ÁfricaÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

China e Moçambique cooperam na área de Defesa

Moçambique e China iniciaram processo de Cooperação em matéria de Defesa. A iniciativa contatará com a construção em Maputo de um quartel militar, ou seja, uma instalação militar para alojamento de tropas, e o investimento inicial será de 9 milhões de dólares.  O anúncio oficial ocorreu na segunda semana do mês de julho do ano corrente (2017), durante a visita do Ministro da Defesa chinês, Chang Wanquan, a Moçambique. O encontro realizou-se a portas fechadas com o Presidente da República e o Ministro da Defesa moçambicanos, Filipe Nyusi e Atanásio M’Tumuke, respectivamente.

Ministro da Defesa da China, Gen. Chang Wanquan

Wanquan destacou que as relações entre Moçambique e China são intensas em outras áreas, como energia e infraestrutura, que podem ser dinamizadas. Nesse sentido, além da construção do quartel, também foi discutida a cooperação educacional voltada para a formação das Forças Armadas moçambicanas e a realização de intercâmbios entre as Instituições Militares de Ensino.

O Ministro moçambicano, por sua vez, enfatizou que as relações com a China são expressivas e compreende que o processo de cooperação que está em desenvolvimento reforça os laços bilaterais existentes desde a década de 1960. M’Tumuke também apresentou a intenção de o Governo estender a cooperação para contemplar áreas como logística e saúde militar.

Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique, e Xi Jinping, Presidente da República Popular da China

Durante visita, o ministro Chang Wanquan levou as saudações do presidente Xi Jinping a Filipe Nyusi. O Ministro ressaltou que tal processo de colaboração sobre Defesa se relaciona aos diálogos estabelecidos entre os Presidentes durante a visita de Nyusi a China, em maio de 2016. A visita de Nyusi foi um convite oficial feito pelo Presidente chinês e objetivava o aprofundamento das relações de solidariedade e auxílio de forma ampla.

Complementarmente, Chang Wanquan interpreta o período de estabilidade de Moçambique como um fato preponderante para o seu desenvolvimento. Tal situação também contribui para a busca de Moçambique em ampliar as dimensões da sua relação com a China. Do mesmo modo, o Embaixador creditado em Moçambique, Su Jian, aponta que a ação desenvolvida faz parte da estratégia de cooperação global chinesa. Sob tal perspectiva, a atuação voltada para o país africano tem por objetivo capacitar as Forças Armadas para a preservação da soberania e salvaguarda da integridade territorial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa com a localização de Moçambique e China” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_China_e_Mo%C3%A7ambique#/media/File:China_Mozambique_Locator.png

Imagem 2 Ministro da Defesa da China, Gen. Chang Wanquan” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Chang_Wanquan#/media/File:Chang_Wanquan.jpg

Imagem 3 Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique, e Xi Jinping, Presidente da República Popular da China” (Fonte):

http://media.gettyimages.com/photos/chinese-president-xi-jinping-and-mozambican-president-filipe-nyusi-picture-id532079078

ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

A cooperação entre China e Rússia na área militar e de energia

A China e a Rússia realizaram nesta semana exercícios militares conjuntos em São Petersburgo e Kaliningrado, no Mar Báltico. A operação foi intitulada “Joint Sea 2017” e faz parte de um programa anual de cooperação estratégica e militar.  Os países realizarão ainda outro exercício naval no Mar Báltico, no mês de julho, e no mar do Japão, no mês de setembro. A operação “Joint Sea 2016” ocorreu no mar do sul da China, com duração de oito dias. Apesar desta sinergia, a cooperação sino-russa tem um longo histórico de encontros e desencontros.

