ÁfricaAMÉRICA LATINAÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

ONU declara 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar

De acordo com o “Boletim de Agricultura Familiar” da “Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura” (FAO), 2014 será celebrado como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar[1]. Segundo Salomon Macedo, chefe de políticas da FAO, a importância do tema serve para sensibilizar os Governos e a opinião pública sobre a importância e a contribuição da agricultura familiar para a segurança alimentar e a produção de alimentos. O Boletim[2] traz dados relevantes sobre a relevância da agricultura familiar como pilar da segurança alimentar regional, como parte das exportações agrícolas e como fonte de emprego formal.

Um exemplo do atual debate sobre segurança alimentar e o impacto da agricultura familiar, reside no “Projeto Pro Savana” – fruto da “Cooperação Triangular entre Brasil, Japão e Moçambique”. O Projeto foi inspirado na cooperação Brasil e Japão, no cerrado brasileiro, através da agricultura industrial de larga escala e de monocultura (principalmente a soja). De acordo com a “Carta Aberta” das organizações de Moçambique frente ao ProSavana[3], mais de 80% da população moçambicana tem como meio de sobrevivência a agricultura familiar, o que representa 90% da alimentação do país. Por essa razão, recomenda-se que os investimentos do Projeto deveriam ser direcionados para a agricultura e a economia camponesa, vista como a única agricultura capaz de criar empregos dignificantes e duradouros para conter o êxodo rural[4].

Recentemente, dois estudiosos do campo do desenvolvimento internacional, Adam Sneyd e Lauren Sneyd, chamaram a atenção sobre um assunto que tem tomado fôlego nos últimos anos: a crescente participação de firmas estrangeiras nas terras africanas, inclusive de países em desenvolvimento, tanto na expropriação de terras, quanto nos sistemas alimentares[5].

O assunto da busca por terras áridas em outros continentes não é algo novo nas “Relações Internacionais”, porém as aquisições de terras por parte dos países em desenvolvimento têm modificado as estruturas alimentares sobre o que se come nos países da África, quando ocorrem situações como o plantio de algodão ou cultivo da seringueira para produção de borracha, no lugar de produtos alimentícios.

No artigo, os autores focam em Camarões, onde há muita comida disponível para alimentar todos os cidadãos, mas que enfrenta uma alta nos preços, o que impede a aquisição de alimentos por parte da população. O dilema sobre esse debate consiste na balança entre mercados mais livres com ampla transformação da agricultura ou a intervenção estatal somada com o maior controle local sobre os alimentos.

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Imagens (Fontes):

Imagem 1:

http://4.bp.blogspot.com/-2pRdRolDEkE/Us3vSV7eVFI/AAAAAAAACrc/1BNh37AVBxU/s1600/ano+internacional++da+agricultura+familiar.JPG

Imagem 2:

http://cirandas.net/articles/0027/3745/ano-da-agricultura-familiar.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.onu.org.br/fao-anuncia-que-2014-sera-o-ano-internacional-da-agricultura-familiar/

[2] Ver:

http://www.rlc.fao.org/es/prensa/noticias/2014-sera-el-ano-internacional-de-la-agricultura-familiar/

[3] Ver:

http://www.fao.org/docrep/019/as189s/as189s.pdf

[4] Ver:

http://www.diarioliberdade.org/africaasia/laboral-economia/32438-pronunciamento-sobre-o-programa-pr%C3%B3-savana.html

[5] Ver:

http://thinkafricapress.com/agriculture/emerging-economies-occupying-african-food-systems

ÁfricaAMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Piscicultura angolana celebra Cooperação Técnica com instituição brasileira

Foi firmado nesta última sexta-feira (25 de abril) um “Acordo de Cooperação Técnica” entre a “Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba” (CODEVASF) e o “Instituto de Desenvolvimento de Pesca Artesanal e Aquicultura do Ministério das Pescas de Angola[1]. Este Acordo sela o comprometimento da CODEVASF em receber e capacitar técnicos angolanos em todos os seus “Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aquicultura”.

