneração.

Fatores sociais e demográficos além dos produtivos e econômicos também explicam o desequilíbrio do mercado de emprego, já que o crescimento econômicos dos países está fortemente ligado a mudanças sociais e demográficas que redesenham o panorama laboral das nações, sendo a integração no mercado de consumo uma forma estendida pela própria globalização como fator de sucesso e mobilização social, o problema que se deriva dessa movimentação é que a mão de obra barata é cada vez mais escassa e concentrada em países que possuem bônus demográfico.

O trabalhador do mundo atual deve enfrentar não somente as forças que moldam o mercado laboral local, como também a influência do mercado externo, já que a concorrência é cada vez mais globalizada e o avanço das telecomunicações acelera esse processo. Atualmente, um trabalhador localizado em Nova York pode ser responsável financeiro de diversas regiões do planeta sem sair do seu escritório em Manhatan.

As constantes mudanças no mercado financeiro global e no panorama político internacional e seu impacto nas atividades das empresas geram também ciclos de desemprego, pois uma multinacional que detecta problemas para produzir em um determinado país pode encerrar suas operações e concentrar suas atividades em outro país vizinhos, mantendo, assim, sua lucratividade e sua produção. Infelizmente, o trabalhador já não possui a mesma flexibilidade e a circulação de profissionais em escala global ainda é muito reduzida e só atinge setores com elevada especialização.

A baixa mobilidade formal dos recursos humanos promove ciclos migratórios que muitas vezes geram a precarização do trabalho nos países receptivos, obrigando o Estado a intervir mediante leis que protegem o mercado de trabalho e as regras para a migração, o que gera novas barreiras e dificulta mais ainda a transferência de profissionais.

A OIT (Organização Internacional de Trabalho) alertou em seu último informe sobre o aumento do desemprego em praticamente todas as regiões do planeta, ainda assim, a discussão das causas que geram o desemprego e as possíveis soluções ainda são discutidas em âmbito doméstico, sendo talvez o momento de começar a discutir o desemprego de forma internacional, já que as atividades financeiras e produtivas já foram há muito tempo globalizadas.

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Imagem (Fonte):

http://www.five365.com/wp-content/uploads/2014/01/aumenta-el-desempleo-mundial.jpg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Governo angolano anuncia reestruturação de principal empresa estatal de petróleo

Em Angola, a semana passada foi marcada por uma completa e final reestruturação dos principais cargos administrativos da Sonangol, empresa estatal do setor de hidrocarbonetos. Entre as principais medidas de remodelação anunciadas pelo presidente José Eduardo dos Santos está a nomeação de sua filha, Isabel dos Santos, ao cargo de Presidente do Conselho Administrativo.

Anunciada na última sexta-feira, dia 3 de junho, como a nova Presidente do Conselho da Sonangol, Isabel dos Santos apontou as principais medidas a serem trabalhadas nessa nova gestão, tendo em vista a atual complicação fiscal que enfrenta o Governo angolano, face à abrupta queda no preço internacional do petróleo. Afirmou: “A preocupação com a redução de custos, bem como o aumento dos lucros e da competitividade, são, hoje, prioridades estratégicas obrigatórias (…). Temos, como empresa, que nos comprometer com uma cultura de fazer mais com menos e de nos focarmos na excelência e em resultados”.

Junto com a sua indicação, o presidente José Eduardo dos Santos também anunciou a exoneração de ampla maioria do Conselho antigo, reestruturando quase por completo os altos cargos administrativos da companhia. Segundo o Governo, tal medida faz parte de um plano global de reestruturação da Sonangol, iniciado em maio, quando o novo regimento definiu que caberá à empresa somente a gestão e controle dos contratos, terceirizando atividades como a pesquisa, a produção e a exploração de petróleo.

No entanto, um grupo de juristas de Luanda tenta barrar a nomeação de Isabel dos Santos ao cargo apontado. Além das acusações relacionadas ao nepotismo exercido pelo Presidente angolano, o grupo afirma que a indicação fere a Lei de Probidade Pública, promulgada em 2010, a qual dispõe das regras gerais para o cumprimento de funções públicas.

A reestruturação da Sonangol coincidiu com a visita de uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Angola. Segundo os veículos de imprensa locais, o encontro entre agentes do Governo e a missão do FMI teve como objetivo negociar um programa de crédito para apoiar a diversificação e complexificação da economia do país, com vistas a reduzir a dependência da exploração de hidrocarbonetos.

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Imagem (FonteCommons Wikimedia):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:SONANGOL_KIZUMBA_at_Teesport_-_geograph.org.uk_-_1133305.jpg

ÁFRICAÁSIAECONOMIA INTERNACIONAL

Em meio às turbulências internas, Nyusi sela acordo estratégico com a China

Em sua mais recente viagem à China, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, selou um Acordo de Parceria Estratégia Global com o presidente chinês Xi Jinping. O Acordo traz uma série de pontos relacionados ao investimento estrangeiro chinês no país, à diplomacia e à cooperação técnica para o desenvolvimento social.