Gráfico sobre Consumo primário e Produção de Energia na China

Parte significativa da ideologia do Partido Comunista da China durante a sua criação e chegada ao poder (1921-1949) foi advinda da experiência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Naquele contexto, a articulação virtuosa entre os países durou de 1949 até 1960, momento no qual o acirramento de tensões evidenciou que os grandes atores tinham uma visão muito diferente acerca de sua cooperação: a China buscava ganhos pragmáticos e a URSS via este país como um parceiro menor na luta para espalhar o comunismo no âmbito regional e global. Produziu-se uma crise na relação sino-soviética que, posteriormente, daria margem para uma aliança entre China e Estados unidos nos anos 1970. Conduzida por Henry Kissinger e Richard Nixon, esta aliança foi um fator instrumental para a derrocada da zona de influência soviética no final da Guerra Fria.  

Projeção ortográfica da região da Eurásia

No contexto do pós-Guerra Fria emergiu uma importante área de cooperação sino-russa, que diz respeito aos recursos energéticos. A China deixou de ser autossuficiente na produção de energia por volta do ano de 1997 e, a partir deste ponto, a obtenção e disponibilidade de recursos naturais e energéticos se tornou um elemento vital para a manutenção do crescimento da economia chinesa. A Rússia, como grande detentora de petróleo e gás natural, vê na China uma oportunidade de balanceamento em relação aos embargos comerciais e às relações turbulentas com o Ocidente, ao passo que a China é um crescente mercado consumidor de hidrocarbonetos. Neste sentido, a parceria sino-russa, que se intensificou nos anos 2000, foi um passo pragmático e de importância estratégica para ambas as partes.

O ordenamento global será moldado crescentemente por alguma combinação do triângulo estratégico formado por Estados Unidos, China e Rússia e sua atuação na região da Eurásia. A dificuldade persiste na sutileza dos movimentos realizados por estes grandes atores. Recentemente, é possível observar certas tentativas dos Estados Unidos de se reaproximar da Rússia. Não obstante, a aliança entre China e Rússia não é mais uma mera articulação pragmática, ao passo que se estende por mais de duas décadas e sua continuidade poderá se tornar menos dependente da atuação dos Estados Unidos. Os países são expoentes dentro da coligação internacional dos BRICS e, igualmente, na Organização para Cooperação de Xangai (OCX), que atua principalmente no âmbito securitário na região da Eurásia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro entre Xi Jinping e Vladmir Putin, mandatários da China e da Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/73/Vladimir_Putin_and_Xi_Jinping%2C_BRICS_summit_2015_01.jpg

Imagem 2 Gráfico sobre Consumo primário e Produção de Energia na China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/China-primary-energy-ej-2009v1.svg/2000px-China-primary-energy-ej-2009v1.svg.png

Imagem 3 Projeção ortográfica da região da Eurásia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg/2000px-Eurasia_%28orthographic_projection%29.svg.png

ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALTecnologia

[:pt]Diplomacia Espacial: Agendado Lançamento do Satélite do Sul Asiático, iniciativa indiana para desenvolvimento regional[:]

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Está marcado para o dia 5 de maio o lançamento do Satélite Sul Asiático (South Asia Satellite), um satélite geosincrônico de comunicações e metereologia desenvolvido pela Organização Indiana para Pesquisa Espacial (ISRO, na sigla em inglês) para os países da Associação Sul-Asiática para Cooperação Regional (SAARC na sigla em inglês), com exceção do Paquistão. O satélite, que levou três anos e 2,35 bilhões de rúpias para ser desenvolvido (aproximadamente, 36,61 milhões de dólares americanos; ou 115,56 milhões de reais – na cotação de 3 de maio de 2017), é, de acordo com Narenda Modi, Primeiro-Ministro da Índia, um presente para seus vizinhos. Ele tem vida útil de 12 anos e foi totalmente desenvolvido e financiado pelo Governo indiano, com os outros países sendo responsáveis somente pelas bases terrestres em seus territórios, para recebimento dos dados fornecidos.

O desenvolvimento e lançamento do satélite faz parte de uma política externa da Índia focada em sua vizinhança, principalmente nos membros da SAARC, iniciada por Modi já no início de seu mandato, em 2014. A Índia é a única nação Sul-Asiática a ter capacidade de desenvolver e lançar satélites, com um programa espacial ativo desde 1965. Com este presente para a região, o país pretende aumentar os laços de cooperação com os Estados da SAARC. Além disso, a iniciativa busca contrabalançar a atuação chinesa na área, pois Sri Lanka, Paquistão e Bangladesh atualmente dependem da China em seus desenvolvimentos espaciais.