Ele é visto como uma extensão de um Programa criado em 2012, quando 10 técnicos angolanos residiram por seis meses no “Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Betume”, no Sergipe[2]. Nesta ocasião, visou-se conhecer as técnicas utilizadas no Centro brasileiro a fim de replicá-las nos centros de pesca artesanal em Angola.

O “Embaixador de Angola no Brasil”, Nelson Cosme, presente na assinatura do contrato, demonstrou otimismo em relação ao Acordo, salientando os futuros benefícios que este projeto trará para a economia angolana: “Este programa de cooperação vai permitir a revitalização e extensão da piscicultura familiar em Angola, reforçando  o associativismo e o cooperativismo do setor[1], disse o Embaixador durante o evento.

A pesca movimenta cerca de 3% do “Produto Interno Bruto” (PIB)de Angola. Do total pescado no país, a pesca artesanal representa 35% da produção e é vista pelo Governo como setor crucial para a redução da pobreza e melhoria da segurança alimentar[3][4]. Dessa forma, o “Acordo de Cooperação Técnica” traz esperanças para o aumento da produtividade desse setor, bem como para o manejo pós-colheita adequado, reduzindo os riscos de contaminação.

Em linhas gerais, o desenvolvimento da pesca artesanal pode ser de fundamental importância para a redução da vulnerabilidade como um todo. Não somente em termos de renda, já que 40,5% da população vivem abaixo da linha da pobreza[5], mas como possibilidade de melhora real em outros quesitos também. O primeiro deles seria a igualdade entre os sexos, pois 80% das pessoas que trabalham com a pesca artesanal são do sexo feminino[3], e o crescimento deste setor traz esperanças de maior renda e maior autonomia para as mulheres.

O segundo quesito seria a redução das desigualdades regionais: as províncias mais afetadas pela guerra civil, Huambo, Bié e Cuando-Cubango[6], são contempladas por ricas bacias hidrográficas. As duas primeiras, por estarem na região mais alta do país, detêm as nascentes dos principais rios de Angola; na outra, estão dois importantes rios, o Cuando e o Cubango, que correm em direção à Namíbia. Isso implica em grande oportunidade para a piscicultura em tais províncias, dado o potencial hídrico delas.

Além da qualificação da mão de obra, oGoverno de Angolaprevê, junto aoBanco Africano de Desenvolvimento” (BAD), um investimento de cerca de 12 milhões de dólares na ampliação da infraestrutura de apoio[4]. As condições da pesca artesanal, apesar de ser crucial para a economia angolana, ainda não são adequadas. Estima-se que somente 20% dos barcos são motorizados[7] e a estrutura de desembarque e comercialização dos peixes é antiga e precária[4].

Por fim, criar as estruturas necessárias para o desenvolvimento de Cooperativas locais é o próximo paço do Governo angolano[3]. Espera-se que isto impulsione o desenvolvimento regional, reduzindo as desigualdades intra-nacionais. Ao mesmo tempo, há uma clara preocupação com a sustentabilidade dessa atividade[1], para que a pesca artesanal continue a ser, para as futuras gerações, fonte de renda e de liberdade.

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ImagemO País” (Fonte):

http://www.opais.net/pt/opais/?det=29572&id=1657&mid=

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Fontes consultadas:

[1] VerJornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/apoio_a_pesca_artesanal

[2] VerPortal Brasil”:

http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2014/04/pais-firma-acordo-de-cooperacao-tecnica-com-angola

[3] VerRevista Exame Angola”:

http://www.exameangola.com/pt/opais/?id=1551&det=33845

[4] VerO País online”:

http://www.opais.net/pt/opais/?det=30152

[5] VerCIA World Factbook”:

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ao.html

[6] VerO País online:

http://www.opais.net/pt/opais/?det=22742

[7] VerStop Illegal Fishing”:

http://www.stopillegalfishing.com/doc/publication/pr/angola_country_profile_pr.pdf

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Risco de seca eleva preocupação da ONU com a fome na Síria

A “Organização das Nações Unidas” (ONU) alertou a Síria nesta terça-feira, 8 de abril, quanto ao risco de escassez de alimentos devido à seca iminente no país. A ONU alarmou que uma seca na Síria pode levar à um record na quebra da safra de trigo e colocar milhões de habitantes em risco, já que o índice pluviométrico sírio desde setembro está inferior à metade da média para o período[1].

