AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Artesãos equatorianos receberão suporte de academia italiana de moda

O Governo do Equador anunciou que a italiana Accademia Costume & Moda assumiu o compromisso de oferecer suporte técnico ao projeto equatoriano “Artesano – Artista”. O anúncio se deu em 9 de julho de 2019, durante viagem à Europa (Itália, França e Holanda) empreendida pelo presidente Lenín Moreno.

Em paralelo à agenda presidencial que compôs o giro europeu, a Primeira Dama, Rocío Moreno visitou a conceituada casa de moda para fechar um acordo de cooperação. O projeto prevê que artesãos do Equador poderão ir a Roma receber treinamento e técnicos da Accademia irão ministrar cursos no país andino. Além disso, os italianos irão conectar os equatorianos com grandes operadores de moda.

A Accademia de Costume & Moda é um importante centro italiano, baseado em Roma, com 50 anos de existência e que oferece cursos reconhecidos pelo Ministério de Educação, Universidade e Pesquisa da Itália. O Projeto Artesano – Artista, criado pelo Presidente do Equador e pela Primeira Dama, em 2017, tem investido na valorização de técnicas artesanais como: a filigrana; as macanas (xales) feitos pelo processo ikat;  e a tecelagem do Chapéu Panamá, reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Banner da Convocatória ‘Artesano – Artista

Outra iniciativa do Governo é a alocação de um espaço nos exteriores do Palácio de Carondelet (presidencial) para exposição e comercialização de produtos artesanais. Os interessados tiveram a oportunidade de se inscreverem, até 30 de junho de 2019, por meio do Portal da Presidência, conforme termos da Convocatória 2019. O período de exposição para aprovados vai de julho a dezembro de 2019, podendo haver novas convocatórias, se necessário.

A primeira dama Rocío de Moreno afirmou acreditar que o espaço permitirá que a sociedade conheça, valorize e adquira as peças do artesãos. Quanto ao acordo com a Accademia Costume & Moda, manifestou sua felicidade com a oportunidade de um intercâmbio de inovação e criatividade com vistas a fortalecer o trabalho dos artesãos equatorianos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Visita de Rocío Moreno à Accademia Costume & Moda” (Fonte): https://www.todaunavida.gob.ec/wp-content/uploads/2019/07/WhatsApp-Image-2019-07-09-at-16.33.26.jpeg

Imagem 2 Banner da Convocatória Artesano Artista” (Fonte): https://www.presidencia.gob.ec/wp-content/uploads/2019/07/Banner-web_ok.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

CEPAL defende espaço econômico compartilhado entre México e países da América Central

Durante o mês de junho (2019), a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) defendeu a necessidade de concepção de um espaço econômico compartilhado entre o México e países da América Central, especificamente, El Salvador, Guatemala e Honduras. Na visão da Comissão, o foco do referido espaço deveria ser ampliado para abranger questões de segurança humana, incluindo acesso a emprego, educação, proteção social e aos meios de subsistência.

Em média, nos países do norte da América Central, a desigualdade social faz com que os 10% mais ricos possuam rendimentos até 70 vezes maiores que os 10% mais pobres. Na sub-região, em torno de 362 mil jovens buscam ingressar no mercado de trabalho anualmente, porém, apenas 127 mil novos postos de trabalho são abertos.

Da direita para a esquerdaMarcelo Ebrard, Secretário de Relações Exteriores do México; Andrés Manuel López Obrador,Presidente do MéxicoAlicia BárcenaSecretáriaExecutiva da CEPAL; e Maximiliano ReyesSubsecretário para a América Latina e o Caribe do México

Também, o objetivo é garantir que a migração seja uma alternativa e não a única opção para que os centro-americanos possam desenvolver suas capacidades e expectativas de vida. Para isso, a CEPAL realizará um Plano de Desenvolvimento Integral a partir de um diagnóstico da região e recomendações pontuais para avançar rumo ao enfrentamento e superação dos desafios populacionais.

O Plano está estruturado em quatro eixos programáticos acordados pelos quatro países: desenvolvimento econômico; bem-estar social; sustentabilidade ambiental e gestão de riscos; e gestão integral do ciclo migratório com segurança humana.