De acordo com o Hindu Times, Modi afirmou no rádio que o satélite tem como funções o mapeamento de recursos naturais, telemedicina, educação, maior conectividade e contato interpessoal. Além disso, o equipamento tem capacidade de fornecer linhas de contato (hot lines) entre as nações participantes, o que é fundamental para a região, visto que nela ocorrem desastres naturais frequentemente.

O Afeganistão ainda não assinou sua participação no programa, mas espera-se que o faça nos próximos dias. A questão com o Paquistão, porém, é mais delicada. O país tem seu próprio programa espacial, o segundo mais desenvolvido da região, ainda que sem capacidade de lançar satélites, e levantou preocupações devido ao programa ter sido desenvolvido totalmente pela ISRO, sem a colaboração dos outros países da SAARC. Na avaliação do Governo paquistanês, sem o controle do projeto de desenvolvimento por todos, ele poderia ser utilizado para a coleta de informações confidenciais paquistanesas. Apesar de iniciativas indianas terem acontecido em um primeiro momento para o desenvolvimento coletivo do equipamento, a Índia anunciou em 2015 que o desenvolveria sozinha, levando o Paquistão a sair do projeto. De forma ilustrativa, os problemas no desenvolvimento do satélite são um reflexo dos desafios ainda existentes para a cooperação regional.

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Imagem 1 SAARC Satellite” (Fonte SaatiTV):

http://www.satiitv.com/more/space/saarc-satellite-will-launch-march-2017/

Imagem 2India Prime Minister Narendra Modi” (Fonte Narendra Modi):

https://en.wikipedia.org/wiki/Recep_Tayyip_Erdo%C4%9Fan#/media/File:Recep_Tayyip_Erdogan_2017.jpg

Imagem 3Logo of Indian Space Research Organisation(Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Indian_Space_Research_Organisation#/media/File:Indian_Space_Research_Organisation_Logo.svg

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ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]Criação de um Consórcio para pensar o Desenvolvimento do Sul Global em Pequim[:]

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A Universidade de Pequim criou no dia 14 de dezembro (2016) o Consórcio De Pesquisa Global sobre as Transformações Econômicas Estruturais (GReCEST). O Consórcio possui 33 membros fundadores que consistem em instituições de pesquisa já estabelecidas e provenientes de diversos países. O objetivo do GReCEST é fornecer relatórios, análises, recomendações de políticas públicas e suporte para países emergentes, focando nos aspectos ligados ao desenvolvimento sustentável; cooperação sul-sul; política industrial e inovação; cadeias globais de valor e transformação estrutural em economias rurais.

O GReCEST busca trabalhar para o aumento da participação dos países em desenvolvimento junto à governança econômica global, no sentido de contribuir para a sua capacidade de agência. A instituição é igualmente uma plataforma para promover a troca de experiências e de boas práticas (best practices) e faz parte da Rede Global de Think Tanks Austrais, uma coalização organizada pela ONU e formada por mais 200 think tanks dos mais diversos países, que visa promover o desenvolvimento de países emergentes.

Nesta mesma linha analítica, cabe abordar brevemente a política oficial da China para promoção do desenvolvimento. As diretrizes oficiais do país no tocante a este tema podem ser encontradas no Livro Branco de Ajuda para o Desenvolvimento (lançado no ano de 2014) e incluem alguns pontos importantes. Dentre eles podem ser citados: que a cooperação ocorre essencialmente através de aportes financeiros bilaterais, de modo a auxiliar na redução da pobreza em países de menor nível de desenvolvimento; que os investimentos costumam apresentar o caráter de financiamento para projetos de infraestrutura; que não são impostas condicionalidades políticas ligadas ao aporte dos recursos –  neste ponto, a China é guiada pelo princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados e afirma que é importante respeitar os modelos de desenvolvimento particulares de cada país.