De acordo com o “Programa para Alimentação Mundial” (WFP, na sigla em inglês) da ONU, em março de 2014 foi fornecida alimentação para inéditos 4,1 milhões de sírios. Contudo, a ajuda alimentar internacional à Síria foi reduzida em um quinto, devido à falta de fundos dos doadores internacionais[2].

A “Porta-Voz do Programa da ONU para Alimentação Mundial”, Elisabeth Byrs, anunciou estar preocupada com o impacto que uma seca iminente possa ter no noroeste do país, principalmente nas cidades de Aleppo, Idlib e Hamah[1], assim como em Al Raqqah”, Al Hasakah” e Deir el Zour no nordeste[3]. O relatório da WFP informou que as áreas mais afetadas pela seca, as localizadas no noroeste, são tradicionalmente responsáveis por metade da produção de trigo síria. Além da falta de chuvas, muitas destas províncias presenciaram alguns dos piores combates nos últimos dois anos[3].

Segundo Byrs, até 6,5 milhões de sírios poderão precisar de ajuda alimentar de emergência, acima das cifras de 4,2 milhões atuais[1]. De acordo com o relatório da WFP, como resultado da seca, a Síria pode ser obrigada a importar mais do que os 5,1 milhões de toneladas de trigo que precisou no ano passado[1]. A agência da ONU estima que a produção de trigo no país será de somente 1,7 milhões à 2 milhões de toneladas este ano – um recorde de baixa[3]. Com a menor área plantada de trigo em 15 anos, a quebra de produção do cereal prevista é de 29% em relação à safra do ano passado e a colheita estimada em cerca de metade dos níveis pré-guerra, disse a WFP[4]. A produção de cevada e a agropecuária também têm sido atingidas.

Byrs relatou que o número de pessoas que necessitam de assistência alimentar deve aumentar nos próximos meses, uma vez que as condições de seca, agravadas pelos impactos da guerra civil, resultarão no colapso do setor agrícola[3]. Desde o início da guerra, o país vem sofrendo maciças faltas de abastecimento porque a luta tem se concentrado em áreas rurais – dominadas pela oposição – em torno de grandes cidades da Síria, incluindo a capital, e ao longo da fronteira com o Líbano, onde a maioria das terras agrícolas está localizada[3].

Além da pior seca desde 2008, estes três anos de guerra civil devastaram a infraestrutura do país, deixando danos de longo prazo para irrigação devido a danificação de bombas e canais, falhas no fornecimento de energia e falta de peças de reposição. De acordo com a agência, estes danos terão efeitos duradouros sobre a produção agrícola da Síria, mesmo depois que a paz for restaurada[4].

Na segunda-feira, 7 de abril, o Programa para Alimentação Mundial da ONU informou que em março foi forçado à reduzir o tamanho das suas cestas de alimento às famílias sírias em 20%[1]. A redução teria sido forçada pelos atrasos no recebimento de fundos dos doadores internacionais. A cesta básica familiar para cinco pessoas inclui arroz, trigo para quibe, macarrão, grãos, óleo vegetal, açúcar, sal e farinha de trigo. De acordo com a WFP, somente 22% dos recursos necessários para suas operações na Síria foram recebidos[1]. A WFP afirmou que sua operação na Síria é a maior e mais complexa do mundo, lhes custando mais de US$ 40 milhões por semana, incluindo a alimentação de 1,5 milhão dos 2,6 milhões de sírios refugiados registrados oficialmente que migraram para países vizinhos, principalmente Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque[4].