Por fim, busca-se o reforço na demanda de integração dos quatro países no comércio, energia e logística. Além disso, deverá se gerenciar conjuntamente os riscos e respostas aos desastres e à mudança climática em prol da Agenda 2030.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Migrantes almoçam em abrigo na Guatemaladepois de serem deportados do México” (Fonte – FotoUNICEF/Daniele Volpe): https://nacoesunidas.org/cepal-defende-espaco-economico-compartilhado-entre-mexico-e-paises-do-norte-da-america-central/

Imagem 2 “Da direita para a esquerdaMarcelo Ebrard, Secretário de Relações Exteriores do México; Andrés Manuel López Obrador,Presidente do MéxicoAlicia BárcenaSecretáriaExecutiva da CEPAL; e Maximiliano ReyesSubsecretário para a América Latina e o Caribe do México” (Fonte – FotoCEPAL): https://www.cepal.org/pt-br/comunicados/o-direito-desenvolvimento-lugar-origem-solucao-que-migracao-seja-opcao-nao-obrigacao

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Ingresso dos PALOP à Zona de Livre Comércio da União Africana

Criada em 2002, sucedendo à Organização da Unidade Africana, a União Africana é uma Instituição Internacional multilateral para a integração continental e promoção da Cooperação. Valendo-se de princípios constitutivos como a solidariedade e integração entre os Estados, a Democracia e respeito às Instituições, e a viabilização da construção de um espaço pacífico e estável, a Organização também engloba as perspectivas econômicas.

Em virtude disto, foi desenvolvida a Zona de Livre Comércio da União Africana, considerando a integração econômica sustentável e inserção expressiva no cenário econômico mundial. A assinatura para a sua criação ocorreu no mês de março de 2019. Porém, foi definido o mês de julho para a execução do processo de operacionalização deste projeto e o lançamento das ferramentas que irão compor a Zona de Livre Comércio. Este passo importante na oficialização ocorrerá no Níger, durante a Reunião Extraordinária exclusiva para a discussão desta matéria.

Logo da Zona de Livre Comércio Continental

Em síntese, o Acordo pretende a eliminação gradativa das tarifas comerciais dentro do continente, visando estimular as trocas entre os países africanos e promover o desenvolvimento. Neste quadro, estima-se que, com o incentivo ao comércio interno do continente, somado ao fortalecimento do mercado interno, a dependência econômica de hidrocarbonetos retrairá.

Além disso, a busca por uma economia sustentável e diversificada também é relacionada à necessidade de adquirir maior autonomia com relação à produção de commodities. Cabe observar que, se os 55 países que compõem a União Africana aderirem ao acordo, a Zona de Livre Comércio Continental representará a maior área de livre comércio mundial, atendendo a um mercado composto por 1,2 bilhão de pessoas.

Mapa do continente africano, localização dos países de língua portuguesa em vermelho

Por conseguinte, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), composto por Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe assinaram o Acordo, sendo necessária a ratificação. A Guiné Equatorial apresentou interesse em aderir a Zona de Livre Comércio e solicitou que seja feita a sua tradução para o espanhol, que é o idioma oficial de maior utilização. Neste cenário faz-se relevante notar que as capacidades econômicas entre os países lusófonos são diversas, possuindo produtores de petróleo como a Guiné Equatorial e Angola; e a prestação de serviços e turismo, como em Cabo Verde.

O processo de construção de uma área de livre comércio nas dimensões propostas pela União Africana pode apresentar uma ampliação dos potenciais já existentes nos Estados participantes.

Contudo, a execução deste projeto também exigirá uma série de adequações que possibilitem a convergência dentro deste mercado. Questões como desenvolvimento do setor logístico, estabelecimento de padrões reguladores de produção e a facilitação do trânsito de serviços deverão ser abordados no processo de execução do Acordo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Logo da União Africana” (Fonte): http://www.viagenseferias.net/wp-content/uploads/2018/01/uniaoafricana03.jpg

Imagem 2Logo da Zona de Livre Comércio Continental” (Fonte): https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQpCOGJnpVpCevpj9Yy75WkkTiyEUqWIHNl2QSD49hfFXY805QO

Imagem 3Mapa do continente africano, localização dos países de língua portuguesa em vermelho” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_Africanos_de_L%C3%ADngua_Oficial_Portuguesa#/media/Ficheiro:Palop.svg

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador deseja se converter em potência mundial do cacau e chocolate

O Presidente do Equador, Lenín Moreno, realizou em 17 de junho de 2019 o lançamento do Grande Acordo Nacional para o Cacau e seus Derivados. O Acordo foi formalizado por meio da assinatura do Decreto Executivo que eleva à categoria de política pública o Plano de Melhoria Competitiva para o Desenvolvimento Agroindustrial da Cadeia de Cacau-Chocolate (PMC Cacao).