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ImagemThe Mesh of Civilizations in the Global Network of Digital Communication” / “A Malha de Civilizações na Rede Global de Comunicação Digital” – (Tradução Livre) (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AThe_Mesh_of_Civilizations_in_the_Global_Network_of_Digital_Communication.PNG

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ÁfricaAMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINAÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A Embrapa e as duas faces da cooperação triangular brasileira[:]

[:pt] Criada desde 1973, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) representa um dos motores da cooperação brasileira para o desenvolvimento internacional. De acordo com o relatório do Ipea, ela tem atuado na cooperação técnica…

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ÁfricaAMÉRICA LATINAÁSIABLOCOS REGIONAISCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]BRICS e a Cooperação em Tecnologia da Informação[:]

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Esse mês de novembro, no 2o Encontro dos Ministros das Comunicações dos Brics, em Bangalore (sul da Índia), foi definida uma agenda de ações para o aprofundamento e desenvolvimento das cooperações multilaterais no campo da Economia Digital, Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Das ações debatidas, foram apontadas agendas digitais nacionais como elementos cruciais para consolidar o crescimento econômico e social, ao alimentar e desenvolver o ecossistema doméstico de TICs.

O Brasil se comprometeu em liderar com a África do Sul agendas nacionais digitais e, com a China, o Comércio entre empresas (B2B – business to business). Ficou aberta para a contribuição brasileira o debate em: pesquisa, desenvolvimento e inovação; reforço das capacidades; governo eletrônico, incluindo aplicações móveis; e engajamento e articulação internacional.

Esse encontro anual fortalece as relações entre os BRICS, mostrando a força do Bloco que deseja se consolidar e a capacidade de superação e desenvolvimento das complexidades internas destes países, de forma cooperativa, debatendo pontualmente como cada um deles lida e organiza suas pastas e como podem conjuntamente se desenvolver.

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ImagemPrimeiroMinistro da Índia, Narendra Modi” (FonteLicença CC):

http://s4.firstpost.in/wp-content/uploads/2016/10/Modi_Brics_PIB.jpg

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ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALDEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Pacto de Cooperação de Inteligência Militar entre Japão e Coreia do Sul preocupa Pequim[:]

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Por meio de seu porta-voz, Geng Shuang, a Chancelaria chinesa afirmou na última quarta-feira (23 de novembro) que “o reforço de cooperação da inteligência militar entre o Japão e a Coreia do Sul irá agravar o confronto na Península Coreana e aumentar a instabilidade regional no Nordeste Asiático”.

A declaração foi realizada imediatamente após a Coreia do Sul e o Japão assinarem um Acordo de Cooperação de Inteligência Militar, em Seul, com o objetivo de compartilhar informações acerca de armas nucleares e mísseis balísticos da Coreia do Norte.

Conforme pesquisa do Serviço Mundial da BBC sobre a percepção dos habitantes de alguns países em relação a outros, realizada em 2014, apesar de alinhados politicamente por conta de uma ameaça comum, “13% dos japoneses consideram a influência sul-coreana muito positiva, enquanto 37% possuem uma visão inteiramente negativa. Entre os sul-coreanos, 15% enxergam o Japão como uma influência positiva e 79% consideram a influência japonesa como negativa”. A Coreia do Sul perderia apenas para a China no ranking de populações com pouca afinidade com o Japão, o mais “ocidental” dentre os países do Oriente.

Japão e Coreia do Sul foram os dois países asiáticos que mais receberam investimentos e sofreram influência econômica e cultural dos Estados Unidos da América no pós-2ª Guerra Mundial, enquanto que China e Coreia do Norte permaneceram sob a ideologia comunista com o Estado exercendo controle dos meios de produção.

Como apontam especialista, o desenvolvimento dessa parceria estratégica entre japoneses e sul-coreanos deve ser observada “com lupa” por causa das tensões regionais entre países “satélites” que representam modelos mentais e paradigmas econômicos diferentes.

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ImagemMapa indicando localização da Coreia do Sul e do Japão” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_Coreia_do_Sul_e_Jap%C3%A3o

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