Ao todo, a “Organização das Nações Unidas” recebeu apenas 16% dos US$ 2,2 bilhões necessários para as suas operações de ajuda no interior da Síria este ano. Os “Estados Unidos” são o maior doador com 108 milhões dólares, seguido pela “União Europeia”, com US$ 53,7 milhões, e os “Emirados Árabes Unidos”, com US$ 50 milhões[4]. A mídia estatal iraniana informou também neste dia 8 de abril que o Irã enviou um extra de 30 mil toneladas em alimentos para auxiliar o Governo vizinho à lidar com a escassez de alimentos devido à guerra civil[5][1].

A fome, em virtude da iminente seca no noroeste do país, pode exacerbar a crise humanitária de refugiados e deslocados internos. De acordo com a ONGObservatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mais de 150.000 pessoas foram mortas desde que os combates começaram na Síria há três anos[6] e o país sofre com a maior crise de refugiados e deslocamentos internos, cujo êxodo para países vizinhos totaliza estimados 3 milhões de pessoas, de acordo com o alto comissário da ONU para refugiados Antonio Guterres.

O número de refugiados sírios oficiais registrados nos países vizinhos é de 2,6 milhões, embora centena de milhares mais já tenham cruzado as fronteiras sem solicitar assistência internacional[2]. No Líbano, por exemplo, mais de um milhão de refugiados registrados totalizam quase um quarto da população total do país[2]. Os refugiados sírios em países vizinhos, somados aos 6,5 milhões de deslocados internos, indicam que metade da população síria[7] já seja constituída de deslocados e de refugiados[2].

Ainda de acordo com Guterres, a tensão é iminente em em vizinhos como Líbano e Jordânia, onde vem sendo registrado o aumento no número de desempregados, decréscimos nos salários e aumento nos preços de produtos e dos alugueis, de modo que a crise síria tem registrado um impacto dramático também na economia e na sociedade dos países ao seu redor[2].

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-middle-east

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-26943503

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/04/fund-crunch-forces-un-cut-syria-food-aid-20144851120732617.html

[3] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.584566

[4] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Apr-08/252681-syrians-face-drought-wheat-production-seen-at-record-low-wfp.ashx#axzz2yK7CcoAf

[5] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Apr-08/252695-syria-iran-sends-30000-tons-of-food-supplies.ashx#axzz2yK7CcoAf

[6] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/siria/noticia/2014/04/guerra-na-siria-provocou-mais-de-150-mil-mortes-diz-ong.html

[7] De acordo com os dados da “Central de Inteligência Americana” (CIA), em 2008, a população síria era estimada em 22,5 milhões de habitantes. Ver

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2119rank.html?countryName=Vietnam&countryCode=vm&regionCode=eas&rank=14#vm

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

UE e África lançarão o novo “Plano de Ação para 2014-2020”

De acordo com o anúncio da “Agência Lusa[1], a “União Europeia” poderá destinar 28 bilhões de euros para a cooperação com África entre 2014-2020.

O projeto de “Declaração Final” da “Cimeira UE-África 2014[2] indica que no “Plano de Ação para 2014-2020” o valor médio anual da cooperação europeia para a África poderá ser de 4 bilhões de euros, acrescido ainda das verbas que cada país destina individualmente à “Cooperação Bilateral” com o continente africano.

Podemos destacar também nesse projeto da “Cimeira UE-África” o comprometimento dos países europeus em apoiar o reforço das capacidades militares das forças africanas para responderem com maior rapidez às crises.

Os líderes assumem ainda o compromisso de lutar contra o terrorismo internacional; o crime organizado, incluindo os tráficos de seres humanos, de recursos naturais e o tráfico de drogas; bem como contra a proliferação de armas de destruição em massa.

O meio ambiente também está sendo destaque na Cimeira. Os dois continentes manifestaram a intenção de adotar, em Paris, em 2015, um acordo guiado pelos princípios da “Convenção da ONU sobre as Alterações Climáticas”.

Para o período 2014-2017, as linhas prioritárias da “Parceria Estratégica” serão a paz e segurança; a democracia; a boa governança e os direitos humanos; o desenvolvimento humano; o desenvolvimento inclusivo e sustentável; o crescimento e integração continental e os assuntos globais relevantes.