A decisão foi divulgada durante o evento Ecuador Potencia Mundial Cacaotera na cidade de Yaguachi, província de Guayas, com a presença de autoridades e empresários do setor cacaueiro. A nova política tem como objetivos: priorizar a cadeia agroindustrial do cacau e derivados para fortalecer a economia e permitir o atingimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030); estabelecer ação conjunta entre atores públicos e privados para tornar o país referência no setor até 2025; fomentar o turismo experiencial e assim obter o reconhecimento de preços no mercado internacional.

O país andino é o 3º maior produtor mundial de cacau (Costa do Marfim e Gana são 1º e 2º, respectivamente), segundo dados da Organização Internacional de Cacau (International Cocoa Organization – ICCO, em inglês). Em 2016 foi reconhecido pela ICCO como um dos 23 países que mais exportam cacau fino de aroma, categoria na qual é referência em razão de ser responsável por 65% da produção  do mundo

Evento Ecuador Potencia Mundial Cacaotera

Os investimentos no setor neste ano de 2019 incluíram a capacitação de técnicos da Província de Zamora Chinchipe em manejo do cultivo, pragas e enfermidades, e processos pós-colheita. Além disso, o Equador realizou, no período de 7 a 8 de junho de 2019, a décima edição do Salão do Chocolate, que teve a participação de mais de 60 empresas, além de profissionais e estudantes.

A Costa do Marfim produz 7 vezes mais que o Equador e um vídeo de 2014 da VPRO Metropolis, uma produtora holandesa, que teve mais de 50 mil visualizações, mostra pequenos agricultores daquele país africano que nunca haviam visto nem provado chocolate, embora produzissem a matéria prima barata que é exportada para a fabricação do apreciado derivado de preço bem mais elevado.

No evento de lançamento do PMC Cacao, Lenín Moreno lamentou que “somos vendedores de cacau, o melhor do mundo, e somos compradores de chocolate” e exortou seus compatriotas a modificar essa realidade dizendo que o destino do Equador era ser a 1ª potência cacaueira, mas que o desafio era tornar-se uma potência chocolateira. Se vencido, o desafio permitirá que as famílias que vivem do cultivo possam não apenas saborear a iguaria, como também usufruir de uma condição socioeconômica melhor que a dos marfinenses.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Chocolate artesanal equatoriano” (Fonte): https://scontent.fssa17-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/58420378_2284882734903694_1881102285879115776_n.jpg?_nc_cat=106&_nc_oc=AQkO34-XXrZ-yDkunAs2D0i_0-aFyWweQcbDomtUQUYWH5vNxQdD-kxSOHXIfDvEZUo&_nc_ht=scontent.fssa17-1.fna&oh=555d192e16c6e0377d1dcdbd628d1b42&oe=5D8381BF

Imagem 2 Evento Ecuador Potencia Mundial Cacaotera” (Fonte): https://www.presidencia.gob.ec/wp-content/uploads/2019/06/0218062019.png

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

China e Rússia fecham acordos no valor de 77,5 bilhões de reais

China e Rússia fecharam acordos no valor de 20 bilhões de dólares (77,5 bilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 7 de junho de 2019) para fortalecer os laços econômicos em setores como tecnologia e energia, logo após o encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin, informa o jornal South China Morning Post.

A reunião entre os dois Chefes de Estado ocorreu na quarta-feira (5 de junho de 2019) e marcou a visita de três dias de Xi Jinping ao território russo para as comemorações do 70º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Moscou e Pequim. Durante o encontro, os Presidentes expressaram o desejo de aumentar a cooperação entre os seus países.