Um dos principais pontos é a previsão de transferência de uma série de indústrias chinesas para Moçambique, nos próximos anos. Não se sabe ao certo quais indústrias e de quais setores seriam aquelas que migrariam para o país africano, uma vez que a nota oficial sobre o encontro apenas afirmou que se trata de indústrias que “a China pretende eliminar, na sequência da reestruturação de sua economia”. Conforme afirmou o Presidente chinês: “A China está pronta para aprofundar e ampliar a cooperação amigável e recíproca com Moçambique em diversas áreas no âmbito dos dez principais planos para a cooperação China-África, para melhor beneficiar os povos dos dois países”.

Para Nyusi, o Acordo aparece como oportunidade de capitalizar a sua imagem política em Moçambique, pois ele gradativamente perde popularidade entre a sua população e também desgaste no cenário internacional, principalmente na Europa e nos Estados Unidos.

Os recentes escândalos relacionados às dividas de aproximadamente 1,4 bilhão de dólares, ocultadas da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), companhia estatal, diminuiu o prestígio de Moçambique entre os investidores externos. Soma-se ainda que a recente desvalorização abrupta do metical, moeda nacional, trouxe consideráveis pressões inflacionárias à economia do país.

Outro indicador que veio à tona na semana passada e que tende a reduzir a popularidade de Nyusi é a taxa trimestral de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo os dados oficiais recém divulgados, a economia moçambicana cresceu 5,3% no primeiro trimestre de 2016, 0,8% a menos, se comparado ao trimestre anterior. Além disso, no dia 18 de maio, a taxa de juros exigida pela dívida moçambicana bateu o recorde histórico, atingindo um total de 17,41% ao ano, o que demonstra que medidas de curto prazo devem também ser tomadas pelo Governo moçambicano, com o intuito de evitar uma futura recessão econômica.

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Imagem (Fonte – Xinhuanet):

http://news.xinhuanet.com/english/2015-12/04/c_134882790.htm

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Descobrimento de novas reservas de hidrocarbonetos anima Governo angolano

A atual queda do preço internacional do petróleo trouxe expressivos impactos negativos às contas do Estado angolano. A dependência da commodityem 2015, o petróleo representou 95% da pauta de exportação do país – demandou cortes orçamentários nos últimos anos, principalmente em setores como a educação e a saúde.

Não à toa, organizações internacionais vêm alertando para os riscos de uma crise fiscal no país, bem como aumento dos conflitos entre o Estado e a Sociedade Civil, tendo em vista o corte orçamentário em setores sociais. Em junho do ano passado (2015), o Banco Mundial concedeu um empréstimo de 450 milhões de dólares ao Governo angolano, tendo em vista auxiliar na reforma orçamentária perante a queda nos preços do petróleo.

Com tal cenário como pano de fundo, o Governo angolano e a Sonangol, empresa estatal de exploração de hidrocarbonetos, animaram-se com a recente descoberta de novos campos offshore de petróleo e gás natural. No mês passado, a Sonangol anunciou a descoberta de um enorme campo com capacidade de produção estimada em 2 milhões de barris de petróleo por dia. Se a estimativa estiver correta, a produção de Angola duplicaria, uma vez que o país, em 2015, produziu uma média de 1,76 milhão de barris ao dia.

Já na semana passada, a empresa estadunidense Cobalt anunciou a descoberta de novas reservas de gás natural no campo Zalophus #1. Atualmente, o campo é administrado de maneira partilhada, onde a Cobalt possui 40% da exploração, 30% pertence a Sonangol e 30% a British Petroleum.

No entanto, não se sabe ainda quão rentável podem ser tais reservas. Localizadas no pré-sal, a exploração de ambas seria um processo extremamente custoso, demandando alta tecnologia para tanto. Somado com o baixo preço do petróleo no mercado internacional, há alta probabilidade de que sua exploração não seja uma atividade financeiramente viável. A Cobalt, por exemplo, anunciou no começo deste ano (2016) que suas operações em Angola obtiveram um prejuízo de 30,8 milhões de dólares, no seu primeiro trimestre.

Esta conjuntura evidencia os riscos macroeconômicos de pautar a economia nacional na exploração de hidrocarbonetos. Flutuações dos preços internacionais afetam os balanços fiscais de governos como o de Angola, prejudicando a oferta dos principais serviços públicos, como saúde e educação. A consequência direta destas crises fiscais, por sua vez, é sentida diretamente na população mais vulnerável, a qual depende dos serviços públicos para educar-se e para tratamento individual. Soma-se a isso que não só em termos econômicos a diversificação da economia angolana deve ser defendida, mas também em termos ambientais.

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ImagemCentral Africa Business” (Fonte):

http://centralafricanbusiness.net/sector/oil-gas/bmi-on-oil-and-gas-sector-in-angola-congo-and-equatorial-guinea/