A Cimeira termina hoje, 3 de abril. Nela será realizado um balanço da cooperação em curso e futura nos diversos domínios da “Estratégia Conjunta”. Também deverá ser aprovado um Documento que concretiza os moldes da cooperação UE-África para os próximos 3 anos.

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Imagem:

http://eeas.europa.eu/top_stories/2014/190214_eu-africa_summit_en.htm

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[1] Ver:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3792186&seccao=Europa

[2] Ver:

http://www.european-council.europa.eu/eu-africa-summit-2014?lang=pt

[3] Ver:

http://www.european-council.europa.eu/eu-africa-summit-2014/eu-africa-relations?tab=In-a-nutshell&lang=en

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Ver Também:

http://www.consilium.europa.eu/uedocs/cms_data/librairie/PDF/QC3111092ENC.pdf

ÁfricaAMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

“União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa” participa de encontro das “Capitais Ibero-Americanas”

A “União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa” (UCCLA) participou ontem, 21 de novembro e participará hoje, dia 22 de novembro, do “IX Encontro de Diretores de Relações Internacionais e Coordenadores” da “União das Cidades…

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ÁfricaÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Novos centros de Cooperação China-Lusófonos em andamento

Na China serão construídos mais três novos centros para a cooperação entre Beijing e os países de língua portuguesa, um projeto que será necessário para manter ativa a atual relação entre chineses e países lusófonos e projetar novos horizontes para a mesma. Macau será a cede destes novos centros de cooperação e todos os envolvidos já dão prioridade para a contratação de profissionais bilíngues.

Atualmente, a China é o maior parceiro comercial de todos os países de língua portuguesa existente no globo. O aumento dos investimentos chineses na Europa (via Portugal), na África (através de Moçambique e Angola) e nas Américas (via Brasil), já deixa desenhado quais são os objetivos chineses. Desejam estreitar relacionamento por meio da cooperação, com o intuito de alcançar metas comerciais e diplomáticas nestas regiões. Para atingir tal intento, se vê necessária a ampliação da rede de agências e escritórios para dar continuidade aos atuais projetos e para a criação de novos.

Durante a “Quarta Conferência Ministerial do Fórum Macau”, o vice-primeiro-ministro chinês Wang Yang anunciou a criação destas novas instalações em Macau.  Hoje, o Fórum conta com a participação de Angola, Brasil, “Cabo Verde”, “Guiné-Bissau”, Moçambique, Portugal, “Timor Leste”, como principais países lusófonos, que mantém constantes intercâmbios comerciais com os chineses.

O evento contou com a presença de importantes autoridades destes Estados, como o vice-presidente do Brasil, Michel Temer; o vice-primeiro-ministro de Portugal, Paulo Portas, e o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Rui Duarte Barros. As autoridades tiveram seus espaços para diálogos bilaterais com os representantes chineses e felicitaram Yang e a China pela iniciativa.

A ação animou os angolanos que durante o decurso de um jantar comemorativo do 38º aniversário da independência de Angola, o cônsul-geral do país, Pedro da Silva Feijó Sobrinho, felicitou o projeto e já está investindo em alternativas para melhorar essas relações dentro de seu próprio país.

Afirmou: “Macau como plataforma trouxe uma instituição que é o Fórum e o que faltava [a esta entidade] era que dinamizasse o sector dos serviços (…). Estes centros incluirão convenções e exposições, distribuição alimentar e serviços comerciais para as pequenas e médias empresas dos países de língua portuguesa, entendendo nós que Angola encontrará neles uma base técnica, logística, de distribuição, de armazenamento, para a partir daí divulgar os seus produtos no continente chinês[1].

A China desenvolve muitos projetos bilaterais com alguns destes países, como, por  exemplo, o Brasil, onde ambos utilizam suas moedas locais para as suas transações comerciais, substituindo o dólar norte-americano. O país também iniciou a criação do “Fundo de Cooperação China-CPLP” e outros projetos para aumentar os investimentos em projetos mútuos.