Na quinta-feira (10 de junho de 2019), Gao Feng, Porta-Voz do Ministério de Comércio da China, afirmou que os dois países objetivam aumentar o volume de comércio entre si, a fim de alcançar o patamar de 200 bilhões de dólares (775 bilhões de reais, ainda de acordo com a cotação do dia 7 de junho de 2019). No ano passado (2018), houve um aumento de 24,5% no fluxo de comércio bilateral, atingindo o valor recorde de 108 bilhões de dólares (419 bilhões de reais, também segundo a cotação do dia 7 de junho de 2019). Gao apontou que os acordos celebrados abrangem as áreas de energia nuclear, gás natural, automóveis, desenvolvimento de alta tecnologia, comércio eletrônico e comunicações 5G.

Os acordos foram os primeiros resultados concretos oriundos da proximidade entre os dois líderes, que concordaram aprofundar sua parceria estratégica. Putin anunciou durante uma coletiva de imprensa com Xi, na quarta-feira (5 de junho de 2019): “Nós discutimos o estado atual e as perspectivas da cooperação bilateral de forma construtiva e voltada para negócios, e revisamos, de maneira substantiva, importantes questões internacionais, ao mesmo tempo que nos voltamos para a cooperação russo-chinesa em áreas que são realmente importantes para ambos os países”.

O Mandatário chinês reiterou que ambos os Estados vão trabalhar para “construir apoio e assistência mútuas em questões relativas aos nossos principais interesses com o espírito de inovação, cooperação pelo bem da vantagem comum, e promoção de nossas relações na nova era para o benefício de nossas nações e dos povos do mundo”.

Entre os acordos realizados, a Novatek e a Sinopec, as duas principais companhias de gás natural da Rússia e da China, respectivamente, assinaram um acordo preliminar com o Banco estatal russo, Gazprombank, na quarta-feira (5 de junho), para estabelecer uma joint venture para comercializar gás no território chinês. A Novatek também está formando uma parceria com a Corporação Nacional de Petróleo da China e a Corporação Nacional de Petróleo Offshore da China para desenvolver uma usina de gás natural no Ártico. Ambas as empresas chinesas serão detentoras de 10% das ações do projeto.

Uma das sedes da companhia de gás natural, Novatek, em Kostroma, na Rússia

Andrey Denisov, embaixador russo na China, declarou que o país também pretende dobrar as exportações de soja para os chineses, pois, atualmente, a Rússia detém uma pequena proporção da quantidade total de soja comprada por Pequim. Os dois lados também discutiram um investimento de 153 milhões de dólares (593 milhões de reais ainda, segundo a cotação do dia 7 de junho de 2019) para criar uma holding agrícola conjunta em Primorsky, localizada no leste da Rússia.

A companhia chinesa de telecomunicações, Huawei, também fechou um acordo com a empresa russa de telecomunicações MTS, para desenvolver uma rede de 5G. Além disso, a Corporação de Investimentos da China e o fundo soberano russo RDIF também acordaram em criar um fundo conjunto de pesquisa em tecnologia.

Shi Yinhong, professor de Relações Internacionais na Universidade Renmin, da China, disse que os dois lados estão reafirmando a sua colaboração estratégica e diplomática “em uma época de tensões extraordinárias entre Washington e Pequim”. E lembrou: “Embora a cooperação [entre a China e a Rússia] na área de alta tecnologia seja limitada, está garantida no campo puramente militar”.Em setembro de 2018, 300 mil soldados de ambos os países realizaram um exercício militar conjunto na Sibéria oriental, o maior exercício militar na Rússia em quase quatro décadas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Presidente da China, Xi Jinping, se encontra com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin (julho de 2018)”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vladimir_Putin_and_Xi_Jinping,26_july_2018(1).jpg

Imagem 2 Uma das sedes da companhia de gás natural, Novatek, em Kostroma, na Rússia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=novatek&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearchcurrent=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Novatek._Kostroma._May_2014__panoramio.jpg

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Congresso americano ameaça impor sanções à construção do gasoduto Nord Stream 2

Atualmente, a Federação Russa é uma das principais parceiras da Europa em relação ao suprimento de gás natural. O Nord Stream é um dos vários dutos que fornecem essa fonte energética ao continente europeu. O seu caminho é pelo Mar Báltico, ele parte de Vyborg, na Rússia, e termina em Greifswald, na Alemanha. Há 2 gasodutos paralelos com 1.222 quilômetros de extensão cada, o que resulta numa capacidade de transporte anual de 55 bilhões de metros cúbicos. Agora, em 2019, está em andamento a construção do Nord Stream 2, que adicionaria mais dois condutos aos que existem, elevando o volume total de carregamento anual para 110 bilhões de metros cúbicos.

Economicamente, esse projeto garantiria que a Europa tivesse acesso a uma quantidade maior de gás natural a um preço mais barato. Entretanto, essa afirmação é contestável. De acordo com uma análise realizada pelo jornal inglês “The Economist”, a prospectiva da demanda europeia por gás natural para os próximos anos não é suficiente para justificar a construção de um novo gasoduto neste momento, principalmente por causa da eficiência energética e a utilização de fontes renováveis de energia.

Localização do Nord Stream

Politicamente, a construção do Nord Stream 2 também trouxe várias controvérsias. A principal é que com esse novo gasoduto a Rússia poderia cortar o fornecimento de gás natural à Ucrânia sem afetar a Europa, o que resultaria num prejuízo de 2 a 3 bilhões de dólares* para o país e isso seria suficiente para que sua economia entrasse numa recessão. Outros Estados também poderiam sofrer cortes no fornecimento por questões político-estratégicas, como a Polônia ou outros países Bálticos.

A partir desse cenário, os senadores norte-americanos Ted Cruz e Jeanne Shaheen apresentaram ao Senado um Projeto de Lei que sancionaria as companhias envolvidas em projetos energéticos russos de construção de dutos em águas profundas. Caso a lei passe, as partes sancionadas não serão permitidas a conseguir licenças de exportação para os EUA e nem conseguirão empréstimos maiores de 10 milhões de dólares** de instituições financeiras americanas. Pelas especificações do Projeto de Lei, a construção do Nord Stream 2 pode ser afetada e, consequentemente, as empresas envolvidas*** na obra.

Os maiores dutos de Gás Natural que partem da Rússia até a Europa

Embora exista essa ameaça, os empresários não acreditam que a lei vá entrar em vigor, que ela seria apenas uma maneira de pressioná-los a não realizarem projetos futuros com a Rússia nesse campo comercial. Richard Nephew, um pesquisador do Centro de Energia Política Global da Universidade de Columbia, nos EUA, declarou que essa lei poderia atrasar a conclusão do gasoduto, mas que é pouco provável que impediria a sua finalização, visto que a Rússia já demonstrou estar disposta a continuar, apesar das controvérsias.

A Alemanha e a Federação Russa já se pronunciaram contra o Projeto de Lei proposto pelos senadores norte-americanos. O Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, afirmou que “as questões de política energética devem ser decididas na Europa e não nos EUA”. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que, ao “invés de uma competição justa com o Nord Stream 2, os EUA preferem atuar na Europa como nos tempos do Velho Oeste. Eles mostraram suas armas e disseram aos europeus que eles comprarão gás americano e não importa que seja pelo menos 30% mais caro do que o gás russo”.

Dessa forma, especialistas apontam que a introdução dessa lei americana pouco afetará a construção do Nord Stream 2. Mesmo que haja controvérsias políticas e econômicas que rodeiam o novo gasoduto, ele provavelmente será concluído e passará a ser utilizado já em 2020. As suas consequências, portanto, só poderão ser confirmadas no próximo ano.

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Nota:

* Aproximadamente, 7,82 e 11,72 bilhões de reais, conforme a cotação de 4 de junho de 2019.

** Em torno de 39,08 milhões de reais, também de acordo com a mesma cotação de 4 de junho de 2019.

*** As empresas que podem sofrer sanções são: Allseas, da Suíça; Anglo-Dutch Shell e OMV, da Áustria; Engie, da França; Saipem, da Itália; e Uniper e Wintershall, da Alemanha.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Capitólio dos Estados Unidos, prédio que serve como centro legislativo do governo dos EUA” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a3/United_States_Capitol_west_front_edit2.jpg/800px-United_States_Capitol_west_front_edit2.jpg

Imagem 2Localização do Nord Stream” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/58/Nordstream.png/220px-Nordstream.png

Imagem 3Os maiores dutos de Gás Natural que partem da Rússia até a Europa” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Major_russian_gas_pipelines_to_europe.png