A partir da última Conferência, a prioridade passou para a questão da comunicação especializada entre chineses e lusófonos. Desde 1961, foi criada  a licenciatura de língua portuguesa dentro daUniversidade de Estudos Estrangeiros de Beijing”, principal escola de idiomas em toda a China, instituição que nos últimos 50 anos, teve mais de 400 profissionais formados, sendo que estes atuam em áreas da diplomacia, no setor comercial, no cultural e na área educacional.

Com as novas prioridades chinesas, outros institutos de especialização de língua chinesa e portuguesa podem ganhar fôlego, como é o caso dos institutos Confúcio instalados nos países lusófonos, dos “Institutos Camões” na China, além do incentivo ao intercâmbio técnico realizado entre as universidades destas nações, como é o exemplo da “Universidade São Paulo” (USP) com o “Centro de Estudos Estrangeiros de Beijing”.

Todo esse incentivo dos chineses é compreensível quando se entende um pouco de sua cultura tradicional, pois, para eles, quando se está fora de seu país a prioridade é se adaptar a cultura estrangeira (partindo da comunicação no idioma local) e respeitar as culturas locais.

Observando as manobras dos diplomatas, comerciantes e das entidades especializadas nos países lusófonos, entendemos que o objetivo principal da China está em criar elos, mecanismo próprios para comunicar-se e negociar, sem utilizar de meios alternativos cambiais ou de comunicação para a realização do mesmo. Ou seja, objetivam excluir a língua inglesa em suas relações.

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ImagemPedro da Silva Feijó Sobrinho, o cônsul-geral de Angola” (Fonte): Macauhub

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2013/11/18/relacionamento-entre-a-china-e-os-paises-de-lingua-portuguesa-precisa-de-pessoas-bilingues/

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Ver também:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2013-11/05/c_125649885.htm

Ver também:

http://www.forumchinaplp.org.mo/pt/announce.php?id=1928

Ver também:

http://www.portunes-online.com/index.php/Beijing

Ver também:

http://www.instituto-camoes.pt/index.php?Itemid=729&option=com_moofaq&view=category&id=768

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

África cria fundo para desenvolvimento da Infra-Estrutura

No dia 26 de setembro no “The Nasdaq Stock Exchange”, em “Nova York”, o “Banco Africano de Desenvolvimento” (BAD) e a “Made in Africa Foundation” (MIAF) lançaram[1] oficialmente um novo fundo para o desenvolvimento africano, o “Projeto de Desenvolvimento da Africa50[2], qualificado como o maior instrumento de desenvolvimento de infra-estrutura criado no continente até agora.

A MIAF e o BAD têm por objetivo mobilizar 500 milhões de dólares para o “Africa50” até à primeira metade de 2014.  Este Fundo foi assim chamado porque a sua ambição é ajudar na transformação econômica da África ao longo do próximo meio século.

O esforço de parceria entre MIAF e o BAD foi apoiado ao vivo pelo designer ganês Ozwald Boateng; pelo empresário nigeriano Kola Aluko; por Sam Kutesa, atual “Ministro das Relações Exteriores de Uganda” e próximo presidente daAssembleia Geral das Nações Unidas”; por Tas Anvaripour, “Team Leader” para o fundo “Africa50”, e pelo “Chefe do Staff” e “Diretor de Gabinete do Presidente do BAD”, Anne Kabagambe. Entre outros convidados, assistiram também à cerimônia de lançamento o representante dos parceiros financeiros do “Fundo Capri Capital”, Quintin Primo III, e o diretor-geral da MAIF, Cris Cleverly.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.afdb.org/en/news-and-events/article/afdb-and-made-in-africa-foundation-launch-fundraising-for-africa50-infrastructure-fund-12313/

[2] Ver:

http://www.afdb.org/en/topics-and-sectors/initiatives-partnerships/africa50-infrastructure-fund/

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Ver Também:

http://techmoran.com/the-african-development-bank-and-made-in-africa-foundation-partner-to-unveil-africa50-fund/